De Dorival Vitor Lopes, editor brasileiro de TEX e demais personagens Bonelli publicados pela Mythos Editora, recebemos, ontem, 11 de Dezembro, na forma de comentário (à relação dos lançamentos Bonelli/Mythos para 2024) diversos esclarecimentos, que de tão importantes (desde cancelamentos de algumas séries e personagens ao futuro da Mythos Editora) merecem um destaque especial de modo a que todos os nossos leitores possam tomar conhecimento
Dorival Vitor Lopes, editor da Mythos
Pessoal, garanto que ninguém está mais triste do que eu com esses cancelamentos. Acreditem, eu estou TRISTE, DECEPCIONADO, ARRASADO. Só que não sou o patrão, não sou eu quem mando, é o LEITOR. Se ele não quer mais determinada revista, e demonstra isso parando de comprar, eu tenho que parar de fazer. É simples assim. Eu não dou tiro no pé, até porque nunca toquei numa arma. Sem perceber, o leitor tem uma boa parcela de culpa nisso tudo. Cada vez mais ele exige revistas excelentes, preços baixos, descontos cada vez maiores, frete grátis… O leitor está cada vez mais exigente (e não há nenhum mal nisso, é direito do consumidor), mas para tudo tem que haver parcimônia, boa vontade, compreensão… tudo tem que ter limite. Qualquer negócio só é bom quando é bom para os dois lados. Mas o leitor quer espremer o editor ao máximo. Muitos pararam de comprar as revistar para esperar descontos maiores, e com essa atitude mataram as revistas. Notamos que hoje em dia o leitor deixa de comprar uma revista pelos motivos mais fúteis sem se dar conta de que está acabando com a publicação.
O editor faz as revistas para o público, para os leitores e fãs, então são os leitores que mantêm a editora funcionando, mas muitos não têm consciência disso e asfixiam o editor. Sem editor, sem revistas. E quem acha que as editoras que usam o Catarse podem substituir a Mythos não sabem do que falam. Pra começar, com a Mythos as revistas saem todos os meses, ou a cada dois ou três meses. Pelo Catarse os lançamentos são muito mais espaçados e irregulares. Além disso, por mais que esse pessoal seja esforçado, e eu tenho grande admiração pelo esforço deles, nenhum tem a experiência e o conhecimento de nós da Mythos. Nossa qualidade editorial é inigualável, e ninguém jamais tratou os personagens Bonelli (e outros) com o respeito e o carinho com que a Mythos trata. Peço a esses novos editores que tenham consciência e passem o trabalho para quem sabe fazer. NÃO MALTRATEM NOSSOS HERÓIS. Não adianta caprichar na parte gráfica e fazer uma tradução ruim, cheia de erros, e um letreiramento sofrível, como tem acontecido muitas vezes. Podem até usar nossos profissionais, eles são os MELHORES do ramo. Foram muito bem treinados por nós da Mythos.
E não se enganem, A MYTHOS NÃO ACABOU E NEM ACABARÁ. Reduzimos a velocidade este ano, mas se Deus (e o leitor) quiser, voltaremos com tudo muito em breve, retomando as coleções paradas. Nada nos impede de fazer um outro contrato daqui a uns meses e retomar nossa produção a todo vapor. Aguardem-nos.
Um feliz Natal e um próspero Ano-Novo a todos vocês, meus queridos amigos!
Em Abril do próximo ano a Mythos Editora publicará o segundo número de “Tex Grandes Mestres” que será dedicado a Giovanni Ticci.
Giovanni Ticci
Por Mário João Marques
Em janeiro de 1967, na série Rodeo de Tex (a última série das strisce), começou a ser publicada a aventura Vendetta indiana, oportunidade para os leitores descobrirem um novo desenhador, Giovanni Ticci, que apresentava um estilo vigoroso e um Tex com uma expressão mais de acordo com o caráter determinado que lhe conferiu o seu criador Gianluigi Bonelli. Um desenhador que conseguia exprimir e caraterizar na perfeição os ambientes do velho oeste, conseguindo uma interpretação dos grandes espaços da Fronteira, que vinha inovar o que até então tinha sido feito. Um desenhador que, conforme foi posteriormente sendo comprovado, ao longo da sua carreira soube sempre estar em harmonia com o seu tempo, soube sempre evoluir, podendo afirmar-se que, enquanto o traço e as caraterísticas de muitos desenhadores foram ficando datados, com Ticci aconteceu precisamente o contrário, sendo ainda hoje considerado como modelo e inspiração a seguir por muitos desenhadores.
Desenho de Tex autografado por Giovanni Ticci
Giovanni Ticci nasceu em Siena, em 1940, e desde muito jovem começou a trabalhar na banda desenhada. Iniciou-se no estúdio de Roy D’Amy, onde trabalhou ao lado de nomes como Sergio Tuis, Renzo Calegari, Gino D’Antonio, Giorgio Trevisan, Aldo Di Genaro ou Ferdinando Tacconi. Mais tarde, começa a colaborar com outro grande nome italiano, Franco Bignotti, em séries destinadas ao mercado inglês, culminando em 1960 com a série Un ragazzo nel Far West, com argumentos de Guido Nolitta e sucessivamente de Gianluigi Bonelli. Ticci preparava-se para deixar o desenho e ingressar na banca, por isso, conhecedor do talento do jovem, foi o próprio Bignotti que pediu a Ticci que o ajudasse, o que veio a acontecer de modo mais evidente a partir do terceiro número, passando na altura ambos a assinar com um pseudónimo expressamente inventado: Bignoticci. De 1960 a 1966 trabalha com Alberto Giolitti, cujo estilo vai influenciar Ticci nos primeiros anos, mantendo-se entre ambos não só uma estreita colaboração profissional, como sobretudo uma sincera amizade e um relacionamento humano muito profundo. Até que chega o momento em que Sergio Bonelli convida Ticci para trabalhar em exclusivo numa nova personagem, Judok (escrita por Gianluigi Bonelli), dando-lhe total liberdade para a criação fisionómica e dos ambientes. No entanto, Ticci nunca terá um ritmo rápido, o que desagrada a Sergio Bonelli, que mesmo assim vê no jovem desenhador suficientes potencialidades para trabalhar numa série como Tex.
Giovanni Ticci
Apesar das reticências iniciais de alguns apaixonados, habituados ao realismo puro da banda desenhada italiana do pós-guerra, Ticci torna-se rapidamente num dos mais amados desenhadores de sempre, conferindo ao herói um rosto e uma expressividade inolvidável que veio a inspirar quase tudo e quase todos, mais de acordo com o caráter e a psicologia da personagem bonelliana. O Tex de Ticci atravessou gerações e consolidou a sua imagem, um ranger incisivo de traços marcantes, um Tex altivo, pujante, elegante, um misto de força e energia, atuante em cenários de múltiplos e amplos horizontes, pradarias, canyons e pueblos, compondo toda uma estética e uma diversidade de imagens cinematográficas que marcaram gerações de leitores. Roy D’Amy ensinou que uma boa história deveria ser entendida sem ser necessário ler as suas legendas. Conhecendo a expressividade patente no desenho de Ticci, que desde muito cedo soube ampliar e exponenciar graficamente as potencialidades narrativas dos ambientes do western e da Fronteira, nunca semelhantes palavras fizeram tanto sentido.
Giovanni Ticci e Tex na arte de Ticci
Vendetta Indiana de 1967 é, como acima referido, o seu primeiro trabalho, um western crepuscular, revisionista e anti-militarista, que rapidamente se tornou num pequeno clássico, iniciando aqui uma notável carreira onde terá oportunidade de expressar e exaltar as suas inúmeras qualidades. O seu Tex torna-se numa figura de referência para muitos desenhadores, mas as suas aptidões revelam-se também na composição dos grandes espaços e na interpretação dos índios. Vendetta Indiana é uma história forte e trágica, que assume as suas origens clássicas do género. Uma história perfeita para colocar à prova o traço justo e perfeitamente equilibrado do autor, capaz de criar um universo romântico, através das majestosas paisagens do oeste americano, mas ao mesmo tempo expressivo, que transmite energia e dinamismo, um traço verdadeiramente cinematográfico e naquela altura inovador. Em Vendetta Indiana, é notória a influência de Alberto Giolitti, uma vez que o desenho de Ticci vai revelar o mesmo preciosismo, detalhe, definição no traço e na composição de cenários e ambientes. Esta influência estende-se também aos traços fisionómicos das personagens, com uma composição muito realista e marcante das faces, que ainda se vai manter na aventura seguinte Territorio Apache, publicada em 1969, história adaptada do romance de Gianluigi Bonelli Il Massacro di Goldena.
Tex na arte de Giovanni Ticci
Depois de ter assimilado estas influências, Ticci começa a fazer o seu próprio percurso, iniciando uma evolução contínua e sobretudo consequente. Uma evolução estilística que conservará sempre as bases do estilo anterior, não existindo dessa forma um corte abrupto. Em Ticci não há alterações repentinas, há antes uma evolução consciente, constante e natural, um assumir de um estilo cada vez mais pessoal, com um traço a querer ganhar fôlego, ansiando libertar-se das amarras que o estilo giolittiano impunha. Nesse sentido, La croce tragica, a sua primeira grande aventura (358 páginas), desde logo capta as atenções dos leitores, através de uma atmosfera diferente, com um dinamismo ímpar e uma notável habilidade em dar vida e realismo a todas as cenas. O estilo mantém-se polido, mas o traço torna-se mais decisivo e nítido. A sua capacidade em construir uma notável galeria de imagens que retratam a Fronteira começa a ganhar forma, através de pranchas onde ainda predominam as três strisce, tão caras na série. Mas o desenho pujante e pleno de vida já começa a pedir maior espaço, outros enquadramentos e perspetivas, com Ticci a utilizar o enquadramento “americano”, mais ao serviço da história do que para realçar qualquer efeito especial. Por isso, La croce tragica surge na carreira do autor como um trabalho “desenquadrado”, porque se o seu estilo começa a afastar-se de Giolitti, ainda não se assume verdadeiramente ticciano. O seu Tex começa a moldar-se, assumindo feições mais profundas, vincadas, penetrantes e uma face mais alongada, tal como os seus pards. É um Tex que o autor começa a preparar para apresentar ao leitor como sendo o seu modelo.
Tex na arte de Giovanni Ticci
O passo no sentido de uma maior fluidez gráfica será dado na aventura seguinte, Terra Promessa, onde já será bem patente a utilização de desenhos que ocupam toda a largura da página, a conferir um efeito cinematográfico que o autor vai utilizar ao longo da sua carreira. Começa assim um novo período estilístico do autor, onde Ticci começa a “negligenciar” alguns fundos quando as personagens surgem em primeiro plano, uma opção consciente e segura que, longe de revelar um desinteresse por parte do autor relativamente aos cenários, permite sublinhar a legibilidade, realçando os pontos mais importantes. Estas cenas passam a ser dominadas pelas personagens, optando Ticci por enfatizar o seu papel em detrimento de um realismo puro que tanto tinha caraterizado a sua fase inicial. O artista encontra o seu estilo pessoal e toda a evolução que La croce tragica deixava antever acaba por ficar bem patente a partir de Terra Promessa. Fiel ao estilo realista, inicia-se aqui um processo de síntese que doravante passará a acompanhar Ticci na sua evolução estilística.
Tex e Kit Carson na arte de Giovanni Ticci
Com Assalto al Treno (curiosamente a aventura que Ticci menos aprecia) entramos numa nova fase, um período onde o autor abandona as faces alongadas das suas personagens e passa a apresentar aquele que doravante passará a ser o seu Tex e que acabará por vir a influenciar grande parte dos desenhadores. Um Tex sempre seguro, capaz de inspirar confiança nos amigos como temor nos inimigos, um Tex que já denotava as mesmas caraterísticas, mas que agora assume dimensões faciais mais naturais. Trata-se do período mais rico e amado pelos leitores e onde o autor vai evoluindo em direção ao sintetismo do seu traço. As aventuras seguintes podem ser consideradas como de certa forma um compasso nesta evolução, uma vez que se Sabbie insaguinate é desenhada com Giolitti, A sud di Nogales foi um trabalho que o autor realizou em períodos distintos, com uma primeira parte desenhada ainda no tempo onde predominava a influência do traço de Giolitti. No entanto, as aventuras posteriores como L’oro del Colorado, Santa Cruz e sobretudo Cane Giallo, o western em estado puro com as montanhas, as galopadas a cavalo, os barcos, as canoas, as aldeias índias, a cidade do velho oeste, onde Ticci tem oportunidade de demonstrar a sua maturidade artística, apresentam desenhos onde não existe uma total delimitação dos contornos, onde vários elementos do desenho, ao combinarem entre si, acabam por constituir uma perfeita definição linear do traço. Este sintetismo nos contornos acabará por se confrontar com o realismo dos seus primeiros tempos, convidando de certa forma o leitor a descodificar imagens e desenhos, iniciando-se assim uma cumplicidade que vai doravante caraterizar o seu trabalho. Com o desenho de Ticci, o leitor assume-se como um intérprete da imagem, concentrado em descodificar o trabalho do artista.
Tex na arte de Giovanni Ticci
O sintetismo extremo que carateriza o atual período começa a dar sinais em Trappola per Lupi, com os traços faciais das personagens a reduzirem-se ao essencial, de modo a permitir uma maior expressividade, iniciando-se um período de síntese extrema que alguns começam a denominar de expressionismo. Sioux é a aventura onde se torna mais evidente esta nova evolução, a qual, tal como as anteriores, é feita gradualmente e em seguimento de uma vontade própria do autor. O seu Tex começa a envelhecer, com um olhar ainda mais profundo. Olhos (apenas com uma única linha) e orelhas são desenhados com uma notável economia de traços, convidando ainda mais o leitor a empenhar-se na interpretação gráfica do trabalho do autor. Esta síntese genial é sublinhada por um traço mais veloz, mais concreto, mais empenhado em sugerir do que propriamente em descrever, sem que tal signifique abdicar daquilo que é essencial ao autor, uma fiel e notável representação do western.
Arte de Giovanni Ticci
Em Congiura contro Custer, Ticci terá oportunidade de desenvolver em pleno o seu sintetismo. As numerosas cenas de batalha e de caçadas, muito diferentes entre si, plenas de homens e animais favorecem esta síntese extrema do traço ticciano, contribuindo para um trabalho de forte impacto visual. Caraterísticas também evidentes em Kiowa, outra aventura também ela ambientada na sua maior parte em espaços amplos e abertos, onde Ticci tem um trabalho visualmente único e onde o autor tem oportunidade de demonstrar a sensibilidade e a poesia do seu traço. Um traço feito de paixão e que convida constantemente o leitor a mergulhar e intervir na história. Buffalo Soldiers é outro perfeito exemplo onde o traço sintético do autor exalta a potência e o dinamismo de todas as cenas, uma das obras-primas do autor, comprovando a sua natural propensão para cenas grandiosas, plenas de acontecimentos e de personagens, chegando muito provavelmente ao limite evolutivo. É o final de um caminho natural, de um percurso consciente, que trouxe o autor do realismo puro e clássico ao traço mais sintético, eficaz, quer na representação da realidade como na expressividade de sentimentos.
A arte de Giovanni Ticci nas páginas de Tex
Um percurso que leva alguns a duvidar do caminho traçado: evolução ou decadência, eis a questão. A verdade é que não está ao alcance de muitos representar plenamente, com uma economia notável de traços, personagens e ambientes que expressam uma emotividade que apela à constante adesão e atenção do leitor. Por isso, Ticci continua a ser uma referência constante, não só na própria construção do ranger, que a própria Sergio Bonelli Editore passou a indicar como modelo a seguir pelos novos desenhadores, mas também na representação de ambientes e paisagens ou nas cenas grandiosas de massas, onde o traço de Ticci exalta-se e ganha expressividade. Sabendo disso, os argumentistas de Tex também conseguiram sempre escolher a contento os temas das suas histórias para este extraordinário desenhador. Gianluigi Bonelli com La Croce Tragica, Terra Promessa ou Il Messaggio dei Dakotas, Guido Nolitta com Il solitario del west ou Golden Pass (com Mauro Boselli), Claudio Nizzi em Il Pueblo perduto, Fiamme di Guerra, Orgoglio Navajo, mas também em Congiura contro Custer ou Kiowas, Mauro Boselli em Buffalo Soldiers, Gianfranco Manfredi em Sei Divise nella polvere ou ainda Pasquale Ruju com L’onore di un Guerriero, são alguns exemplos onde caberiam certamente muitos outros.
Assalto al Treno
Uma página ticciana constitui um conjunto de imagens em perfeita harmonia, onde todos os enquadramentos e perspetivas são naturais, demonstrando uma notável capacidade de simplesmente contar e descrever. Ao longo da sua carreira, Ticci preferiu sempre eliminar e não adicionar, inserindo apenas o essencial, através de um traço que busca um expressionismo polido. O essencial deve ser capaz de transmitir tudo, personagens, com as suas faces e expressões, mas também toda a ação, o drama, um verdadeiro esplendor narrativo. O desenho de Ticci tem a enorme faculdade em transmitir toda uma energia e um dinamismo ímpar, onde tudo é movimento, tudo está em movimento. Se para alguns este traço essencial possa ser sinónimo de decadência, o sintetismo ticciano não deixa de ser revelador de uma vontade artística, um modelo particular e assumidamente expressivo do autor, que sublinha uma permanente sensação dinâmica, tornando o seu traço potente e imediato, salientando a beleza paisagística, o cheiro e o respiro dos ambientes, o perfume da liberdade ou a capacidade extraordinária de tornar as personagens em protagonistas de mão cheia. Analisando o seu percurso, emerge uma sincera paixão capaz de tornar o western num mundo à parte, um traço de união entre a ficção e o realismo puro, sem perder coerência e credibilidade.
Trappola per Lupi
Desde 1967, Giovanni Ticci desenhou mais de 7600 pranchas para Tex, sem contarmos com mais 33 que realizou para histórias curtas do ranger, onde se inclui Morte no deserto (no original – Morte nel deserto). Trata-se de uma pequena história escrita por Claudio Nizzi e publicada originalmente em 1992 na revista Sorrisos e canções da TV, da editora de Silvio Berlusconi, num suplemento chamado “Fumetti d’Estate” (Revistas de Verão), cuja capa reproduzia a última cena da história. Curiosamente, nesta aventura com um argumento imparável, servida por diálogos intensos, exceptuando o próprio Tex (e Carson, que é apenas mencionado), chegamos ao fim sem saber o nome de qualquer das personagens.
Vendetta Indiana
A produção de Giovanni Ticci em Tex é enorme, tendo ainda realizado várias capas, dividindo com Galep e Villa essa honra, não só a do Speciale por si desenhado (Il pueblo perduto), mas também as 30 da Collezione Storica a Colori Serie Gold, bem como algumas edições publicadas pela Mondadori. Por isso, se a Galleppini caberá o mérito de ter criado Tex, através do seu traço elegante, Ticci deu-lhe um rosto, mergulhou o herói no verdadeiro oeste e convidou o leitor a interpretar graficamente a aventura, porque do desenho de Ticci emerge emoção, movimento e poesia.
Tex na arte de Giovanni Ticci
Com relação à programação deste número dedicado a Giovanni Ticci, a publicação com 376 páginas trará duas histórias de Tex que serão publicadas a cores:
Bandoleiros– 262 pg
Tex – Bandoleiros
Homens em Fuga– 110 pg
Tex – Homens em Fuga
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É já no próximo dia 19 de Janeiro de 2024 que a Mythos Editora estreia a nova colecção “Tex Grandes Mestres” e nada como começar dedicando o primeiro número ao criador gráfico de Tex, Aurelio Galleppini, popularmente chamado de GALEP.
Aurelio Galleppini
Por Mário João Marques
Em 1948, a Editora Audace, liderada por Tea Bertasi Bonelli, decide lançar uma nova personagem, Occhio Cupo, uma espécie de Robin dos Bosques americano, destinada a ser publicada em grande formato. Aurelio Galleppini é chamado a desenhar esta nova série, no entanto, não será esta a personagem que irá marcar a sua carreira, mas sim outra, de nome Tex Willer, no pequeno e modesto formato striscia, e de quem o desenhador se vai ocupar apenas à noite, numa primeira fase, para posteriormente, devido ao crescente sucesso, dedicar-se a tempo inteiro, dedicar-se toda uma vida, desenhando mais de 18.000 pranchas, cerca de 2000 capas e um sem número de ilustrações.
Sergio Bonelli com Aurelio Galleppini em Stradella em 1988
“Desde aquele ano de 1948, Tex tornou-se no companheiro da minha vida. Durante 40 anos consecutivos vivi todos os dias com este cowboy leal e generoso”. Este empenhamento levou a que Galep gradualmente viesse a ter uma simbiose psicológica com a personagem, Tex passou a fazer parte da sua vida e o autor passou a respirar a personagem. Desenhar Tex era para Galep um trabalho feito de dedicação e amor, que o vai levar a renovar constantemente o grafismo e a envolver da melhor forma personagens e ambientes no seu tempo. Uma evolução que o vai conduzir à maturidade gráfica e narrativa e que a entrada de novos desenhadores na série vai ajudar. Solto e livre dos constrangimentos estabelecidos pelos prazos apertados de entrega do material, o autor liberta-se da solitária e árdua responsabilidade de conduzir sozinho os destinos do herói. Assim, surgem sucessivamente obras-primas como Fort Defiance em 1969, Tra due bandiere em 1970, Il figlio di Mefisto em 1971, El Muerto em 1976, ou ainda Il killer senza volto em 1984, com um traço mais crepuscular, aventuras que apresentam páginas memoráveis e que são perfeitamente representativas das inegáveis qualidades de Galep, que soube sempre gerir, com maior ou menor dificuldade, as necessidades entre produção e consumo, aquela linha intermédia situada entre a obediência a prazos, sem contudo baixar a qualidade do trabalho apresentado. Galep foi sempre capaz de interpretar da melhor forma as necessidades editoriais e do leitor, soube adaptar-se aos desejos do público sem nunca trair políticas editoriais, conservando sempre uma identidade bem definida para o herói. E neste conjunto de grandes trabalhos gráficos merecem também realce Frontiere di Fuoco, onde Galep assume um traço mais expressivo e instintivo, mas sobretudo episódios como Gli sterminatori e La lancia di fuoco, onde o desenhador vai assumir uma liberdade até então ainda nunca vista na série, alargando e aumentando os desenhos para além do seu formato caraterístico de strisce, com determinados quadrados a deixar de conter todos os traços que o rodeiam e muitos desenhos a estenderem-se até aos limites de outros, fugindo assim da clássica imposição editorial.
Foto dos anos 80 com Decio Canzio, Francesco Coniglio, Aurelio Galleppini e Gallieno Ferri
Uma dedicação à personagem que também merece ser realçada pelas dificuldades com que Galep, injustamente, se deparou com o meio da banda desenhada italiana. Ao contrário de outros, Galep dedicou-se durante 40 anos com a mesma personagem, o que poderá parecer funcional e linear ou trazer problemas de criatividade capazes de inibir o desenhador a libertar-se para outros horizontes. Apesar de confrontado com uma série em contínuo, que muitas vezes deixava pouco tempo para a criatividade, Galep foi sempre capaz de aproveitar os raros momentos de reflexão, dedicando-se também à pintura, paixão a que já se tinha dedicado quando terminou a guerra, naquela altura por dificuldades económicas. Nas raras ocasiões que a série lhe permitia, entre pranchas a preto e branco e as capas a cores, Galep exponenciou as evidentes possibilidades da cor através da pintura. Desde os cartazes cinematográficos até aos desenhos publicitários, passando pelas capas de livros e revistas, ao longo de décadas Galep foi construindo uma verdadeira galeria de obras. Esta paixão nunca o atrasou com a entrega das pranchas de Tex, com as quais foi sempre pontual, roubando sim algumas horas ao seu sono para poder exprimir as suas emoções.
Aurelio Galleppini e a sua paixão pelos comboios
Para muitos, Tex é Galep, porque o desenhador amou verdadeiramente a sua personagem e soube sempre demonstrar esse sentimento através do seu desenho, soube sempre deixar no seu trabalho uma impressão de amor, paixão e verdadeiro profissionalismo. Sem triunfalismos excessivos, com a serenidade de quem simplesmente fez o seu trabalho e de quem seguiu sempre o seu instinto e a sua própria vocação.
Aurelio Galleppini e os 4 pards na arte de Galep
Com relação à programação deste número dedicado a Galep, a publicação com 352 páginas trará três histórias que serão publicadas a cores:
O Signo da Serpente – 129 pg
Tex – O Signo da Serpente
O Ídolo de Cristal – 110 pg
Tex – O Ídolo de Cristal
A Lança de Fogo – 110 pg
Tex – A Lança de Fogo
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Em Julho de 2021 a Mythos Editora publicou o número 17 da sua série Tex Edição Especial Colorida, série que foi suspensa após esse número que conteve a história “Os amantes do Rio Grande“, mas que será retomada em Maio do próximo ano (como informamos há 24 horas, aqui mesmo no Tex Willer Blog), com a grande particularidade de neste seu regresso trazer a recente história publicada em Itália “Lunga notte a Cayote“ que foi escrita por Mauro Boselli e desenhada pelo Mestre brasileiro Pedro Mauro!
O desenhador brasileiro Pedro Mauro verá a sua recente história de Tex publicada no Brasil, pela Mythos Editora, em Maio de 2024 na Tex Edição Especial Colorida #18
Com esta iniciativa, a Mythos Editora pretende homenagear o quanto antes o facto de pela primeira vez na longa história editorial de Tex, com mais de 75 anos, haver um desenhador brasileiro a desenhar oficialmente o Ranger. Isto fará com que a numeração brasileira durante alguns números tenha uma numeração diferente da série original italiana, mas acreditamos que esta iniciativa tenha muitos elogios da parte dos leitores brasileiros que querem ler o quanto antes esta histórica história que foi muito elogiada em Itália.
Pedro Mauro e a fantástica ilustração de Tex realizada expressamente para um póster para a Revista do Clube Tex Portugal
Quanto à história em si, com cores de Laura Piazza, é mais útil uma oração, um Colt… ou ambos? Teremos de aguardar a leitura da história para podermos responder à questão…
Lunga notte a Cayote, de Mauro Boselli e Pedro Mauro
Mas este Tex Edição Especial Colorida # 18 com capa de Corrado Mastantuono trará outras quatro histórias:
Capa do Color Tex da autoria de Corrado Mastantuono
– Mesa Blanca, com argumento de Pasquale Ruju e arte de Corrado Mastantuono. Nash, para os Navajos, é o Puma… e ele procura pelos homens que mataram os seus pais… Tex estará ao lado dele na vingança!
Mesa Blanca, com argumento de Pasquale Ruju e arte de Corrado Mastantuono
– I fratelli rapinatori, de Gabriella Contu e Fabrizio Russo. Dois irmãos escolheram o mau caminho…
I fratelli rapinatori, de Gabriella Contu e Fabrizio Russo
– La leggenda di Porter Rockwell, com argumento de Pasquale Ruju e desenhos de Sal Velluto. O Sansão do Utah, invulnerável pela vontade divina.
La leggenda di Porter Rockwell, com argumento de Pasquale Ruju e desenhos de Sal Velluto
– I due volti della legge, com argumento de Alessandro Russo e arte de Giancarlo Alessandrini. Carregar uma estrela muitas vezes obriga a escolhas difíceis…
I due volti della legge, com argumento de Alessandro Russo e arte de Giancarlo Alessandrini
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O Blogue do Tex dá hoje conta da programação oficial dos lançamentos Bonelli/Mythos para 2024 e com a devida autorização da Mythos Editora, na pessoa do editor Dorival Vitor Lopes, mostramos a todos os nossos leitores a programação editorial de todas as revistas Bonelli, a publicar pela Mythos, durante o próximo ano, lembrando que ao longo do ano podem haver modificações!
As grandes novidades são, no que a Tex diz respeito, edições verdadeiramente especiais dedicadas a grandes Mestres: Galep, Ticci, Civitelli e Fusco; e os regressos de Tex Graphic Novel, de Tex Esp. Colorido e de Tex Willer Especial. Mas mesmo em Tex nem tudo são boas notícias… também chega ao fim As Grandes Aventuras de Tex e o SuperAlmanaque Tex.
Mas como nem só de Tex vive a Mythos, destaca-se por outro lado a “força” e a importância de Dylan Dog (com destaque para diversas edições especiais, inclusive com as participações também de Martin Mystère, Dampyr e Morgan Lost e para a estreia de um Omnibus), Júlia, Dragonero e Ken Parker no cronograma oficial para 2024, onde Zagor, Martin Mystère e Mágico Vento não comparecem, que apresentamos então de seguida:
As datas apresentadas são estimativas da redacção da Mythos Editora para cada uma das publicações citadas. Existe por isso a possibilidade de alteração de qualquer uma das informações aqui anunciadas pelo Tex Willer Blog!
* Entretanto para saber mais sobre os Lançamentos 2024 e tomar conhecimento do Editorial especial com a participação do Director Helcio de Carvalho, assistam à live de hoje, dia 8 de Dezembro, publicada no canal Mythológicoe que divulgamos de seguida: