17º Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu é notícia no site da Sergio Bonelli Editore

Por José Carlos Francisco

O XVII Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu a realizar na maravilhosa cidade beirã famosa, entre outras coisas, pelos seus óptimos restaurantes, onde pratos tradicionais portugueses são servidos em grande variedade e abundância, entre os dias 10 e 21 de Setembro de 2011, é notícia no site da Sergio Bonelli Editore, na sua rubrica das notícias flash em primeiro plano integrada na secção Comics News.

Tal facto não é alheio à presença no certame viseense do consagrado desenhador Fabio Civitelli, um dos principais autores da editora Bonelli e à exposição dedicada às Cidades do Tex, exposição essa que albergará 18 pranchas da autoria do desenhador italiano relacionadas à temática das cidades do Velho Oeste.

O texto publicado no idioma italiano pode ser lido de seguida em português:

10 de Setembro

Banda Desenhada em Portugal

De 10 a 21 de Setembro, na cidade de Viseu (em Portugal), será realizado o décimo sétimo Salão Internacional de Banda Desenhada.

No decurso da manifestação, serão mostradas numerosas exposições dedicadas às cidades da banda desenhada, desde aquelas dos sonhos  (contadas por Schuiten e Peteers) passando pelas do renascimento italiano (com Didier Convard e Gilles Chaillet, autores do volume dedicado a Leonardo Da Vinci, e Milo Manara e Alejandro Jodorowsky com os seus Borgia) até às cidades do velho Oeste que revivem através das aventuras de Tex.

Entre os convidados,  estará presente o texiano Fabio Civitelli. Para mais informações, cliquem aqui.

Para além da importância da divulgação do 17º Salão Internacional de BD de Viseu no site da maior editora de banda desenhada da Europa, que deste modo promove uma vez mais uma manifestação portuguesa, realce também para a indicação do blogue português do Tex como o local para se saber mais informações sobre o evento, sinal do prestígio cada vez maior do blogue lusófono dedicado ao Tex.

O Alfabeto do Velho Oeste – Letra O

Wilson Vieira:

Desenhador e Argumentista Brasileiro de Banda Desenhada, com mais de 36 anos de experiência, dos quais 7 deles (1973/80), participando como colaborador do estúdio Staff di IF em Génova/Itália, ilustrando também alguns episódios de Il Piccolo Ranger para a Sergio Bonelli Editore, Diabolik, Tarzan e o Homem-Aranha (Octopus desafia o Homem-Aranha). É também o autor da saga Nordestina: Cangaceiros – Homens de Couro e da série western – Gringo, assim como autor de vários outros roteiros. E escreve, escreve…

É também autor do seguinte blogue na Internet:
http://brawvhqs.blogspot.com/

Caros Leitores – Geograficamente falando, como sabem o território dos Estados Unidos da América pode ser dividido em três zonas:
1– O Leste, ou seja, a faixa costeira Atlântica delimitada a ocidente pelas cadeias montanhosas de Allegheny e Apalaches.
2– O Oeste, ou seja, o planalto central ocupado inteiramente pela bacia hidrográfica do Mississipi-Missouri e caracterizado, principalmente em sua parte ocidental, pela imensa vastidão de planícies.
3– E o Far West, ou seja, a região que compreende as Montanhas Rochosas e suas vertentes ocidentais que deslizam para o Oceano Pacífico. Tais configurações geográficas são importantes, para compreendermos bem o desenvolvimento histórico da colonização da América do Norte; a faixa costeira Atlântica foi logicamente a primeira a ser dominada pelos Europeus e por ela surgiram os primeiros vilarejos e as primeiras cidades (1600 e 1700), depois, (início de 1800), o grande planalto central foi, não só atravessado, como colonizado, enquanto que os pioneiros erroneamente o consideraram inapto para a cultivação e preferiram seguir para o Far West, ou seja, o Oregon e a Califórnia. Na segunda metade do século, finalmente também foi retomado o imenso planalto, deixado por tanto tempo antes aos índios e bisontes, transformando-se em objectivo de emigrantes, que lá se estabeleceram e colonizaram. Isso deverá ser recordado, para estabelecer dois conceitos, geralmente confusos. 1– Aquele de “fronteira”. 2– Aquele de “conquista” do West. De facto, desde que núcleos de colonizadores ingleses estabeleceram-se na Virgínia em 1620, a vida dura de fronteira, foi para os predecessores brancos uma realidade quotidiana, com todos os percalços e perigos que ela representava; principalmente a hostilidade natural dos índios nativos diante dos cruéis invasores. Ao contrário, com a expressão “conquista” do West, entende-se somente aquele movimento de massa humana, que teve início nos primeiros anos de 1800 e avançou além das fronteiras, pelas cadeias de montanhas, até o vale do Mississipi e depois, foi até à costa do Pacífico; nesse sentido a “conquista” do West não é mais que, o último período da história da fronteira americana. Sendo assim, para esmiuçar o passado americano, que tanto nos fascina, apresento com imensa satisfação – O ALFABETO DO VELHO OESTE – propondo esse database western básico, narrado a verbetes, em ordem alfabética, os pormenores sobre tal época. Projecto online penso, pioneiro tanto em Portugal, quanto no Brasil, estimulado a publicá-lo, através do amigo entusiasta José Carlos Francisco (Zeca), o qual me ofereceu generosamente o espaço, neste já renomado Blogue e aceitei. Será um trabalho longo e árduo admito, porém prazeroso, onde a cada letra específica, o amigo leitor encontrará uma variedade de descrições relativas a ela, num período onde homens, mulheres, animais, geografia e clima, entrelaçavam-se na batalha árdua do quotidiano em busca da sonhada sobrevivência – o Velho Oeste. Espero que aprovem o conteúdo sugerido e me acompanhem, nessa aventura extraordinária, agora com a letra…

O

Oakley, Annie – Nome correcto: Phoebe Anna Oakley Mozee. Nasceu em 1859, morreu em 1926. Nos anos 60 do XIX século, nas florestas do Ohio, aprendeu a disparar com rifle modelo antigo. Tornou-se conhecida com apenas 18 anos, quando em 1877, venceu clamorosamente o célebre campeão de tiro, Frank Butler, numa disputa em Cincinnati. Butler casou-se com Annie, abreviando-lhe o nome para Oakley e a fez participar ao “Wild West Show” de Buffalo Bill. Com esse espectáculo, Annie viajou por toda a América e Europa, onde com um tiro de revólver, fez cair da boca do jovem Kaiser Guilherme II, o cigarro que ele mantinha nos lábios. Acertava com facilidade uma simples moeda de 50 cêntimos, segura entre os dedos por um homem, a uma distância de dez metros, e geralmente desafiava os melhores atiradores da região, vencendo-os a todos, sempre. Depois, sua morte foi imortalizada por Ethel Merman, em seu musical “Annie get your gun”. Quando fez a sua aparição como campeã de tiro, os cowboys chamaram os seus bilhetes ferroviários de “Annie Oakley”, porque o controlador furava os bilhetes com a segurança, igual a aquela que tinha Annie ao centrar o seu alvo.

Ok-Corral – Celeiro e curral em forma de ferradura, que existia em Tombstone (cidade com minas de prata, no Vale San Pedro, em Arizona), no cruzamento da Rua Frement com a Third. Tornou-se famoso pelo lendário tiroteio, que houve em 26 de Outubro de 1881 entre os irmãos Wyatt, Virgil e Morgan Earp e o conhecido dentista alcoólatra Doc Holliday de uma parte e os cowboys Tom e Frank McLowry, Ike e Billy Clanton e Billy Claiborne da outra. Três dos cowboys foram mortos. A relação oficial do Estado do Arizona classifica essas mortes como; “homicídios demonstrados”.

Oklahoma Annie – Cattle Annie (Annie McDougal) e Little Britches (Jenny Stevens, chamada também de Annie McDoulet e Jenny Midkiff), com a idade de 16 e 17 anos uniram-se ao “Bando Doolin”, após terem já feito parte de outros bandos. Quando na Primavera de 1894 o “Bando Doolin” foi exterminado, perto de Ingalls, as jovens dividiram-se e Little Britches casou-se na Primavera de 1895, com o agricultor Midkiff, originário de Newkirk. Quando, porém o esposo descobriu que a sua mulher procurava outros homens, quando ele estava ausente, levou-a ao seu pai em Pawnee, de onde a jovem fugiu após alguns dias, unindo-se a uma quadrilha de ladrões de cavalos. Também Cattle Annie, entrou a fazer parte desse bando e as duas jovens foram presas no Inverno de 1895, pelo “US-Deputy-Marshal” Canton. O Tribunal Distrital de Perry condenou-as a dois anos de prisão, no Reformatório de South Farmington, em Massachusetts. Dezoito meses depois, a libertação, Cattle Annie morreu tuberculosa, no subúrbio desprezível de New York, enquanto que Little Britches retornou para o Oklahoma. Viveu certo tempo na casa do pai em Sinnett, em Pawney County, depois casou-se, tornando-se ao que ficou registado, uma mulher respeitável.

Omahas – Na língua dos Sioux significava: “Aqueles que vão contra o vento”. Eram Índios da Família dos Sioux, que viviam no Nebraska norte-oriental, nas duas margens do Missouri River. Existem ainda cerca de 1600 indivíduos que vivem na Reserva dos Omaha, no Nebraska.

Operação Aquisição Oregon – Em 22 de Abril de 1847 o Superintendente dos Negócios Indígenas do território de Oregon, difundiu o seu primeiro documento àqueles que emigravam para o Oregon, neles eram descritos as vantagens paradisíacas do local na costa do Pacífico, e com indicação da trilha que se devia percorrer. A essa nova forma de “Recrutamento Humano”, fizeram com que vários outros tipos de informação se manifestassem, outros descreviam o Idaho, Montana, Wyoming, Nevada, Arizona, New Mexico, Colorado, Dakota, Nebraska, Kansas, Oklahoma e o Texas como Paraísos da terra. Mas logo, os primeiros túmulos de pioneiros, foram tantos como verdadeiros buracos de roedores, mas para as gerações sucessivas, começou a realizar-se aos poucos o quanto estava prometido naquelas formas de comunicação.

Orejana – Expressão usada pelos cowboys da Califórnia, para indicar um garanhão jovem e selvagem.

Osage – Da palavra “Osage” – (Wazhazha = Nome de uma das sub-tribos). Tribo da Família Linguística dos Sioux, que viviam ao longo do Osage River, Montana, tornou-se famosa como a inimiga jurada, daquelas tribos que usavam os cavalos, por causa de sua ordem social do tipo Militar. Em 1839 os “Osages” viveram numa Reserva do então chamado: “Território dos Índios”, tornando-se mais tarde o estado de Oklahoma. Índios de caráter em sua maioria pacíficos eram particularmente hábeis na feitura de cobertores, tapetes, cestas e vasos. Para evitar que na sua Reserva, já em 1835, atravessada por caravanas de pioneiros, surgissem conflitos sangrentos, instituíram rapidamente uma Polícia Indígena uniformizada; a “Osage Indian Police”, que com toda a sua energia, vigiava o trajecto das caravanas, através do seu território, afugentando os demais Índios, bandidos e ladrões brancos. O xerife mais conhecido foi o Índio Jacob Scott, que permaneceu no seu cargo de 1876 até 1893, do qual se falava de sua inteligência, seu temperamento diplomático e de sua habilidade em disparar e cavalgar. Quando na Reserva de Oklahoma, foi encontrado petróleo, os Osages foram o suficientemente inteligentes, em evitar a confusão nesses casos. Eles ficaram ricos e já há muito tempo, libertados da tutela do Governo Americano. Em 1937, viviam 3.649 Índios Osage.

Osceola – (1803-1838). Foi um dos grandes caciques da Nação Seminola. Era ao que parece alto em estatura, com expressão melancólica. Nasceu em 1803 à margem do Tappapoosa River, na região dos Índios “Creeks”. Seu avô por parte paterna era um Escocês e a pós a morte de seu pai, a mãe esposou um homem branco de nome Powell e isso fez com que Osceola fosse muitas vezes chamado de Powell. Ele não descendia de um cacique, mas, com a idade de trinta e dois anos, recebeu o cargo de cacique do seu Povo e tomou o comando dos guerreiros, quando os Americanos quiseram caçar os “Seminoles” da Flórida, para aprisiona-los na Reserva do “Indian Territory”. Osceola combateu nos “Everglades”, mantendo a superioridade às tropas inimigas até quando, finalmente, as suas tentativas de negociação, tornou-se realidade. Um dia Osceola apresentou-se diante do inimigo, com uma bandeira branca, mas foi prontamente atingido por bala rival, preso e colocado na prisão. Essa traição levantou a indignação de seus guerreiros, porém o jovem cacique permaneceu prisioneiro e morreu com o seu coração despedaçado em Fort Moultry, Flórida, em Janeiro de 1838.

Outrider – Era um cowboy ancião que, a cavalo, fazia inspecções nos pastos, para controlar a migração das boiadas, seu estado de saúde e para julgar a qualidade da água e da pastagem.

* Caricatura: Fred Macêdo
* Edição, revisão e adaptação portuguesa: José Carlos Francisco

Tex emboscado no claustro da Sé de Viseu

Por José Carlos Francisco

De 10 a 21 de Setembro de 2011, realizar-se-à na cidade de Viseu, o XVII Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, cujo tema central aborda a temática ”Cidades na BD“, mas onde também não deixará de estar presente em grande destaque a personagem Tex Willer, não só pela exposição associada ao Ranger (As Cidades do Velho Oeste), mas também pela presença do conceituado desenhador italiano Fabio Civitelli.

Como forma de agradecimento por este novo convite português, o quarto , Fabio Civitelli desenhou uma vez mais Tex em Portugal, mais precisamente em Viseu e num dos seus monumentos mais emblemáticos, depois de já o ter feito em Moura, aquando do Salão MouraBD2007 onde se via o Ranger cavalgando de arma na mão, com a Torre do Relógio no Castelo de Moura ao fundo e de ter elegido a Torre de Menagem do Castelo de Beja, como pano de fundo para a saudação de Tex à cidade de Beja aquando do VI Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, realizado em 2010.

Desta vez Fabio Civitelli não quis fazer a habitual vista da cidade com o Tex a cavalo (até porque essa imagem já aparece no cartaz do evento da autoria do Engenheiro António Mata), tendo pensado antes em colocar o Tex emboscado no claustro da Sé de Viseu, tornando assim a presença do Ranger na cidade de Viriato muito mais original, como podemos ver de seguida num desenho que  o blogue português do Tex divulga para o mundo, mas sobretudo para os apaixonados Texianos portugueses em mais um inédito e exclusivo mundial.

Tex emboscado no claustro da Sé de Viseu

Os texianos presentes, nos dias 10 e 11 de Setembro, no evento de Viseu, receberão uma cópia de alta qualidade (em formato A4) deste magnífico desenho que comprova a passagem de Tex por Viseu, devidamente autografado por Fabio Civitelli, já que a organização do 17º Salão de BD de Viseu deseja oferecer uma recordação especial a quem prestigiar o evento marcando presença na bela cidade capital da Beira Alta. Trata-se sem dúvida de mais um motivo extra para se fazer presente, até porque para valorizar ainda mais este item texiano, a produção está restringida a apenas 100 cópias, por isso caro pard, seja um dos 100 texianos a terem esta preciosidade na sua colecção.

Como curiosidade e para efeito de eventual comparação deste magnífico desenho do autor italiano, mostramos 3 fotografias do claustro renascentista da Sé de Viseu e que certamente inspiraram Fabio Civitelli na realização desta homenagem que o autor italiano quis fazer à bela cidade de Viseu:

A Sé ou Catedral de Viseu é uma das construções mais antigas da cidade. Não se sabe ao certo quando se terá iniciado a sua construção. As referências mais antigas datam de 1094-1114, período de governo do Conde D. Henrique, que a terá mandado construir, ou então iniciou obras de reforma da catedral. As características românicas, que hoje apresenta, datarão dessa altura.

Sé de Viseu (Monumento Nacional)

A Torre do Relógio é românico-gótica, a fachada central e a Torre dos Sinos são maneiristas do séc. XVII-XVIII (autor-arquitecto de Salamanca, J. Moreno). Esta fachada substituiu uma fachada manuelina que existiu até 1635. Na interior da Sé encontramos as colunas encimadas por arcos ogivais, que suportam a abóbada dos nós do séc. XVI (autor João de Castilho). Os claustros inferiores da Sé datam do séc. XVI; os claustros superiores datam do séc. XVIII. Os vários portais do claustro inferior são românico-góticos.
Os azulejos do claustro da Sé são dos fins do séc. XVI, início do séc. XVII e também merecem alguma atenção.

No andar superior da Sé, existe o Museu de Arte Sacra, que é constituído pelo antigo tesouro da Sé e está localizado em dependências dos claustros, nas salas nobres do Cabido, lugar onde terão sido as casas de S. Teotónio, prior da Sé. Destes cofres de Limoges do séc. XIII, imagens, cruzes, hostiários, relicários e inúmeras peças de ouro e prata constituem o valioso património deste museu que teve igualmente a grande honra de receber a visita de Tex Willer.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Entrevista exclusiva: FABIO CIVITELLI (autor convidado para o 17º Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu)

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Jorge Machado-Dias, Jorge Magalhães e Pedro Cleto na formulação das perguntas, de Júlio Schneider (redactor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão e de Bira Dantas na caricatura.

O XVII Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, a realizar de 10 a 21 de Setembro próximo e cuja temática é o das  “Cidades na BD“, traz pela QUARTA vez Fabio Civitelli a Portugal, que deste modo, tornar-se-à o primeiro autor de nível internacional a ter sido convidado para estar presente nos quatro maiores eventos relacionados com a banda desenhada no nosso país, motivo mais que suficiente para esta nova entrevista do blogue português do Tex com o autor aretino que estará presente em Viseu nos dias 10 e 11 de Setembro, onde receberá inclusive o Prémio Anim’Arte 2010.

Para além da presença de Fabio Civitelli aquando do fim de semana inaugural do Salão, Viseu terá também uma nova exposição dedicada ao Tex:  “As cidades do Tex” e dela constarão 18 pranchas deste que é  um dos mais conceituados desenhadores do Ranger e que terão como pano de fundo, muitas das cidades onde Tex comparece ao longo da saga.

Caro Fabio, bem-vindo de volta ao blogue português de Tex. Depois dos grandes sucessos obtidos no País com as suas presenças (2007 em Moura, 2008 na Amadora e 2010 em Beja), você agora é o convidado de honra do 17° Salão Internacional de BD em Viseu, e torna-se assim o primeiro autor de nível internacional a ser convidado aos quatro maiores eventos que têm por objecto os quadradinhos em Portugal. O que isso significa para si?
Fabio Civitelli: Este novo convite é, para mim, motivo de grande satisfação. Significa que as minhas visitas anteriores foram do agrado do público dos texianos portugueses, que o meu trabalho é apreciado no vosso belo País e que, sobretudo, sou cada vez mais considerado o embaixador de Tex. Se as mostras, os debates, e as sessões de autógrafos significarão interesse, alegria e diversão aos leitores, eu ficarei muito feliz.

Em Viseu você receberá o prémio Anim’Arte 2010. Com que estado de ânimo o receberá? E já agora quais são as suas expectativas em relação ao Salão de Viseu?
Fabio Civitelli: Será uma grande honra receber esse apreciado reconhecimento, que considero sobretudo um prémio a Tex, do qual sou apenas um dos desenhadores. Tex é uma personagem que considero muito mais importante que os próprios artistas que a realizam e, sempre que um autor da equipa texiana obtém reconhecimentos, todos nos felicitamos, a começar por Sergio Bonelli, sempre impressionado positivamente com o afecto e a atenção que o Ranger suscita junto ao público português.

Os fãs portugueses de Tex são, de algum modo, diferentes dos outros que você conheceu? E em relação àqueles brasileiros?
Fabio Civitelli:
Os aficionados por Tex caracterizam-se por um amor total pela personagem, e isso acontece em todos os Países em que é publicado, mas é claro que nos Países latinos isso é percebido com mais destaque: tanto na Itália quanto em Portugal o público presente às mostras é mais quente e aficionado, mais curioso para ver as antestreias e desejoso de expressar as suas opiniões. E, nesse sentido, devo dizer que não vi diferenças particulares em relação ao público brasileiro, também esse muito simpático e expansivo.

Pode nos contar alguma história curiosa ou divertida que você viveu durante alguma de suas visitas a Portugal?
Fabio Civitelli: A minha participação na manifestação de Beja do ano passado foi caracterizada pela possibilidade de rever todos aqueles fãs que eu havia conhecido em Moura e na Amadora, mas a coisa mais divertida foi o encontro com o grande Hermann: quando cheguei ao hotel ele reconheceu-me de imediato (eu já o havia encontrado na Croácia) e, para meu grande espanto, ele pediu-me um desenho de Tex para um amigo belga. Incrível, eu não sabia que em Bruxelas Tex era conhecido, e muito menos o meu trabalho!

Em Beja nós o vimos desenhar Tex ao lado de Red Dust, que Hermann já havia desenhado na mesma folha. Enquanto você desenhava Tex veio-nos à mente que, se Jean Giraud estivesse presente àquele memorável almoço, talvez tivesse desenhado Blueberry. Seria sem dúvida outro desenho histórico e sem preço, não concorda? Os três cowboys europeus mais conhecidos no mundo da BD são personalidades distintas – talvez Red Dust mais próximo a Blueberry. Qual a sua opinião sobre esta diferença entre os três: o que distingue Tex, sempre limpo e barbeado (mesmo depois de alguns dias no deserto) de Dust e do tenente rebelde de Giraud, quase sempre sujos e com a barba quase sempre por fazer?
Fabio Civitelli:
Eu tenho uma recordação por demais agradável daquele almoço e, quando voltei para casa, o meu amigo José Carlos mandou-me uma cópia daquele desenho, que tenho afixada no meu estúdio. A bem pensar, é justo notar a diferença com Red Dust e, se queremos, também com Blueberry: esses representam um Oeste quem sabe mais realístico, mais sujo e poeirento, mas penso que isso seja, sobretudo, culpa do meu estilo, talvez por demais nítido e limpo. Se olharmos ao belíssimo Tex de Giovanni Ticci (que, além de meu amigo querido, considero o mestre de todos nós), essas diferenças são muito leves, e também nas suas páginas respira-se a verdadeira atmosfera do Velho Oeste. Claro que poder fazer um desenho com o grande Giraud seria a realização de um sonho!

Por ter estado mais de uma vez em Portugal, você conhece algum facto da nossa História? Gostaria de sugerir algum tema aos desenhadores portugueses?
Fabio Civitelli: Depois de visitar duas vezes o Brasil e ter visto os muitos sinais da colonização portuguesa na América do Sul, eu gostaria de ver algum episódio daquele período, da exploração aventurosa daquele imenso território. Daí poderia sair um belíssimo western sul-americano!

Alarguemos um pouco o horizonte da entrevista: pela qualidade, pelo nível e pelo reconhecimento de público e de crítica que atingiu, você sente-se um autor de Tex diferente (no sentido de superior) dos demais?
Fabio Civitelli: Nem um pouco! Como eu já disse, considero esses prémios mais dirigidos a Tex do que a mim. Mas certamente eu fico muito orgulhoso, assim como tenho orgulho de trabalhar com uma personagem tão importante, numa equipa prestigiosa que compreende alguns dos maiores autores italianos de todos os tempos! Quanto a mim, nos últimos dez anos eu busquei desenvolver um estilo mais pessoal e autónomo e, com isso, cada prémio conforta-me sobre o facto que esta minha busca seja apreciada e considerada como um valor agregado para a série (tanto que, como muitos devem saber, Sergio Bonelli fez-me a grande honra de chamar-me para realizar um Tex Gigante, chamado de Texone na Itália, que deve sair no próximo ano).

Há alguma história de Tex não assinada por si e que você apreciaria ter realizado?
Fabio Civitelli: Certamente O Passado de Carson, que eu considero uma verdadeira obra-prima. É uma pena que a minha colaboração com Mauro Boselli tenha começado há apenas dois anos (mas antes tarde do que nunca)!

Se lhe fosse proposto desenhar novamente uma aventura clássica de Tex, por exemplo, de autores como Galep ou Lettèri, como imagina que cumpriria a tarefa? E que história escolheria desses autores?
Fabio Civitelli: Desde jovem eu sou fascinado pela clássica história do extraterrestre (O Vale da Lua), que considero perfeita como texto e desenhos, com um Galep no esplendor da forma. Não creio que redesenhá-la levaria a particulares melhorias, mas entro no jogo e digo que é esta que eu gostaria de ilustrar: eu poderia trabalhar muito sobre os claros-escuros e sobre os efeitos especiais, claro que sem mostrar a criatura e a deixá-la sempre envolvida pelas sombras.

Se não fosse desenhador dedicado a Tex, que outra personagem lhe agradaria ter levado adiante por 25 anos?
Fabio Civitelli: Antes de Tex eu trabalhei por alguns anos com Mister No, uma personagem que amei demais e da qual eu era leitor há anos: se a publicação não tivesse sido encerrada, eu gostaria de desenhar uma história de vez em quando, como fiz em 1993 para o primeiro Almanaque da Aventura. Mas como trabalho continuado por tantos anos, Tex é o que eu sempre desejei, e por essa razão jamais tive o pensamento de dedicar-me de forma estável a outra BD.

Num certo momento da sua carreira você desenhou O Quarteto Fantástico e Homem-Aranha. Já pensou em reinterpretar, ao seu estilo, Dust ou Blueberry, ou qualquer outra personagem da BD que lhe agrada?
Fabio Civitelli: Como eu disse, Tex representa o trabalho que eu quero fazer com continuidade, e somente se surgisse a ocasião de realizar um Blueberry, eu poderia traí-lo momentaneamente, mas seria só uma escapadela, uma fraqueza momentânea!

Você tem a ambição de, um dia, criar uma personagem toda sua?
Fabio Civitelli: Certamente não. Eu espero apenas poder sempre trabalhar com bons roteiristas e fazer histórias cada vez melhores.

Na sua opinião o que é mais importante numa BD: o desenho ou o roteiro? E quais são, sempre na sua opinião, os ingredientes de base numa história aos quadradinhos?
Fabio Civitelli: Eu penso que os dois elementos têm a mesma dignidade e importância; mas também é verdade que uma bela história com desenhos medíocres (e agora falo como leitor de BD) é sempre preferível a uma história ruim desenhada bem. O sucesso de Tex nasceu das características da personagem e do tipo de histórias que Bonelli e seus herdeiros escreveram em todos esses anos: tivesse sido uma personagem banal com histórias banais, não teria bastado a arte de Galep a fazer dela tamanho sucesso. É claro que, para um desenhador, pode ser frustrante saber que, por melhor que possa trabalhar, jamais poderá salvar uma história ruim! Quanto à segunda parte da pergunta, não creio que se possa responder com poucas palavras, mesmo porque não existe uma fórmula matemática para produzir bons quadradinhos.

Você já pensou em usar a informática e, como alguns desenhadores, mirar a novas técnicas, ou este é um método que não lhe agrada? Em caso positivo, porque?
Fabio Civitelli: Eu sou absolutamente contra o uso do computador no desenho, mas isso é um ponto de vista estritamente pessoal. Eu gosto do carácter artesanal da BD, eu gosto de ver as páginas originais desenhadas à mão, e não impressões laser, eu gosto da leve imperfeição dos contrastes desenhados a pincel ou feitos com pontinhos, e também gosto que exista um mercado de desenhos originais que premeia o trabalho manual e artesanal (e, digamos, artístico).

Gostaríamos da saber algo mais sobre a sua técnica de desenho (belíssima, em nossa opinião): quando começa uma história, imaginamos que você deva documentar-se sobre os cenários, as armas, etc. Certo? As figuras humanas que desenha são totalmente criadas por si ou usa modelos como auxílio para certas posições do corpo, expressões ou outros detalhes?
Fabio Civitelli: Na verdade a minha técnica é bastante tradicional, tanto que eu uso quase exclusivamente o pincel e o nanquim para a arte-final, e deixo as hidrocores apenas para os pontinhos. Claramente tudo começa com a documentação, hoje bastante fácil com a internet, depois eu desenho a página a lápis – e recorro, para as poses mais difíceis, a fotografias e fotogramas de filmes western que capturo de DVDs com o PC. Também tenho álbuns nos quais colecciono as fotos para certos assuntos, como atirar com o revólver, com a espingarda, cavalgar, ou primeiros planos com belas sombras. Também busco não repetir as mesmas poses ou os mesmos sombreados, então sempre busco novas imagens para recortar. Mas também é importante não se deixar condicionar pelas fotografias, e sim usá-las apenas como ponto de partida.

Como você analisa a ponte entre a escola clássica e a moderna nos quadradinhos italianos? Você concorda que houve uma evolução contínua na BD popular e uma ruptura naquela de alguns autores?
Fabio Civitelli: Por sorte a BD chamada popular teve uma evolução no sentido de uma qualidade cada vez maior, favorecida também pela possibilidade que o editor hoje nos concede para dedicar mais tempo a cada página isolada. No caso de Tex, a presença contínua ou eventual de tantos mestres dos quadrinhos de autor representou uma rápida queda da barreira que parecia separar os dois géneros. De minha parte eu busco aplicar o mesmo empenho se desenho Mister No ou Tex e, se fosse chamado para realizar Blueberry, eu continuaria a trabalhar no máximo de minhas possibilidades, como sempre fiz.

Sabemos que a maior parte dos profissionais, depois de começar a trabalhar com BD, praticamente deixa de lado a leitura de quadradinhos. Você lê alguma personagem? Em caso positivo, qual o seu género preferido?
Fabio Civitelli: Eu comecei a amar os quadradinhos desde pequeno, como leitor, e sempre mantive o prazer da leitura. Eu penso que é importante, também como autor, continuar a acompanhar o mercado e as novas personagens. Pessoalmente, além de Tex eu leio com muita regularidade Dampyr, Dylan Dog, Martin Mystère, os Romances em Quadradinhos e quase todas as mini-séries. Há alguns anos eu comprava muitos comics americanos, mas agora a qualidade dos super-heróis parece-me fraca e leio somente autores de ponta como Mignola, Ross, Hitch e poucos mais. Quanto à BD franco-belga, além de Blueberry eu acompanho o trabalho de Hermann e (do brasileiro) Leo. O meu preferido é Tex, que leio desde os meus oito anos!

Fabio, agradecemos muitíssimo pelo tempo que nos dedicou mais uma vez. Se desejar aproveitar este espaço para deixar uma mensagem aos seus admiradores que comparecerão em Viseu, sinta-se em casa.
Fabio Civitelli: Espero encontrar muitos leitores, aos quais ficarei feliz em mostrar as páginas do meu Tex Gigante que estou a finalizar e que deve ser publicado em 2012, e os desenhos que fiz para o livro de ilustrações O Meu Tex e para a biografia texiana publicada na Itália na Primavera de 2011 para a Editora Mondadori. Espero que todo esse material em antestreia possa interessar ao público português (que a mim parece muito atento e também muito exigente!). Então, até breve. E viva Tex!

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Intervista esclusiva: FABIO CIVITELLI (in occasione della sua presenza al Salone di Viseu – 2011)

Intervista condotta da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Jorge Machado-Dias, Jorge Magalhães e Pedro Cleto per la formulazione delle domande, di Júlio Schneider (redattore di Tex per il Brasile) e di Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni e di Bira Dantas per la caricatura.

Dal 10 al 21 settembre prossimi si realizzerà in Viseu la 17ª Fiera Internazionale del Fumetto, il cui tema è “Le Città nel Fumetto”. E per la QUARTA volta avremo in Portogallo l’amico Fabio Civitelli, che così sarà il primo autore di livello internazionale ad essere stato invitato a presenziare ai quattro più importanti eventi, nel nostro Paese, in relazione al Fumetto.
Da qui è nato il desiderio impellente di questa nuova intervista del blog portoghese di Tex all’autore aretino che sarà presente a Viseu nei soli giorni 10 ed 11 settembre, quando riceverà, tra l’altro, il Premio Anim’Arte 2010.

Per illustrare la nuova esposizione “Le città di Tex”, a lui dedicata, Fabio Civitelli, che tutti riconosciamo come uno dei più validi disegnatori di Tex, ha voluto portare con sé, per farne partecipi gli amici visitatori, ben 18 stampe di suoi disegni, che avranno come sfondo molte delle città in cui Tex compare durante l’evolversi della saga.

Ciao Fabio, benvenuto ancora una volta al blog portoghese di Tex! Dopo i grandi successi ottenuti in Portogallo con le tue tre presenze (2007 a Moura, 2008 ad Amadora e 2010 a Beja) sei adesso l’invitato d’onore al 17° Salone Internazionale del Fumetto a Viseu, diventando così il primo autore di livello internazionale ad essere stato invitato ai 4 maggiori eventi aventi oggetto i fumetti in Portogallo. Cosa significa per te?
Fabio Civitelli: Questo nuovo invito è motivo di grande soddisfazione, per me. Significa che le mie visite precedenti sono piaciute al pubblico dei texiani portoghesi, che il mio lavoro è apprezzato nel vostro bel paese, e che, soprattutto, vengo considerato sempre più come l’ambasciatore di Tex. Se le mostre, i dibattiti e le sessioni di autografi porteranno interesse, gioia e divertimento ai lettori, ne sarò molto felice.

A Viseu ti consegneranno il premio Anim’Arte 2010. Con quale stato d’animo lo riceverai? E già adesso quali sono le tue aspettative relativamente al Salone di Viseu?
Fabio Civitelli: Sarà un grande onore ricevere questo gradito riconoscimento, che considero soprattutto un premio a Tex, del quale sono solo uno dei disegnatori. Tex è un personaggio che considero ben più importante degli artisti stessi che lo realizzano e ogni volta che un autore dello staff texiano ottiene dei riconoscimenti, tutti ne siamo felici, a cominciare da Sergio Bonelli, che è sempre rimasto favorevolmente colpito dall’affetto e dall’attenzione che il ranger suscita nel pubblico portoghese.

I fans portoghesi di Tex sono in qualche misura diversi dagli altri che hai conosciuto? E rispetto a quelli Brasiliani?
Fabio Civitelli: Gli appassionati lettori di Tex si caratterizzano per un amore totale verso il personaggio e questo accade in qualunque nazione venga pubblicato, ma naturalmente nei paese latini questo si nota maggiormente: sia in Italia che in Portogallo il pubblico alle mostre è più caldo e appassionato, più curioso di vedere le anteprime e desideroso di esprimere i propri giudizi. In questo senso, inoltre, devo dire di non aver trovato differenze particolare con il pubblico brasiliano, anch’esso molto simpatico ed espansivo.

Vuoi raccontare qualche storia curiosa o divertente che hai vissuto durante qualcuna delle tue visite in Portogallo?
Fabio Civitelli: La mia partecipazione alla manifestazione di Beja dell’anno passato è stata caratterizzata dalla possibilità di rivedere tutti quei fans che avevo conosciuto a Moura e ad Amadora, ma la cosa più divertente è stato l’incontro con il grande Hermann: al mio arrivo in albergo mi ha riconosciuto subito (l’avevo già incontrato in Croazia) e con mio grande stupore mi ha chiesto un disegno di Tex per suo amico belga. Incredibile, non sapevo che a Bruxelles conoscessero Tex, né tanto meno il mio lavoro!

Ti abbiamo visto a Beja disegnare Tex vicino a Red Dust, che Hermann aveva già disegnato nello stesso foglio. Mentre tu disegnavi Tex ci siamo ricordati che, se Jean Giraud fosse stato presente in quel memorabile pranzo, avrebbe forse disegnato Blueberry. Sarebbe senz’altro un disegno storico e senza prezzo, che ne dici? I tre cowboys europei più conosciuti nel mondo del fumetto sono personalità distinte – forse Red Dust più vicino a Blueberry… Ci piacerebbe conoscere la tua opinione su queste differenze fra i 3: cosa distingue Tex, sempre pulito e sbarbato (anche dopo qualche giorno nel deserto) da Dust e dal tenente ribelle di Giraud – quasi sempre sporchi e con la barba quasi sempre lunga?
Fabio Civitelli: Ho un ricordo piacevolissimo di quella riunione e, al mio ritorno a casa, il mio amico Josè Carlos mi ha mandato una copia di quel disegno, che tengo appesa nel mio studio. Pensandoci bene è giusto notare la differenza con Red Dust, e anche se vogliamo con Blueberry: questi rappresentano forse un west più realistico, più sporco e polveroso, ma penso che questo sia soprattutto colpa del mio stile, forse troppo nitido e pulito. Se guardiamo il bellissimo Tex di Giovanni Ticci (che considero oltre che mio caro amico, il maestro di tutti noi) queste differenze sono molto lievi, e anche nelle sue tavole si respira la vera atmosfera del vecchio west. Certo che poter realizzare un disegno con il grande Giraud, sarebbe la realizzazione di un sogno!

Visto che sei stato invitato varie volte in Portogallo, conosci qualche fatto della nostra Storia? Vorresti suggerire qualche tema ai disegnatori portoghesi?
Fabio Civitelli: Avendo visitato due volte il Brasile, e avendo visto i tanti segni della colonizzazione portoghese del Sud America, mi piacerebbe vedere qualche episodio di quel periodo, dalla esplorazione avventurosa di quell’immenso territorio. Potrebbe uscirne un bellissimo western sud americano!

Allargando adesso un po’ l’orizzonte dell’intervista: per la qualità, il livello ed il riconoscimento pubblico e di critica che hai raggiunto, ti senti un autore di Tex diverso (nel senso di superiore) rispetto agli altri?
Fabio Civitelli: Affatto! Come ho già detto, considero questi premi più diretti a Tex che a me stesso. Ma certamente ne sono molto orgoglioso, così come sono fiero di lavorare ad un personaggio così importante, in uno staff prestigioso che comprende alcuni dei maggiori autori italiani di tutti i tempi! Per quanto mi riguarda, negli ultimi dieci anni ho cercato di sviluppare un mio discorso stilistico più personale ed autonomo: ebbene, ogni premio mi conforta del fatto che questa mia ricerca sia stata apprezzata e considerata un valore aggiunto per la testata (tanto che, come molti sapranno, Sergio Bonelli mi ha fatto il grande onore di chiamarmi a realizzare un Tex Speciale, chiamato Texone in Italia, che dovrebbe uscire il prossimo anno).

C’è qualche storia di Tex non firmata da te che ti sarebbe piaciuto di avere realizzato?
Fabio Civitelli: Sicuramente Il passato di Carson, che considero un vero capolavoro. Peccato che la mia collaborazione con Mauro Boselli sia cominciata soltanto due anni fa (meglio tardi che mai, comunque)!

Se ti proponessero di disegnare nuovamente un’avventura classica di Tex, per esempio di autori come Galep o Lettèri, come pensi che prenderesti questo compito? E quale storia sceglieresti di questi autori?
Fabio Civitelli: Fin da ragazzo sono stato affascinato dalla classica storia dell’extraterrestre (La valle della luna, n. 55-56), che trovo perfetta come testi e disegni con un Galep al massimo della forma. Non credo che ridisegnarla porterebbe un particolare miglioramento, ma stando al gioco è proprio questa che mi piacerebbe illustrare, infatti potrei lavorare molto sui chiaroscuri e sugli effetti speciali, naturalmente senza mostrare veramente la creatura e lasciandola sempre avvolta nell’ombra.

Se non fossi disegnatore dedicato a Tex, quale altro personaggio ti piacerebbe aver portato avanti per 25 anni?
Fabio Civitelli: Prima di Tex ho lavorato alcuni anni a Mister No, un personaggio che ho molto amato e del quale ero lettore da anni: se non avesse cessato la pubblicazione mi sarebbe piaciuto disegnarne una storia ogni tanto, come feci nel 1993 per il primo Almanacco dell’Avventura. Però come lavoro continuativo per così tanti anni, Tex è quello che ho sempre desiderato, quindi non mi ha mai sfiorato il pensiero di dedicarmi stabilmente ad un altro fumetto.

In un certo momento della tua carriera hai disegnato I Fantastici Quattro e L’Uomo Ragno. Hai mai pensato di reinterpretare, a tuo modo, Dust o Blueberry, o qualunque altro personaggio a te gradito dei fumetti?
Fabio Civitelli: Come ho appena detto, Tex rappresenta il lavoro che voglio fare con continuità, soltanto se si presentasse l’occasione di realizzare un Blueberry potrei momentaneamente tradirlo, ma si tratterebbe solo di una scappatella, di una momentanea debolezza!

Hai l’ambizione di creare, un giorno, un personaggio tutto tuo?
Fabio Civitelli: Certamente no. Spero soltanto di poter sempre lavorare con bravi sceneggiatori e realizzare storie sempre migliori.

Secondo te cosa è più importante in un fumetto: il disegno o il soggetto? E quali sono, sempre secondo il tuo giudizio, gli ingredienti di base in una storia a fumetti?
Fabio Civitelli: Penso che i due elementi abbiano uguale dignità e importanza: è anche vero però che una bella storia con disegni mediocri (e adesso parlo come lettore di fumetti) è sempre preferibile ad una storia brutta disegnata bene. Alla fine il successo di Tex è nato dalle caratteristiche del personaggio e dal tipo di storie che Bonelli e i suoi eredi hanno scritto in tutti questi anni: fosse stato un personaggio banale con storie banali non sarebbe bastata l’arte di Galep a farne un tale successo. Certamente per un disegnatore può essere frustrante sapere che per quanto possa ben lavorare, non potrà mai salvare una storia brutta! Per la seconda parte della domanda, non credo che si possa rispondere in poche righe, anche perché non esiste una formula matematica per produrre dei buoni fumetti.

Hai già pensato di utilizzare l’informatica, evolvendo, come alcuni disegnatori, verso tecniche nuove, oppure questo è un metodo che non ti piace? In caso positivo, perché?
Fabio Civitelli: Sono assolutamente contrario all’uso del computer nel disegno, ma questo è ovviamente un parere del tutto personale. Mi piace la artigianalità del fumetto, mi piace vedere le tavole originali disegnate a mano, e non delle stampe laser, mi piace la leggera imperfezione delle sfumature disegnate a pennello o a puntini, e mi piace anche che ci sia adesso un mercato dei disegni originali che premia il lavoro manuale e artigianale (e diciamolo, artistico).

Ci piacerebbe conoscere qualcosa di più circa la tua tecnica di disegno (bellissima secondo noi): quando inizi una storia, pensiamo che ti debba documentare per quanto riguarda gli scenari, le armi, ecc… giusto? Disegni le figure umane di testa tua, o utilizzi modelli per aiutarti in certe posizioni del corpo, espressioni o altri dettagli?
Fabio Civitelli: In realtà la mia tecnica è abbastanza tradizionale, tanto che utilizzo quasi esclusivamente il pennello e la china per le inchiostrature, lasciando i pennarelli per i soli puntini. Chiaramente tutto inizia dalla documentazione, oggi resa molto più facile da Internet, poi disegno la tavola a matita, aiutandomi per le pose più difficili con fotografie e fotogrammi di film western che catturo con il PC dai DVD. Ho anche degli album dove raccolgo le foto per argomenti, tipo sparare con la pistola, con il fucile, cavalcare o primi piani con delle belle ombre. Cerco anche di non ripetere le stesse pose o le stesse ombreggiature, quindi cerco sempre nuove immagini da ritagliare. Però è anche importante non farsi condizionare dalle fotografie, ma usarle soltanto come base di partenza.

Come analizzi il ponte tra la scuola classica e quella moderna nel fumetto italiano? Sei d’accordo che c’è stata una evoluzione continua nel fumetto popolare ed una rottura nel fumetto di taluni autori?
Fabio Civitelli: Fortunatamente il fumetto cosiddetto popolare ha avuto una evoluzione verso una qualità sempre maggiore, favorita anche dalla possibilità che l’editore ci concede oggi di dedicare più tempo ad ogni singola tavola. Nel caso di Tex la presenza continua o saltuaria di tanti maestri del fumetto d’autore ha comportato una rapida caduta della barriera che sembrava dividere i due generi. Da parte mia cerco di mettere lo stesso impegno se disegno Mister No oppure Tex, e se fossi chiamato a realizzare Blueberry continuerei a lavorare al massimo delle mie possibilità come ho sempre fatto.

Sappiamo che la maggior parte dei professionisti, dopo avere iniziato a lavorare nel fumetto, quasi tralasciano poi di leggere i fumetti. Tu leggi qualche personaggio? In caso affermativo, qual è il tuo genere preferito? Ed in caso negativo, quando e perché hai smesso di leggere?
Fabio Civitelli: Ho iniziato ad amare i fumetti da bambino come lettore, e ho sempre mantenuto il piacere della lettura. Penso che sia comunque importante anche come autore continuare a seguire il mercato e i nuovi personaggi. Personalmente, oltre a Tex, leggo abbastanza regolarmente Dampyr, Dylan Dog, Martin Mystère, i Romanzi a Fumetti e quasi tutte le miniserie. Anni fa compravo molti fumetti americani, ma adesso la qualità dei super eroi mi sembra alquanto scarsa e leggo solo autori di punta tipo Mignola, Ross, Hitch e pochi altri. Riguardo al fumetto franco belga oltre a Blueberry, seguo i lavori di Hermann e di Leo. Il mio preferito: Tex, che leggo da quando avevo otto anni!

Fabio, ti ringraziamo moltissimo per il tempo che ci hai dedicato ancora una volta. Se desideri approfittare di questo spazio per lasciare un messaggio ai tuoi ammiratori che compariranno a Viseu, sei a casa tua!
Fabio Civitelli: Spero di incontrare tanti lettori, ai quali sarò felice di mostrare le tavole del mio Texone, che sto ultimando e dovrebbe essere pubblicato nel 2012, poi i disegni per il libro di illustrazioni Il Mio Tex e per la biografia texiana uscita in Italia in primavera per l’editore Mondadori. Quindi tutto questo materiale in anteprima spero che possa interessare il pubblico portoghese (che mi sembra molto attento e anche molto esigente!). Quindi a presto, e viva Tex!

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