Carson, Tex e Dinamite na magistral Arte de Pedro Mauro, para José Carlos Francisco, o Zeca

José Carlos Francisco exibe a obra-prima desenhada pelo Mestre Pedro Mauro

O Tex Willer Blog partilha hoje com os seus leitores uma verdadeira preciosidade que passa a integrar o lendário e riquíssimo acervo de desenhos originais de José Carlos Francisco (Zeca). Trata-se de uma peça única e de um valor sentimental incalculável, saída diretamente da ponta do pincel e da tinta da china do mestre brasileiro Pedro Mauro.

Pedro Mauro, que conquistou um lugar eterno na história da Sergio Bonelli Editore como o primeiro desenhador nascido no Brasil a ilustrar oficialmente as páginas do Ranger, brinda-nos com uma composição soberba que exala a mais pura essência do Western bonelliano.

Uma Composição de Perfis e Movimento

O desenho, executado com a firmeza e a elegância que caracterizam o traço do artista, divide-se em dois planos visuais perfeitos:
No topo, os perfis dos pards: Em grande plano, Pedro Mauro capta a expressividade marcante de Tex Willer e do seu inseparável companheiro de mil batalhas, o veterano Kit Carson. O olhar focado e as fisionomias decididas dos dois heróis transmitem a cumplicidade e a determinação de quem já enfrentou mil perigos nas pistas do Velho Oeste.
Na base, o dinamismo do galope: Abaixo das lendas, vemos o Águia da Noite em corpo inteiro, perfeitamente integrado na sela do seu fiel companheiro de quatro patas, o cavalo Dinamite. A postura imponente de Tex e o vigor na anatomia do animal capturam o movimento e a energia das cavalgadas pelas pradarias do Arizona.

Carson, Tex e Dinamite na magistral Arte de Pedro Mauro, para José Carlos Francisco, o Zeca

A Assinatura de uma Grande Amizade

Para além do inegável valor estético, o desenho ganha uma dimensão ainda mais especial devido à dedicatória manuscrita pelo próprio autor na base da folha: “Para o grande amigo Zeca. Abraços do Pedro Mauro, São Paulo”.

Esta arte não é apenas uma demonstração do talento gigante de Pedro Mauro; é também o reflexo da forte ligação, respeito e amizade que unem os criadores da nona arte e o dinamismo do presidente do Clube Tex Portugal. Uma autêntica obra de arte que dignifica qualquer coleção!

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Momentos de lazer de Fabio Civitelli (e de José Carlos Francisco) no Brasil (2026)

Os momentos de lazer e descontração no Brasil protagonizados pelo consagrado desenhador italiano Fabio Civitelli e pelo seu grande amigo e dinamizador dos quadradinhos de Tex em Portugal, José Carlos Francisco (Zeca), estão historicamente ligados às visitas oficiais de Civitelli ao país sul americano. Embora viajem para participar em grandes festivais de banda desenhada (como o Fest Comix, a Gibicon e o recente Gibi SP Festival neste último mês de Setembro de 2026), a forte ligação com a comunidade brasileira de Texianos transforma estas viagens em grandes ocasiões de convívio social.

O lazer e a partilha entre ambos no Brasil assentam sobretudo em dois pilares:
Gastronomia e Tertúlias: Fora dos pavilhões dos eventos, são frequentes os almoços e jantares de confraternização em restaurantes e pizzarias de São Paulo. Nesses momentos de pura descontração com editores locais da Mythos Editora (como Dorival Vitor Lopes), jornalistas e fãs, Civitelli costuma até fazer pequenos esboços em ambiente informal enquanto desfruta da comida brasileira.
O Afeto dos fãs como Lazer: Para Civitelli e José Carlos Francisco, o contacto humano é uma forma de lazer. O acolhimento caloroso logo na receção no aeroporto (muitas vezes documentado pelo jornalista Thiago Gardinali) prolonga-se por sessões de fotos, abraços e troca de impressões que quebram a barreira formal entre autor e leitor.

Todos estes momentos de camaradagem e as crónicas visuais dessas viagens costumam ser partilhados detalhadamente aqui mesmo no Tex Willer Blog, servindo de diário de bordo destas frutuosas passagens pelo Brasil, e este ano não será excepção pelo que de seguida vamos dar a conhecer aqui neste post mais alguns desses momentos fantásticos vividos nesta recente passagem de Fabio Civitelli e José Carlos Francisco pelo Brasil!

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A Arte Sublime de Fabio Civitelli na Edição Limitada de “La cavalcata del morto”

O Tex Willer Blog traz hoje aos seus leitores uma verdadeira obra-prima visual, saída do traço inconfundível de um dos maiores mestres da Sergio Bonelli Editore: Fabio Civitelli.

Esta ilustração imponente, realizada em papel de alta qualidade, é um dos grandes atrativos da prestigiada edição limitada e numerada de “Tex. La cavalcata del morto”. Trata-se de uma peça de coleção exclusiva que acompanha este volume especial, elevando a experiência de qualquer colecionador da mítica personagem criada por Gianluigi Bonelli e Aurelio Galleppini.

O Esplendor do Branco e Preto e a Técnica do Pontilhado

Na imagem, vemos um dinâmico e resoluto Tex Willer a domar o seu cavalo rampante, empunhando o seu fiel revólver sob um céu dramático e ameaçador. Ao fundo, a silhueta de uma figura misteriosa a cavalo acrescenta uma atmosfera de suspense e perigo iminente, que remete diretamente para a mística narrativa da história.

O desenho condensa perfeitamente a identidade artística que tornou Civitelli uma lenda viva do fumetto italiano:
* Domínio do Claro-Escuro: O contraste profundo entre as sombras marcadas e as zonas de luz pura confere uma tridimensionalidade impressionante à figura de Tex e à anatomia do cavalo.
* O Pontilhado Característico: O céu carregado de nuvens e a textura do solo do Arizona são trabalhados através de milhares de pequenos pontos meticulosos (a técnica do pointillisme), criando uma gradação de cinzentos que é a assinatura visual do autor.
* Dinantismo Cinematográfico: A composição capta o instante exato do movimento, transmitindo toda a energia do Velho Oeste numa única e poderosa imagem.

Esta estampa exclusiva é mais uma prova do porquê de Fabio Civitelli continuar a ser uma referência absoluta e um dos desenhadores mais queridos pelos texianos de todo o mundo. Uma autêntica joia artística que merece um lugar de destaque na galeria de qualquer fã de Tex!

Os bastidores da criação: Claudio Villa revela o processo criativo da capa de Maxi Tex #39 – ‘Pagati per uccidere’

O mestre Claudio Villa no seu estúdio, o local sagrado onde ganham vida as capas do Ranger

Os leitores mais atentos do Tex Willer Blog sabem bem que acompanhar a evolução de uma capa de Tex é penetrar no próprio coração do misticismo da Sergio Bonelli Editore. Hoje, trazemos uma viagem absolutamente imperdível pelos bastidores da mais recente capa do Maxi Tex #39 – Pagati per uccidere (a lançar no próximo mês de novembro), comentada passo a passo pelo seu próprio criador: o mestre Claudio Villa!

Com o seu humor habitual e rigor anatómico, Villa partilhou nas suas redes sociais a evolução da ilustração sob o lema: “Maxi Tex novembroso. Origine e inserzione (dai manuali di anatomia sulla descrizione dei muscoli)”. Graças a esta generosa partilha, podemos desvendar a anatomia de uma obra de arte em 6 etapas fascinantes, enriquecidas com as próprias legendas do Maestro:

1. A Inspiração e o Desafio da Realidade

Legenda de Claudio Villa: “Foto reference. Ma come carica il winchester mi sembrava “grezzo”“

Todo o processo ganha vida a partir de um registo real (uma fotografia clássica do ator George Montgomery – no filme The Lone Gun, de 1954). No entanto, o olhar clínico de Claudio Villa percebeu de imediato que a mecânica original de recarga da Winchester parecia demasiado rude ou desalinhada para a elegância mítica que o Ranger exige no papel.

2. O Primeiro Esboço de Atmosfera

Legenda de Claudio Villa: “Primo schizzaccio di “atmosfera”. Non c’è ancora uno sfondo“

A partir da referência, nasce o primeiro traço a lápis. Aqui, a prioridade absoluta de Villa é capturar a pose, a tensão e a “energia” de Tex. O cenário de fundo ainda não existe; o foco está inteiramente na silhueta icónica do herói.

3. Definindo o Cenário

Legenda de Claudio Villa: “Pennarello sulla matita precedente. ora un accenno di sfondo.“

Com o auxílio do marcador sobre o grafite anterior, as linhas ganham peso e definição. É neste ponto que o Maestro introduz os primeiros elementos do plano de fundo — a janela e a ombreira de madeira da estrutura —, contextualizando o perigo iminente.

4. A Arte-Final a Tinta-da-China

Legenda de Claudio Villa: “China. Ma era più naturale la posizione della testa nella precedente.“

O traço definitivo é consolidado a tinta-da-china, fazendo sobressair o magnífico jogo de sombras texturizadas. Num vislumbre de autocrítica típica dos grandes génios, Villa confessa aos leitores que preferia a inclinação ligeiramente mais natural que a cabeça de Tex exibia na fase anterior.

5. As Cores Originais e o Humor do Scanner

Legenda de Claudio Villa: “Colore, con mio scanner che aumenta il rosso. Devo chiedergli per chi vota “

A pintura manual ganha vida com cores ricas, contrastes dramáticos e uma iluminação soberba sobre a icónica camisa amarela de Tex. Divertido, o desenhador brinca com o facto de o seu digitalizador saturar excessivamente os tons vermelhos, questionando as “tendências políticas” do aparelho.

6. O Resultado Final nas Bancas

Legenda de Claudio Villa: “Edicola“

O culminar do processo: a capa finalizada com o tradicional logótipo MAXI, os respetivos títulos integrados graficamente e o grafismo editorial que os colecionadores tanto apreciam encontrar nas bancas de toda a Itália.

Uma lição viva de banda desenhada oferecida por um dos maiores vultos da nona arte contemporânea!

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“A Vingança de Doc Holliday” (da Mythos Editora) na análise de Rui Cunha

Por Rui Cunha (texto) e Margarida Cunha (fotografias)

“A Vingança de Doc Holliday” (da Mythos Editora) na análise de Rui Cunha

Na história americana, a cidade de Tombstone, no Arizona, tornou-se famosa, de um dia para o outro, por conta de um duelo que lá ocorreu no dia 26 de outubro de 1881 e que as lendas do Oeste chamaram “Duelo no O.K. Corral” e o tornaram famoso na mitologia do velho Oeste.

O duelo foi o resultado de um conflicto que já vinha de trás que opunha um bando de cowboys, pistoleiros e, na sua maioria, ladrões, a Wyatt Earp e seus irmãos Morgan e Virgil, homens da lei e “Doc” Holliday, ex-dentista, jogador de poker, tornado pistoleiro. O tiroteio, que durou aproximadamente 30 segundos, resultou na morte de três cowboys, Tom e Frank McLaury e Billy Clanton e ferimentos em Morgan, Virgil e “Doc” Holliday.

No entanto, o duelo não acabou com a luta entre os irmãos Earp e os cowboys. Algum tempo depois, com diferença de meses, Virgil seria vítima de uma emboscada sendo ferido gravemente e Morgan seria assassinado. Wyatt, agora Marshall do condado de Cochise, no Arizona, com a ajuda de alguns amigos e “Doc”Holliday”, fez justiça pelas suas próprias mãos, perseguiu e matou grande parte dos cowboys acabando com o bando.

 O duelo, apesar da lenda que se criou à sua volta, só foi conhecido do grande publico americano por volta de 1931, quando Stuart Lake, escritor, fez referência a ele numa biografia que escreveu sobre Wyatt Earp nesse ano. A partir deste livro, muitas foram as formas que se tentaram encontrar para ilustrar e fazer chegar aos novos públicos o acontecimento. A literatura e o cinema foram os melhores veículos para isso e deles resultaram algumas das grandes obras literárias e cinematográficas de sempre, como “My Darling Clementine – A Paixão dos Fortes” de John Ford (1946), ou “Gunfight at the O.K. Corral – O Duelo de Fogo” de John Sturges (1957), ou mais recentemente “Tombstone – Tombstone” de George Pan Cosmatos (1993) ou ainda “Wyatt Earp – Wyatt Earp” de Lawrence Kasdan (1994), sendo este último uma espécie de biografia do homem da lei.

Até a chamada 9ª Arte, a Banda Desenhada, se rendeu ao acontecimento e através de um dos seus grandes heróis, o Tenente Blueberry, lhe rende uma discreta homenagem no livro “Blueberry – OK Corral” (Jean Giraud, 2003).

Mas o O.K. Corral não se ficou apenas pelo duelo e o que dele resultou, a imaginação de alguns autores continuou e expandiu o evento com outros protagonistas, como Tex Willer, famoso Ranger do Texas, criação italiana de Gian Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini.

 Tex Willer foi criado pelos dois autores supracitados em 1948 e, com quase 80 anos de existência, continua a encantar a geração que o viu nascer, aquela que se seguiu, os que vieram a seguir e, já em pleno século XXI, as novas gerações. Renovando-se constantemente ao longo dos anos, quer em termos de histórias, quer em autores.

Em 2019, operou-se na SBE (Sergio Bonelli Editore) uma nova mudança: pela primeira vez, na sua existência, uma história de Tex foi inteiramente desenhada por uma mulher. A história chama-se “La Vendetta di Doc Holliday – A Vingança de “Doc” Holliday” e a sua desenhadora chama-se Laura Zuccheri.

Passaram-se anos sobre o famoso duelo do O.K. Corral, que opôs os irmãos Earp e “Doc” Holliday aos cowboys liderados por Ike Clanton. Pensa-se que o bando dos cowboys já não existe, embora Johnny Ringo, um dos líderes do grupo ainda esteja vivo. Na cidade de Trail’s End, no Novo México, três cowboys que haviam chegado à procura de “Doc” Holliday aparecem mortos. Tex e Kit Carson são enviados para tentar resolver o caso e descobrir o paradeiro do ex-dentista que, ao que tudo indica, foi quem os matou.

Trabalhando sobre um argumento de Mauro Boselli, Laura Zuccheri não poderia ter começado da melhor maneira. A antiga desenhadora da série “Júlia”, também da Editora Bonelli, apresenta um trabalho digno dos mais famosos e conhecidos desenhadores de Tex. A desenhadora consegue alguns bons momentos, principalmente na sequência em flashback do O.K. Corral e o que se seguiu (pág. 99 – 114), entre-cortada pela conversa dos dois Rangers com Johnny Ringo no saloon em que o seu desenho é como se fosse uma câmara a filmar, conseguindo um bom equilíbrio entre os momentos mais calmos e os momentos de acção da história.

A acção decorre em diversos locais, cidades e povoados, sempre bem ilustrados pela desenhadora, dinamizando a acção e preparando o leitor para os grandes momentos que começam a acontecer a partir do meio para a frente (pág.115 – em diante).

O argumento de Mauro Boselli é bem estruturado, apresentando-se inicialmente como um western, com direito a uma primeira cena de acção e mistério onde surge pela primeira vez o assassino. Tex e Carson seguem as pistas que vão surgindo e a história avança para uma espécie de “who dunit”, onde nunca se percebe quem é o assassino e assim se mantém até perto do final quando as revelações começam a surgir e o culpado é finalmente apanhado. Boselli consegue um bom “vol de face” quando Johnny Ringo é assassinado adensando ainda mais o mistério de quem anda a matar e porquê.

O final em aberto (com as duas mulheres a partirem em busca do tesouro que os cowboys acumularam fruto dos seus roubos e que apenas Johnny Ringo sabia onde estava), sugere uma possível continuação no futuro?

No geral, “A Vingança de “Doc” Holliday”, é mais uma boa aventura de Tex, nunca abandonando o género para que foi escrita, um bom argumento com toques de thriller policial e, principalmente, um bom trabalho da desenhadora, Laura Zuccheri.

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