Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.
Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Carlos Ramalho: Me chamo Carlos Alberto Ramalho, nasci na cidade de Moreira Salles, estado do Paraná, Brasil, no dia 22 de Janeiro de 1967. Morava numa pequena propriedade rural arrendada pelos meus avós (Materno) estudei na cidade entre 1974 /1980, nesse período morava na cidade, mas trabalhava (nos intervalos da escola) ajudando meus pais na lavoura. Em 1980, aos 13 anos de idade, juntamente com minha família nos mudamos para Indaiatuba São Paulo onde resido até hoje. Chegamos com o sonho de vencer numa cidade que crescia a cada ano, viemos em sete pessoas numa mudança em uma Perua Combi (meus pais mais três irmãos e meu avó), trabalhei mais ou menos 2 anos numa sorveteria, depois numa confeccção de roupas. Ao completar 18 anos entrei para trabalhar na indústria metalúrgica, fiz vários cursos, e recomecei os estudos onde me formei em Técnico em Mecânica Industrial, casei em 1990, tenho um casal de filhos e um casal de netos hoje, sou aposentado e tenho um site onde vendo revistas de quadrinhos, (www.texasranger.com.br) .
Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada?
Carlos Ramalho: Meu interesse por revistas surgiu por volta de 1975, mas no começo curtia as revistas coloridas, Disney, Marvel, DC, entre outras coloridas.
Quando descobriu Tex?
Carlos Ramalho: Certa vez um tio meu foi passear na minha casa isso já era o ano 1980, ele era leitor e não colecionador de Tex, comprou na banca da cidade o Tex nº 118 (O Tirano da Ilha) no qual ele leu e deixou em casa, eu peguei aquela revista e mesmo sendo P&B, eu li e reli-a várias vezes, foi aí que despertou minha paixão por Tex e outros personagens da Bonelli.
Obs. Nessa revista 118, aquela fala do velho Kit Carson dizendo “Ah lá esta o meu batuqueiro” eu guardo até hoje e começo a rir sozinho… rsrsrsrs
Porquê esta paixão por Tex? O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Carlos Ramalho: A paixão por Tex creio que veio de uma raiz formada com o meu falecido pai, ele adorava filmes de faroeste e eu sempre que podia assistia com ele, e quando tive a oportunidade de ler e entender o que era Tex, isso se tornou uma paixão avassaladora onde eu procurava de tudo que não tinha lido ainda.
O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Carlos Ramalho: Posso falar por Tex, pois desde que conheci não li outros personagens fora da Bonelli, Tex para mim representa amizade, justiça e humanidade, na minha infância ajudou a me alfabetizar, ler e escrever melhor e também conhecer geograficamente muitos lugares assim como a sua história local, moldar o meu caráter de ser justo e honesto, assim como ajudar o próximo em necessidade.
Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Carlos Ramalho: Como colecionador devo ter por volta de umas 1800/2000, e vendedor tenho muitas repetidas que todas juntas deve somar umas 8 mil revistas para mais, a coleção mais importante para mim sem duvida é a Tex Mensal, mas todas as outras são importantes também.
Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Carlos Ramalho: Além de Tex revista, coleciono as estatuetas, chaveiros, botons, baralhos, postais e tudo do universo Texiano que conseguir, também coleciono Zagor, Chacal, Chet, Carabina Slim, Ken Parker…
Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir?
Carlos Ramalho: Nunca parei para pensar direito, mas gostaria de completar a coleção das estatuetas.
Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Carlos Ramalho: Posso listar 3 e muito mais:
1º A Grande Intriga
2º A Cidade sem Lei (parece um filme que assistia com o meu Pai)
3º O Tirano da Ilha
Desenhador: Aurelio Galleppini (Galep)
Argumentista: Gian Luigi Bonelli
O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Carlos Ramalho: Seu senso de justiça e a humanização que ele tem em sempre ajudar os necessitados e oprimidos. Nada que desabone…
Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Carlos Ramalho: Tem muitas características que fazem de Tex um verdadeiro ícone, vejamos, Tex foi se lapidando e melhorando no decorrer dos anos sem deixar de ser um símbolo de uma época, ele sempre se manteve como um rígido defensor e justiceiro de grupos considerados minoritários no velho Oeste, entre os quatro pards, cada um tem sua identidade, Carson com suas manias, Jack Tigre com as habilidades indígenas bem aprimoradas e Kit Willer sempre muito decisivo igual o pai, o grupo é unido e tem como ponto alto a camaradagem entre eles, mas Tex sempre é a ultima palavra nas decisões a serem tomadas, Tex nos faz passar a ideia de que sempre consegue antecipar ou prever a mentalidade criminosa da maioria dos seus adversários, e isto tem sido uma constância com exatidão e fidelidade, afinal, os textos e os desenhos são extremamente inteligentes e que fazem que o leitor estivesse participando de cada aventura com este tição dos infernos… kkkk
Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Carlos Ramalho: De 2018 para cá, com uma certa estabilidade na vida, procuro ir em todos os eventos possíveis, sempre estou indo na Mythos com ou sem eventos, o boom disso tudo foi o de Limeira nos 70 anos de Tex, de lá para cá virou uma “obrigação” participar dos eventos seja onde for, fui em todos os EnconTex na Villa Texas do nosso querido Delair Turella, meu sonho será participar do encontro de Texianos em Anadia, Portugal, feito esse que já pranejo há um certo tempo. Encontro-me com muitos colecionadores de Tex, poderia listar aqui, mas não quero cometer o erro de esquecer alguém…
Como é que as redes sociais e os fóruns online mudaram a sua experiência de colecionador em comparação com a época das cartas dos leitores?
Carlos Ramalho: Sinceramente, apesar de que esse nicho Texiano tem uma curva voltado a um publico mais velho, mas mesmo assim as redes sociais, whatsapp e alguns canais no youtube nos aproximaram mais dos colecionadores e fãs de Tex, através das redes sociais consigo contactar muitos colecionadores, tirar duvidas, trocar opiniões, etc…
Já influenciou ativamente alguém da sua família (filhos, netos, sobrinhos) a começar a ler e a colecionar Tex? Como foi essa experiência?
Carlos Ramalho: Ah sim, tenho uma parceira quase que inseparável do mundo Bonelliano, trata-se da minha irmã Rosângela Pimentel, essa posso dizer que consegui convertê-la em Texiana e Zagoriana, hoje nos eventos que participamos ela é a “produtora dos cosplay” de quase toda turma, tanto que faço do nosso amigo atrapalhado Chico e El Morisco, graças a ela…
Como imagina que será a sua coleção daqui a 20 anos? Pensa em doá-la, vendê-la ou passá-la como herança familiar?
Carlos Ramalho: Espero estar vivo ainda daqui 20 anos…rsrsrsrsrs, creio de passar como herança familiar, mas não parei para julgar isso ainda…
Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Carlos Ramalho: O futuro é um pouco incerto para se dizer francamente, mas com certeza não acabará, seja na forma fisica ou na forma digital… sempre haverá uma saida, e sempre haverá colecionadores de Tex…
Prezado pard Carlos Ramalho, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)