A Noite em que a Cultura se Vestiu de Gala: 34.ª Gala dos Prémios Anim’Arte 2026 consagra José Carlos Francisco na Banda Desenhada

VISEU — A Aula Magna Professor João Pedro Antas de Barros, na Universidade Politécnica de Viseu, acolheu ontem à noite a 34.ª edição dos Prémios Anim’Arte 2026. Organizada pelo GICAV (Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu), a cerimónia anual voltou a reunir a comunidade cultural para distinguir o mérito de personalidades e instituições com impacto de relevo regional e nacional nas áreas das artes, ciências, literatura e ação social.
.
.
A edição deste ano dos galardões ficou marcada pelo ecletismo e prestígio dos distinguidos. Entre os homenageados da noite figuraram o Dr. António Correia de Campos, antigo Ministro da Saúde, e o Juiz Conselheiro e Desembargador Armindo Girão Cardoso (1931–2017), distinguido a título póstumo. Na categoria de Produção Artística e Literatura, o prémio foi entregue a Acácio Pinto, enquanto a jornalista Emília Amaral foi reconhecida pelo seu percurso profissional no semanário Jornal da Beira. As artes plásticas e o artesanato monumental foram celebrados com a distinção de José Manuel Fonseca Justino, reputado escultor e mestre canteiro. A representação do meio académico e científico contou com a distinção de Hugo Carvalho, professor coordenador no ISCIA (e investigador ligado a centros como o CIDTEH e CICS, além do seu percurso na Universidade de Salamanca), e do físico Nuno Loureiro (1977–2025), homenageado a título póstumo. Natural de Viseu, o prestigiado cientista era diretor do laboratório de física do plasma no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) quando faleceu tragicamente nos Estados Unidos. No plano musical, a tradição e a história local foram igualmente celebradas através de tributos póstumos: o fado de Coimbra evocou a memória do Dr. Hermínio Ferreira Menino (1938–2025), reputado guitarrista daquela matriz académica, enquanto o panorama pop-rock dos anos 60 recordou o legado de Os Tubarões, icónico conjunto de Viseu que marcou gerações.
.
.
No domínio da banda desenhada, o ponto alto da gala foi a entrega do Prémio Anim’Arte BD a José Carlos Francisco, conhecido nos meios especializados como “Zeca”. O galardão reconhece a sua carreira como divulgador da nona arte e o papel de embaixador em Portugal da personagem italiana Tex Willer. José Carlos Francisco é ainda o principal impulsionador do Clube Tex Portugal, a única estrutura mundial dedicada a este herói dos quadradinhos com reconhecimento oficial por parte da editora Sergio Bonelli Editore.
.
.
No momento da receção do troféu — uma peça da autoria do escultor Luís Queimadela —, o homenageado partilhou o palco com seis figuras que marcaram o seu percurso: o Presidente da Câmara Municipal de Anadia, o Engenheiro Jorge Sampaio; o Diretor do Museu do Vinho da Bairrada, o Dr. Pedro Dias; o editor brasileiro da saga Tex, Dorival Vitor Lopes; e os diretores do Clube Tex Portugal, Carlos Moreira, Mário João Marques e Orlando Santos Silva.
.
.
No seu discurso de agradecimento, José Carlos Francisco destacou a centralidade geográfica de Viseu no seu percurso, lembrando que foi nesta cidade que a personagem Tex teve a sua primeira exposição nacional, em 2005, e onde nasceu o clube oficial, em 2013. Recorrendo à linguagem da banda desenhada, comparou os presentes aos “pards” (companheiros) do herói da ficção. “No universo do Tex, nenhum Ranger cavalga sozinho pelo deserto. E nesta caminhada da BD, eu também não caminhei sozinho. Se cheguei até aqui, é porque tive os melhores parceiros ao meu lado“, afirmou.
.
.
Na sua intervenção, o Presidente da Câmara de Anadia, Jorge Sampaio, enalteceu o gesto de partilha do galardoado e sublinhou o orgulho do município em contar com um cidadão de reconhecido mérito humano e projeção internacional, que contribui ativamente para a promoção da região Bairradina.
.
.
A cerimónia, que contou com uma forte moldura humana na assistência, incluiu ainda uma homenagem póstuma a Jorge Palma. Recentemente falecido, o cantautor português foi recordado num momento musical que encerrou a gala, reforçando o propósito central dos Prémios Anim’Arte na preservação e celebração do património cultural do país.
.
.
.
.
(Para aproveitar a extensão completa das fotografias acima, clique nas mesmas)

A ilustre presença de Fabio Civitelli (e de Pedro Mauro e José Carlos Francisco) no GIBI SP 2026

O mês de setembro de 2026 ficou marcado no calendário da banda desenhada no Brasil como um momento verdadeiramente memorável. O GIBI SP Festival 2026, realizado nos dias 12 e 13 de Setembro no tradicional espaço do Bunkyo, no bairro da Liberdade, em São Paulo, foi o palco de uma reunião histórica que celebrou o universo dos quadrinhos e, de forma muito especial, o legado do carismático ranger Tex Willer.

O grande destaque internacional do festival foi o lendário desenhador italiano Fabio Civitelli, considerado um dos artistas mais aclamados e elegantes da escola europeia de banda desenhada. Naquela que foi a sua quarta visita oficial ao país, Civitelli arrastou multidões de fãs ávidos por um autógrafo, um desenho ou simplesmente pela oportunidade de ver de perto o traço limpo e detalhado que há décadas dá vida às aventuras do faroeste.

A acompanhar o mestre italiano nesta jornada, estiveram duas figuras de enorme relevância para a comunidade “texiana”:
Pedro Mauro, o consagrado mestre dos quadrinhos brasileiros e o primeiro artista do Brasil a desenhar oficialmente uma história de Tex. A sua presença ao lado de Civitelli reforçou o intercâmbio cultural e a força da produção brasileira no género do western.
José Carlos Francisco (“Zeca”) vindo diretamente de Portugal, o carismático presidente do Clube Tex Portugal e um dos maiores colecionadores mundiais da personagem regressou ao Brasil para acompanhar Civitelli. A dupla, cuja sinergia com o público brasileiro já vem de longa data, foi calorosamente recebida desde a sua chegada ao Aeroporto de Guarulhos.

Além das concorridas sessões de autógrafos e fotografias, um dos pontos altos do evento foi o painel especial sobre os bastidores da produção das HQs de Tex, moderado pelo jornalista Thiago Gardinali. No painel, Civitelli e Pedro Mauro partilharam as suas experiências técnicas, as rotinas de trabalho na criação do ranger e histórias curiosas sobre a indústria. “Zeca” também emocionou a plateia ao revelar detalhes de bastidores e recordar como conheceu Dorival Vitor Lopes, o CEO da Mythos Editora, a casa de Tex no Brasil.

A passagem de Fabio Civitelli, Pedro Mauro e José Carlos Francisco pelo GIBI SP Festival não foi apenas uma ação de promoção editorial; foi uma autêntica celebração da paixão partilhada pela nona arte, provando que o Velho Oeste de Tex Willer continua incrivelmente vivo, relevante e capaz de unir continentes no coração de São Paulo.

(Para aproveitar a extensão completa das fotografias acima, clique nas mesmas)

30 de Setembro de 2026: 78 anos de Tex Willer; A cavalgada inabalável do Ranger mais famoso da banda desenhada

A celebração dos 78 anos de Tex Willer não é apenas um marco para a banda desenhada italiana; é uma festa partilhada com fervor por milhares de leitores de língua portuguesa. Desde a sua criação em 1948 por Gian Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini, o Águia da Noite cruzou o Atlântico e fincou as suas esporas de forma definitiva na cultura pop do Brasil, mas também de Portugal, tornando-se num dos maiores fenómenos de fidelidade editorial de que há memória.

Setembro é um mês sagrado para os amantes do fumetto e das histórias aos quadradinhos de faroeste. Em 2026, mais precisamente hoje, 30 de Setembro, Tex Willer, o lendário Ranger do Texas e chefe honorário dos Navajos, celebra 78 anos de publicação contínua. Desde a sua primeira aparição nas bancas italianas em 30 de Setembro de 1948, o herói criado pela mente brilhante de Gian Luigi Bonelli e pelos traços inconfundíveis de Aurelio Galleppini (Galep) mantém-se como um dos maiores fenómenos de longevidade e sucesso editorial do mundo. 

O que começou no formato modesto de tiras semanais transformou-se numa verdadeira lenda transgeracional. Conhecido entre os povos nativos como Águia da Noite, Tex evoluiu de um fora-da-lei idealista para um implacável e justo defensor da lei. Ao lado dos seus eternos parceiros (pards) — o veterano Kit Carson, o seu filho Kit Willer e o orgulhoso guerreiro navajo Tiger Jack —, ele cruzou desertos, enfrentou criminosos da pior espécie, desmascarou políticos corruptos e combateu ameaças místicas sobrenaturais, personificadas pelo seu arqui-inimigo, o bruxo Mefisto. 

Celebrar os 78 anos de Tex é reconhecer a força de uma narrativa clássica que não se perdeu no tempo. Num mercado literário em constante transformação, as aventuras publicadas pela Sergio Bonelli Editore (e distribuídas com paixão histórica no Brasil e em Portugal) provam que o bom e velho faroeste, quando movido por valores universais como a justiça, a honra e a amizade leal, nunca perde o fôlego. Para os milhares de colecionadores e leitores fiéis que acompanham essa cavalgada há décadas, cada nova edição é um reencontro com um velho amigo que nunca recusa um bife com batatas fritas e uma boa conversa à beira da fogueira. 

Parabéns, Tex Willer! Que as trilhas do Arizona continuem sob os cascos do seu cavalo por muitos e muitos anos.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)