UMA PEREGRINAÇÃO PELO UNIVERSO DO FUMETTO ITALIANO

Por Thiago Gardinali*

Primeiro surgiu a paixão pela leitura. Logo em seguida, o interesse pelo colecionismo. Assim que comecei a ler histórias em quadradinhos, por volta de 5 anos de idade, também passei a procurar por edições antigas, pois queria ir além daquilo que as bancas de jornais poderiam me oferecer. Teve início então o hábito que mantenho até hoje de “garimpar” em revistarias e lojas especializadas, muitas delas popularmente conhecidas no Brasil como “sebos”. Como o critério do bom estado das publicações sempre foi pré-requisito em minhas buscas, o grau de dificuldade para encontrá-las sempre foi bem alto. Nunca comprei nenhuma revista apenas para fazer parte da coleção, adquiro apenas aquilo que tenho real interesse em ler. Nas minhas viagens internacionais, sempre procurei conhecer de perto o mercado da banda desenhada em cada país, mas em função da pressa motivada na maior parte das vezes por motivos profissionais, nunca pude dedicar o tempo que realmente gostaria para essas “garimpagens”. Isso até a minha mais recente viagem à Itália.

Em Milão, lojas especializadas oferecem grande quantidade de títulos Bonelli

Para quem é apaixonado por Tex e pelas publicações Bonelli em geral, percorrer as fumetterie (lojas especializadas em quadradinhos) e edicole (bancas de jornais) italianas tem um significado muito especial. É um prazer indescritível encontrar o tempo todo seus títulos e personagens preferidos nas prateleiras. Realmente a Bonelli não poderia ter nascido em um lugar melhor: a Itália tem um grande amor e respeito pela banda desenhada, e isso eu pude presenciar pessoalmente durante três meses de uma verdadeira peregrinação em busca de publicações neste país maravilhoso.

Começando pela fantástica Milão, cuja praticidade permite o fácil deslocamento para qualquer lugar em poucos minutos. Minha primeira surpresa foi conhecer a espaçosa Supergulp no Naviglio Grande. Quando desci para o andar inferior, a alegria de ver prateleiras repletas de títulos Bonelli em ordem crescente de numeração e todos em estado impecável. Salvo raras exceções, a grande maioria por preço de capa ou muito perto disso. Ou seja, é possível comprar várias edições antigas gastando pouco. Fiquei horas admirando tudo aquilo, sem sentir o tempo passar. Conversei bastante com os atendentes, extremamente atenciosos e conhecedores dos produtos da loja. Outra ótima visita foi a que eu fiz a La Borsa del Fumetto, onde o que mais chama a atenção é o anexo denominado Il Borsino, onde há apenas edições antigas. Uma loja extremamente apertada, com quadradinhos do chão ao teto, com uma organização como eu nunca vi nos “sebos” brasileiros. Foi ali que, logo de cara, comprei a sequência de “O passado de Tex” (Tex #83, #84 e #85) e “O passado de Carson” (Tex #407, #408 e #409) que sempre tive vontade de ler nos seus originais italianos.

Em Roma, o festival Romics consegue lotar seis enormes pavilhões

A sensação de “respirar Bonelli” pode ser vivenciada em todos os cantos de Milão. A simples experiência de usar o Metropolitano para deslocamentos pela cidade possibilita isso. Em todas as estações – todas mesmo – existem bancas de jornais, e em todas elas é possível encontrar títulos Bonelli. Que bacana poder sair de manhã cedo, parar para tomar um café e comer uma brioche, e conferir se tinha algum lançamento naquele dia. Aliás, pela grande quantidade de títulos bonellianos, era difícil ficar mais de dois ou três dias sem comprar um novo título. Algo que para os italianos é totalmente normal, mas para mim era motivo de grande entusiasmo, tendo em vista que, infelizmente no Brasil, atravessamos um período de diminuição drástica de bancas de jornais, sem contar com a descaracterização das poucas que ainda restam e passam a comercializar todo tipo de produto, menos revistas em quadradinhos. O saudável hábito de leitura, também em queda livre no Brasil, mantém-se vivo no sangue italiano e pode ser visto dentro de trens, ônibus e em praças públicas. Além das bancas e lojas especializadas, os fumetti estão nas livrarias em edições de luxo, álbuns e livros. A mais famosa rede italiana, La Feltrinelli, dispõe de áreas específicas onde é possível encontrar grandes sagas de Tex em volumes grossos com histórias completas. Ali pude comprar edições temáticas dedicadas a importantes personagens como Morisco e Mefisto.

Mas a oportunidade de vivenciar as publicações Bonelli vai além de bancas, comic shops e livrarias. Ela é ricamente presente nos eventos. Se existe turismo histórico, turismo ecológico e turismo religioso, então eu posso garantir que a Itália tem também o turismo “fumettologico”. O adjetivo pode não existir, mas o conceito é real. Sempre há algum evento relacionado a quadradinhos ocorrendo em alguma parte do país. Como eu fiquei bem atento a sites e redes sociais, não perdi quase nenhum deles durante os meses nos quais fiquei em território italiano. Com a vantagem da fantástica rede ferroviária e seus trens de alta velocidade, o deslocamento para qualquer parte do país é fácil e prazeroso. Sendo assim, não perdi a chance de ir para Roma e passar um final de semana na Romics, evento que lota seis enormes pavilhões com uma extensa programação de palestras, encontros com autores e desenhistas, além de muitas fumetterie com seus preciosos acervos. Ali pude comprar muita coisa boa, como por exemplo os álbuns de figurinhas completos de Tex e Zagor. As editoras montam seus estandes oficiais e a Bonelli estava lá, com lançamentos, edições variantes, especiais e artigos como camisetas, canecas e chaveiros. Um evento realmente espetacular que reuniu aficcionados por quadradinhos de toda a Itália. Ainda bem que os trens italianos oferecem espaçosos bagageiros acima dos acentos, onde pude colocar as sacolas abarrotadas de revistas que comprei no evento!

Sergio Bonelli Editore sempre presente nos eventos e festivais por toda a Itália

Ainda em Roma, destaco a ótima loja Fumettopoli, com grande acervo e a simpatia de seu proprietário Fabio, com o qual fiquei horas conversando sobre nossas leituras, histórias preferidas de Tex e curiosidades dos demais títulos bonellianos. Uma rica troca de experiências entre leitores.

Na medida em que fui conhecendo outros eventos, entendi que não importava o tamanho e a quantidade de pessoas, mas sim o propósito. O interessante é que existem vários grupos e associações, de norte a sul da Itália, de fãs de banda desenhada que se encontram e organizam os festivais, recebendo o apoio das editoras e lojas que participam montando seus estandes. Continuei rodando o país e tive o prazer de visitar a Torino Comics, no Piemonte, e a Firenze Comics, na Toscana. Sempre encontrando leitores de Tex com os quais eu conversava, contava sobre a história editorial do personagem no Brasil e ouvia sobre o mercado editorial italiano. Foi muito interessante saber dos leitores italianos o que eles mais gostam nas histórias, seus roteiristas e desenhistas preferidos e a expectativa que têm para o futuro das publicações.

Mas não pense que os festivais de quadradinhos acontecem apenas nas grandes cidades italianas. Eles estão por todos os cantos. E resolvi também visitar os eventos menores, mas não menos interessantes. Um deles foi na simpática Piacenza, cidade natal do desenhista Paolo Bisi, responsável por belos trabalhos em Mister No e Zagor. Curiosamente, uma das sagas zagorianas que ele desenhou foi “Sertão”, que se passa justamente no Brasil. Não  poderia perder a oportunidade de bater um bom papo com ele sobre o ótimo resultado da pesquisa que ele fez para retratar o sertão brasileiro. A recepção foi das mais calorosas possíveis, parecia que ele não acreditava que um leitor de tão longe estava ali elogiando e comentando detalhes sobre seu trabalho. Comecei a perceber o quanto os artistas da banda desenhada italiana são bacanas e o respeito que eles têm pelos seus leitores. Uma grata troca de energia entre quem cria e quem lê.

Alfredo Castelli mostra o computador de Martin Mystère em sua sala na Bonelli

O contato com o importante staff bonelliano foi intensificando-se. Em uma feira do livro na cidade de Rho, região metropolitana de Milão, tive o prazer de conversar com Fabio Civitelli, que até gravou um recado em vídeo a meu pedido para os leitores brasileiros e portugueses. Na ocasião, pude adquirir o especial de luxo de “O sinal de Yama”, belíssimo trabalho de Civitelli. Uma grande fila se formou no estande da Bonelli com muitos leitores em busca de autógrafos. Mais uma oportunidade imperdível de vivenciar e sentir a repercussão das publicações com os leitores italianos. Na sequência, fui até Sesto San Giovanni, também próxima a Milão, onde o pai de Martin Mystère dava uma palestra. Ao final, me aproximei me identificando e pedindo um autógrafo em um álbum gigante de Martin que eu tinha adquirido em uma das tantas fumetterie que havia visitado. A conversa extremamente agradável foi além das minhas expectativas. Ao final, Castelli me perguntou se eu já havia visitado a Sergio Bonelli Editore. Ao ouvir a minha negativa, pediu que eu marcasse seu telefone e que ligasse para marcar uma ida à editora. A receptividade e simpatia italianas me surpreendiam cada vez mais. E teria início ali uma amizade que eu jamais imaginaria que pudesse existir.

Confesso que visitar a Bonelli sempre esteve em meus planos, mas estava pensando como seria a melhor forma de realizar. Não queria chegar batendo na porta sem conhecer ninguém. Sendo assim, um convite de um dos mais importantes funcionários da editora era a oportunidade que tinha caído dos céus. Conforme combinado, liguei para Castelli e marquei o dia para ir até a famosa Via Buonarroti 38. Fui extremamente bem recebido naquela manhã de terça-feira e conheci uma equipe realmente fantástica, em todos os setores da editora, trabalhando com amor e empenho para presentear seus leitores com as edições maravilhosas que tanto gostamos. Ser recebido por Davide Bonelli na sala de seu pai e ouvir deliciosas histórias das viagens de Sergio ao Brasil realmente superou toda e qualquer expectativa. Estava ali a razão do sucesso de Tex e de tantos personagens: o respeito por cada leitor e a motivação de oferecer sempre o melhor. Foram horas muito agradáveis que culminaram em um simpático convite de Castelli para almoçarmos juntos. A conversa sobre quadradinhos se estenderia tarde afora e aquele seria o primeiro de muitos encontros.

Com Davide Bonelli na sala de seu pai: uma história de dedicação e respeito aos leitores

Descobri que o fumetto italiano, além das bancas, lojas, livrarias, eventos grandes, médios e pequenos, estava também no ambiente acadêmico. Alfredo Castelli é frequentemente convidado para seminários e aulas especiais nas mais diversas universidades. E logicamente que eu não poderia perder a oportunidade de acompanhá-lo nestas ocasiões. Cursos como literatura e artes gráficas abrem espaço para analisar e estudar a fundo a banda desenhada. Me enfiei ali no meio dos alunos para também aprender junto com eles. Não fazia ideia que o autor das aventuras do professor Mystère, que leio há 30 anos, era também um habilidoso docente que prende a atenção de uma grande plateia de alunos.

Em um dos encontros com Castelli, surge um convite para um evento que eu desconhecia, por mais ligado que estivesse em sites especializados e redes sociais. Tratava-se de uma feira na cidade de Reggio Emilia, na Emilia-Romagna. E Castelli foi enfático ao me explicar que, neste evento, eu encontraria apenas “roba vecchia” (coisas antigas). Achei ótimo, e lá fomos com o fantástico trem de alta velocidade. Ate aí, eu não tinha ideia de que estava prestes a visitar o mais espetacular evento de banda desenhada em toda a minha vida. Chegamos ao centro de eventos da cidade, nada fora do comum. Mas quando eu entrei e comecei a andar pelos corredores dos estandes, me impressionei de verdade. Nada de editoras, nada de lançamentos… apenas coleções e mais coleções, dos anos 1930 aos dias de hoje. Eu estava simplesmente na maior feira de quadradinhos antigos e colecionismo de toda a Itália. Tudo aquilo que eu “garimpava” nas dezenas de lojas pelo país reunido em um só lugar. A feira chama-se Mercato del Fumetto e é organizada pelo grupo Amici del Fumetto. Além da feira, eles também realizam uma premiação para os destaques do mercado editorial italiano. Nesse dia, Civitelli foi um dos premiados, e tive o prazer de revê-lo e conversar com ele novamente, desta vez sobre as novidades programadas para os 70 anos de Tex. Colecionadores e lojistas de toda a Itália estavam ali reunidos naquele sábado, com edições das mais raras e preciosas. Nada de cosplayers, nada de games… apenas quadradinhos! As primeiras edições de Tex no formato talão de cheques estavam ali, juntamente com toda a história editorial dos 70 anos do nosso querido ranger, além de todos os outros personagens bonellianos e de outras editoras italianas. Mais uma vez agradeço à companhia de trem pelo espaçoso bagageiro que acomodou as muitas sacolas de revistas que comprei nesta feira. O evento acontece duas vezes por ano e a cidade fica a menos de uma hora de trem de Milão. Extremamente recomendado para quem procura exemplares difíceis para completar coleções ou mesmo para quem quer adquirir edições mais recentes.

Com o mítico Fabio Civitelli e o seu autógrafo desenhado

A esta altura do campeonato, já com centenas de exemplares que havia adquirido em minhas peregrinações, resolvi começar a despachar um pouco para o Brasil através dos correios, pois não tinha me dado conta da quantidade de quadradinhos que se acumulava, tamanha a empolgação de conhecer e participar de tantas situações interessantes. Acabei fazendo amizade com as atendentes dos correios, que ficavam incrédulas quando eu declarava que o conteúdo daquelas enormes caixas era apenas e tão somente os famosos fumetti que eles tão bem produziam.

Os festivais, como citei no início, não cessam. E então parti para a Sicília para participar de um dos grandes, o Etna Comics, na Catania. Tirando a dificuldade inicial para compreender o sotaque siciliano, todo o resto foi sensacional. O evento aconteceu em uma grande fábrica desativada e ofereceu uma extensa programação. Além dos estandes de editoras e lojas especializadas, exposições e conferências temáticas. De todos os eventos que participei, este foi o que mais tempo permaneci em auditórios assistindo os debates. Isso porque muitos dos painéis apresentados foram sobre títulos Bonelli. Na ocasião, além do mestre Castelli, tive a satisfação de estar ao lado de Moreno Burattini, editor e roteirista de Zagor. Uma das conferências foi sobre o centenário de Aurelio Galleppini, o criador gráfico e desenhista de Tex. A organização ficou por conta do grupo Bonelliani Siculi, formado por leitores e colecionadores da Sicília. Roberto Recchioni, curador de Dylan Dog, fez uma ótima explanação sobre as novidades do personagem. Castelli e Burattini também falaram sobre Martin Mystère e Zagor, respondendo às perguntas do público. Momentos como esses são muito bacanas para aproximar os leitores dos profissionais que produzem as revistas que eles lêem todos os meses.

Em Bologna, a maior fumetteria da Itália, com entregas em todo o planeta

O Etna Comics contou ainda com um momento bem interessante. O tema de um dos painéis foi “A inovação na tradição” com as participações de Simone Airoldi, diretor geral da Bonelli, e Giovanni Boninsegni, diretor de marketing. Eles deram um panorama geral da editora e revelaram informações importantes. A primeira delas foi quanto à dimensão da Sergio Bonelli Editore. Airoldi divulgou um dado impressionante sobre o volume de produção: são 25 mil páginas por ano contra 23 mil da Marvel Comics. É isso mesmo! A Bonelli é a maior produtora de páginas de banda desenhada de todo o planeta. “Muitos podem questionar o fato de a Marvel ter mais títulos do que a Bonelli. Mas não esqueçamos que a média de páginas de cada título Bonelli é sempre superior a 100 páginas. Ou seja, temos menos títulos que a Marvel, porém com uma quantidade maior de páginas em cada um.” – explicou Airoldi. Ele ainda revelou que cada revista publicada tem uma média de um ano de preparação e que a Bonelli conta atualmente com 400 colaboradores.

Em outro momento da palestra, foi abordada a questão de novas mídias e a utilização dos personagens em animações, filmes e séries. Sem especificar quais seriam os primeiros a serem utilizados, Airoldi fez questão de deixar claro que o mais importante é manter o controle dos personagens para evitar que eles sejam descaracterizados. Pelo clima de expectativa quanto aos 70 anos de Tex, eu seria capaz de arriscar que são grandes as chances do ranger estrear essa nova plataforma. Foram abordadas também questões relativas ao futuro do mercado editorial. Novos formatos devem ser testados, seguindo por exemplo o que foi feito na recente mini-série de Chico, “Um passeio no tempo”, publicada a cores, em seis volumes de 64 páginas (quantidade menor do que o habitual bonelliano) e formato maior. Seria uma forma de atrair novos leitores que preferem uma leitura mais rápida. Também se falou de crossovers entre personagens, a exemplo de Dylan Dog e Dampyr. Será que o tão esperado entre Tex e Zagor pode ser o próximo?

Simone Airoldi, diretor geral da Bonelli: produção de mais páginas do que a Marvel

Seguindo com as visitas às fumetterie, parti para Bologna. E ali havia um motivo especial. Com o cancelamento por parte da Bonelli das expedições para fora da União Europeia, não foi mais possível comprar os títulos através do site da editora. Foi então que eu descobri a Alessandro Distribuzioni, única fumetteria italiana que entrega em qualquer parte do mundo. Satisfeito com as encomendas recebidas no Brasil, não poderia deixar de conhecê-la pessoalmente. E sem exagero, posso dizer que trata-se da maior fumetteria que visitei na Itália, em termos de espaço físico da loja e quantidade de títulos do acervo. Metade da loja é tomada pelos títulos Bonelli, cuidadosamente acomodados em prateleiras especiais em ordem numérica. Nos fundos, um arquivo dos clientes de todo o planeta, com etiquetas nominais e as respectivas revistas. É possível, por exemplo, reservar determinadas edições mensais e recebê-las em um pacote a cada três meses. Um sistema bem prático e funcional para receber os títulos bonellianos.

Mais uma cidade: Nápoles. Eis que desço na estação de trem com a minha lista de lojas para visitar. Passo pela primeira, pela segunda, pela terceira… até que entro naquela que iria me surpreender! E desta vez a surpresa não vinha do acervo, mas sim de seu proprietário. Foi em território napoletano que conheci o maior fã e colecionador de Tex da Itália. De tão incrível que foi esse encontro, resolvi escrever um artigo específico sobre ele, que pode ser lido na página 32.

Minha peregrinação “fumettologica” na Italia ainda não estava completa. Acabei descobrindo que o grande autor Tito Faraci, responsável por grandes aventuras de Tex e outros personagens, daria um curso de uma semana sobre roteiro de quadradinhos. Não poderia perder esta oportunidade. Me inscrevi e frequentei assiduamente e com muita atenção todas as aulas. Era a experiência que faltava para entender como funciona a produção de banda desenhada na Itália. Detalhes de narrativa, as indicações aos desenhistas, a construção da história da ideia inicial ao roteiro final. Não preciso nem dizer que, após as aulas, emendei longos papos com o Tito para falar ainda mais do assunto que tanto gostamos. Excelente profissional dos quadradinhos e com ótima didática para ensinar.

Curso de roteiro com Tito Faraci, autor de várias aventuras de Tex e outros títulos

Além de tudo o que relatei, lançamentos de novas edições em livrarias com a presença dos autores são frequentes e estive em muitos deles. Foi uma submersão no universo dos fumetti, uma aula de cultura, uma convivência prazerosa com o fantástico povo italiano… e o aumento da minha admiração pela Sergio Bonelli Editore!

* Texto de Thiago Gardinali publicado originalmente na Revista nº 7 do Clube Tex Portugal, de Dezembro de 2017.

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“TEX: Mais que Um Herói” (as pré-encomendas vão começar amanhã): As ilustrações (inéditas e exclusivas) de cada capítulo do livro

E está quase a chegar aquele que é o MAIOR livro que A Seita já editou, e provavelmente um dos maiores que jamais se editou no mercado de BD nacional! “TEX: Mais que Um Herói” é a história definitiva desta personagem, dos seus criadores e da editora que o lançou, do seu impacto nos fumetti, das suas maiores sagas, autores, desenhadores, revistas, tudo nestas 488 páginas que são um projecto de longa data do seu autor, Mário João Marques, um dos grandes conhecedores de Tex de todo o mundo!
As pré-encomendas vão começar amanhã, estejam atentos a mais informação.

TEX: MAIS QUE UM HERÓI

“TEX: MAIS QUE UM HERÓI“ com lançamento então marcado para este mês de Outubro, da autoria de Mário João Marques (que levou mais de uma década a escrevê-lo) e publicado pel’A Seita é o primeiro livro temático, publicado em Portugal, dedicado a Tex. Trata-se de uma extensa obra sobre o mítico Ranger eterno que desvenda mais de sete décadas de autores, ilustradores, sagas e segredos desta carismática personagem dos fumetti italianos. A obra cujo formato é idêntico aos volumes de Tex publicados anteriormente pela editora A Seita (207 x 286 mm) terá um prefácio de José Carlos Francisco e uma edição gráfica de João Marin e conterá 9 capítulos escritos pelo Mário Marques: O Mito, O Herói, Os Atores, A Evolução, As Capas, Os Ambientes, A História, Os Autores e O Modelo:

As ilustrações (inéditas e exclusivas) de cada capítulo do livro ‘Tex: Mais que Um Herói’

Este livro é um dos oito títulos incluídos no projeto «Garantir BD», apresentado pela cooperativa editorial A Seita e apoiado pelo programa Garantir Cultura. Este projecto de edição, desenhado como forma de ajudar o sector a resistir aos efeitos da pandemia durante 2021 e 2022, foi pensado com autores nacionais e para os autores nacionais. Inclui um total de oito livros de BD, mas também sobre BD. Proposta de celebração a que se junta também a criação de mecanismos que possam agora ajudar à internacionalização desses autores e do património nacional de BD.

Mário João Marques com a ilustração original para a contracapa de Stefano Biglia (desenho exclusivo gentilmente cedido pelo autor)

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Stefano Biglia, um talento puro

Por Sandro Palmas*

O nome do jovem Stefano Biglia, nascido em 1969, atualmente um dos desenhadores de proa de Tex, era conhecido dos leitores sobretudo pela sua colaboração na série de western Magico Vento. Nem todos se recordarão, no entanto, que foi efetivamente nas páginas de Águia da Noite que o autor genovês se estreou no longínquo mês de janeiro de 1994.

Stefano Biglia na Mostra de Tex – Anadia 2015

Estamos no início dos anos noventa e desde há algum tempo que na via Buonarroti em Milão se fala de um Texone a ser desenhado pelo grande Renzo Calegari. Claudio Nizzi, que recentemente tinha ultrapassado uma crise criativa que durante meses o impediu de se concentrar numa só página, concorda com o editor Sergio Bonelli, que para o artista ligure seria mais adaptado uma história de 94 páginas para uma nova publicação ainda em preparação, no que viria a ser o primeiro número do Almanacco del West “La ballata di Zeke Colter”. Em dezembro de 1992, o argumentista de Modena escreveu, de uma só penada, a curta história ambientada na época dos caçadores de castores. Stefano Biglia e Luigi Coppello, que desde 1990 trabalhavam no estúdio de Calegari e para quem já tinham feito a passagem a lápis de centenas e centenas de pranchas para o Giornalino, variando entre géneros como o western, a aventura e a história, encontravam-se naturalmente bem preparados[1]: “Recordo-me muito bem desse episódio, porque estava a almoçar com Sergio Bonelli, Decio Canzio, Claudio Nizzi, o próprio Calegari e Luigi Coppello. Estávamos em Milão para propor um projeto que Renzo tinha em mente, mas Sergio já tinha em mira a ideia do Almanacco”. A história, cujo título provisório era, para todos os efeitos, “Il cacciatore di castori”, tinha como protagonista o velho trapper Zeke Colter, e revivia os bons tempos quando Tex o ajuda a resolver os problemas que o afligiam. O ambiente é de um género onde Calegari estava à vontade, porque a história desenvolve-se, efetivamente, toda na neve. No estúdio trabalha-se em sinergia e para o estudo da personagem decide-se tomar como modelo o ator de Hollywood John Garfield, uma vez que o seu queixo quadrado recorda um pouco o de Tex. Calegari realiza um rápido esboço do layout das pranchas, depois Biglia e Coppello dividem entre si a passagem a lápis, o primeiro nas páginas ímpares e o segundo nas pares, pranchas dispersas que Calegari junta e por fim passa a tinta. No estúdio é dada muita importância à fase de documentação e, graças ao mestre de Bolzaneto, os dois jovens autores aplicam-se em assimilar pintores e cartoonistas como Frederic Remington, Charles Russell, Noel Sickles e Alex Toth. Para o Almanacco revêem ainda os clássicos do cinema fordiano[2]: “Recordo tardes inteiras passadas a visionar os filmes de John Ford. (…) Para mim e Luigi nem sempre era fácil estar horas a ver e rever aqueles western, um após outro, mas efetivamente entre as muitas coisas que retive daquela altura foi apreender a observar. Aquelas visualizações ainda hoje são muito úteis para mim, porque no cinema de Ford há uma sofisticação da imagem que parece ser feita propositadamente para ser desenhada. A utilização de cenas, de personagens um pouco caricaturais, as paisagens gigantescas que se exaltam com a luz e com as cores… se tu és um desenhador são uma benção, sugerem-te realmente muito”. A última parte da história é, no entanto, realizada inteiramente por Calegari, porque entretanto os seus discípulos entraram para a equipa de Nick Raider, para quem Biglia desenha nos anos seguintes histórias de Nizzi, D’Antonio, Manfredi e Ongaro.

A passagem pelo western maduro de Magico Vento (e em seguida uma outra série  manfrediana Shangai Devil) é quase uma escolha obrigatória que permite a Biglia colaborar também com Renato Queirolo, na altura coordenador da série, um encontro que se revela para o autor genovês também fundamental do ponto de vista formativo. Entre o Almanacco del West e “L’ultimo della lista”, a curta história de 32 páginas escrita por Manfredi e por si desenhada para o Color Tex de 2013, passam cerca de vinte anos. Nada de somenos, se considerarmos que um dos principais objetivos de Stefano Biglia sempre foi o de entrar na equipa de desenhadores do ranger mais popular dos fumetti de western, que sempre acompanhou como leitor desde a infância, graças ao seu pai que comprava para ele ler em casa.

Falou a Manfredi da sua candidatura a Tex, enquanto este lhe propunha, ao invés, trabalhar na sua nova série Adam Wild. Numa entrevista[3], Biglia conta como, cheio de esperança, o seu telefonema no escritório milanês se transformou numa peça tragico-cómica, originado pela veia espirituosa que sempre caraterizou o exigentíssimo curador de Tex. Tendo já sido previamente informado por Manfredi do desejo do desenhador em tentar trabalhar com Águia da Noite, no início, de facto, Mauro Boselli fingiu astuciosamente não conhecer Biglia, nem tão pouco o seu trabalho, apesar da sua colaboração com a SBE desde há vinte anos. Cinco minutos depois, um segundo telefonema, desta vez de Boselli a Biglia, informava o angustiado desenhador que o curador e o diretor Marcheselli tinham decidido de comum acordo rejeitar os seus testes… depois, os risos de Boselli acabaram por trair a terrível brincadeira! De facto, o argumento de Manfredi já estava concluído e Biglia é logo convidado a dirigir-se no dia seguinte à via Buonarroti.

Desta vez, devendo dar a sua interpretação pessoal da personagem, o autor genovês estuda antes de tudo as pranchas de Giovanni Ticci e Claudio Villa, para então conferir a Tex os traços que, em pouco tempo, já se tornaram, por sua vez, um clássico para os leitores de Águia da Noite[4]: “Procurei inspirar-me neles partindo do seu trabalho, mas ao mesmo tempo tentando dar a minha visão da personagem, pensando naquilo que eu queria para a sua figura. Queria transmitir a sua segurança, a força, o sentido de proteção que inspira sempre com uma expressão serena, se possível, também nos momentos mais difíceis. Tentei concentrar-me no olhar, na postura, mais do que nas semelhanças com imagens anteriores da personagem. Talvez eu o tenha marcado ainda mais, porque o meu estilo é muito sintético”. Por sua vez, do ponto de vista dos ambientes, a história decorre novamente numa paisagem enevoada, no Nebraska. A abordagem revela-se obviamente diferente relativamente aos seus trabalhos a preto e branco. A ideia inicial era de ele próprio colorir a história a aguarela, mas o desenhador não teve em consideração o curto espaço de tempo que tinha à sua disposição, pelo que as cores acabaram por ser feitas pelo excelente Oscar Celestini. Para os leitores resta o lamento por aqueles detalhes, muitos, que Biglia acrescentaria mais tarde, apenas no momento da colorização. A breve história é realmente um espetáculo visual, ajudado pela soberba colorização, particularmente eficaz, de acordo com Biglia, sobretudo na parte com a neve e nos interiores do hotel.

A chamada para a série regular mensal não tardou a chegar. As 330 pranchas de “I rangers di Lost Valley”, escritas por Mauro Boselli, de facto, já aguardavam pelo regresso de Stefano Biglia das suas breves férias que lhe foram concedidas. Desta vez, trata-se mesmo de uma epopeia western, importante e desafiante, centrada na figura histórica do militar Ranald MacKenzie, conhecido por “Bad Hand”, uma história muito desejada por Sergio Bonelli, grande apaixonado das guerras índias, com os grandes e amplos espaços, nos quais giravam tantas personagens (quando lhe foi apresentada, Boselli fez questão de especificar que não se tratava de uma história banal, mas antes… hercúlea!) e tantos cavalos, que o desenhador deseja tanto desenhar, não o podendo ter feito nas duas histórias anteriores[5]: “Devo agradecer a Enrico Bertocci, alguém que toma café enquanto anda de cavalo. Foi uma boa escola. Com efeito, o cavalo é um animal bastante difícil de compor. É complicado transmitir o dinamismo de um animal que a maior parte das vezes transporta um cavaleiro. Torna-se duro coordenar, sincronizar os movimentos de ambos até que a cavalgada resulte real. Os detalhes são muito importantes e é preciso saber distinguir a montaria e o equipamento, como a sela ou o freio de um determinado período histórico, para que argumento se destina e para que circunstância”. O resultado final são pranchas que recordam os ensinamentos de Ford de filmes como “The Searchers”, de 1956, o western que Biglia mais aprecia, e que não se afastam muito das surpreendentes panorâmicas que um mestre do género, como Ticci, poderia ter ilustrado. Também a documentação fornecida por Boselli revelou-se muito importante, com Biglia a tentar manter-se o mais fiel possível às personagens históricas, particularmente numerosas, que surgem nesta aventura. A maior atenção é dada ao protagonista Ranald MacKenzie[6]. “Inspirei-me na fotografia, na personagem histórica, talvez demasiado, o que se revelou um pouco fraco. Mauro Boselli disse-me para alterar um pouco as conotações e torná-lo talvez intrigante, porque era uma personagem fundamental da saga. Foi um conselho perfeito; ora, sem a sua sugestão, provavelmente ficaria insatisfeito com o que teria feito”.

Numa outra entrevista[7], Biglia precisa de modo ainda mais detalhado o lento e longo trabalho que desenvolveu para se aproximar da interpretação ideal da personagem que todos nós pudemos admirar nos três álbuns: “Fi-lo um pouco desgastado, também porque as fotos eram de um MacKenzie cinquentão. Então, corrigi a personagem no decorrer do trabalho, tentei não me afastar muito do real, mas tornando a personagem todavia mais cativante. Inspirei-me em fotos de Errol Flynn onde tinha um queixo saliente e um bigode aprumado. Depois, havia a documentação sobre Buffalo soldiers, sobre rurales, sobre rangers, os scout seminoles que nunca tinha desenhado”.

Em suma, Stefano Biglia está a descobrir o mundo de Tex a pouco e pouco. Não o afirmamos por acaso, mas também porque a sua última história, ainda em desenvolvimento (provavelmente será publicada em Itália em 2019), é ambientada no início na paisagem familiar mexicana (em Chihuahua), para depois mudar rapidamente, nada menos do que para a exuberante selva da Guatemala. A aventura é escrita por um autor com quem Biglia nunca teve a oportunidade de colaborar, Pasquale Ruju. A antevisão de algumas pranchas, desde já o dizemos que são soberbas, nas quais a verdejante vegetação ocupa lugar preponderante, revelou a participação, sempre bem-vinda, de um dos heróis da série, ligado a Tex por uma profunda amizade. Estamos a falar de Montales, do qual Biglia, sempre na entrevista publicada no livro de Guarino, citado em notas de rodapé, revela a fonte da sua interpretação pessoal: “ao retratá-lo, mais uma vez procurei no mundo do cinema, ou seja, inspirei-me no ator Burt Lancaster tal como surge, manhoso, em “il Gattopardo”, realizado por Luchino Visconti em 1963“.

Das pradarias massacradas à selva caótica, Stefano Biglia confirma-se, assim, como um dos mais importantes e dotados intérpretes do nosso ranger!

[1] Entrevista de Luca Del Savio e Davide Pettani, 2013, www.sergiobonelli.it
[2] Roberto Guarino e Matteo Pollone, “Sentieri di carta nel west”, 2017 , Editore Allagalla
[3] Roberto Guarino e Matteo Pollone, “Sentieri di carta nel west”, 2017 , Editore Allagalla
[4] Entrevista de Francesco Borgoglio, 2016, www.badcomics.it
[5] Entrevista de Francesco Borgoglio, 2016, www.badcomics.it
[6] Idem
[7] Roberto Guarino e Matteo Pollone, “Sentieri di carta nel west”, 2017 , Editore Allagalla

* Texto de Sandro Palmas publicado originalmente na Revista nº 7 do Clube Tex Portugal, de Dezembro de 2017.

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As CAPAS do Especial Tex Willer #2 (com a participação de Sam Willer, o irmão de Tex) e Especial Tex Willer #3 (com o encontro de Tex e Zagor); Mythos Editora – Outubro

Para gáudio de muitos e para surpresa de outros tantos, a Mythos Editora de uma só ‘tacada’ vai publicar durante este mês de Outubro, as edições “Especial Tex Willer #2” e “Especial Tex Willer #3“, depois de ter publicado em Dezembro de 2020 o “Especial Tex Willer #1“. Ambos os volumes da nova série Especial dedicada ao jovem Tex e que traz as aventuras de Tex quando ele ainda era um fora-da-lei, conterão 128 páginas a preto & branco no já clássico formato bonelliano.

O segundo Especial da nova publicação Tex Willer, Um Homem Pacato concede todo o espaço da aventura a uma personagem que poucas vezes teve o seu protagonismo, Sam Willer, o irmão de Tex:

Nem todos nascem para ser duros. Nem todos nascem para ser justiceiros. Nem todos nascem para enfrentar os corruptos, os poderes estabelecidos, os foras-da-lei. Mas nem só destes heróis reza o Velho Oeste, pois aqueles que trabalham arduamente e dedicam jornadas a fio ao seu rancho e a trabalhar em algo que é seu, são também verdadeiros heróis, sobretudo em Nueces Valley, onde a vida é dura desde o nascer até ao pôr do sol. Sam Willer é um destes homens. Um homem pacato! Sem a irreverência do seu irmão mais velho Tex, também ele é um homem da Fronteira e, se decidido a lutar por aquilo que é seu, também ele prova ser um homem da têmpera dos Willer.

Tex Willer Especial 2 – Capa de Maurizio Dotti

No Especial Tex Willer #3 teremos uma história onde pela primeira vez se encontrarão Tex Willer e Zagor. Intitulada Encontro de Heróis, a história foi escrita por Mauro Boselli e desenhada por Alessandro Piccinelli, sendo a capa realizada por Maurizio Dotti.

Nas selvagens Texas Hills, do Texas, no coração da Comancheria, não obstante as boas intenções do agente índio Bob Neighbors, está em curso uma batalha entre os Comanches de Peta Nocona e Buffalo Hump e os Texas Rangers guiados por Rip Ford. Quando a esposa de Peta Nocona, mãe do jovem  Quanah Parker, é sequestrada pelos texanos, o ranger renegado Adam Crane chama em seu auxílio o seu irmão de sangue, que veio ao Texas para vingar um amigo.
Mais uma vez ao lado dos índios, que arriscam perder as suas terras, Za-gor-te-nay opõe-se desesperadamente ao inevitável curso da História. Mas, enfrentando equivocadamente um jovem ranger que se revela um fora-da-lei em fuga, Zagor descobre nele um novo e inesperado aliado…
Talvez nem tudo esteja perdido para os Comanches, se, ao lado do Espírito da Machadinha estiver também Tex Willer!

Tex Willer Especial 3 – Capa de Maurizio Dotti

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A ÚLTIMA (nº 120) Capa de Tex Ouro

Tex Ouro, a série (mythosiana) de Tex iniciada em 2002 (com a história ‘Cheyenne Club‘) com periodicidade bimestral e que republica histórias completas da fase dourada do Ranger mais famoso do Oeste, com roteiros de G. L. Bonelli, C.Nizzi e Sergio Bonelli e com desenhos de Fusco, Galep, Monti, Ticci, Letteri, Villa e outros, chega ao fim em Novembro de 2022, após 120 números com capa e lombada dourada que deram o tom peculiar nesta série de republicações.

Capa de Tex Ouro nº 120 – ‘Nas Garras do Tigre’ (ilustração de capa da autoria de Claudio Villa)

E uma série de ouro teria de encerrar com uma história de ouro: “Nas Garras do Tigre“, aventura que decorre no ambiente clássico de uma grande cidade como São Francisco, aqui se juntando o ambiente sempre misterioso da sua Chinatown, palcos onde o Tigre Negro consegue mais uma vez estender o seu controlo tentacular. Tex e Carson, após uma massacrante viagem de comboio, mas que não inibiu o velho resmungão de vir sempre a dormir, “mas só com um olho”, vão em ajuda do seu velho amigo Tom Devlin, que não tem tido êxito na sua luta contra uma onda de recentes crimes.

Esboço de Andrea Venturi para a 2ª tira da página 197 da aventura ‘Nas Garras do Tigre’

O Tigre Negro começa a estender o seu poder às casas de jogo, não com o intuito da riqueza, mas com o firme objetivo da vingança contra “os cães brancos que lhe usurparam o poder”. E para isso vai utilizar uma arma mais dissimulada para atingir os seus fins, o ópio. Inundar a cidade e propagar esta droga entre os brancos, debilitando os seus cérebros e com isso a sua vontade própria, conduzindo-os à ruína. É o regresso deste inimigo em toda a sua plenitude, com toda a força, com todo o poder, com toda a sua loucura.

Tex Ouro nº 120 – ‘Nas Garras do Tigre’

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