Hoje, dia 11 de Setembro de 2012, será inaugurado o X Festival Internacional de Historieta “Viñetas con Altura”, em La Paz, capital administrativa da Bolívia e a abrir a manifestação será uma mostra sobre Mister No: “Mister No e Mister Nolitta, 30 anos de viagens e aventuras de um herói anti-herói e do seu criador“.
A mostra é uma homenagem à histórica personagem de banda desenhada criada em 1975 pela fervorosa imaginação de Guido Nolitta, aliás Sergio Bonelli, editor e escritor italiano falecido em 2011. A exposição, comissariada por Graziano Frediani e Stefano Marzorati e patrocinada pela Sergio Bonelli Editore, ficará hospedada no Instituto Francês de Cultura daquela cidade até ao dia 27 de Setembro.
De La Paz desloca-se depois nos meses sucessivos numa turnê itinerante por toda a Bolívia, mas a vontade da embaixada italiana é levar também a mostra para a Argentina e Peru. A exposição consiste em 49 painéis, com textos e desenhos que explicam a história da banda desenhada, mas não faltam fotografias de Sergio Bonelli e das suas viagens nos anos 50 na Amazónia, não só no Brasil, mas também na Bolívia e no Peru.
Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Giampiero Belardinelli e Pedro Cleto na formulação das perguntas, de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão e de Bira Dantas na caricatura.
Olá, caríssimo Alfredo Castelli, e bem-vindo ao blogue português de Tex. Em 2012 Diabolik completa cinquenta anos de vida editorial. Você entrou em contacto com a Editora Astorina para realizar Scheletrino (n.t.: Esqueletinho) e depois trabalhou directamente com as irmãs Giussani. Como foi o seu contacto com as irmãs e o que se recorda daquele período de sua carreira? Alfredo Castelli: A primeira coisa de que me recordo é que eu era muito jovem, coisa da qual sinto muita saudade, mas não faz mal. Era o Verão de 1964 e Diabolik ainda não tinha dois anos de vida, enquanto eu havia recém completado 17. A segunda coisa é que eu ainda era tão inconsequente a ponto de apresentar uma série desenhada por mim, mesmo sem saber desenhar. Dirigi-me às irmãs Giussani depois de ter visitado Monello e as Edições Alpe. Angela e Luciana, de quem depois tornei-me amigo, aceitaram o meu trabalho. Eu havia proposto uma série humorística que, anos depois, eu modificaria e reapresentaria como Zio Boris (Tio Bóris); uma das personagens era um esqueleto que podia até parecer a paródia de Kriminal, o primeiro concorrente sério de Diabolik. As irmãs – como costumo chamá-las – divertiram-se e, em 1965, saiu a primeira história do Scheletrino. É uma personagem incrivelmente banal e mal desenhada, mas muita gente ainda se recorda dela.
Entre as várias iniciativas às quais você participou e criou junto a outros colegas, gostaríamos de destacar a revista Horror, idealizada com Pier Carpi, uma revista inovadora para o mercado italiano daquele período. O que nos pode contar da experiência? Alfredo Castelli: Ao sabiamente abandonar o desenho, passei a dedicar-me apenas aos roteiros e comecei a escrever histórias de humor e de aventura para vários editores: na época o mercado funcionava bem e não havia dificuldades particulares, embora o facto de ser muito jovem (para ser exacto, o mais jovem autor de BD do momento) nem sempre ajudava. Em 1967 eu e Gino Sansoni, marido de Angela Giussani, editamos um número profissional de Comics Club 104, o primeiro fanzine italiano dedicado aos quadradinhos e que eu e Paolo Sala havíamos fundado no ano anterior. Ambos tínhamos em mente uma revista de terror (eu, mais no estilo de Creepy, ele, numa abordagem esotérica), e a propusemos. O doutor, como todos o chamavam, era um maluco genial que mereceria um tratado e que jamais recusava um desafio, por isso aceitou publicar. Pier Carpi, que na época trabalhava com Sansoni, também era um tipo bastante extravagante e difícil, tanto que a certa altura nós brigamos feio e eu larguei a revista. Vários anos depois nós reatamos o relacionamento e nos tornamos muito amigos. Carpi faleceu no dia do meu aniversário, doze anos atrás, e isso entristeceu-me bastante. Ele havia tido muitas ideias, algumas das quais geniais. Muitas de suas obras deveriam ser redescobertas, mas é difícil achar um editor que cuide disso. Quanto à Horror, eu creio que foi a primeira revista de prestígio feita apenas por autores italianos; havia muita gente boa e alguns dos autores – por exemplo, Uggeri, Di Gennaro, Cimpellin, que trabalhavam no Corriere dei Piccoli – estavam dispostos a trabalhar por valores menores que os de costume, apenas pelo prazer de participar. E Carpi ainda descobriu alguns talentos excepcionais, como Zaniboni, Rostagno, Cianti. Horror parou em razão da baixa vendagem: 35.000 exemplares. Uma quantidade que hoje, para conseguir, os editores fariam um pacto com o diabo.
No período em que colaborou com o Corriere dei Piccoli você deu vida a várias personagens. Fale um pouco disso. Alfredo Castelli: O Corriere dei Piccoli era a mais antiga revista italiana para jovens, clássica como, em Portugal, ABC-zinho ou O Mosquito, e saiu de 1908 a 1995. Mais do que com o Corriere dei Piccoli, para quem fiz só poucas histórias, eu colaborei com o Corriere dei Ragazzi, o nome que a revista semanal adoptou em 1972 (depois o Corriere dei Piccoli voltou a ser publicado, e as duas edições continuaram de forma simultânea). O principal roteirista do Corriere (dei Piccoli e dei Ragazzi) era Mino Milani, mas a certa altura eu também comecei a produzir muito material como, por exemplo, as séries L’Ombra (A Sombra) e Gli Aristocratici (Os Aristocratas), que Ferdinando Tacconi e eu continuamos a produzir, depois do encerramento do Corriere dei Ragazzi, para a revista semanal alemã Zack, com o título Gentlemen GmbH. Ambas as séries foram publicadas em Portugal pela revista Jornal do Cuto, a partir de 1975; há poucos anos eu consegui achar todas as edições da revista que continham essas histórias, numa loja de BD no Porto. Também para o CdR eu retomei Zio Boris, a série que eu havia inicialmente apresentado às irmãs Giussani e que havia saído em 1970 na revista Horror ilustrada por Carlo Peroni. Com Bonvi (de Sturmtruppen) e Dani Fagarazzi fizemos uma secção satírica de grande sucesso, chamada Tilt, na qual, devidamente caricaturizados, também éramos protagonistas junto com o director da revista, Giancarlo Francesconi. Sozinho eu criei uma série que ainda hoje é muito apreciada, L’Omino Bufo (Bufo deveria ser escrito Buffo, e significa engraçado, gozado, mas o protagonista falava e escrevia de modo terrivelmente incorrecto. O Homenzinho Engraçado fazia trocadilhos terríveis, que comentava a rir de modo descomposto – “Ah, ah, ah! Che bufo!“, ou seja, “Ah, ah, ah! Que gozado!“). Como era desenhado muito mal – pelo simples facto de que eu não sei desenhar – a série deixava os leitores à vontade, que mandavam centenas de piadas, uma mais bufa que a outra. Creio que o Omino Bufo seja a minha personagem mais lembrada, e de vez em quando ainda desenho uma ou outra strissia (o correcto é escrever striscia, ou seja, tira) e em Agosto de 2012 foi aos quiosques uma estatueta que o representa. O Corriere dei Ragazzi foi uma revista realmente importante no panorama italiano dos quadradinhos. Além de publicar histórias de Hugo Pratt, Dino Battaglia, Sergio Toppi, Grazia Nidasio (uma mulher espirituosa, inteligente, muito culta), Uggeri, Aldo Di Gennaro, Milo Manara, Ferdinando Tacconi, Bonvi, Silver, Attilio Micheluzzi, Giancarlo Alessandrini, Alberto Breccia, Arturo Del Castillo, Jorge Moliterni, Gigi, Claude Moliterni e o simpaticíssimo Albert Weinberg – e eu tive a sorte de trabalhar com a maior parte deles –, Giancarlo Francesconi a transformou numa revista de verdade, atento à realidade e em condições de encarar inclusive assuntos espinhosos. Além de trabalhar como roteirista, também fui redactor e foi ali que ganhei experiência para tornar-me jornalista profissional.
Você trabalhou com muitos editores e, inevitavelmente, entrou em contacto com as publicações de Sergio Bonelli, que sempre brincou sobre o seu primeiro encontro com ele: como aconteceu? Alfredo Castelli: Sergio sempre dizia que me conheceu “de calças curtas” e acho que ele acreditava mesmo nisso. Mas não foi assim: na época eu tinha 18 anos e já não usava calças curtas há muito tempo. De todo modo, por muitos anos eu também fiz confusão sobre como e porque nos conhecemos (do quando eu tenho certeza: foi no final de 1965). Até há pouco tempo eu sempre respondia a essa pergunta com convicção: “Em 1965 Paolo Sala, co-criador do fanzine Comic Club 104, e eu batemos à porta de todos os editores de BD de Milão para tentar vender alguns exemplares. Também passamos pela Bonelli, que na época chamava-se Araldo; fomos recebidos por Liliana Gentini, a primeira pessoa da Editora que conheci, ainda hoje na primeira fila da redacção da Rua Buonarroti, que disse que nos levaria à presença de Sergio. Eu não fazia a mínima ideia de quem era: o nome dele não aparecia nas revistas, era uma pessoa extremamente esquiva e só os profissionais do sector sabiam de quem se tratava. Para minha surpresa ele comprou dois exemplares: uma atitude generosa em relação a quem demonstrava amar os quadradinhos e que ele sempre adoptou até o fim“. Mas não foi assim: há alguns meses folheei o primeiro número de Comics Club 104 e percebi que escrevi um artigo (A Historieta Argentina) graças a um volume que Sergio me havia emprestado. Não só isso: Comics Club era de 1966, enquanto que eu colaborava com a Colecção Oceano (uma das poucas séries estrangeiras editadas pela Bonelli, que publicava Magnus the Robot Fighter, Doctor Solar, Frogmen) desde 1965, com uma secção sobre a história da BD. Porque ele passou-me aquela tarefa, visto que eu jamais havia escrito sobre o assunto? Porque nos conhecemos? Infelizmente eu creio que jamais saberei. O facto é que Sergio também passou-me alguns roteiros de Carabina Slim, a fazer para Bernadette Ratier, de Aventures et Voyages, com quem a Bonelli detinha um bom relacionamento de trabalho. Eu escrevi a minha primeira história de Zagor (Molok) em 1968, embora só tenha sido publicada em 1971.
No final dos anos Sessenta e início dos Setenta a realidade editorial da BD era muito vasta. Você sente saudade daqueles tempos ou acha que, ainda hoje, não faltam as chances para emergir? Alfredo Castelli: A chance para emergir existe em qualquer situação. O problema é a dificuldade, que hoje é bem maior. Não é que eu sinta saudade daqueles tempos, mas é claro que na época as coisas eram mais fáceis. Um ano depois de ter começado, por exemplo, eu ia à universidade e escrevia não só para vários editores como também para Maria Perego e Federico Caldura (os criadores de Topo Gigio) na série de bonecos animados Cappuccetto a Pois / Die Abenteuer der Cappuccetto (Chapeuzinho de Bolinhas) transmitida pela TV suíça; para Carosello, um programa publicitário da TV que fez a história da televisão italiana, formado por pequenos espectáculos de géneros variados que duravam cerca de 100 segundos (sugiro aos leitores procurar no YouTube). Eu ganhava discretamente e o trabalho jamais faltava. Agora – a não ser por uma sorte descarada ou uma qualidade excepcional – a coisa é impensável para um estreante.
A personagem de Allan Quatermain antecipou, no conteúdo, a sucessiva Martin Mystère. Fale um pouco disso. Alfredo Castelli: Allan Quatermain foi a primeira encarnação de Martin Mystère e surgiu em 1975. Naquele ano eu apresentei o projecto da série a Il Giornalino, uma revista para a qual no início dos anos 70 eu havia escrito duas séries (Gli Astrostoppisti – algo como Os Caroneiros do Espaço – e Mister Charade) e histórias livres. Não foi aceite. Na época uma recusa não era um drama: como eu disse, o mercado funcionava muito bem, e havia várias revistas que publicavam séries em episódios; se uma coisa não era aceita, era só apresentar outra, sem muitos problemas. A ideia descartada poderia ser tirada da gaveta na hora certa, como aconteceu com Allan Quatermain, que saiu em 1979 em SuperGulp. Depois do encerramento da revista semanal, eu a apresentei a Bonelli na fórmula actual em 1980. Dois anos de preparação de um pacote de histórias, e logo chegamos a 1982.
Então vamos nos deter no Detective do Impossível. A personagem que foi aos quiosques em Abril de 1982, quanto era diferente da sua ideia inicial? Alfredo Castelli: Não era muito diferente, excepto pelos nomes, pelo tamanho das histórias e pelo facto de que Quatermain morava em Londres e não em Nova York.
Qual foi a reacção de Sergio Bonelli depois da publicação das primeiras aventuras? Alfredo Castelli: Ele esperava uma série mais agitada. Ele ficou muito perplexo ao ver uma personagem de BD que usava um computador – um aparelho que estava há pouco no mercado mas que já na época Bonelli detestava, como tudo que era electrónico. A vida inteira ele dizia – a brincar, mas não de todo – que eu havia trapaceado ao levar em frente uma série diferente da que havia sido proposta. Com relação ao computador, parece que Martin Mystère foi a primeira personagem de BD a possuir um personal computer. Não sei se é verdade, mas eu não achei exemplos precedentes. Eu tinha um daqueles que na época eram chamados de home computer, aparelhos não muito caros que eram conectados ao ecrã da TV. Era um Atari 800, programado em basic e com os registos gravados num gravador de fita. Fazer isso demorava vários minutos e não havia garantia de que a gravação seria boa o suficiente para permitir abrir novamente os arquivos. O Personal Computer era praticamente exclusividade da IBM e custava caro demais (a fazer as devidas comparações, eu diria algo em torno de 25.000 Euros actuais para um aparelho com 128K de RAM!). Como eu não podia me permitir, fiz com que a minha personagem tivesse um.
Um dos temas dominantes da série – ao menos nos primeiros dez anos – foi o dos continentes perdidos. O que o fascinava neste assunto? Alfredo Castelli: Eu não diria genericamente continentes perdidos, eu diria mais especificamente continentes perdidos de Atlântida e Mu. Na saga de Martin Mystère eram duas civilizações mais ou menos como a nossa e que, por puro desejo de expansão de poder, haviam se defrontado numa guerra que, há cerca de 10.000 anos, havia culminado com a destruição total de ambas e havia arrastado na catástrofe o resto do mundo, a fazer os sobreviventes regredir a um nível de semi-barbárie. Um acontecimento que uma antiga seita, a dos Homens de Preto, desde sempre busca manter em segredo, e destrói tudo o que poderia provar que aconteceu: sim, porque se hoje nós nos déssemos conta do que ocorreu no passado remoto, provavelmente tentaríamos não cometer os mesmos erros de quem nos antecedeu, e isso abalaria consolidados mecanismos de poder. Por um certo período essa tese – que, na minha opinião, possui um fascínio ameaçador – constituiu a base sobre a qual se assentou uns 30% das aventuras de Martin Mystère. Depois a coisa começou a tornar-se repetitiva e a deixei um pouco de lado. Nos seus trinta anos de vida Martin Mystère ocupou-se de mysteri (mystérios) de todo tipo. A propósito, mistérios em italiano se diz misteri, e mysteri (com y) é um neologismo que eu criei e que difundiu-se também fora do âmbito Bonelli, usado para diferenciá-los daqueles de carácter policial ou político (infelizmente muitos, na Itália). Então, mystério é tudo o que é incomum e curioso, que estimula a curiosidade e o desejo de saber mais; não só Atlântida, o Graal ou os OVNIS, mas a História, as artes, a literatura, as ciências exactas (O mystério do último teorema de Fermat).
Qual é a principal diferença entre escrever histórias de Martin Mystère e de Diabolik? Alfredo Castelli: Escrever histórias de Martin Mystère e de Diabolik (ou Tex) apresenta dificuldades de carácter oposto. Ninguém se escandaliza se Diabolik rouba pela enésima vez um diamante exposto no museu ou se Tex caça pela enésima vez uma quadrilha de assaltantes de diligências. A dificuldade para essas duas personagens não é tanto a de arrumar novas ideias, mas a de criar infinitas variações para os mesmos temas. Com Martin Mystère este problema, graças aos céus, não existe, visto que pode-se passear sobre inumeráveis argumentos, mas em compensação, ao contrário de Tex e Diabolik, ele não pode enfrentar duas vezes a mesma situação: se Martin acha o Graal na Basílica de San Nicola, em Bari, não pode achá-lo de novo nos subterrâneos do Castelo de São Jorge: a ideia está queimada para sempre. É evidente que, nos primeiros dez anos de vida, o trabalho do Detective do Impossível era só escolher o tema, mas hoje, depois de tanto tempo e de tantos mystérios variados, tudo é muito mais difícil, embora eu acredite que as ideias não se esgotarão. Hoje que, depois do sucesso do Código Da Vinci, as histórias mysteriosas estão na moda (na Itália e na Espanha todo mês saem dezenas de romances com esses assuntos e, francamente, eu me pergunto como é que vendem), eu gostaria de retomar, de um modo diferente, certos temas usados nos anos 80. Uma hora eu arrumo algum expediente engenhoso para fazer isso.
Quais foram, na sua visão, as mudanças que a série sofreu nesses trinta anos de vida editorial? Alfredo Castelli: Nenhuma mudança traumática como, por exemplo, as dos super-heróis americanos. Como eu disse, mudaram um pouco os mystérios, o BVTM (Bom Velho Tio Martin) envelheceu um pouquinho (não de trinta anos, como o autor: digamos que para as personagens de BD – sorte delas – só se passa um ano a cada cinco dos nossos), tornou-se mais caseiro, casou-se com Diana e está decididamente mais humano e simpático que o Martin das origens. Seus leitores o chamam afectuosamente de BVZM (Buon Vechio Zio Marty, ou BVTM, Bom Velho Tio Martin, em português), consideram-no um amigo e gostam de acreditar que é uma pessoa real. Sinto um orgulho realmente grande pelo relacionamento de Martin com seus leitores.
A propósito de relacionamentos, o modelo herói-assistente-noiva eterna (Martin Mystère-Java-Diana) seria o mesmo se Martin Mystère tivesse sido criado actualmente? Alfredo Castelli: Eu diria que sim. Com as adaptações devidas, sempre funciona, desde Platão a Goldoni, e também a Cervantes e aos protagonistas de dois filmes muito mysteriosos, quais sejam O Tesouro e O Tesouro 2 – Livro dos Segredos, da Disney. (N.T.: no Brasil, A Lenda do Tesouro Perdido e A Lenda do Tesouro Perdido – Livro dos Segredos)
E se criasse Martin Mystère hoje, você o modificaria? E como? Alfredo Castelli: É uma pergunta à qual é impossível responder, as variáveis são muitas. Se Martin Mystère não existisse, mas o resto do mundo (inclusive e sobretudo o editorial) fosse exactamente o de hoje, eu não tentaria sequer criar Martin Mystère: ele não seria mais uma personagem original como era em 1982 e, principalmente, teria muita concorrência entre livros, filmes, programas de televisão.
A bimestralidade, em nossa visão, fez bem à serie, mas como o público reagiu a essa inovação? Alfredo Castelli: Transformar a série mensal em bimestral foi uma decisão que alguns interpretaram erroneamente como um sinal de que as coisas não iam bem e que tentava-se salvar o salvável. Não foi isso: tratou-se de uma escolha precisa que permitiria publicar edições mais volumosas, verdadeiros livros com 160 páginas, e de elaborar histórias completas sem precisar comprimi-las em 96 páginas. Eu contava que os leitores entenderiam, e assim foi. A mudança de periodicidade aconteceu a partir do n° 279, de Junho de 2005, e teve efeitos positivos imediatos nas vendas. O próprio Sergio Bonelli, que era contrário à operação mesmo após ter permitido que eu a levasse em frente, admitiu publicamente e com muito fair play que estava errado e que ficou contente com seu erro.
Muitas vezes você acreditou nas respostas que Martin Mystère obteve? Alfredo Castelli: Geralmente as tramas do Detective do Impossível têm uma precisa base histórica, literária ou de outro tipo, mas Martin Mystère é sempre uma personagem de fantasia que conta histórias de fantasia. Eu faço questão de destacar esse detalhe e, não por acaso, em cada edição há um artigo que explica o que há de verdadeiro e de inventado nas histórias, porque eu não pretendo fazer com que os leitores acreditem em coisas não-verdadeiras. Feitas essas premissas, posso responder que acredito nas respostas obtidas por Martin em cada caso. Algumas respostas são fantásticas demais para que eu acredite nelas, outras mais ou menos plausíveis – embora não comprovadas –, o que me faz pensar um pouco na sua veracidade. Mas se a pergunta é sobre como eu me coloco diante de uma matéria controvertida enfrentada por Martin (como fenómenos paranormais, OVNIS, magia e coisas do tipo), eu digo que sou bastante céptico. E, do seu jeito, o Detective do Impossível também o é, visto que nunca aceita nada no impulso, ele documenta-se e investiga do modo mais objectivo possível. É óbvio que Martin vive num mundo que, embora bastante parecido com o nosso, é de fantasia, e nele certos fenómenos podem tranquilamente acontecer.
Há alguma história de Martin Mystère que você ainda não conseguiu contar? Alfredo Castelli: Existem histórias que eu gostaria de contar mas decidi não fazer isso, a seguir a filosofia da Editora com a qual, em linhas gerais, eu concordo. O objectivo de nossas edições de série (as regras podem não valer para os one shot, volumes isolados) é um entretenimento o quanto possível inteligente e, no caso de Martin Mystère, com um fundo educacional. Os protagonistas podem – aliás, devem – possuir uma componente política (por exemplo, Martin Mystère é um democrata liberal, o que na Itália nós definiríamos de esquerda, e seus actos mostram isso) mas não um posicionamento de partido, o que derivaria para a propaganda. Martin admite que não é muito religioso no sentido tradicional do termo, mas respeita todas as escolhas desse campo enquanto essa não tolhe a liberdade de terceiros. Nesse sentido – do respeito – deve-se enquadrar a escolha de evitar histórias sobre mystérios religiosos ou milagres. As aparições de Fátima, por exemplo, com o sol que dança e o Terceiro Segredo, poderiam ser uma óptima inspiração e ser interpretadas de modos muito interessantes, mas tais interpretações poderiam chocar a sensibilidade de quem acredita. Nas edições Bonelli também é difícil abordar a actualidade em sentido estrito, visto que, do momento da primeira ideia para uma história até o lançamento da BD, passa-se no mínimo (mínimo mesmo) um ano. Como Martin Mystère actua num mundo real, em alguns casos clamorosos (por exemplo, a derrubada das Torres Gémeas) nós retocamos os diálogos e mudamos alguns quadros pouco antes de mandar o material para a impressão, mas é o máximo de actualidade que podemos nos permitir. As histórias ligadas a temas do momento provocariam, justamente, reacções positivas ou negativas e, em razão dos prazos de confecção das edições, não seria possível o contraditório, uma explicação, e isso seria pouco correcto.
Como é o seu método de trabalho para escrever as histórias de Martin Mystère? Alfredo Castelli: O pior de todos, que não aconselho a ninguém. O método correcto para escrever uma história, seja uma BD, um romance ou um filme, é elaborar um argumento, fazer os ajustes e, quando está bom, fazer o roteiro ou, de todo modo, elaborar a trama completa. Mas eu muitas vezes começo sem sequer saber qual será o tema central da história, quem sabe porque o desenhador ficou sem roteiro e precisa trabalhar. Depois de enviar algumas páginas boas para qualquer situação, eu vou em frente à base de dez ou quinze páginas de cada vez, quando eu mesmo descubro aos poucos do que estou a falar, e várias vezes acabo em situações terrivelmente enroladas. Até hoje eu consegui fazer funcionar, mas – apesar de estar acostumado – é um sistema muito trabalhoso, inseguro e gerador de stress.
Para você foi fácil entregar Martin Mystère a outros autores? Como é o seu relacionamento com eles? Alfredo Castelli: Absolutamente sim. Saber que eu teria ajuda deu-me mais tranquilidade. Os autores escrevem ou desenham segundo a própria personalidade, assinam as histórias e recebem os direitos de autor assim como eu. Mas confesso que sou um pouco despótico , como as irmãs Giussani eram com Diabolik ou como Sergio era com Zagor ou Tex. Muitas vezes eu refaço os diálogos do modo que parece-me mais correcto, e, em caso de discussões – inclusive sobre os desenhos – se não se chega a uma solução de consenso, a última palavra é minha por ser o criador e, sobretudo, o editor responsável pela série. Apesar disso, espero e acredito que sou bastante querido pelos meus colegas.
Qual a história de Martin Mystère feita por outro autor que você gostaria de ter escrito? Qual é o desenhador com quem você mais gostou de trabalhar para Martin Mystère? Alfredo Castelli: A essas duas perguntas sobre os muitos outros bons autores que se alternam em Martin Mystère eu prefiro não responder. Não sou hipócrita a ponto de fingir que não tenho preferências, como faz um amoroso pai com seus filhos: é óbvio que eu tenho os meus preferidos, mas por respeito com quem não é, não pretendo revelar quem são. De todo modo (isto é verdade), todos contribuíram para que, depois de trinta anos, a série ainda esteja viva e saudável.
Sem demérito para os seus outros colaboradores, pode-se dizer que Paolo Morales é um roteirista (além de grande desenhador) que tem aquela capacidade de conjugar documentação, acção e profundidade psicológica das personagens, os protagonistas em primeiro lugar. Esse autor seria uma espécie de seu alter ego? Ou não? Alfredo Castelli: Morales tem uma capacidade extraordinária de visualizar a acção: não por acaso ele fez storyboards de filmes importantes como Gangues de Nova York, de Martin Scorsese. Ele também é óptimo para traçar o carácter das personagens e fazê-las interagir. A sua especialidade são histórias em que se fazem complôs talvez pouco mysteriosos, mas que sem dúvida são inquietantes e realísticos. E acho que, como roteirista, ele é bem melhor do que eu. Bah, eu finjo acreditar que é só porque ele é mais jovem.
Já Carlo Recagno é o seu braço direito na redacção: o que pode nos dizer dele? Alfredo Castelli: A primeira história de Carlo Recagno, Ar de Baker Street, é de Dezembro de 1992; então, logo se festejarão duas décadas de sua colaboração com a Bonelli, primeiro como roteirista externo e depois como redactor. Para aquela edição ele fez um storyboard tão preciso que, com uns poucos ajustes, poderia ser publicado. Ele realmente é um ilustrador mais que discreto, apesar de ter preferido deixar o desenho de lado em favor da escrita. Além de ser um amigo, um valioso colaborador e um óptimo autor (a sua especialidade são as histórias fantasy, sobretudo com personagens das mitologias nórdicas, e histórias de ambientação vitoriana), Carlo é uma pessoa particularmente mysteriosa. Fala pouco (sobre ele corre o dito “Tocou o telefone, ninguém atendeu: era Recagno“), muitos suspeitam que é um ciborgue de Jornada nas Estrelas, série pela qual nutre uma paixão louca. O facto de há anos comer um hambúrguer do MacDonald no almoço e ainda estar vivo comprova a sua origem alienígena. A Carlo é dedicado uma espécie de jogo muito apreciado pelos leitores: nas páginas de abertura de Martin Mystère sempre se esconde uma imagem pequena dele, às vezes muito difícil de achar.
Há algum desenhador não-bonelliano que você gostaria que ilustrasse uma história de Martin Mystère? Alfredo Castelli: Desenhador, eu não faço ideia. Existem vários que são muito bons, eu não saberia escolher. Mas eu gostaria que Neil Gaiman e Alan Moore escrevessem uma história. Ou todas. Escritas e desenhadas de modo completamente não-bonelliano são as aventuras da TV do jovem Martin Mystère (em Portugal, Martin Mystery, desde 2011 no canal Panda Biggs). Antes nós falávamos de mudanças, e aqui, com a minha aprovação, a personagem foi radicalmente transformada para uma série de 66 desenhos animados dedicada a um público de 10/12 anos. Eu vejo que muitas vezes a versão animada de histórias aventurosas (como, por exemplo, Diabolik) não é nem carne, nem peixe: não são suficientemente semelhantes ao original para contentar os leitores, e nem suficientemente diferentes para contentar outros públicos. Não é o caso de Martin Mystery, que também não é nem carne, nem peixe mas ainda é outra coisa (fruta? doce?) que pode agradar ou não. A mim, particularmente, a série não desagrada, embora eu seja, como é evidente, condicionado pelo original e, ainda mais evidente, não tenho 10 ou 15 anos. Foi meio como ver um filho crescer e se desenvolver sozinho.
Você conhece Portugal? Alguma história de Martin Mystère já foi ambientada aqui? Alfredo Castelli: Eu conheço Portugal, já estive aí várias vezes (inclusive de férias, no Algarve) e gosto demais de Lisboa. Mantenho contacto com Leonardo de Sà (eu sei que o a deve ter acento agudo, mas isso não tem no teclado italiano e deve-se procurar o caracter sabe-se lá onde) (N.T.: para comodidade do entrevistado, resolvemos o problema na tradução: Leonardo de Sá :-), grande conhecedor de BD, com quem há anos troco correspondência, e tenho muitos livros e revistas dedicados à produção portuguesa, dentre os quais bastante material sobre o precursor Rafael Bordalo Pinheiro (fiquei positivamente admirado que um jornal de grande circulação como o Expresso tenha lhe dedicado um volume colateral). Há vários anos eu planeio ir ao festival da Amadora, mas infelizmente ele coincide com o de Lucca, no qual sempre tenho algum compromisso. Fico triste que Martin Mystère jamais tenha tido uma edição portuguesa (foi importado do Brasil por algum tempo); uma hora eu o farei viver uma aventura em Lisboa, na esperança de que seja descoberto. Leonardo sugeriu-me alguma coisa ligada à reconstrução após o terremoto de 1755, mas depois eu esqueci. Esta entrevista me fez o facto voltar à memória e eu agradeço.
Deixemos o Detective do Impossível para falar de Zagor: você sempre usou Chico de maneira estrepitosa: o que o conquistou nessa personagem? Quais foram as dificuldades ao escrever as histórias do herói nolittiano? Alfredo Castelli: Atingir o equilíbrio entre acção e humorismo, coisa em que Nolitta/Bonelli era um mestre. Eu sempre me diverti e ainda divirto-me ao ler Zagor; mas nunca me entusiasmei ao escrever suas histórias porque elas não agradavam (para usar um eufemismo) a Sergio. A minha versão de Chico também jamais foi muito apreciada. Mesmo por mim.
Entre as suas histórias recordamos com prazer Pequenos Assassinos (no Brasil, ZG Especial n° 65, Ed. Record, e ZG Especial n° 1, Ed. Mythos) e O Grande Complô (no Brasil, ZG Especial n° 16 e 17, Ed. Mythos). Essa última, em particular, com uma estrutura narrativa muito complexa; o que se recorda dela? Alfredo Castelli: Eu recordo-me que concluí Pequenos Assassinos às pressas poucos dias antes de partir para a Colômbia, para uma viagem de dois meses. Da criação de O Grande Complô eu não me recordo de nada, só que – creio – pela primeira vez eu introduzi a personagem de um ninja numa BD italiana. Em 1980 Eric Van Lustbander havia escrito o romance Ninja, de onde eu extraí alguns dados antes de ser traduzido. Também me recordo que na história eu havia inserido um agente secreto inglês com o nome de Mycroft (como o irmão de Sherlock Holmes, que actuava no serviço secreto) e descrevi o vilão Tecedor mais ou menos com as palavras usadas por Sherlock Holmes para descrever o maligno Professor Moriarty. Fico feliz que Moreno Burattini – que, para mim, é o autor que melhor soube interpretar o Zagor de Bonelli – tenha trazido de volta o vilão da trama e tenha lhe dado uma identidade precisa.
A outra personagem nolittiana, Mister No, permitiu-lhe escrever histórias mais próximas da sua sensibilidade: quais eram as afinidades narrativas com essa personagem? Alfredo Castelli: Eu considero Mister No a melhor personagem de Bonelli e da Bonelli. Escrever suas histórias era para mim um prazer. Eu lembro-me que até tinha a impressão de respirar as atmosferas amazónicas que Sergio descrevia de forma magistral. Houve um momento em que eu o superei em quantidade de histórias, e devo dizer que, ao contrário do que acontecia com Zagor, ele se mostrava satisfeito. A certa altura eu tive que diminuir a produção para dedicar-me a Martin Mystère, mas consegui montar um crossover à distância do piloto amazónico com o Detective do Impossível e que constituiu um acontecimento único na Editora. Em Novembro/Dezembro de 1990 Mister No, momentaneamente na África, enfrentava um mistério que dizia respeito ao faraó Ekhnaton (O Faraó Esquecido e Labirinto Infernal, edições italianas 186/187) e que ficou em parte sem solução; nos mesmos meses (Nov/Dez 1990 e Janeiro 1991), nas edições Um Homem Chamado Mhosis, Natal Trágico e A Arca Recuperada (n°s 104/106), Martin Mystère, no presente, resolvia o mistério parcialmente desvendado por Mister No.
Você também trabalhou com Tiziano Sclavi no seu Dylan Dog e nos encontros do Investigador do Pesadelo com Martin: o que pode nos contar dessa experiência? Alfredo Castelli: Eu sou amigo de Tiziano desde os tempos do Corriere dei Ragazzi; entre os meus méritos históricos está o de tê-lo apresentado à Bonelli. Se Dylan Dog não tivesse surgido, ele que fez as novas gerações descobrir a BD e que fez o público feminino aproximar-se desse meio de comunicação, o mercado italiano não seria o mesmo. Eu só escrevi uma história de Dylan Dog, Do Profundo, foi um trabalho árduo e com resultado não exactamente óptimo. A minha satisfação maior foi com os dois team up que projectei e do qual fiz o roteiro do primeiro (1990, e o de 1992 é de Tiziano). Infelizmente os encontros de Dylan e Martin pararam no segundo, porque a ideia dos Team Up não agradava a Bonelli e nem a Sclavi. Os encontros das personagens divertem-me e mostram facetas diferentes delas, mas devem ser uma espécie de bónus com uma periodicidade muito espaçada, senão chega-se aos exageros do mercado americano, onde todos encontram todos de forma obsessiva. Martin Mystère foi protagonista de vários team up: ele encontrou Mister No em mais de uma ocasião, inclusive em uma edição especial intitulada Fuga de Skynet (1993) assinada a quatro mãos por mim e por Sergio Bonelli. Um clone robótico dele faz parte do elenco de Nathan Never, onde ele ficou de forma permanente depois de dois encontros acontecidos em 1996 e 2001, enquanto em muitos números de Zagor aparece Elsewhere, mysteriosa base do governo fundada por Benjamin Franklin e Thomas Jefferson, e que no mundo de Martin Mystère (e nos de Zagor e Nathan Never) trata de ameaças sobrenaturais.
Tex, por sua vez, talvez seja uma personagem fora do seu estilo. Você gostaria de fazer uma tentativa? Alfredo Castelli: Mesmo a apreciar Tex e a ser infinitamente grato a ele e ao seu criador porque sem eles as coisas teriam acontecido de modo diferente, admito que a personagem não faz parte do meu estilo, por isso é melhor para mim e para os leitores se eu não faço tentativas contra a vontade. Mas do mundo de Tex eu aprecio as personagens mysteriosas como El Morisco e Mefisto. É isso, de Mefisto eu gostaria de escrever uma história (sem Tex) a explicar como um prestigiador de circo virou um feiticeiro poderoso, mas a proposta foi rejeitada.
Com qual herói Bonelli você ainda não trabalhou e para o qual gostaria de escrever uma história? E o que gostaria de contar se lhe pedissem para elaborar uma nova série? Alfredo Castelli: Não tenho um desejo particular de escrever outras séries na fórmula bonelliana, sejam minhas ou de outros: pode ser que quarenta e tantos anos de roteiros desse tipo tenham me cansado um pouco. Mas eu gostaria de inventar (e depois, quem sabe escrever roteiros) novas fórmulas editoriais, que levem em conta a realidade (infelizmente) alterada do mercado. Alguma coisa está a começar a se movimentar. Espero que tenhamos uma ocasião para falar disso!
Caro Alfredo, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu. Alfredo Castelli: Bem, até logo e muito obrigado por terem pensado em mim.
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Intervista condotta da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Giampiero Belardinelli e Pedro Cleto per la formulazione delle domande, di Júlio Schneider (traduttore di Tex per il Brasile) e di Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni e di Bira Dantas per la caricatura.
Ciao carissimo Alfredo Castelli, e benvenuto sul blog portoghese di Tex! Quest’anno Diabolik compie cinquant’anni di vita editoriale: hai avuto modo di entrare in contatto con la Astorina realizzando Scheletrino e poi collaborando direttamente con le sorelle Giussani. Come sei entrato in contatto con le Giussani e cosa ricordi di quel periodo della tua carriera? Alfredo Castelli: Per prima cosa ricordo che ero molto giovane, cosa che rimpiango molto, ma c’è poco da scegliere. Era l’estate del 1964, e Diabolik non aveva ancora due anni di vita; io ne avevo appena compiuti 17. Come seconda cosa, ricordo che ero ancora così incosciente da proporre una serie disegnata da me, pur non sapendo disegnare. Andai dalle Giussani dopo essere stato al “Monello” e alle edizioni Alpe; Angela e Luciana, con cui poi divenni amico, accettarono il mio lavoro. Avevo proposto una serie umoristica che, anni dopo, avrei rielaborato come “Zio Boris”; uno dei personaggi era uno scheletro che poteva sembrare la parodia di Kriminal, il primo serio concorrente di Diabolik. Le sorelle – come le chiamo di solito – si divertirono, e nel ’65 uscì la prima puntata di “Scheletrino”. E’ un personaggio incredibilmente banale e mal disegnato, eppure moltissimi lo ricordano ancora.
Tra le tante iniziative a cui hai partecipato e creato insieme ad altri tuoi colleghi vorremmo soffermarci sulla rivista Horror, ideata insieme a Pier Carpi: una rivista innovativa per il mercato italiano di quel periodo. Cosa puoi raccontarci di quell’esperienza? Alfredo Castelli: Abbandonato saggiamente il disegno, passai alla sola sceneggiatura e cominciai a scrivere racconti umoristici e avventurosi per vari editori: allora il mercato funzionava bene e non c’erano da affrontare particolari difficoltà, anche se il fatto di essere molto giovane (per essere precisi, il più giovane fumettista del momento) non sempre mi era d’aiuto. Nel 67, con Gino Sansoni, marito di Angela Giussani, curai un numero “professionale” di “Comics Club 104”, la prima fanzine italiana dedicata ai fumetti che avevo fondato l’anno precedente insieme a Paolo Sala. Da Sansoni lavorava Pier Carpi; tutti e due avevamo in mente una rivista dell’orrore (io più in stile “Creepy”, lui più in chiave esoterica), così la proponemmo. Il “dottore”, come tutti lo chiamavano, era un personaggio folle e geniale che meriterebbe una lunga trattazione, e non si tirava mai indietro di fronte alle sfide: così la pubblicò. Anche Pier Carpi era un tipo piuttosto fuori dai canoni e piuttosto “difficile”, tanto che a un certo momento litigammo ferocemente e lasciai la rivista. Molti anni dopo riprendemmo i rapporti e diventammo davvero amici. Carpi è morto il giorno del mio compleanno di dodici anni fa, e la cosa mi ha molto intristito. Aveva avuto moltissime idee, alcune delle quali geniali. Molte sue opere andrebbero riscoperte, ma è difficile trovare un editore che se ne occupi. In quanto a Horror, credo che sia stata la prima rivista “di prestigio” realizzata soltanto da autori italiani; ce n’erano di molto bravi, alcuni dei quali – per esempio Uggeri, Di Gennaro, Cimpellin, in forza al Corriere dei Piccoli – erano disposti a lavorare anche a compensi più bassi di quelli che erano abituati a percepire per il puro gusto di esserci. Carpi aveva poi “scoperto” alcuni eccezionali talenti, come Zaniboni, Rostagno, Cianti. Horror chiuse per le scarse vendite: 35.000 copie. Una tiratura per cui oggi gli editori firmerebbero un patto con il diavolo.
Nel periodo in cui hai collaborato al Corriere dei Piccoli hai dato vita a diversi personaggi: puoi parlarcene? Alfredo Castelli: Il Corriere dei Piccoli era il più antico giornale per ragazzi italiano, un “classico” un po’ come ABC-zinho o O Mosquito in Portogallo, ed è uscito dal 1908 al 1995. Più che al Corriere dei Piccoli, per il quale ho realizzato solo poche storie, ho collaborato al Corriere dei Ragazzi, il nome che il settimanale ha assunto nel 1972 (poi il Corriere dei Piccoli ha ripreso le pubblicazioni, e le due testate hanno proseguito simultaneamente). Lo sceneggiatore principe del Corriere dei Piccoli/Ragazzi era Mino Milani, ma a un certo punto anch’io ho cominciato a produrre parecchio materiale, per esempio le serie L’Ombra e Gli Aristocratici, che Ferdinando Tacconi e io abbiamo continuato a produrre dopo la chiusura del Corriere dei Ragazzi per il settimanale tedesco Zack, con il titolo Gentlemen GmbH. Entrambe le serie sono state pubblicate in Portogallo da Cuto, a partire dal 1975; pochi anni fa sono riuscito a trovare tutti i numeri della rivista con le loro storie in un negozio di fumetti a Porto. Sempre per il “CdR” ripresi Zio Boris, la serie che avevo inizialmente proposto alle sorelle Giussani e che era uscita nel 1970 in Horror illustrata da Carlo Peroni. Con Bonvi (“Sturmtruppen”) e Dani Fagarazzi realizzammo una rubrica satirica di grande successo, Tilt, di cui, opportunamente caricaturati, eravamo anche i protagonisti insieme al direttore del giornale, Giancarlo Francesconi. Da solo realizzai una serie ancora molto amata, “L’omino bufo” (“Bufo” si dovrebbe scrivere “Buffo”, e significa “Engraçado” in portoghese, ma il protagonista parlava e scriveva in modo terribilmente sgrammaticato. “O Homenzinho Engraçado” si esibiva in terribili trocadilhos, che commentava ridendo in modo sgangherato – “Ah ah, ah! Che bufo!“). Siccome era disegnato malissimo, per il semplice fatto che non so disegnare, la serie non metteva in soggezione i lettori, che mandavano centinaia di battute una più “bufa” dell’altra. Forse l’Omino Bufo è il mio personaggio più ricordato; ogni tanto ne disegno ancora qualche “strissia” (si dovrebbe scrivere “Striscia”, “Tira” in portoghese) e ad agosto è uscita in edicola una statuetta che lo rappresenta. Il Corriere dei Ragazzi è stata una rivista davvero importante nel panorama italiano del fumetto. Oltre a pubblicare racconti di Hugo Pratt, Dino Battaglia, Sergio Toppi, Grazia Nidasio, una donna arguta, acuta, coltissima, Uggeri, Aldo Di Gennaro, Milo Manara, Ferdinando Tacconi, Bonvi, Silver, Attilio Micheluzzi, Giancarlo Alessandrini, Alberto Breccia, Arturo Del Castillo, Jorge Moliterni, Gigi, Claude Moliterni e l’amabilissimo Albert Weinberg – con la maggior parte dei quali ho avuto la fortuna di collaborare –, Giancarlo Francesconi, l’aveva trasformato in un “vero” giornale, attento alla realtà e in grado di affrontare argomenti anche spinosi. Oltre a lavorarvi come sceneggiatore, ne fui redattore ed è in quella testata che ho compiuto il tirocinio per divenire giornalista professionista.
Hai collaborato con molti editori e inevitabilmente sei entrato in contatto con le pubblicazioni di Sergio Bonelli; Bonelli ha sempre scherzato sulla tua primo incontro con lui: puoi raccontare in quale occasione vi siete incontrati? Alfredo Castelli: Sergio diceva sempre che mi aveva conosciuto “con i calzoni corti” e credo che ne fosse convinto davvero. Non è così: a quell’epoca avevo 18 anni e di pantaloni corti non se ne parlava più da chissà quando. Comunque anch’io per anni ho fatto confusione sul come e il perché chi siamo conosciuti (del “quando” sono sicuro: alla fine del ’65). Fino a pochi mesi fa a questa domanda ho sempre risposto con convinzione come segue: “Nel 1965, Paolo Sala, co-creatore della fanzine ‘Comics Club 104’ e io bussammo presso tutti gli editori di fumetti di Milano per cercare di venderne qualche copia. Passammo anche per la Bonelli, che allora si chiamava “Araldo”; ci aprì Liliana Gentini, la prima persona della casa editrice che ho conosciuto, ancor oggi in prima fila negli uffici di via Buonarroti, la quale ci disse che ci avrebbe fatto parlare con “Sergio”. Io non avevo la minima idea di chi fosse: il suo nome non compariva negli albi, in più allora era estremamente schivo, e solo quelli del mestiere sapevano di chi si trattasse. Con mia sorpresa acquistò una decina di copie: un atteggiamento generoso nei confronti di chi dimostrava di amare i fumetti che ha portato avanti fino alla fine.” Non era così: qualche mese fa mi è capitato tra le mani il primo numero di “Comics Club 104”, e mi sono reso conto che un articolo – “La historieta argentina”, l’avevo scritto grazie a un volume che Sergio mi aveva prestato. Non solo: “Comics Club” era del 1966, mentre io collaboravo con la “Collana Oceano” (una delle pochissime serie straniere edite da Bonelli, che pubblicava “Magnus the Robot Fighter”, “Doctor Solar”, “Frogmen”) fin dal 1965, con una rubrica sulla storia del fumetto. Come mai mi aveva affidato quell’incarico, visto che non avevo mai scritto nulla in proposito? Come mai ci eravamo conosciuti? Purtroppo, temo che non avrò mai modo di saperlo. Sta di fatto che Sergio mi affidò qualche sceneggiatura di “Carabina Slim” per Bernadette Ratier di “Aventures et Voyages“, con cui la Bonelli era in stretti rapporti di lavoro. Scrissi la prima storia per Zagor, Molok, verso il 1968, anche se fu pubblicata solo nel 1971.
Sul finire degli anni Sessanta e nei primi Settanta la realtà editoriale sul fumetto era molto vasta: rimpiange quei tempi o pensa che, anche oggi, non manchino poi le possibilità per emergere? Alfredo Castelli: La possibilità di emergere esiste in qualunque situazione; il problema è la difficoltà, che ora è molto maggiore. Non è che rimpianga quei tempi; certo che allora le cose erano più facili. Un anno dopo aver cominciato, per esempio, mentre andavo all’università, scrivevo non solo per vari editori, ma anche per Maria Perego e Federico Caldura (gli inventori di “Topo Gigio”) per la serie a pupazzi animati “Cappuccetto a Pois / Die Abenteuer der Cappuccetto” (“Chapeuzinho de Bolinhas” in portoghese) trasmessa dalla TV svizzera; per “Carosello”, una rubrica pubblicitaria televisiva che ha fatto la storia della televisione italiana, costituita da piccoli spettacoli di vario genere in 100’’ (consiglio ai tuoi lettori di cercarlo in YouTube); guadagnavo discretamente e il lavoro non mancava mai. Adesso – salvo una fortuna sfacciata o una bravura straordinaria – per un esordiente la cosa è impensabile.
Sappiamo come il personaggio di Allan Quatermain abbia anticipato nei contenuti il successivo Martin Mystère: puoi parlarcene? Alfredo Castelli: Allan Quatermain è stata la prima incarnazione di Martin Mystère e risale al 1975. Quell’anno presentai il progetto della serie a Il Giornalino, una testata per la quale nei primi anni ’70 avevo scritto un paio di serie (Gli Astrostoppisti, Mister Charade) e storie libere. Non lo accettò. In quell’epoca un rifiuto non costituiva certo un dramma: come ho detto il mercato funzionava molto bene, ed esistevano varie riviste che proponevano serie a episodi; se una cosa non andava se ne proponeva un’altra, senza troppi problemi. L’idea scartata poteva poi essere ritirata fuori al momento opportuno, come accadde con Allan Quatermain che uscì nel 1979 in SuperGulp. Dopo la chiusura del settimanale, la riproposi a Bonelli nella formula attuale nell’80; un paio di anni per la preparazione di un pacchetto di storie, e siamo subito nell’82.
Lo abbiamo citato e quindi soffermiamoci sul Detective dell’Impossibile. Il personaggio apparso nelle edicole nell’aprile del 1982 quanto differiva dalla tua idea primaria? Alfredo Castelli: Non era molto differente, a parte i nomi, la lunghezza delle storie e il fatto che Quatermain viveva a Londra e non a New York.
Qual è stata la reazione di Sergio Bonelli dopo l’uscita delle prime avventure? Alfredo Castelli: Lui si aspettava una serie più scatenata. Era molto perplesso nel vedere un personaggio di fumetti che utilizzava il computer – un apparecchio appena uscito sul mercato, ma che già allora Bonelli detestava come tutto ciò che era elettronico. Per tutta la vita mi ha rinfacciato – scherzando, ma non poi del tutto – che l’avevo imbrogliato portando avanti una serie diversa da quella che avevo proposto. Per quanto riguarda il computer, pare che Martin Mystère sia stato il primo personaggio dei fumetti in assoluto a possedere un “personal”. Non so se sia vero, ma in effetti non ho mai trovato esempi precedenti. Possedevo uno di quelli che allora si chiamavano “Home computer”, apparecchi non eccessivamente costosi che si attaccavano allo schermo TV. Era un Atari 800; si programmava in basic e si registrava il listato su un registratore a nastro; per farlo occorrevano parecchi minuti, e non era detto che la registrazione sarebbe stata abbastanza buona da permettere il ripristino. I “Personal Computer” erano appannaggio quasi esclusivo dell’IBM, e costavano veramente molto (facendo i debiti raffronti, potrei azzardare un 25.000 Euro attuali per un apparecchio con 128 K di RAM (!)). Non potendomelo permettere io, ho fatto in modo di farlo avere al mio personaggio.
Uno dei temi dominanti della serie – almeno nei primi dieci anni – è stato quello dei Continenti perduti: cosa ti affascinava allora di questo argomento? Alfredo Castelli: Non direi genericamente “dei continenti perduti”, direi più specificamente “dei continenti perduti di Atlantide e di Mu”. Nella saga di Martin Mystère erano due civiltà evolute più o meno quanto la nostra le quali, per puro desiderio di espansione di potere, si erano scontrate in una guerra che, intorno a 10.000 anni fa, era culminata con la loro distruzione totale e aveva trascinato nella catastrofe il resto del mondo facendolo regredire i sopravvissuti a livello semi-barbarico. Un avvenimento che un’antica setta, “Gli Uomini in Nero”, cerca da sempre di tenere segreto, distruggendo tutto ciò che potrebbe provare che è accaduto: infatti se oggi ci rendessimo conto di quanto è successo nel remoto passato, probabilmente tenteremmo di non commettere gli stessi errori di chi ci ha preceduto, e questo sconvolgerebbe consolidati meccanismi di potere. Per un certo periodo questo assunto – che a mio parere possiede un suo fascino minaccioso – ha costituito la base su cui si è basato un buon 30% delle avventure di Martin Mystère. Poi ha cominciato a diventare ripetitivo, e l’ho messo un po’ da parte. Nei suoi trent’anni di vita, Martin Mystère si è occupato di “mysteri” di ogni tipo; “Mistérios” in italiano si dice “Misteri”; “Mysteri” con la “y” è un neologismo da me inventato che si è diffuso anche al di fuori dell’ambito Bonelli, e che serbe a distinguerli da quelli di carattere poliziesco o politico (purtroppo molti, in Italia). “Mystero” è tutto ciò che è insolito e curioso, che stimola la curiosità e il desiderio di saperne di più; non solo Atlantide, il Graal o gli UFO, ma la storia, le arti, la letteratura, le scienze esatte (“Il mystero dell’ultimo teorema di Fermat”).
Qual è la principale differenza tra scrivere Martin Mystère e Diabolik? Alfredo Castelli: Scrivere Martin Mystère e scrivere Diabolik (o Tex) presenta difficoltà di segno opposto. Nessuno si scandalizza se Diabolik ruba per l’ennesima volta un diamante esposto al museo o se Tex si occupa per l’ennesima volta di una banda di rapinatori di diligenze. La difficoltà per questi due personaggi non è tanto quella di trovare nuovi spunti, ma quella di inventare infinite variazioni sugli stessi temi. Per Martin Mystère questo problema, grazie al cielo, non c’è, dato che si può spaziare su tantissimi argomenti, ma in compenso, contrariamente a Tex e Diabolik, non può affrontare due volte gli stessi argomenti: se Martin trova il Graal nella Basilica di San Nicola a Bari, non può trovarlo di nuovo nei sotterranei del Castello di São Jorge: lo spunto è “bruciato” per sempre. E’ ovvio che nei primi dieci anni di vita il “Detective dell’Impossibile” non aveva che l’imbarazzo della scelta, oggi, dopo tanto tempo e tanti diversi mysteri, è tutto molto più difficile, anche se sono certo che gli spunti non si esauriranno. Ora che, dopo il successo del Codice Da Vinci le storie mysteriose sono di gran moda (in Italia e Spagna escono decine di romanzi ogni mese su questi argomenti, e francamente mi domando come facciano a vendere) mi piacerebbe riprendere in modo diverso certi temi utilizzati negli anni ‘80. Prima o poi troverò qualche accorgimento per farlo.
Quali ritieni siano stati i cambiamenti della serie in questi trent’anni di vita editoriale? Alfredo Castelli: Nessun cambiamento traumatico come quelli – per intendersi – dei super eroi americani. Come ho detto, sono un po’ cambiati i “mysteri”; il BVZM è invecchiato un pochino (non certo trent’anni come il suo autore: diciamo che per i personaggi di fumetti – beati loro – trascorre solo un anno ogni cinque anni dei nostri), è divenuto più pantofolaio, si è sposato con Diana ed è decisamente più umano e simpatico del Martin delle origini. I suoi lettori lo chiamano affettuosamente BVZM (“Buon Vecchio Zio Marty”, “O Bom Velho Tio Marty” in portoghese), lo considerano come un amico e amano credere che si tratti di una persona reale; un rapporto – quello di Martin e dei suoi lettori – di cui sono davvero molto fiero.
Parlando di rapporti: Il modello “eroe/assistente forte/fidanzata eterna (Martin Mystère / Java / Diana)” sarebbe identico se avessi creato Martin Mystère oggigiorno? Alfredo Castelli: Direi di sì. Con i cambiamenti del caso funziona sempre, da Plauto a Goldoni a Cervantes ai protagonisti di due film molto “mysteriosi”, Il mistero dei Templari e Il mistero delle pagine perdute, della Disney.
Se inventassi adesso Martin Mystère lo modificheresti? E come? Alfredo Castelli: E’ una domanda a cui è impossibile rispondere; le variabili sono troppe. Se Martin Mystère non esistesse, ma il resto del mondo (compreso e soprattutto quello editoriale) fosse esattamente quello di adesso, non tenterei neppure di proporre Martin Mystère: non sarebbe più un personaggio originale come era nel 1982, e soprattutto avrebbe troppa concorrenza tra libri, film programmi televisivi.
La bimestralità ha secondo noi giovato alla serie; il pubblico come ha accolto questo rinnovamento? Alfredo Castelli: Quella di trasformare la serie da mensile in bimestrale è stata una mossa che alcuni hanno erroneamente interpretato come un segnale che le cose non andavano bene e si tentava di salvare il salvabile. Non era così: si trattava di una scelta precisa che permetteva di uscire con albi molto spessi, veri e propri libri di 160 pagine, e di raccontare storie complete senza doverle comprimere in 96 pagine. Contavo che i lettori l’avrebbero capito, e così è stato. Il cambiamento di periodicità è avvenuto a partire dal N. 279 del giugno 2005, e ha avuto subito effetti positivi sulle vendite. Lo stesso Sergio Bonelli, che era contrario all’operazione pur avendomi permesso di portarla a buon fine, ha ammesso pubblicamente e con molto fair play di essersi sbagliato e di essere contento del suo errore.
Durante questi anni hai creduto molte volte alle risposte che Martin Mystère ha ottenuto? Alfredo Castelli: Anche se spesso le vicende del Detective dell’Impossibile hanno una precisa base storica, letteraria o di altro genere, Martin Mystère è un personaggio di fantasia che racconta storie di fantasia. Tengo molto a sottolinearlo, e non a caso in ogni numero compare un articolo che spiega cosa c’è di vero e cosa di inventato nei racconti, perché non intendo fare credere ai lettori loro cose non vere. Poste queste premesse, posso rispondere che “credo” alle risposte ottenute da Martin a seconda dei casi. Ci sono risposte completamente fantastiche a cui ovviamente non credo; altre più meno plausibili ancorché non canoniche, sulla cui veridicità posso fare un pensiero. Se invece intendi chiedermi come mi pongo di fronte a una materia controversa come quella affrontata da Martin (fenomeni paranormali, UFO, magia e via dicendo), ti dirò che sono abbastanza scettico. A suo modo lo è anche il Detective dell’Impossibile, che non accetta mai a nulla a priori, ma si documenta e indaga in modo quanto possibile obiettivo. Ovviamente Martin vive in un mondo che, pur se molto simile al nostro, è di fantasia, e dove quindi certi fenomeni possono tranquillamente accadere.
C’è qualche storia di Martin Mystère che non sei ancora riuscito a raccontare? Alfredo Castelli: Ci sono storie che mi piacerebbe raccontare ma ho scelto di non farlo, seguendo la filosofia della casa editrice con cui in linea di massima concordo. Obiettivo dei nostri albi seriali (le regole possono non valere per gli “one shot”) è un intrattenimento quanto possibile intelligente, nel caso di Martin Mystère con un sottofondo “educational”. I loro protagonisti possono – anzi debbono – possedere una valenza politica (per esempio Martin Mystère è un democratico liberal, in Italia diremmo genericamente “di sinistra”, e le sue azioni lo dimostrano) ma non un inquadramento partitico, che sconfinerebbe nella propaganda. Martin ammette di non essere molto religioso nel senso tradizionale del termine, ma rispetta ogni scelta in questo campo quando essa non lede la libertà altrui. In questo senso – il rispetto – va inquadrata la scelta di evitare storie su mysteri religiosi o miracoli. Le apparizioni di Fatima, per esempio, con il “sole che danza” e il Terzo Segreto potrebbero essere un ottimo spunto e venire interpretati in chiavi molto interessanti, ma queste interpretazioni urterebbero la sensibilità di chi crede. Negli albi Bonelli è difficile affrontare anche l’attualità in senso stretto, in quanto dal momento della prima idea per un racconto a quello dell’uscita di un albo trascorre al minimo (ma proprio al minimo) un anno. Poiché Martin Mystère si muove in un mondo reale, in alcuni casi clamorosi (il per esempio l’abbattimento delle Twin Towers) siamo intervenuti ritoccando i dialoghi e cambiando qualche vignetta poco prima di andare in stampa, ma è il massimo di attualità che possiamo permetterci. Le storie legate a temi del momento provocherebbero giustamente reazioni in positivo o in negativo, tuttavia, a causa dei tempi di realizzazione degli albi, non sarebbe possibile un contraddittorio e questo sarebbe poco corretto.
Qual è il tuo metodo di lavoro per scrivere le storie di Martin Mystère? Alfredo Castelli: Il peggiore di tutti, che non suggerisco mai a nessuno. Il metodo corretto per scrivere una storia, sia essa un fumetto, un romanzo o un film, è stendere un soggetto, aggiustarlo, e quando funziona sceneggiarlo o comunque portarlo in “bella copia”. Io invece spesso parto senza sapere neanche quale sarà il tema centrale del racconto, magari perché un disegnatore è rimasto privo di sceneggiatura e ha bisogno di lavorare. Dopo aver inviato un po’ di tavole buone per qualunque situazione, vado avanti a colpi di dieci quindici pagine alla volta, scoprendo io stesso a poco a poco di cosa sto parlando, e spesso ficcandomi in situazioni terribilmente ingarbugliate. Fino a ora sono riuscito a cavarmela, ma – anche se mi ci sono abituato – è un sistema molto faticoso, insicuro e stressante.
E’ stato facile per te consegnare Martin Mystère ad altri autori? Quali sono i tuoi rapporti con loro? Alfredo Castelli: Assolutamente sì. L’idea di avere degli aiuti mi ha dato maggior tranquillità. Gli autori scrivono o disegnano secondo la loro personalità; firmano le storie e percepiscono diritti d’autore nella stessa misura in cui li percepisco io. Confesso però di essere un po’ dispotico, come le sorelle Giussani erano con Diabolik o come Sergio era con Zagor o Tex. Spesso riscrivo i dialoghi nel modo che mi sembra più corretto, e in caso di discussioni anche sul disegno, se non si arriva a una soluzione mediata l’ultima parola è la mia in quanto creatore e soprattutto curatore e responsabile della serie. Malgrado questo, spero e credo di essere abbastanza benvoluto dai miei colleghi.
Quale è la storia di Martin Mystère di un altro autore che ti piacerebbe avere scritto? Quale è il disegnatore con cui ti è maggiormente piaciuto lavorare per Martin Mystère? Alfredo Castelli: A queste due domande che riguardano i molti altri bravi autori che si alternano su Martin Mystère preferisco non rispondere. Non sono così ipocrita da fingere di non avere preferenze come fa un amorevole padre con i suoi figli: ovviamente ho i miei preferiti, ma per rispetto di chi non lo è, non intendo rivelare quali sono. E comunque (questo è vero) tutti hanno contribuito a far si che dopo trent’anni la serie sia ancora viva e vegeta.
Senza far torto agli altri tuoi collaboratori, riteniamo Paolo Morales uno sceneggiatore (nonché valido disegnatore) con quella capacità di coniugare documentazione, azione e profondità psicologica dei personaggi, i protagonisti in primis. Abbiamo l’impressione che l’autore sia un sorta di tuo alter-ego: sbagliamo? Alfredo Castelli: Morales ha una straordinaria capacità di visualizzare l’azione: non a caso ha realizzato storyboards di film importanti come “Gangues de Nova Iorque” di Martin Scorsese. E’ anche bravissimo nel tratteggiare i caratteri dei personaggi e a farli interagire. La sua specialità sono storie in cui compiono complotti forse poco mysteriosi, ma senz’altro inquietanti e realistici. Ahimé, temo proprio che come sceneggiatore sia molto più bravo di me. Bah, faccio finta di credere che lo sia soltanto perchè più giovane.
Carlo Recagno è invece il tuo braccio destro di redazione: cosa puoi dirci di lui? Alfredo Castelli: Il primo racconto di Carlo Recagno, Aria di Baker Street, è del dicembre 1992; tra poco si festeggerà dunque il ventennale della sua collaborazione con la Bonelli, dapprima come sceneggiatore esterno e poi come redattore. Per quell’albo aveva realizzato uno storyboard così preciso che, con qualche aggiustamento, avrebbe potuto essere pubblicato: è infatti un illustratore più che discreto, anche se ha preferito lasciare perdere il disegno in favore della scrittura. Oltre a essere un amico, un prezioso collaboratore e un bravo autore (la sua specialità sono le storie “fantasy”, soprattutto con personaggi delle mitologie nordiche, e racconti di ambientazione vittoriana), Carlo è un individuo particolarmente mysterioso. Di poche parole (su di lui corre il detto “Suonò il telefono, non rispose nessuno: era Recagno”), molti sospettano che sia un cyborg di “Star Trek”, serie per cui nutre una smodata passione. Il fatto che da anni tutti i mezzogiorni mangi un hamburger da MacDonald e sia ancora vivo dimostra la sua origine aliena. A Carlo è dedicato una sorta di quiz molto apprezzato dai lettori: nei risguardi di Martin Mystère è sempre nascosta una sua piccola immagine, a volte difficilissima da trovare.
Quale disegnatore non bonelliano ti piacerebbe che illustrasse una storia di Martin Mystère? Alfredo Castelli: Disegnatore, non ne ho idea. Ce ne sono tantissimi di bravissimi, non saprei chi scegliere. Invece mi piacerebbe che Neil Gaiman e Alan Moore scrivessero una storia. O anche tutte. Scritte e disegnate in modo completamente non bonelliano sono le avventure televisive del giovane Martin Mystère (in Portogallo Martin Mystery, dal 2011 nel canale Panda Biggs). Ecco, prima parlavamo di cambiamenti. Qui, con la mia approvazione, il personaggio è stato radicalmente trasformato per una serie di 66 cartoni dedicata a un pubblico di 10/12 anni. Ho notato che molte volte le trasposizione animate di storie avventurose (come per esempio Diabolik) risultano “Nem carne nem peixe”: non sono abbastanza simili all’originale per accontentare i lettori, né abbastanza diverse per accontentare altri pubblici. Non è il caso di “Martin Mystery”, il quale, appunto, non è “Nem carne nem peixe” ma qualcos’altro (Frutta? Dolce?) che può piacere o non piacere. A me personalmente la serie non dispiace, anche se ovviamente sono condizionato dall’originale, e, ancor più ovviamente, non ho né 10 né 15 anni. E’ stato un po’ come vedere un figlio crescere e svilupparsi da solo.
Conosci il Portogallo? Ci hai mai ambientato qualche storia di Martin Mystère? Alfredo Castelli: Conosco il Portogallo, ci sono strato varie volte (anche in vacanza, in Algarve) e mi piace moltissimo Lisbona. Sono in contatto con Leonardo De Sà (so che la “a” dovrebbe avere l’accento acuto, ma non si trova nella tastiera italiana e bisogna cercare il carattere chissà dove) (N.T.: per la comodità dell’intervistato, abbiamo risolto il problema nella traduzione: Sá :-), grande esperto di fumetti, con cui da anni sono in corrispondenza, e ho pacchi di libri e riviste dedicate alla produzione portoghese, tra cui molto materiale sul “precursore” Rafael Bordalo Pinheiro (sono rimasto piacevolmente stupito del fatto che un giornale diffuso come “Expresso” gli abbia dedicato un volume collaterale). Sono anni che medito di andare al festival di Amadora, che però purtroppo coincide con quello di Lucca, dove ho sempre qualche impegno. Mi spiace che Martin Mystère non sia mai uscito in Portogallo (è stato importato dal Brasile per qualche tempo); prima o poi gli farò vivere un’avventura a Lisbona, sperando che venga “scoperto”. Leonardo mi aveva suggerito qualcosa legato alla ricostruzione dopo il terremoto del 1755, poi me ne sono dimenticato. Hai fatto bene a ricordarmelo.
Lasciamo il Detective dell’Impossibile per dibattere su Zagor: hai sempre utilizzato Cico in maniera strepitosa: cosa ti ha conquistato di questo personaggio? Quali sono state le difficoltà quando hai scritto le storie dell’eroe nolittiano? Alfredo Castelli: Raggiungere l’equilibro tra azione e umorismo, cosa in cui Nolitta/Bonelli era un maestro. Mi sono sempre divertito e mi diverto tuttora a leggere Zagor; scriverlo, invece, non mi ha mai entusiasmato, forse anche perché le mie storie non piacevano (uso un eufemismo) per niente a Sergio. Anche la mia versione di Cico non è mai stata molto apprezzata. Neppure da me.
Tra le tue storie ricordiamo con piacere Piccoli assassini (ZG 173/174) e Il grande complotto (ZG 205/209); quest’ultima, in particolare, presentava una struttura narrativa molto complessa: cosa ricordi di quest’avventura? Alfredo Castelli: Mi sembra di ricordare di aver finito Piccoli Assassini in fretta e furia qualche giorno prima di partire per la Colombia e restarci un paio di mesi. Invece della genesi del Grande Complotto non ricordo nulla, se non che – credo – per la prima volta avevo introdotto il personaggio di un Ninja in un fumetto italiano. Nel 1980 Eric Van Lustbander aveva scritto il romanzo Ninja, da cui avevo attinto notizie prima che venisse tradotto. Rammento anche che nel racconto avevo inserito un agente segreto inglese di nome Mycroft (come il fratello di Sherlock Holmes, impiegato, appunto, presso i servizi segreti) e avevo descritto “Il tessitore” più o meno con le parole usate da Sherlock Holmes per descrivere il malvagio Professor Moriarty. Sono felice che Moreno Burattini – secondo me l’autore che meglio ha saputo interpretare lo Zagor di Bonelli – abbia ripreso il cattivo del racconto, “Il Tessitore”, e gli abbia dato una precisa identità.
L’altro personaggio nolittiano, Mister No, ti ha permesso di scrivere racconti più vicini alla tua sensibilità: quali sono state le affinità narrative con questo personaggio? Alfredo Castelli: Ritengo Mister No il miglior personaggio di Bonelli e della Bonelli. Scriverne le storie per me era un piacere; ricordo che mi sembrava addirittura di respirare le atmosfere amazzoniche che Sergio descriveva magistralmente. C’è stato un momento in cui l’ho superato per numero di storie, e devo dire che di solito, contrariamente a quelle di Zagor, lui dimostrava di apprezzarle. A un certo punto ho dovuto rallentare la produzione per dedicarmi a Martin Mystère; sono tuttavia riuscito a costruire un cros-over “a distanza” tra il pilota amazzonico e il Detective dell’Impossibile che costituisce un avvenimento unico nella casa editrice. Nel novembre/dicembre 1990 Mister No, momentaneamente trasferito in Africa, si imbatteva in un mystero che riguardava il Faraone Ekhnaton (Il faraone dimenticato e Labirinto infernale, Nn. 186/187) e che rimaneva in parte insoluto; negli stessi mesi (novembre e dicembre 1990, gennaio 1991), negli albi Un uomo chiamato Mhosis, Tragico Natale, L’Arca ritrovata (Nn. 104-106) Martin Mystère, al presente, risolveva il mistero parzialmente svelato da Mister No.
Hai collaborato anche con Tiziano Sclavi al suo Dylan Dog e ai team-up tra l’Indagatore dell’Incubo e Martin: cosa puoi dirci di questa esperienza? Alfredo Castelli: Sono amico di Tiziano dai tempi del Corriere dei Ragazzi; tra i miei “meriti storici” c’è quello di averlo introdotto alla Bonelli. Se non ci fosse stato Dylan Dog, che ha fatto riscoprire il fumetto alle giovani generazioni e ha avvicinato il pubblico femminile a questo mezzo di comunicazione, il mercato italiano non sarebbe lo stesso. Di Dylan Dog ho scritto solo un albo, Dal profondo, faticando molto e con risultati non eccelsi; sono più soddisfatto dei due team-up che ho progettato e di cui ho sceneggiato il primo albo (1990; quello del 1992 è di Tiziano). Gli incontri tra Dylan e Martin si sono fermati purtroppo al N. 2 perché l’idea dei “Team Up” non piaceva né a Bonelli né a Sclavi. Gli incontri tra personaggi mi divertono e ne propongono sfaccettature inedite; devono essere però una sorta di “bonus” a periodicità molto diradata, altrimenti si arriva alle esagerazioni del mercato americano, dove tutti incontrano ossessivamente tutti. Martin Mystère è stato protagonista di numerosi team-up: ha incontrato Mister No in varie occasioni, compreso un albo speciale intitolato Fuga da Skynet (1993) firmato a quattro mani da Sergio Bonelli e da me. Un suo clone robotico fa parte del cast di Nathan Never, dove è rimasto permanentemente dopo due incontri avvenuti nel 1996 e nel 2001, mentre in molti numeri di Zagor compare “Altrove”, mysteriosa base governativa fondata da Benjamin Franklin e Thomas Jefferson che nel mondo di Martin Mystère (e in quelli di Zagor e Nathan Never) si occupa di minacce soprannaturali.
Tex, invece, è un personaggio forse fuori dalla tue corde; ti piacerebbe fare un tentativo? Alfredo Castelli: Pur apprezzando Tex ed essendo infinitamente grato a lui e al suo creatore perché senza di loro le cose sarebbero andata in modo diverso, ammetto che il personaggio non è nelle mie corde, quindi è meglio per me e per i lettori se non faccio tentativi controvoglia. Del mondo di Tex apprezzo però i personaggi mysteriosi come El Morisco e Mefisto. Ecco, su Mefisto mi sarebbe piaciuto scrivere una storia (senza Tex) che spiega come da prestigiatore da circo sia diventato un potente stregone, ma la proposta è stata rifiutata.
Per quale eroe Bonelli non hai ancora lavorato e per il quale ti piacerebbe scrivere? E cosa ti piacerebbe raccontare se ti chiedessero di progettare una nuova serie? Alfredo Castelli: Non ho un particolare desiderio di scrivere altre serie in formula Bonelliana, sia mie sia di altri: forse quaranta e passa anni di sceneggiature di questo tipo mi hanno stancato un po’. Mi piacerebbe, invece, inventare (e magari, successivamente, scrivere per) nuove formule editoriali, che tengano conto della (purtroppo) mutata realtà del mercato. Qualcosa sta cominciando a muoversi. Spero che avremo occasione di riparlarne!
Caro Alfredo, ti ringraziamo moltissimo per l’intervista che ci hai così gentilmente concesso. Alfredo Castelli: A presto, e tante grazie per aver pensato a me.
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Depois de 2010 e 2011 terem ficado gravado a letras de ouro na história de Tex no Brasil, devido à presença do consagrado desenhador de Tex, Fabio Civitelli, em Outubro de 2010 para participar do 17º Fest Comix em São Paulo e do mesmo autor em 2011 na primeira Convenção Internacional de Quadrinhos de Curitiba, a Gibicon nº 0 onde esteve acompanhado por Lucio Filippucci, podemos constatar que 2012 será mais um ano histórico para Tex (e não só, também para Zagor e Mister No) e para os seus fãs e coleccionadores brasileiros já que depois de recentemente termos dado conta aqui mesmo no blogue português do Tex da presença de Fabio Civitelli e Moreno Burattini, este ano, mais precisamente em Outubro, no Brasil, em São Paulo (19º Fest Comix) e Curitiba (Gibicon nº 1) onde ambos os autores bonellianos estarão presentes, podemos hoje confirmar também a presença de ROBERTO DISO, o mítico desenhador de Mister No e que no presente também faz parte do staff de Tex, no evento a realizar no Estado do Paraná.
Teremos assim no Brasil grandes eventos bonellianos em Outubro para bate-papos (como dizem os nossos pards brasileiros), fotos e autógrafos, eventos esse que relacionamos de seguida para aguçar ainda mais a vontade de comparecerem, caríssimos leitores e pards brasileiros.
FESTCOMIX de São Paulo (Rua Luiz Coelho, 323, próximo à estação Consolação do Metro).
No dia 20 haverá encontro com Moreno Burattini (Zagor) e Fabio Civitelli (Mister No e Tex) para o lançamento do livro “O Meu Tex“, de autoria de ambos, e mais os novos Gigantes de Tex e Zagor, além do relançamento do livro de Zagor (Os Muros de Jericho).
GIBICON de Curitiba (Rua Carlos Cavalcanti, 533, no Solar do Barão, que também hospeda a Gibiteca).
Nos dias 25, 26 e 27 estarão presentes:
– Moreno Burattini (Zagor)
– Fabio Civitelli (Mister No e Tex)
– Roberto Diso (Mister No e Tex)
– Tanino Liberatore (Ranxerox)
– Eduardo Risso (Batman)
e muitos outros
Programação da Gibicon nº 1:
– lançamento do livro “O Meu Tex” e dos novos Gigantes de Tex e Zagor.
– relançamento do livro de Zagor.
– mostra “Audace Bonelli” enviada pela SBE.
– exibição do filme “Sergio Bonelli, A Aventura dos Quadrinhos“, produzido para a TV italiana e cedido com exclusividade para o evento.
– exposição e venda de originais de “O Meu Tex“.
– debates e sessões de autógrafos.
– e muito mais.
A propósito ainda da mostra L’AUDACE BONELLI, informamos que a mesma decorre no Solar do Barão, de 25 de Outubro a dia 25 de Novembro de 2012:
Depois do grande sucesso que a exposição teve na Napoli Comicon 2010, a exposição desembarca em terras tupiniquins. Esta exposição homenageia uma das madrinhas da Gibicon, a Sergio Bonelli Editore e seu guia, Sergio Bonelli, falecido em 2011, alguns meses após a Gibicon 0. A exposição mostra grandes sagas e personagens como TEX, Dylan Dog, Martin Mystère, Mágico Vento, Napoleone, Julia, Dampyr, Brendon, Nathan Never, Zagor, Mister No, Comandante Mark, Piccolo Ranger, Brad Barron, Volto Nascosto, Caravan e Greystorm.
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)
Emocionante ilustração da autoria de Claudio Villa onde vemos Joseph Manson, mais conhecido como o “chinês”, inconformado com a perda dos seus três companheiros de bando, mortos por Comanches, impelindo violentamente o seu cavalo em direcção ao Ranger Tex Willer, acto tresloucado que levará à sua morte.
DesenhoINÉDITO no Brasil e inspirado na história “Rapina a Little Rock” de G. L . Bonelli e Fernando Fusco (Tex italiano #274 e #275).
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