Vídeo: Inauguração da placa de homenagem em honra de Fernando Fusco, na Biblioteca Aprosiana, em Ventimiglia

Falecido em 2015, Fernando Fusco foi um dos mais activos e apreciados desenhadores de Tex. O município de Ventimiglia, sua cidade natal, dedicou-lhe, em sua honra, uma placa na Biblioteca Aprosiana, uma das mais antigas bibliotecas públicas da Itália.

Quase vinte anos se passaram desde que o Município de Ventimiglia organizou a exposição Tex em Ventimiglia – Uma homenagem a Carlo Raffaele Marcello e a Fernando Fusco, o evento que em 2003 deu a conhecer a todos os habitantes da cidade italiana, e não só, dois importantes desenhadores texianos nascidos precisamente em Ventimiglia.

Fernando Fusco recebeu agora uma nova homenagem, no decurso da primeira edição de Fumettando, Festival de Banda Desenhada centrado no ponto de vista feminino, para contribuir com a história e representação das mulheres que actuam no mundo dos quadradinhos, realizado nos últimos dias. Por iniciativa da Associação dos Amigos da Banda Desenhada, na manhã de sábado, 4 de junho, o presidente da Câmara Municipal Gaetano Scullino descobriu uma placa em sua homenagem no interior da Biblioteca Aprosiana.

“Em memória de um grande Ventimigliese cujas obras artísticas permanecerão para sempre património de cada um de nós“, lê-se na placa. E de facto, as mais de setenta histórias de Tex desenhadas por Fusco são um património importante na epopeia do Ranger bonelliano, como o são na bagagem emotiva de todos os leitores.

«É com grande prazer e orgulho que a administração municipal acolheu a proposta das Associações citadinas Amici del Fumetto, Artek Orizzonti, Comitato di San Secondo Cumpagnia d’i Ventemigliusi, Nuovi Orizzonti, Pro Cultura di Ventimiglia e Pro Loco, de recordar Fernando Fusco inaugurando uma placa em sua memória no átrio de acesso da Biblioteca Aprosiana – disse o presidente da Câmara Municipal de Ventimiglia Gaetano Scullino -. É justo que um lugar de cultura abrigue referências a cidadãos que difundiram a própria arte no mundo através de pensamentos e realizações, e é justo que os habitantes de Ventimiglia de hoje e de amanhã conservem bem vívida a memória de artistas, escritores e poetas nascidos nesta cidade».

«Este é apenas um primeiro passo – prossegue o presidente Scullino – à espera de poder dedicar a  Fernando Fusco, após os dez anos do seu falecimento como exigem as regras de toponímia, um espaço citadino próximo ao local onde nasceu e viveu».

Natural de Ventimiglia, na Itália, onde nasceu a 1 de Agosto de 1929, dedicou-se desde muito jovem à pintura e à arte gráfica. Em 1957 ao mudar-se para Paris aprofunda a sua pesquisa artística e trabalha como ilustrador com as principais editoras europeias. Em 1970 retorna a Itália estabelecendo-se em San Giustino intensificando a sua actividade no mundo da banda desenhada,  passando a fazer parte da grande família que fica por trás do pano desenhando as aventuras de Tex em 1973.

Senhor de um traço único e original, Fusco sempre foi um dos mal amados desenhadores texianos. Mas a verdade é que o seu desenho não deixava ninguém indiferente, ou se amava ou se odiava. O seu traço era rectilíneo e algo rígido, certamente, mas era, ao mesmo tempo, um traço que se adaptava a todo o tipo de aventura e a quase todos os cenários e ambientes. O seu Tex revelava origens ticcianas, nomeadamente na expressividade do olhar, mas a sua composição procurava um  cinismo sempre latente no Ranger. Um cinismo penetrante, contagiante e até perturbador.

FERNANDO FUSCO – 1929-2015

Vídeo: Mauro Boselli fala de Mefisto – As origens do Mal!

Estará à venda nos quiosques italianos, este sábado, 11 de Junho, o quarto Speciale Tex Willer que conta como o jovem Mefisto deixou a sua promissora carreira de ilusionista para se dedicar à sua natureza mais sombria.
Mauro Boselli aborda essa faceta no vídeo que apresentamos hoje.

Como todos sabem, o 2022 texiano é o ano de Mefisto. Este mês termina, de facto, a trilogia dos volumes desenhados pelos irmãos Cestaro que o trouxe de volta à ribalta, à espera da quadrilogia ilustrada por Fabio Civitelli que começa em Julho.

O Speciale Tex Willer nos quiosques italianos a partir deste sábado, 11 de Junho, concentra-se, por sua vez, nos nos eventos que levaram o jovem ilusionista Steve Dickart a abandonar-se ao poder obscuro que sentiu crescer dentro de si, até se tornar o inimigo número 1 de Tex.

Para nos apresentar este Speciale Tex Willer, não por acaso intitulado “Mefisto: Le origini del Male“, está, como sempre, Mauro Boselli, supremo arquitecto de toda a operação (os desenhos são de Roberto De Angelis e a capa de Maurizio Dotti) e naturalmente argumentista da história em questão.

Desfrutem do vídeo!

Trapper! Obra-Prima Bonelliana?

Por Sérgio Madeira de Sousa*

Tive a sorte de descobrir o universo texiano através de uma aventura que, passados mais de quarenta anos desde a sua publicação em Itália, continua a ser considerada por muitos dos fãs como das melhores de sempre do personagem. Não consigo precisar o ano, apenas que ocorreu entre os finais da década de setenta e o início dos anos oitenta! Fruto da genialidade de Giovanni Luigi Bonelli, “Assalto ao trem1“, uma típica história de western, repleta de ação, incrementada até ao final com as dúvidas sobre o paradeiro do montante roubado e, também, sobre a identidade do informante. Os desenhos da autoria do inovador, para a época, Giovanni Ticci, límpidos e muito detalhados, eram soberbos e em muito contribuíram para o fascínio desta aventura. Atualmente, Ticci é o desenhador em atividade do staff texiano com o maior número de pranchas desenhadas e, juntamente com Claudio Villa, as referências para os novos desenhadores. Esse primeiro contacto deixou-me completamente viciado! Vício que, apesar de controlado, se mantém até aos dias de hoje! Na época procurei então por outras histórias de Tex Willer, tentando começar a coleção, incentivado pela listagem das histórias publicadas na página quatro. A péssima distribuição existente, curiosamente nada mudou neste aspeto, passados mais de três décadas, levou-me a perder inúmeras edições e por vezes, como a maioria das aventuras eram em continuação, partes das histórias. O que aumentava a ansiedade, mas também a curiosidade, sobre este fantástico universo!

Nesta época, a  maioria das histórias publicadas pela Vecchi, a editora que detinha os direitos do personagem para o Brasil e Portugal, eram retiradas da fase que considero “a idade de ouro” deste herói: meados da década de sessenta e início dos anos oitenta! Tive assim acesso, logo nos primeiros anos, a algumas das histórias que hoje são consideradas como grandes clássicos e geralmente aceites como das melhores histórias de todos os tempos: “Forte Defiance“, “A cruz trágica“, “Entre duas bandeiras“, “A noite dos assassinos“, “Terra prometida“, “A grande intriga” ou “El Muerto“. A imaginação dos Bonelli, Giovanni Luigi e Sergio, era tão frutuosa, que a qualidade dos argumentos era na sua grande maioria elevada, não sendo de estranhar que muitas outras aventuras tenham marcado esta época e ficado na memória dos aficionados deste personagem. Além das referidas, entre as mais consensuais salientam-se ainda: “Caçada humana”, “Missão em Great Falls”, “O vale da morte”, “O solitário do oeste”, “A patrulha perdida”, “A grande ameaça” ou “O assassino sem rosto”. Outras passaram um pouco despercebidas pelos fãs, talvez pela proximidade de publicação e não porque fossem de qualidade inferior. Entre essas aventuras encontra-se uma que aprecio particularmente e que, em minha opinião, merece destaque: “Trapper!”2
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Em Saint Louis, Tex e os seus pards salvam de um atentado Tom Hogan, dono da companhia de peles Missouri. Decididos a ajudar Hogan, o grupo vai envolver-se numa verdadeira guerra pelo negócio das peles. Jackson, proprietário da Rocky Montains, companhia que Hogan abandonou para fundar a Missouri, juntamente com dez dos seus melhores caçadores, utiliza todos os meios ao seu alcance para absorver a nova companhia e, assim, poder competir com as grandes companhias de peles, como a Hudson Bay. Com as informações obtidas no interrogatório a Bert Morley, um dos elementos envolvidos no planeamento do atentado a Jackson, os cinco parceiros começam a desenvolver ações para o desmantelamento da criminosa organização. Infelizmente, nem tudo vai correr de acordo com o planeado e, ao prestarem auxilio a uma caravana da Missouri, que estava a ser atacada pelos índios Snake, Tex e Tigre são capturados.
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A destruição dos planos de Jackson deixa de ser uma prioridade para Kit Carson, Kit Willer e Pat, o irlandês. Há que elaborar um plano de resgate que permita libertar rapidamente os seus amigos. Entretanto, na aldeia dos índios Snake, Pequeno Trovão, o chefe da tribo, é persuadido por Wanaima, a índia que Tex havia deixado em liberdade após assassinar o marido, a tratar os prisioneiros como guerreiros.  Esta providencial intervenção vai possibilitar a Tex e Tigre uma ténue tentativa de sobrevivência! Em vez de morrerem torturados num poste, vão ser caçados por todos os guerreiros que queiram participar, num ritual índio,  em que a vida ou morte dos condenados, apenas depende da ligeireza das suas pernas: A corrida da flecha!
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O comércio das peles, o tema desta aventura, teve uma grande influência na colonização europeia da América do Norte! Os Trappers eram, não só caçadores, mas  também, responsáveis pela extração e o curtir das peles dos animais caçados! Profissão duríssima, de perigosidade extrema e muito pouco aceite pela sociedade, os caçadores de peles estiveram na vanguarda pela conquista do Oeste, sendo os primeiros a avançar pelas florestas e pradarias ainda inexploradas. No início do seculo XIX, para satisfazer a enorme procura de peles de castor, muito procuradas na Europa para fabricar essencialmente chapéus, moda originária da Grã-Bretanha, estes homens corajosos aventuravam-se pelo interior dos territórios índios, sozinhos, armados apenas com um rifle e uma faca, correndo enorme risco de serem escalpados, ao serem descobertos. A caça excessiva a este roedor só perdeu expressividade por volta de 1838, em que a redução drástica da população destes animais coincidiu com a perda de interesse dos europeus por este acessório, colocando término a este ciclo, que foi conhecido como o ciclo do castor. Com a diminuição do interesse por este tipo de couros, as peles de bisontes“3 começaram a ter grande importância no comércio das peles e, em 1850, já eram as mais procuradas, quando as manufaturas do leste do país começaram a receber pedidos muito substanciais para satisfazer as necessidades da indústria local, mas também dos mercados europeus e asiáticos.  O ciclo do búfalo termina por volta de 1880, com o quase extermínio destas criaturas, devido à procura incessante das suas peles, repetindo-se os erros ocorridos na caça ao castor.


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Trapper!” possui um argumento bastante simples: guerra entre duas companhias de peles pelas melhores rotas, em que uma, a Missouri, tenta sobreviver aos ataques desleais que a segunda, a Rocky Montains, utiliza para conseguir arruiná-la e adquiri-la, conseguindo assim dimensão para competir com as outras grandes companhias de peles. Partindo desta base, G.L. Bonelli, o autor deste enredo, consegue desenvolver uma história bem interessante, consistente e bem construída, sem recurso a flashbacks, ou a saltos temporais. Aliás, em momento algum desta aventura existe referência à época! Não existem histórias secundárias a competirem com a trama principal, mas sim pequenos episódios em sequência, que estão interligados, e só por si poderiam resultar em histórias completas. Principalmente o episódio em que, ao socorrerem a caravana da Missouri, Tex e Tigre são capturados pelos índios Snake, ou o seguinte, a destruição por Tex e os seus pards do bando de Shady Bill e a tomada da caravana da Rocky Montains. Relativamente ao ritmo narrativo, existe um bom doseamento das cenas de ação, mantendo a narrativa rápida em grande parte da história, (ritmo adequado para um western), em que alterna entre o rápido nas diversas cenas de ação, com o mais lento nas cenas mais descritivas, preenchidas com diálogos longos e extensos, ou com a utilização de cartuchos e legendas para efetuar pontos de situação ou para explicação de determinadas expressões, como: “contar golpes”, “rendez-vous” ou “free for all”.
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Destaca-se também pela positiva a forma equilibrada encontrada pelo autor no doseamento do protagonismo atribuído aos heróis, pois todos eles têm a sua dose! Enorme protagonismo do filho de Tex e de Carson, principalmente na elaboração e execução do plano de resgate de Tex e Tigre. Pat, apesar das suas limitações, teve um papel indispensável no resgate, sendo também o responsável máximo pela parte humorística desta história, ao exibir uma relação pouco amistosa com o seu quadrúpede, pela qual sofre consequências, no mínimo, desagradáveis. Não esquecendo Tigre, que luta bravamente com os Snake antes de ser capturado juntamente com Tex, deteta a presença de Webby e os seus cúmplices antes do ataque noturno ao grupo e neutraliza quatro índios Snake quando os outros pards estavam no interior do armazém de Ross Claywood, a interrogá-lo. Com Gianluigi, Carson, Kit e Tigre não são meros coadjuvantes, são protagonistas de corpo inteiro, ao mesmo nível de Tex, em que a única diferença entre eles, é a liderança deste.
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Numa trama tão extensa era expetável a existência de diversos personagens secundários e, de facto, eles estão presentes! Todavia, apesar das potencialidades de alguns, como o chefe dos Snake, Shady Bill e os líderes da caravana Jean Pierre de la Motte e Ben Dermott, são pouco explorados pelo autor. Incluindo Jackson, o mentor da organização criminosa que apenas aparece em pouco mais de uma dezena de pranchas. Talvez a forma como está estruturado o roteiro, em cadeia, em que os personagens vão entrando e saindo de cena, como se de etapas se tratasse, tenha impedido o escritor de explorar esta vertente.
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Outro aspeto menos conseguido é a conclusão da aventura! Após a rendição da caravana da Rocky liderada por Ben Dermott, completamente iludido com a estratégia de Tex, este delega em Pat a missão de informar Hogan dos últimos eventos e instrui-lo para não perder a oportunidade de enfrentar Jackson, agora que a organização se encontra totalmente destruída. Este final, abrupto e apressado, sem definir o destino de Jackson4, é talvez a parte mais pobre da obra!

Erio Nicolò, o desenhador desta aventura, nasceu em Florença a 11 de Novembro de 1919, tendo falecido em 27 de Fevereiro de 1983, após dezanove anos a desenhar o ranger e contribuído para a realização de algumas das mais emblemáticas histórias do personagem! Além de “Trapper” salienta-se “Apache Kid”, “A flecha quebrada”, “O índio branco” ou a aclamada “A grande intriga”, entre muitas outras. Possuidor de um traço limpo, preciso, mas suave, acima de tudo singular, o seu estilo é inconfundível e perfeitamente identificável em todas as pranchas! Os personagens são credíveis, apresentando fisionomias realistas e imutáveis, independente dos ângulos ou enquadramentos. Como aspeto menos positivo, a utilização de feições similares para diferentes personagens, nos seus trabalhos, mas também na mesma aventura, como em “Trapper!”. Hogan e Jackson, os donos das duas companhias rivais, possuem fisionomias demasiado semelhantes, o que deveria ter sido evitado!

Com Nicolò, raramente se detetam erros de proporção da figura humana, que domina com mestria. A diagramação das pranchas é bastante rígida, fiel ao padrão Bonelli de três tiras por prancha, com uma ou duas vinhetas por tira, na quase totalidade das cerca de quatro centenas de páginas. As exceções são o “rasgar” de algumas vinhetas, com o objeto a ultrapassar a área do desenho, transmitindo, assim, maior tridimensionalidade.

Já no que diz respeito a enquadramentos e ângulos, a obra de Nicolò  é bastante diversificada, utilizando, no entanto com maior frequência, os primeiros e os grandes planos. A frequente  alteração de ângulos e enquadramentos leva-o por vezes a cometer alguns erros de posicionamento dos personagens, o que compensa com o dinamismo transmitido às cenas, mesmo nas pranchas com maior saturamento de texto! A ambientação desta aventura é bastante variada e complexa, exigindo ao desenhador enorme capacidade de adaptação aos inúmeros ambientes e cenários, o que Nicolò resolve competentemente, graças à sua versatilidade. Aprecio particularmente as cenas passadas nos ambientes externos da floresta e da pradaria, assim como as cenas noturnas. Apesar de não pormenorizar muito os cenários, o facto é que, com Erio muito raramente observamos uma vinheta “desnudada”. Mesmo nos grandes planos, o que enriquece de sobremaneira as suas pranchas!

As aventuras de “a idade de ouro” tinham algo! Algo fascinante que as tornava marcantes, que mantinham os leitores interessados, presos à leitura! Fascínio que raramente consigo encontrar nas aventuras deste século5, que considero demasiado complexas e por vezes monótonas ou desinteressantes. São vários fatores que o podem justificar, como a existência de um maior equilíbrio entre as cenas de ação e as mais descritivas, um maior protagonismo dos outros personagens (Kit, Kit Carson, Tigre), mas também a frequente inclusão de humor ou suspense nos enredos, ou a presença assídua de inimigos poderosos ou carismáticos que colocavam os protagonistas em enormes dificuldades, ou ainda, uma boa exploração do desfecho final. Nem sempre todos estes componentes estavam presentes em cada aventura. Nem era necessário! Pois o que tornava as histórias memoráveis era o correto doseamento dos componentes utilizados, mantendo assim a narrativa viva, num ritmo adequado a um western. Em minha opinião, a fórmula do sucesso dos Bonelli para criarem grandes histórias, assentava essencialmente nessa capacidade de conjugar, de uma forma harmoniosa, os diversos ingredientes da aventura!

Se retirarmos a Trapper! o desfecho que, como já referi, considero bastante fraco, tendo em conta a dimensão do enredo, todos os outros ingredientes estão bem presentes, com um doseamento adequado e, se adicionarmos o trabalho gráfico de Nicolò,  competente, bastante personalizado, conseguindo bons desempenhos em todos os ambientes e cenários, mesmo considerando não tendo a profundidade de Villa, o dinamismo de Ticci, que também faz parte dessa fase, o realismo de Frisenda, o detalhe de Rossi, ou mesmo a perfeição de Civitelli, perceberemos que estamos perante um verdadeiro western, digno de figurar na galeria das obras primas bonellianas.

LEGENDA:

1 História publicada originalmente em Setembro e Outubro de 1975 em Itália, nos números 179 e 180 da coleção Tex. No Brasil já foi publicada quatro vezes, a primeira no nº 71 da coleção Tex, em Janeiro de 1971.

2 Na Itália saiu para as bancas pela primeira vez entre Novembro de 1976 e Fevereiro de 1977, nos números 193 a 196 da edição regular de Tex. No Brasil foi publicada inicialmente entre Fevereiro e Maio de 1981, também na edição mensal, nos números 120 a 123.

3 Bisontes, bisões ou búfalos.

4 O facto de o destino de Jackson não ter sido revelado deixou em aberto o seu regresso numa próxima aventura! Retorno esse que passados quase quarenta anos ainda não foi aproveitado por nenhum dos argumentistas do personagem. Boselli, que tem “ressuscitado” diversos personagens da saga, tem em Jackson um inimigo poderoso e sedento de vingança, capaz de protagonizar uma excelente trama, na linha de “A grande intriga”: um homem poderoso a movimentar influências para prejudicar Tex e os seus amigos, levando-os a enfrentar enormes dificuldades, permanecendo no anonimato até próximo do final da aventura. Momento em que seria então revelado em flashback, o sucedido após Tex se ter despedido de Pat.

5 Sou de opinião que a qualidade média das histórias aumentou nos últimos anos, se comparada com as últimas duas ou três décadas. Refiro-me por exemplo, só para mencionar algumas das histórias mais recentes: “Na pista de El Supremo”, “Jovens assassinos” ou “Patagónia”. Esta ultima, unanimemente considerada como das melhores histórias do personagem! Suponho que este ganho de qualidade se deva, essencialmente, à entrada de Gianfranco Manfredi, Tito Faraci e Pasqualle Ruju para o staff, que além de trazerem novas ideias e novas perspetivas para o personagem, permitiram reduzir a quantidade de argumentos destinados a Boselli, dando-lhe assim mais tempo para o desenvolvimento dos seus roteiros.

* Texto de Sérgio Madeira de Sousa publicado originalmente na Revista nº 3 do Clube Tex Portugal, de Dezembro de 2015.

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A INSPIRAÇÃO, os esboços iniciais a lápis, a tinta-da-China e as cores originais da capa de Tex #740 “Bedlam!”

Claudio Villa

Foi nesta última terça-feira, 7 de Junho, que em Itália tivemos a terceira parte do tão ansiado (por muitos) regresso do maquiavélico Mefisto à saga de Tex, desta vez numa mega aventura que durará 7 meses, conterá 770 páginas e será desenhada a seis mãos: Gianluca Cestaro, Raul Cestaro e Fabio Civitelli. As primeiras 330 páginas são da responsabilidade dos irmãos Cestaro e as últimas 440 são da autoria de Civitelli.

Uma história escrita por Mauro Boselli que narra o ansiado retorno de Mefisto, em que veremos o némesis de Tex instalado em São Francisco onde dirige uma clínica para loucos. Entre os pacientes, para além do seu filho Yama, que perdeu a memória na aventura anterior, como o leitor certamente se recordará, está também… Tom Devlin, o chefe da polícia da cidade.

Uma aventura de grande intensidade e atmosfera gótica, em que o arqui-inimigo de Tex e o seu filho Yama unirão forças para poderem derrotar os pards que, desta vez, vão poder contar com a ajuda inesperada do monge Padma. Mas hoje estamos aqui sobretudo para falar da capa desta terceira parte da aventura, a capa de Tex nº 740 (‘Bedlam!’), que como sempre, após a número 401 (inclusive) é da autoria de Claudio Villa. Capa nº 740 que divulgamos hoje aqui no blogue do Tex acompanhada da inspiração, dos esboços iniciais , assim como da arte finalizada a tinta-da-China e da capa original pintada pelo próprio Claudio Villa tal como temos feito com alguma regularidade devido à gentil cortesia do Maestro Villa, que inclusive comenta esta capa verdadeiramente especial:

A famosa inspiração, na arte original de Hal Foster

“Na escolha da imagem, a referência é clara e decidiu-se que deveria ser uma citação.
Entre as imagens de referência, a muito famosa de Hal Foster.
A dificuldade era não ser “demais” em tudo: muito parecida, Tex muito distante.

A ideia de desenhá-lo no centro, tentada num esboço, sem usar o artifício usado por Andrea Venturi na capa de Mágico Vento que ilustra uma situação praticamente idêntica (colocar o personagem no centro, próximo ao ponto de vista e nos fazer intuir a presença de jaulas sem dar indicações precisas de perspectiva), fazia vê-lo demasiado pequeno e insignificante para o “peso” que Tex deveria ter.
Para ter mais profundidade era necessário colocar algumas mãos mais em primeiro plano e isso significava “chegar mais perto” de uma parede do corredor, mas a outra tinha que ser mostrada também.
Reunir todos esses elementos, fazendo uma capa “tradicional” foi o foco do trabalho.
🙂“

Primeiro esboço (descartado) para a capa de Tex #740, da autoria de Claudio Villa

Segundo esboço (descartado) para a capa de Tex #740, da autoria de Claudio Villa

Terceiro esboço (descartado) para a capa de Tex #740, da autoria de Claudio Villa

Quarto esboço – a lápis – (eleito) para a capa de Tex #740, da autoria de Claudio Villa

Quarto esboço – a tinta – (eleito) para a capa de Tex #740, da autoria de Claudio Villa

Arte final a tinta-da-China da capa de Tex #740, da autoria de Claudio Villa

Capa de Tex #740, com as cores originais de Claudio Villa

Capa de Tex #740

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SECRET ORIGINS: TEX CLASSIC 18

Por Saverio Ceri [1]

Depois do artigo repleto de ilustrações dedicadas ao anterior Tex Classic, em que fomos, graças à capa, até ao Brasil, desta vez vamos abordar a história editorial, mais linear, relacionada à capa do décimo oitavo número desta que é a mais recente série texiana.
O volume em questão, que reúne os números 43 a 48 da segunda série das striscias do Ranger criado por Giovanni Luigi Bonelli, introduz já a partir do título, mais uma peça no puzzle da vida e da carreira editorial do protagonista, o seu nome índio: Águia da Noite.

Tex Classic #18 – L’Aquila della Notte

A capa, por sua vez, foi “retirada” do 35° albo d’oro, um dos dois livretos de Novembro de 1953 republicados neste Tex Classic. Abaixo pode-se ver a capa da época:

Albo d’oro Tex #35

Águia da Noite, na versão de justiceiro mascarado, aparece também na capa de outro albo d’oro republicado nessa ocasião: nela Tex limita-se a assistir a um combate alheio.

Albo d’oro Tex #36

A capa do 36° albo d’oro é claramente inspirada na capa da striscia de Tex que se pode ver de seguida; a última contida neste décimo oitavo Classic.

Collana del Tex nº 48 – 2ª Série “L’agguato di Volpe Rossa”

Saverio Ceri

Encontre todas as outras origens das capas de Tex Classic na rubrica Secret Origins: Tex Classic

[1] Material apresentado no blogue Dime Web em 17/11/2017; Tradução e adaptação (com a devida autorização): José Carlos Francisco.
Copyright: © 2017 Saverio Ceri