Felicidades a todos da parte do Tex Willer Blog (e de Marco Ghion)

Com a ilustração dedicada a Tex Willer e a Kit Carson, desenhadas por Marco Ghion, o Tex Willer Blog, o blogue português do Tex, deseja um BOM ANO de 2024 a todos os Texianos que nos honram com as suas assíduas visitas, neste que vai ser seguramente mais um ano GRANDIOSO para Tex Willer!

Felicidades a todos da parte do Tex Willer Blog (e de Marco Ghion)

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TEX SEM FRONTEIRAS: Tex 75 Anos – RETROSPECTIVA 2023 E OUTRAS

Por G. G. Carsan*

Poderia dar tudo certo? poderia terminar tudo bem? Acreditavam que seria barato? Esqueceram que foi o Ano do Mefisto? Senhor dos Sete Infernos? Pois é, pois foi. Durante os primeiros seis meses do ano, Mefisto dominou o cenário texiano e terminou com o seu triunfal momento, lá na parte oculta da Coisa. E que fique por lá, um bom tempo.

Mas, não se deve culpar somente o Mefisto pela crise que se percebe e se sente no mercado de Histórias em Quadrinhos. O problema vem de longe e se acumula e se agiganta, a olhos vistos. Os  principais problemas decorrem da crise literária que obrigou a falência das distribuidoras e o fechamento das bancas, desencadeada pelo domínio crescente e sem precedente do celular e outras tecnologias de ponta. Mudamos os hábitos, tentamos acompanhar os novos tempos, lemos de menos, e sobra muito menos grana para a leitura. Grana é tudo em um Mundo capitalista. Prioridades, idem.

As HQs resistem como podem. Mangás, Disney e Turma da Mônica ainda se encontram, em boa quantidade, em lojas especializadas e livrarias. Outros quadrinhos são encontrados em pequenas quantidades. Alguns com defasagem e lacuna na numeração, dificultando a vida dos colecionadores. Estes precisam recorrer às vendas ‘on demand’, através de pré-vendas e de financiamento Catarse.

Finalmente, a realidade é totalmente outra. Acabou-se a ida à banca, sempre que possível, em busca da nossa revista predileta. Esse ritual parece finito para sempre. Quem quiser prosseguir com HQs, manter as suas coleções em dia, manter o orgulho de ter a coleção completa, continuar no rol daqueles texianos que tem tudo e, acima de tudo, não perder a capacidade de se alegrar, de se emocionar, de sentir um prazer intenso com Tex, que é a melhor coisa, deve se render. De mãos na grana, ou no cartão de crédito (que pode ser o cartão virtual, que não pode ser clonado), o colecionador precisa comprar direto na Editora ou manter o contato com uma Loja Especializada, para garantir que não vai perder nenhum número. Depois de comprar, pode relaxar relendo aventuras antigas, enquanto espera a batida no portão ou o toque da campainha, ou o interfone, avisando que chegou encomenda da Mythos ou do seu fornecedor.

E chegamos a Tex, o magistral e fenomenal título italiano, publicado no Brasil, muito amado, apreciado e querido por milhares de brasileiros. Tex perdeu a hegemonia das bancas e se tornou uma vítima dos novos tempos, sendo vendido, com segurança e regularidade, apenas no site da Mythos Editora, que publica desde 1999.

Tex, que se junta a outros personagens de Sergio Bonelli Editore, para fazer a alegria de muitos leitores aqui no Brasil e em Portugal, como veremos abaixo, continua em sua jornada. Antes, vale salientar que, embora as vendas estejam em queda e ocorra uma batalha para aumentá-las, o leque de ofertas foi muito bom. Reproduzimos o cronograma da Mythos, publicado em dezembro/2022, para o calendário 2023, de recordatório, de prova.

Cronograma Oficial Bonelli/Mythos para 2023

JANEIRO

06 – Dragonero 19 – 96 pg
06 – Júlia Nova Série 15
13 – Dylan Dog Novo 27
20 – Zagor Classic 16 – 112 pg
25 – Tex 639
27 – M. Mystère 33 – 160 pg

 FEVEREIRO

01 – Júlia Nova Série 16
08 – Dylan Dog 33
10 – Tex Willer 47 – 192 pg
15 – Zagor Nova Série 11 – 192 pg
24 – Tex 640
24 – Ken Parker 12
28 – Almanaque Tex 56
28 – Júlia Especial rep 6 a 10

MARÇO

01 – Júlia Nova Série 17
03 – Zagor Classic 17 – 112 pg
07 – As Grandes Aventuras de TEX 3/1 – 344 pg
08 – Dylan Dog Novo 28
24 – Tex 641
28 – M. Mystère 34 – 160 pg
30 – Tex 641 Bis

ABRIL

03 – Júlia Nova Série 18
07 – Dragonero 20 – 192 pg
12 – Dylan Dog 34
18 – SuperAlm. Tex 6 – 480 pg
25 – Tex 642
28 – Ken Parker 13
28 – Júlia rep 31 a 35

MAIO

02 – Júlia Nova Série 19
05 – Zagor Classic 18 – 96 pg
10 – As Grandes Aventuras de TEX 3/2 – 304 pg
12 – Dylan Dog Novo 29
18 – Zagor Nova Série 12 – 280 pg
23 – M. Mystère 35 – 160 pg
25 – Tex 643

JUNHO

01 – Júlia Nova Série 20
07 – Tex Willer 48 – 192 pg
09 – Mágico Vento Deluxe 12
14 – Dylan Dog 35
16 – Maxi Tex 6
23 – Tex 644 – 128 pg
28 – Ken Parker 14

JULHO

03 – Júlia Nova Série 21
07 – Zagor Classic 19 – 120 pg
12 – Dylan Dog Novo 30
14 – Tex Omnibus 3 – 726 pg
21 – M. Mystère 36 – 160 pg
25 – Tex 645
28 – Dragonero 21 – 192 pg

AGOSTO

01 – Júlia Nova Série 22
08 – Dylan Dog 36
10 – As Grandes Aventuras de TEX 3/3 – 368 pg
18 – Tex Willer 49 – 192 pg
23 – Zagor N. Série 13 – 280 pg
25 – Tex 646
29 – Ken Parker 15

SETEMBRO

01 – Júlia Nova Série 23
06 – Dylan Dog Novo 31
08 – Zagor Classic 20 – 96 pg
15 – SuperAlm. Tex 7 – 480 pg
22 – M. Mystère 37 – 160 pg
25 – Tex 647

OUTUBRO

02 – Júlia Nova Série 24
06 – Dylan Dog 37
09 – Tex Gigante 39
18 – As Grandes Aventuras de TEX 3/4 – 384 pg
25 – Tex 648
27 – Ken Parker 16
30 – Dragonero 22 – 192 pg

NOVEMBRO

01 – Júlia Nova Série 25
08 – Dylan Dog Novo 32
14 – Júlia Graphic Novel 3
17 – Tex Willer 50
22 – Zagor N. Série 14 – 280 pg
23 – M. Mystère 38 – 160 pg
24 – Tex 649

DEZEMBRO

01 – Júlia Nova Série 26
06 – Maxi Tex 7
08 – Zagor Classic 21 – 112 pg
13 – Dylan Dog 38
22 – Tex 650
28 – Ken Parker 17

Bueno! Quem viu este cronograma em Janeiro/2023, certamente gostaria de pedir mais títulos. Por que não? Cada um tem as suas preferências, represadas. Mas, não imaginaria que alguns desses heróis pudessem receber ordem de cancelamento, ao fim do ano. E foi o que aconteceu com três distintos personagens, com a maior comoção e lamentos para o nosso Rei de Darkwood, O Espírito com a Machadinha.

Não bastassem os cancelamentos de heróis, chamados de ‘colocados na geladeira’ pela Mythos, ocorreram cancelamentos de duas coleções: As Grandes Aventuras de Tex não resistiram… findada a sua Quarta Temporada; o Superalmanaque… de tamanhas e importantes aventuras, idem. Se juntarmos que Tex em Cores não teve continuidade direta ou via Catarse, totalizamos que o ano 2023 foi muito difícil para a Editora. E olhem bem que, tudo isso sucedeu O Pulo das Três Quedas: Tex Coleção, Tex Edição Histórica e Tex Ouro, cancelamentos ocorridos em fins de 2022.

O momento está tão complicado, que uma live realizada por colaboradores, que teve o azar de pegar um dia de internet muito ruim; e um pronunciamento do Editor de Tex, recebeu muitas contestações de leitores de Tex, principalmente de quem reclama de tudo, haja ou não, razão. Faz parte. Porém, não se pode negar a vontade de acertar, não se pode negar a transparência adotada pela Editora, não se pode negar a coragem de  aparecer quando muitas coisas não vão bem, principalmente as vendas. Os cancelamentos falam claros e definitivos.

Durante todo 2023, aconteceram reclamações dos clientes da Mythos, a maioria sobre Tex. O pessoal reclamou da mudança de formato do Tex, ocorrida em 2022; reclamou dos preços; reclamou dos cancelamentos; reclamou dos novos títulos; reclamou dos descontos; reclamou de revistas descolando; reclamou de atraso nas remessas; reclamou do atendimento; reclamou da falta de informações. Fato é, que a Mythos se comunica mal, oficialmente. Precisa se comunicar claramente. As notícias chegam via live, que poucos assistem. Os dois canais mais vistos e acompanhados são a revista Tex e o facebook oficial, mas, além disso, suas publicações deveriam ser repassadas para grupos, tanto no face como no zap, para atingir todos. Ocorrem muitas perguntas de clientes sobre quando sai, quando saiu. Além disso, muitos clientes não sabem comprar no site da editora – não sabem ou tem medo.

Lamentável, triste, inesperado, o passamento do desenhista italiano, de um Tex Gigante, Carlo Ambrosini, um gigante da nona arte.

2023 foi tempo, também, de boas, de ótimas, de grandes notícias para o personagem e para os texianos em geral. Ainda bem! Quem tem TEX, tem tudo – e mais um pouco. E tivemos alegrias editoriais e alegrias de colecionadores, ocorrendo mais de uma vez, como veremos de seguida.

Tex alcançou a incrível marca de 75 Anos, em 2023, algo fenomenal, especialíssimo. Por isso, tanto em Itália, como no Brasil, tivemos Eventos muito legais para celebrar, festejar e inesquecer tamanha e fecunda data. Ocorreu um vendaval de emoções, realizações, lançamentos e histórias.

Eventos:

10 Anos do Clube Tex Brasil, na Vila Texas.

A ideia de  usar a primeira cidade cenográfica do Velho Oeste, no Brasil, para cenário das comemorações do Clube e dos 75 Anos de Tex, foi um saque muito rápido e certeiro, de Jessé Bicodipena, Presidente do Clube,  que bancou parte do patrocínio, junto a Delair Turella, criador-organizador do local, no município de Chopinzinho, no Sudoeste do Paraná (Vila Texas tem atraído produtores de cinema western e promovido o Projeto de Incentivo à Leitura, para jovens estudantes da região). O evento levou texianos de vários Estados do Brasil, conforme relatos e fotos impressas na revista Tex 647/12. Foi assunto dos grupos e mídias sociais durante dois meses. A Vila Tex é uma Gallup, uma Tombstone, uma El Paso. Será palco de muitos movimentos texianos, doravante. O Editor Dorival Lopes viajou 1.600 km, de carro, para se fazer presente, durante 24 horas, no evento, fazendo um corpo-a-corpo com os seus clientes e amigos, os colecionadores presentes.

Uma Tarde Bonelli, na Biblioteca Pública

Comemorar o Dia Nacional do Tex, em pleno aniversário do TEX, a 30 de Setembro de cada ano, é uma façanha que temos realizado no Brasil, com muito empenho e determinação. Dessa feita, a incumbência ficou para Raul Estigarribia e Adão Ávila, gaúchos portalegrenses de morada, que organizaram, junto à excelsa Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul, nas figuras de Guilherme Smee e Leandro Doró, o evento supra, que durante dois dias, 30/Set e 01/Out, recebeu personalidades e colecionadores de várias regiões do País, marcando de forma indelével, mais uma grande festividade texiana, bonelliana.

Este evento contou com 07 palestras, exposição, presença de artistas e editoras, personalidades e colecionadores. Espaço para grandes apresentações, grandes encontros e reencontros, emoções à flor da pela.

Em agenda externa, alguns convidados realizaram eventos correlatos:

1 – Palestra Sobre Tex no Colégio Castro Alves, em Alvorada.

  1. G. Carsan, Jesus Nabor, Jessé Bicodipena foram encontrar os professores Paulo Kobielski, Denilson Reis e Anderson Art para uma palestra sobre os valores de Tex e da leitura, para jovens. Momento inesquecível, pois o próprio Tex apareceu por lá. O pessoal pode atestar.

2 – Aquece, no rancho Asas Sobre Rodas, em Viamão.

Montaram uma blitzen no rancho, com churrasco, cerveja, música country e motociclismo, tendo como pano de fundo, Tex e seus pards, oriundos de Brasil. Foi uma noite daquelas vividas num vilarejo mexicano, sob o luar, sob a música, sob a dança, sob a camaradagem, sob o olhar atento de Tex, com direito a parabéns e muitas fotos, inesquecíveis momentos. Os culpados? Adão Avila e o Tex Moto Grupo, claro.

3 – Bifes de Três Dedos no Boteco Histórico, Centro de Porto Alegre.

Desde 2018, em Limeira, que foi batizado e estabelecido, que comemoração texiana sem bife de três dedos e muita batata frita e chopp, não conta, não vale. Assim, na noite de 30 de Setembro de 2023, dezenas de pards puderam saborear muita conversa, chopp e bifes soterrados por montanhas de batatas fritas. Imagine a alegria de estar ali, comentando do evento e citando Tex a cada cinco palavras ditas. Prazer incomensurável, lazer que nos remete a um saloon em Laredo ou em Tucson, pouco antes de rolar um dos recorrentes tiroteios.

 As boas notícias ainda ocorreram quando foi dito que:

Ocorreram duas publicações de Tex Omnibus, o 3 e o 4.

Que Tex Willer continua firme e trouxe uma super esperada aventura com a história de Cochise.

Que a Mythos lançou um tutorial para ensinar o pessoal a comprar revistas, diretamente no site, pois muita gente não compra porque não sabe fazer isso.

Que as Grandes Aventuras de Tex para, mas será lançada a coleção Os Grandes Mestres, com aventuras especiais de cada grande desenhista, começando por Galep, é claro.

Que Tex Graphic Novel e Edição Especial Colorida estarão de volta, com as aventuras inéditas, atendendo aos clamores dos colecionadores.

Que foi realizado o teste para a viabilidade de Compra por Assinatura, iniciado com  quatro edições de Tex, entre setembro e dezembro. Estamos esperando ser anunciado se continua ou se não deu ibope.

Na Itália, continuam os crossover de heróis bonellianos, que logo chegarão ao Brasil. Também, continuam os BIS.

Vem aí mais um crossover do Tex e Zagor. O Diabo vai pirar, com estes dois heróis infernais abatendo suas legiões com tiros e machadadas. E Carson e Chico, pessimistas, resmungões e famintos, detonando todos os estoques de patos e batatinhas que encontrarem.

Que os livros Tex no Brasil – Águia da Noite e Tex no Brasil – Justiça a Qualquer Preço foram colocados à venda, para os colecionadores que precisavam completar suas trilogias.

Tex também pode comemorar um ano de ouro no tocante à sua divulgação em língua portuguesa, pelo que pudemos atestar.

  1. O Tex Willer Blog, de Portugal, que publica matérias diárias, é sócio do Clube Tex Portugal, que realiza evento anual com participação oficial da cidade de Anadia e presença de desenhistas italianos; e publicação da Revista Tex, com matérias e imagens contando histórias editoriais, colecionistas e outras.

  1. O Coletive Arts, do Rio Grande do Sul, que reúne artistas de várias vertentes, com a rubrica Cavalgando com Tex, realizando anualmente, evento comemorativo ao Dia Nacional do Tex, com lives, exposições, podcasts, entrevistas, palestras, crônicas, etc., há três anos cumprindo com maestria e eficácia, a divulgação do Tex.

  1. Tex Willer – Águia da Noite, um Grupo de Facebook, que abriga mais de 30 Mil Membros, totalmente loucos por Tex, a ponto de provocarem brigas em saloons, de praticar pirataria para ler Tex online, de xingar o Editor se não tiver promoções, cupons e Black Fridays e frete grátis. O Grupo, que já completou 11 Anos, tem por objetivo promover o Tex, criar amizades entres os pards e incentivar a leitura.

Convivemos com um novo tempo que gira de forma avassaladora, tornando tudo tudo muito sutil, fútil, passageiro. Hoje o aparelho celular é o motor das civilizações, objeto de desejo de trabalhadores, de crianças, de ladrões. Através do celular, conseguimos realizar quase tudo que o mundo moderno e a tecnologia nos permitem e nos apresentam. Isto obriga, cada vez mais, ao uso. Empresas, governos, escolas, entidades, todos estão em plena implantação de tecnologias. Sessenta profissões estão sumindo, centenas de serviços funcionando online, centenas de comandos e controles sendo realizados através do celular. Claro que isso iria afetar o mercado de leitura de quadrinhos, e não só de jornais, de impressos estudantis. Livros e quadrinhos estão sob ataque constante. A oferta é gigantesca. Por mais que você diga que não vai usar nunca, uma hora se verá obrigado. Ou vai usar ou vai pedir para alguém lhe auxiliar, senão vai perder oportunidades, perder dinheiro, perder negócios. Definitivamente, o Mundo é online.

Terminamos dizendo isso, para trazer os acontecimentos desse ano de 2023, em que forçosamente, ou se avança ou morre, desaparece, tivemos os formatos de todos os Tex alterados para maior – formato italiano. Além disso, iniciou-se lá atrás, a busca por álbuns capa dura, que não só melhoram a apresentação do personagem, como lhe confere visibilidade, maturidade, importância e valor. Tex precisa estar disputando espaço com outros quadrinhos de heróis, de igual para igual. Ninguém valoriza um quadrinho formatinho em papel jornal, por melhor que seja, se houver um mercado contemporâneo de grande formato e capa dura. Outra coisa, Tex precisa de uma coleção definitiva, gigante, talvez o próprio Omnibus satisfaça isso, mas estará nas mãos de poucos, para diminuir o gigantismo da coleção de 750 números atuais, que tomam paredes inteiras (a coleção TEX em 100 exemplares, robustos, seria ideal). É uma sandice tal coisa como está. E continua crescendo.

Tudo que as editoras fizerem para se manter no mercado, será pouco diante dos desafios que estão postos. Entre eles, a falta de renovação de leitores, os preços altos, a formação de nichos de mercado, a grande variedade de ofertas vigentes. Como dito por alguns, temos revistas do Tex concorrendo, umas com as outras e sufocando o pequeno colecionador.

É hora de finalizar. Hora de rememorar um pouco do que aconteceu nos últimos 75 anos, na Itália, e 52 anos de Tex, ininterrupto no Brasil, parando junto das coleções e viajando pelas histórias das revistas e histórias nas revistas. Terminar com alegria e com grande esperança, representada pela realidade de acontecer, nesse 2023, a grande e ansiada primeira vez de um desenhista brasileiro nas páginas de Tex. Pedro Mauro acaba de estrear numa história de Tex, publicada na Itália e, já em 2024, publicada no Brasil. Era um sonho nacional, dos texianos brazucas, ler uma história desenhada por um brasileiro e serve de consolo para tantos acontecimentos negativos. Agora falta apenas, Tex viver uma aventura no Brasil. Quem sabe um dia?

Agradecimentos especiais a Paulo Kobielski, a Jorginho Luis, a Raul Estigarribia, a Delair Turella, a Jessé Bicodipena, a Dorival Lopes, ao Zeca, ao Sandro Santos, a Eros Sanches, a Rodrigo Rudiger, a Julio Schneider, a Marcos e Dolores Maldonado, a Leandro Doro.

G. G. Carsan
Dezembro/2023

* G .G. Carsan, 58 anos, paraibano, fã, coleccionador e divulgador, começou aos 7 anos a ler Tex e nunca mais parou. Realizou 9 exposições em João Pessoa, escreveu várias aventuras para Tex, palestras em vários Estados e plateias e quatro livros sobre a personagem no Brasil.

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ESTATÍSTICAS BONELLIANAS – 2023: CAPAS & CORES

Por Saverio Ceri

Quarta e última parte dedicada aos números bonellianos de 2023. Depois das personagens, argumentistas e desenhadores, desta vez, descobriremos os ilustradores que realizaram capas inéditas para as edições da Bonelli, e os profissionais que foram chamados para colorir as páginas, inéditas ou não, neste ano de 2023 que está prestes a chegar ao fim.

Nem mesmo Tex consegue impedir a cavalgada de Piccinelli, também ele em 2023 o capista mais produtivo da Bonelli

Para os autores das capas há que precisar que as capas que aparecem na classificação são apenas as inéditas encomendadas pela Bonelli para os seus volumes. Não foram contabilizadas imagens “recicladas”, isto é, feitas no passado para outros fins (como capas de edições estrangeiras ou ilustrações para eventos de banda desenhada) e usadas como capas para os volumes de banca ou volumes de livraria; assim como não foram contabilizadas capas, embora inéditas, publicadas por outras editoras. Também não foram contabilizadas capas realizadas pela redacção criadas com montagem e coloração de imagens internas dos álbuns. Fazem parte desta categoria as capas do recente volume de Tex com a história “descoberta” de Tarquinio ou as três de Dragonero/Conan contidas na box lançada em Lucca.
Para os coloristas, deve-se precisar que para os álbuns assinados por várias mãos, tentei, tanto quanto possível, creditar o melhor possível as várias páginas; não posso dizer que o tenha conseguido totalmente; em alguns casos, quando é impossível diferenciar os estilos, simplesmente dividi em partes iguais: e isso explica também alguns números decimais da classificação. Exorto os coloristas envolvidos nessas revistas com várias assinaturas a relatar imprecisões, se as encontrarem, ajudando-me a corrigir as cronologias das séries envolvidas, atribuindo a cada um os seus próprios méritos.

Entre as capas contabilizadas em 2023 não encontrarão a da variante da edição 700 contida na Zagor Box, visto que se trata de uma reformulação gráfica editorial a partir de uma vinheta da mesma edição

Os capistas
Este ano, 49 ilustradores estiveram envolvidos na criação das 222 capas inéditas dos álbuns e volumes da editora Bonelli; Foram encomendadas 181 capas para lançamentos inéditos e 41 para reimpressões ou variantes. Quase todos os dados caíram em comparação com o ano passado; são 4,72% de capas a menos, 14,03% de autores a menos e 7,65% a menos de capas destinadas a revistas ou livros inéditos, em comparação com 2022. Apenas as capas novas, mas destinadas a reimpressões ou variantes, são exactamente 41, como nos doze meses anteriores.
De seguida podemos observar o número de capistas que trabalharam na Bonelli nos últimos 15 anos.

A safra de 2023 como número de capistas empenhados é a sexta melhor de sempre. Se falarmos apenas do número de capas inéditas, o ano que acabou está em 7º lugar; o ano mais rico em capas continua a ser o de 2018 com 270 capas realizadas por 65 desenhadores.
Abaixo encontra-se o ranking dos capistas, por número de capas publicadas, o “E” de estreante refere-se ao facto de ser esta a estreia nesta categoria para a Bonelli.
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O pódio
Alessandro Piccinelli, responsável pelas capas de todos os volumes de Zagor publicados em 2023, conquista novamente o lugar mais alto do pódio pelo terceiro ano consecutivo, e pela quarta vez na carreira; Para ele também é o sétimo ano consecutivo no pódio: quatro medalhas de ouro e três de prata nos palmarés como capista.
A propósito de palmarés: este ano  soma uma medalha de prata ao seu, Claudio Villa, depois de um ano fora do pódio; a deste ano é a sétima medalha de prata do desenhador de Lomazzo, que também conta com duas medalhas de bronze e, sobretudo, vinte medalhas de ouro!
Maurizio Dotti confirma o pódio, mas um degrau abaixo do que conquistou há doze meses; para o capista de Tex Willer é o terceiro pódio na sua carreira; nos últimos três anos conquistou uma prata e dois bronzes.
No Top Ten encontrámos os habituais dez capistas do ano passado, embora em posições diferentes.

Auto-retrato de Claudio Villa, que em 2023 reconquistou o pódio dos capistas, após um ano de ausência

Os veteranos
O veterano dos capistas entre aqueles publicados este ano, é Giancarlo Alessandrini que desenhou a sua primeira capa bonelliana em 1977 para a série Un uomo, un’avventura; depois dele Enea Riboldi que colabora nas capas Bonelli desde 1985 com Indiana Jones, e Claudio Villa que desenha capas bonellianas desde 26 de Setembro de 1986, com a mítica capa de estreia de Dylan Dog.
Entre os artistas de capas mais contínuos encontramos o próprio Alessandrini que cria ilustrações para capas pelo 42º ano consecutivo; Villa completa 30 anos sem interrupção; Soldi, embora ao ritmo de uma capa por ano, está na sua 26ª presença consecutiva; finalmente Riboldi aparece constantemente no ranking há 24 anos.

As três capas de estreia dos veteranos Alessandrini, Riboldi e Villa. Publicadas respectivamente em 1977, 1985 e 1986

Os Anos Vinte
Tal como para as outras classificações somamos as capas dos últimos quatro anos para estabelecer a classificação provisória dos Anos Vinte deste século. Pelo menos as primeiras dez posições, em 96 no total. Piccinelli reforça a liderança sobre Claudio Villa; a seguir, encontramos Dotti que ultrapassa e distancia-se de Giardo. Quinto, Pagliarani que leva uma pequena vantagem sobre a dupla de perseguidores mais próximos, nomeadamente Spadoni, que igualou o sexto lugar  de Riboldi. As oitava e nona posições são de Alessandrini e dos irmãos Cestaro, enquanto De Tommaso perdeu terreno na décima posição; provavelmente em 2024 ele terá que lutar com Biglia para se manter no Top Ten.

Capistas históricos
Na classificação All-time dos capistas bonellianos, graças às capas de 2023 Piccinelli ganha 4 posições passando do 18º ao 14º lugar, ultrapassando Bignotti, Atzori, Donatelli e Roi.

Maurizio Dotti conquista em 2023 a terceira posição entre os mais prolíficos capistas da década

Os coloristas
Neste ano que está prestes a terminar houve um total de 4.962,33 páginas com cores especialmente criadas, tanto para edições inéditas quanto para reimpressões, ou seja, 13,42% a mais do que no ano passado, um número que vai contra a tendência deste ano quase inteiramente marcado por dados decrescentes. O aumento face a 2012 deve-se sobretudo ao ano de comemorações que marcou o lançamento de quatro álbuns comemorativos quadricolores: Martin Mystère 400, Julia 300, Zagor 700 e o Tex do 75º aniversário.
Destas 4.962,33 páginas a cores, 1.476 são páginas de histórias do passado, coloridas pela primeira vez em 2023; as restantes 3.486,33 são páginas inéditas, publicadas imediatamente a cores, ou seja, 16,09% a mais que nos doze meses anteriores.
O gráfico abaixo mostra a incidência das páginas a cores sobre o total de páginas inéditas publicadas, desde 2015, ano do lançamento da linha de livraria da editora, até hoje. Como se pode ler, a quantidade de páginas a cores representa 18,85% do total deste ano. Em comparação com o ano passado, estamos um pouco mais próximos dos números de 2017, quando mais de um quarto das páginas foram publicadas directamente a cores. Em termos percentuais, é o quinto ano mais colorido de sempre para a editora Bonelli.
Por diferença podemos dizer que as páginas inéditas em preto e branco publicadas este ano giram em torno de 15.000; para que conste apenas em termos de páginas impressas monocromáticas, este é o valor mais baixo de 1997 até hoje.
Nos últimos doze meses, foram contratados 49 coloristas (ou estúdios de coloristas) para colorir os volumes da Bonelli, catorze a mais que no ano passado; outro dado que vai contra a tendência em comparação com as demais categorias. Abaixo no gráfico pode-se ver a tendência desses dados nos últimos nove anos.
Um esclarecimento: não são atribuídas páginas já coloridas em ocasiões anteriores e simplesmente republicadas; faltam na contagem, por exemplo, as páginas dos Tex e Zagor Classic (já que as cores são as habituais da Collezione Storica do Repubblica); ou páginas Bonelli coloridas este ano, mas para outras editoras, como as reimpressões a cores de Mister No e Piccolo Ranger nas bancas com a Gazzetta dello Sport. Segue-se a classificação completa dos 49 coloristas, ou equipa de coloristas, que trabalharam nos volumes da Bonelli em 2023:
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O pódio
Pelo quarto ano consecutivo vence o estúdio GFB Comics, com a equipa de trabalho liderada por Valentina Mauri, que se ocupou de colorir, também este ano, 7 das 12 edições da republicação de Storia del West. O staff  liderado por Valentina está no quinto pódio consecutivo: além dos quatro ouros mencionados, também ostenta uma medalha de prata datada de 2019.
Apesar de ter poucas páginas coloridas a mais do que no ano passado, sobe do sétimo para o segundo lugar, conquistando assim a medalha de prata Adele Matera, trabalhando em 4 séries de livros: este é o primeiro pódio para ela.
A coloração dos outros cinco volumes de Storia del West do ano leva Flavio e Francesco Chiumento ao terceiro degrau do pódio: este é também o primeiro pódio bonelliano da dupla forte das edições If.

Adele Matera, aqui premiada na última edição de Etna Comics, foi uma das coloristas mais empenhadas na editora Bonelli no decurso de 2023

Os Anos Vinte
Também para os coloristas vamos dar uma vista de olhos à classificação dos Anos Vinte do século XXI, após o quarto ano. Seguem-se as primeiras 10 posições.
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De referir que os três primeiros lugares, inalterados face aos doze meses anteriores, são ocupados por coloristas que se ocupam exclusivamente de reimpressões. Já da quarta à décima posições encontramos coloristas que se ocupam principalmente da criação de cores para edições inéditas. Arzani e De Biase, ambos vinculados à série Odessa, saem do Top Ten, e Matera e Vattani entram no seu lugar, ganhando três e cinco posições respectivamente em relação a 2022.
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Números… especiais
Vamos terminar a quarta e última parte dos números bonellianos de 2023, com os dados relativos às edições fora de série.
Em 2023 os volumes especiais, incluindo gigantes, maxi, magazine, cartonatos à francesa, color, mini-séries e vários spin-offs, foram 51, um a menos do que no ano anterior, atingindo o número 1121 desde o primeiro publicado há muitos anos: Cico Story.
As páginas inéditas publicadas em volumes fora de série no ano que acabou de terminar foram 5.634, ou seja, 284 a menos do que em 2022, que é o número mais baixo de 2009 até hoje;
Estas 5.634 páginas respondem por 30,46% do total da produção inédita do ano; um valor crescente em relação aos doze meses anteriores, mas no geral em média com os anos de 2001 até hoje (30,02%). A média de páginas inéditas de cada fora-de-série foi de 110,47, a mais baixa desde a existência dos especiais. Praticamente um especial da Bonelli neste momento tem, em média, apenas meia página a mais do que um Tex ou Julia mensal. Em suma, os “especiais” estão a tornar-se cada vez mais “normais”, tanto que os Bis, a última inovação em termos de fora-de-série, nada mais são do que edições standard em todos os aspectos, mas fora de numeração.

A 19ª aventura da jovem Julia é apresentada no segundo Bis da série (após 10 almanaques e 7 especiais). Com a introdução do Tenente Webb, parece que as aventuras da jovem criminologista estão prestes a reunir-se com a estreia da série: em comparação ao elenco principal, falta agora apenas Emily

O personagem que mais páginas teve publicadas fora da série regular foi este ano, com o número recorde de 1796 páginas extras, Tex, que pela quarta vez assume a liderança deste ranking. Para procurar a anterior afirmação de Águia da Noite é preciso voltar ao século passado: de facto, 1997 foi o último ano em que Tex foi o personagem a quem mais páginas extras foram dedicadas. Dylan Dog abre mão da liderança anual, apesar de continuar sendo de longe o personagem mais “especial” de 1979 até hoje. Terceira posição para Zagor, destacadíssimo de todos os demais. Aos três habituais personagens do pódio foram dedicadas 85,69% das páginas fora-de-série do ano que está a chegar ao fim.

O volume “a mais” de Tex que permitiu o Ranger destronar Dylan Dog e ser o personagem mais “especial” de 2023

Mauro Boselli com 828 páginas foi o escritor mais publicado em volumes fora-de-série neste 2023; vence pela terceira vez esta particular classificação. Atrás de si no pódio Russo e Ruju.
A medalha de ouro dos  desenhadores fora-de-série vai, pela sexta vez na sua carreira para  Roberto Diso, responsável este ano por 336 páginas “especiais”. Completam o pódio, muito  texiano Alessandrini e Dotti.
Alessandro Piccinelli, com 9 capas, é o capista  mais publicado nos volumes fora-de-série pelo sexto ano consecutivo. Seguem-no no pódio Dotti e Villa.

Para o 2023 Bonelliano em números, é tudo. Novo encontro no final de 2024.
Saverio Ceri

Material apresentado no blogue Dime Web em 28/12/2023; Tradução e adaptação (com a devida autorização): José Carlos Francisco.
Copyright: © 2023, Saverio Ceri

ESTATÍSTICAS BONELLIANAS – 2023: O ANO DE GERASI

BONELLI 2023: O ANO DE GERASI

Por Saverio Ceri

Terceiro apontamento com o resumo da safra bonelliana do ano 2023. Um esclarecimento antes de começar, sobretudo porque se irá falar de desenhadores: algumas edições são assinadas por várias mãos, muitas mãos; Essa abundância de assinaturas às vezes impede a equipa editorial de indicar quais páginas individuais da edição em questão são desenhadas por um ou por outro ilustrador.
Por isso, existem volumes nos quais dois a oito desenhadores colocaram as mãos, muitos dos quais são recém-chegados (e, portanto, com uma característica menos reconhecível), “amalgamados” em alguns casos pelos coloristas, que, por um lado com o seu trabalho, facilitam a fusão entre os estilos que impedem desfasamentos brutais de design, por outro lado, complicam a atribuição dos autores dos desenhos originais.
Portanto, ao tentar creditar melhor as várias páginas, não se diz que tal foi conseguido; pelo contrário, exorto os desenhadores e os coloristas envolvidos nesses volumes com várias assinaturas a relatar imprecisões, se as encontrarem, ajudando-me a corrigir as cronologias da série envolvida, dando a todos os seus próprios méritos.

Sergio Gerasi, o desenhador mais publicado nos volumes bonellianos neste ano de 2023

Desta vez debaixo dos holofotes, como dissemos anteriormente, estão os ilustradores, os 167 desenhadores que este ano nos brindaram com os seus lápis e tintas da china; mantém-se a tendência decrescente dos últimos anos, desta vez são onze a menos do que nos 12 meses anteriores. Já são 62 a menos que no ano recorde de 2018. No gráfico abaixo, que compara os dados dos últimos quinze anos, vemos que 2023 é o pior desde 2013, mas em nome da verdade, é o décimo melhor resultado de sempre, dado que é superior a todos aqueles dos anos de 1941 a 2013.

Este ano, houve 7 desenhadores a estrearem-se na Bonelli, dois a menos que no ano passado; Pode encontrá-los todos na próxima tabela porque estão indicados com a letra E ao lado do número de páginas.
Na tabela encontram-se todos os 167 ilustradores alinhados por número de pranchas publicadas, incluindo os irmãos Cestaro e os irmãos Esposito que, geralmente trabalhando em duplas, ocupam apenas uma posição. Lembramos também que o “PB” verde ao lado do nome significa Personal Best, caso o desenhador em questão tenha estabelecido o seu recorde pessoal nas páginas bonellianas publicadas neste ano (o “PB” é amarelo em caso de recorde igualado), e que os números decimais são consequência de histórias assinadas por muitas mãos.


O pódio

Graças à colaboração com três séries neste 2023 Sergio Gerasi é pela primeira vez, com oseu próprio recorde pessoal de 528 páginas, o desenhador mais publicado do ano nos álbuns Bonelli; para ele é também a sua primeira vez no pódio e directamente para o degrau mais alto.
Atrás dele nos degraus mais baixos do pódio estão dois veteranos bonellianos: Stefano Di Vitto e Roberto Diso. 
Apesar da longa militância bonelliana para Stefano Di Vitto é apenas a primeira medalha de prata da sua carreira, visto que até praticamente ao início deste ano ele assinou as páginas juntamente com o seu irmão Domenico, mesmo que eu tenha dúvidas, como já escrevi diversas vezes nos textos da rubrica Secret Origins: Mister No, que as páginas eram na maioria dos casos creditadas apenas a Stefano, dada a assinatura recorrente nas mesmas páginas “S. Di Vitto”, que no entanto também pode ser interpretada como “Studio Di Vitto”.
Terceiro lugar para o incrível Roberto Diso que, com mais de noventa anos, continua a produzir páginas de banda desenhada; este ano, além do clássico Tex, também estreou nas páginas da Zagor. Para Diso é o nono pódio da sua carreira: o seu seus palmarés inclue a medalha de ouro em 2010 como desenhador mais prolífico do ano, três medalhas de prata e, com a deste ano, cinco de bronze.

Stefano Di Vitto, medalha de prata entre os desenhadores bonellianos mais prolíficos em 2023

O Top Ten
Entre os dez primeiros deste ano não encontramos nenhum autor que também esteve presente no ano passado e apenas um par, Gerasi e Walter Venturi, que estiveram presente há dois anos.
Entre os desenhadores do Top Ten deste ano, Roberto Diso é seguramente o mais habituado a atingir os patamares mais altos, aliás é a 21ª vez que atinge estes níveis. Raffaele della Monica também tem certa familiaridade com o Top Ten, tendo-o alcançado 11 vezes, sendo a primeira directamente como estreante bonelliano. Na oitava participação entre os dez, destacamos os veteranos De Angelis e Alessandrini, 6 presenças para Walter Venturi, três para Bertolini e duas para Gerasi e Stefano Di Vitto. Fazendo a sua primeira aparição no Top Ten está Andrea Venturi, que acumulou páginas sobre páginas nos últimos anos, para vê-las todas publicadas entre o final de 2023 e o início de 2024.

Surpreendente: o veterano Roberto Diso estreia nas páginas de Zagor aos 91 anos!

Escrevemos anteriormente que nenhum desenhador conseguiu se repetir em relação a 2022. Acrescentemos outro dado: nos últimos doze anos tivemos doze vencedores diferentes entre os ilustradores. Com efeito, não é fácil repetir bons resultados nesta categoria apenas um ano depois, dado que muitas vezes as histórias só são agendadas nas diversas publicações depois de concluídas, e por vezes os programas já estão cheios há muitos meses, pelo que acontece que as páginas de um único autor não são vistas há anos, principalmente no caso de histórias muito longas, e que então, como dissemos anteriormente no caso de Andrea Venturi, chegam todas às bancas num curto espaço de tempo. Para entender quem são os desenhadores mais prolíficos, provavelmente deveria ser criado um ranking que levasse em consideração um período de tempo maior do que os habituais 12 meses. Um período adequado poderia ser de cinco anos, o que também é tempo suficiente para desenhar e programar uma longa história de Tex.
Tentámos criar uma classificação desse tipo, uma espécie de ranking do último quinquénio, dos últimos 35 anos, obtendo efetivamente um ranking mais parecido com o dos argumentistas com posições mais estáveis ​​ao longo do tempo, com desenhadores que permanecem por anos no topo do ranking de prolificidade, que resistem décadas nos dez primeiros lugares, mas também meteoros, ilustradores que são altamente publicados por um curto período, e depois desaparecem ou quase. Mas falaremos sobre isso num próximo capítulo de Diamo i numeri em 2024. Agora veremos apenas a classificação do lustro 2019-2023 com relativos deslocamentos em comparação com o mesmo tipo de ranking do quinquénio 2018-2022.

Max Bertolini, apesar de nunca ter vencido o ranking anual, é o desenhador mais prolífico das edições bonellianas nos últimos cinco anos, evidentemente é muito publicado, não muitíssimo, mas constantemente. Mesmo com a quantidade de páginas do quinquénio mais baixa de sempre, é a primeira vez que Bertolini chega ao topo deste “novo” ranking e supera Corrado Roi, que, saibamos (como irá descobrir como dissemos anteriormente, num dos próximos capítulos), é o rei do ranking de cinco anos, sendo o ilustrador mais prolífico em nove anos, oito dos quais consecutivos entre 2013 e 2020, e que está constantemente no pódio dos velocistas há treze anos.
Walter Venturi está presente neste restrito círculo de autores mais publicados de há três anos e confirma o terceiro lugar no ano passado. Sergio Gerasi regressa a este Top Ten após um ano de ausência, enquanto Bruno Brindisi mantém uma posição nos primeiros lugares pelo segundo ano consecutivo. Todos os demais, apesar de serem “novas entradas”, já haviam frequentado este ranking no passado; alguns, como Alessandro Chiarolla, vencedor por três anos consecutivos (entre 2002 e 2004), outros, como Roberto De Angelis, chegando ao pódio num par de ocasiões.

Max Bertolini é em média o desenhador que mais publicou em volumes bonellianos nos últimos cinco anos

Os veteranos
Entre os desenhadores publicados este ano encontrámos um grande número de veteranos. Três colaboram com a editora há mais de sessenta anos, a começar pelo falecido Giuseppe Montanari que desenhou pela primeira vez para a Bonelli há 69 anos e que nos deixou em 2023. Depois dele encontrámos Giovanni Ticci cuja estreia bonelliana remonta há 65 anos atrás, cinco anos antes de Sergio Tarquinio, de quem, neste estranho ano de descobertas, comemoramos os sessenta anos desde a primeira publicação oficial, bem como a estreia do desenhador mais maduro nas páginas de Águia da Noite aos 98 anos!

A propósito de veteranos: Sergio Tarquinio surpreende-nos com a sua estreia em Tex com 98 anos!

Em comparação, os 48 anos de colaboração de Roberto Diso parecem triviais, assim como os 46 de Giancarlo Alessandrini. Também o companheiro de mil aventuras de Montanari, Ernesto Grassani, reentra entre os veteranos deste 2023, aliás já o apreciámos há 44 anos, seguido por Fabio Civitelli, na crista da onda bonelliana há 43 anos. Claudio Villa, Ugolino Cossu, os irmãos Di Vitto e Franco Saudelli, por fim, completaram em 2023 os seus 40 anos na editora Bonelli.
Entre os desenhadores mais constantes, aqueles publicados continuamente há décadas, destacamos que lemos as páginas de Giovanni Freghieri há 39 anos consecutivos, um a mais que Montanari & Grassani; seguido por Michelazzo, que publica ininterruptamente há 29 anos, e Piccoli, há 26.

Giuseppe Montanari, recentemente falecido, publicou as suas primeiras páginas em volumes bonellianos em 1954

Série per série
Prosseguimos com a lista dos desenhadores mais produtivos para cada série, pelo menos aqueles com 350 páginas publicadas no ano que acaba de terminar. Segue-se, abaixo, uma tabela-resumo, com o número de páginas publicadas e o número de vitórias anuais relativamente à série em questão.
Em Dampyr o mais publicado no espaço de doze meses é, pela quarta vez, Andrea dal Campo, que, graças às 282 páginas do caçador de vampiros, também estabelece o seu recorde pessoal anual.
Nas séries dedicada a Dragonero, o actual capista Gianluca Pagliarani prevalece sobre os seus colegas, conquistando o seu primeiro título na série.
Nas páginas de Dylan Dog em 2023 lemos principalmente páginas desenhadas pelo vencedor absoluto do ano Sergio Gerasi. Para ele, é o segundo “scudetto” dylaniano que ganha, depois da vitória em 2021.
Três vencedores para Julia: Piccoli, Michelazzo e Boraley, e para todos é o sétimo sucesso nesta série.
Vencedor quase inédito para Martin Mystère: este ano o mais publicado foi Fabio Grimaldi, cuja primeira vitória nesta série remonta a 2011;
Das duas séries dedicadas a Morgan Lost, o mais visto foi Matteo Mosca, para ele é o segundo “scudetto” de Morgan Lost.
Para Nathan Never, terceira vitória anual, segunda consecutiva para Max Bertolini; para encontrar a precedente dupla vitória consecutiva entre os desenhadores, nas páginas desta série, temos de voltar quase ao início da série, quando Stefano Casini foi o mais publicado em 1993 e 1994.
O primeiro título de Andrea Venturi chega através de Tex, graças às três primeiras partes da história dedicadas ao retorno do Tigre Negro.
Por fim, o mais publicado nas páginas de Zagor é Stefano Di Vitto a solo pela primeira vez.

Os Anos Vinte
Chegámos também para os desenhadores, à classificação da década, ou pelo menos ao início da década, dado que para os Anos Vinte do século XXI apenas decorreram apenas quatro anos. De seguida o Top Ten momentâneo.
Walter Venturi por apenas cinco páginas, publicadas, entre outras in extremis no Martin Mystère “natalício”, mantém a liderança sobre Max Bertolini; Graças às façanhas dos últimos doze meses, Sergio Gerasi ganha 13 posições e sobe temporariamente ao degrau mais baixo do pódio bonelliano dos Anos 20.
Fabrizio Russo sai do pódio depois de perder cinco posições num par de anos: do primeiro para o sexto lugar. Raffaele della Monica sobe na classificação atingindo o quarto lugar, ultrapassando o regular Corrado Roi, estável na quinta posição. Já Marcello Mangiantini caiu para sétimo, à frente de Sergio Giardo, que subiu do décimo para o oitavo lugar. Fechando o Top Ten da década estão Alessandro Chiarolla, estável na nona posição e o veterano Roberto Diso que subiu treze posições. Saem dos andares superiores desta classificação, Freghieri e Brindisi.

Walter Venturi é de momento o desenhador mais publicado nos volumes bonellianos nos Anos 20 do XXI século

All-Time
Graças às poucas páginas publicadas em 2023, Civitelli ultrapassa Brindisi, com nenhuma página publicada após 33 anos de publicação ininterrupta nas edições Bonelli, no vigésimo lugar do ranking dos desenhadores mais publicados de todos os tempos na editora Bonelli .
Stefano Di Vitto e Ugolino Cossu com as páginas deste 2023, ultrapassam a marca das 5.000 páginas publicadas pela Bonelli. Eles estão actualmente em 33º e 34º, respectivamente, na classificação bonelliana de todos os tempos.
Encerramos aqui esta terceira parte dos números bonellianos de 2023, convidando-vos a descobrir nos “episódios” anteriores todos os números das personagens e as classificações dos argumentistas. Voltaremos a encontrar-nos em breve,  para o quarto e último post dedicado aos números bonellianos de 2023: irá falar-se de capistas, coloristas e álbuns especiais.
Saverio Ceri

Material apresentado no blogue Dime Web em 26/12/2023; Tradução e adaptação (com a devida autorização): José Carlos Francisco.
Copyright: © 2023, Saverio Ceri