Os bastidores da criação: Claudio Villa revela o processo criativo da capa de Maxi Tex #39 – ‘Pagati per uccidere’

O mestre Claudio Villa no seu estúdio, o local sagrado onde ganham vida as capas do Ranger

Os leitores mais atentos do Tex Willer Blog sabem bem que acompanhar a evolução de uma capa de Tex é penetrar no próprio coração do misticismo da Sergio Bonelli Editore. Hoje, trazemos uma viagem absolutamente imperdível pelos bastidores da mais recente capa do Maxi Tex #39 – Pagati per uccidere (a lançar no próximo mês de novembro), comentada passo a passo pelo seu próprio criador: o mestre Claudio Villa!

Com o seu humor habitual e rigor anatómico, Villa partilhou nas suas redes sociais a evolução da ilustração sob o lema: “Maxi Tex novembroso. Origine e inserzione (dai manuali di anatomia sulla descrizione dei muscoli)”. Graças a esta generosa partilha, podemos desvendar a anatomia de uma obra de arte em 6 etapas fascinantes, enriquecidas com as próprias legendas do Maestro:

1. A Inspiração e o Desafio da Realidade

Legenda de Claudio Villa: “Foto reference. Ma come carica il winchester mi sembrava “grezzo”“

Todo o processo ganha vida a partir de um registo real (uma fotografia clássica do ator George Montgomery – no filme The Lone Gun, de 1954). No entanto, o olhar clínico de Claudio Villa percebeu de imediato que a mecânica original de recarga da Winchester parecia demasiado rude ou desalinhada para a elegância mítica que o Ranger exige no papel.

2. O Primeiro Esboço de Atmosfera

Legenda de Claudio Villa: “Primo schizzaccio di “atmosfera”. Non c’è ancora uno sfondo“

A partir da referência, nasce o primeiro traço a lápis. Aqui, a prioridade absoluta de Villa é capturar a pose, a tensão e a “energia” de Tex. O cenário de fundo ainda não existe; o foco está inteiramente na silhueta icónica do herói.

3. Definindo o Cenário

Legenda de Claudio Villa: “Pennarello sulla matita precedente. ora un accenno di sfondo.“

Com o auxílio do marcador sobre o grafite anterior, as linhas ganham peso e definição. É neste ponto que o Maestro introduz os primeiros elementos do plano de fundo — a janela e a ombreira de madeira da estrutura —, contextualizando o perigo iminente.

4. A Arte-Final a Tinta-da-China

Legenda de Claudio Villa: “China. Ma era più naturale la posizione della testa nella precedente.“

O traço definitivo é consolidado a tinta-da-china, fazendo sobressair o magnífico jogo de sombras texturizadas. Num vislumbre de autocrítica típica dos grandes génios, Villa confessa aos leitores que preferia a inclinação ligeiramente mais natural que a cabeça de Tex exibia na fase anterior.

5. As Cores Originais e o Humor do Scanner

Legenda de Claudio Villa: “Colore, con mio scanner che aumenta il rosso. Devo chiedergli per chi vota “

A pintura manual ganha vida com cores ricas, contrastes dramáticos e uma iluminação soberba sobre a icónica camisa amarela de Tex. Divertido, o desenhador brinca com o facto de o seu digitalizador saturar excessivamente os tons vermelhos, questionando as “tendências políticas” do aparelho.

6. O Resultado Final nas Bancas

Legenda de Claudio Villa: “Edicola“

O culminar do processo: a capa finalizada com o tradicional logótipo MAXI, os respetivos títulos integrados graficamente e o grafismo editorial que os colecionadores tanto apreciam encontrar nas bancas de toda a Itália.

Uma lição viva de banda desenhada oferecida por um dos maiores vultos da nona arte contemporânea!

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“A Vingança de Doc Holliday” (da Mythos Editora) na análise de Rui Cunha

Por Rui Cunha (texto) e Margarida Cunha (fotografias)

“A Vingança de Doc Holliday” (da Mythos Editora) na análise de Rui Cunha

Na história americana, a cidade de Tombstone, no Arizona, tornou-se famosa, de um dia para o outro, por conta de um duelo que lá ocorreu no dia 26 de outubro de 1881 e que as lendas do Oeste chamaram “Duelo no O.K. Corral” e o tornaram famoso na mitologia do velho Oeste.

O duelo foi o resultado de um conflicto que já vinha de trás que opunha um bando de cowboys, pistoleiros e, na sua maioria, ladrões, a Wyatt Earp e seus irmãos Morgan e Virgil, homens da lei e “Doc” Holliday, ex-dentista, jogador de poker, tornado pistoleiro. O tiroteio, que durou aproximadamente 30 segundos, resultou na morte de três cowboys, Tom e Frank McLaury e Billy Clanton e ferimentos em Morgan, Virgil e “Doc” Holliday.

No entanto, o duelo não acabou com a luta entre os irmãos Earp e os cowboys. Algum tempo depois, com diferença de meses, Virgil seria vítima de uma emboscada sendo ferido gravemente e Morgan seria assassinado. Wyatt, agora Marshall do condado de Cochise, no Arizona, com a ajuda de alguns amigos e “Doc”Holliday”, fez justiça pelas suas próprias mãos, perseguiu e matou grande parte dos cowboys acabando com o bando.

 O duelo, apesar da lenda que se criou à sua volta, só foi conhecido do grande publico americano por volta de 1931, quando Stuart Lake, escritor, fez referência a ele numa biografia que escreveu sobre Wyatt Earp nesse ano. A partir deste livro, muitas foram as formas que se tentaram encontrar para ilustrar e fazer chegar aos novos públicos o acontecimento. A literatura e o cinema foram os melhores veículos para isso e deles resultaram algumas das grandes obras literárias e cinematográficas de sempre, como “My Darling Clementine – A Paixão dos Fortes” de John Ford (1946), ou “Gunfight at the O.K. Corral – O Duelo de Fogo” de John Sturges (1957), ou mais recentemente “Tombstone – Tombstone” de George Pan Cosmatos (1993) ou ainda “Wyatt Earp – Wyatt Earp” de Lawrence Kasdan (1994), sendo este último uma espécie de biografia do homem da lei.

Até a chamada 9ª Arte, a Banda Desenhada, se rendeu ao acontecimento e através de um dos seus grandes heróis, o Tenente Blueberry, lhe rende uma discreta homenagem no livro “Blueberry – OK Corral” (Jean Giraud, 2003).

Mas o O.K. Corral não se ficou apenas pelo duelo e o que dele resultou, a imaginação de alguns autores continuou e expandiu o evento com outros protagonistas, como Tex Willer, famoso Ranger do Texas, criação italiana de Gian Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini.

 Tex Willer foi criado pelos dois autores supracitados em 1948 e, com quase 80 anos de existência, continua a encantar a geração que o viu nascer, aquela que se seguiu, os que vieram a seguir e, já em pleno século XXI, as novas gerações. Renovando-se constantemente ao longo dos anos, quer em termos de histórias, quer em autores.

Em 2019, operou-se na SBE (Sergio Bonelli Editore) uma nova mudança: pela primeira vez, na sua existência, uma história de Tex foi inteiramente desenhada por uma mulher. A história chama-se “La Vendetta di Doc Holliday – A Vingança de “Doc” Holliday” e a sua desenhadora chama-se Laura Zuccheri.

Passaram-se anos sobre o famoso duelo do O.K. Corral, que opôs os irmãos Earp e “Doc” Holliday aos cowboys liderados por Ike Clanton. Pensa-se que o bando dos cowboys já não existe, embora Johnny Ringo, um dos líderes do grupo ainda esteja vivo. Na cidade de Trail’s End, no Novo México, três cowboys que haviam chegado à procura de “Doc” Holliday aparecem mortos. Tex e Kit Carson são enviados para tentar resolver o caso e descobrir o paradeiro do ex-dentista que, ao que tudo indica, foi quem os matou.

Trabalhando sobre um argumento de Mauro Boselli, Laura Zuccheri não poderia ter começado da melhor maneira. A antiga desenhadora da série “Júlia”, também da Editora Bonelli, apresenta um trabalho digno dos mais famosos e conhecidos desenhadores de Tex. A desenhadora consegue alguns bons momentos, principalmente na sequência em flashback do O.K. Corral e o que se seguiu (pág. 99 – 114), entre-cortada pela conversa dos dois Rangers com Johnny Ringo no saloon em que o seu desenho é como se fosse uma câmara a filmar, conseguindo um bom equilíbrio entre os momentos mais calmos e os momentos de acção da história.

A acção decorre em diversos locais, cidades e povoados, sempre bem ilustrados pela desenhadora, dinamizando a acção e preparando o leitor para os grandes momentos que começam a acontecer a partir do meio para a frente (pág.115 – em diante).

O argumento de Mauro Boselli é bem estruturado, apresentando-se inicialmente como um western, com direito a uma primeira cena de acção e mistério onde surge pela primeira vez o assassino. Tex e Carson seguem as pistas que vão surgindo e a história avança para uma espécie de “who dunit”, onde nunca se percebe quem é o assassino e assim se mantém até perto do final quando as revelações começam a surgir e o culpado é finalmente apanhado. Boselli consegue um bom “vol de face” quando Johnny Ringo é assassinado adensando ainda mais o mistério de quem anda a matar e porquê.

O final em aberto (com as duas mulheres a partirem em busca do tesouro que os cowboys acumularam fruto dos seus roubos e que apenas Johnny Ringo sabia onde estava), sugere uma possível continuação no futuro?

No geral, “A Vingança de “Doc” Holliday”, é mais uma boa aventura de Tex, nunca abandonando o género para que foi escrita, um bom argumento com toques de thriller policial e, principalmente, um bom trabalho da desenhadora, Laura Zuccheri.

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O que esperar da Sergio Bonelli Editore no evento Lucca Comics & Games 2026?

Está a chegar o momento mais aguardado do ano para os amantes da banda desenhada europeia! Entre os dias 28 de outubro e 1 de novembro, a pitoresca cidade medieval de Lucca, na Toscana, transforma-se no epicentro da nona arte com a comemoração dos 60 anos do evento Lucca Comics & Games 2026.

Como já é tradição, a Sergio Bonelli Editore estará presente em força no famoso PalaBonelli (na Piazza Antelminelli). Mas este ano há uma grande novidade: para evitar as longas filas e permitir que os fãs de todo o mundo garantam as suas raridades, a editora criou um sistema de pré-vendas diárias no seu site oficial. Todos os livros adquiridos nesta modalidade serão enviados a partir do primeiro dia da feira, 28 de outubro.

Se quer saber o que esperar do evento — ou o que garantir já online —, eis os grandes destaques Texianos, da casa de Via Buonarroti:

Dose Dupla de Tex em Edição Limitada!

O Ranger é o grande protagonista desta rota de pré-vendas com dois lançamentos imperdíveis para colecionadores:
Tex Gigante Prima Serie (Números 1 a 5): Os sumptuosos cofanetti com reimpressões anastáticas da mítica série de 1954, limitados a apenas 999 ou 1.199 cópias por volume.
Tex: La cavalcata del morto: Uma das novidades mais eletrizantes! Este volume especial ganha uma edição limitada e numerada cuja pré-venda abriu na terça-feira, 20 de outubro.

O Calendário de Pré-vendas no Site

Se quer tentar a sua sorte no site da Bonelli, saiba que as edições exclusivas já estão disponíveis:
Já disponível: Tex Gigante Prima Serie (Volumes 1 ao 5)
Já disponível: Tex. La cavalcata del morto

Painel Oficial: “Tex: sulle piste dell’avventura!”

A Bonelli já divulgou a lista de encontros oficiais com o público e há um painel obrigatório na nossa agenda! Sob o título “Tex: sulle piste dell’avventura!” (Tex: nas pistas da aventura!), o Diretor Geral Michele Masiero e o Redator Chefe Luca Del Savio vão subir ao palco do Auditorium del Suffragio.

Este encontro será o momento fulcral para antecipar os grandes projetos e as novas linhas editoriais do Ranger para os próximos meses. Estaremos de ouvidos bem atentos para caçar em primeira mão qualquer novidade ou anúncio bombástico!

Nota de curiosidade: Para os leitores de mentalidade aberta que gostam de outras séries Bonelli, o festival contará também com um painel sobre um crossover histórico e inédito que vai juntar pela primeira vez no mesmo tabuleiro Zagor, Martin Mystère e Nathan Never!

Sessões de Autógrafos e Ambiente Único

Para quem vai pisar o chão de Lucca, o PalaBonelli será o ponto de encontro ideal para os cobiçados firmacopie (sessões de autógrafos). A agenda detalhada de horários dos autores será revelada em breve, mas a presença dos grandes desenhadores da saga ao lado do incansável Mauro Boselli é uma certeza absoluta.

O Tex Willer Blog vai acompanhar de perto tudo o que acontecer na Toscana, trazendo até si as fotos, os anúncios e os bastidores do PalaBonelli. Fique atento às nossas atualizações diárias!

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O Brilho de Fabio Civitelli no GIBI SP 2026: Momentos que Ficam para a Eternidade

Fotos: Organização do GIBI SP Festival

A edição comemorativa dos 5 anos do GIBI SP Festival, realizada nos dias 12 e 13 de setembro de 2026 no tradicional bairro da Liberdade, em São Paulo, já está marcada como um dos capítulos mais emocionantes da história recente dos quadradinhos no Brasil. O grande catalisador desta magia foi, sem dúvida, o mestre italiano Fabio Civitelli, o eterno e aclamado ilustrador de Tex Willer, que regressou ao país como a grande atração internacional do evento.

Durante o fim de semana, o espaço de autógrafos transformou-se num ponto de encontro repleto de sorrisos, abraços e momentos de pura cumplicidade entre o artista e os seus fiéis leitores. Com a sua habitual elegância e extrema simpatia, Civitelli distribuiu dezenas de autógrafos e brindou os fãs mais sortudos com desenhos originais feitos ao vivo — verdadeiras obras de arte criadas diante de olhos maravilhados que acompanham a sua trajetória na equipa Bonelli há décadas.

As imagens desse memorável fim de semana — gentilmente cedidas pela organização do GIBI SP — falam por si. Elas capturam a essência daquilo que o universo de Tex representa: uma paixão que atravessa fronteiras e gerações, unindo criador e público num laço de carinho eterno. Para além de Civitelli, o festival contou com a presença de convidados de peso e o apoio fundamental da Mythos Editora, consolidando o evento como um verdadeiro santuário para os colecionadores do icónico Ranger.

Para quem esteve presente no Bunkyo, estes dias foram muito mais do que uma oportunidade de garantir uma assinatura na sua revista favorita; foram momentos eternizados na memória e no coração de cada texiano.
Viva o Tex, viva o GIBI SP e, acima de tudo, Grazie, Maestro Civitelli!

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O Monument Valley de Fabio Civitelli brilha na nova série “Tex – La Leggenda”!

O mestre Fabio Civitelli está de volta ao coração do território Navajo, e o resultado promete ser nada menos do que lendário! O incansável argumentista e ex-curador da série, Mauro Boselli, aguçou a curiosidade dos texianos de todo o mundo ao partilhar uma novidade empolgante: “La Monument Valley di Civitelli prossimamente su Tex – la leggenda.”

As primeiras pranchas de produção, que temos o privilégio de divulgar, revelam o traço inconfundível de Civitelli em toda a sua glória. Através de um pontilhismo cirúrgico e de um uso soberbo do preto e branco, o desenhador italiano consegue capturar a imponência quase mística do Monument Valley, com as suas famosas torres de arenito recortadas sob céus carregados e majestosas águias em pleno voo.

Nas vinhetas, podemos vislumbrar a rica atmosfera da reserva: o quotidiano nas aldeias, chefes nativos com imponentes cocares de penas — onde se destaca a expressividade e o rigor histórico que Civitelli sempre imprime às suas personagens — e cavaleiros solitários que vigiam a imensidão do deserto a partir de despenhadeiros vertiginosos.

O que é “Tex – La Leggenda”?

Lançada originalmente pela Sergio Bonelli Editore no mercado italiano, Tex – La Leggenda é uma inovadora coleção de volumes anuais com 224 páginas a preto e branco. A ideia da série é propor a cada ano uma história inédita e completa ambientada numa área diferente e simbólica do Velho Oeste, focando-se nas suas atmosferas particulares, lendas e contextos históricos específicos.

Para os leitores que acompanham apenas a edição traduzida, importa destacar que o número 1 desta coleção ainda se encontra inédita em língua portuguesa. A série foi inaugurada originalmente em Itália com o volume intitulado “I due sceriffi” (Os dois xerifes), focado na região do Texas. Nessa estreia histórica, a dupla de autores responsável foi bem diferente: contou com o envolvente roteiro de Pasquale Ruju e a arte dinâmica de Giampiero Casertano, além de uma capa assinada pelo mestre Claudio Villa.

Depois de abrir os horizontes no Texas, as declarações de Boselli confirmam que a bússola da coleção aponta agora decididamente para o desértico Sudoeste americano. E ninguém melhor do que Fabio Civitelli para desenhar as terras sagradas dos Navajos e de Tex Willer, evocando a magia cinematográfica e a imensidão dos clássicos westerns de John Ford.

Resta-nos continuar a acompanhar as novidades desta belíssima coleção, torcer para que a estreia de Tex – La Leggenda chegue rapidamente às bancas brasileiras, e contar os dias para folhear a obra de arte que já nasce com o selo de qualidade da dupla Boselli-Civitelli!

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