Onze anos após a sua partida, a recordação e a saudade deixada por Sergio Bonelli

Por José Carlos Francisco

Faz hoje precisamente onze anos que Sergio Bonelli deixava-nos. Falar de Sergio Bonelli é lembrar de uma pessoa especial a qual tive o grande prazer, mas sobretudo o grande privilégio, de conhecer pessoalmente. O dia 26 de Setembro de 2011 é uma data que faz reemergir na memória tantas recordações ligadas a esse dia triste, marcado pelo falecimento de Sergio Bonelli.

15 de Setembro de 2002, dia inesquecível em que conheci pessoalmente Sergio Bonelli

Um ser humano extremamente inteligente, educado, companheiro e acima de tudo, uma pessoa sempre preocupada com os outros, como várias vezes o provou comigo mesmo, escrevendo-me ou telefonando-me (ou até mesmo convidando-me a viajar até à sua bela Itália) “apenas” para conversarmos sobre as nossas amadas personagens de papel, mas também para saber se estava tudo bem comigo e com a minha família.

Um escritor e um editor que amava o que fazia e que tinha prazer em comparecer aos eventos relacionados com a banda desenhada para falar da editora e das suas personagens e onde passava para todos a importância da leitura quadrinhística. Sergio Bonelli era um ser iluminado que seguramente deixou saudades a todos que o cercavam e sempre será lembrado pelo ser humano que era e pelas suas obras.

José Carlos Francisco e Sergio Bonelli, Milão 2002

Do seu acervo, posso falar com certeza, que são histórias incríveis que nos fazem viajar pelos lugares que ele tão bem descreve, sobretudo as contadas em Mister No. Ele tinha uma maneira diferente, única mesmo, de contar histórias com muita criatividade, cheias de magia e diversão, de mostrar o mundo, de expressar os seus sentimentos.

Pessoalmente recordo com eterna saudade aquele longínquo domingo, dia 15 de Setembro de 2002, em que na companhia do editor Dorival Vitor Lopes e do tradutor Júlio Schneider, no hotel Berna em Milão fui apresentado a Sergio Bonelli e logo aí nasceu uma empatia difícil de explicar por palavras. Foi um momento inolvidável em que o tempo passou muito depressa (pois tantos foram os motivos de conversa, muitas as curiosidades a saber por mim) e que ficou registado para todo o sempre na minha memória, estar ali frente a frente com o grande editor italiano fazendo perguntas e ele dispondo-se a responder de forma muito simpática e prolongada, perguntas relacionadas com a sua história de argumentista e editor, com a razão de ser da sua editora, ou até com pormenores que poderiam ser insignificantes para muitos, mas que muito me honraram.

Davide Bonelli, José Carlos Francisco, Dorival Vitor Lopes, Sergio Bonelli e Júlio Schneider na Sergio Bonelli Editore em-Setembro de 2002

O primeiro autógrafo de Sergio Bonelli ao seu amigo português

E ele próprio fazendo-me perguntas… falando das edições Bonelli na Itália, no Brasil e em Portugal, dos seus roteiros, dos seus colaboradores na editora, onde se incluíam principalmente os argumentistas e os desenhadores, da obra de seu pai, enfim foi um domingo de sonho já que a conversa prosseguiu num épico jantar e em que após o mesmo fomos passear a pé pelas ruas do centro de Milão, num passeio nocturno muito agradável no qual Sergio Bonelli revelou inclusive a história daquela parte da cidade, onde estão concentradas as principais lojas e escritórios de moda. Conhecemos as ruas Sant’Andrea, Spiga, Borgospesso e Monte Napoleone que formam o Quadrilátero de Ouro, onde estão localizadas as mais famosas e caras lojas de griffes italianas, como Armani, Valentino, Versace, Fiorucci e outras.

Sergio Bonelli e José Carlos Francisco, Milão 2006

Sergio Bonelli, José Carlos Francisco e Dorival Vitor Lopes jantando em Milão, 2006

José Carlos Francisco e Sergio Bonelli num passeio nocturno por Milão, 2009

À mesa com Sergio Bonelli, Milão 2009

Sergio Bonelli e José Carlos Francisco, em Rapallo, 2009

Fabio Civitelli, José Carlos Francisco e Sergio Bonelli na Cartoomics de Milão, 2010

Aquela viagem de sonho era mais que um sonho, era real e, ainda por cima, eu estava a viver um momento ímpar e exclusivo: ter o mítico Sergio Bonelli como guia num passeio nocturno em Milão. E mal sabia eu que o melhor ainda estava por vir! É que no dia seguinte aquando da visita à editora, após Sergio Bonelli saber que sendo eu português, tinha toda a colecção brasileira de Tex, ofereceu-me integralmente uma colecção italiana do Ranger prometendo inclusive que a partir desse dia eu receberia tudo do Tex que fosse publicado, promessa essa que foi sempre cumprida nos anos que se seguiram, tal como foi crescendo a nossa amizade, uma amizade tão magnificente entre dois homens de gerações e origens diferentes, unidos pela mesma devoção a coisas simples e sem mácula como podem ser, afinal, os quadradinhos e os heróis que os povoam.

José Carlos Francisco e a homenagem póstuma a Sergio Bonelli – 2017

Sergio Bonelli nunca será esquecido e as suas histórias de banda desenhada jamais deixarão de ser lidas… ele sempre estará presente em nossas vidas, quer sejamos crianças, adolescentes ou adultos. Sergio Bonelli teve o poder de escrever aventuras que nos envolvem da primeira até a última página, tornando-se um autor único e imortal, uma verdadeira LENDA, como se pode comprovar no vídeo abaixo onde os seus colegas e amigos da Sergio Bonelli Editore lhe dedicaram um vídeo-galeria que percorre sinteticamente as muitas emoções com as quais o mítico editor soube brindar os leitores durante a sua carreira.

Uma dedicatória especial de Sergio Bonelli para José Carlos Francisco

Um agradecimento especial de Sergio Bonelli

Uma particular colecção de cartas escritas por Sergio Bonelli para José Carlos Francisco

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Giovanni Ticci, do realismo à síntese em cinco décadas

Por Mário João Marques*

Giovanni Ticci

Em janeiro de 1967, na série Rodeo de Tex (a última série das strisce), começou a ser publicada a aventura Vendetta indiana, oportunidade para os leitores descobrirem um novo desenhador, Giovanni Ticci, que apresentava um estilo vigoroso e um Tex com uma expressão mais de acordo com o caráter determinado que lhe conferiu o seu criador Gianluigi Bonelli. Um desenhador que conseguia exprimir e caraterizar na perfeição os ambientes do velho oeste, conseguindo uma interpretação dos grandes espaços da Fronteira, que vinha inovar o que até então tinha sido feito. Um desenhador que, conforme foi posteriormente sendo comprovado, ao longo da sua carreira soube sempre estar em harmonia com o seu tempo, soube sempre evoluir, podendo afirmar-se que, enquanto o traço e as caraterísticas de muitos desenhadores foram ficando datados, com Ticci aconteceu precisamente o contrário, sendo ainda hoje considerado como modelo e inspiração a seguir por muitos desenhadores.

Giovanni Ticci nasceu em Siena, em 1940, e desde muito jovem começou a trabalhar na banda desenhada. Iniciou-se no estúdio de Roy D’Amy, onde trabalhou ao lado de nomes como Sergio Tuis, Renzo Calegari, Gino D’Antonio, Giorgio Trevisan, Aldo Di Genaro ou Ferdinando Tacconi. Mais tarde, começa a colaborar com outro grande nome italiano, Franco Bignotti, em séries destinadas ao mercado inglês, culminando em 1960 com a série Un ragazzo nel Far West, com argumentos de Guido Nolitta e sucessivamente de Gianluigi Bonelli. Ticci preparava-se para deixar o desenho e ingressar na banca, por isso, conhecedor do talento do jovem, foi o próprio Bignotti que pediu a Ticci que o ajudasse, o que veio a acontecer de modo mais evidente a partir do terceiro número, passando na altura ambos a assinar com um pseudónimo expressamente inventado: Bignoticci. De 1960 a 1966 trabalha com Alberto Giolitti, cujo estilo vai influenciar Ticci nos primeiros anos, mantendo-se entre ambos não só uma estreita colaboração profissional, como sobretudo uma sincera amizade e um relacionamento humano muito profundo. Até que chega o momento em que Sergio Bonelli convida Ticci para trabalhar em exclusivo numa nova personagem, Judok (escrita por Gianluigi Bonelli), dando-lhe total liberdade para a criação fisionómica e dos ambientes. No entanto, Ticci nunca terá um ritmo rápido, o que desagrada a Sergio Bonelli, que mesmo assim vê no jovem desenhador suficientes potencialidades para trabalhar numa série como Tex.

Apesar das reticências iniciais de alguns apaixonados, habituados ao realismo puro da banda desenhada italiana do pós-guerra, Ticci torna-se rapidamente num dos mais amados desenhadores de sempre, conferindo ao herói um rosto e uma expressividade inolvidável que veio a inspirar quase tudo e quase todos, mais de acordo com o caráter e a psicologia da personagem bonelliana. O Tex de Ticci atravessou gerações e consolidou a sua imagem, um ranger incisivo de traços marcantes, um Tex altivo, pujante, elegante, um misto de força e energia, atuante em cenários de múltiplos e amplos horizontes, pradarias, canyons e pueblos, compondo toda uma estética e uma diversidade de imagens cinematográficas que marcaram gerações de leitores. Roy D’Amy ensinou que uma boa história deveria ser entendida sem ser necessário ler as suas legendas. Conhecendo a expressividade patente no desenho de Ticci, que desde muito cedo soube ampliar e exponenciar graficamente as potencialidades narrativas dos ambientes do western e da Fronteira, nunca semelhantes palavras fizeram tanto sentido.

Vendetta Indiana de 1967 é, como acima referido, o seu primeiro trabalho, um western crepuscular, revisionista e anti-militarista, que rapidamente se tornou num pequeno clássico, iniciando aqui uma notável carreira onde terá oportunidade de expressar e exaltar as suas inúmeras qualidades. O seu Tex torna-se numa figura de referência para muitos desenhadores, mas as suas aptidões revelam-se também na composição dos grandes espaços e na interpretação dos índios. Vendetta Indiana é uma história forte e trágica, que assume as suas origens clássicas do género. Uma história perfeita para colocar à prova o traço justo e perfeitamente equilibrado do autor, capaz de criar um universo romântico, através das majestosas paisagens do oeste americano, mas ao mesmo tempo expressivo, que transmite energia e dinamismo, um traço verdadeiramente cinematográfico e naquela altura inovador. Em Vendetta Indiana, é notória a influência de Alberto Giolitti, uma vez que o desenho de Ticci vai revelar o mesmo preciosismo, detalhe, definição no traço e na composição de cenários e ambientes. Esta influência estende-se também aos traços fisionómicos das personagens, com uma composição muito realista e marcante das faces, que ainda se vai manter na aventura seguinte Territorio Apache, publicada em 1969, história adaptada do romance de Gianluigi Bonelli Il Massacro di Goldena.

Depois de ter assimilado estas influências, Ticci começa a fazer o seu próprio percurso, iniciando uma evolução contínua e sobretudo consequente. Uma evolução estilística que conservará sempre as bases do estilo anterior, não existindo dessa forma um corte abrupto. Em Ticci não há alterações repentinas, há antes uma evolução consciente, constante e natural, um assumir de um estilo cada vez mais pessoal, com um traço a querer ganhar fôlego, ansiando libertar-se das amarras que o estilo giolittiano impunha. Nesse sentido, La croce tragica, a sua primeira grande aventura (358 páginas), desde logo capta as atenções dos leitores, através de uma atmosfera diferente, com um dinamismo ímpar e uma notável habilidade em dar vida e realismo a todas as cenas. O estilo mantém-se polido, mas o traço torna-se mais decisivo e nítido. A sua capacidade em construir uma notável galeria de imagens que retratam a Fronteira começa a ganhar forma, através de pranchas onde ainda predominam as três strisce, tão caras na série. Mas o desenho pujante e pleno de vida já começa a pedir maior espaço, outros enquadramentos e perspetivas, com Ticci a utilizar o enquadramento “americano”, mais ao serviço da história do que para realçar qualquer efeito especial. Por isso, La croce tragica surge na carreira do autor como um trabalho “desenquadrado”, porque se o seu estilo começa a afastar-se de Giolitti, ainda não se assume verdadeiramente ticciano. O seu Tex começa a moldar-se, assumindo feições mais profundas, vincadas, penetrantes e uma face mais alongada, tal como os seus pards. É um Tex que o autor começa a preparar para apresentar ao leitor como sendo o seu modelo.

O passo no sentido de uma maior fluidez gráfica será dado na aventura seguinte, Terra Promessa, onde já será bem patente a utilização de desenhos que ocupam toda a largura da página, a conferir um efeito cinematográfico que o autor vai utilizar ao longo da sua carreira. Começa assim um novo período estilístico do autor, onde Ticci começa a “negligenciar” alguns fundos quando as personagens surgem em primeiro plano, uma opção consciente e segura que, longe de revelar um desinteresse por parte do autor relativamente aos cenários, permite sublinhar a legibilidade, realçando os pontos mais importantes. Estas cenas passam a ser dominadas pelas personagens, optando Ticci por enfatizar o seu papel em detrimento de um realismo puro que tanto tinha caraterizado a sua fase inicial. O artista encontra o seu estilo pessoal e toda a evolução que La croce tragica deixava antever acaba por ficar bem patente a partir de Terra Promessa. Fiel ao estilo realista, inicia-se aqui um processo de síntese que doravante passará a acompanhar Ticci na sua evolução estilística.

Com Assalto al Treno (curiosamente a aventura que Ticci menos aprecia) entramos numa nova fase, um período onde o autor abandona as faces alongadas das suas personagens e passa a apresentar aquele que doravante passará a ser o seu Tex e que acabará por vir a influenciar grande parte dos desenhadores. Um Tex sempre seguro, capaz de inspirar confiança nos amigos como temor nos inimigos, um Tex que já denotava as mesmas caraterísticas, mas que agora assume dimensões faciais mais naturais. Trata-se do período mais rico e amado pelos leitores e onde o autor vai evoluindo em direção ao sintetismo do seu traço. As aventuras seguintes podem ser consideradas como de certa forma um compasso nesta evolução, uma vez que se Sabbie insaguinate é desenhada com Giolitti, A sud di Nogales foi um trabalho que o autor realizou em períodos distintos, com uma primeira parte desenhada ainda no tempo onde predominava a influência do traço de Giolitti. No entanto, as aventuras posteriores como L’oro del Colorado, Santa Cruz e sobretudo Cane Giallo, o western em estado puro com as montanhas, as galopadas a cavalo, os barcos, as canoas, as aldeias índias, a cidade do velho oeste, onde Ticci tem oportunidade de demonstrar a sua maturidade artística, apresentam desenhos onde não existe uma total delimitação dos contornos, onde vários elementos do desenho, ao combinarem entre si, acabam por constituir uma perfeita definição linear do traço. Este sintetismo nos contornos acabará por se confrontar com o realismo dos seus primeiros tempos, convidando de certa forma o leitor a descodificar imagens e desenhos, iniciando-se assim uma cumplicidade que vai doravante caraterizar o seu trabalho. Com o desenho de Ticci, o leitor assume-se como um intérprete da imagem, concentrado em descodificar o trabalho do artista.

O sintetismo extremo que carateriza o atual período começa a dar sinais em Trappola per Lupi, com os traços faciais das personagens a reduzirem-se ao essencial, de modo a permitir uma maior expressividade, iniciando-se um período de síntese extrema que alguns começam a denominar de expressionismo. Sioux é a aventura onde se torna mais evidente esta nova evolução, a qual, tal como as anteriores, é feita gradualmente e em seguimento de uma vontade própria do autor. O seu Tex começa a envelhecer, com um olhar ainda mais profundo. Olhos (apenas com uma única linha) e orelhas são desenhados com uma notável economia de traços, convidando ainda mais o leitor a empenhar-se na interpretação gráfica do trabalho do autor. Esta síntese genial é sublinhada por um traço mais veloz, mais concreto, mais empenhado em sugerir do que propriamente em descrever, sem que tal signifique abdicar daquilo que é essencial ao autor, uma fiel e notável representação do western.

Em Congiura contro Custer, Ticci terá oportunidade de desenvolver em pleno o seu sintetismo. As numerosas cenas de batalha e de caçadas, muito diferentes entre si, plenas de homens e animais favorecem esta síntese extrema do traço ticciano, contribuindo para um trabalho de forte impacto visual. Caraterísticas também evidentes em Kiowa, outra aventura também ela ambientada na sua maior parte em espaços amplos e abertos, onde Ticci tem um trabalho visualmente único e onde o autor tem oportunidade de demonstrar a sensibilidade e a poesia do seu traço. Um traço feito de paixão e que convida constantemente o leitor a mergulhar e intervir na história. Buffalo Soldiers é outro perfeito exemplo onde o traço sintético do autor exalta a potência e o dinamismo de todas as cenas, uma das obras-primas do autor, comprovando a sua natural propensão para cenas grandiosas, plenas de acontecimentos e de personagens, chegando muito provavelmente ao limite evolutivo. É o final de um caminho natural, de um percurso consciente, que trouxe o autor do realismo puro e clássico ao traço mais sintético, eficaz, quer na representação da realidade como na expressividade de sentimentos. 

Um percurso que leva alguns a duvidar do caminho traçado: evolução ou decadência, eis a questão. A verdade é que não está ao alcance de muitos representar plenamente, com uma economia notável de traços, personagens e ambientes que expressam uma emotividade que apela à constante adesão e atenção do leitor. Por isso, Ticci continua a ser uma referência constante, não só na própria construção do ranger, que a própria Sergio Bonelli Editore passou a indicar como modelo a seguir pelos novos desenhadores, mas também na representação de ambientes e paisagens ou nas cenas grandiosas de massas, onde o traço de Ticci exalta-se e ganha expressividade. Sabendo disso, os argumentistas de Tex também conseguiram sempre escolher a contento os temas das suas histórias para este extraordinário desenhador. Gianluigi Bonelli com La Croce Tragica, Terra Promessa ou Il Messaggio dei Dakotas, Guido Nolitta com Il solitario del west ou Golden Pass (com Mauro Boselli), Claudio Nizzi em Il Pueblo perduto, Fiamme di Guerra, Orgoglio Navajo, mas também em Congiura contro Custer ou Kiowas, Mauro Boselli em Buffalo Soldiers, Gianfranco Manfredi em Sei Divise nella polvere ou ainda Pasquale Ruju com L’onore di un Guerriero, são alguns exemplos onde caberiam certamente muitos outros.

Uma página ticciana constitui um conjunto de imagens em perfeita harmonia, onde todos os enquadramentos e perspetivas são naturais, demonstrando uma notável capacidade de simplesmente contar e descrever. Ao longo da sua carreira, Ticci preferiu sempre eliminar e não adicionar, inserindo apenas o essencial, através de um traço que busca um expressionismo polido. O essencial deve ser capaz de transmitir tudo, personagens, com as suas faces e expressões, mas também toda a ação, o drama, um verdadeiro esplendor narrativo. O desenho de Ticci tem a enorme faculdade em transmitir toda uma energia e um dinamismo ímpar, onde tudo é movimento, tudo está em movimento. Se para alguns este traço essencial possa ser sinónimo de decadência, o sintetismo ticciano não deixa de ser revelador de uma vontade artística, um modelo particular e assumidamente expressivo do autor, que sublinha uma permanente sensação dinâmica, tornando o seu traço potente e imediato, salientando a beleza paisagística, o cheiro e o respiro dos ambientes, o perfume da liberdade ou a capacidade extraordinária de tornar as personagens em protagonistas de mão cheia. Analisando o seu percurso, emerge uma sincera paixão capaz de tornar o western num mundo à parte, um traço de união entre a ficção e o realismo puro, sem perder coerência e credibilidade.

Desde 1967, Giovanni Ticci desenhou mais de 7600 pranchas para Tex, sem contarmos com mais 33 que realizou para histórias curtas do ranger, onde se inclui Morte no deserto (no original – Morte nel deserto). Trata-se de uma pequena história escrita por Claudio Nizzi e publicada originalmente em 1992 na revista Sorrisos e canções da TV, da editora de Silvio Berlusconi, num suplemento chamado “Fumetti d’Estate” (Revistas de Verão), cuja capa reproduzia a última cena da história. Curiosamente, nesta aventura com um argumento imparável, servida por diálogos intensos, exceptuando o próprio Tex (e Carson, que é apenas mencionado), chegamos ao fim sem saber o nome de qualquer das personagens.

A produção de Giovanni Ticci em Tex é enorme, tendo ainda realizado várias capas, dividindo com Galep e Villa essa honra, não só a do Speciale por si desenhado (Il pueblo perduto), mas também as 30 da Collezione Storica a Colori Serie Gold, bem como algumas edições publicadas pela Mondadori. Por isso, se a Galleppini caberá o mérito de ter criado Tex, através do seu traço elegante, Ticci deu-lhe um rosto, mergulhou o herói no verdadeiro oeste e convidou o leitor a interpretar graficamente a aventura, porque do desenho de Ticci emerge emoção, movimento e poesia.

Nota: na elaboração deste texto foram consultadas várias fontes, nomeadamente artigos publicados em Tex Collezione Storica a Colori, Tex Willer Magazine e Giovanni Ticci – Un “americano” per Tex, de Moreno Burattini e Graziano Romani.

* Texto de Mário João Marques publicado originalmente na Revista nº 6 do Clube Tex Portugal, de Junho de 2017.

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Vídeo: Giusfredi e Gomez apresentam o álbum cartonado “La leggenda di Yellow Bird”

Nos quiosques italianos desde 21 de Setembro, o volume cartonado “La leggenda di Yellow Bird” traz o regresso de Carlos Gomez às páginas de uma aventura de Tex. O desenhador argentino conversou com o argumentista Giorgio Giusfredi para falar sobre esta edição.

O desertor deve ser capturado e punido! E o comando de Forte Ellis, no Montana, está disposto a tudo para fazê-lo, inclusive a enviar um esquadrão de casacas-azuis para o território dos furiosos Cheyennes em pé de guerra. Na desesperada tentativa de salvar os soldados de uma morte certa, Tex e Carson encontrarão no seu caminho a guerreira Crow Yellow Bird. Mas será ela uma magnífica aliada ou outra terrível adversária?

La leggenda di Yellow Bird é o título do décimo quinto cartonado “à francesa” de Tex, nos quiosques italianos desde quarta-feira 21 de Setembro. Escrito por Giorgio Giusfredi, o álbum traz o tão esperado retorno do talentoso desenhador argentino Carlos Gomez às páginas de uma aventura texiana, neste caso apoiado pelas cores de Matteo Vattani.

No vídeo que disponibilizamos de seguida, vindo directamente do canal YouTube da Sergio Bonelli Editore, Giusfredi e Gomez conversam sobre a sua colaboração, contando também alguns deliciosos aspectos dos bastidores que certamente vão convencer os texianos a comprar e a ler o volume, caso ainda não o tenham feito.

Entrevista com o fã e colecionador: Jorge Luís Cardoso Pereira (Jorginho)

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde nasceu? O que faz profissionalmente?
Jorginho: Oi, me chamo Jorginho, não… espera… me chamo Jorge Luís, isso, Jorge Luís Cardoso Pereira, mas faz muito tempo que abandonei tal alcunha. Jorge Luís é um adulto chato que paga contas, Jorginho é um artista aquariano e inquieto que está aqui falando com os leitores.
Nasci em Alvorada, região metropolitana de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, Brasil, no dia 02 de fevereiro de 1977, escutando Bob Dylan, com a barba por fazer, desenhando com lápis 6b e com um monte de Banda Desenhada de Tex para ler.
Tá, tá certo…, não foi bem assim, mas poderia ter sido. Eu nasci em um hospital de Porto Alegre, realmente no dia e ano já citados. Minha mãe biológica não me queria e havia anunciado de antemão que me daria para adoção. Dona Ilza, que viria a ser minha mãe de fato, não conseguia engravidar e, num terreiro de Umbanda escutou através de uma médium que recebia a entidade espiritual Oxum, que adotasse uma criança que nascesse no dia de Iemanjá, que ela então seria mãe. Dia 02 de fevereiro é o dia em que se comemora o dia de Iemanjá aqui no Brasil, minha falecida madrinha Lourdes conhecia as minhas duas mães, e intermediou a adoção dois dias depois que vim ao mundo. Passados dois anos desse fato, minha mãe Ilza engravidou de sua filha natural, a médium acertou.
Profissionalmente, eu sou ilustrador, cartunista, desenhista de quadrinhos, filósofo, administrador do ColetiveArts (grupo de artistas e escritores do Brasil), edito o blog Coletive em Movimento (que vem crescendo cada vez mais) e sou Pedagogo, atuando na Educação Infantil.

Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada?
Jorginho: Desde muito pequeno, através dos Super Quadrinhos, suplemento de Banda Desenhada que saía aos domingos no jornal Zero Hora, ali eu ficava vendo as figuras e pedindo para os adultos lerem as histórias para mim. Eram histórias do “Hagar- o horrível”, do “Asterix”, de “Valerian – o Agente Espaço Temporal”, entre muitos que me marcaram.
Ali começou a minha alfabetização, minha madrinha chamada Tânia começou a me ensinar a ler, recortava as letras e figuras daquela páginas e ia me ensinando, o “H”mudo era de Hagar, o “H” com som de “R” era do Hulk, o “A” era de Asterix. Minha madrinha, dentro do seu entendimento, me educou considerando a linguagem da criança, sou muito grato a ela. Fui alfabetizado por volta dos seis anos, antes de entrar para a escola.

Quando descobriu Tex?
Jorginho: Eu descobri Tex antes de aprender a ler, por volta dos quatro anos para cinco. Meu pai e minha mãe tinham compadres que moravam em uma casa de aluguel e eles foram embora sem pagar os valores e sem realizar a manutenção do imóvel, cabendo aos meus pais e outros fiadores fazerem isso. Quando foram realizar a limpeza para pintar a casa, ali havia um exemplar de Tex, que minha mãe de forma “salomônica”, dividiu em duas partes, uma para mim, que fiquei com a capa e páginas do início e outra com meu primo que ficou com mais da metade da revista (que erro da minha mãe, ele nunca gostou de ler).
Assim, eu pedi para lerem pra mim um pouco da história que me coube, depois me lembro que recortei o mesmo, fazendo “homenzinhos de papel”, com os quais eu brincava, criando e recriando as aventuras de Tex e seus pards.
Em 1986, quando já tinha nove anos, pedi para minha mãe, que ia ao mercado, comprar na volta para casa um gibi usado na banca. Ela passou e comprou duas edições do Tex, N°198 e N° 201. Ali, acendeu uma paixão que dura até hoje.

Porquê esta paixão por Tex?
Jorginho: Eu acredito que a cultura do faroeste sempre esteve presente em quem se criou nos anos 1970 e quem nasceu naquela década, pois os anos 1980 traziam muitas reprises de filmes e séries nos canais de televisão brasileira. Eu assistia a Durango Kid, a Bonanza, Lancer, Chaparral e depois eu ia brincar nos fundos de casa, recriando e contando as aventuras que eu tinha acabado de ver. Ali estava a semente da paixão.
Também acho que ter brincado com “os homenzinhos de papel de Tex” foi muito importante, ou seja, mais uma semente. Mas creio que a paixão por Tex seja explicada por causa da construção do herói e seus pards, pois li muitos faroestes, mas jamais tive nem de perto o sentimento que tenho quando leio Tex, adoro Ken Parker também, mas Tex é insuperável.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Jorginho: Eu sou um pesquisador, um colecionador de quadrinhos, meu filho chama-se Peter por causa do Homem Aranha, minha filha Maitena por causa da cartunista argentina, ou seja, eu leio muito e gosto demais. Então, eu já li histórias ruins de outros personagens, histórias fracas, com arte não tão boa. Agora, EU NUNCA LI UMA HISTÓRIA RUIM DE TEX. Nunca me decepcionei. As pessoas que cuidam da equipe criativa de Tex tem um cuidado e um esmero para com o leitor do ranger que salta aos olhos da gente.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua coleção? E qual a mais importante para si?
Jorginho: Ela já foi enorme, como coleção ampla e como coleção de Tex, após eu me separar da minha primeira esposa, tive que recomeçar a comprar as coisas que eu amo, sabendo que nunca vou ter tudo que um dia tive, então vou adquirindo aos poucos. Hoje tenho cerca de 215 revistas de Tex, luto para completar algumas coleções. Hoje a mais importante para mim afetivamente é a Tex Gigante n°34 com texto de Mauro Boselli e arte da Laura Zuccheri, que trata sobre a Vingança de Doc Holliday. Foi o primeiro contato que tive com a Laura, da qual a partir dali me tornei fã, a entrevistei para o ColetiveArts no ano passado (em uma série de matérias preparando para o evento online Cavalgando com Tex), uma artista maravilhosa e uma pessoa maravilhosa.

Coleciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Jorginho: Eu leio muito e em todos os gêneros, BD, livros, resenhas. Minha coleção sobre Tex vai por tudo aquilo que eu conseguir do personagem, desde revistas até sovenirs dos mais diferentes estilos. Mas é claro, observando tudo, hoje vou completando uma coleção, depois outra e vou adquirindo aos poucos o que vem me surgindo.

Qual o objeto Tex que mais gostaria de possuir?
Jorginho: Olha para alegrar e realizar um sonho de criança, uma estrela de Ranger. Sabe, nunca tive uma, nem de plástico. Mas é claro que eu queria muito ter a coleção que saiu na Itália compilando as primeiras edições de Tex em formato original, em formato talão de cheque (como se fala no Brasil) e a coleção de moedas, ela é linda demais!

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Jorginho: Bom aí geralmente complica muito, e sei que muitos pards têm uma predileção por histórias, escritores e desenhistas que geralmente acabam se repetindo em entrevistas. Alguns chegam a me dizer que são “Tex Raiz”, que não aceitam fulano escrevendo ou desenhando o personagem.
Pois vou fugir a esse estereótipo. Meu roteirista favorito é o Mauro Boselli e a desenhista é a Laura Zuccheri, e a minha história favorita será a próxima em que os dois trabalharão juntos, até vir a próxima, e a próxima, e assim sucessivamente.
Não podemos ficar presos ao passado, que surjam cada vez mais novos roteiristas e artistas para trabalharem com Tex.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Jorginho: No personagem o que mais me agrada é a construção de caráter que ele tem, a maneira com que lida com as situações das mais diversas que aparecem pela frente. Nas aventuras, todo o contexto histórico e cronológico de suas aventuras. Também é na cronologia que às vezes acho que poderia ser melhor trabalhado, por exemplo, um personagem comum, um figurante que apareceu em uma aventura x, de uma edição do passado em uma cidade, deve aparecer novamente, pois isso daria mais credibilidade e noção histórica ao personagem. As cidades não eram tão numerosas e os nossos rangers eram figuras de destaque, por isso, às vezes estranho quando leio uma história passada novamente em uma cidade e já não existe nenhum personagem coadjuvante que tenha aparecido na história anterior aparecendo nessa, nem que seja de relance.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Jorginho: É uma grande soma de fatores, que vai desde o personagem em si, passando por todo o compromisso e a seriedade com que as equipes criativas tratam o mesmo, seus parceiros e seus leitores.
Tex é sem sombra de dúvidas o maior personagem de quadrinhos de faroeste já criado, cada aventura sua é um grande roteiro para um bom filme. Ler Tex é sempre uma experiência incrível, por isso ele é um ícone.

Costuma encontrar-se com outros colecionadores?
Jorginho: Sim, sempre que possível, seja pessoalmente ou virtualmente. Já organizei dois eventos de quadrinhos em Feiras do Livro na cidade de Gravataí/Rio Grande do Sul – Brasil, organizei o evento online Cavalgando com Tex (estamos indo para a segunda edição dia 30/09/22) e estamos em tratativas para mais um evento texiano presencial em Gravataí também, no próximo ano. Se der certo, será um evento para marcar a cidade e ficar na memória de todo leitor texiano.

Fale um pouco do evento que você organiza anualmente em prol do Tex.
Jorginho: O Cavalgando com Tex surgiu depois que o professor e escritor brasileiro Paulo Kobielski e eu conversamos sobre o fenômeno cultural que era Tex, e me lembro de sugerir para ele escrever um Dossiê Kobielski (coluna sobre quadrinhos que o Paulo escreve para o Coletive) sobre o personagem. Ele, além de tudo, fez uma entrevista com o colecionador GG Carsan. Quando fui dar os parabéns para o Paulo sobre a matéria realizada, ele me disse que queria realizar um encontro na cidade de Alvorada/Rio Grande do Sul – Brasil, com os leitores de Tex da cidade, mas por causa da pandemia de Covid 19, não teria como. Então me veio a ideia de realizarmos um encontro virtual, conversamos a respeito e o Paulo topou. No outro dia mostrei a programação quase toda fechada, falamos com o Carsan que se juntou ao grupo e foi indicando outros pards que enriqueceram o evento.
No primeiro ano fizemos muitas matérias, lançamos dois podcasts, exposição virtual com artistas, exposição virtual do dia nacional do Tex, grandes pards como Adriano Rainho e Ricardo Elesbão, muitos cosplayers se vestindo em uma live que foi uma festa, uma reunião de fãs que foi assistida por gente de todo o Brasil e do mundo. Foi o maior evento virtual dedicado ao personagem no mundo.
Este ano será um evento mais enxuto, mas feito com muita paixão pelo personagem. No dia 30 teremos muitas postagens surpresas no blog do Coletive e à noite novamente uma live com sorteio de brindes, e para concorrer aos brindes tem que estar de olho no que foi publicado no blog durante o dia.
No próximo ano será maior, se tudo der certo como falei, será com programação presencial e online, tudo feito com muito amor para este personagem que tanto nos cativa.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Jorginho: Eu sou otimista e esperançoso, pois os fãs de Tex renovam sempre. Claro que é necessário trabalhar na formação de novos leitores, na fidelização daqueles que o herói já possui.
Acho o trabalho que a Mythos faz com o personagem aqui no Brasil fantástico, mas por exemplo não terminaria o Tex Coleção no número 509, eu prepararia uma edição com mais páginas para um derradeiro número 510. Nele, além de uma aventura completa, colocaria depoimentos de leitores falando sobre a importância que a revista Tex Coleção teve para eles, colocaria um pôster, tornaria a edição um marco de colecionador. Assim, fideliza mais o personagem com o leitor/colecionador. Também muitos fãs com quem eu falo me comentam sobre o tão sonhado álbum de figurinhas, isso atrairia novos leitores e realizaria o sonho de muita gente.
Acho que enquanto houver Banda Desenhada, vai haver quadrinhos de Tex, espero que surjam novos roteiristas, novos artistas para sempre dar o ar de vitalidade que um personagem precisa para continuar existindo de forma relevante para seu público.
Ao responder esta entrevista quero relatar que me deu saudades dos “Homenzinhos de papel” do Tex que eu criei, dos fundos da minha antiga casa onde uma vassoura virou o cavalo de um jovem cowboy, da minha mãe trazendo gibis usados da banca de revistas e do meu falecido pai olhando faroeste na TV.
Viva Tex Willer!

Prezado pard Jorginho, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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Laura Zuccheri de visita à Editora Bonelli para entregar em mãos, as últimas 13 páginas do seu cartonado de Tex, a publicar em Fevereiro de 2023

No passado dia 27 de Agosto, às 22 horas em Mumbai (também chamada de Bombaim), a maior e mais importante cidade da Índia e debaixo de uma humidade sufocante, Laura Zuccheri, a prestigiada desenhadora de Tex que ficou na História por ser a primeira mulher a desenhar uma aventura do Ranger, concluiu a história de Tex que estava a desenhar, história essa que será publicada em Fevereiro de 2023 no já habitual Cartonado (invernal) de Tex, prosseguindo a fórmula já consagrada de um álbum e uma história no habitual estilo franco-belga, cujo grande formato é de 22,5 x 30,5 cm em todas as suas esplendorosas 46 páginas.

Laura Zuccheri no aeroporto com as 13 últimas páginas originais do cartonado de Tex debaixo do braço

Mauro Boselli a ver as páginas originais de Laura Zuccheri para o cartonado de Tex

Tratar-se-à da edição número 16 da série Tex Romanzi a Fumetti, também conhecida por Álbum Cartonado e que conterá então uma história a cores, escrita por Mauro Boselli e desenhada pela Laura Zuccheri (com as cores a serem da bravíssima Annalisa Leoni) que deste modo faz a sua estreia nesta prestigiante colecção, que começou em 2021 a ser publicada em Portugal pela editora A Seita

Mas a notícia hoje, 22 de Setembro, é que Laura Zuccheri, na companhia do seu marido Sudeep Menon, viajaram até Milão, mais precisamente até à redacção da Sergio Bonelli Editore, na Via Buonarroti nº 38, para entregar em mãos, as últimas treze páginas originais da história, tendo sido recebida pela cúpula da editora milanesa, como se comprova na foto que damos a conhecer de seguida e onde comparecem Davide Bonelli, Mauro Boselli, Michele Masiero e Giorgio Giusfredi, para além obviamente de Laura Zuccheri e de Sudeep Menon:

Davide Bonelli, Laura Zuccheri, Mauro Boselli, Sudeep Menon, Michele Masiero e Giorgio Giusfredi em Milão, 22 de Setembro de 2022

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