Recordando Sergio Bonelli 15 anos após a sua morte

Sergio Bonelli

Assinala-se hoje (26 de Setembro) o décimo quinto aniversario da morte, com 78 anos de idade, do grande escritor e editor italiano Sergio Bonelli – que também escreveu sob o pseudónimo Guido Nolitta – e foi galardoado com várias distinções ao longo da sua vida.
Para recordar este nome maior da literatura quadrinhística italiana, vamos republicar um sentido texto escrito, um ano após o seu falecimento, por José Carlos Francisco, o Zeca, amigo pessoal do escritor, editor e responsável máximo da Sergio Bonelli Editore:

“Falar de Sergio Bonelli é lembrar de uma pessoa especial a qual tive o grande prazer, mas sobretudo o grande privilégio, de conhecer pessoalmente.
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Um homem extremamente inteligente, educado, companheiro e acima de tudo, uma pessoa sempre preocupada com os outros, como várias vezes o provou comigo mesmo, escrevendo-me ou telefonando-me (ou até mesmo convidando-me a viajar até à sua bela Itália) “apenas” para conversarmos sobre as nossas amadas personagens de papel, mas também para saber se estava tudo bem comigo e com a minha família.
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15 de Setembro de 2002, dia inesquecível em que conheci pessoalmente Sergio Bonelli

Um escritor e um editor que amava o que fazia e que tinha prazer em comparecer aos eventos relacionados com a banda desenhada para falar da editora e das suas personagens e onde passava para todos a importância da leitura quadrinhística. Sergio Bonelli era um ser iluminado que seguramente deixou saudades a todos que o cercavam e sempre será lembrado pelo ser humano que era e pelas suas obras.
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o seu acervo posso falar, com certeza, que são histórias incríveis que nos fazem viajar pelos lugares que ele tão bem descreve, sobretudo as contadas em Mister No. Ele tinha uma maneira diferente, única mesmo, de contar histórias com muita criatividade, cheias de magia e diversão, de mostrar o mundo, de expressar os seus sentimentos.
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José Carlos Francisco e Sergio Bonelli, Milão 2002

Pessoalmente recordo com eterna saudade aquele longínquo domingo, dia 15 de Setembro de 2002, em que na companhia do editor Dorival Vitor Lopes e do tradutor Júlio Schneider, no hotel Berna em Milão fui apresentado a Sergio Bonelli e logo aí nasceu uma empatia difícil de explicar por palavras. Foi um momento inolvidável em que o tempo passou muito depressa (pois tantos foram os motivos de conversa, muitas as curiosidades a saber por mim) e que ficou registado para todo o sempre na minha memória, estar ali frente a frente com o grande editor italiano fazendo perguntas e ele dispondo-se a responder de forma muito simpática e prolongada, perguntas relacionadas com a sua história de argumentista e editor, com a razão de ser da sua editora, ou até com pormenores que poderiam ser insignificantes para muitos, mas que muito me honraram.

Sergio Bonelli e José Carlos Francisco, Milão 2006

José Carlos Francisco e Sergio Bonelli num passeio nocturno por Milão, 2009

E ele próprio fazendo-me perguntas… falando das edições Bonelli na Itália, no Brasil e em Portugal, dos seus roteiros, dos seus colaboradores na editora, onde se incluíam principalmente os argumentistas e os desenhadores, da obra de seu pai, enfim foi um domingo de sonho já que a conversa prosseguiu num épico jantar e em que após o mesmo fomos passear a pé pelas ruas do centro de Milão, num passeio nocturno muito agradável no qual Sergio Bonelli revelou inclusive a história daquela parte da cidade, onde estão concentradas as principais lojas e escritórios de moda.

Sergio Bonelli e José Carlos Francisco, em Rapallo, 2009

Fabio Civitelli, José Carlos Francisco e Sergio Bonelli na Cartoomics de Milão, 2010

Conhecemos as ruas Sant’Andrea, Spiga, Borgospesso e Monte Napoleone que formam o Quadrilátero de Ouro, onde estão localizadas as mais famosas e caras lojas de griffes italianas, como Armani, Valentino, Versace, Fiorucci e outras.
Aquela viagem de sonho era mais que um sonho, era real e, ainda por cima, eu estava a viver um momento ímpar e exclusivo: ter o mítico Sergio Bonelli como guia num passeio nocturno em Milão. E mal sabia eu que o melhor ainda estava por vir! É que no dia seguinte aquando da visita à editora, após Sergio Bonelli saber que sendo eu português, tinha toda a colecção brasileira de Tex, ofereceu-me integralmente uma colecção italiana do Ranger prometendo inclusive que a partir desse dia eu receberia tudo do Tex que fosse publicado, promessa essa que foi sempre cumprida nos anos que se seguiram, tal como foi crescendo a nossa amizade, uma amizade tão magnificente entre dois homens de gerações e origens diferentes, unidos pela mesma devoção a coisas simples e sem mácula como podem ser, afinal, os quadradinhos e os heróis que os povoam.

Sergio Bonelli, José Carlos Francisco e Dorival Vitor Lopes jantando em Milão

José Carlos Francisco e a homenagem póstuma a Sergio Bonelli – 2017

Sergio Bonelli nunca será esquecido e as suas histórias de banda desenhada jamais deixarão de ser lidas… ele sempre estará presente em nossas vidas, quer sejamos crianças, adolescentes ou adultos. Sergio Bonelli teve o poder de escrever aventuras que nos envolvem da primeira até a última página, tornando-se um autor único e imortal, uma verdadeira LENDA!“

Uma dedicatória especial de Sergio Bonelli para José Carlos Francisco

Um agradecimento especial de Sergio Bonelli para José Carlos Francisco

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

As Leituras do Pedro: Tex Gigante 40 – Nas montanhas Sierrita

As Leituras do Pedro*

Tex Gigante 40 – Nas montanhas Sierrita
Jacopo Rauch (argumento)
Giuseppe Palumbo  (desenho)
Mythos Editora
Brasil, Outubro de 2024
185 x 275 mm, 240 p., pb, capa cartão
R$ 79,90

Triste excepção à regra

Tenho escrito recorrentemente que uma das características das edições Bonelli é a apreciável qualidade média das suas propostas, quer no que respeita aos argumentos, quer, especialmente no que respeita ao desenho. Infelizmente – mas necessário para haver uma regra – há excepções.

A mais recente, no que às minhas leituras de respeito, foi o Tex Gigante 40 – Nas montanhas Sierrita, cujo traço de Giuseppe Palumbo chegou a incomodar-me, tornando de alguma forma difícil, a espaços mesmo penosa, a leitura.

Na realidade, o traço quase semi-caricatural do desenhador italiano revelou-se de todo inadequado para um western com as características de Tex: duro, violento, dinâmico e com sucessivos confrontos sem quartel, o que nalguns casos retira qualquer credibilidade às cenas. Isto choca mais, sabendo que estamos perante um Tex Gigante (o italiano Texone), geralmente reservado a grandes nomes da banda desenhada.

Palumbo – que demorou anos a desenhar este álbum! – foi incapaz de manter o seu Tex com um aspecto regular, com variações assinaláveis e incómodas ao longo das pranchas e sempre distante daquela imagem dura que é seu apanágio.

Outro aspecto que me incomodou, foi a forma como ele utiliza linhas mais finas e outras mais grossas quase arbitrariamente, não no sentido de dar volume ou estabelecer distância do leitor em relação à cena, cuja dinâmica na verdade, para mim, funcionou muito mal. Não coloco em causa o estilo ou a capacidade artística de Palumbo, apenas aponto que não era de todo o artista que convinha a Tex.

Em termos de argumento, se não há nada de especialmente inovador na trama desenvolvida por Jacopo Rauch, também não foi capaz de contrabalançar a má impressão que o desenho causou ao longo de todo o livro. Tex e Carson, de novo na companhia de um agente da Pinkerton, perseguem um bando que assaltou um banco e feriu outro agente, mas a sua acção vai cruzar-se com um outro segmento, que passa por uma tentativa de chantagem sobre um poderoso rancheiro com métodos pouco honestos.

A junção dos dois ramos narrativos irá dar algum protagonismo a uma personagem feminina, o que não é muito frequente em Tex, apesar da sua presença ser mais visual do que interventiva. Outro aspecto positivo é a introdução de um fora-da-lei que, de alguma forma, foge ao habitual preto e branco que é marca das histórias do ranger, colocando-o, de certo modo, com um pé de cada lado da lei.

* Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro

(capa disponibilizada pela Mythos Editora; pranchas disponibilizadas pela Sergio Bonelli Editore; clicar nelas para as apreciar em toda a sua extensão)

Os esboços iniciais, a arte a preto e branco e as cores originais de Claudio Villa para a capa de Tex #791

Mauro Boselli exibe o Tex #791 – ‘Sulla costa del mistero’

Tex #791 – Sulla costa del mistero
Argumento: Mauro Boselli
Roteiro: Mauro Boselli
Desenhos: Maurizio Dotti
Capa: Claudio Villa
Lançamento: 8 de Setembro de 2026

Em meio ao mar revolto, seguir a pista dos fugitivos parece impossível. No entanto, o destino age de maneiras misteriosas: fugindo do furacão, Nick Castle e Napoleon Creeley naufragam numa praia desconhecida — uma terra que pode estar desabitada, mas que fervilha de presenças perigosas. Será que Tex, Carson e os seus companheiros conseguirão encontrá-los?

A capa como habitualmente, e como citamos acima, é de Claudio Villa, capa essa que devido a uma gentileza do artista vamos dar a conhecer, de seguida, através dos esboços iniciais, da versão original a preto e branco e da versão colorida pelo próprio Villa, como podemos ver nesta publicação.

Primeiro esboço da capa de Tex #791

Segundo esboço da capa de Tex #791

Terceiro esboço da capa de Tex #791

Quarto esboço, o eleito, da capa de Tex #791

Desenho a lápis da capa de Tex #791

A arte original a preto e branco de Claudio Villa para a capa de Tex #791

Pela primeira vez Claudio Villa tentou fazer um trabalho que habitualmente não é seu. Posicionar o título

As cores originais de Claudio Villa para a capa de Tex #791

A capa de Tex #791

(Para aproveitar a extensão completa das imagens, clique nas mesmas)

Vídeo: José Carlos Francisco, o Zeca, conta detalhes sobre como nasceu a amizade com Dorival Vitor Lopes e também como nasceu o Clube Tex Portugal

Durante o Gibi SP Festival, um painel trouxe à tona a origem do Clube Tex Portugal.
José Carlos Francisco, o Zeca, conta a Thiago Gardinali detalhes das primeiras cartas que escrevia à redação da Mythos Editora e que eram respondidas pelo CEO Dorival Vitor Lopes.