Entrevista com o fã e coleccionador: Ronald Guimarães

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Ronald Guimarães: Nasci em Carolina, Estado do Maranhão no Brasil, moro actualmente em Goiânia há mais de 20 anos. Tenho 38 anos, sou casado e tenho dois filhos ainda crianças. Sou bacharelado em designer gráfico, desenvolvo embalagens e faço ilustrações comerciais para publicidade.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Ronald Guimarães: Era o ano de 1980, e eu ainda um garoto, já era fã de quadradinhos, na época o meu grande herói era Conan, desenhado por Buscema… e na minha busca por novos números (o que era muito difícil na época numa pequena cidade do interior) encontrei na casa de um amigo um “Tex”. Eu já havia lido inúmeros “westerns”, mas aquele chamou-me a atenção, “Ao Sul de Nogales”, Tex nº 111 no Brasil, desenhado pelo que viria a ser uma grande inspiração para mim: Giovanni Ticci. A partir daí comecei uma longa caminhada por números anteriores, desde então não os deixei mais. Hoje tenho inúmeros projectos relacionados a quadradinhos, os quais faço trabalhos para algumas revistas brasileiras.

Então também descobriu Tex em 1980?
Ronald Guimarães: Sim.

Porquê essa paixão imediata por Tex?
Ronald Guimarães: Confesso que primeiro foi pelo visual dos desenhos, sempre limpos e belos, depois foi vicio mesmo.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Ronald Guimarães: Tex sempre foi simples de ser entendido e fácil de assimilar. A sua força de  justiça manteve-me fiel, isso sem falar que cada livro é uma obra de arte.

Tex teve alguma influência no facto de você se ter tornado um desenhador?
Ronald Guimarães: Sempre digo a quem me pergunta sobre o meu trabalho de desenhador que se não fosse por uma pessoa em especial (Giovanni Ticci) eu não estaria fazendo o que faço hoje. Acho que ele com o seu Tex em particular, com cenários incrivelmente bem feitos e com uma naturalidade física sem igual  nos seus desenhos trouxe-me para onde estou. Não vou falar de outros que fizeram Tex, por que nenhum deles realmente me influenciou, mas claro, reconheço a sua importância a cada página feita. Impressiona-me muito Claudio Villa e Corrado Mastantuono,  recentemente são os mais queridos por mim, e sempre busco trabalhos feitos por eles.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Ronald Guimarães: Sinceramente não sei quantas revista Tex eu tenho porque há tempos deixei de contá-las, mas são mais de 1.000 com certeza. A mais importante para mim é sem dúvida  a primeira “Ao Sul de Nogales”, a nº 111 publicada pela editora Vecchi no Brasil em 1978. Tenho-a  até hoje.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Ronald Guimarães: Apenas livros…

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Ronald Guimarães: Tinha um par de botas, quando garoto, que eu costumava a dizer que eram as de Tex. Eram exactamente iguais, mas hoje não as tenho mais. Ficou apenas a lembrança.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Ronald Guimarães: História: El Muerto, desenhada por Aurelio Galleppini. Desenhador: Ticci, mas não posso deixar de mencionar Villa, Mastantuono e Milazzo…
Argumentista: G. L. Bonelli.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Ronald Guimarães: O que mais me agrada é a sua força de justiça e o seu carácter. O que menos me agrada são as injúrias (diabo isso… diabo aquilo… enfim, palavras desse tipo, mas que reconheço serem necessárias num western).

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Ronald Guimarães: Tex nunca foi vulgar, sempre foi algo que o pai ou o filho podem ler, isso na minha opinião é o que faz Tex ser o que ele é, e sempre será um ícone por esses valores.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Ronald Guimarães: Não, vou muito a congressos, encontros sobre quadradinhos, mas nada especifico a Tex.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Ronald Guimarães: Acho que enquanto existir a magia da banda desenhada, vai haver Tex…
Vejo muitas personagens de banda desenhada indo para o cinema, acho que já está hora de olharem também para Tex (não falo do Senhor dos Abismos, esse embora seja um clássico, não faz jus ao Ranger nem de longe)… sou fã incondicional do western-spaghetti

Prezado pard Ronald Guimarães, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

4 Comentários

  1. Parabéns Ronald, vc é mais um grande Texiano, e enquanto existirem fãs desse calibre, com certeza existirá Tex. Abraços.

  2. Belas artes!!
    E que bom que a arte deste desenhista texiano, possibilitou o contato maior com sua atual formação, e claro, que um referencial sempre é necessário, e teve um dos grandes!!
    Tex, atraindo os talentos!!
    E siga o seu caminho nas artes, pois, talento não falta, parabéns!!

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