ESTATÍSTICAS BONELLIANAS – 2021: CAPAS & CORES

Por Saverio Ceri

Quarta e última parte dedicada aos números bonellianos de 2021. Depois das personagens, argumentistas e desenhadores, desta vez, descobriremos os ilustradores que realizaram capas inéditas para as edições da Bonelli, e os profissionais que foram chamados para colorir as páginas, inéditas ou não, neste 2021 que acabou de findar.

O histórico encontro entre Zagor e Tex numa ilustração de Alessando Piccinelli

Para os autores das capas há que precisar que as capas que aparecem na classificação são apenas as inéditas encomendadas pela Bonelli para os seus volumes. Não foram contabilizadas imagens “recicladas”, isto é, feitas no passado para outros fins (como capas de edições estrangeiras ou ilustrações para eventos de banda desenhada) e usadas como capas para os volumes de banca ou volumes de livraria; assim como não foram contabilizadas capas, embora inéditas, publicadas por outras editoras (como por exemplo as do Tex para as recentes strisce inéditas de La Gazzetta dello Sport). Também não foram contabilizadas capas realizadas pela redacção criadas com montagem e coloração de imagens internas dos álbuns. Fazem parte desta categoria as capas de I racconti di Domani di Dylan Dog ou as da republicação de Attica.
Para os coloristas, deve-se precisar que para os álbuns assinados por várias mãos, tentei, tanto quanto possível, creditar o melhor possível as várias páginas; não posso dizer que o tenha conseguido totalmente; em alguns casos, quando é impossível diferenciar os estilos, como no caso das páginas  com tons da mesma cor do Commissario Ricciardi, simplesmente dividi em partes iguais: e isso explica também alguns números decimais da classificação. Exorto os coloristas envolvidos nessas revistas com várias assinaturas a relatar imprecisões, se as encontrarem, ajudando-me a corrigir as cronologias das séries envolvidas, atribuindo a cada um os seus próprios méritos.

Mudança de capista para Dylan Dog em 2021; esta é a capa de estreia dos irmãos Cestaro

Este ano, foram chamados 48 ​​ilustradores para criar as 216 capas inéditas dos livros e volumes da casa Bonelli; 187 capas foram encomendadas para publicações inéditas e 29 para reimpressões ou variantes. Números contraditórios: ante uma queda de quase 10 % das capas encomendadas nos últimos 12 meses, regista-se um incremento de 9% dos ilustradores empenhados para realizá-las. A falta de eventos de banda desenhada contribuiu seguramente para a queda das capas variantes, enquanto o lançamento de novos personagens, directamente em volumes no último semestre do ano que acabou de findar, provavelmente contribuiu de maneira decisiva para o aumento do número de capistas.
Abaixo encontra-se o ranking dos capistas, por número de capas publicadas, o “E” de estreante refere-se ao facto de ser esta a estreia nesta categoria para a Bonelli. As meias capas são todas devido às capas assinadas a quatro mãos.
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O pódio
Mudança no topo: Alessandro Piccinelli, graças à multiplicação de iniciativas dedicadas aos 60 anos de Zagor destrona o Mestre Claudio Villa e “vence” pela segunda vez na sua carreira a classificação dos capistas bonellianos. Para ele é também o quinto ano consecutivo no pódio: duas medalhas de ouro e três de prata no seu palmarés de capista.

O aluno Piccinelli com o Mestre Villa, os dois primeiros na classificação anual das capas bonellianas

Mesmo realizando uma meia capa a mais em relação a 2020, Claudio Villa desce um degrau, ele que se consola com o facto de estar presente no pódio há 25 anos. Para ele em toda a carreira, 20 medalhas de ouro, 6 de prata e 2 de bronze.
No terceiro posto Maurizio Dotti, que conquista o seu primeiro pódio graças às capas inéditas para os Tex Willer Extra.

Maurizio Dotti, em 2021, integra pela primeira vez o pódio dos capistas

Regressam ao Top Ten Alessandrini (ausente desde 2013) e De Tommaso (após um ano de ausência), substituindo De Biase e Di Gennaro que saem do Top Ten respectivamente após um e oito anos,  devido ao substancial encerramento das séries para as quais realizavam as capas.

Os veteranos
Entre os veteranos que entraram em campo este ano nesta categoria destacamos: Giovanni Ticci que assinou a primeira das suas cinco capas bonellianas oficiais no longínquo ano de 1968; Giancarlo Alessandrini que desenhou a sua primeira capa bonelliana em 1977, seguido por Enea Riboldi que iniciou a sua colaboração com a Bonelli com as capas de Indiana Jones em 1985; Claudio Villa que desenhou a capa do mítico Dylan Dog #1 de 1986 e Giampiero Casertano que se estreou nesta categoria em 1988 com Nick Raider.

Riboldi desenha capas para a Bonelli desde 1985. Esta é a do segundo número de Indiana Jones

Entre os capistas presentes consecutivamente há mais anos encontramos Alessandrini que realiza ilustrações para capas pelo 40º ano consecutivo; Villa pelo 28º ano sem interrupções; Soldi, embora ao ritmo de uma por ano, está com a sua 24ª presença consecutiva; e por fim Riboldi aparece constantemente neste ranking há exactos 22 anos.

A primeira capa de Alessandrini para a Bonelli há 44 anos, estará novamente nos quiosques daqui a alguns dias graças à republicação de L’Uomo di Chicago nas páginas de Le Storie Cult

Os Anos Vinte
Tal como para as outras classificações somamos as capas dos últimos dois anos para estabelecer a classificação dos primeiros 24 meses dos Anos Vinte. Pelo menos as dez primeiras posições. Também neste caso Piccinelli com o resultado deste ano que findou recentemente destronou Claudio Villa, enquanto Giardo defende o terceiro lugar do assalto de Dotti. Em descida está Cavenago, que em 2021 abandonou as capas da série regular de Dylan Dog.
Aqueles que colorem
Neste ano que acabou de terminar as páginas que apresentaram cores inéditas totalizaram 4.873 ou seja 16,68% a menos do que em 2020 e 37% a menos se compararmos os dados com a safra Bonelli mais colorida de todas, 2017.
Em 2021, as páginas inéditas publicadas em technicolor foram 3.519, ou seja 16,51% a menos que nos doze meses anteriores.
A incidência das páginas inéditas a cores sobre o total caiu em 2021 para 17,90 % de toda a produção, cerca de 1,3 pontos a menos do que em 2020, e cada vez mais longe do recorde de 25,49%, estabelecido, obviamente, em 2017, quando parecia que as cores eram um caminho obrigatório para o futuro da editora italiana.

A Bonelli contra a tendência – os dois números 100 publicados em 2021, o de Le Storie e o de Dragonero foram publicados em preto e branco

Os coloristas (ou estúdios de coloração) empenhados na coloração dos volumes Bonelli aumentaram, em contraste com os dados reportados até agora: em 2021 foram 59 unidades mais uma pequena parte de páginas não creditadas; por isso encontrarão no final da classificação um número de páginas coloridas… não se sabe por quem.
Um esclarecimento: não são atribuídas páginas já coloridas em ocasiões anteriores e simplesmente republicadas; por exemplo, faltam na contagem as páginas de Tex e Zagor Classic (visto que as cores são as habituais da Collezione Storica do La Repubblica). Eis a classificação completa:

O pódio
Pelo segundo ano consecutivo vence o estúdio GFB Comics, com a equipa de trabalho liderada por Valentina Mauri, que se ocupou de colorir 7 das 12 edições da republicação de Storia del West. O mesmo estúdio, mas com a liderança de Nucci Guzzi, ganha a medalha de prata, superando Giovanni Preziosi empenhado nas páginas de Il Commissario Ricciardi.

GFB: o estúdio onde nasce a maioria das páginas bonellianas coloridas

Os Anos Vinte
Também para os coloristas vamos dar uma vista de olhos à classificação dos Anos Vinte do século XXI, após o segundo ano. Seguem-se as primeiras 10 posições. Por enquanto o estúdio GFB com dois grupos de trabalho também comanda esta classificação, Arzani perde uma posição comparativamente a 2020 e desce para a terceira posição,enquanto os dois Chiumento ficam na quarta posição. Sempre comparando com o ano de 2020, Hamilton perde uma posição e Celestini ganhou uma. De Biase em Algozzino mesmo em queda consegue permanecer no Top Ten, enquanto Francescutto entra nos dez mais, ganhando quatro posições comparativamente a 2020.

Números… especiais
Vamos terminar a quarta e última parte dos números bonellianos de 2021, com os dados relativos às edições fora de série.
Este ano os volumes especiais, incluindo gigantes, maxi, magazine, cartonatos à francesa, color, mini-séries e vários spin-offs, foram 59, superando assim a quota de 1000 edições especiais, começadas com  Cico Story há muitos anos.

O segundo Zagor +, a nova encarnação do Maxi Zagor foi o milésimo volume bonelliano fora das séries regulares

As páginas inéditas publicadas em edições fora das séries regulares em 2021 foram 7.014, ou seja 35,67% do total de toda a produção bonelliana;  uma quantidade elevadíssima. Somente em 2012 veio a ser publicado um percentual maior de páginas publicadas nas edições especiais. A média de páginas por cada volume extra foi de 118,88 e permanece entre as mais baixas desde 1979 até hoje. 
O personagem do qual foram publicadas mais páginas fora da série regular em 2021 foi, com o número recorde de 1.788 páginas extras, Dylan Dog, que retoma o comando após dois anos de interregno zagoriano. O detective do pesadelo aparece nesta classificação “especial” pela 21ª vez. Zagor cai para a terceira posição, deixando o degrau intermédio do pódio para Tex, que estabelece com 1.628 páginas o seu recorde anual de páginas especiais. 

A natureza bimestral do Maxi Dylan Dog é a base das façanhas do personagem em vários rankings de 2021, incluindo o das páginas fora da série

Moreno Burattini com 650 páginas foi o escritor mais publicado nas edições especiais da Bonelli em 2021; volta a sê-lo pela sétima vez na sua carreira, consolidando assim a sua liderança no capítulo dedicado aos escritores de numerosas edições fora de série bonellianas. Atrás de si, no pódio, Manfredi e Vigna.
Um outro zagoriano Alessandro Chiarolla, como era intuível no post anterior, foi o desenhador mais publicado nos números especiais de 2021. Chiarolla vence pela segunda vez na sua carreira, vinte anos depois do primeiro sucesso nesta classificação, e precede Rotundo e Bonazzi que ocupam os outros dois degraus do pódio.
Alessandro Piccinelli, capista mais publicado nos volumes fora de série com 9 capas, completa o tríptico zagoriano.

Alessandro Chiarolla e Moreno Burattini, os dois autores mais publicados nos volumes especiais da Bonelli em 2021

Sobre este 2021 é tudo; se vos escapou quaisquer números, podem encontrá-los na primeira parte dedicada aos personagens, na segunda na qual falamos sobre os argumentistas ou na terceira onde nos ocupamos dos desenhadores.
Marcamos um novo encontro no final de 2022!

Saverio Ceri

Material apresentado no blogue Dime Web em 31/12/2021; Tradução e adaptação (com a devida autorização): José Carlos Francisco.
Copyright: © 2021, Saverio Ceri

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