O Tex de Joe Kubert e as suas páginas censuradas em DESTAQUE no “Papo de Leitor #03″, da Comics TV

Por José Carlos Francisco

O consagrado desenhador americano Joe Kubert e as suas páginas de Tex CENSURADAS estão em destaque na Comics TV, mais precisamente no terceiro programa “Papo de Leitor”, um programa jornalístico especializado em banda desenhada e com apresentação do excelente  Thiago Gardinali e com conhecedores comentários de Cal Zillig.


A paixão pelas histórias aos quadradinhos somada à experiência com jornalismo e televisão fez com que Thiago Gardinali criasse a Comics TV, oferecendo aos leitores a possibilidade de se informar acerca dos inúmeros títulos e personagens que fazem parte do fascinante universo da nona arte. Com muito conteúdo, formato dinâmico e qualidade técnica, a Comics TV produz programas nos quais a banda desenhada é abordada com enfoque jornalístico, abrindo espaço para a interacção com os telespectadores. Seja na televisão, no computador ou nos dispositivos móveis, assistir os programas da Comics TV é garantia de muita informação sobre o que acontece nas páginas das BDs.

Para além de um grande apaixonado e conhecedor da nona arte Thiago Gardinali é um jornalista com grande experiência em televisão e rádio, já que actua há vinte anos nesta área, trabalhando tanto na frente quanto por trás das câmaras. Apresentou programas na Rede Vida, foi repórter na RedeTV e CNT. Durante dez anos, foi âncora jornalístico na Rádio Jovem Pan, sendo premiado pela APCA por seu programa em rede nacional. Realizou diversas coberturas nacionais e internacionais, entre elas a Guerra do Iraque, as Olimpíadas na China, a Copa do Mundo na África do Sul, o Papa no Vaticano e uma erupção de vulcão no Chile. Nos últimos anos, apresentou o jornalístico diário Em Cima do Fato e dirigiu a programação da TV Mix. Como empresário, Gardinali comanda sua própria produtora de TV, fornecendo conteúdo para emissoras no Brasil e em outros países.

Neste momento de lançamento deste excelente projecto que tem um especial carinho pelo nosso Ranger e inclusive pelo Clube Tex Portugal como se verá num dos próximos programas é preciso intensificar a divulgação. E é por isso muito importante atingir o público português, brasileiro e de outros países que acessam o nosso blogue, assim como os amantes de Tex de forma geral, por isso nós aqui no blogue do Ranger sentimo-nos na “obrigação” de com a nossa força divulgar a página da ComicsTV no Facebook (https://www.facebook.com/comicstv.com.br) e o seu canal no Youtube (https://www.youtube.com/channel/UCq_bM8TOGa4eA02ClMWJb3A) porque certamente é preciso aumentar o número de inscritos para que este  projecto se consolide cada vez mais como é merecedor, daí o pedido dos responsáveis do blogue do Tex, para que os nossos leitores do blogue curtam (como dizem os nossos irmãos brasileiros) a página no Facebook e se inscrevam no canal do Youtube porque será certamente algo de grande valor para Tex Willer e para toda a banda desenhada, por isso prezados leitores vamos lá todos colocar um GOSTO na página da Comics TV e subscrever o canal televisivo no Youtube.

O programa Papo de Leitor conta com reportagens sobre personagens, colecções, lançamentos e títulos que marcaram época, sempre com a participação dos telespectadores e entre outros assuntos relacionados com a 9ª Arte na sua estreia no passado mês de Agosto deu um amplo destaque ao Fã Clube Tex Brasil sobretudo apresentado o álbum de figurinhas (cromos) produzido pelo clube brasileiro do nosso Ranger, continuando neste seu terceiro programa a dar atenção a Tex Willer, desta vez dando ênfase à  história “O Cavaleiro Solitário” de Joe Kubert (como podemos ver de seguida) que foi lançada recentemente a cores nos Estados Unidos da América e à POLÉMICA das páginas censuradas pela Bonelli, divulgadas em primeira mão AQUI no blogue  português do Tex!

Mas o blogue do Tex também disponibiliza na íntegra o vídeo deste terceiro programa Papo de Leitor que para além do destaque dado ao nosso Ranger, noticia Batman por Marshall Rogers, a caça aos vampiros em Hellsing, Pateta Repórter, Vigia assassinado em Pecado Original e Fantasma na Guerra de Secessão. Tudo isto com a magnifica apresentação de Thiago Gardinali e os conhecedores comentários de Cal Zillig, como pode assistir de seguida num vídeo com cerca de 30 minutos que serão muito bem desfrutados por todos os apreciadores de banda desenhada:

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A contracapa da revista nº 3 do Clube Tex Portugal terá uma ilustração EXCLUSIVA de STEFANO BIGLIA a homenagear o Mestre Fernando FUSCO

Por José Carlos Francisco


A revista do Clube Tex Portugal, devidamente autorizada pela Sergio Bonelli Editore, neste seu terceiro número (a revista será entregue aos sócios durante um convívio a realizar no dia 5 de Dezembro, no Cacém) terá DUAS versões para a sua capa, ambas da autoria de Luca VANNINI, consagrado desenhador italiano que irá estrear-se na saga do Ranger, precisamente no próximo mês de Novembro, com a história Chindi, um argumento de Luigi Mignacco onde para além da arte Luca Vannini também será o responsável  pelas cores, mas sobre as DUAS capas para a revista nº 3 do Clube Tex Portugal, a divulgação das mesmas ocorrerá em breve, aqui mesmo no blogue do Tex!

Mas Luca VANNINI não é o único desenhador do staff de Tex a contribuir e valorizar este 3º número de uma revista já fadada ao sucesso e que ficará cada vez mais na história de Tex em Portugal (e não só), pois também STEFANO BIGLIA vem enriquecer este projecto nacional ao desenhar propositadamente para a contracapa da revista uma magnífica ilustração, a AGUARELAS,  de Tex e do coronel Jim Brandon realizada em EXCLUSIVO para a revista portuguesa, numa homenagem  ao Mestre  Fernando Fusco, recentemente desaparecido.

Ilustração EXCLUSIVA com Tex e Jim Brandon em acção, da autoria de Stefano Biglia, para a contracapa da revista nº 3 do Clube Tex Portugal, numa homenagem a Fernando Fusco

A propósito desta sua arte, Stefano Biglia confidenciou-nos: “Este desenho a aguarelas nasceu a pedido do Clube Tex Portugal, com a intenção de recordar a arte de Fernando Fusco e nesta minha homenagem eu quis citar uma das suas histórias mais emocionantes para mim (I ribelli del Canada). Foi um prazer contribuir novamente para esta vossa bela revista. Um abraço a todos os apaixonados sócios do Clube.”.

Stefano Biglia e José Carlos Francisco em Anadia, 2015

Depois de Andrea Venturi, Stefano Biglia e Maurizio Dotti para além da própria Sergio Bonelli Editore, na revista nº 1 do Clube Tex Portugal, Fabio Civitelli, Corrado Mastantuono e Lucio Filippucci na revista nº 2, neste terceiro número teremos as colaborações de Luca Vannini, Stefano Biglia e Pasquale Del Vecchio que também comprovam deste modo a importância e o carinho postos também por todos estes desenhadores neste projecto editorial dedicado aos sócios do jovem Clube Tex Portugal, não esquecendo Moreno Burratini, o mais recente argumentista de Tex, que volta a colaborar neste terceiro número da revista.

Esboço inicial da arte de Stefano Biglia para a contracapa da revista nº 3 do Clube Tex Portugal

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Lucio FILIPPUCCI e Pasquale DEL VECCHIO ENALTECEM revista nº 2 do Clube Tex Portugal

Por José Carlos Francisco

Lucio Filippucci exibe orgulhosamente a revista nº 2 do Clube Tex Portugal

Quando a revista nº 3 do Clube Tex Portugal está prestes a ir para a gráfica (a revista será entregue aos sócios durante um convívio a realizar no dia 5 de Dezembro, no Cacém) há ainda ilustres sócios honorários do clube português a enaltecerem a revista e a enviarem-nos orgulhosamente fotografias com a edição lusitana nas suas mãos, como são os casos dos consagrados desenhadores Lucio Filippucci e Pasquale Del Vecchio, juntando-se assim a Moreno Burattini, Andrea Venturi, Maurizio Dotti e Fabio Civitelli, não esquecendo Davide Bonelli, o director geral e responsável máximo da Sergio Bonelli Editore.

Pasquale Del Vecchio no seu estúdio com a revista do Clube Tex Portugal #2

E falando dos autores de Tex que ilustram este post, eis as palavras que nos enviaram a propósito da Revista do Clube Tex Portugal #2, começando por Lucio Filippucci: “Recebi a revista e apreciei-a bastante, seja na forma quanto no conteúdo. Tanto que a veria com bons olhos no idioma italiano, porque creio que os leitores italianos iriam apreciá-la imenso. Quem sabe se no futuro tal não venha a ser uma realidade?” Por sua vez, Pasquale Del Vecchio congratulou-se por ter recebido “a bela revista” a ponto de inclusive ter feito um belo desenho de Tex dedicados aos sócios do Clube Tex Portugal, desenho esse, que com a devida dedicatória, será publicado na contracapa da revista nº  3.

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Entrevista exclusiva: MARIO ALBERTI

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Giampiero Belardinelli na formulação das perguntas, de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão e de Bira Dantas na caricatura.

Olá, caro Mario Alberti, e bem-vindo ao blogue português de Tex! Para começar, fale da sua infância com a BD.
Mario Alberti: Eu aprendi a ler nas páginas de Mickey Mouse e sempre desenhei muito, desde pequeno: patos, ratos e depois Homem-Aranha, Alan Ford e outros. No ensino fundamental, a professora reclamava que eu não fazia outra coisa!

Você obteve o diploma na Faculdade de Economia e Comércio de Milão com uma tese sobre a distribuição da editoria de BD: por que essa escolha?
Mario Alberti: Eu havia escolhido o curso de marketing, porque imaginava que ali eu poderia incluir a minha paixão pelos quadradinhos. E também era um modo para poder conhecer um aspecto da editoria de BD que eu conhecia pouco, além de ser um assunto decididamente pouco explorado para a tese de conclusão de curso.


Quando começou a familiarizar-se com lápis e pincéis?
Mario Alberti: D
esde pequeno. Para mim, desenhar sempre foi uma actividade prazerosa e que me permitia imaginar mundos, personagens e histórias que eu sonhava em poder contar.

Quais foram os seus primeiros trabalhos profissionais?
Mario Alberti:
Eu iniciei de forma profissional nas páginas de Intrepido, uma revista italiana histórica que, naquele período, abrigou vários colegas que tinham a mesma idade que eu e que estavam em seus primeiros trabalhos.


Quando e como você entrou em contacto com a Sergio Bonelli Editore?
Mario Alberti:
No início dos anos 90, quando eu comecei a trabalhar, Bonelli publicava a sua primeira série de ficção científica, Nathan Never. Eu apeguei-me de imediato à personagem e às suas histórias e, ao mesmo tempo, comecei a cultivar a esperança de trabalhar naquelas páginas. A certa altura eu tomei coragem e mandei alguns estudos à redacção, que chegaram à mesa de Antonio Serra. O meu material agradou e pediram-me para fazer algumas páginas de teste que, depois de vários ajustes e com os conselhos de Antonio, foram aprovadas e finalmente eu pude ter em mãos o meu primeiro roteiro para Nathan, O Canto da Baleia!


Assim, na Editora milanesa você começou com Nathan Never: as primeiras duas histórias da série mensal (nos números 30 e 40) saíram em pouco tempo uma após a outra, enquanto a terceira (número 105) foi publicada vários anos depois. Quais foram os motivos? E qual foi a evolução de estilo entre os dois primeiros volumes e o terceiro?
Mario Alberti:
Entre O Passado de Reiser e Missão de Alto Risco houve o segundo volume gigante de Nathan Never e várias edições para a série spin-off de Legs Weaver. A certa altura eu comecei a inserir nos meus desenhos alguns reticulados feitos no computador, que foi o meu primeiro passo para a digitalização do desenho, que hoje é completa, e as minhas páginas são inteiramente feitas com a prancheta digital. Por um lado é uma pena, porque não tenho mais desenhos originais em papel, mas por outro é um sistema de trabalho que me permite ser bem mais rápido, porque praticamente pulo a fase do lápis, e também faz o meu estilo evoluir em uma direcção que muito me satisfaz.

O Nathan Never Gigante n. 2, o outro volume que você desenhou, com texto de Antonio Serra, saiu quatro anos antes do mensal n. 105. Quanto tempo você levou para desenhá-lo e como foi o trabalho de documentação para as várias personagens da história?
Mario Alberti:
O trabalho durou um ano e meio, e os reticulados ainda eram aqueles de adesivos, colados e raspados com a lâmina para obter os efeitos desejados. A maior parte da documentação foi necessária para as páginas ambientadas no Japão, com armaduras e arquitectura. Eu queria que tudo fosse bem elaborado. E há as páginas de flashback, nas quais eu busquei reproduzir as obras-primas do Ukiyo-e de Hokusai, Utamaro, Hiroshige, creio que foi a parte mais trabalhosa de todo o volume, e uma espécie de estreia com o pincel, para mim, habituado a usar quase que exclusivamente canetas de ponta porosa.


Com Legs você pôde realizar atmosferas mais académicas do que aquelas de Nathan: o que lhe agradava na série feminina? Você acha que a série de Legs exibiu todo o seu potencial?
Mario Alberti:
O que eu gosto nas séries femininas é que elas são femininas! Há algo mais belo do que desenhar mulheres? E Legs é uma personagem forte e moderna, distante dos estereótipos da princesa a salvar, a série tinha enorme potencial. Além disso, as atmosferas mais leves também me permitiam fazer experiências com o traço e com o layout das páginas. Em suma, foi uma bela aventura!

Em 1999 saiu O imortal (Especial Legs Weaver n. 4), para quem você fez texto e desenhos: como surgiu a exigência de fazer também o roteiro? Visto depois de tantos anos, esse trabalho ainda lhe satisfaz?
Mario Alberti:
Eu quis fazer o roteiro: fazer BD significa contar histórias, mais do que fazer belos desenhos. É disso que eu gosto nos quadradinhos, eu gosto de me considerar mais um contador de histórias em papel do que um ilustrador. Depois de tantos anos… nada do que eu fiz me satisfaz plenamente. Eu imagino que faz parte do percurso evolutivo que cada um de nós percorre. Aliás, manter um saudável nível de insatisfação ajuda a nunca parar e a buscar fazer sempre o melhor.

Em 2012 você fez a capa do nono Dylan Dog Color Fest e, em 2014, a do primeiro Especial Dragonero: você gosta do trabalho de capista? E teve que superar alguma dificuldade?
Mario Alberti:
Eu gosto de fazer capas de vez em quando, se bem que, como disse antes, o prazer maior é contar histórias. A maior dificuldade com as capas, assim como com ilustrações, é conseguir concentrar toda uma história em uma única imagem e criar no leitor em potencial a vontade de saber mais!

Você ainda faz trabalhos fora da Sergio Bonelli Editore: quais são as colaborações activas e a qual desses trabalhos você é mais ligado?
Mario Alberti:
Acabou de se concluir na França a minha série Cutting Edge, publicada pela Delcourt, e agora estou para iniciar uma nova série de ficção científica para a mesma Editora. Os trabalhos aos quais sou mais ligado creio que são Morgana, a minha série de estreia nas Bande Dessinée, e o primeiro volume da mini-série Spider-Man & the X-Men, para a Marvel, ambientado nos anos setenta e com todas as personagens que tanto amei na minha infância.


Passemos agora ao Ranger que dá nome a este blogue: como aconteceu o seu ingresso na equipa dos desenhadores de Tex?
Mario Alberti: A ideia de trabalhar com Tex já estava no ar há algum tempo, a questão era aguardar a ocasião certa, que surgiu com esta nova série de Tex, os Romances aos Quadradinhos.

Como você se sente a trabalhar com o Ranger?
Mario Alberti:
É um desafio notável! Tex tem atrás de si uma história de décadas de sucessos editoriais e de lápis excelentes que se alternaram em sua páginas!

Ao desenhar Tex, você encontrou alguma dificuldade?
Mario Alberti:
Trabalhar em uma série cuja intenção é explorar novos terrenos, e o facto de ter que retratar um Tex jovem, permitiram-me mais liberdade do que se tivesse que trabalhar nas páginas da série regular. Aliás, a intenção era justamente fazer algo de novo e de diverso. Foi o que busquei fazer, no respeito à personagem e aos seus tantos leitores que seguem com fidelidade as suas aventuras. Creio que a maior dificuldade foi justamente imaginar um jovem que depois se tornaria TEX WILLER. E desenhar os cavalos!

Você teve que modificar seu estilo costumeiro?
Mario Alberti:
Para mim, cada história necessita de sua própria voz para ser contada, e o estilo deve ser ajustado a ela, sem trair a própria sensibilidade.

Como definiria graficamente o seu Tex?
Mario Alberti:
Graficamente… nossa, não sei responder. Creio que a resposta está no meu Tex desenhado.

Nos últimos tempos vários desenhadores fizeram uma rápida aparição em Tex e depois voltaram a trabalhar com outras personagens. O seu trabalho com Tex será duradouro, ao menos na sua intenção?
Mario Alberti:
Por enquanto a minha aventura no Oeste encerra-se aqui e eu volto às naves espaciais. Mas com se diz, nunca diga nunca!


Para si, quem ou o que é Tex? O que você gosta mais e o que gosta menos no Ranger?
Mario Alberti:
Tex é um dos símbolos da BD na Itália, pelo modo como é concebido, escrito, desenhado e lido no meu País.

Para concluir o tema, como vê o futuro do Ranger?
Mario Alberti:
Essa é uma pergunta para Mauro Boselli!


Quanto tempo leva para desenhar uma página? Cumpre horários? E como é o seu dia padrão entre trabalho, leituras, busca de informações, ócio, vida familiar?
Mario Alberti:
Eu procuro trabalhar no mínimo oito horas por dia, começo às oito da manhã, vejo alguns desenhos no facebook, leio a correspondência e depois começo a trabalhar. Nem sempre consigo, e dificilmente por períodos mais longos que um ou dois meses, mas o ideal seria manter a concentração, permanecer dentro da história até desabar. Um pouco de stress de prazos a cumprir também ajuda. Para ter uma ideia de prazos a definir em um contrato, eu calculo dez páginas colorizadas por mês. Na verdade, os meses – ou mesmo anos – passados em um trabalho têm várias flutuações de concentração, de resultados… é meio difícil fazer uma média de produtividade diária. E também há os dias passados sem que saia nada de bom, e aí se joga a toalha e passa-se a ver filmes, ler e, no meu caso, a importunar os vizinhos com o saxofone.


Como é a sua técnica de trabalho?
Mario Alberti:
Eu faço um layout aproximado da página, com os balões para visualizar como serão posicionados e que partes do desenho vão cobrir. Um esboço de anatomia, linhas de perspectiva e massas escuras. Feito isso, parto para a arte-final digital. O facto de trabalhar em uma prancheta digital permite-me mudar de ideia, buscar soluções diferentes, sem descartar nada do que foi feito antes. Uma coisa da qual nunca fiquei totalmente satisfeito nos meus desenhos é que, na passagem da tinta (a arte-final), inevitavelmente se perde a vivacidade e a energia do primeiro traço. Saltar quase que completamente a fase do lápis e desenhar de primeira permite-me buscar essa vivacidade com bastante serenidade e prazos aceitáveis.


Quais são os seus projectos imediatos?
Mario Alberti:
Uma nova série de ficção científica para a Editora francesa Delcourt.

Quais BDs você lê actualmente?
Mario Alberti:
Infelizmente eu leio pouco. A última obra que pousou na pilha de material para ler é Le rapport de Brodeck de Manu Larcenet.

Além de BD, que livros você lê? E quais são as suas preferências no cinema e na música?
Mario Alberti:
Ficção científica! Na BD, nos livros e no cinema. Música: tudo o que me ajuda a desenhar uma determinada cena. Muito jazz e trilhas sonoras.


Bem, chegamos ao fim. Há algo mais que você gostaria de dizer? Algo que não lhe foi perguntado e que gostaria que os nossos leitores soubessem?
Mario Alberti:
Obrigado por terem lido!

Caro Mario, em nome do blogue português de Tex, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.


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