Tex in Finland (1953-2007)

Tex finlandês nº 1 (formato striscia)The first Finnish Tex was published in the summer of 1953. Till year 1965, on average 26 issues were published annually. The format was small: one issue contained 32 pages and one page contained only one line of pictures. However, Tex was an instant success in Finland. But, suddenly the publishing of Tex was interrupted in 1965. Many readers disappointedly found out that the latest story were left unfinished. The story was L’enigma del feticcio (the Italian title), and not until last year it was finally published entirely. So, 40 years many old Finnish Tex fans had to waite until they could read the end of this specific story.

Back in the 70s

Tex finlandês nº 1After an interval of six years, Tex was back in Finland. This time with the new and more precise name on the cover: Tex Willer. The size of the comic book had also been changed bigger and there were now 128 pages in one issue. Tex Willer reached immediately a great success again.

But the fact was that Finland had left behind of Italy where the stories had been published uninterruptedly and at the quicker pace. As a result, these stories, which were published in Italy at that time, were scattered topsy-turvy in the issues of Finnish Tex Willer between the years 1971-1986. Sometimes this aroused a little confusion. For example, the story with the debyt of El Morisco was published in Finland as late as in 1985. And previously there had already been published some other Morisco stories. In other words, the original Italian order of publishing was more or less mixed here at that period. Still today, there are a few old stories which haven’t yet been published in Finland.

Tex Gigante finlandêsFrom 1971 to 1978 there were 12 issues published annually, 1979 13 issues and 1980 the amount of issues raised to 16. Soon the number of pages was settled to 114. We still have that pace of 16 issues per year. In Tex matters Finland has collaborated with the other Nordic countries and the ‘Nordic version’ of Tex was also sold to other countries like Holland, Germany and England. Nowadays the collaboration continues only with Norway.

The first Finnish Texone was published in 1998 and since then there have been on average two Texones in a year. Maxi Tex series was launched in 2003. A couple of our Maxis also include old Tex material from the 50s. Finland hasn’t got Almanacco del West series, but some of those stories have been published in the normal monthly series. A series of our own, called the Tex Willer Chronicles, contains reprints from the 70s.

Tex finlandês de Ilpo LagerstedtFuthermore, two Finnish books about Tex Willer have been written in the 21st century by comic researchers and fans Ilpo Lagerstedt and Janne Viitala. On the whole, we can say that the Finnish Tex is doing very well in the 21th century, as it has done on the previous decades too.

There are a few interesting stories related to Tex in Finland. When the Finnish Tex readers first heard of Tex’s son, the translator had made a mistake and as a result in the story Tex was talking about his doughter! Well, this was a human error and the truth was revealed to the readers afterwards.

Tex Finlandês de Janne ViitalaAnother story is related to the translators, too. The most long-termed Finnish translator of Tex, the legendary Renne Nikupaavola, who had begun to translate Tex in 1971, was suddenly obliged to stop his work in 1974. The reason was that the language of the original material that was delivered to Finnish editors changed as Italian (before it was in English). However, Nikupaavola didn’t give up but persistently studied Italian and made a comeback in 1979. Since then, he has translated almost every Finnish Tex publication.

Text from Ville Mäkelä with colaboration of Janne Viitala. Translation to Portuguese from Fernanda Martins. Images sent from Janne Viitala.
(To see the above images on a larger scale click on them)

Tex na Finlândia (1953-2007)

Tex finlandês nº 1 (formato striscia)O primeiro Tex finlandês foi publicado no Verão de 1953. Até ao ano de 1965, uma média de 26 edições eram publicadas anualmente. O formato era pequeno: uma edição continha 32 páginas e cada página compreendia somente uma tira de desenhos. Não obstante isso, Tex foi um sucesso instantâneo na Finlândia. Mas a publicação de Tex foi interrompida subitamente em 1965. Muitos leitores descobriram, desapontados, que a última história tinha ficado incompleta. A história era L’enigma del feticcio (título italiano) e somente no ano passado foi inteiramente publicada. Os velhos fãs finlandeses de Tex tiveram que esperar 40 anos para finalmente poder ler o final daquela história.

O retorno nos anos 70

Tex finlandês nº 1Após um intervalo de seis anos, Tex estava de volta à Finlândia. Desta vez com o novo e correcto nome na capa: Tex Willer. O tamanho da revista também havia sido mudado. Era maior e agora cada edição possuía 128 páginas. Tex Willer atingiu imediatamente, e mais uma vez, um grande sucesso.

Mas havia o facto de que a Finlândia estava bem atrás da Itália, onde as histórias tinham sido publicadas de maneira ininterrupta e a uma velocidade bem grande. Como resultado, essas histórias, publicadas na Itália naquele período, foram espalhadas de maneira desordenada entre as publicações do Tex finlandês durante os anos de 1971-1986. Algumas vezes isso provocou algumas pequenas confusões. Por exemplo, a história com a estreia de El Morisco foi publicada na Finlândia somente em 1985. E, previamente, já haviam sido publicadas outras histórias com El Morisco. Resumindo, a ordem original italiana de publicação foi mais ou menos misturada na Finlândia durante esse período. Ainda hoje, há algumas poucas histórias que ainda não foram publicadas.

Tex Gigante finlandêsDe 1971 a 1978 houveram 12 edições publicadas anualmente. Em 1979 foram 13 edições e em 1980 o número subiu para 16. Logo o número de páginas foi fixado em 114. Ainda hoje temos 16 edições anuais. No que se refere a Tex, a Finlândia tem colaborado com os outros países nórdicos e a “versão nórdica” de Tex foi também vendida para outros países como Holanda, Alemanha e Inglaterra. Hoje em dia a colaboração continua somente com a Noruega.

O primeiro Texone finlandês foi publicado em 1998 e desde então tem havido uma média de dois Texoni por ano. A série Maxi Tex foi lançada em 2003. Alguns dos nossos Maxis também incluem material antigo de Tex dos anos 50. A Finlândia não possui a série Almanacco del West, mas algumas daquelas histórias têm sido publicadas na série normal mensal. Uma série própria finlandesa, chamada Crónicas de Tex Willer, contém reedições dos anos 70.

Tex finlandês de Ilpo LagerstedtAlém disso, dois livros finlandeses sobre Tex Willer foram escritos já no século 21 pelos fãs e pesquisadores de histórias em quadradinhos,   Ilpo Lagerstedt e Janne Viitala. Concluindo, pode-se dizer que o Tex finlandês está muito bem no século 21, do mesmo jeito como esteve nas duas décadas anteriores.

Há algumas histórias interessantes relacionadas a Tex na Finlândia. Quando os leitores finlandeses de Tex ouviram falar pela primeira vez do filho de Tex, o tradutor havia cometido um erro e como resultado Tex referia-se na história à sua filha! Bem, esse foi um erro humano e a verdade foi depois revelada aos leitores.

Tex Finlandês de Janne ViitalaOutra história que também tem a ver com os tradutores; o tradutor de longa data do Tex finlandês, o legendário Renne Nikupaavola, que havia começado a traduzir Tex em 1971, foi subitamente obrigado a encerrar seu trabalho em 1974. A razão foi que a linguagem do material original entregue aos editores finlandeses mudou para o italiano (antes era em inglês). Entretanto, Nikupaavola não desistiu mas persistentemente estudou italiano e retornou em 1979. Desde então ele tem traduzido quase todas as publicações finlandesas de Tex.

Texto de Ville Mäkelä com a colaboração de Janne Viitala. Tradução de Fernanda Martins. Imagens enviadas por Janne Viitala.
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Encontro em Barcelona com Manfred Sommer (e Jesús Blasco)

Por Jorge Magalhães [1]

Foi com surpresa e consternação que soube da morte de Manfred Sommer, por intermédio do blogue do Tex – que cada vez mais é um sítio de consulta e de informação imprescindível. Sommer era um artista que eu muito apreciava, não só por ser um magnífico desenhador, em cujo estilo são bem visíveis as influências de Hugo Pratt, como também por pertencer à categoria dos autores completos, criador de séries inolvidáveis como Frank Cappa, que eu próprio traduzi para O Mosquito da Editorial Futura, há mais de 20 anos. Bons tempos!…

Legenda: Página da 1ª história do “Frank Cappa” publicada no “Mosquito” e em Portugal.

Legenda: Página da 1ª história do “Frank Cappa” publicada no “Mosquito” e em Portugal.

Lembro-me de tê-lo conhecido na primeira vez que fui a Barcelona, em 1984, com a Catherine Labey e uma comitiva de que faziam parte, entre outros, o José Ruy, o Diferr, o Geraldes Lino, o Eugénio Silva (que partiu um pé a dançar e teve de regressar a Portugal de muletas!) e o saudoso dr. Chaves Ferreira, dono da Futura e director dessa 5ª série d’O Mosquito, que eu coordenei… e cujo 1º número, saído pouco antes, nos serviu de «cartão de visita» no Salão, onde toda a gente lhe teceu os maiores elogios. De certa forma, foi também o pretexto para visitarmos, pela primeira vez, a magnífica mansão da família Blasco, onde tive o privilégio de ser convidado pelo irmão mais novo, Adriano, a entrar no seu vasto atelier, cheio de preciosas relíquias, entre as quais várias pranchas de uma história do Águia da Noite que «los hermanos» Blasco estavam a realizar nessa altura. Como Blasco se estreou na saga texiana em 1986, com «A Volta da Mão Vermelha», presumo, portanto, que se tratava dessa primeira aventura!…

Legenda (da esquerda para a direita) : Luís Diferr, Jesús Blasco, Dr. Chaves Ferreira e Jorge Magalhães.

Legenda (da esquerda para a direita) : Luís Diferr, Jesús Blasco, Dr. Chaves Ferreira e Jorge Magalhães.

Irmãos Blasco-Cuto e Adriano

Legenda (da esquerda para a direita) : Alejandro Blasco – que serviu de modelo, quando era rapaz, à figura do Cuto – e Eugénio Silva (sentados à mesa a conversar) e Jorge Magalhães e Adriano Blasco (em pé a conversar)

 Mas, voltando ao Manfred Sommer, conhecemo-lo, como já disse, durante essa viagem que fizemos ao fantástico Salão de BD de Barcelona, e logo lhe propusemos a compra de direitos da série Frank Cappa, que tempos depois se estreou n’O Mosquito. Recordo-me nitidamente da presença distinta e da grande simpatia do Sommer, que nos acompanhou e a outros grandes da BD espanhola e mundial – como Jesús Blasco, Puigmiquel, Iranzo, Juan Gimenez, José Ortiz e Alberto Breccia – na festa de encerramento do Salão, onde foram distribuídos os prémios nacionais de BD, seguida por baile que durou toda a noite numa das maiores discotecas de Barcelona, uma sala enorme, cheia de gente, com uma decoração psicadélica como eu nunca tinha visto. Bem, na verdade, nunca fui grande frequentador de discotecas (risos…).

Foi durante esse baile que o Eugénio Silva, que tem uma costela espanhola e era danado para dançar, escorregou e partiu o pé, obrigando-nos a deixar a festa e a levá-lo ao hospital, onde permanecemos o resto da noite, sem sabermos se lhe dariam alta a tempo de regressar connosco a Portugal. Felizmente, a fractura não era grave e o Eugénio lá se conseguiu amanhar com as «canadianas»… embora a dança fosse outra (risos…). Foi uma cena infeliz mas ao mesmo tempo hilariante, que serviu para passarmos a viagem de regresso (tínhamos ido e voltámos todos de autocarro, menos o Geraldes Lino, que preferia o avião) a contar anedotas sobre esse acidente. De tal maneira, que um casalinho que tinha aguentado o nosso entusiasmo, à ida, durante todo o trajecto… às tantas, desabafou, pedindo que os deixássemos dormir um pouco, pelo menos dessa vez! O que acabámos por fazer, devido ao cansaço, mas o frio que rapámos naquela noite, ao atravessar a serra de Guadarrama, por causa do aquecimento do autocarro avariado, roubou-nos toda a disposição para o sono.

Legenda (da esquerda para a direita) : Dr. Chaves Ferreira, Juan Espallardo, Eugénio Silva (de cócoras), Catherine Labey, José Ruy, Jorge Magalhães e António Alfaiate.

Legenda (da esquerda para a direita) : Dr. Chaves Ferreira, Juan Espallardo, Eugénio Silva (de cócoras), Catherine Labey, José Ruy, Jorge Magalhães e António Alfaiate.

Voltei a encontrar o Manfred Sommer noutra ida a Barcelona, já a Futura tinha publicado um álbum com algumas histórias do Frank Cappa, álbum esse que ele apreciou imenso, pois foi o primeiro que saiu em Portugal, onde a sua obra, graças ao Mosquito, já era bastante popular… e isso deve ter-lhe tocado no ego, apesar de nos ter dito sempre que preferia a pintura e a ilustração à banda desenhada e só voltara a esta por insistência do seu editor, o Rafael Martinez, da Norma, e pelo facto de em Espanha as revistas de BD estarem outra vez na «berra» e se dirigirem a um público mais adulto e esclarecido, dando-lhe total liberdade criativa.

Manfred SommerE vejam como uma notícia triste, de que eu não estava à espera, visto o Sommer não ter uma idade ainda muito avançada, me despoletou tantas recordações… Receio que isso seja também um sintoma de velhice, pois temos, de facto, a tendência de nos virarmos para as memórias do passado quando chegamos a certa etapa da vida. Enfim, a realidade é que o tempo não pára e que os meus 40 anos já vão bem longe (risos…).


[1] Editor, autor de banda desenhada (argumentista), autor de numerosos textos de estudo, análise e história da BD, em livros, revistas, jornais e fanzines e também leitor e coleccionador de Tex Willer.

Manfred Sommer e Tex no Jornal de Notícias: 05-10-2007

Texto da secção Cultura de 05/10/2007
Banda Desenhada
F. Cleto e Pina

Morreu Manfred Sommer

* Criador de Frank Cappa e actual desenhador de Tex foi dos rostos do boom da BD espanhola nos anos 80

Morreu Manfred SommerManfred Sommer, um dos rostos do grande boom da banda desenhada espanhola nos anos 80 (com Torres, Prado, Ortiz, Segura, Abulli ou Bernet) faleceu aos 74 anos, vítima de doença.

Nascido em San Sebastian, com apenas 9 anos tornou-se aprendiz de Jesus Blasco (criador de “Cuto“), tendo assinado as suas primeiras histórias aos 14 anos. Fez BD para Espanha e para o estrangeiro, trabalhando em cinema de animação e publicidade, mas só em 1981 conheceria o sucesso, com a criação de Frank Cappa na revista “Cimoc“, um fotojornalista livremente inspirado em Robert Capa, o célebre fotógrafo da agência Magnum.

Criado “por uma urgência quase visceral” de alguém cansado “de ficar impotente diante dos horrores que a televisão mostra“, Cappa, publicado em Portugal no “Mosquito” e no álbum “Frank Cappa no Brasil“, interessava-se mais pelos seres humanos protagonistas das notícias que cobria do que pelos acontecimentos em si.

Jornal de NotíciasCanadiano no passaporte mas cidadão do mundo, que percorreu de lés a lés, serviu a Sommer para transmitir dele a sua visão melancólica e desencantada, através de um preto e branco contrastado e ritmado, inspirado em mestres como Pratt e Caniff.

Depois de alguns anos afastado da 9ª arte, para se dedicar à pintura, Sommer voltou aos quadradinhos em 2003, para desenhar Tex, o célebre ranger da Bonelli, tendo deixado incompleta uma história.

Copyright: © 2007 Jornal de Notícias; F. Cleto e Pina
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Póster Tex Nuova Ristampa 62

Póster Tex Nuova Ristampa 62

Neste desenho de Claudio Villa, vemos Tex Willer em cima do seu cavalo, observando o incêndio no sallon de Bill Dreyer, incêndio esse, provocado por Tex, Carson, Kit Willer, Jack Tigre, Jim Brandon, Pat Mac Ryan e Gros Jean para amedrontar o patife do Dreyer e este revelar o refúgio do bando de Matias.

Desenho usado no Brasil como capa de Grandes Clássicos do Tex #10 e inspirado na história, “Fort Apache” de G. L. Bonelli e Galleppini (Tex italiano #100).
(Para aproveitar a extensão completa do póster, clique no mesmo)

Texto de José Carlos Francisco