Os SETE esboços iniciais, o lápis, a tinta da china e as cores originais de Maurizio Dotti para Tex Willer #64

Mauro Boselli exibe orgulhosamente a edição nº 64 de Tex Willer

No passado dia 17 de Fevereiro, a Sergio Bonelli Editore publicou a edição número 64 de Tex Willer (a série dedicada ao jovem Tex e que traz as aventuras de Tex quando ele ainda era um fora-da-lei!), intitulada “Le cinque dita della mano rossa” que contém a primeira parte de uma trilogia escrita por Mauro Boselli e desenhada por Marco Ghion, história que tem a (grande) particularidade de fazer a ligação com a primeiríssima edição da actual  colecção principal de Tex, inaugurada em Outubro de 1958.

A carreira do jovem Tex Willer está prestes a atingir um ponto de viragem decisivo…
Recolhendo as últimas palavras de seu amigo Joe Scott, scout do exército prestes a falecer, Tex decide vingá-lo e pôr fim às actividades criminosas da Mão Vermelha, um grupo de cinco implacáveis ​bandidos que aterrorizam o Sudoeste, e o fazem com o beneplácito de soldados e xerifes. Mas primeiro ele deve investigar um a um os assassinos  e descobrir os seus nomes…

Marco Ghion também exibe orgulhosamente a edição nº 64 de Tex Willer

A capa deste sexagésimo quarto número, tal como as sessenta e três anteriores e as que se seguirão nesta  colecção, é da autoria do conceituado desenhador Maurizio Dotti, capa essa que divulgamos hoje aqui no blogue do Tex acompanhada dos SETE esboços iniciais, assim como da arte a lápis, da arte finalizada a tinta da china e da capa original pintada igualmente por Maurizio Dotti, devido à gentil cortesia do próprio Dotti:

Primeiro esboço para a capa de Tex Willer #64, da autoria de Maurizio Dotti

Segundo esboço para a capa de Tex Willer #64, da autoria de Maurizio Dotti

Terceiro esboço para a capa de Tex Willer #64, da autoria de Maurizio Dotti

Quarto esboço para a capa de Tex Willer #64, da autoria de Maurizio Dotti

Quinto esboço para a capa de Tex Willer #64, da autoria de Maurizio Dotti

Sexto esboço para a capa de Tex Willer #64, da autoria de Maurizio Dotti

Sétimo esboço para a capa de Tex Willer #64, da autoria de Maurizio Dotti

Arte a lápis para a capa de Tex Willer #64, da autoria de Maurizio Dotti

Arte final a tinta da china da capa de Tex Willer #64, da autoria de Maurizio Dotti

Ilustração para a capa de Tex Willer #64, com as cores originais de Maurizio Dotti

Capa de Tex Willer #64 – “Le cinque dita della Mano Rossa”

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As Resenhas de Rafael: Dylan Dog nº 3 (Record)/Dylan Dog nº 31 (Mythos)

As Resenhas de Rafael*

Dylan Dog nº 3 – As Noites da Lua Cheia
Roteiro: Tiziano Sclavi
Arte: Guiseppe Montanari e Ernesto Grassani
100 páginas
Editora: Record

Dylan Dog nº 31 – A Última Lua Cheia
Roteiro: Tiziano Sclavi e Mauro Marcheselli
Arte: Guiseppe Montanari e Ernesto Grassani
100 páginas
Editora: Mythos

“Dylan Dog” é uma série marcada pelo subtexto e pelas alegorias fantasmagóricas em suas tramas, muitas vezes fazendo uso do sobrenatural para refletir sobre a humanidade falível de seu protagonista, questionamentos filosóficos, temáticas sociais relevantes, entre outros assuntos.

Dylan Dog nº 3 (Record) – As Noites da Lua Cheia

No entanto, o terror simples e direto, às vezes, assume as rédeas também, dando um sentido literal à alcunha de Dylan como “detetive do pesadelo”. Logo em sua terceira aventura, publicada originalmente em 1986 na Itália e editada 5 anos depois no Brasil, pela Record, o personagem deparou-se com um clássico do gênero: o lobisomem.

Em “As Noites da Lua Cheia”, escrita por Tiziano Sclavi, Dylan e Groucho se deslocam de Londres para o interior da Alemanha, onde pretendem investigar o desaparecimento de uma estudante, a pedido de sua família. Logo em sua chegada, nos arredores da Floresta Negra, nosso protagonista avista um homem nu, a correr por entre as árvores. Como seria possível viver em tamanho isolamento?

Na sequência, ele se dirige para a escola onde Mary Ann Price estudava, sendo recebido bruscamente pela diretora, Helga Blucher. Madame Blucher se incomoda com a presença de Dylan no local, ainda que reconheça não haver qual rastro do paradeiro de Mary Ann. Esse desconforto, por sinal, paira sobre Wolfsburg, vilarejo próximo para onde ele vai se abrigar à noite.

Dylan Dog nº 31 (Mythos) – A Última Lua Cheia

Nesse ambiente tenebroso e hostil, onde é recebido à bala, Dylan ouve os rumores sobre os “forasteiros”, estranhos que aparecem em Wolfsburg nas noites de lua cheia, sequestrando mulheres e partindo para a floresta. Com a ajuda de Alexandra, uma aluna de madame Blucher, Dylan Dog vai juntando as peças do quebra-cabeças, intuindo suspeitas que o aproximam perigosamente da verdade.

Não por acaso, os envolvidos no episódio macabro dão as caras e decidem eliminar a ameaça que a investigação do nosso protagonista representa. Atraído pela súbita aparição de Mary Ann, como que vinda direto das trevas da Floresta Negra, Dylan descobre a verdadeira natureza de Helga Blucher: uma maga, que se serve da obediência dos lobos transformos para realizar experiências que levem a licantropia a um novo patamar, infundindo na relação das criaturas com as jovens de Wolfsburg sequestradas, incluindo Mary Ann.

Dylan Dog nº 31 (Mythos) – A Última Lua Cheia

O embate entre a bruxa e Dylan é feroz e marcado pela manifestação intensa de poderes demoníacos, mas se encerra com a morte de Helga e o resgate da jovem estudante de volta para Londres. Mas o mistério é sugerido nas páginas finais, com a imagem de um bebê, vivendo entre lobos na floresta. É esse o gancho que Sclavi, co-escrevendo com Mauro Marcheselli, retoma em “A Última Lua Cheia”, editada pela Mythos em 2022, no número 31 da 2ª série regular do personagem.

O cenário é Londres, mais especificamente, em Hyde Park, onde a presença de um lobisomem tem levado o terror à população. Dylan recorda o caso passado na Alemanha, e tenta desvendar o mistério, ainda que seja “distraído” pela companhia de Dea, uma protetora dos animais que critica o uso de cães farejadores pela polícia e que involuntariamente se envolve na investigação.

Dylan Dog nº 31 (Mythos) – A Última Lua Cheia

A ideia de um lobisomem à solta na capital inglesa é interessante, tendo inclusive gerado um dos clássicos cinematográficos do gênero (mencionado no roteiro), mas aqui é mal executada. O texto não encontra seu tom, oscilando entre uma pretensa comédia romântica, com os diálogos espirituosos e cheios de humor entre Dea e Dylan, e o terror tradicional, ao mostrar a verdadeira identidade da fera e suas táticas de ataque, espalhando a morte por Londres.

Mesmo com o retorno de Mary Ann, aqui retratada como uma mulher traumatizada pelos eventos na Alemanha, a história não avança de forma satisfatória. Ainda que o ato final amarre as pontas soltas,esclarecendo a relação entre as duas tramas, fica a impressão de um enredo irregular, algo raro na longeva série de Dylan Dog.

Dylan Dog nº 31 (Mythos) – A Última Lua Cheia

* Rafael Machado é professor, escritor e jornalista. Publica suas resenhas no perfil do instagram Leituras do Exílio“, além de colaborar com o sítio “Quinta Capa”.

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A sequência (desenhada por Marco Ghion) da perseguição a cavalo e mergulho no Blue River, em comparação com as tiras de Galep, 76 anos depois

De “Le cinque dita della Mano Rossa” (“Os cinco dedos da Mão Vermelha“), a sequência (desenhada por Marco Ghion) da perseguição a cavalo e mergulho no Blue River (Rio Azul), nas bancas italianas, em comparação com as tiras de Galep, realizadas há 76 anos (2024/1948).
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Aurelio Galleppini; Outubro de 1948

Marco Ghion; Fevereiro de 2024

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aurelio Galleppini; Outubro de 1948

Marco Ghion; Fevereiro de 2024

 

 

 

 

 

 

 

 

Marco Ghion; Fevereiro de 2024

Aurelio Galleppini; Outubro de 1948

Entrevista com o fã e colecionador: Pedro Hora

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Pedro Hora: Eu nasci em Rio Real, no ano de 1996. Hoje eu sou marceneiro profissional, e tenho minha própria marcenaria!

Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada?
Pedro Hora: Meu interesse nasceu, quando meu pai me falava das histórias de Tex, mas ele nunca comprou nem uma para mim.

Quando descobriu Tex?
Pedro Hora: Através do meu pai, ele contava histórias e dizia que eram muito boas. Mas infelizmente ele não comprou nem uma para mim. Foi até que um amigo dele (chamado Tonho) que me deu uma, a minha primeira revista de Tex foi “Três dias de cão”. Depois dela, eu comecei a comprar e não parei mais.

Porquê esta paixão por Tex?
Pedro Hora: Porque Tex prende nossa atenção, ele é diferente, as histórias são muito bem contadas. Os personagens são muito bem colocados em seus lugares, e não fica nem um personagem de fora da história. Entre várias coisas, a ambientação dos lugares, as paisagens entre outras.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Pedro Hora: Caráter, personalidade, ele não e um super-herói, ele é um homem como qualquer outro. Ele sangra, sofre com a perda do esposa, chora, sente fome, sede…

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Pedro Hora: 147 revistas. Acredito eu, que a minha primeira.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Pedro Hora: Tudo a respeito dele, tenho póster e livros de fãs que conseguiram lançar com a história do personagem!

Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir?
Pedro Hora: Excelente pergunta, aquela estátua de bronze dele. Que existem poucas no mundo todo.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Pedro Hora: A primeira pergunta é muito difícil, são muitas, mas a que eu posso me lembrar agora é a do Passado de kit Carson. Desenhista preferido Civitelli. Boselli como argumentista.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Pedro Hora: O que eu mais gosto é aquele suspense de quem é o vilão, eles escondem o principal vilão da história e só mostram no final. O que eu menos gosto, é quando ele (Tex) consegue se safar de algum tiro inacreditável. Por exemplo, eles estão em um restaurante, e Tex se aproxima para cheirar uma comida. Nesse movimento que ele faz, o cara que está na janela dispara, bem no momento certo. Ou na história do tesouro de Santa Cruz, que em um sonho, o monge diz a ele aonde foi parar o tesouro, e quem roubou, e onde ele está. 

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Pedro Hora: O seu caráter, as histórias bem contadas, os desenhos bem feitos. A honestidade do personagem, a sua palavra.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Pedro Hora: Não, porque aonde eu moro, é bem difícil de encontrar alguém que goste.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Pedro Hora: Bem próspero, com novas histórias e novos enredos. Ele sempre foi sucesso, tanto na Itália quanto no Brasil. Então sempre vai fazer sucesso, e crescer mais e mais.

Prezado pard Pedro Hora, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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