Silvyo Roberto, um dos maiores colecionadores brasileiros de banda desenhada e um dos maiores especialistas da Nona Arte no Brasil, residente em Fortaleza e com 74 anos de idade, entrou em contacto com o Tex Willer Blog para dar a conhecer uma verdadeira pérola texiana com várias décadas e que até hoje nunca se tinha ouvido falar, muito menos visto: EXEMPLARES DE TEX EM TIRAS, ORIUNDOS DE PORTUGAL.
Silvyo Roberto possui mais de 100 exemplares, no chamado formato de tiras ou talão de cheques, mas com a particularidade de, segundo constam nas próprias edições, serem oriundos de Portugal, conforme se podem ver em diversas fotografias que publicamos a ilustrar este texto. As edições não são datadas nos respetivos expedientes, mas Silvyo Roberto já as tem na sua posse deste um pouco antes de 1995, data essa em que abriu uma comic shop.
Trata-se de uma verdadeira bomba, já que nunca houve a mínima suspeita que houvesse alguma ligação das chamadas ‘Tiras de Tex’ a Portugal, ainda mais com mais de uma centena de edições. Há conhecimento de edições semelhantes espanholas, mas edição portuguesa desconhecia-se de todo.
Para adensar o mistério pesquisou-se várias bases de BD e esta coleção do Tex não aparece em nenhuma delas, não havendo também qualquer referência a uma editora Midesa, mas apenas a uma distribuidora com esse nome.
Outro pormenor que chama à atenção é o facto dos créditos das capas serem maioritariamente em nome do Claudio Villa, cuja primeira capa de Tex de sua autoria na Itália (Tex #401) ser datada de Março de 1994. O nome de Aurelio Galleppini também aparece mal grafado, pormenores que podiam ser reais, porque na época não havia grande cuidado com esses pormenores.
A realidade é que é uma coleção bem feita, que com o desgastar do tempo fez com que os agrafes ganhassem alguma ferrugem, com imperfeições nas capas… que fazem com que pareça que não seja uma falsificação mais recente, para além do facto de estarem na posse do Silvyo Roberto há mais de 3 décadas. Resta saber se foi edição única ou se teve uma tiragem maior.
Se alguém tiver mais informações sobre esta coleção portuguesa pode fazer o favor de deixá-las nos comentários deste texto. Ao mesmo tempo o colecionador Silvyo Roberto está à disposição para nos dar mais informações e fotos em caso de interesse por parte dos nossos leitores.
De seguida vamos focar-nos mais pormenorizadamente numa das edições, no caso ‘A Lei da Faca’ (Edição nº 109), através de um relatório de pesquisa histórica e editorial no formato de texto, mas também no formato áudio:















Muito bom, Zeca.
Parabéns.
Que notícia fantástica e exclusiva divulgada pelo blogue do Tex Portugal. Coleciono Tex há quase 50 anos e desconhecia essa raridade. Parabéns Silvyo por esta belíssima coleção. Parabéns Zeca pela exclusividade da notícia. Nosso ranger tem muita história a contar!!
Eita! Realmente é algo raro!
Silvyo, também moro em Fortaleza e sou colecionador de Tex há várias décadas.
Parabéns, pard!
Parecem ser uma falsificação.
Apesar de apresentar sinais do tempo.
Nunca ouvi sequer falar desta colecção.
E com mais de 100 números teria deixado algum rastro ao longo do tempo. Mesmo que a tiragem fosse reduzida.
E aí José Carlos Francisco está pertinho de ti, adquira-os para o seu acervo, pois nunca tinha visto nada sobre elas.
Me chama a atenção que os desenhos da capa são de Villa, como então estas revistas podem ser antigas?
A história é divertida e aguça a curiosidade dos colecionadores. Porém, eu não conheço o mercado editorial português (menos ainda o das décadas de 1960-1970), mas acho quase impossível que uma coleção que atingiu pelo menos o número 109 tenha desaparecido, sem que nenhum exemplar nunca tivesse aparecido antes. E não vejo sentido em lançar uma coleção em formato tiras nos anos 70, se Tex já circulava na época em Portugal em um formato muito mais adequado ao mercado editoral de então. Logo, eu ainda preciso ser convencido que essa coleção existiu. Que os exemplares existem, é evidente, pois o colecionador Sylvio os possui e foi publicitado via Blog do Tex. Mas pode ser uma fraude, uma produção caseira sabe-se lá com qual finalidade e que a ele foi oferecida ou chegou às mãos também não se sabe em detalhes como isso aconteceu.
Uma outra coisa: a análise feita da “lei da faca” a compara com a coleção do Tex da Vecchi (que seria da mesma época), mas essa coleção (se existiu) tem muito mais a ver com a do Texas Kid, dos anos 1950, publicada pela RGE.
E por fim: a indicação da capa do Claudio Villa é um dos indícios de ser uma fraude. Um gibi dos anos 1970 não poderia citá-lo como capista.
Um belo natal a todos e um 2026 com muitas alegrias.
Talvez o Zeca consiga alguma informação com o mestre Claudio Villa. Ele poderia confirmar se, em algum momento, desenhou capas para Tex em tiras. Sabemos que iniciou a carreira na Bonelli a partir de 1982. E o Silvyo adquiriu essa coleção em 1995.
Oi, Nilson, tudo bem? Em 1995 abri minha comic shop e já tinha esse material
O mais difícil para muitos colecionadores vai ser admitir: “eu não tenho, eu não conhecia”. É preciso uma humildade que está rara nos dias de hoje.
Peço licença para tecer alguns comentários, uma breve reflexão de um leigo no assunto.
Primeira hipótese:
Silvyo criou exemplares falsos. Totalmente descabida, principalmente por ele ser respeitado no meio como um cidadão íntegro, que não tem muitos admiradores apenas porque valoriza o patrimônio que possui, não vende preciosidades a preço de banana. A qualidade de sua índole é inegável na sociedade, o que descarta logo essa hipótese.
Segunda hipótese:
Alguém falsifica mais de cem exemplares de uma revista apenas para vender ao Silvyo no século passado. Ele então deixa dentro de uma caixa por mais de 30 anos. O que essa pessoa ganharia? Nada, apenas o título de tolo! Quem falsifica, usualmente quer fama, quer enganar pessoas e ficar rico, algo que não condiz ao vender para um colecionador, provavelmente por um preço módico, uma coleção que ficou décadas sem ver a luz do sol. Hipótese descabida de lógica.
Terceira hipótese:
Uma editora de pequeno porte resolve, nos anos 70 ou 80, não se sabe ao certo, criar edições em quadrinhos de baixíssimo custo para um público de baixa renda. A proposta seria uma diversão de consumo rápido a preço irrisório, o que torna os exemplares praticamente descartáveis. Os consumidores usuais de quadrinhos na época podem ter considerado esta edição como algo inferior, sem valor colecionável, o que contribuiu para “cair no esquecimento”.
E agora, o que fazer?
Sugestão lógica é pedir aos amigos portugueses para tentarem contatar funcionários desta editora que ainda estejam vivos, familiares ou pessoas que residiam próximo da empresa. Se houver uma busca com um objetivo específico, é possível encontrar alguma informação.
Conclusão de um leigo curioso:
Penso se tratar de uma descoberta sensacional, ao ponto de que estes exemplares não podem ser avaliados. Por enquanto, se Silvyo quiser vender um exemplar, será em livre negociação. Se for a um leilão… bem aí vem o ditado… “o céu é o limite”, principalmente quando se fala de colecionadores das aventuras de Tex Willer!
Resta uma certeza, a meu ver absoluta… a partir de agora nenhuma coleção de Tex será completa sem um destes exemplares!
Analisando, pelas fotos apenas, essas edições parecem uma espécie de “fanzine” (muito comuns nos anos 80/90), até a qualidade da composição e a da impressão remetem a isso…
Eu nunca vi estas tiras e nessa altura eu corria tudo o que eram tabacarias e alfarrabistas à procura de livros Tex.
O que mais me intriga nesse caso, são se as aventuras condizem com a produção oficial? se são estórias que foram criadas pela Bonelli? em algum momento e montadas nessas edições? E a editora portuguesa “MIDESA”, que aparece ali na contra-capa, existe ou existiu?
Também penso que seja Fanzine. Têm “pinta” do formato. De qualquer forma, não deixam de ser um grande e curioso garimpo.
✨ A descoberta de novos exemplares de Tex em Fortaleza – Ceará – Brasil, publicados em formato de talonário, é quase como encontrar um tesouro escondido no velho Oeste — mas desta vez em pleno coração do Ceará. Esse formato peculiar, que lembra blocos de notas ou carnês, confere às aventuras do ranger um charme inesperado: é como se cada página fosse um bilhete secreto para cavalgar ao lado de Tex Willer pelas pradarias infinitas.
Para os colecionadores e apaixonados pela mítica saga italiana, esse lançamento em Lisboa não é apenas uma curiosidade editorial, mas um convite irresistível a revisitar o herói sob uma nova roupagem. O talonário transforma a leitura em experiência tátil e visual diferente, quase artesanal, que reforça o caráter mítico e atemporal das histórias.
Em tempos de formatos digitais e edições convencionais, ver Tex surgir em talonário é um sopro de ousadia editorial — uma ponte entre tradição e inovação, que instiga tanto o leitor veterano quanto o curioso que se deixa seduzir pelo inesperado..
Olá. A empresa Midesa existiu e foi sediada em Boliqueime, Algarve. A sua principal actividade comercial foi a distribuição de publicações. Relativamente às publicações aqui apresentadas, elas existiram e eram vendidas em quiosques. Não são fanzines. Apesar de não terem periodicidade, não foram produzidas por amadores.
Segundo informação que encontrei em diversos registos, está empresa foi fundada em 1986 e publicava diversos materiais. Teve diversos escritórios e endereços. Creio que tenha sido adquirida por outra empresa do ramo da distribuição de publicações.
Terá sido a Agência Portuguesa de Revistas?
Eu lembro-me de ver isso à venda em quiosques, mas nunca comprei.