ESTATÍSTICAS BONELLIANAS 2023 – SEGUNDA ESTRELA PARA BOSELLI!

BONELLI 2023: SEGUNDA ESTRELA PARA BOSELLI!

Aqui estamos com a segunda parte dos números bonellianos de 2023, onde descobriremos quem escreveu, página por página, as 18.494 páginas inéditas de banda desenhada produzidas pela Bonelli nestes últimos doze meses.

Ilustração de Massimo Gamberi dedicada, há algum tempo, ao argumentista mais publicado em 2023 nos volumes Bonelli. Adivinham quem ele é?

Os escritores envolvidos nos volumes bonellianos em 2023, foram, tal como o ano passado, 73. Foram seis os argumentistas que tiveram este ano a sua primeira experiência bonelliana, um a mais que em 2022. Na tabela abaixo eles aparecem listados como estreantes, mas alguns deles já têm uma carreira relevante na área da banda desenhada. No ranking abaixo encontrámos todos os 73 escritores de 2023, alinhados por número de páginas inéditas publicadas; descobrirão com quais personagens eles colaboraram e se o resultado dos últimos doze meses é o seu recorde pessoal (PB verde se superado, PB amarelo se igualado) ou se, como dissemos anteriormente, eles se estrearam na editora (E).

O pódio
Actualizamos, como todos os anos desde a criação desta rubrica, a contabilidade recorde de Mauro Boselli: também este ano é dele a medalha de ouro dos mais prolíficos escritores bonellianos. É a vigésima vitória na carreira do argumentista milanês, a décima terceira consecutiva. Se Mauro fosse uma equipa de futebol, poderia costurar na sua camisa, não só o campeonato do ano que vem, mas também a segunda estrela… para sempre. Precisamente neste ano, curiosamente, o único outro argumentista da história da editora que pode ostentar um par de estrelas, G.L. Bonelli regressa para “nos oferecer” uma aventura inédita redescoberta, aparecendo pela primeira vez no nosso ranking, já que sua última aventura tinha sido publicada em 1991 e Diamo i Numeri estreou-se em Janeiro de 1993.
Para Mauro este é o 20º pódio consecutivo, 26º no geral. Além das vinte medalhas de ouro virtuais, Boselli também pode ostentar cinco medalhas de prata e uma de bronze conquistadas em 37 anos de carreira como escritor.
A “apenas” 950 páginas encontramos Luca Enoch no seu melhor resultado anual de sempre. O argumentista de Dragonero, quarto no ano passado, sobe ao pódio batendo o seu recorde de 1.062 páginas, que lhe rendeu o único outro pódio de sua carreira, o terceiro lugar em 2014.

Luca Enoch estabeleceu em 2023 o seu próprio recorde de número de páginas publicadas, como escritor, num ano

Apesar de ter descido um degrau, Pasquale Ruju mantém o seu lugar no pódio pelo quarto ano consecutivo; muito longe das 1604 páginas, que constituem o seu recorde, e que lhe permitiram em 2010, o último a conseguir superar Boselli em páginas publicadas. Para Pasquale é o nono pódio da sua carreira: o seu palmarés bonelliano é compostos por uma medalha de ouro, 5 de prata e 3 de bronze, de 1995, ano de sua estreia, até hoje.
Apesar do ano recorde, Jacopo Rauch não conseguiu alcançar o segundo pódio da sua carreira por apenas 4 páginas.

O Top Ten

Nos andares superiores, os dez primeiros lugares do ranking, encontramos três novas entradas face a 2022: Michele Medda, que consegue conquistar o Top Ten pela décima vez na carreira, a última vez tinha sido em 2021; Por sua vez Barbara Baraldi e Alessandro Russo têm a sua primeira aparição. Baraldi traz o sexo feminino de volta ao Top Ten após o pódio de Paola Barbato em 2016. Vigna, Rigamonti e Eccher deixam por sua vez o Top Ten.
Ainda falando sobre o Top Ten, Boselli está presente pela 31ª vez, e ininterruptamente há 30 anos; Berardi faz a sua 29ª participação, sendo as últimas 9 consecutivas; Burattini chega aos andares superiores pela 28ª vez, sendo quatro consecutivas; Ruju é presença regular do Top Ten há 10 anos e atinge este patamar pela 19ª vez na sua carreira; uma presença a menos, 18 no total, 2 consecutivas, para Vietti, o seu parceiro Enoch está posicionado entre os dez primeiros pela 9ª vez (7 consecutivas) e Rauch pela 5ª vez (a terceira consecutiva).

A nova responsável por Dylan Dog, Barbara Baraldi, entra pela primeira vez no grupo dos dez autores mais publicados da Casa Bonelli.

Os veteranos
Excluindo Giovanni Luigi Bonelli, que para todos os efeitos aparece com uma história inédita 83 anos depois da publicação da sua primeira história para a editora que fundou com a sua esposa, entre os escritores publicados este ano o veterano continua a ser Alfredo Castelli, com a sua 52ª presença bonelliana; Depois dele, a militância mais longa na casa Bonelli é a de Giancarlo Berardi, que publica edições na SBE há 46 anos; seguido por Maurizio Mantero, que se estreou na editora alguns anos depois, já que o lemos há 44 anos; Seguem Claudio Nizzi, com 42 anos, e Luigi Mignacco que em 2023 comemorou quadragésimo ano de carreira bonelliana.
Entre os autores publicados ininterruptamente todos os anos em volumes Bonelli, o recorde vai para o já citado Castelli; efectivamente já se passaram 47 anos, de 1977 até hoje, que lemos anualmente pelo menos uma história sua, seguido à distância por Luigi Mignacco, que é publicado ininterruptamente há 37 anos, seguido por Vigna (36 anos), Chiaverotti (35), Boselli (32), Burattini (31), Berardi (30), Ruju (29), Vietti (28), Enoch (27), Barbato e Mantero (26), Calza, Cajelli e Recagno (22). 

 

Não podemos deixar de aproveitar a presença de Giovanni Luigi Bonelli no ranking para lhe dedicar uma imagem nesta rubrica. 115 anos depois de seu nascimento, ele ainda consegue publicar histórias inéditas

Série por série
Prosseguimos com a lista dos escritores mais publicados em cada série, pelo menos daqueles com 350 páginas publicadas no ano que está a terminar.
Divulgamos de seguida uma tabela classificativa, com o número de páginas publicadas do escritor mais presente em 2023, e o número de vitórias anuais relativamente à série em questão.
Abrimos com Dampyr que pelo 23º ano, o sexto consecutivo, coroa Mauro Boselli como autor principal, ainda que com “apenas” 408 páginas. As 1.658 páginas que faltam no seu score anual, dedicou-as a Tex, resultando também neste caso o autor mais prolífico do ano, e o único a ganhar dois “títulos” de séries em 2023.
Todos os esforços bonellianos de Luca Enoch foram dedicados a Dragonero, nestes últimos doze meses, levando-o a ser o escritor do personagem mais publicado pela oitava vez.
Das inúmeras publicações dedicadas a Dylan Dog, a mais publicada do ano é Barbara Baraldi, que ganha seu primeiro “título” do pesadelo; A nova editora de Dylan Dog amplia o quadro de honra feminino nesta categoria, na verdade ela sucede ao casal Porretto-Mericone que esteve presente em 2022 e a Paola Barbato que foi a que mais publicou em 2021.
O 26º sucesso de Giancarlo Berardi em Julia e o 9º de Claudio Chiaverotti em Morgan Lost são um dado adquirido.
Entre os dois veteranos, na tabela, encontramos o nome de Alex Dante, estreando como argumentista na editora Bonelli e em particular de Martin Mystère: graças à história em três partes publicada imediatamente após o número quatrocentos, Alex acaba por ser o o escritor mais prolífico do ano na revista mensal do Detective do Impossível; ele é o quinto escritor diferente em cinco anos a aparecer no quadro de honra dos escritores mais publicados do personagem.
Apesar de ser um dos criadores de Nathan Never, Michele Medda, este ano o principal autor das aventuras do Agente Alfa, conquista apenas o seu terceiro campeonato na série, o anterior data de 1994!
Terceira vitória anual também para Jacopo Rauch nas publicações dedicadas a Zagor, depois dos sucessos de 2018 e 2021.

Giancarlo Berardi comemora os 25 anos de Julia, assinando, como sempre, todas as aventuras (a quatro mãos). Ilustração de Cristiano Spadoni, criada para o cartaz da mostra de Città di Castello dedicada ao criador de Ken Parker e de Julia no outono de 2023

Os Anos Vinte
Assim como para os personagens vamos abordar a classificação da década. Estamos na quarta das dez etapas que nos dirão quais serão os escritores mais publicados dos Anos Vinte do Século XXI. Este é por agora o Top Ten do ranking que deriva da soma dos anos 2020 a 2023.
No ranking dos anos vinte, o Top Ten contém, ainda que em posições diferentes, os nomes do ano passado: nenhum novo argumentista, de facto, este ano conseguiu conquistar um lugar no Top Ten à custa de outro colega.
As duas primeiras posições estão praticamente consolidadas; Enoch ganha o terceiro lugar, graças à façanha de 2023, em detrimento de Vigna que desce um degrau em relação a 2022, perdendo também algum terreno para o co-criador de Dragonero. Burattini mantém-se estável na sequência, com o colega zagoriano Rauch a aproximar-se perigosamente, graças ao bom ano que acabou de passar e que permite continuar a subir posições: este ano foi Berardi quem pagou o preço, que caiu do sexto para o sétimo lugar. Chiaverotti continua estável; perseguem-no, não muito longe, o outro criador de Ian Aranill, Vietti e Mignacco que trocaram de posição nos últimos doze meses.

Jacopo Rauch foi o mais publicado em Zagor neste 2023. Desenho de Fabrizio Russo

All-Time
Na classificação histórica (ou seja de Janeiro de 1941 até hoje), destacamos que graças às páginas publicadas este ano Ruju entra no Top Ten dos escritores mais publicados de sempre na editora Bonelli. Ruju, hoje décimo, ganha a posição às custas de Chiaverotti. Por sua vez Enoch ultrapassou nos últimos doze meses tanto Faraci como D’Antonio, e ocupa a 17ª posição entre os escritores mais publicados  pela Bonelli desde a sua fundação até aos nossos dias.
Recordamos também que durante 2023 Mauro Boselli superou, em primeiro lugar, a fasquia das 50.000 páginas escritas para a editora milanesa. Michele Medda, sempre no decurso dos últimos doze meses, superou, por sua vez, a marca das 15.000 páginas: é o  15º escritor a superar esta barreira.

Por hoje é tudo. Se você perdeu, convidamo-lo a ler a primeira parte dedicada às fantasmagóricas cifras bonellianas de 2023, e  voltaremos a encontrar-nos em breve com todos os números dos desenhadores bonellianos e com os dados referentes aos capistas, coloristas e álbuns especiais de 2023.

Saverio Ceri

Material apresentado no blogue Dime Web em 23/12/2023; Tradução e adaptação (com a devida autorização): José Carlos Francisco.
Copyright: © 20232, Saverio Ceri

ESTATÍSTICAS BONELLIANAS – BONELLI 2023: COMO TEX NÃO HÁ NENHUM

O final de cada ano é desde sempre o momento para fazer balanços. E, claro, Saverio Ceri não poderia deixar de nos dar os números totais relativos à produção Bonelliana ocorrida em 2023. Convidamos-vos a encontrar as edições anteriores da sua rubrica se acabou por as perder, pois estamos seguros que após estas novas estatísticas, ficarão tal como nós, à espera da próxima.

ESTATÍSTICAS BONELLIANAS – 2023

Por Saverio Ceri

BONELLI 2023: COMO TEX NÃO HÁ NENHUM

Bem-vindos uma vez mais ao relatório anual dos números Bonelli. Como no ano passado, vamos dividir o resumo numérico da safra Bonelliana em vários capítulos. Nesta primeira parte trataremos dos dados gerais e das personagens.

Tex completa três quartos de século estabelecendo um novo recorde absoluto: quase 4 mil páginas inéditas publicadas

Antes de descobrirmos este primeiro ranking de 2023 na íntegra, vamos renovar a premissa para os leitores que se deparam com esta rubrica pela primeira vez:
Aquelas que se seguem são classificações de quantidade, não de qualidade; são elaboradas considerando as páginas inéditas produzidas pela Sergio Bonelli Editore e publicadas exclusivamente pela própria editora Bonelli no decurso do ano. Não encontrarão assim todos os autores bonellianos, que dia após dia trabalham para a editora, mas apenas aqueles que nos últimos doze meses foram publicados; aparecerão assim autores que talvez já não trabalhem mais, mas cujas histórias ainda não tinham sido publicadas; não encontrarão também alguns autores que actualmente produzem material para a Sergio Bonelli Editore, mas cujas histórias não foram ainda programadas nas várias séries da editora italiana. Não encontrarão igualmente as páginas produzidas pela Bonelli, mas publicadas por outras entidades, tal como não serão contabilizadas as páginas não inéditas, quer tenham sido publicadas em álbuns bonellianos ou não. Ou seja, de modo a uma melhor compreensão, não encontrarão os dados das várias histórias reimpressas em edições de livraria, mesmo que, como no caso de alguns cartonados de Dragonero, sejam contabilizadas as cores porque foram realizadas propositadamente para a ocasião, ou as histórias breves de Groucho republicadas num Dylan Dog Color Fest, originariamente publicadas na “caixa” Grouchomicon de 2017. Não encontrarão também nem sequer vestígios dos volumes Cmon, ou de Mr. Wolf, porque apesar de contar com autores da editora Bonelli, trata-se de produções não bonellianas, das quais a SBE, neste caso, publica-as sob licença de outras editoras.

Do quadragésimo sexto color fest encontra-se no ranking de 2023 apenas os dados do colorista da história de Daw. A capa e as histórias são reimpressões e foram contabilizadas no ano da primeira publicação.

Após um ano de substancial estabilidade, em 2023 é retomada a queda no número de páginas produzidas anualmente pela Sergio Bonelli Editore. Na verdade, foram publicadas 18.494 páginas de inéditas de banda desenhada nos últimos doze meses, ou seja 6,38% a menos do que em 2022. Se compararmos os dados com o ano recorde de 2019, a queda é de 23,83%, ou seja quase um quarto de páginas a menos do que no período pré-pandemia.
O número de pranchas inéditas publicadas neste ano é o mais baixo dos últimos 12 anos, mas acreditamos que seja, pelo menos em parte, uma tendência escolhida pela editora: à espera de um novo personagem de sucesso, admitindo que ele chegue mais cedo ou mais tarde, melhor menos páginas, mas dedicadas cada vez mais aos personagens mais vendidos. Na tabela abaixo, de facto, vemos que os três personagens mais publicados de cada ano, os que estão no pódio (à parte da intrusão de Nathan Never em 2017, sempre foram Tex, Dylan Dog e Zagor nos últimos anos), registam uma tendência estável de crescimento e, este ano, para além do número recorde global de 9.428 pranchas, também ultrapassam o limite de 50% do total de páginas publicadas pela editora Via Buonarroti. Nos últimos seis anos a incidência das páginas dos três personagens no pódio geral da SBE, passou de pouco mais de 31% para quase 51%.
Com as mais de dezoito mil páginas deste ano, a editora ultrapassou a fantástica marca das 800 mil páginas produzidas desde a sua criação até hoje.

Bancas

Das cerca de 1.260 páginas “perdidas” em 2023, aproximadamente metade faltaram nas produções para as bancas de jornais. As páginas inéditas bonellianas que os – cada vez menos – leitores que frequentam os quiosques italianos puderam ler este ano foram 16.546, o número mais baixo de 1998 até hoje. Trata-se de 28% a menos de páginas inéditas publicadas em revistas de banca em relação ao ano recorde de 2016. Só para constar, as páginas destinadas às bancas do trio Tex, Dylan Dog, Zagor foram 56,44% do total.

Livrarias

A outra metade das páginas inéditas faltou no sector do livro, que este ano nos ofereceu apenas 1948 páginas novas, contra as quase 2600 nos doze meses anteriores, ou seja cerca de 25% a menos. Os dados também estão diminuindo no que diz respeito ao número total de volumes produzidos para o sector das livrarias: 61 publicações; e o número total de páginas nelas contidas: 10.423 páginas; em ambos os casos é o valor mais baixo registado nos últimos cinco anos. Só para constar, o pódio de 2023 das séries publicada nas livrarias é ligeiramente diferente do geral, com medalha de ouro Tex com 3.093 páginas; a muita distância Dylan Dog, prata com 1376 páginas; bronze pela primeira vez Dragonero com 713 páginas. Colapso para Zagor que passa do segundo lugar em 2022 para o quinto este ano. Se considerarmos apenas o material inédito, o pódio é composto por: Simulacri (186 páginas), Eternity (180) e Dragonero (174).

Simulacri é este ano a série que trouxe mais páginas inéditas às livrarias

As publicações

Como já registamos há anos, a tendência é a de criar livros cada vez mais enxutos. Este ano, foram 186 publicações com material inédito, doze a menos que em 2022, o equivalente a -6,06%. A média de páginas inéditas por volume cai ligeiramente em relação aos doze meses anteriores, e fica em 99,43 páginas, 0,34% a menos que 2022. O recorde de 2011, que ficou próximo das 130 páginas por volume, está cada vez mais distante.

As séries e os personagens
As séries one-shot que encontraram espaço nos álbuns bonellianos neste 2023 foram 26, duas a menos que no ano passado, das quais 2 são novidades absolutas, Viaggio notturno e Riflesso perfetto, e três retornam após pelo menos um ano de ausência: Cani Sciolti, Lombroso e Magico Vento. Abaixo pode-se conferir todos os personagens alinhados com base nas páginas inéditas que pudemos ler em 2023. A sigla “RS” ao lado do ranking indica que o resultado deste ano é o recorde histórico daquele personagem, se verde foi ultrapassado, se amarelo foi igualado.

Tex volta a ser o personagem mais publicado, pelo sexto ano consecutivo, pela 53ª vez na história da editora. Com as 3.960 páginas inéditas de 2023 supera o recorde absoluto de páginas publicados num ano para um personagem, estabelecido há apenas 12 meses. São em média 76 páginas por semana: não cremos que sejam produzidas tantas páginas a cada 7 dias para qualquer outro personagem no mundo. O resultado foi alcançado graças às comemorações do 75º aniversário que contaram com a publicação de um Magazine extra e do volume para livraria com o redescoberto Tex de Bonelli e Tarquinio; estes dois lançamentos especiais fazem com que o Águia da Noite ultrapasse os 35 volumes inéditos anuais anteriormente estabelecido, chegando a 37: mais de três volumes inéditos por mês!

O Tex do “passado” contribui para estabelecer mais um recorde para o Tex do presente

Atrás de Tex encontramos mais uma vez Dylan Dog, que ultrapassa as 3.000 páginas pelo terceiro ano consecutivo, reconfirmando os 27 lançamentos anuais, que evidentemente foram um pouco mais substanciais do que o habitual visto que com 3.074 páginas bate o seu próprio recorde histórico, embora apenas por 2 páginas, estabelecido anteriormente em 2021.
Zagor mantém o terceiro lugar em número de páginas, ficando atrás de Dragonero em termos de volumes inéditos publicados. A queda nas páginas dedicadas ao Rei de Darkwood, a mais baixa dos últimos sete anos, é explicada pela falta de iniciativas extras em 2023 em comparação com os clássicos lançamentos em bancas. Na verdade, nos anos anteriores, os dados de Zagor haviam sido um tanto alterados por excesso, graças à série de tiras, ao magazine do 60º aniversário, ao crossover com Flash e às minisséries Origins e Darkwood Novels.
Dragonero confirma o quarto lugar do ano passado, e reduz pela metade a desvantagem para o Espírito com a Machadinha graças às páginas inéditas da série dedicada às “aventuras míticas” do jovem Ian e ao crossover com Conan, totalmente contabilizado em 2023 visto que todos osvolumes podem ser encontrado na Box de Lucca. Não obstante a explosão, não supera o seu recorde anual por apenas treze páginas, que continuam a ser as 1969 páginas de 2018.
Nathan Never cede uma posição e é ultrapassado por Julia no quinto posto do ranking anual. Estáveis as duas posições sucessivas. 
Dois “regressados” completam o Top Ten, nomeadamente Morgan Lost e Magico Vento; o primeiro, apesar de ter menos páginas que no ano passado, ganha um par de posições, o segundo só precisou de dois números da nova minissérie para entrar no Top Ten como (re)estreante.

A minissérie Dragonero/Conan completa contida na Box de Lucca permite que a série de Ian Aranill consolide o quarto lugar no ranking anual da Bonelli

Os anos vinte

O ranking da actual década é enriquecido com os dados de 2023. Na quarta etapa a diferença entre os três primeiros e o resto do grupo aumenta. Dragonero, após ter ultrapassado Julia na etapa anterior, desta vez ultrapassa Nathan Never. Resistem ainda no Top Ten, pelo menos neste ano, Odessa e Morgan Lost, que trocam de lugar, mas nos próximos doze meses está pronto para reentrar o Comissário Ricciardi que com o próximo volume, se não houver surpresas, irá então ultrapassar Odessa.
All-Time 

No ranking histórico de 1941 até hoje, não há eventos dignos de nota em 2023, pelo menos nos 20 primeiros lugares. Destacamos a ultrapassagem de Morgan Lost sobre Orfani na 22ª posição do ranking; Para o personagem de Chiaverotti, a meta de 2024 é subir mais uma posição, alcançando e superando Napoleone. 

Aqui termina a primeira parte dos números Bonellianos do ano que está a findar. No segundo capítulo  abordaremos os argumentistas Bonellianos mais publicados pela editora neste 2023.

Até breve.

Saverio Ceri
Material apresentado no blogue Dime Web em 21/12/2023; Tradução e adaptação (com a devida autorização): José Carlos Francisco.
Copyright: © 2023, Saverio Ceri

EL MORISCO (por Moreno Burattini)

Por Moreno Burattini*

El Morisco (desenhado por Fabio Civitelli)

“Se querem o meu conselho, estejam atentos… falar com El Morisco dá azar”. Assim disse o mexicano a quem Tex e Carson tinham perguntado como chegar à casa, um pouco distante de Pilares, onde vive o estudioso egípcio. Os dois rangers precisam dos conselhos do bruxo (ou seja, o “feiticeiro”, como é conhecido pelos locais) para resolver um caso, mas até então ainda não o conheciam.

El Morisco e Tex na arte de Claudio Villa

Com efeito, à primeira vista a casa do brujo parece ter sido construída especificamente para despertar o medo, dadas as assustadoras máscaras decorativas e a insólita arquitetura que a distingue. No entanto, Tex e Carson não são do tipo de se fiarem nas aparências. Basta darem uma olhada dentro da casa para clarificarem as ideias. “Não! – diz o velho Cabelos de Prata – nenhum mágico ou feiticeiro!“. “Provavelmente um naturalista – responde Águia da Noite – e bastante inteligente também!“. A partir daquele primeiro encontro, surgido no nº 77 (Il tesoro del tempio“), Tex e os seus pards voltarão a encontrar El Morisco em mais de uma ocasião, ele que pode ser considerado como um verdadeiro “consultor” de Águia da Noite no que diz respeito à magia e ao esoterismo, mas também, de um modo mais geral, no campo naturalista, arqueológico ou científico. Em suma, um especialista em todos os campos da chamada epistemologia, isto é, o estudo do conhecimento, entendido quer em termos cartesianos (isto é, questionando certos conhecimentos), quer de maneira anti-cartesiana (ou seja, aberto ao ocultismo e à transcendência). Uma personagem contraditória? Pelo contrário, fiel ao conceito do mundo como porta de entrada para outros mundos, aquele segundo o qual “existe algo mais no céu e na terra do que aquilo que contempla a tua filosofia”. Em resumo, El Morisco não é um feiticeiro, mas um cientista iluminado. Capaz de iluminar a escuridão  com o seu conhecimento científico, para roubar ao oculto os seus segredos.

Diante dos olhos de Carson, que não esconde a sua preocupação, a viagem alucinógena de Tex tem início – Tex 77, página 69

É animado por uma curiosidade insaciável de estudo e conhecimento perante as maravilhas do mundo, e para ele também é uma maravilha tudo aquilo que para nós é desprezível. Uma figura que fascina, desde a caracterização inolvidável dada por Letteri, uma personagem capaz de abrir as portas da aventura até ao mistério. Mistério a ser revelado, sim, mas também a ser respeitado. A sua presença numa história é sempre sinónimo de uma viagem ao desconhecido, um olhar sobre um abismo encantado onde tudo é possível, mas nada é uma loucura, porque El Morisco está pronto a estudar o que quer que lá se encontre. Mesmo quando, como nesta história, surjam cogumelos alucinógenos, profecias, templos astecas e uma bela mulher, Esmeralda, a última descendente de Montezuma, que todos nós gostaríamos de ver por perto, se os já vivos desenhos de Letteri pudessem ganhar vida. Tal é a confiança que os pards têm de El Morisco após esta primeira aventura que Tex, sob o cuidado atento do brujo, está convencido a experimentar uma “viagem psicodélica” à base de pejote. “O seu amigo está a ver coisas certamente extraordinárias“, diz El Morisco, tranquilizando Carson preocupado em ver Willer “com aqueles olhos tão abertos”. Pena que, apesar do bruxo de Pilares ter assegurado que “absolutamente nada” iria acontecer a Tex, alguns instantes depois o ranger começa a disparar às cegas, ainda atordoado pelo ácido, acreditando estar diante de, nada mais nada menos, Mefisto!

Tex e Carson conhecem Eusébio, o lúgubre mordomo de El Morisco – Tex 77, página 55

Quando confrontado com os infernais “ouriços” extraterrestres que disparam espinhos capazes de matar em segundos, El Morisco sente a necessidade em eliminar esta ameaça, mas sem exterminá-los totalmente: “Não precisamos matar todos – diz – a ciência deve ser capaz de estudar estes seres extraordinários, e para isso é necessário que pelo menos dez espécimes sejam salvos e mantidos vivos!”. El Morisco é a chave com a qual Tex, mais racional e com os pés bem assentes na terra, consegue aceder às obscuras dimensões da magia, assim como às misteriosas fronteiras da ciência. “Você tem uma grande inteligência – diz Águia da Noite, voltando-se para o estudioso – enquanto eu e os meus pards só temos a vista apurada e o gatilho rápido!“. O corpulento egípcio com a pele polida, que passa os seus dias a estudar livros empoeirados e a lidar com vitrines cheias de tarântulas, escorpiões e cobras de todos os tipos é, sem dúvida, uma figura fascinante.

El Morisco – Capa de Aurelio Galleppini

O verdadeiro nome de El Morisco é Ahmed Jamal. O seu pai era médico em Menfi, no Egito, onde Ahmed nasceu e viveu durante vinte anos, estudando medicina e ciências naturais. Depois da morte do pai, o jovem Jamal mudou-se para o Cairo e decide abandonar a medicina para se dedicar ao estudo da papirologia e paleografia, aprofundando assim o conhecimento das antigas magias orientais e dos ritos esotéricos dos sacerdotes egípcios. Procurado pela seita dos “Filhos de Horus”, Jamal é obrigado a deixar o Egito, e graças à ajuda do arqueólogo Professor Doberado, consegue obter uma cátedra na Universidade da Cidade do México. No entanto, poucos anos depois, deixa o ensino e retira-se para Pilares, dedicando-se exclusivamente à investigação. As suas experiências tornam-no numa autoridade no estudo das antigas civilizações pré-colombianas, não só a nível histórico, mas também no que respeita ao mundo sombrio dos mitos e das lendas, das plantas e dos minerais com estranhas propriedades e das antigas práticas medicinais dos curanderos. Os locais trazem-lhe exemplares da fauna e da flora da região, por isso Ahmed tornou-se num especialista em botânica e zoologia e organizou um eficiente laboratório. Os seus estudos permitiram-lhe contactar com mágicos e feiticeiros, e assim adquirir uma espécie de sexto senso que lhe permitiu orientar-se, como poucos, nos labirintos da magia e do desconhecido e também compreender as técnicas da hipnose. Alguém com estes interesses é, naturalmente, alvo da desconfiança dos habitantes de Pilares. De facto, El Morisco é visto positivamente quando cura os doentes, mas às vezes é acusado de ser o portador da desgraça na região. No fundo, este é mesmo o destino dos brujos, pois todos aqueles que vivem na fronteira entre o conhecido e o desconhecido, representam uma porta entre o nosso mundo e aquele obscuro que se encontra no além, o que é sempre de arrepiar.

El Morisco na arte de Guglielmo Letteri

Ao lado de El Morisco, desde a primeira aventura está sempre o seu fiel servidor Eusebio, “criado fiel, secretário, cozinheiro e guardião”, como o próprio egípcio o define. Embora lúgubre e taciturno a ponto de, à primeira vista, parecer pouco inteligente, o mexicano é mais do que um mero intérprete das tarefas domésticas. Mestiço com um aspecto sombrio, nas suas veias corre sangue asteca, e é conhecido pela sua notável perspicácia, espírito de iniciativa, prontidão de reflexos, habilidade no uso de armas. A presença de Eusébio, que tem parentes na região, consegue tranquilizar, de alguma forma, os habitantes de Pilares, que cultivam uma relação de amor e ódio para com o brujo.

El Morisco e Eusebio

* Texto de Moreno Burattini publicado originalmente na Revista nº 10 do Clube Tex Portugal, de Junho de 2019.

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Tex (por Sandro Scascitelli, Pedro Mauro, Roberto De Angelis e António Lança-Guerreiro) e os votos de Boas Festas

Caríssimos pards,

O blogue português do Tex, deseja a todos os Texianos que nos honram com a sua visita, um FELIZ NATAL, cheio de paz, saúde, amor, alegria, realizações, prosperidade e porque não, cheio de Tex’s!

Desejamos também a todos, um Próspero Ano Novo de 2024 onde esperamos continuar a ser a sua companhia, e a companhia de tantos TEXianos do mundo inteiro que encontram no blogue do Tex um sítio seguro, para navegar em águas calmas e enriquecedoras na Internet!

Cumprimentos para a grande família Texiana, da parte de toda a equipa do blogue do Tex, representados nestes desenhos de Tex  realizados pelos bravos Sandro Scascitelli, Pedro Mauro, Roberto De Angelis e António Lança-Guerreiro:

Tex (por Sandro Scascitelli) e os votos de Boas Festas

Tex (por Pedro Mauro) e os votos de Boas Festas

Tex (por Roberto De Angelis) e os votos de Boas Festas

Tex (por António Lança-Guerreiro) e os votos de Boas Festas

(Para aproveitar a extensão completa dos desenhos acima, clique nos mesmos)