Quando o Oeste Conquista a Liberdade: O Sucesso de Fabio Civitelli e de Pedro Mauro no GIBI SP Festival

Memórias de um Setembro Inesquecível: O Rescaldo da Passagem de Fabio Civitelli pelo Brasil (GIBI SP 2026)

O mês de setembro de 2026 ficará gravado a letras de ouro na memória dos colecionadores e entusiastas da banda desenhada Bonelli no Brasil. A quinta edição do GIBI SP Festival, realizada nos dias 12 e 13 de setembro no emblemático espaço do Bunkyo, no bairro da Liberdade, transformou-se numa verdadeira celebração do faroeste e da paixão partilhada pelo nosso eterno Ranger, Tex Willer.

Vista geral do público no Bunkyo

O grande destaque internacional do evento foi, sem dúvida, o lendário mestre italiano Fabio Civitelli. Naquela que foi a sua quarta visita oficial ao país (após as marcantes passagens em 2010, 2011 e 2012), Civitelli voltou a demonstrar por que é considerado um dos maiores e mais elegantes embaixadores da nona arte europeia. Com o seu traço limpo, detalhado e uma simpatia avassaladora, o desenhador arrastou multidões de pards ávidos por um autógrafo, um desenho rápido ou um breve momento de conversa.

Fabio Civitelli sorridente depois de fazer um desenho rápido (sketch) para um fã

O Prólogo Exclusivo na Mythos Editora
A festa bonelliana começou, na verdade, um dia antes. Na sexta-feira, 11 de setembro, as portas da sede da Mythos Editora, em Pirituba, abriram-se para um encontro íntimo e de entrada franca. Foi o cenário perfeito para aquecer os motores.

Ali, ao lado do editor Dorival Vitor Lopes, Civitelli esteve acompanhado pelo consagrado ilustrador brasileiro Pedro Mauro — o primeiro artista do Brasil a desenhar oficialmente uma história de Tex. A cumplicidade e a troca de experiências entre o mestre italiano e o mestre brasileiro foram um deleite para os colecionadores presentes, que puderam garantir edições autografadas num ambiente descontraído e puramente familiar.

Fabio Civitelli e Pedro Mauro juntos na sede da Mythos Editora

Emoções Fortes no Coração da Liberdade
Já no fim de semana, no GIBI SP Festival, o Bunkyo testemunhou filas intermináveis de fãs que cruzaram estados inteiros apenas para ver de perto os criadores. Além das concorridas sessões de autógrafos, os painéis e palestras enriqueceram o debate sobre o mercado de quadrinhos.

Numeroso público acompanhou o painél com Fabio Civitelli e Pedro Mauro, conduzido por Thiago Gardinali

Outro dos momentos altos foi a participação ativa do nosso conhecido José Carlos Francisco (Zeca), cujo dinamismo e paixão contagiante ajudaram a encurtar ainda mais as distâncias geográficas entre Portugal, Itália e Brasil. Ver os leitores mais veteranos, muitos acompanhados pelos seus filhos, a erguer com orgulho as suas edições raras e os seus prints exclusivos foi a prova viva de que o legado de Tex Willer continua a renovar-se e a atravessar gerações.

O carismático José Carlos Francisco (Zeca) ao lado de Fabio Civitelli

Um Legado de Amizade e Arte
Mais do que os números expressivos de público ou o sucesso comercial dos lançamentos, o rescaldo desta histórica passagem de Fabio Civitelli deixa uma marca profunda no coração da comunidade bonelliana. O mestre italiano provou, mais uma vez, que a sua grandeza artística é igualada apenas pela sua generosidade e respeito para com o público lusófono.

Resta-nos agradecer à organização do GIBI SP Festival, à equipa da Mythos Editora e, claro, a todos os pards que compareceram em massa e fizeram deste evento um marco inesquecível. A poeira das pistas de São Paulo pode ter assentado, mas a chama do faroeste continua mais viva do que nunca!

Até à próxima, parceiros!

Desenho original de Tex feito por Civitelli durante o evento

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York da Silva Corrêa, de Campo Grande (MS), bateu o recorde da Maior Coleção Bonelli do Brasil pelo RankBrasil

Troféu da maior Coleção Bonelli do Brasil pelo RankBrasil

O colecionador York da Silva Corrêa recebeu recentemente uma homenagem oficial, mas com um detalhe importante: ele foi consagrado com o prémio do RankBrasil (o livro dos recordes brasileiros) pela sua extraordinária coleção Bonelli (focada fortemente no universo de Tex Willer), num marco histórico que celebrou oficialmente o seu acervo como o maior do Brasil, com um total de itens de 8.459 peças auditadas em 17 de Julho de 2026.

Esta efeméride aconteceu durante a edição comemorativa de 5 anos do Gibi SP Festival, realizada em Setembro de 2026 no Espaço Cultural do Bunkyo, no bairro da Liberdade, em São Paulo.

Mais do que um “troféu” simbólico do evento, a entrega do prémio pelo RankBrasil trouxe uma auditoria e reconhecimento formalizado de recorde brasileiro. A homologação coroa décadas de dedicação para reunir milhares de itens e tem então uma validação do Recorde Oficial.

A Magnitude do Acervo é tal que a coleção auditada de York Corrêa impressiona pela abrangência de títulos da editora italiana Sergio Bonelli Editore. Entre o material catalogado estão relíquias como Tex Mensal, Tex Coleção, Tex Ouro, Tex Edição Histórica, Tex Gigante, almanaques, edições coloridas, graphic novels, livros e volumes raros importados de vários personagens publicados pela editora Bonelli, assim como diversos colecionáveis, como action figures, pósteres, ímanes, porta-chaves, copos, moedas comemorativas, calendário e outros itens temáticos.

York da Silva Corrêa recebendo o troféu do RankBrasil das mãos de Fabio Civitelli sob o olhar atento de Pedro Mauro

A entrega aconteceu num ambiente perfeito. O festival contou com a presença ilustre de Fabio Civitelli, um dos mais consagrados e veteranos desenhadores oficiais de Tex da Itália, tornando o momento ainda mais marcante para a comunidade de fãs dos quadrinhos italianos (fumetti) no Brasil, tornando-se num momento histórico no universo dos fumetti.

York da Silva Corrêa exibe o troféu do RankBrasil para a maior coleção Bonelli do Brasil

Esta efeméride destaca a força e o romantismo do colecionismo de BD (histórias em quadrinhos) no Brasil, provando que a preservação de acervos físicos e a paixão por personagens clássicos como Tex e demais personagens da SBE continuam vivas e a mover gerações.

York da Silva Corrêa e parte da sua imponente coleção Bonelli

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Município de Anadia felicita publicamente José Carlos Francisco pelo Prémio Anim’Arte BD

Depois de termos partilhado com os nossos leitores a atribuição do prestigiado Prémio Anim’Arte BD ao nosso “pard” José Carlos Francisco, é com enorme satisfação que registamos agora o importante e merecido reconhecimento oficial por parte da sua terra natal. O Município de Anadia utilizou as suas plataformas oficiais para felicitar publicamente o prestigiado divulgador e embaixador de Tex Willer em Portugal.

A autarquia fez questão de destacar a importância da distinção atribuída pelo GICAV (Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu) na Universidade Politécnica de Viseu, enaltecendo o papel de José Carlos Francisco como um dos principais impulsionadores do Clube Tex Portugal — recorde-se, a única estrutura mundial dedicada ao Ranger com a chancela oficial da Sergio Bonelli Editore.

Orgulho Municipal e da Região da Bairrada

O forte apoio institucional ficou bem patente na própria cerimónia de entrega do galardão, que contou com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Anadia, Eng. Jorge Sampaio, e do Diretor do Museu do Vinho Bairrada, Dr. Pedro Dias.

O edil de Anadia manifestou o profundo “orgulho” do Município em contar com “um cidadão de reconhecido mérito humano e projeção internacional, que contribui ativamente para a promoção do concelho de Anadia e da Região da Bairrada“.

Perante esta honrosa manifestação pública, José Carlos Francisco já expressou a sua profunda gratidão ao Município de Anadia, ao Sr. Presidente da Câmara e à direção do Museu do Vinho da Bairrada, reforçando o orgulho imenso que sente em levar o nome da sua região e da Bairrada cada vez mais longe, sempre acompanhado pela paixão da nona arte.

Para a comunidade texiana, este reconhecimento público e oficial por parte das entidades de Anadia é mais um motivo de grande orgulho e a prova do impacto cultural e humano que a Banda Desenhada e o universo de Tex Willer continuam a gerar.

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O Santo Graal da Banda Desenhada Italiana: A Fascinante História da “Primeira Série Gigante” de Tex

Conheça os segredos por trás da coleção mais rara do Ranger e os detalhes do regresso confirmado oficializado pela editora.

A icónica capa do N.º 1 da Primeira Série Gigante, “La tragica notte” (1954).

No universo dos colecionadores de banda desenhada na Europa, poucos nomes evocam tanta reverência e misticismo como Tex Willer. Criado em 1948 pela dupla Gianluigi Bonelli e Aurelio Galleppini (Galep), o famoso ranger da Sergio Bonelli Editore tornou-se um ícone da cultura popular italiana. Contudo, entre as centenas de edições publicadas ao longo de quase oito décadas, existe uma coleção que se destaca como o verdadeiro “Santo Graal” do colecionismo: a lendária Primeira Série Gigante (1/29), editada entre 1954 e 1961.
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Hoje, um exemplar original e bem conservado do seu primeiro número pode custar uma pequena fortuna, enquanto a coleção completa ultrapassa a barreira dos seis dígitos no mercado de raridades. Mas o que torna esta série tão especial não é apenas o seu preço astronómico; é a sua bizarra e fascinante história editorial.
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Um formato nascido da reciclagem

Ao contrário do tradicional formato de bolso vertical a que os leitores modernos de Tex estão habituados, a Primeira Série Gigante foi publicada no chamado formato de álbum horizontal (quadrotto), medindo aproximadamente 24 x 17 cm.
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A origem desta coleção foi puramente económica. A editora (então designada Casa Editrice Audace) tinha acumulado grandes excedentes de stock e sobras de páginas de uma publicação anterior, os Albi d’Oro. Para escoar esse material, a editora decidiu montar as histórias colando três tiras verticais (strisce) por página, compilando-as em volumes espessos de capa maleável. O formato largo e imponente deu origem ao termo “Gigante” que ainda hoje define a revista mensal do herói.
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O “Caos” Cronológico

Apesar de conter as primeiras aventuras do ranger, a Primeira Série Gigante esconde uma ratoeira cronológica que confunde os leigos: ela não começa pelo início da história.
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Devido à mecânica de reaproveitamento de stocks dos Albi d’Oro, o mítico número 1, intitulado “La tragica notte” (1954), inicia a narrativa a meio do percurso, equivalente ao número 20 da série anterior. Aventuras seminais como o primeiríssimo episódio de 1948 (“Il totem misterioso”) ou a estreia do arqui-inimigo Mefisto ficaram completamente de fora dos 29 volumes originais. Esta lacuna histórica foi tão marcante que, décadas mais tarde, editoras de réplicas criaram os “números apócrifos” (01, 02 e 03) para satisfazer o desejo de continuidade dos fãs.
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Tex Willer número 13 da primeira série Gigante, intitulado “Pista di Morte”

A genialidade visual de Galep

Se o miolo da revista reaproveitava material antigo, as capas receberam um tratamento de luxo pelas mãos de Aurelio Galleppini. Galep dividiu-se entre a criação de arte totalmente inédita — como a impressionante e icónica capa do n.º 1 — e a reinterpretação artística de conceitos visuais anteriores. O desenhador adaptou composições dinâmicas ao formato horizontal, aplicando cores vibrantes que saltavam à vista nas bancas da época e que hoje representam o auge da estética do western italiano dos anos 50.
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Aurelio Galleppini (Galep)

Uma Solução Pessoal: O toque oculto de Mario Uggeri

Contudo, nem todas as capas foram obra de Galep: várias capas desta série de Tex  foram desenhadas por Mario Uggeri. Uma curiosidade revelada numa entrevista de Sergio Bonelli no volume Sergio Bonelli/Guido Nolitta – L’editore narratore (2024). Como Uggeri não podia desenhar o rosto de Tex, “vingou-se” desenhando-o sempre de costas, com a face oculta ou a cair de um cavalo.

Exemplo de capa da época atribuída a Mario Uggeri. Note como a pose do herói oculta o seu rosto, refletindo a peculiar ‘solução pessoal’ encontrada pelo desenhador

Um investimento de luxo

Com tiragens iniciais muito baixas (estimadas em menos de 2 000 exemplares para o primeiro número) e impressas em papel de jornal frágil, pouquíssimas revistas sobreviveram intactas à passagem do tempo, à humidade e ao manuseio dos leitores.
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Atualmente, o número 1 (“La tragica notte”) em excelente estado de conservação oscila entre os 9 000 € e os 16 000 €. Para os raríssimos colecionadores que ambicionam possuir os 29 volumes originais e completos, o valor de mercado pode facilmente ascender a uma fasquia entre os 95 000 € e os 130 000 €.
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Aurelio Galleppini e os 4 pards na arte de Galep

O Regresso do Mito: A Confirmação da Republicação

Para gáudio dos entusiastas que nunca tiveram a oportunidade de segurar estes volumes raros nas mãos, o mistério e a exclusividade que rodeiam a Série 1/29 estão prestes a ganhar um novo capítulo. A própria editora italiana confirmou oficialmente que está a preparar uma reedição especial desta mítica coleção.

Num comunicado partilhado com os leitores sob o título “Una straordinaria rarità” (Uma raridade extraordinária), a casa de Tex Willer revelou que os 29 volumes originais vão ser finalmente recuperados. O projeto promete trazer de volta o carismático formato horizontal, incluindo as capas originais da série Tex Quindicinale adaptadas e remontadas por Aurelio Galleppini para os primeiros números de Tex Gigante. Esta iniciativa surge como resposta direta aos inúmeros pedidos dos fãs que, há muito tempo, ansiavam por colecionar estas primeiras histórias na sua apresentação gráfica mais lendária, sem terem de recorrer aos proibitivos preços do mercado de antiguidades.

O anúncio oficial da editora: Sob o título “Una straordinaria rarità”, a editora confirma a preparação do projeto que trará de volta os 29 volumes da mítica coleção de Tex em formato horizontal.

.Mais do que um objeto de especulação financeira, a Série 1/29 é um monumento à era de ouro da banda desenhada europeia. Uma prova de que, por vezes, a necessidade de reciclar papel na década de 1950 pode dar origem à maior lenda do mercado de colecionadores do século XXI— e que agora, finalmente, se prepara para regressar às bancas italianas.

Bruno Brindisi: Mestre de Tex e Dylan Dog regressa a Portugal para o Amadora BD

O prestigiado desenhador italiano Bruno Brindisi é um dos grandes destaques confirmados para a 37.ª edição do Amadora BD, marcando a sua segunda visita oficial a Portugal. O evento, amplamente reconhecido como o principal ponto de encontro da banda desenhada no país, decorre entre os dias 15 e 25 de outubro no Núcleo Central do festival, localizado no Parque da Liberdade.

O Regresso de um Mestre da BD Italiana

Bruno Brindisi, amplamente conhecido pelo seu trabalho icónico na mítica editora italiana Sergio Bonelli Editore, regressa a solo nacional após uma ausência de sete anos. O autor celebrizou-se no universo dos quadradinhos ao dar corpo e traço a personagens de culto como Tex Willer e Dylan Dog, o célebre Detetive do Pesadelo.
A primeira vinda do consagrado desenhador a Portugal aconteceu em abril de 2019, quando participou na 6.ª Mostra do Clube Tex Portugal, realizada no Museu do Vinho Bairrada, em Anadia. Na altura, o Mestre do fumetti protagonizou sessões de autógrafos concorridas e exposições de pranchas originais para dezenas de fãs e colecionadores.

Celebração dos 40 Anos de Dylan Dog

A presença de Brindisi no Amadora BD está diretamente associada a um dos maiores marcos do festival deste ano: a grande exposição “Dylan Dog: 40 Anos do Investigador do Pesadelo”. Esta mostra comemora o quadragésimo aniversário da personagem criada por Tiziano Sclavi em 1986, que revolucionou a banda desenhada de terror europeia ao cruzar o horror clássico com a introspeção psicológica e a crítica social.
A exposição vai acompanhar a evolução histórica do famoso detetive através de trabalhos originais de alguns dos seus desenhadores mais relevantes — incluindo o próprio Brindisi —, revelando as diferentes faces de uma obra que continua a conquistar gerações de leitores.

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Sessões de Autógrafos e Encontros com Fãs

Durante o segundo fim de semana do festival (dias 24 e 25 de outubro), a agenda do autor incluirá atividades desenhadas para aproximar o público do seu processo criativo:
  • Sessões de autógrafos e desenhos ao vivo para os colecionadores;
  • Painéis de debate, destacando-se a mesa-redonda especial “Uma conversa sobre os 40 anos de Dylan Dog”;
  • Visitas guiadas e contacto direto com o património visual contemporâneo da BD europeia.

Os horários detalhados de todas as sessões e a programação cultural completa podem ser consultados nos canais oficiais do festival em Amadora BD.