A Porta de Águia da Noite no Parque da Banda Desenhada em Roma
No bairro romano de Mezzocammino foi construído em 2009 oPARQUE DA BANDA DESENHADA, onde cada rua, cada edifício, tem o nome de um autor ou de uma personagem da banda desenhada italiana. Incluindo as portas de entrada, uma das quais foi agora inaugurada e baptizada de Águia da Noite
Vídeo de Patrizia Artemisio e fotos de Patrizia Artemisio e SBE
A Porta de Águia da Noite no “Parco dei Fumetti”, em Roma
A inauguração do Parco dei Fumetti (Parque da Banda Desenhada) remonta a Agosto de 2009, uma grande área verde localizada no bairro romano de Torrino-Mezzocammino.Ao longo dos anos o parque foi crescendo e completando-se, com a abertura de novas áreas, edifícios e actividades.Como o nome sugere, cada área do parque tem o nome de uma personagem ou autor de banda desenhada, assim como os prédios públicos que surgem dentro do perímetro da área e todas as entradas do parque.
O Presidente Maurizio Nicastro, grande fã de Tex, inaugura a Porta Águia da Noite
O discurso de inauguração do Presidente Maurizio Nicastro aquando da abertura oficial da Porta Águia da Noite
Nestas nossas páginas do Tex Willer Blog já falamos sobre o Parco dei Fumetti em mais de uma ocasião, porque há vários Heróis Bonellianos a quem são dedicadas as portas de entrada do parque e são muitos os autores da Sergio Bonelli Editore a quem foram dados os nomes às ruas que percorrem a área, de G.L. Bonelli a Hugo Pratt, de Jacovitti a tantos outros… em 2014 anova escola primáriaconstruída no bairro também recebeu o nome de Sergio Bonelli, enquanto no interior do parque há uma quadra de ténis de praia com o nome do próprio Sergio Bonelli e uma quadra de voleibol de praia com o nome de Decio Canzio.
Um momento da Cerimónia de Inauguração da porta Águia da Noite
Quadra de ténis de praia com o nome do próprio Sergio Bonelli e quadra de voleibol de praia com o nome de Decio Canzio
Desta vez a notícia é a abertura da Porta Águia da Noite, que decorreu com uma cerimónia pública no passado dia 2 de Junho, que se junta assim às portas com os nomes de Tex, Kit Carson e Tiger Jack inauguradas entre 2014 e 2015 para completar aquilo que para todos os efeitos é um “parque dentro do parque“,com uma pequena praça e uma estátua comemorativa de Tex com o seu fiel cavalo Dinamite ao centro.
Estátua de Tex Willer e Dinamite
A belíssima Porta de Águia da Noite ao final do dia
Embora não seja um destino “canónico”, o Parco dei Fumetti fortemente desejado pelo Presidente do Consórcio Unitário Torrino-Mezzocammino,Maurizio Nicastro não pode faltar nas peregrinações dos amantes da banda desenhada, em especial fãs de Tex, que podem passar um dia rodeado de nomes que sempre os fizeram sonhar…
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Segue-se em vídeo, parte do discurso de inauguração de Maurizio Nicastro:
A 3 de Julho será publicada, em Itália, TEX EXTRA, uma nova “colecção” que republicará a primeira grande aventura do jovem Tex Willer. Uma aventura que será dividida em três edições mensais de 80 páginas e cuja história será “O magnífico fora da lei” (“Il magnifico fuorilegge“, no original) de Mauro Boselli (argumentos) e Stefano Andreucci(desenhos) publicada originalmente no Tex Gigante nº 32 e que está completamente esgotado em Itália.
Será uma edição especial, ou melhor três edições (mensais), para este Verão, cujo primeiro título é “La città dei fuorilegge” (“A cidade dos fora da lei“). Será em preto e branco e no formato da série Tex Willer (16×21 cm) e conterá duas páginas inéditas, alguns esboços, novos textos redactoriais e ainda três capas inéditas, todas da autoria de Maurizio Dotti.
“O magnífico fora da lei” é um passo fundamental na reconstrução da biografia de Tex, daí considerarmos a reedição como sendo uma iniciativa muito importante e há que elogiar o responsável pela ideia, o curador Mauro Boselli que instado a comentar esta iniciativa disse: “A reedição de “O magnífico fora da lei“, corrigida e revisada, no formato Tex Willer, foi uma ideia minha e terá novas capas de Dotti, pelo que não pode ser considerada uma simples reimpressão, como acontece com outras séries de Tex.“
Uma belíssima história da juventude de Tex, com relevo para o primeiro encontro de Tex com Cochise, o famoso chefe dos índios Apaches e que se tornou irmão se sangue do Ranger: Audacioso e solitário, caçado pela lei, Tex cavalga com o seu fiel Dinamite pelos montes selvagens do Arizona. Enquanto procura livrar-se de uma acusação falsa, ele vai desbaratar quadrilhas inteiras de bandidos e comancheros, vai salvar donzelas em perigo!
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Jornal i Texto da secção “Leitor de BD“, de 21/06/2021 Ricardo António Alves
Tex levanta problemas
A narrativa é poderosa, encorpada, sem palha, fugindo aos lugares-comuns, mesmo que aqui e ali possa incorrer em algum anacronismo.
Passada a fase do saque, escravização e evangelização forçada dos primeiros séculos pelos conquistadores europeus, a atitude genérica em face dos nativos do continente americano passou a ser a da submissão. De preferência com pazes feitas e tratados assinados, naturalmente obliterados à primeira necessidade ou conveniência, pois a colonização a tal obrigava. A partir do século XIX, o Euromundo triunfante começou a pretender “civilizá-los”, desconhecendo ou desdenhando das culturas autóctones de forma profunda, sempre complexas, umas delicadas, outras nem por isso.
Foi apesar de tudo um progresso: deixou de considerar-se o outro como desigual, não sendo mais eticamente tolerável uma prática de tiro ao índio, visto como selvagem irredutível, ou mesmo semi-homem.
No entanto, à medida que essas sociedades foram sendo estudadas, ganhava peso, a partir de meados do século passado, uma outra perspectiva, de sinal oposto: os “índios” deveriam ser deixados intocados, à margem do resto da humanidade, descontaminados da dinâmica das sociedades do “homem branco”. Mesmo que bem intencionada, vamos admitir, essa posição, que ainda hoje vence em largos sectores da academia, não apenas pretende parar o vento com as mãos, sendo por isso inútil, como se arroga um outro tipo de superioridade, como se as tribos ali estivessem como sujeitos de observação laboratorial, redundando numa espécie de paternalismo do avesso.
Esta questão maior – que na literatura portuguesa é tratada com equilíbrio por Ferreira de Castro no seu último romance, O Instinto Supremo (1968) – surge-nos com acuidade no livro de hoje, uma narrativa de Tex, intitulada Patagónia. O ranger, que é simultaneamente chefe navajo, com o nome de Águia-da-Noite, é chamado por um amigo argentino, militar que conhecera no México, e que no seu país pertence a uma das facções que se digladiam, também quanto ao tratamento reservado aos povos nativos: o diálogo, trazendo-os à “civilização”, ou as expedições punitivas contra os insubmissos, neste caso uma parte da tribo pehuenche, pertencentes à nação mapuche.
Trata-se de uma obra maior dos fumetti, os quadradinhos italianos, e um encontro entre um senhor argumentista, Mauro Boselli (Milão, 1953) e um dos grandes desenhadores da BD europeia da actualidade, Pasquale Frisenda (Milão, 1970), resultando num enlace perfeito. A narrativa é poderosa, encorpada, sem palha, fugindo aos lugares-comuns, mesmo que aqui e ali possa incorrer em algum anacronismo, surgindo Tex como personagem densa, sempre guiado pela ética, mas mais rugoso (mais verosímil…), Frisenda, extraordinário no preto e branco como no sfumato, fez uma estupenda leitura gráfica do texto de Boselli, valorizando a trama. O início, o assalto a um fortim, e o fim, uma espécie de Termópilas nas pampas, têm um gosto épico que se guarda na memória. No conjunto, um livro para saborear, vagarosamente.
Por vezes, para chegar à realização de uma capa, neste caso de Tex Willer (a série dedicada ao jovem Tex e que traz as aventuras de Tex quando ele ainda era um fora-da-lei!), o capista tem de recorrer a diversos esboços até chegar à ilustração pretendida e que se tornará a capa definitiva.
Tal aconteceu uma vez mais com a edição número 31 de Tex Willer, publicado no passado mês de Maio, cuja capa, como todas até ao presente, é da autoria de Maurizio Dotti, com a particularidade de Dotti ter feito seteesboços diferentes até dar-se por satisfeito, como poderemos ver de seguida, já que vamos dar conhecimento aos nossos leitores de todos os sete esboços realizados por Maurizio Dotti, assim como da arte a lápis, da arte a tinta da china e da capa original pintada igualmente por Maurizio Dotti.
Primeiro esboço para a capa de Tex Willer #31, da autoria de Maurizio Dotti
Segundo esboço para a capa de Tex Willer #31, da autoria de Maurizio Dotti
Terceiro esboço para a capa de Tex Willer #31, da autoria de Maurizio Dotti
Quarto esboço para a capa de Tex Willer #31, da autoria de Maurizio Dotti
Quinto esboço para a capa de Tex Willer #31, da autoria de Maurizio Dotti
Sexto esboço, o eleito, para a capa de Tex Willer #31, da autoria de Maurizio Dotti
Sétimo esboço para a capa de Tex Willer #31, da autoria de Maurizio Dotti
Arte original a lápis para a capa de Tex Willer #31, da autoria de Maurizio Dotti
Arte final a tinta da china da capa de Tex Willer #31, da autoria de Maurizio Dotti
Ilustração para a capa de Tex Willer #31, com as cores originais de Maurizio Dotti
Capa de Tex Willer #31 – Lo Sciamano dei Crow
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“The searchers” – “Rastros de Ódio” (Brasil), “A Desaparecida” (Portugal) – Jeffrey Hunter e John Wayne
Um cavaleiro e Tex por Laura Zuccheri
Laura Zuccheri inspirou-se numa cena do filme “The searchers” (“Sentieri selvaggi”, título na Itália; “Rastros de Ódio”, no Brasil; “A Desaparecida”, em Portugal; “La Prisonnière du désert”, em França) ao realizar a ilustração deum cavaleiro e Tex juntos.
No filme, dirigido por John Ford, Jeffrey Stunter e John Wayne interpretam, respectivamente, os personagens Martin Pawley e Ethan Edwards; na ilustração de Laura Zuccheri, os actores são substituídos, respectivamente, por um cavaleiro e pelo ranger Tex Willer.
O artigo com a ilustração dos dois cavaleiros do faroeste e a biografia de Laura Zuccheri, ilustradora, pintora, desenhadora e banda desenhista, foi publicadoAQUI no Tex Willer Blog.
“Rastros de Ódio” (“The searchers”, 1956)
É a obra-prima de John Ford. A revista “New York” considerou-o o mais influente filme americano de todos os tempos. O filme foi homenageado por Wim Wenders em “Paris, Texas” e por Martin Scorsese em “Taxi Driver“. “Rastros de Ódio” tem interpretações pulsantes e diálogos antológicos. É uma obra cheia de camadas, talvez seja o filme a que mais vezes assisti na vida; cada vez que o vejo de novo descubro coisas diferentes. Quando “Cidade Baixa“, o meu primeiro longa, foi lançado em Londres, fui convidado por um jornalista do “Daily Telegraph” a participar da coluna Filmmakers on Film, na qual directores falam do seu filme preferido. Eu escolhi “Rastros de Ódio“, que também era o favorito do jornalista. Para comemorar a coincidência, ele convidou-me para fazer um tour pela “cidade baixa” londrina. Sérgio Machado– Cineasta
Westerns. Cinema Americano por Excelência
“Rastros de Ódio”/“The searchers”, EUA, 1956, 119 minutos Dirigido por John Ford Com John Wayne, Jeffrey Hunter, Vera Miles e grande elenco
O centésimo décimo quinto título da filmografia de John Ford é a mais complexa das suas realizações. Extraído de um romance de Alan Le May, “Rastros de Ódio” acompanha a saga obsessiva de um perdedor amargurado que não acredita em rendições. John Wayne, na nona parceria com John Ford, é Ethan Edwards, o texano desgarrado. Derrotado na Guerra de Secessão, ele volta, qual “irmão pródigo”, ao convívio dos seus depois de vagar pelo México. Um ataque dos comanches arranca de Ethan quase toda a família, inclusive a cunhada Martha (Dorothy Jordan), a quem secretamente amou antes de se alistar nas forças confederadas. Sobrevive apenas a sobrinha Debbie (Lana Wood e Natalie Wood), de aproximadamente 10 anos, raptada.
Uma jornada de reconhecimento e perda da alma, com duração aproximada de cinco anos — pontuada de idas e vindas na companhia do sobrinho torto, o mestiço Martin Pawley (Jeffrey Hunter) —, leva o individualista e racista Ethan a uma incansável e interminável procura pelo seu único laço de sangue. O personagem é um equivalente a Ulisses. Mas ao contrário do personagem de Homero, não terá casa ou mulher para voltar. Como se fosse a contra-face do comanche morto que ele profanou e amaldiçoou, ele está condenado a vagar sem rumo certo, entre o vento e a poeira.
Desprestigiado no lançamento, “Rastros de Ódio” ganhou reconhecimento com a passagem dos anos. Entre os primeiros a enaltecer esse filme está o crítico brasileiro Antônio Moniz Viana. Hoje, conta com fãs ardorosos: Martin Scorsese, Paul Schrader, Steven Spielberg, Curtis Hanson, John Milius, Brian De Palma, Clint Eastwood, Jean-Luc Godard, Wim Wenders, George Lucas, além dos falecidos Lindsay Anderson e Akira Kurosawa.
É o mais complexo dos westerns, protagonizado por um John Wayne assustador, como nunca se viu. Esse actor, tão desvalorizado, tem como Ethan Edwards um dos grandes papéis do cinema. O cenário preferido de John Ford, o Monument Valley, originalmente captado em Technicolor e VistaVision pelas lentes de Winton C. Hoch, assume o posto de locação das mais emblemáticas do cinema. Não é um mero pano de fundo ao desenvolvimento da acção. É cenário vivo, espelho revelador da alma atormentada de Ethan. José Eugênio Guimarães – Cinéfilo
The searchers – John Wayne e Jeffrey Hunter; Warner Bros – 1956 & Blueberry – Ballade pour un cercueil – Charlier e Giraud; Dargaud – 1974
The Searchers – John Wayne e Jeffrey Hunter; Warner Bros – 1956
“Ballade pour un cercueil”
Jean Giraud realizou a capa de “Ballade pour un cercueil” (“Balada para um Caixão“), álbum publicado em 1974 pela editora Dargaud, inspirado numa cena de “The searchers” (“Rastros de Ódio”, título no Brasil; “A Desaparecida”, em Portugal; “La prisonnière du désert“, em França), filme de John Ford, lançado em 1956, com John Wayne (Ethan Edwards) e Jeffrey Hunter (Martin Pawley) na pista dos Comanches, que haviam raptado duas sobrinhas de Ethan, das quais sobreviveu Debbie Edwards, interpretada por Natalie Wood. Na ilustração da capa do volume 15 de “Blueberry”, Mike Blueberry ocupa do lugar de John Wayne e Jimmy Mc Clure aquele de Jeffrey Hunter.
Fontes Textos: * “Rastros de Ódio” (“The searchers“, 1956), Sérgio Machado, em O cineasta Sérgio Machado elege os 10 melhores filmes do ‘contraditório e complexo’ John Ford. O Globo, Cultura. * “Rastros de Ódio” – “The searchers”, José Eugênio Guimarães, em Westerns. Cinema Americano por Excelência. Centro de Artes da Universidade Federal Fluminense – UFF, blog Cine Arte UFF. * “Ballade pour un cercueil” em Inspirações de Charlier e de Giraud para “Blueberry”, artigo do blogue Blueberry. Imagens: *A ilustração de um cavaleiro e Tex, cavaleiros do faroeste: Laura Zuccheri. *Do filme “The searchers” (“Rastros de Ódio”): divulgação.