XVII Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu: o cartaz, os premiados e as exposições

De 10 a 21 de Setembro de 2011, realizar-se-à na cidade de Viseu, o XVII Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, cujo tema central aborda a temática ”Cidades na BD“, mas onde também não deixará de estar presente em grande destaque a personagem Tex Willer, não só pela exposição associada ao Ranger (As Cidades do Velho Oeste), mas também pela presença do conceituado desenhador italiano Fabio Civitelli.

O blogue do Tex tem o privilégio de divulgar o cartaz do evento, da autoria do Engenheiro António Mata, assim como de fazer uma abordagem mais generalizada ao Salão de Viseu deste ano de modo a cativar um maior número de bedéfilos de todo o país a fazerem uma visita a Viseu, sobretudo no dia 10 de Setembro, onde pelas 17 horas se registará a inauguração do evento, com visita às exposições, entrega de prémios Anim’Arte BD, convívio de Texianos e outras actividades.

A cidade e o Salão BD justificam a viagem.

CENÁRIOS URBANOS … e do ermo nascem as cidades …

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A temática do XVII salão internacional de banda desenhada de Viseu conduz-nos ao encontro da arquitectura construída ou imaginada, transporta-nos aos cenários urbanos edificados pelas mãos de gerações de artistas da pedra ou cenários fantásticos imaginados pelo génio de inesquecíveis nomes da arte de desenhar aos quadradinhos. As histórias de vida que atravessam o tempo e o espaço e se animam nos desenhos que enchem a nossa memória e despertam a nossa curiosidade vivem de múltiplos sinais e arquitecturas; uma cidade é também uma paisagem coberta de sinais, “estruturas de memória” assinadas pelos homens que a edificam, e pelo tempo; e o tempo deixa marcas nas cidades, que se entrelaçam nas histórias de vida, mas também na arquitectura, elemento artístico e humanizado de contextualização e harmonização.

É desta dialéctica entre o espaço e o tempo, a arte e a vida que se constrói em grande parte este XVII salão e banda desenhada, procurando divulgar e honrar os espaços edificados por onde viajam, respiram e nos inspiram os autores e os heróis, dando brilho às histórias. Porque há cenários urbanos que brilham como pedras preciosas nas páginas da banda desenhada. E uma cidade torna-se num imenso universo quando estamos apaixonados por um dos seus habitantes, ou pelos seus espaços de memória, como acontece com o jovem repórter Tintin, ou com o eterno e enigmático viajante Corto Maltese , o histórico Alix ou o bravo pistoleiro TEX. Boa viagem pelas cidades dos nossos heróis da banda desenhada. Boa estadia na cidade de Viriato, de Aquilino Ribeiro, de Grão Vasco e tantos outros heróis da História e da Memória da cidade.
A organização (Gicav – Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu) 2011.

PRÉMIOS ANIM’ARTE 2010

A banda desenhada nem sempre é reconhecida como uma manifestação de criatividade artística e fenómeno cultural secular. O GICAV pretende evocar e distinguir com estes prémios os criadores de BD com obra de reconhecido valor artístico e didáctico, que são apresentados no Salão de Viseu de Banda Desenhada.
Premiados: Eugénio Silva e Fabio Civitelli

EUGÉNIO SILVA

Eugénio Rafael Pepe da Silva nasceu no Barreiro, em 1937. Frequentou o curso de Desenhador – Gravador – Litógrafo, onde se iniciou na banda desenhada, impulsionado pelo Mestre Rodrigues Alves. Datam desta época as suas primeiras experiencias em trabalhos incompletos: O Ultimo Moicano, O Escaravelho de Ouro, A Perfeição (de Eça de Queirós). A sua lista de trabalhos é curta, em parte devido ao seu carácter meticuloso de investigação histórica e documentação confirmada que sustenta a sua obra. Expôs em variadíssimos salões e festivais, nomeadamente na Sobreda, Lisboa, Barreiro, Viseu, Amadora, Moura, Ourique, Porto, Viana do Castelo, Castelo Branco, e também no estrangeiro: Japão e Roménia. Organizou o 1.º salão de bd do Barreiro em 1986. Recebeu o Troféu Sobredão, como Homenageado Nacional, na Sobreda/Bd 94, ano em que foi também convidado de honra do salão de Ourique. Tem participado como actor em vários projectos de teatro do Barreiro. Publicações: Amoni (Nau Catrineta); A Gruta dos três irmãos, no Pisca Pisca; História Pequena do Vidro (Espiral/Covina); Matias Sandor – álbum (Ed. Publica); Eusébio, o Pantera Negra (Meribérica/Liber); On a retrouve la foret perdue (Narration/Marselha); O Coelho Branco (Ed. Asa); Inês de Castro (Meriberica Liber – 1994), provavelmente o seu melhor trabalho. Em 1996 os Cadernos Sobreda BD n.º 11 reeditaram-lhe “Amoni” e “ A Gruta dos três irmãos”. Tem em execução um álbum sobre a figura do Zé do Telhado que aguarda publicação. Grande amigo do salão de Viseu, tem sido presença habitual neste certame que acompanha sempre com renovado interesse.
Obrigado Eugénio.

FABIO CIVITELLI

Fabio Civitelli nasceu a 9 de Abril de 1955 em Lucignano, província de Arezzo, Itália. Desde tenra idade mostrou uma grande aptidão para o desenho e com apenas 19 anos começou a colaborar com o StudiOriga, desenhando diversas personagens para a Edifumetto, com destaque para Lady Dust por ter sido o seu primeiro trabalho no âmbito da BD.
Em 1977, com o pseudónimo Pablo de Almaviva, inicia a sua colaboração com a Editora Universo, desenhando para as revistas Il Monello e L’Intrepido. Dois anos mais tarde, ainda para a Universo, desenha Doctor Salomon nas páginas da revista Blitz, desenhando também o Homem-Aranha e o Quarteto Fantástico para a revista SuperGulp. Nesse mesmo ano, 1979, começa a desenhar Mister No para a Sergio Bonelli Editore, série onde realiza uma mão-cheia de histórias, até que em 1984 é chamado a desenhar Tex, personagem na qual trabalha até hoje com um estilo caracterizado por um grande cuidado nos mínimos detalhes, por um hábil uso do preto e branco e pelo extremo asseio do seu traço, sendo a sua versão de Tex, uma das mais apreciadas pelos leitores, respeitando a tradição, mas sendo ao mesmo tempo, moderna e cativante.

AS EXPOSIÇÕES

As Cidades do Velho Oeste (Tex)

Tex Willer, a mítica personagem de Banda Desenhada criada em 1948, na Itália, pela dupla Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini, é hoje em dia uma das personagens de western, com maior longevidade na história dos quadradinhos a nível mundial, sendo inclusive ainda publicado em diversos países e ao contrário da quase totalidade dos heróis da BD, Tex percorreu, e continua a percorrer, um caminho inverso, seja nos confrontos com o público, seja naqueles com a crítica, facto este que é ainda mais interessante. Com efeito, enquanto as personagens comuns se vão desgastando ao longo dos tempos, com Tex acontece precisamente o contrário. Obrigado devido à sua natureza a navegar entre alvos bem definidos, que são obviamente aqueles das convenções do género western, ele continua a renovar-se interiormente, mas também exteriormente.

Por um lado, a Sergio Bonelli Editore está a nível editorial a proceder desde há alguns anos a uma sistemática actualização dos seus quadros criativos, sem descurar a qualidade, seja a nível de argumentistas, seja de desenhadores, como ficou bem patente na exposição dedicada à nova vaga de desenhadores do Tex, ocorrida em 2007 no Salão de Moura. Por outro lado, a editora italiana tem-se multiplicado nos anos mais recentes na sedução aos leitores, diversificando o produto, isto é, à série canónica dos clássicos volumes mensais a preto e branco acrescentou uma infinidade de outras séries, inclusive a cores, tendo também permitido a produção de outros itens associados à personagem e tem inclusive incentivado e patrocinado um cada vez maior número de exposições, como é exemplo “As Cidade do Tex” patente no XVII Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu.

Tex vive as suas aventuras principalmente na segunda metade do século XIX tendo por base de acção a reserva Navajo situada entre o Arizona, o Novo México, o Utah e o Colorado, um território em grande parte desértico que inclui o Monument Valley, parte do Deserto Pintado e parte da Floresta Petrificada, onde o inimigo não é representado apenas pelo homem, mas também pela própria natureza dura e hostil, mas como um verdadeiro herói, Tex está sempre pronto a acorrer em socorro dos amigos, seja sobretudo nas cidades do velho Oeste, que deste modo ainda hoje habitam a nossa imaginação, com as suas peculiares cadeias, barbearias, armazéns, saloons, hotéis, ferreiros, xerifes, pistoleiros e cheias de incríveis perseguições a cavalo e de duelos, seja inclusive nas principais cidades dos Estados Unidos da América como São Francisco, Nova Iorque, Boston, Nova Orleães, Washington, ou até mesmo em cidades canadianas e mexicanas ou ainda em terras mais distantes como a Oceania.

Muitas das cidades onde Tex comparece ao longo da saga, são caracterizadas por uma “main street” (rua principal) delineada por duas filas de construções dispostas paralelamente, única barreira entre o homem e os vastos espaços desabitados que as circundavam e que se tornaram célebres como teatros de duelos sanguinários, encontros mortais e desafios infernais, mas também convém dizer que por norma os fãs de Tex podem se considerar afortunados porque os ambientes citadinos das suas histórias revelam sempre um surpreendente recheio de elementos dramáticos, em grado de oferecer um bom campo de acção a quem, como Tex Willer, tenha a vocação de reparador de injustiças e é impossível não recordar também as histórias de Tex acontecidas em inquietantes e melancólicas “ghost towns”, pequenas cidades “fantasmas”, nascidas nas vizinhanças de minas no decurso de poucos meses e depois entretanto rapidamente abandonadas quando a veia aurífera se esgotava ou se tornava uma trágica ilusão, ou nos pitorescos e misteriosos pueblos, aldeias índias construídas com pedras e tijolos de barro, no flanco de uma montanha, ou ainda nas perigosas e inacessíveis robber towns, inteiramente geridas por bandos de ladrões, assassinos e criminosos de todos os tipos, mas também nas fantásticas e improváveis cidades “esquecidas pelo tempo”, habitadas por comunidades de espanhóis, vikings, egípcios, astecas ou russos.

Cenários esses que podem ser admirados na exposição integrada no XVII Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, intitulada “As Cidades do Tex” e que contará com a presença de um dos mais renomados e admirados desenhadores citadinos de Tex Willer: Fabio Civitelli.

Cenários intemporais – Portugal

Esta exposição é uma homenagem do Gicav a alguns dos nossos grandes desenhadores que procuraram nas suas histórias aos quadradinhos perpetuar imagens e cenários do nosso património edificado, espaços de eleição e memória por onde se passeiam, meditam, viajam, vivem, crescem e morrem os heróis da histórias ou as vidas de insignificância daqueles que nunca alcançam esse estatuto especial mas que imprescindíveis são na construção da narrativa.
Nomes como Eugénio Silva, José Garcês, Luís Diferr, Luis Louro, Vítor Mesquita, José Ruy, José Pires, Filipe Andrade e Filipe Pina, Luis Correia, ilustram esta mostra de cenários de Portugal, muitos deles presença habitual no salão internacional de bd de Viseu.
Destacamos um nome estrangeiro, em jeito de homenagem, que partilhou trabalho com Luis Diferr – Jacques Martin (Portugal – ASA) , recordando a sua obra e a sua recente partida do mundo dos vivos (também dele se destaca a exposição ALIX, baseada num dos seus mais conhecidos heróis).
A todos o Gicav agradece pela qualidade do trabalho desenvolvido em prol da preservação e divulgação do nosso património monumental e artístico espalhado por muitas das nossas belas vilas e cidades. Bem hajam.

Fábula de Veneza

Cenários urbanos, mistérios e segredos

“Acontecem coisas inacreditáveis nesta cidade”, diz Corto Maltese sobre Veneza, tão bela e encantada que gera todas as preguiças, deleites e sortilégios. Um desses sortilégios é possibilitar a existência de lugares mágicos, secretos, portas que se abrem a mundos fantásticos e histórias eternas.
As cidades são espaços de memórias , vivências e cenários que fazem delas especiais, eternas. É o caso de Veneza,  visitada por Corto Maltese na obra “Fábula de Veneza”, e que nesta exposição se pretende revelar em alguns dos seus percursos e ambientes, a partir da obra referida e uma referência no conjunto da obra de Hugo Pratt.

As cidades nas aventuras de Alix

Em Portugal nas páginas da revista Tintin nascia um novo herói da banda desenhada de tema histórico, o jovem Alix. Filho de Astorix, chege de uma tribo gaulesa, e vendido como escravo no Oriente, no meio do caos dos conflitos bélicos entre impérios, seria libertado e adoptado por um senador romano. Doravante, os leitores podiam contar com um herói intrépido, generoso e humanista, num mundo onde a tolerância não abundava. Esse mundo, estranho e fascinante, do qual somos também herdeiros, era o Mundo Antigo na época de Júlio César e do seu rival Pompeu, em pleno século I a.C.
Nas aventuras de Alix, a par de figuras históricas como César e Cleópatra, os leitores convivem com uma galeria de personagens imaginadas pelo autor, entre as quais se destacam o jovem egípcio Enak, fiel companheiro de jornada de Alix ou Arbacés, o aqui-inimigo do herói.

Jacques Martin, o criador de Alix, falecido em 2010, é um dos grandes autores da escola fraco-belga, tendo também sido um dos mais importantes colaboradores de Hergé, pai de Tintin. Após 1991, com a vista gravemente afectada por problemas de saúde, continuou a desenvolver as aventuras de Alix, entre outros projectos, com o apoio de diversos colaboradores. Por vontade do autor, foi garantida a continuidade das aventuras de Alix pela Casterman, com recurso a diversos autores; em Portugal após o contributo das Edições 70 na década de 80 do século passado a edição das histórias de Alix é actualmente assegurada pela Asa.

Fascinado desde tenra idade pela Antiguidade Clássica e apaixonado pela arquitectura, Jacques Martin vai fazer viajar o leitor com Alix através de diferentes culturas, aquém e além fronteiras do poder romano, num mundo onde as cidades são elementos estruturantes da vivência política, social e económica.
Não se poupando a esforços na obtenção da documentação histórica necessária e mestre de traço elegante e da capacidade de encenação, Jacques Martin recria cidades antigas, reais e imaginadas de Roma à longínqua China. Na presente exposição seguimos alguns desses percursos urbanos nas aventuras de Alix, dos telhados dos edifícios às ruas, dos aquedutos ao sistema de esgotos, dos bairros populares às grandes praças monumentais. E a aventura começa precisamente numa cidade.

Tintin – Hergé

Hergé, pseudónimo de George Remi, nasce no dia 22 de Maio de 1907, em Etterbeek (Bélgica). Desde muito cedo revela alguma vocação para o desenho, tendo publicado a sua primeira banda desenhada na revista Le Boy-Scout Belge, intitulada Les Aventures de Totor, C. P., dês Hannetons. Em 1925, concluídos os estudos, começa a trabalhar no jornal diário belga Le Vingtième Siècle, que passará a incluir, a partir de 1 de Novembro de 1928, o suplemento juvenil Le Petit Vingtième, que publica a banda desenhada Les Aventures de Flup, Nénesse, Poussette et Cachonet, desenhada pelo jovem Hergé.

No dia 10 de Janeiro de 1929, no número 11 do Le Petit Vingtième, começa a publicar-se Tintin no País dos Sovietes, a primeira aventura de Tintin e Milou, a que se seguirão outras 22, durante quase meio século. Hergé morre no dia 3 de Março de 1983 deixando incompleto Tintin e a Alpha Arte, o 24º álbum de uma obra que fez sonhar milhões de adolescentes em todo o mundo.

Numa época em que o acesso à informação era limitado, foi com Tintin e os seus inconfundíveis companheiros que começamos a descobrir o mundo. Foi com Tintin que fomos ao Congo e aos Estados Unidos da América, ao Médio Oriente ou à China. Aos Andes, à Escócia e ao Tibete. Foi Tintin que nos levou à Bordúria e à Sildávia, nos balcãs, e à sul-americana República de San Theodoros, que muitos procurámos encontrar nos mapas, sem sucesso.

Inebriado por um desenho eficaz, linear e com cores planas e vivas, ao serviço de argumentos progressivamente mais consistentes, conhecemos Chicago, Port Said, Bombaim, Petra, Xangai, Genéve, Katmandou ou as fictícias Klow e Los Dopicos. E foi com Tintin que fomos à Lua, no início da década de 50, muito antes da viagem pioneira de Neil Amstrong.

Cidades da ambição – Cenários intemporais

Os álbuns seleccionados para esta exposição marcam um período a todos os títulos notável na evolução da cultura e da mentalidade ocidentais: o período da Renascença Italiana (Renascimento). Os séculos XV e XVI tiveram uma influência determinante na construção da ocidentalidade moderna. A Pintura, a Arquitectura, a Escultura, a escrita, a Oratória, as Ciências Experimentais e outras áreas do saber tiveram progressos notáveis, onde se distinguiram alguns dos mais notáveis génios que a História já conheceu. Mas este período é também um tempo de crise nas mentalidades e na moralidade cristã, um período de excessos e cisões no seio do catolicismo, que vieram a resultar no aparecimento das igrejas protestantes. É neste ambiente de coabitação dos exageros de cortes papais arrogantes e imorais com a criatividade artística e literária em efervescência que decorrem os cenários e as histórias apontadas nesta exposição. O traço e a arte estão a cargo de alguns dos maiores nomes da banda desenhada europeia da actualidade: Didier Convard e Gilles Chaillet (VINCI) e Milo Manara/ Jodorowsky (BÓRGIA). Uma homenagem do Gicav a estes criadores de excelência, merecedores de uma Menção Honrosa neste Salão Internacional.

No 2.º Centenário do historiador e escritor Alexandre Herculano

O ano de 2010 chegou ao fim (e até deixou poucas saudades…). Como comemorações de grandes vultos da nossa Cultura, dois nomes: o desenhista Fernando Bento (1.º centenário do seu nascimento) e o historiador e escritor Alexandre Herculano (2.º centenário do seu nascimento). Evocando o primeiro citado, as entidades de BD dos Salões de Moura, Sobreda, Viseu, Amadora e Beja não o esqueceram.

Quanto a Alexandre Herculano, chegou agora a vez de Moura e Viseu relembrarem este gigante da cultura portuguesa, numa exposição em parceria. Alexandre Herculano (aliás, Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo), nasceu em Lisboa a 28 de Março de 1810 e faleceu em Vale de Lobos a 13 de Setembro de 1877. Está sepultado no Mosteiro dos Jerónimos.

Da grandeza da sua vida e obra não nos compete aqui falar agora, mas apenas da sua conotação à Banda Desenhada, pois vários textos seus foram adaptados à 9.ª Arte, a saber : «A Abóbada», por Fernando Bento, José Batista (Jobat) e Victor Mesquita;  «O Bobo», por José Ruy, editado em álbum pela Editorial Notícias; «A Morte do Lidador», por Eduardo Teixeira Coelho, publicado na revista «O Mosquito». Há também uma versão por José Garcês; «Eurico, o Presbítero», por José Garcês, publicado na revista «Modas & Bordados», na revista «Falcão» e mais tarde reeditado em álbum pela Futura;  «Nuno Gonçalves», por José Antunes, adaptação de «O Castelo de Faria»;  «Alexandre Herculano», uma biografia da autoria de Baptista Mendes, publicada no Jornal do Exército;  «A Dama Pé-de-Cabra», por José Garcês e Augusto Trigo; a versão de Trigo, onde o próprio Herculano aparece como narrador, está incluída no 2.º tomo de «Lendas de Portugal», pela Asa. Existe também uma versão, de José Pires, que se mantém inédita até hoje;  «O Monge de Cister», pelo brasileiro Eduardo Barbosa; publicado em 1954 no n.º 80/ Extra da colecção «Edição Maravilhosa», pela Ebal.; «O Último Combate», por Baptista Mendes, no «Camarada»;  «A Morte do Lidador», numa versão de José Pires, publicada no Tintin belga e que será, em breve, publicada pela primeira vez em português no «Alentejo Popular» e, posteriormente, no «Jornal do Exército». Por fim, e enquanto reuníamos todo o material para esta exposição, tivemos a grata surpresa de sermos contactados por José Ruy que nos enviou algumas pranchas, ainda em esboço, com a biografia (resumida) de Alexandre Herculano. Esta história destinava-se a ser publicada em jeito de preâmbulo na edição de «O Bobo» mas assim não aconteceu e este trabalho, até hoje, continua por concluir.

As Cidades dos sonhos (em redor das obras de Schuiten e Peteers)

“A capacidade da Arquitectura construir Cidade é incontornável, e por isso mesmo não deve ser negligenciada: “ (…) forma e espaço estão tão intimamente ligados que uma é negativo do outro, e vice-versa, pelo que não podem separar-se, assim as formas visualmente apreendidas mantêm entre si estreitas relações – harmónicas ou desarmónicas – mas de qualquer modo evidentes.” A forma de cada edifício produz, inevitavelmente, repercussões físicas no espaço onde se insere: a massa e o volume concretizam, configuram e condicionam espaço, enquanto a Imagem apenas o caracteriza.”
Assim inicia a Dra. Inês do Carmo Borges o seu artigo “As arquitecturas setecentistas de Piranesi e a das  Cidades Obscuras da BD de Scuiten do século XX – um elo artístico no trajecto do risco urbano”, na Revista Cultura entre Culturas, onde magistralmente aproxima a obra La Tour (As cidades Obscuras – Schuiten e Peteers) da obra do arquitecto setecentista Giovanni Piranesi.

“Os binómios Arquitectura/Cidade e Forma/Imagem que Schuiten apresenta na BD do século XX, com a série As Cidades Obscuras, e concretamente com o álbum “A Torre”, evidencia a Excepção numa crítica à Cidade Moderna, e num processo de colagem de fragmentos sobreviventes de Piranesi. Há uma desmaterialização volumétrica da parte do edifício, e uma imperceptibilidade das suas infra-estruturas, nestes autores relativo às obras citadas. O efeito cenográfico decorrente da estética da Estampa (setecentista) /imagética da BD (contemporânea) é concretizado numa mestria no controle do traço, e do efeito Luz/Sombra. De facto, o seu contributo faz-se pela excepção enquanto ruptura. Schuiten defende em “A Torre” uma Cidade Obscura que não rompe com a História nem com a Cultura, pretendendo assim uma obra que seja referencial, contextual. Os elementos dissonantes e por isso de Excepção de Piranesi tornam-se referências formais reconhecíveis no imaginário da Cidade, que os perdurará numa permanência de “estruturas da memória”.”

Schuiten e Peteer

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“O ilustrador de Banda Desenhada, François Schuiten nasceu em Bruxelas, Bélgica em 13 de Abril de 1956, no seio duma família de arquitectos, área em que nunca fez estudos. Trabalha desde 1980, com Benoit Peeters na série As Cidades Obscuras, um dos melhores modelos das cidades/ficção da BD. Estes álbuns foram traduzidos numa dezena de línguas europeias e ganharam vários prémios, constituindo-se na sua obra mais conhecida.

Esta série ficcionada decorre num universo paralelo ao nosso onde os protagonistas são quase sempre Cidades com características peculiares: Samaris, Alaxis, Calvani, Brüsel, Urbicande, Mylos, Galatograd, Xhystos, Pâhry, Blosssfeldtstad. Delas foi elaborado um guia turístico: “Le Guide des Cites” pelos geógrafos de Pâhry onde aparecem os espaços existentes no Continente Obscuro; um jornal, “L`Écho des Cites”; um site de Urbicanda na Internet, www.urbicande.be e diversas exposições. Autor de trabalhos de cenografia concebeu o pavilhão das Utopias na Exposição Universal de Hanôver, em 2000 bem como o pavilhão belga na Exposição de Aïchi, no Japão em 2005, com o pintor Alexandre Obolensky. Em 2002 foi distinguido com o Grande Prémio de Angoulême pelo conjunto da sua obra, no decorrer do 29.º Festival de Banda Desenhada que decorreu em França. “

“O processo de concepção desta obra de Benoit Peeters e François Schuiten onde a Cidade é compreendida pelo binómio beleza etrusco-itálica / arquitectura romana Piranesica, enquanto realidade intrínseca e incontornável, assume-se como um processo projectual de servir o Homem contemporâneo na sua dimensão artística. (…) Somos colocados perante as questões da posição do observador face à obra de arte, num contextualismo integrado que não repete a Cidade Tradicional.

(…) A distância temporal desta referência comprova-nos que possui uma capacidade de permanência e sucesso, demonstrando-nos que pode persistir no tempo, desde que aliado a significados e valores mais profundos que a sua própria Imagem. Estamos assim perante uma abordagem de edifício Ícone, mas que ultrapassa a questão da construção de uma Imagem de BD contemporânea forte e efémera, dada a continuidade com as Estruturas da Memória. A Excepção integrada do edifício nas Cidades Obscuras permite-nos compreender o diferente modo de com ele construir Cidade.”
Esta exposição surge como singela homenagem a esta obra magistral no panorama da nova banda desenhada europeia.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

TEX 500 BRASIL : Grande celebração texiana em Santo André (Brasil)

Por Ezequiel Guimarães (texto e fotos) e Luciana (fotos)

A Mythos Editora esteve representada ao mais alto nível na exposição “Tex 500 Brasil”: editor Dorival Vitor Lopes, legendador Marcos Maldonado e o tradutor Júlio Schneider com o nosso correspondente, Ezequiel Guimarães.

Sábado, 20 de Agosto de 2011, uma tarde super especial: muitos texianos acorreram de várias partes do Brasil para Santo André, cidade que faz parte da ´Grande São Paulo´, no Estado de São Paulo, mais precisamente para a Gibiteca da Biblioteca Nair Lacerda, no centro da cidade, para um grande evento texiano, cujo objectivo principal era uma grande e importante celebração: Tex Willer, personagem italiana da 9ª. Arte, mais precisamente do género western, criação dos míticos italianos Gianluigi Bonelli e Aurelio Galleppini chegou ao número 500 no Brasil!!!! E de forma praticamente ininterrupta, desde 1971, ou seja, há 40 anos consecutivos nas bancas brasileiras, superando diversas dificuldades do conturbado mercado editorial brasileiro e mais ainda, décadas da problemática economia brasileira (o evento também visou atingir outro importante motivo: a ´divulgação´ da personagem italiana).


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Poucas personagens de qualquer género de banda desenhada chegaram a esse patamar, e de western nenhum alcançou este feito no mundo – na Itália, pátria onde originalmente Tex é produzido, a sua edição regular já ultrapassou o número 600 (lembrando que esses números centenários que citamos, tanto da edição italiana, como da brasileira, correspondem à série mais tradicional do Ranger, a chamada série “normal” ou “regular”, já que há diversas outras séries de Tex, e isso sem contar as séries de republicações; tudo isso nos dois países).

Apesar da tarde chuvosa e fria, muitas pessoas deslocaram-se de bairros da cidade de Santo André, bem como de cidades circunvizinhas, como São Paulo, São Caetano e São Bernardo entre outras. Texianos chegaram de várias outras partes (além dos locais próximos ao evento), como locais mais distantes: por exemplo, do interior do Estado de São Paulo (o pard Nei de Souza Teixeira, de Bauru e o pard João Batista da Cunha da cidade de Tatuí) e até locais bem mais distantes, como os Estados do Paraná (tradutor e advogado Dr. Júlio Schneider), do Rio Grande do Sul (pard Gervásio Santana de Freitas) e da Paraíba (pard G. G. Carsan – recordista de distância neste evento, com mais de 2.800 km percorridos!!!!).


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O evento contou com várias atracções e foi organizado pelo pard Adriano Rodrigues Rainho, grande coleccionador texiano (um dos maiores do Brasil, talvez o maior) e também coleccionador de outras BDs e contou com o patrocínio da Mythos Editora e da Prefeitura de Santo André. O público ficou maravilhado com a organização, com as diversas opções oferecidas, e com a fantástica colecção do pard Adriano (além da grande alegria do reencontro de amigos, e das novas amizades que surgiram durante o evento).
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O evento iniciou-se com uma apresentação narrativa “Aventura de Tex” com Marilei que contou com emoção uma história curta de Tex: “ O Duelo”, emocionando a todos. Em seguida os pards G.G. Carsan e Adriano Rainho deram uma rápida introdução ao que seria o evento. Ao discursar o pard Rainho, emocionado, chegou às lágrimas, emocionando também todos os presentes. Logo após seguiu-se então no palco, uma apresentação com Alfeu Socio ao piano e Carlos Foganholi na guitarra, interpretando musicalmente temas inesquecíveis dos filmes de faroeste. Tivemos também a apresentação de Thiago Talamonte, mais conhecido por Mister Lúdico, que brindou os presentes com a sua popular canção “Tex”.


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O evento contou com várias atracções simultâneas para todos os gostos: Workshop de desenhos (que foi muito elogiado pelos atentos participantes); a exibição do único filme de Tex: “Tex e o Senhor dos Abismos”, com o actor italiano Giuliano Gemma interpretando Tex (vários texianos relataram a emoção da oportunidade de assistir ao filme com outros pards, apesar de já terem assistido ao filme várias vezes essa foi a primeira vez que assistiram em companhia de outros texianos – lembrando que a grande maioria tem contacto apenas virtual pois moram a centenas, e em muitos casos, a milhares de quilómetros de distância uns dos outros).

Também bancas de exposição e trocas de revistas dos alfarrabistas: Gibiteca 2004 do organizador do evento, pard Adriano Rodrigues Rainho e Gibiteca Túnel do Tempo do pard João Batista da Cunha. Para alegria dos aficionados pelo famoso Ranger e por outras personagens dos quadradinhos, as bancas proporcionaram raros materiais brasileiros e internacionais. Os maiores destaques do evento foram a exposição dedicada a Tex e a palestra “Valores morais do Tex”.


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A exposição dedicada a Tex foi montada com centenas de itens do acervo particular do pard Adriano Rodrigues Rainho, e é simplesmente fantástica, contendo extenso material texiano e de faroeste, desde raras revistas brasileiras a partir da década de 50, como extenso material internacional de vários países, inclusive estatuetas europeias do Ranger e do seu mundo. Esta exposição recebeu também a visita do próprio editor de Tex no Brasil, Dorival Vitor Lopes, e continuará aberta ao público até ao dia 28 de Outubro, para que pessoas que não puderam comparecer, possam ter a oportunidade de apreciar os magníficos itens ali expostos.

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Todos puderam maravilhar-se vendo exemplares brasileiros de todas as editoras que já publicaram Tex no Brasil (desde os raríssimos exemplares da extinta revista Júnior, passando pelos também raríssimos primeiros exemplares da lendária Editora Vecchi, exemplares das Editoras RGE e Globo, até chegar aos actuais exemplares da Mythos Editora nas suas diversas séries), edições importadas, postérs de eventos brasileiros e até europeus, revistas com reportagens sobre o Ranger, diversos itens abortando o género de Tex: o inesquecível, aclamado e reverenciado western, e muito, muito mais.


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A palestra foi mediada pelo pard Adriano Rainho, principal organizador do evento, e contou com várias personalidades texianas:
Dr. Júlio Schneider (tradutor de Tex e diversos outros títulos Bonelli para o Brasil, e advogado no Brasil da Sergio Bonelli Editore, a editora italiana que edita Tex); Marcos Maldonado (lendário legendador das revistas Tex há mais de 30 anos – o seu primeiro trabalho foi no Tex nº. 110 “ A sombra do Patíbulo” publicado no longínquo ano de 1980, na Editora Vecchi – e que continua na activa até hoje!!!!); Gervásio Santana de Freitas (grande coleccionador texiano, criador e gestor do maior site de conteúdo bonelliano em língua portuguesa – Portal TexBR, proprietário da TexBR Revistaria, criador e editor da excelente Revista TexBR – com interessantes matérias bonellianas e também com BDs curtas, além de organizador de diversos encontros de coleccionadores na região Sul do Brasil); e G.G. Carsan (o Tex brasileiro,  outro grande coleccionador texiano, organizador de diversas exposições dedicadas a Tex – as famosas Expo-Tex no Nordeste brasileiro, e autor do fantástico livro “ Tex no Brasil – O Grande Herói do Faroeste ” (lançado em 2009 – com 300 páginas de riquíssimas informações sobre Tex, seu mundo e sua trajectória editorial no Brasil).

A palestra versou sobre os valores morais de Tex: a honra, a justiça, a lealdade e a amizade. Os oradores focaram a importância desses admiráveis pontos, principalmente pela carência que vivemos desses valores no conturbado mundo actual, discorreram sobre como conheceram Tex, e também como Tex influenciou e influencia em suas vidas, principalmente na vida profissional junto ao Ranger (caso dos simpatiquíssimos Júlio Schneider e Marcos Moldonado). Um facto que chamou a atenção dos oradores foi que durante toda a palestra absolutamente ninguém saiu do auditório, circunstância realmente incomum para qualquer tipo de palestras de longa duração como esta (mais de uma hora e meia). Isso prova o quão interessante ela estava.


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Durante a sua apresentação, G.G. Carsan, informou aos participantes que está a escrever um segundo livro sobre Tex, e sugeriu a criação do “Dia Nacional de Tex” (interessantíssima ideia), indicando 30 de Setembro como data ideal, por ser a data de lançamento do primeiro número de Tex (na Itália). E também apresentou aos espectadores um exemplar de uma história de Tex que escreveu: “O império do mal” (tendo Yama como vilão). A palestra foi transmitida mundialmente ao vivo, através do Twitter e do Facebook, e contou com diversas perguntas da interessada plateia e também dos internautas (do Brasil e de Portugal), tendo também acompanhamento e cobertura da imprensa impressa local e de um canal de TV da região.


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Após o final da palestra, ainda no auditório, vários brindes foram sorteados entre os participantes, como diversas edições de Tex e de outras personagens bonellianas (como da aclamada série Júlia Kendall – Aventuras de uma criminóloga), bem como também edições da revista TexBR (do pard Gervásio), edições do livro do pard G.G. Carsan, e também um DVD contendo o filme de Tex. Em seguida todos rumaram para o interior da Biblioteca, onde ocorreu uma confraternização entre o público, os oradores e os organizadores durante degustação de deliciosas guloseimas.

Ao realizar este sensacional evento, o pard Adriano Rodrigues Rainho, seguiu os passos dos pards José Carlos Pereira Francisco, G.G.Carsan e Gervásio Santana de Freitas, que se preocuparam em divulgar Tex de alguma maneira (e realizaram – e continuam realizando – trabalhos fantásticos, ora organizando a participação texiana em eventos brasileiros e internacionais, ora organizando exposições texianas, ora promovendo encontros entre coleccionadores), e saiu do patamar de grande coleccionador para um degrau maior, para ingressar no patamar das grandes personalidades texianas de língua portuguesa, posição ocupada apenas por exclusivas pessoas que trabalhando ou não de forma directa com a personagem, chegaram a fazer (e continuam fazendo) um grande trabalho em prol do Ranger mais destemido do Velho-Oeste, ajudando e muito na sua divulgação, algo fundamental para a sobrevivência de qualquer personagem, por maior que seja.


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A divulgação é importantíssima, pois a renovação de leitores e seguidores é de vital importância, facto inclusive frisado pelo legendador Marcos Maldonado, durante a sua participação na palestra, citando inclusive sobre um jovem fã que o abordou durante o evento solicitando o seu autógrafo.


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Parabéns aos organizadores e oradores pelo magnífico evento.
Parabéns pard Adriano (e que outros texianos sigam o seu maravilhoso exemplo).


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Vida longa a Tex Willer!!!!! E que venham mais 500 números!!!!!!!!! E mais 500, e………….


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Reportagem fotográficado da Inauguração da exposição “Tex 500 Brasil”

Por José Carlos Francisco (texto) e João Batista da Cunha (fotos)

Realizou-se ontem, sábado, 20 de Agosto, a inauguração em Santo André, município brasileiro localizado na Região Metropolitana de São Paulo, da exposição “Tex 500 Brasil“ , exposição essa que decorrerá até 28 de Outubro, com entradas gratuitas para todos que comparecerem a mais este importante evento que se realiza na Gibiteca da Biblioteca Nair Lacerda, numa iniciativa de Adriano Rodrigues Rainho que contou com o patrocínio da Prefeitura de Santo André e da Mythos Editora, a casa de Tex no Brasil.

Compareceram à inauguração do evento algumas das mais altas individualidades respeitantes a Tex, como por exemplo Gervásio Santana de Freitas (divulgador, pesquisador e responsável do maior site de informações da América Latina sobre a personagem, o Portal TexBR), Marcos Maldonado (legendador da revista Tex desde a década de 1970), Júlio Schneider (tradutor da revista Tex; representante e advogado da Sergio Bonelli Editore no Brasil), G.G. Carsan (pesquisador e autor de um livro temático sobre Tex) e Dorival Vitor Lopes (Editor da Mythos Editora), para além de Thiago Talamonte, mais conhecido por Mister Lúdico que brindou os presentes com a sua popular canção “Tex”.

O blogue português do Tex esteve presente no evento (que contou com uma ampla assistência) através do nosso correspondente Ezequiel Guimarães, mas enquanto não publicamos a reportagem do nosso colaborador, deixamo-vos com uma primeira reportagem fotográfica (para aguçar o apetite para o que aí vem) da autoria de João Batista da Cunha, um dos maiores texianos do Brasil e que também esteve presente, inclusive com uma banca de venda de revistas usadas:


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Entrevista com o fã e coleccionador: Ronald Guimarães

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Ronald Guimarães: Nasci em Carolina, Estado do Maranhão no Brasil, moro actualmente em Goiânia há mais de 20 anos. Tenho 38 anos, sou casado e tenho dois filhos ainda crianças. Sou bacharelado em designer gráfico, desenvolvo embalagens e faço ilustrações comerciais para publicidade.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Ronald Guimarães: Era o ano de 1980, e eu ainda um garoto, já era fã de quadradinhos, na época o meu grande herói era Conan, desenhado por Buscema… e na minha busca por novos números (o que era muito difícil na época numa pequena cidade do interior) encontrei na casa de um amigo um “Tex”. Eu já havia lido inúmeros “westerns”, mas aquele chamou-me a atenção, “Ao Sul de Nogales”, Tex nº 111 no Brasil, desenhado pelo que viria a ser uma grande inspiração para mim: Giovanni Ticci. A partir daí comecei uma longa caminhada por números anteriores, desde então não os deixei mais. Hoje tenho inúmeros projectos relacionados a quadradinhos, os quais faço trabalhos para algumas revistas brasileiras.

Então também descobriu Tex em 1980?
Ronald Guimarães: Sim.

Porquê essa paixão imediata por Tex?
Ronald Guimarães: Confesso que primeiro foi pelo visual dos desenhos, sempre limpos e belos, depois foi vicio mesmo.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Ronald Guimarães: Tex sempre foi simples de ser entendido e fácil de assimilar. A sua força de  justiça manteve-me fiel, isso sem falar que cada livro é uma obra de arte.

Tex teve alguma influência no facto de você se ter tornado um desenhador?
Ronald Guimarães: Sempre digo a quem me pergunta sobre o meu trabalho de desenhador que se não fosse por uma pessoa em especial (Giovanni Ticci) eu não estaria fazendo o que faço hoje. Acho que ele com o seu Tex em particular, com cenários incrivelmente bem feitos e com uma naturalidade física sem igual  nos seus desenhos trouxe-me para onde estou. Não vou falar de outros que fizeram Tex, por que nenhum deles realmente me influenciou, mas claro, reconheço a sua importância a cada página feita. Impressiona-me muito Claudio Villa e Corrado Mastantuono,  recentemente são os mais queridos por mim, e sempre busco trabalhos feitos por eles.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Ronald Guimarães: Sinceramente não sei quantas revista Tex eu tenho porque há tempos deixei de contá-las, mas são mais de 1.000 com certeza. A mais importante para mim é sem dúvida  a primeira “Ao Sul de Nogales”, a nº 111 publicada pela editora Vecchi no Brasil em 1978. Tenho-a  até hoje.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Ronald Guimarães: Apenas livros…

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Ronald Guimarães: Tinha um par de botas, quando garoto, que eu costumava a dizer que eram as de Tex. Eram exactamente iguais, mas hoje não as tenho mais. Ficou apenas a lembrança.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Ronald Guimarães: História: El Muerto, desenhada por Aurelio Galleppini. Desenhador: Ticci, mas não posso deixar de mencionar Villa, Mastantuono e Milazzo…
Argumentista: G. L. Bonelli.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Ronald Guimarães: O que mais me agrada é a sua força de justiça e o seu carácter. O que menos me agrada são as injúrias (diabo isso… diabo aquilo… enfim, palavras desse tipo, mas que reconheço serem necessárias num western).

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Ronald Guimarães: Tex nunca foi vulgar, sempre foi algo que o pai ou o filho podem ler, isso na minha opinião é o que faz Tex ser o que ele é, e sempre será um ícone por esses valores.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Ronald Guimarães: Não, vou muito a congressos, encontros sobre quadradinhos, mas nada especifico a Tex.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Ronald Guimarães: Acho que enquanto existir a magia da banda desenhada, vai haver Tex…
Vejo muitas personagens de banda desenhada indo para o cinema, acho que já está hora de olharem também para Tex (não falo do Senhor dos Abismos, esse embora seja um clássico, não faz jus ao Ranger nem de longe)… sou fã incondicional do western-spaghetti…

Prezado pard Ronald Guimarães, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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Tex une Portugal e Brasil numa belíssima arte de AMoreira

Por José Carlos Francisco

O blogue do Tex apresenta hoje um fantástico Tex ladeado pelas bandeiras de Portugal e Brasil, desenhado por Antonio Carlos Moreira, mais conhecido por AMoreira, em mais uma bela homenagem deste talentoso artista brasileiro a Tex Willer e como forma de assinalar a sua (e da sua simpática esposa Tânia) passagem por Portugal, no passado mês de Junho, conforme se pode constatar, clicando aqui.

Natural da cidade brasileira de Niterói, no Rio de Janeiro e nascido no dia 18 de Setembro do longínquo ano de 1949,  AMoreira teve como primeira formação profissional, desenhador arquitectónico, e paralelamente a isso, fez o curso de “Desenho Artístico e Publicitário” na Escola Pan-americana de Arte, tentando fazer carreira como ilustrador.

Como essa carreira não foi avante, formou-se em Ciências Contábeis, com Pós-Graduação em Engenharia Financeira, e hoje em vez de ser um desenhador profissional, trabalha na área da contabilidade, mas para nosso gáudio, não deixa de nos brindar com a sua arte, sempre que possível, como já por várias vezes mostramos aqui no blogue do Tex, mas para conhecer melhor o autor de tão bela ilustração do Ranger, leia a entrevista que AMoreira concedeu em exclusivo, ao nosso blogue.

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