Jornal ‘O Maringá’, de 16 de Dezembro de 2023: “Personagem mais popular dos fumetti completou 75 anos de histórias”

Texto do jornal O Maringá, Paraná, Brasil
16 de Dezembro de 2023

Cristiano Monteiro Martinez

Por Cristiano Monteiro Martinez *

“Tex Willer, o justiceiro solitário”. Deste modo, a índia Tesah se refere ao personagem do caubói fugitivo da história em quadrinhos “O totem misterioso” (“Il totem misterioso”, em italiano) publicada em 30 de setembro de 1948. Enfim, há mais de 75 anos.

Era a estreia de Tex Willer nas bancas de jornal da Itália. Este personagem fora criado por Gian Luigi Bonelli (texto) e Aurelio Galleppini (desenhos), o Galep.

A série começou a circular com o título “Collana del Tex”, em formato horizontal, com uma tira (composta de três quadros) por página. Nascia ali aquele que se tornaria, com o passar do tempo, no personagem mais conhecido dos fumetti (como são chamadas as HQs na Velha Bota). Principalmente de apelo de massa.

“Fez sucesso por conseguir incorporar a fórmula do folhetim à narrativa do gibi. Seguindo essa fórmula, as aventuras tornavam-se intermináveis, como as novelas da Rede Manchete. Com muito sucesso, é prudente esclarecer”, escreveu Patrícia Villalba, em matéria publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo em 28 de agosto de 1998, quando Tex completou 50 anos.

Posteriormente, Tex ficaria conhecido como “Águia da Noite”, pois é o chefe branco dos Navajos; ou apenas “ranger”, já que se tornaria um Texas ranger, a polícia especial do Velho Oeste. Aliás, suas aventuras se passam na segunda metade do século 19, ambientadas numa época de conquista do oeste americano onde as coisas se resolviam na base da bala.

Em 1948, quando o mocinho surgiu pelas mãos da dupla Bonelli/Galep, a Itália passava por um período de reconstrução no pós-Guerra e as pessoas precisavam se distrair e necessitavam de algo que as ajudasse a olhar para a frente, segundo o tradutor Júlio Schneider. “Bons filmes e gibis ajudam muito. Já há alguns anos as bancas da Velha Bota estão cheias de revistinhas em quadrinhos com aventuras de todo tipo, principalmente de faroeste, que refletem o ânimo do momento ao mostrar terras a explorar, um país a construir e, principalmente, fazer ver que é possível derrotar os opressores: o mocinho castiga o vilão, o político ladrão, o militar obtuso, e o leitor se sente vingado, acredita que sim, é possível vencer”, escreveu na revista “Tex em Cores”, de 2009, da editora Mythos.

Nesse cenário, era lançada a revista do Tex em território italiano. Pouco tempo depois, o personagem aportava no Brasil, em janeiro de 1951, a partir do número 28 da revista “Júnior”, editada por Roberto Marinho em seu jornal O Globo – ele ainda não havia fundado a Rio Gráfica Editora (RGE). Mas o nome dado ao herói foi “Texas Kid”.

Personagem chegou ao Brasil como “Texas Kid” pelas mãos de Roberto Marinho

“Wilson Drummont, o editor, mudou o nome de Tex para Texas Kid para dar ao mocinho um tom mais juvenil e, assim, seguir a trilha das duas concorrentes, com jovens heróis como os protagonistas de suas histórias”, explica o jornalista e escritor Gonçalo Junior, em seu livro “O mocinho do Brasil: A história de um fenômeno editorial chamado Tex” (2009, ed. Laços).

Em alguns momentos, “Júnior” chamou o caubói pelo nome correto, como aponta Gonçalo. Mas prevalecia Texas Kid. Até que o protagonista saiu de cena no número 263. Ocorreu um hiato de 14 anos, até que em fevereiro de 1971 a editora Vecchi deu nova vida editorial a Tex em título que levava o nome original do personagem, com a história “O signo da serpente”.

A aventura com essa casa fundada por italianos duraria até 1983, com o número 164, em meio à crise que levaria ao fechamento da Vecchi em 70º ano de vida. Segundo Gonçalo, até a interrupção da revista, em fevereiro daquele ano, “Tex” era o segundo gibi que mais vendia no Brasil, perdendo apenas para a “Turma da Mônica”, de Mauricio de Sousa, publicada pela Abril.

Primeira aventura de Tex na Itália, em tiras de três quadrinhos

Rio Gráfica/Globo
Não demorou muito para a Rio Gráfica de Roberto Marinho reaver o caubói bonelliano, passando a publicá-lo em 1983, a partir da edição 165, dando continuidade à numeração histórica da Vecchi.

“Nos três primeiros anos de nova editora, ‘Tex’ viveu uma fase de consolidação na Rio Gráfica e sem nenhuma ousadia editorial, com duas revistas mensais”, escreve Gonçalo Junior. Já em 1986, quando a editora adotaria o nome Globo, surgiu “Tex Coleção”, que prometia a republicação de “Tex” na mesma ordem das aventuras dos originais italianos.

Outra publicação criada foi “Tex Edição Histórica”, entre outros títulos.

O projeto global duraria até 1998.

Revista “Tex” já passou por três editoras no Brasil: Vecchi, Rio Gráfica/Globo e atual Mythos

Mythos
E, finalmente, a Mythos dos diretores Dorival Vitor Lopes e Helcio de Carvalho, figuras tarimbadas do mercado editorial de quadrinhos no país, deu novo fôlego ao personagem, publicando sua revista do número 351 em diante. Era janeiro de 1999.

A fase com essa editora vem se perdurando até os dias de hoje, tornando-se a mais longeva, com 24 anos de publicações. Nesse tempo todo, a Mythos criou e manteve diversos títulos relacionados ao personagem em atividade, além da revista mensal: “Tex Coleção”, “Tex Willer”, “Tex Almanaque”, “Tex Edição Histórica”, “Tex em Cores”, “Tex Graphic Novel”, “Tex Edição Gigante” etc.

Aliás, o fumetto texiano principal já passou dos 640 números. Uma das apostas recentes da atual editora é a coleção “Tex Omnibus”, que são volumes colossais (mais de 800 páginas) reunindo histórias em ordem cronológica, a partir da estreia de 1948, “O totem misterioso”.

Os fãs esperam religiosamente a cada número publicado sobre o personagem. A esperança é de que Tex nunca abandone as pradarias brasileiras, ao lado de seus pards Kit Carson, Jack Tigre e Kit Willer.

Coleção da Mythos reúne HQs do personagem em ordem cronológica em volumes colossais

*Copyright: © 2023 Cristiano Monteiro Martinez & Jornal O Maringá, Paraná, Brasil

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A estonteante Arte “Portuguesa” de Fabio Civitelli, desenhador de Tex que vai marcar presença na 9ª Mostra do Clube Tex Portugal

Fabio Civitelli é a primeira confirmação para a próxima edição da Mostra do Clube Tex Portugal (evento a realizar no Museu do Vinho Bairrada, em Anadia, nos dias 27 e 28 de Abril de 2024) cuja deslumbrante Arte “Portuguesa” (ilustrações de Tex no nosso país, realizadas ao longo dos anos nas anteriores passagens de Fabio Civitelli por Portugal), vamos hoje mostrar a quem ainda não tem o privilégio de conhecer as magníficas obras-primas de Tex em Moura, Beja, Viseu e Porto realizadas por este que é um dos mais consagrados desenhadores italianos de Banda Desenhada.

Tex Willer em Moura na Arte de Fabio Civitelli

Tex Willer em Beja na Arte de Fabio Civitelli

Tex Willer em Viseu na Arte de Fabio Civitelli

Tex Willer no Porto na Arte de Fabio Civitelli

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FABIO CIVITELLI, MESTRE TEXiano que abrilhantará a 9ª Mostra do Clube Tex Portugal, em Abril de 2024, na cidade de Anadia

* 9ª Mostra do Clube Tex Portugal, realiza-se em Abril de 2024, em plena capital da Bairrada (Anadia) e terá novamente a participação de dois consagrados desenhadores italianos.

Fabio Civitelli, estrela texiana que abrilhantará a 9ª Mostra do Clube Tex Portugal, em Abril de 2024, na cidade de Anadia

O Blogue Português do Tex dá a conhecer a todos os fãs e coleccionadores de Tex, mas em especial aos sócios do Clube Tex Portugal, que FABIO CIVITELLI será uma das duas estrelas que abrilhantarão a 9ª Mostra do único Clube em Portugal dedicado exclusivamente a um herói da BD e o primeiro Clube oficial de Tex no mundo!

Depois dos ESTRONDOSOS sucessos ocorridos com a 1ª Mostra do Clube Tex Portugal, realizada em Agosto de 2014 e que contou com a presença do consagrado desenhador italiano Pasquale Del Vecchio, da 2ª Mostra ocorrida em Maio de 2015 com as ilustres participações dos desenhadores Pasquale Frisenda e Stefano Biglia, da 3ª Mostra realizada em Abril de 2016 com as presenças dos conceituados desenhadores Massimo Rotundo e Maurizio Dotti, da 4ª Mostra efectuada em 2017 com a participação dos mestres italianos Andrea Venturi e Leomacs, da 5ª Mostra realizada em Abril de 2018 com as presenças de Alessandro Bocci e Alessandro Nespolino, da 6ª Mostra em Abril de 2019 e que contou com as presenças de Bruno Brindisi e de Roberto De Angelis, da 7ª Mostra em Abril de 2022 com a participação da desenhadora Laura Zuccheri e da 8ª Mostra em Abril de 2023 com as presenças de Dante Spada e Rossano Rossi, a direcção do Clube Tex Portugal deu a conhecer hoje ao nosso Blogue que a 9ª Mostra do Clube, irá realizar-se nos dias 27 e 28 de Abril do próximo ano e que terá então a participação de Fabio Civitelli.

Fabio Civitelli no seu estúdio, em Arezzo

Fabio Civitelli, o mítico embaixador de Tex Willer, o carismático personagem dos fumetti (nome dado à BD em Itália) criado em 1948, por Giovanni Luigi Bonelli (texto) e Aurelio Galleppini (desenho), é considerado um dos mais conceituados desenhadores italianos e virá pela SÉTIMA vez ao nosso país, depois de já nos ter brindado com a sua presença no Salão de Moura (2007), no Festival da Amadora (2008), no Festival de Beja (2010), no Salão de Viseu (2011), no Festival do Porto (2012) e na Comic Con Portugal (2019), completando deste modo um percurso único a nível mundial, já que nunca anteriormente um artista da Nona Arte teve o privilégio de ter sido convidado para abrilhantar todos os principais eventos realizados em Portugal.

Fabio Civitelli, ilustre sócio honorário do Clube Tex Portugal e Tex estarão no Museu do Vinho Bairrada, em Anadia, no mês de Abril de 2024

Em breve será também anunciado a presença de um segundo autor de Tex, tendo em conta que já está confirmada também a presença de outro desenhador que irá então acompanhar Fabio Civitelli, mas o nome somente será anunciado nos próximos dias.

Pelo nono ano consecutivo o evento irá realizar-se em Anadia, devido ao interesse e apoio da autarquia bairradina, na pessoa da Excelentíssima Senhora Presidente da Câmara Municipal de Anadia, Eng.ª Maria Teresa Belém Correia Cardoso, do Excelentíssimo Senhor Vice-Presidente da Câmara Municipal de Anadia, Eng.º Jorge Sampaio e do Director do Museu do Vinho Bairrada, o Excelentíssimo Senhor Doutor Pedro Dias, disponibilizando novamente o luxuoso e mui nobre Museu para a realização de mais esta Exposição Texiana.

Fabio Civitelli desenhará em 2024 para os seus fãs em Anadia

Fabio Civitelli como forma de agradecimento por este convite português fará uma magnífica ilustração de Tex EXCLUSIVA para o evento de Anadia, numa tradição já habitual e que ocorre sempre que um autor de Tex nos visita de modo a registar a sua passagem por Portugal! Ilustração essa que será depois exposta na Mostra Permanente de Tex no Museu do Vinho Bairrada juntando-se às artes de Pasquale Del Vecchio, Stefano Biglia, Massimo Rotundo, Maurizio Dotti, Andrea Venturi, Leomacs, Alessandro Bocci, Alessandro Nespolino, Bruno Brindisi, Roberto De Angelis, Roberto Diso, Laura Zuccheri, Dante Spada e Rossano Rossi!

Fabio Civitelli e Artes de Tex de sua autoria

Para finalizar, informa-se que o evento também contará com uma Mostra Pessoal dedicada ao Tex desenhado por Fabio Civitelli, onde serão exibidas ao público diversas pranchas do seu trabalho para Tex!

Tex na arte de Fabio Civitelli

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“Tex Grandes Mestres” #3 dedicado a Fabio Civitelli, em Agosto, conterá duas histórias de Tex

Como informamos anteriormente, em Janeiro do próximo ano a Mythos Editora estreará uma nova colecção, intitulada “Tex Grandes Mestres”, cujo número de estreia será dedicado ao criador gráfico de Tex, Aurelio Galleppini, popularmente chamado de GALEP. Em Abril de 2024 a Mythos Editora publicará o segundo número desta colecção que será dedicado a  Giovanni Ticci. O número 3 será dedicado ao Mestre Fabio Civitelli e terá publicação em Agosto, uma edição de 344 páginas e que conterá duas histórias de Tex a cores!

Fabio Civitelli

Por Mário João Marques

Nascido em 9 de Abril de 1955 em Lucignano, província de Arezzo, Civitelli desde cedo conviveu com os lápis e os cadernos que a sua mãe lhe comprava, para o entreter a desenhar enquanto ela se ocupava das lides domésticas. Sem nunca ter tido formação artística, o grande desejo do jovem Civitelli sempre foi tornar-se desenhador profissional, o que o levou a devorar revistas de BD e a assimilar tendências e estilos.

Começou a trabalhar em 1974 no Studio Graziano Origa em Milão onde ilustrou a série Lady Lust. Passou por editoras como Dardo, Ediperiodici, Universo e Mondadori, onde desenhou várias séries (incluindo alguns super-heróis da Marvel como o Quarteto Fantástico e Homem Aranha, escritas por Alfredo Castelli), tendo inclusive chegado a assumir um pseudónimo, Pablo de Almaviva, chamando a atenção de Sergio Bonelli. O editor só vai saber de quem se trata mais tarde, quando lhe colocam na sua secretária umas pranchas de um jovem vindo de Arezzo, que tinha passado na editora para apresentar os cumprimentos de Ferdinando Fusco, um dos desenhadores históricos de Tex, reconhecendo nas mesmas o traço de Pablo de Almaviva, aliás Fabio Civitelli.

Fabio Civitelli no seu estúdio, em Arezzo

Recrutado de imediato pela Sergio Bonelli Editore, Civitelli começa a trabalhar em Mister No em 1979, onde vai colaborar com Guido Nolitta, Alfredo Castelli, Claudio Nizzi e Tiziano Sclavi. Desenha ainda Pomeriggio Cubano e L’Avana – Serenata Cubana, duas aventuras escritas por Giuseppe Ferrandino em 1983, publicadas respectivamente nas revistas Orient Express e Giungla!. O seu sonho em desenhar Tex cumpre-se em 1984, com a aventura I Due Killers, escrita por Claudio Nizzi, iniciando assim uma brilhante carreira ao serviço do ranger, ao qual se vai dedicar quase em exclusivo, se tivermos em conta que, pelo meio, terá oportunidade de desenhar um Almanacco dell’Aventura em 1994, e uma breve aventura de Dylan Dog.

Em constante busca de novos territórios gráficos, a sua permanente evolução leva-o a adoptar ao longo dos anos determinadas características técnicas, sem nunca renegar o evidente classicismo do seu traço realista, apurado, preciso e limpo, sublinhado por um hábil uso do preto e branco. A característica técnica que mais facilmente transparece do desenho de Civitelli é o denominado pontilhismo, que o autor vai utilizar como forma determinante e concreta para conferir dinamismo, contraste e luminosidade, não se reduzindo a uma mera técnica decorativa. Pela inovação e evolução que emprestou ao grafismo da série, Civitelli foi capaz de alcançar de modo notável um equilíbrio perfeito entre estética e narração visual, sem comprometer os fundamentos da série.

Com relação à programação deste número dedicado a Fabio Civitelli, a publicação com 344 páginas trará as seguintes duas histórias de Tex:

Missão em Boston – 230 pg

Tex – Missão em Boston

A Cidade Corrompida – 110 pg

Tex – A Cidade Corrompida

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