As Leituras do Pedro – Tex: O Homem das Pistolas de Ouro

As Leituras do Pedro*

Tex: O Homem das Pistolas de Ouro
Pasquale Ruju (argumento)
r. m. Guéra (desenho)
Giulia Brusco (cores)
A Seita
Portugal, Julho de 2021
200 x 280 mm, 56 p., cor, capa dura
14,00 €

Ser (ou não) Tex

A diversificação, como forma de combater a não renovação e/ou o natural abandono por parte dos leitores das edições tradicionais, tem sido o instrumento utilizado pela Sergio Bonelli Editore para manter viva a chama dos seus fumetti.
Esta colecção de que A Seita acaba de editar o segundo tomo – e que no Brasil foi erroneamente chamada Tex Graphic Novel – é um dos exemplos, aqui sob o signo do formato franco-belga.

Que é como quem diz álbuns de capa dura, com tamanho próximo do A4, cerca de 48 páginas a cores e liberdade para uma planificação mais dinâmica e arrojada (em comparação com os padrões Bonelli).

Neste contexto, quer A Chicotada o álbum de estreia da colecção portuguesa – quer este O Homem das Pistolas de Ouro ostentam naturalmente o nome de Tex como chamariz para os muitos fãs que o ranger tem em diversas latitudes e longitudes, mas também como afirmação da ‘bandeira’ mais marcante da editora.

Em termos práticos, para o desenvolvimento da narrativa que hoje me ocupa – que realço desde já ser um bem conseguido western de acção – ter o protagonismo entregue a Tex Willer e Kit Carson ou a um qualquer outro cowboy famoso da BD, seria praticamente igual, pois o relato sustenta-se por si mesmo.

Situado pouco tempo após o fim da Guerra Civil norte-americana, com Tex recém-admitido nos Texas Rangers e, consequentemente, um Kit Carson mais novo – próximo da idade ‘habitual’ do seu pard – esta é uma história de vingança protelada no tempo. Como o era, aliás, A Chicotada, surgindo assim esta temática como ponto de ligação entre os dois relatos.

No caso presente, Carson e outros ex-rangers são o alvo escolhido por um bandido mexicano, disposto a vingar acontecimentos que tiveram lugar anos antes, durante a guerra entre os futuros EUA e o México.

Sem grandes surpresas, apesar de um ou outro pormenor curioso e distinto, o argumento de Pasquale Ruju é sólido e coerente dentro dos parâmetros definidos e assenta em sucessivos momentos de muita acção, com perseguições e tiroteios intensos, moderados aqui e ali com regressos pontuais ao passado com que Carson vai esclarecendo Tex – e os leitores – sobre as razões (passadas) dos acontecimentos (presentes). Teria ganho mais algum interessante – digo eu – se a situação dos irmãos do bandido fosse mais dúbia, justificando de alguma forma as acções deste e algumas reticências de Carson, e introduzindo assim uma dúvida moral que retirasse alguma linearidade.

Mas, acima de tudo, o relato foi escrito a pensar na arte de r.m. Guéra – e isso é notório e louvável no sentido em que potencia as qualidades do desenhador. E se é verdade que se lhe podem apontar dificuldades pontuais com os rostos, especialmente o de Tex, o seu traço mais duro do que o habitual na série, belas cenas de conjunto, grandes planos e um bom uso da mudança do ângulo das tomadas de visão, em função do ritmo e da espectacularidade da planificação e, consequentemente, da narração sequencial, são os pontos fortes deste livro, a que há que acrescentar ainda o uso adequado de uma paleta de cores bem definidas, para pontuar momentos específicos.

No traço de Guéra – como já tinha sido evidenciado em Os Malditos há igualmente algo de visceral, uma invulgar capacidade de transmissão da violência e das suas consequências, que justifica a sua escolha para este relato e dá um outro impacto aos confrontos ou, por exemplo, às cenas de tortura ou enforcamento. E que talvez atinja o seu auge na (maxi-)vinheta final, cuja beleza estética é contrasta cruamente com a dureza da situação.

Escrevi acima, antes deste texto ganhar vida e seguir outros rumos, que ‘ ter o protagonismo entregue a Tex Willer e Kit Carson ou a um qualquer outro cowboy famoso da BD, seria praticamente igual’. Escrevi-o consciente de que não era totalmente verdade. Para além dos benefícios então citados – a sua popularidade, a projecção da principal ‘marca’ da SBE – tê-los como principais figuras de O Homem das Pistolas de Ouro, garante à partida uma identificação (até moral) por parte d(e muitos d)os leitores e um conhecimento prévio do seu historial, da sua forma de ser e estar e dos seus métodos que, concedo, aportam uma determinada dimensão ao relato.

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro

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Dos novos (assombrosos e insólitos) esboços iniciais às páginas impressas, passando pelas artes originais de Bruno Brindisi em Tex Willer

Bruno Brindisi a desenhar para os seus fãs em Anadia

Na edição italiana número 24 de Tex Willer, lançada em Outubro de 2020 com o título “I razziatori del Nueces, iniciou-se uma longa aventura escrita por Mauro Boselli e desenhada por Bruno Brindisi, que se estendeu até Fevereiro de 2021 já que durou cinco números.

E é precisamente dessa edição número 24 que vamos hoje abordar novamente os assombrosos e insólitos esboços iniciais de algumas páginas da história desenhada por Bruno Brindisi, mostrando também os esboços finais de cada uma dessas páginas, assim como a página já arte-finalizada e até a página impressa para se poder mostrar como procede a criação de cada página de Tex Willer realizada por Brindisi nesta história onde… durante uma pausa na sua vida errante, o jovem Tex Willer relembra o passado recente, quando, da noite para o dia, ele teve de abandonar o rancho paterno no Vale de Nueces e a sua vida mudou para sempre…
Pessoas amadas caem ao seu redor, mas o jovem pioneiro não pára para chorar. Com lágrimas nos olhos, não se atinge o alvo … e cada bala que sai dos seus Colts é chamada de vingança!

Os esboços inusitados de Bruno Brindisi já foram parcialmente divulgados AQUI no Tex Willer Blog  e causaram um grande impacto porque é algo incaracterístico e creio mesmo que seja algo feito apenas pelo Mestre Brindisi

Para mostrar melhor essa característica filmei os originais que possuo, inclusive os esboços, que realmente têm a característica do Bruno Brindisi num lado da folha fazer o esboço a preto e no lado posterior da folha fazer o esboço mais completo na cor azul… como se pode ver então no vídeo dos meus originais do Tex e Carson em Anadia que o Mestre me presenteou…

Destaque-se que as páginas originais de Bruno Brindisi medem 33×48 cm, enquanto os peculiares esboços são realizados numa única folha (frente e verso com tinta-da-china, lápis e lápis de cor azul)  com 29,5×42 cm.

Página número 13 de Tex Willer #24

Esboço inicial de Bruno Brindisi da página número 13 de Tex Willer #24

Esboço final de Bruno Brindisi da página número 13 de Tex Willer #24

Página original (nº 13) realizada por Bruno Brindisi para Tex Willer #24

A página número 13 impressa na revista e a página original realizada por Bruno Brindisi

Página número 14 de Tex Willer #24

Esboço inicial de Bruno Brindisi da página número 14 de Tex Willer #24

Esboço final de Bruno Brindisi da página número 14 de Tex Willer #24

Página original (nº 14) realizada por Bruno Brindisi para Tex Willer #24

A página número 14 impressa na revista e a página original realizada por Bruno Brindisi

Página número 15 de Tex Willer #24

Esboço inicial de Bruno Brindisi da página número 15 de Tex Willer #24

Esboço final de Bruno Brindisi da página número 15 de Tex Willer #24

Página original (nº 15) realizada por Bruno Brindisi para Tex Willer #24

A página número 15 impressa na revista e a página original realizada por Bruno Brindisi

Página número 16 de Tex Willer #24

Esboço inicial de Bruno Brindisi da página número 16 de Tex Willer #24

Esboço final de Bruno Brindisi da página número 16 de Tex Willer #24

Página original (nº 16) realizada por Bruno Brindisi para Tex Willer #24

A página número 16 impressa na revista e a página original realizada por Bruno Brindisi

Página número 28 de Tex Willer #24

Esboço inicial de Bruno Brindisi da página número 28 de Tex Willer #24

Esboço final de Bruno Brindisi da página número 28 de Tex Willer #24

Página original (nº 28) realizada por Bruno Brindisi para Tex Willer #24

A página número 28 impressa na revista e a página original realizada por Bruno Brindisi

Página número 29 de Tex Willer #24

Esboço inicial de Bruno Brindisi da página número 29 de Tex Willer #24

Esboço final de Bruno Brindisi da página número 29 de Tex Willer #24

Página original (nº 29) realizada por Bruno Brindisi para Tex Willer #24

A página número 29 impressa na revista e a página original realizada por Bruno Brindisi

Página número 32 de Tex Willer #24

Esboço inicial de Bruno Brindisi da página número 32 de Tex Willer #24

Esboço final de Bruno Brindisi da página número 32 de Tex Willer #24

Página original (nº 32) realizada por Bruno Brindisi para Tex Willer #24

A página número 32 impressa na revista e a página original realizada por Bruno Brindisi

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Póster Tex Nuova Ristampa 322

Póster Tex Nuova Ristampa 322

Nesta nova ilustração realizada pelo Maestro Claudio Villa vemos, em plenas florestas de Montana, um atónito Tex a deparar-se com o indivíduo desfigurado que se escondia por trás da máscara do Caveira, indivíduo que fugia de um tenebroso incêndio ocorrido na sua cabana de caça, fogo esse ateado pelo major Parker como forma de se vingar pelo facto do Caveira, na verdade o capitão Loraine, ser o amante da sua esposa Isabel….

Desenho usado no Brasil como capa de Tex Ouro #81 e inspirado na história “La maschera dell’orrore” de Claudio Nizzi e José Ortiz (Tex italiano #494 a #496).
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Texto de José Carlos Francisco

Antevisão das aguardadíssimas histórias de Tex desenhadas pelos irmãos Cestaro, Giovanni Bruzzo e Lucio Filippucci

Mauro Boselli brinda às novas histórias de Tex que estão a chegar

Em produção existem, obviamente, mais de três dezenas de histórias de Tex e três delas são das mais aguardadíssimas pelos fãs e coleccionadores de Tex espalhados pelo mundo… uma delas é a história que trará a primeira parte da aventura onde teremos o novo regresso de Mefisto, primeira parte essa composta por 330 páginas desenhadas pelos irmãos Gianluca e Raul Cestaro (a segunda parte terá 440 páginas e está a ser desenhada por Fabio Civitelli).

Uma história escrita por Mauro Boselli que narra o ansiado retorno de Mefisto, onde veremos o némesis de Tex instalado em São Francisco onde dirige uma clínica para loucos. Entre os pacientes, para além do seu filho Yama, que perdeu a memória na aventura anterior, como o leitor certamente se recordará, está também… Tom Devlin, o chefe da polícia da cidade.

Uma história de grande intensidade e atmosfera gótica, em que então o arqui-inimigo de Tex e o seu filho Yama unirão forças para poderem derrotar os pards que, desta vez, vão poder contar com a ajuda inesperada do monge Padma. Esta história contará com 770 páginas e estender–se-á por 7 álbuns mensais. São então dos irmãos Cestaro as páginas desta história que damos a conhecer de seguida:

A segunda história que vamos dar a conhecer um pouco mais hoje, está a ser desenhada por Giovanni Bruzzo há vários anos e tem como título de trabalho “Erebus“. Está prestes a ser concluída e também foi escrita por Mauro Boselli tendo contornos verídicos e, obviamente, e ficcionais.

A aventura, de 440 páginas, desenrola-se no extremo norte do Canadá, perto do Pólo Norte, entre os Inuit e os Casacas Vermelhas de Jim Brandon. Nesta aventura teremos também a participação da heroína das histórias “Giovani assassini” e “Winnipeg”, a Dallas, exacerbada pela morte do seu irmão e também a participação da mestiça  Kathy Dawn.

A história aborda a expedição perdida do Lord John Franklin, oficial da Marinha Real do Reino Unido, que em 1845 a bordo do navio a vapor Erebus iniciou a exploração  do Ártico à procura da famosa “Passagem do Noroeste”. O mesmo tema já tinha sido tratado por Mauro Boselli numa velha história de Zagor, provavelmente a sua maior obra nessa série, segundo a opinião de muitos fãs zagorianos. A viagem de Tex e de Jim Brandon através das baías do Ártico será destinada a salvar de uma terrível ameaça alguns amigos que tinham partido anteriormente precisamente à procura do Erebus de Franklin. Historicamente numerosas expedições tiveram lugar no curso do século para encontrar o navio.

Por fim, a terceira história foi retomada recentemente por Lucio Filippucci depois de uma pausa para desenhar uma edição especial de Martin Mystère comemorativa dos 80 anos da editora Bonelli. História essa escrita por Claudio Nizzi e que terá 220 páginas cujo título provisório é “Un maledetto imbroglio” e também será publicada na série principal de Tex.

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Fotos e Vídeo: A inauguração, em Lunigiana, da Praça Tea Bertasi Bonelli, a mulher que lançou Tex Willer em 1948, com a presença de Davide Bonelli

Praça Tea Bertasi Bonelli

* Ontem, sábado, dia 24 de Julho durante o evento “Nuvole a Montereggio” (em Lunigiana), decorreu a homenagem à artífice do nascimento da Editora Bonelli: Tea Bertasi Bonelli, a empresária que tornou possível o sucesso da Sergio Bonelli Editore após a Segunda Guerra Mundial, a quem foi dedicada uma Praça e onde esteve presente na inauguração o seu neto Davide Bonelli, actual proprietário da editora milanesa.

A vista é de tirar o fôlego e o leitor pode sentar-se em dois bancos em formato de livro. Onde? Em Montereggio, na nova praça dedicada a Tea Bertasi Bonelli. A pequena fracção do Município de Mulazzo acolheu este fim de semana o Festival “Nuvole a Montereggio”, ocasião em que uma pequena praça recebeu o nome da editora e empresária do que viria a ser a Sergio Bonelli Editore, que precisamente neste ano de 2021 festeja os 80 anos de actividade. Ela definia-se como “uma editora improvisada, ainda por cima sem um passado como leitora de banda desenhada…“, mas era uma definição que surgiu devido à sua grande modéstia, porque Tea (de Aristea) Bertasi Bonelli foi uma figura nuclear na história da banda desenhada italiana.

A Praça Tea Bertasi Bonelli trouxe ainda uma surpresa, dois bancos especiais em forma de livro – peças originais patenteadas pelo empresário Aldino Albertelli – decorados com desenhos retirados de Tex e Zagor, em homenagem aos mais duradouros e célebres personagens dos fumetti criados pela família Bonelli.

O empenho de Tea Bertasi Bonelli, já envolvida na gestão da editora Audace na década de 1940 pelo seu marido Gianluigi Bonelli, criador do famoso Tex, foi decisivo nos anos da Segunda Guerra Mundial e no imediato pós-guerra. Aliás, foi ela quem escolheu o desenhador Aurelio Galleppini para duas novas séries criadas por Gianluigi em 1948, Occhio Cupo e Tex Killer, e foi também ela quem mudou o nome do segundo personagem para Tex Willer, contribuindo assim para o lendário sucesso do personagem símbolo da banda desenhada italiana.

É uma alegria dedicar uma praça de Montereggio a Tea Bertasi Bonelli – comentou o Presidente da Câmara Municipal de Mulazzo, Claudio Novoa –, uma figura importante no campo editorial, pela tenacidade e visão. A cidade dos livreiros enriquece-se, entrando também no mundo da banda desenhada..

Davide Bonelli, neto de Tea e actual dono da editora milanesa, não poderia faltar, tendo inclusive feito um pequeno discurso, onde a emoção esteve bem presente, como se poderá ver no vídeo que publicamos mais abaixo (reportagem de Roberto Davide Papini). A cerimónia oficial foi seguida por uma conversa com Michele Masiero, director editorial da Sergio Bonelli Editore, conduzida por Matteo Stefanelli, director artístico do festival. 

A nova praça insere-se na tradição toponímica de Montereggio, localidade da Lunigiana conhecida como a “terra dos livreiros”, berço da tradição secular dos livreiros itinerantes e único burgo italiano inserido na rede das Cidades Mundiais do Livro. A Praça Tea Bonelli estará localizada entre ruas e praças como a praça Arnoldo Mondadori, a praça Angelo Rizzoli, a rua Aldo Garzanti, a rua Giangiacomo Feltrinelli e a rua Umberto Mauri.

A arte a preto e branco e as cores originais de Claudio Villa para a capa do primeiro Tex bis

Mauro Boselli exibe dois exemplares de Tex 729 bis onde teremos uma história da autoria do próprio Boselli

Neste mês de Julho, mais precisamente no passado dia 21, em pleno Verão europeu, a Sergio Bonelli Editore brindou os fãs e coleccionadores de Tex com uma edição especial jamais vista na série principal de Tex. Tratou-se de Tex 729 bis e que trouxe uma história (inédita) completa com o título “Agente indiano“ (em português “Agente índio“), que nos traz uma história do passado de Tex com Kit Willer ainda criança e onde ficámos a saber como Tex se tornou o agente indígena dos Navajos (cronologicamente falando, aventura situada depois da  história do L’Uomo della Morte e antes de Sangue Navajo). E assim pela primeira vez em Itália vamos ter 13 edições regulares de Tex em vez das habituais 12. 

Trata-se de uma iniciativa (bis) que a editora Bonelli estende neste Verão a outras quatro séries: Dragonero, Nathan Never, Dylan Dog e Zagor como mais uma iniciativa a propósito dos 80 anos da editora italiana, mas que na última década do século passado já foi usada por exemplo em Martin Mystère que teve sete números bis.

Mas sobre esta edição verdadeiramente especial e única dedicada a Tex podemos informar que a história, de 110 páginas, é escrita por Mauro Boselli e desenhada por Maurizio Dotti. Quanto à capa, é de Claudio Villa, capa essa que devido a uma gentileza do artista vamos dar a conhecer, de seguida, na sua versão a preto e branco, mas também na versão colorida pelo próprio Villa:

Arte final a tinta da china da capa de Tex #729 bis, da autoria de Claudio Villa

Capa de Tex #729 bis, com as cores originais de Claudio Villa

Capa de Tex #729 bis

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TEX SEM FRONTEIRAS: “Sergio Bonelli, o Grandioso”

Por G. G. Carsan*

Sergio Bonelli

Sergio Bonelli, o editor-diretor da Sergio Bonelli Editore, pode ser festejado como o grande e maior roteirista de Tex e os motivos existem em demasia.

Para não deixar qualquer espécie de dúvida quanto à nossa afirmação acima, valemo-nos do fator inapagável que foi emplacar a editora com o seu nome. Notabilizou-se por toda a Europa, um Continente que valoriza o conhecimento, a pesquisa, a sabedoria e congrega grandes nomes da ciência planetária.

No personagem Tex, criado pelo seu pai, Gian Luigi Bonelli, na editora de propriedade de sua mãe, Tea Bonelli, ele emplacou a sua primeira aventura e que aventura é essa, que recebeu aplausos e linhas da crítica especializada e jornalística. De facto, Sergio Bonelli, utilizando-se de um pseudônimo, ou seja, um nome diferente ou uma segunda identidade, que apesar de ser falsa, por não haver registro oficial, é aceita no universo literário, assinou a aventura Caçada Humana como roteirista Guido Nolitta. 

Ele praticamente alterou a receita básica do personagem, primeiro dotando-lhe de mais sentimentos, sendo capaz de admitir uma falha ou uma ideia menos impactante e, segundo, perdendo parte de sua invulnerabilidade, permitindo que sofresse uma derrota, que fosse ferido, que o seu plano, antes infalível, falhasse.

Caçada Humana ganhou as vitrinas e incontáveis matérias serviram para a criação de uma espécie de culto todas as vezes em que o seu nome é proferido. Ganhou o livro O Mocinho do Brasil, ganhou adeptos e por isso muitas matérias, boa colocação nas enquetes e é lembrada pelos colecionadores que gostaram do seu estilo.

Tempos depois, o Sergio, digo, o Nolitta, retornou com mais uma aventura que cairia redondamente no bem-querer dos texianos e se tornaria um sucesso, aparecendo no fabuloso ranking Tex Top-Três, continuadamente, década após década, para uns como a melhor, para outros na segunda colocação, para outros na terceira.

Um ser praticamente asqueroso com vingança e ódio gigantes e um duelo ao pôr do Sol, ao lado de uma cova no cemitério de uma cidade fantasma. Para chegar ao duelo, Tex precisou saber que o seu irmão de sangue Tigre tomou uma surra, seu filho foi baleado e ele próprio foi dominado pelo terrível El Muerto.

O clássico em quadrinhos se tornou uma lenda dos quadrinhos quando o pingente, chamado de bugiganga e de porcaria pelos atores, foi aberto e emitiu som, dando voz às armas dos dois homens na incrível luta pela vida.

Estávamos todos cientes da capacidade de Sergio Nolitta Bonelli, que chegou mais uma vez com uma longa aventura intitulada Missão em Great Falls, em quatro álbuns. Não é uma aventura qualquer de Bang Bang, pois Nolitta era diferente e editor, tinha poderes para escolher uma temática alheia ao faroeste puro. Um profeta com uma mensagem de liberdade para os peles-vermelhas do Norte, auxiliado por homens cruéis, dá tônica a esta magna aventura. Mais uma vez o Tex sofre ao ser capturado junto com o casaca-vermelha Jim Brandon.

Sergio Bonelli estava atento para o momento que G. L. Bonelli passava com a idade avançada e o ritmo de produção cada vez menor. O Claudio Nizzi estava sendo preparado para dar continuidade a criação de roteiros, enquanto escrevia o seu personagem raiz, Nick Raider, um policial em Nova Iorque. Por isso, Nolitta escreveu vários roteiros que foram intercalados na produção do Bonelli pai.

Entre essas produções, roteiros especiais como O Sinal de Cruzado, O Solitário do Oeste, O Vale da Morte, A Grande Ameaça, A Flecha Quebrada, O Desertor, Grito de Guerra e Os Dominadores do Vale. Assim, produziu e gerenciou o ocaso de G. L. Bonelli e a ascensão de Nizzi.

Estas aventuras foram/são de tirar o fôlego. Todas apresentam desafios diferentes para Tex e são escritas na medida para o desenhista da vez, respeitando as suas melhores características, seja paisagismo (Ticci), seja clima misterioso ou exploratório (Lettèri), um personagem forte (Fusco).

Reativando a memória, contra Cruzado o nosso herói erra e paga caro até o fim por subestimar um inimigo; em O Desertor, ele não consegue pegar o chefe dos bandidos, o Manuel Pedroza, e engole um sapo que só será cuspido tempos depois noutra aventura. E em Grito de Guerra é acusado da morte de um jovem índio, filho de um chefe embrutecido, Apanoosa, o que lhe causa sérios dissabores e uma pressão que lhe deixou à margem de uma… depressão.

Os Dominadores do Vale merece um aparte, pois Nolitta faz uma crítica enorme aos ricaços latifundiários que compram a lei, os políticos e as armas para tocar o terror conforme as suas perspectivas de poder e de riqueza. O Coronel Watson precisou amargar toda a sua soberba e ganância ao se deparar com um Ranger do Texas.

Com o C. Nizzi voando alto e seguro no comando do Tex, aplicando um sucesso atrás do outro, o Sergio foi cuidar de outras jóias da Editora e colocou o Nolitta texiano de molho. Mas quem tem a verve escritora e vive nesse universo nunca deixa de escrever e de ter ideias. Estimulado a todo instante, deve ter sonhado com o El Morisco atacado por onças do deserto mexicano e surgiu Retorno a Pilares, com 577 páginas, a mais longa aventura escrita nos 729 álbuns italianos de Tex e nas demais coleções.

Nesse clássico que se arrasta por sete longos meses, Tex enfrenta a incerteza de vida do filho Kit e tenta fazer justiça sem saber contra quem.

Tempos depois de saborear o grande sucesso da última proeza do Nolitta, Sergio, agora mega editor europeu de quadrinhos, relembrando as muitas viagens que fez pelo Mundo, seja Grand Canyon, seja Amazônia ou Deserto do Saara; festejado nos eventos italianos pelo sucesso da sua editora com tantos maravilhosos trabalhos nas mais de vinte publicações, volta com mais um best seller intitulado Caçadores de Lobos.

Uma baita aventura em que coloca o Jack Tigre, o seu preferido, para dormir e descansar. Sim, preferido, pois ele sempre descartava o Kit Carson nas suas criações, embora nessa tenha mudado de ideia e dado uma chance ao velho resmungão – Sergio respondeu em entrevista o porquê dessa atitude. (Entrevista no livro Tex no Brasil – O Grande Herói do Faroeste).

Sergio Bonelli e o livro “Tex no Brasil – O Grande Herói do Faroeste

Guido Nolitta encerra a sua participação com a bela aventura vivida nas Montanhas Rochosas e desenhada pelo Ticci, em que ele faz as pazes com o Velho Carson e  lhe dedica até um início de namoro. Todavia, não esquece de colocar os Rangers numa enrascada melindrosa para salvar Pat Mac Ryan da prisão.

De detalhar a sua dupla interpretação no que diz respeito a Carson, quando diz que para contar uma história de faroeste não vê espaço para brincadeiras e falatórios, mas pensava exatamente ao contrário em relação a Chico, na sua criação maior, Zagor – desde que se considere Zagor um faroeste – pois o Chico Caetano e Gonzalez e outras dez coisas mais sempre foi totalmente humorizado.

Mas ele era o Editor e decidia como era A e como era B.

Esperem, não acabou. Ele escreveu mais aventuras. Só que, foram consideradas menores pelos editores brasileiros e deixadas para trás – e mais dois casos extras. A Mythos foi que publicou mantendo a sua política e determinação de trazer à tona as quase 100 aventuras descartadas pela Vecchi e RGE.

Uma Aventura no Caribe coube em Tex e Os Aventureiros (foi temporalmente em continuação a O Solitário do Oeste, quando Tex e Kit retornavam do Panamá). Sasquatch, em que temos um macaco sagrado gigante, que reconhece em Tex um homem do bem, diferenciado; e O Cowboy sem Nome saíram na rubrica Almanaque Tex.

Missão Suicida foi publicada no Tex Ouro, completa. Tex se passa por um bandido e opera uma ação ultra perigosa, capaz de deixar o leitor ansioso de calças molhadas, ao realizar uma louca roleta russa.

Nolitta tem seu nome de autor em Tex Gigante, numa parceria com Boselli, em Os Rebeldes de Cuba.

Por fim, é dele uma das menores aventuras de Tex, como você pode comprovar em Uma Tarde Quente, que figura em Tex e Os Aventureiros e em Tex Almanaque.

Estas aventuras são consideradas abaixo daquelas primeiras citadas acima, mas são diferenciadas e pode ser detectado o modo Nolitta de escrever e de criar.

O grande timoneiro texiano, então, não ganhou no item alta produção, por ter infinitas e grandes outras responsabilidades, MAS como dito, citado, comprovado, tem o nome da Editora, tem El Muerto entre as três melhores, detém o recorde da mais longa aventura com  Retorno a Pilares, Caçada Humana rendeu um livro, ele foi um coringa nas horas difíceis com roteiros, administração e editoria, e, portanto, está recebendo desse escriba o mais alto grau de reconhecimento e fazendo jus a uma medalha especial, um busto e eternas celebrações em seu lauto nome.

Sergio Bonelli no Alto Orinoco a bordo de uma canoa yanoama

É loucura afirmar que sem Sergio Bonelli o Tex não teria alcançado esse sucesso que conhecemos e aclamamos? Não é. É possível que a editora tivesse continuado em transformação e até mudasse de mãos. Talvez Tex fosse um título cancelado após uma bronca entre G.L. Bonelli e outro editor. Sem Sergio é muito difícil pensar a maior editora de quadrinhos da Europa. Ele deu sangue, ossos e cabeça para ser o que foi, o que é.

Aliás, Sergio Bonelli já recebeu uma grande homenagem em 2013, no Especial Sergio Bonelli, contando sua vida e trazendo produções com Tex, Zagor e Mister No. 

Em verdade não queria, não vou me alongar com esses personagens, mas não custa dizer que ele foi o criador de Zagor, de Chico e companhia, e, que criou Mister No, ambientado no Brasil, à sua imagem e semelhança nos bons tempos.

Tex
Caçada Humana
El Muerto
Missão em Great Falls
O Sinal de Cruzado
O Solitário do Oeste
O Vale da Morte
A Grande Ameaça
O Desertor
A Flecha Quebrada
Os Dominadores do Vale
Grito de Guerra
Retorno a Pilares
Caçadores de Lobos
Golden Pass

Almanaque
O Cowboy sem Nome
Sasquatch
Uma Tarde Quente

Tex e os Aventureiros
Aventura no Caribe

Tex Ouro
Missão Suicida

Tex Gigante
Os Rebeldes de Cuba

Ave Sergio,

G. G. Carsan
Julho.2021 

Pós escrito:
Tenho uma estima tão grande pelo Sergio, que escrever esse texto é como estar batendo um papo com ele num acampamento, depois de um dia duro de cavalgada, falando das nossas vidas.

Quando enviei material sobre as Expotex de Jampa, ele fez um editorial em Nuova Ristampa e me enviou exemplares. Quando lancei o livro Tex no Brasil – O Grande Herói do Faroeste, ele fez um editorial em Tex Nuova Ristampa e me enviou exemplares. Quando solicitei material para as Expotex, ele enviou. Num dos editoriais, com o livro citado em mãos (livro levado pelo pard José Carlos Francisco) ele diz que sou um “arqueólogo texiano” e que gostou de encontrar factos que ele nem lembrava mais.

Não lhe conheci pessoalmente, ainda assim, gozei desses momentos ao seu lado.

* G .G. Carsan, 56 anos, paraibano, fã, coleccionador e divulgador, começou aos 7 anos a ler Tex e nunca mais parou. Realizou 9 exposições em João Pessoa, escreveu várias aventuras para Tex (algumas publicadas na Internet), palestras em vários Estados e plateias e quatro livros sobre a personagem no Brasil.

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As Leituras do Pedro: J. Kendall As aventuras de uma criminóloga #142 – “O Corpo Viajante” e “Myrna: Infância perdida”

As Leituras do Pedro*

J. Kendall #142 – Aventuras de uma criminóloga
Myhtos Editora
Brasil, Setembro/Outubro de 2019
135 x 180 mm, 256 p., pb, capa mole, bimestral
R$ 24,90 / 8,00 €

O Corpo Viajante
Berardi
e Mantero (argumento)

Valerio Piccioni (desenho)

Myrna: Infância perdida
Berardi
e L. Calza (argumento)

Steve Boraley (desenho)

Ciao, amore…

De novo à volta com os (sub-)títulos, a escolha hoje recaiu num que tem uma tripla leitura: para mim, para Julia e para Myrna, no meu regresso – graças a mão (muito) amiga – à criminóloga de Garden City, em mais uma edição (dupla) em que o foco de Berardi está mais nas relações – voluntárias ou não – da sua protagonista do que propriamente nos enredos policiais que apresenta.

Ciao para mim

O primeiro ‘ciao’ [olá] do título, é a minha saudação ao regresso de Julia às minhas leituras, depois de uma (demasiado) longa ausência – consequentemente também aqui no blog.

Julia é, no meu caso, uma daquelas séries de ligação emocional cuja explicação racional me custa a fazer de forma totalmente satisfatória. Posso evocar a mestria narrativa de Berardi, a força interior de uma protagonista aparentemente frágil, o equilíbrio entre o relato policial e a exploração do lado humano dos intervenientes, a evolução de Julia – e com ela, da série – mas tudo isso me parece curto para justificar como me seduz desta forma uma revista mensal com muitos desenhadores, sujeita por isso a inevitáveis variações qualitativas, apesar de um nível médio sempre bastante interessante.

Como noutras coisas, concluo sempre que o melhor é esquecer as explicações e desfrutar das emoções. Podendo acrescentar que a leitura continuada, potencia e fortalece a ligação que eu sinto.

Ciao, amore para Julia

O segundo ‘ciao‘ – o mais literal e completo, em toda a sua acepção, é para a criminóloga que em O Corpo Viajante inicia uma relação com o detective italiano Ettore Camiaso – daí ser esse o idioma do sub-título acima – que, na ideia de Giancarlo Berardi, deveria ser ‘um relacionamento importante e duradouro’. Mas, na BD – como na vida – ‘não dá para saber, nunca dá’. Nesta última, por razões óbvias, nas histórias aos quadradinhos, quando estas imitam o real ou quando os editores vetam opções que, na sua óptica, podem introduzir mudanças demasiado sensíveis nas personagens e interferir na sua relação com os leitores. Ou dos leitores com elas. Como aconteceu quando era suposto Julia engravidar…

Mesmo assim, este primeiro relato desta edição, assenta mais no estabelecimento de laços entre Julia e Ettore do que na descoberta em Itália, de um cadáver enviado dos Estados Unidos. Como sempre, com a questão psicológica a condicionar avanços e recuos, decisões – ou recusa de as tomar.

Amore para Myrna

Sei que há leitores que não gostam de Myrna em Julia, que a acham demasiado fictícia e até invulnerável, muito próximo de uma super-vilã, mas o facto de Berardi a utilizar de forma moderada e espaçada, transforma cada uma das suas histórias (com Julia) num momento especial, numa pequena pérola, numa situação limite sempre imprevisível – mesmo que um pouco à parte na cronologia da criminóloga.

Ou não, como demonstra este Myrna: Infância perdida, em que a serial killer se volta a aproximar da sua amore, do alvo da sua paixão (doentia).

E em que Berardi explora a infância de Myrna e os traumas que fizeram (?) – dela o que é hoje, para nos zurzir mais uma vez com a relação de amor/ódio entre as duas personagens femininas mais fortes destas Aventuras de uma criminóloga, evidenciando que afinal têm mais em comum do que aparentam e ambas são capazes de levar a outra a limites inimagináveis.

Com a violência explícita a atingir neste relato níveis raramente mostrados na série, é a questão psicológica – que Julia vai expondo à sua psicóloga e explode no (re)encontro final – que assume maior preponderância e acaba por marcar uma das mais significativas histórias desta série.

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro 

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Vídeo: Revistas #13 e #14 do Clube Tex Portugal são destaque no Programa 54 do Vitrine dos Quadrinhos, o canal Youtube de Luiz Eugênio Barroca

Luiz Eugênio Barroca é um ilustre sócio do Clube Tex Portugal, mas é sobretudo um veterano leitor  e conhecedor  de banda desenhada, mas para além de leitor e apreciador de quadrinhos, como são chamados os quadradinhos no Brasil, Luiz Eugênio Barroca é um excelente crítico a ponto inclusive de ter um canal no Youtube que é muito apreciado e sobretudo muito qualificado devido às qualidades natas do Luiz Eugênio e prova disso mesmo é que já ultrapassou a meia centena de vídeos.

Luiz Eugênio Barroca apresenta no seu Programa ‘Vitrine dos Quadrinhos’ as Revistas #13 e #14 do Clube Tex Portugal

Luiz Eugênio Barroca apresenta o magnífico póster de Tex realizado por Pedro Mauro inserido na Revista #13 do Clube Tex Portugal

Canal esse que se intitula Vitrine dos Quadrinhos e que hoje em dia já é bastante conceituado e apreciado como comprovam as mais de duas centenas de subscritores. Os vídeos são vistos por dezenas de fãs e apreciadores da Nona Arte e a cada novo programa, o Luiz Eugênio, que tem uma excelente dicção, nos surpreende com temas novos e interessantes, e mais uma vez isso aconteceu com o seu recente quinquagésimo quarto programa, datado de 17 deste mês de Agosto, onde o grande destaque foi dado às Revistas #13 e #14 do Clube Tex Portugal, dando a conhecer detalhadamente ao seu vasto público as Revistas do Clube Português, informando inclusive como os fãs se podem associar ao Clube Tex Portugal e dando também conta das inúmeras vantagens de ser-se sócio, como podemos ver de seguida, num programa onde também houve espaço para falar da criminóloga Julia Kendall:

O Clube Tex é uma associação sem qualquer orientação política ou religiosa e que tem por objectivo a divulgação e o estudo da série de banda desenhada Tex Willer. Trata-se de uma iniciativa destinadas aos fãs e coleccionadores de Tex Willer e que visa um maior convívio não somente entre os admiradores do Ranger, mas também, entre outras coisas, proporcionar a vinda a Portugal e consequente convívio com autores de Tex que se mostrem disponíveis para se deslocarem a Portugal.

O Clube Tex Portugal foi (é) o primeiro clube português dedicado exclusivamente a um herói de Banda Desenhada e o primeiro autorizado oficialmente pela Bonelli em todo o mundo, que inclusive colabora de forma oficial nos eventos realizados pelo Clube.

O Clube organiza e realiza várias actividades como encontros, reuniões, exposições, conferências, publicações e também uma publicação periódica semestral autorizada pela Sergio Bonelli Editore e destinada em exclusivo aos sócios do Clube.

Entre fundadores, efectivos, honorários e menores presentemente o Clube conta com mais de 200 sócios, a maioria oriunda de Portugal, mas também do Brasil, Itália, Espanha, França, Holanda, Finlândia, Angola, Moçambique e até da Índia.

A sua sede é na cidade de Anadia, no Distrito de Aveiro, sendo actualmente a Capital Portuguesa do Tex, título assumido pelos responsáveis do Município de Anadia, com o patrocínio do Clube Tex Portugal e com o beneplácito da Sergio Bonelli Editore.

Os dois esboços iniciais, o lápis, a tinta da china e as cores originais de Maurizio Dotti para Tex Willer #33

Mauro Boselli exibe exemplares de Tex Willer #33 – “Sfida a Fort Owen”

Hoje, 20 de Junho a Sergio Bonelli Editore publicou a edição número 33 de Tex Willer (a série dedicada ao jovem Tex e que traz as aventuras de Tex quando ele ainda era um fora-da-lei!), intitulada “Sfida a Fort Owen” que contém a quinta e última parte de uma história escrita por Mauro Boselli e desenhada por Pasquale Del Vecchio, história essa passada no Montana e que conta com as participações de Kit Carson, Ray Clemmons e Lena Parker.

A capa deste trigésimo terceiro número, tal como as trinta e duas anteriores e as que se seguirão nesta  colecção, é da autoria do conceituado desenhador Maurizio Dotti, capa essa que divulgamos hoje aqui no blogue do Tex acompanhada dos dois esboços iniciais, assim como da arte a lápis, da arte finalizada a tinta da china e da capa original pintada igualmente por Maurizio Dotti, devido à gentil cortesia do próprio Dotti:

Primeiro esboço para a capa de Tex Willer #33, da autoria de Maurizio Dotti

Segundo esboço para a capa de Tex Willer #33, da autoria de Maurizio Dotti

Arte a lápis para a capa de Tex Willer #33, da autoria de Maurizio Dotti

Arte final a tinta da china da capa de Tex Willer #33, da autoria de Maurizio Dotti

Capa de Tex Willer #33 – “Sfida a Fort Owen”

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