JUNHO marca o regresso da revista do Clube Tex Portugal, um projecto feito por sócios e dirigido a todos os sócios do clube português, focando os mais variados temas em redor de Tex e do western em geral.
As DUAS capas dos IRMÃOS CESTARO para a revista nº 16 do Clube Tex Portugal
Este décimosexto número terá novamente 56 páginas e apresentará novamente DUAS versões para a sua capa, mas pela primeira vez temos dois desenhadores diferentes: os magníficos irmãos GIANLUCA CESTARO e RAUL CESTARO, já que ambos fizeram questão de nos enviar, cada um deles, uma ilustração de Tex.
Assim sendo optou-se uma vez mais por fazer a revista com duas capas diferentes, uma principal, a que tem a ilustração de Gianluca Cestaro a preto e branco, e a da capa variante a que tem a ilustração de Raul Cestaro colorida.
Capa principal da revista nº 16 do Clube Tex Portugal, da autoria de Gianluca Cestaro
Neste décimo sexto número para além das magníficas capas de Gianluca Cestaroe Raul Cestaro, destaque ainda para as colaboraçõesEXCLUSIVAS dos consagrados autores Giampiero Casertano, Michele Benevento, Orestes Suárez Lemus e Pasquale Ruju.
Neste número regressam os textos do director Mário João Marques (que nos fala da carreira dos irmãos Cestaro; entre Dylan Dog e Tex), de José Carlos Francisco (que escreve sobre os puzzles de Tex), do Jesus Nabor(que aborda a tragédia do Trem 809), do Sandro Palmas (que escreve um amplo texto sobre as histórias dos Almanaques do Oeste… e não só) e do Pedro Pereira (que nos apresenta Eusébio: criado, cozinheiro, mordomo, guarda-costas e amigo de El Morisco) havendo ainda as estreias de Teresa Moreira (que nos escreve sobre a sua faceta de fã e coleccionadora do Ranger) e de Pasquale Ruju (que nos delicia com um belo texto dedicado à escolha da melhor e mais impactante prancha de Tex).
Capa variante da revista nº 16 do Clube Tex Portugal, da autoria de Raul Cestaro
Nota do Clube Tex Portugal a todos os sócios:
Como habitualmente, os sócios do Clube Tex Portugal (com excepção dos sócios menores) COM AS QUOTAS DO MÊS DE JUNHO PAGAS, terão direito a receber gratuitamente um exemplar da revista. Dado que este 16º número será publicado com duas versões da capa, o exemplar gratuito será o da versão com o desenho de Tex a preto e branco.
Adicionalmente, sem qualquer limite, os sócios podem adquirir mais exemplares da revista, quer da versão oficial quer da versão alternativa, sendo o preço unitário de 10 euros.
Deste modo, todos os sócios que desejem adquirir exemplares da revista, devem informar desde já (e impreterivelmente até ao dia 18 de Junho) o Clube Tex Portugal, na forma de comentário a este post ou escrevendo para José Carlos Francisco (josebenfica@hotmail.com), indicando o nº de exemplares pretendido para cada versão da capa e procedendo ao respectivo pagamento na conta do Clube Tex Portugal ou através de paypal, enviando o comprovativo desse mesmo pagamento.
Pagamentos internacionais por transferência bancária devem ser feitos com todas as despesas a serem suportadas pelo ordenador, sem qualquer dedução no valor a receber pelo Clube, devendo ser creditada a conta PT50003600009910590434664 em nome do Clube Tex Portugal na Caixa Económica Montepio Geral – código swift: MPIOPTPL;
Pagamentos nacionais por transferência bancária devem ser feitos para o IBAN PT50003600009910590434664
Pagamentos por Paypal devem ser efectuados para o e-mail cacem.moreira@gmail.com com todas as despesas a serem suportadas pelo ordenador, sem qualquer dedução no valor a receber pelo Clube.
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No passado dia 19 de Maio a Sergio Bonelli Editore publicou a edição número 43 de Tex Willer (a série dedicada ao jovem Tex e que traz as aventuras de Tex quando ele ainda era um fora-da-lei!), intitulada “I cavalieri del Cerchio d’Oro” que contém a terceira parte de uma história escrita por Mauro Bosellie desenhada por Bruno Brindisi, história em que comparece Juan Cortina, para os texanos um bandido, para os mexicanos um patriota!
A capa deste quadragésimo terceiro número, tal como as quarenta e duas anteriores e as que se seguirão nesta colecção, é da autoria do conceituado desenhadorMaurizio Dotti, capa essa que divulgamos hoje aqui no blogue do Tex acompanhada dos NOVE esboços iniciais, assim como da arte a lápis, da arte finalizada a tinta da china e da capa original pintada igualmente por Maurizio Dotti, devido à gentil cortesia do próprio Dotti:
Primeiro esboço para a capa de Tex Willer #43, da autoria de Maurizio Dotti
Segundo esboço para a capa de Tex Willer #43, da autoria de Maurizio Dotti
Terceiro esboço para a capa de Tex Willer #43, da autoria de Maurizio Dotti
Quarto esboço para a capa de Tex Willer #43, da autoria de Maurizio Dotti
Quinto esboço para a capa de Tex Willer #43, da autoria de Maurizio Dotti
Sexto esboço para a capa de Tex Willer #43, da autoria de Maurizio Dotti
Sétimo esboço para a capa de Tex Willer #43, da autoria de Maurizio Dotti
Oitavo esboço para a capa de Tex Willer #43, da autoria de Maurizio Dotti
Nono esboço para a capa de Tex Willer #43, da autoria de Maurizio Dotti
Arte a lápis para a capa de Tex Willer #43, da autoria de Maurizio Dotti
Arte final a tinta da china da capa de Tex Willer #43, da autoria de Maurizio Dotti
Ilustração para a capa de Tex Willer #43, com as cores originais de Maurizio Dotti
Capa de Tex Willer #43 – “I cavalieri del Cerchio d’Oro”
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Falecido em 2015, Fernando Fuscofoi um dos mais activos e apreciados desenhadores de Tex. O município de Ventimiglia, sua cidade natal, dedicou-lhe, em sua honra, uma placa na Biblioteca Aprosiana, uma das mais antigas bibliotecas públicas da Itália.
Quase vinte anos se passaram desde que o Município de Ventimiglia organizou a exposição Tex em Ventimiglia – Uma homenagem a Carlo Raffaele Marcello e a Fernando Fusco, o evento que em 2003 deu a conhecer a todos os habitantes da cidade italiana, e não só, dois importantes desenhadores texianos nascidos precisamente em Ventimiglia.
Fernando Fusco recebeu agora uma nova homenagem, no decurso da primeira edição de Fumettando, Festival de Banda Desenhada centrado no ponto de vista feminino, para contribuir com a história e representação das mulheres que actuam no mundo dos quadradinhos, realizado nos últimos dias. Por iniciativa da Associação dos Amigos da Banda Desenhada, na manhã de sábado, 4 de junho, o presidente da Câmara Municipal Gaetano Scullino descobriu uma placa em sua homenagem no interior da Biblioteca Aprosiana.
“Em memória de um grande Ventimigliese cujas obras artísticas permanecerão para sempre património de cada um de nós“, lê-se na placa. E de facto, as mais de setenta histórias de Tex desenhadas por Fusco são um património importante na epopeia do Ranger bonelliano, como o são na bagagem emotiva de todos os leitores.
«É com grande prazer e orgulho que a administração municipal acolheu a proposta das Associações citadinas Amici del Fumetto, Artek Orizzonti, Comitato di San Secondo Cumpagnia d’i Ventemigliusi, Nuovi Orizzonti, Pro Cultura di Ventimiglia e Pro Loco, de recordar Fernando Fusco inaugurando uma placa em sua memória no átrio de acesso da Biblioteca Aprosiana – disse o presidente da Câmara Municipal de Ventimiglia Gaetano Scullino -. É justo que um lugar de cultura abrigue referências a cidadãos que difundiram a própria arte no mundo através de pensamentos e realizações, e é justo que os habitantes de Ventimiglia de hoje e de amanhã conservem bem vívida a memória de artistas, escritores e poetas nascidos nesta cidade».
«Este é apenas um primeiro passo– prossegue o presidente Scullino – à espera de poder dedicar a Fernando Fusco, após os dez anos do seu falecimento como exigem as regras de toponímia, um espaço citadino próximo ao local onde nasceu e viveu».
Natural de Ventimiglia, na Itália, onde nasceu a 1 de Agosto de 1929, dedicou-se desde muito jovem à pintura e à arte gráfica. Em 1957 ao mudar-se para Paris aprofunda a sua pesquisa artística e trabalha como ilustrador com as principais editoras europeias. Em 1970 retorna a Itália estabelecendo-se em San Giustino intensificando a sua actividade no mundo da banda desenhada, passando a fazer parte da grande família que fica por trás do pano desenhando as aventuras de Tex em 1973.
Senhor de um traço único e original, Fusco sempre foi um dos mal amados desenhadores texianos. Mas a verdade é que o seu desenho não deixava ninguém indiferente, ou se amava ou se odiava. O seu traço era rectilíneo e algo rígido, certamente, mas era, ao mesmo tempo, um traço que se adaptava a todo o tipo de aventura e a quase todos os cenários e ambientes. O seu Tex revelava origens ticcianas, nomeadamente na expressividade do olhar, mas a sua composição procurava um cinismo sempre latente no Ranger. Um cinismo penetrante, contagiante e até perturbador.
Estará à venda nos quiosques italianos, este sábado, 11 de Junho, o quarto Speciale Tex Willer que conta como o jovem Mefisto deixou a sua promissora carreira de ilusionista para se dedicar à sua natureza mais sombria. Mauro Boselli aborda essa faceta no vídeo que apresentamos hoje.
Como todos sabem, o 2022 texiano éo ano de Mefisto.Este mêstermina, de facto, a trilogia dos volumes desenhados pelos irmãos Cestaro que o trouxe de volta à ribalta, à espera da quadrilogia ilustrada por Fabio Civitellique começa emJulho.
O Speciale Tex Willer nos quiosques italianos a partir deste sábado, 11 de Junho, concentra-se, por sua vez, nos nos eventos que levaram o jovem ilusionista Steve Dickart a abandonar-se ao poder obscuro que sentiu crescer dentro de si, até se tornar o inimigo número 1 de Tex.
Para nos apresentar este Speciale Tex Willer, não por acaso intitulado “Mefisto: Le origini del Male“, está, como sempre, Mauro Boselli, supremo arquitecto de toda a operação (os desenhos são de Roberto De Angelis e a capa de Maurizio Dotti) e naturalmente argumentista da história em questão.
Tive a sorte de descobrir o universo texiano através de uma aventura que, passados mais de quarenta anos desde a sua publicação em Itália, continua a ser considerada por muitos dos fãs como das melhores de sempre do personagem. Não consigo precisar o ano, apenas que ocorreu entre os finais da década de setenta e o início dos anos oitenta! Fruto da genialidade de Giovanni Luigi Bonelli, “Assalto ao trem1“, uma típica história de western, repleta de ação, incrementada até ao final com as dúvidas sobre o paradeiro do montante roubado e, também, sobre a identidade do informante. Os desenhos da autoria do inovador, para a época, Giovanni Ticci, límpidos e muito detalhados, eram soberbos e em muito contribuíram para o fascínio desta aventura. Atualmente, Ticci é o desenhador em atividade do staff texiano com o maior número de pranchas desenhadas e, juntamente com Claudio Villa, as referências para os novos desenhadores. Esse primeiro contacto deixou-me completamente viciado! Vício que, apesar de controlado, se mantém até aos dias de hoje! Na época procurei então por outras histórias de Tex Willer, tentando começar a coleção, incentivado pela listagem das histórias publicadas na página quatro. A péssima distribuição existente, curiosamente nada mudou neste aspeto, passados mais de três décadas, levou-me a perder inúmeras edições e por vezes, como a maioria das aventuras eram em continuação, partes das histórias. O que aumentava a ansiedade, mas também a curiosidade, sobre este fantástico universo!
Nesta época, a maioria das histórias publicadas pela Vecchi, a editora que detinha os direitos do personagem para o Brasil e Portugal, eram retiradas da fase que considero “a idade de ouro” deste herói: meados da década de sessenta e início dos anos oitenta! Tive assim acesso, logo nos primeiros anos, a algumas das histórias que hoje são consideradas como grandes clássicos e geralmente aceites como das melhores histórias de todos os tempos: “Forte Defiance“, “A cruz trágica“, “Entre duas bandeiras“, “A noite dos assassinos“, “Terra prometida“, “A grande intriga” ou “El Muerto“. A imaginação dos Bonelli, Giovanni Luigi e Sergio, era tão frutuosa, que a qualidade dos argumentos era na sua grande maioria elevada, não sendo de estranhar que muitas outras aventuras tenham marcado esta época e ficado na memória dos aficionados deste personagem. Além das referidas, entre as mais consensuais salientam-se ainda: “Caçada humana”, “Missão em Great Falls”, “O vale da morte”, “O solitário do oeste”, “A patrulha perdida”, “A grande ameaça” ou “O assassino sem rosto”. Outras passaram um pouco despercebidas pelos fãs, talvez pela proximidade de publicação e não porque fossem de qualidade inferior. Entre essas aventuras encontra-se uma que aprecio particularmente e que, em minha opinião, merece destaque: “Trapper!”2 .
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Em Saint Louis, Tex e os seus pards salvam de um atentado Tom Hogan, dono da companhia de peles Missouri. Decididos a ajudar Hogan, o grupo vai envolver-se numa verdadeira guerra pelo negócio das peles. Jackson, proprietário da Rocky Montains, companhia que Hogan abandonou para fundar a Missouri, juntamente com dez dos seus melhores caçadores, utiliza todos os meios ao seu alcance para absorver a nova companhia e, assim, poder competir com as grandes companhias de peles, como a Hudson Bay. Com as informações obtidas no interrogatório a Bert Morley, um dos elementos envolvidos no planeamento do atentado a Jackson, os cinco parceiros começam a desenvolver ações para o desmantelamento da criminosa organização. Infelizmente, nem tudo vai correr de acordo com o planeado e, ao prestarem auxilio a uma caravana da Missouri, que estava a ser atacada pelos índios Snake, Tex e Tigre são capturados.
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A destruição dos planos de Jackson deixa de ser uma prioridade para Kit Carson, Kit Willer e Pat, o irlandês. Há que elaborar um plano de resgate que permita libertar rapidamente os seus amigos. Entretanto, na aldeia dos índios Snake, Pequeno Trovão, o chefe da tribo, é persuadido por Wanaima, a índia que Tex havia deixado em liberdade após assassinar o marido, a tratar os prisioneiros como guerreiros. Esta providencial intervenção vai possibilitar a Tex e Tigre uma ténue tentativa de sobrevivência! Em vez de morrerem torturados num poste, vão ser caçados por todos os guerreiros que queiram participar, num ritual índio, em que a vida ou morte dos condenados, apenas depende da ligeireza das suas pernas: A corrida da flecha!
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O comércio das peles, o tema desta aventura, teve uma grande influência na colonização europeia da América do Norte! Os Trappers eram, não só caçadores, mas também, responsáveis pela extração e o curtir das peles dos animais caçados! Profissão duríssima, de perigosidade extrema e muito pouco aceite pela sociedade, os caçadores de peles estiveram na vanguarda pela conquista do Oeste, sendo os primeiros a avançar pelas florestas e pradarias ainda inexploradas. No início do seculo XIX, para satisfazer a enorme procura de peles de castor, muito procuradas na Europa para fabricar essencialmente chapéus, moda originária da Grã-Bretanha, estes homens corajosos aventuravam-se pelo interior dos territórios índios, sozinhos, armados apenas com um rifle e uma faca, correndo enorme risco de serem escalpados, ao serem descobertos. A caça excessiva a este roedor só perdeu expressividade por volta de 1838, em que a redução drástica da população destes animais coincidiu com a perda de interesse dos europeus por este acessório, colocando término a este ciclo, que foi conhecido como o ciclo do castor. Com a diminuição do interesse por este tipo de couros, as peles de bisontes“3 começaram a ter grande importância no comércio das peles e, em 1850, já eram as mais procuradas, quando as manufaturas do leste do país começaram a receber pedidos muito substanciais para satisfazer as necessidades da indústria local, mas também dos mercados europeus e asiáticos. O ciclo do búfalo termina por volta de 1880, com o quase extermínio destas criaturas, devido à procura incessante das suas peles, repetindo-se os erros ocorridos na caça ao castor.
“Trapper!” possui um argumento bastante simples: guerra entre duas companhias de peles pelas melhores rotas, em que uma, a Missouri, tenta sobreviver aos ataques desleais que a segunda, a Rocky Montains, utiliza para conseguir arruiná-la e adquiri-la, conseguindo assim dimensão para competir com as outras grandes companhias de peles. Partindo desta base, G.L. Bonelli, o autor deste enredo, consegue desenvolver uma história bem interessante, consistente e bem construída, sem recurso a flashbacks, ou a saltos temporais. Aliás, em momento algum desta aventura existe referência à época! Não existem histórias secundárias a competirem com a trama principal, mas sim pequenos episódios em sequência, que estão interligados, e só por si poderiam resultar em histórias completas. Principalmente o episódio em que, ao socorrerem a caravana da Missouri, Tex e Tigre são capturados pelos índios Snake, ou o seguinte, a destruição por Tex e os seus pards do bando de Shady Bill e a tomada da caravana da Rocky Montains. Relativamente ao ritmo narrativo, existe um bom doseamento das cenas de ação, mantendo a narrativa rápida em grande parte da história, (ritmo adequado para um western), em que alterna entre o rápido nas diversas cenas de ação, com o mais lento nas cenas mais descritivas, preenchidas com diálogos longos e extensos, ou com a utilização de cartuchos e legendas para efetuar pontos de situação ou para explicação de determinadas expressões, como: “contar golpes”, “rendez-vous” ou “free for all”.
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Destaca-se também pela positiva a forma equilibrada encontrada pelo autor no doseamento do protagonismo atribuído aos heróis, pois todos eles têm a sua dose! Enorme protagonismo do filho de Tex e de Carson, principalmente na elaboração e execução do plano de resgate de Tex e Tigre. Pat, apesar das suas limitações, teve um papel indispensável no resgate, sendo também o responsável máximo pela parte humorística desta história, ao exibir uma relação pouco amistosa com o seu quadrúpede, pela qual sofre consequências, no mínimo, desagradáveis. Não esquecendo Tigre, que luta bravamente com os Snake antes de ser capturado juntamente com Tex, deteta a presença de Webby e os seus cúmplices antes do ataque noturno ao grupo e neutraliza quatro índios Snake quando os outros pards estavam no interior do armazém de Ross Claywood, a interrogá-lo. Com Gianluigi, Carson, Kit e Tigre não são meros coadjuvantes, são protagonistas de corpo inteiro, ao mesmo nível de Tex, em que a única diferença entre eles, é a liderança deste.
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Numa trama tão extensa era expetável a existência de diversos personagens secundários e, de facto, eles estão presentes! Todavia, apesar das potencialidades de alguns, como o chefe dos Snake, Shady Bill e os líderes da caravana Jean Pierre de la Motte e Ben Dermott, são pouco explorados pelo autor. Incluindo Jackson, o mentor da organização criminosa que apenas aparece em pouco mais de uma dezena de pranchas.Talvez a forma como está estruturado o roteiro, em cadeia, em que os personagens vão entrando e saindo de cena, como se de etapas se tratasse, tenha impedido o escritor de explorar esta vertente.
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Outro aspeto menos conseguido é a conclusão da aventura! Após a rendição da caravana da Rocky liderada por Ben Dermott, completamente iludido com a estratégia de Tex, este delega em Pat a missão de informar Hogan dos últimos eventos e instrui-lo para não perder a oportunidade de enfrentar Jackson, agora que a organização se encontra totalmente destruída. Este final, abrupto e apressado, sem definir o destino de Jackson4, é talvez a parte mais pobre da obra!
Erio Nicolò, o desenhador desta aventura, nasceu em Florença a 11 de Novembro de 1919, tendo falecido em 27 de Fevereiro de 1983, após dezanove anos a desenhar o ranger e contribuído para a realização de algumas das mais emblemáticas histórias do personagem! Além de “Trapper” salienta-se “Apache Kid”, “A flecha quebrada”, “O índio branco” ou a aclamada “A grande intriga”, entre muitas outras. Possuidor de um traço limpo, preciso, mas suave, acima de tudo singular, o seu estilo é inconfundível e perfeitamente identificável em todas as pranchas! Os personagens são credíveis, apresentando fisionomias realistas e imutáveis, independente dos ângulos ou enquadramentos. Como aspeto menos positivo, a utilização de feições similares para diferentes personagens, nos seus trabalhos, mas também na mesma aventura, como em “Trapper!”. Hogan e Jackson, os donos das duas companhias rivais, possuem fisionomias demasiado semelhantes, o que deveria ter sido evitado!
Com Nicolò, raramente se detetam erros de proporção da figura humana, que domina com mestria. A diagramação das pranchas é bastante rígida, fiel ao padrão Bonelli de três tiras por prancha, com uma ou duas vinhetas por tira, na quase totalidade das cerca de quatro centenas de páginas. As exceções são o “rasgar” de algumas vinhetas, com o objeto a ultrapassar a área do desenho, transmitindo, assim, maior tridimensionalidade.
Já no que diz respeito a enquadramentos e ângulos, a obra de Nicolò é bastante diversificada, utilizando, no entanto com maior frequência, os primeiros e os grandes planos. A frequente alteração de ângulos e enquadramentos leva-o por vezes a cometer alguns erros de posicionamento dos personagens, o que compensa com o dinamismo transmitido às cenas, mesmo nas pranchas com maior saturamento de texto! A ambientação desta aventura é bastante variada e complexa, exigindo ao desenhador enorme capacidade de adaptação aos inúmeros ambientes e cenários, o que Nicolò resolve competentemente, graças à sua versatilidade. Aprecio particularmente as cenas passadas nos ambientes externos da floresta e da pradaria, assim como as cenas noturnas. Apesar de não pormenorizar muito os cenários, o facto é que, com Erio muito raramente observamos uma vinheta “desnudada”. Mesmo nos grandes planos, o que enriquece de sobremaneira as suas pranchas!
As aventuras de “a idade de ouro” tinham algo! Algo fascinante que as tornava marcantes, que mantinham os leitores interessados, presos à leitura! Fascínio que raramente consigo encontrar nas aventuras deste século5, que considero demasiado complexas e por vezes monótonas ou desinteressantes. São vários fatores que o podem justificar, como a existência de um maior equilíbrio entre as cenas de ação e as mais descritivas, um maior protagonismo dos outros personagens (Kit, Kit Carson, Tigre), mas também a frequente inclusão de humor ou suspense nos enredos, ou a presença assídua de inimigos poderosos ou carismáticos que colocavam os protagonistas em enormes dificuldades, ou ainda, uma boa exploração do desfecho final. Nem sempre todos estes componentes estavam presentes em cada aventura. Nem era necessário! Pois o que tornava as histórias memoráveis era o correto doseamento dos componentes utilizados, mantendo assim a narrativa viva, num ritmo adequado a um western. Em minha opinião, a fórmula do sucesso dos Bonelli para criarem grandes histórias, assentava essencialmente nessa capacidade de conjugar, de uma forma harmoniosa, os diversos ingredientes da aventura!
Se retirarmos a Trapper! o desfecho que, como já referi, considero bastante fraco, tendo em conta a dimensão do enredo, todos os outros ingredientes estão bem presentes, com um doseamento adequado e, se adicionarmos o trabalho gráfico de Nicolò, competente, bastante personalizado, conseguindo bons desempenhos em todos os ambientes e cenários, mesmo considerando não tendo a profundidade de Villa, o dinamismo de Ticci, que também faz parte dessa fase, o realismo de Frisenda, o detalhe de Rossi, ou mesmo a perfeição de Civitelli, perceberemos que estamos perante um verdadeiro western, digno de figurar na galeria das obras primas bonellianas.
LEGENDA:
1História publicada originalmente em Setembro e Outubro de 1975 em Itália, nos números 179 e 180 da coleção Tex. No Brasil já foi publicada quatro vezes, a primeira no nº 71 da coleção Tex, em Janeiro de 1971.
2 Na Itália saiu para as bancas pela primeira vez entre Novembro de 1976 e Fevereiro de 1977, nos números 193 a 196 da edição regular de Tex. No Brasil foi publicada inicialmente entre Fevereiro e Maio de 1981, também na edição mensal, nos números 120 a 123.
3 Bisontes, bisões ou búfalos.
4 O facto de o destino de Jackson não ter sido revelado deixou em aberto o seu regresso numa próxima aventura! Retorno esse que passados quase quarenta anos ainda não foi aproveitado por nenhum dos argumentistas do personagem. Boselli, que tem “ressuscitado” diversos personagens da saga, tem em Jackson um inimigo poderoso e sedento de vingança, capaz de protagonizar uma excelente trama, na linha de “A grande intriga”: um homem poderoso a movimentar influências para prejudicar Tex e os seus amigos, levando-os a enfrentar enormes dificuldades, permanecendo no anonimato até próximo do final da aventura. Momento em que seria então revelado em flashback, o sucedido após Tex se ter despedido de Pat.
5 Sou de opinião que a qualidade média das histórias aumentou nos últimos anos, se comparada com as últimas duas ou três décadas. Refiro-me por exemplo, só para mencionar algumas das histórias mais recentes: “Na pista de El Supremo”, “Jovens assassinos” ou “Patagónia”. Esta ultima, unanimemente considerada como das melhores histórias do personagem! Suponho que este ganho de qualidade se deva, essencialmente, à entrada de Gianfranco Manfredi, Tito Faraci e Pasqualle Ruju para o staff, que além de trazerem novas ideias e novas perspetivas para o personagem, permitiram reduzir a quantidade de argumentos destinados a Boselli, dando-lhe assim mais tempo para o desenvolvimento dos seus roteiros.
* Texto de Sérgio Madeira de Sousa publicado originalmente na Revista nº 3 do Clube Tex Portugal, de Dezembro de 2015.
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