Entrevista com o fã e coleccionador: Cayman Moreira

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Cayman Moreira: Eu nasci em Fortaleza, no Estado do Ceará, Nordeste do Brasil, a 16 de Agosto de 1961. Eu sou designer, músico, pintor, desenhador, roteirista e instrutor de artes e ofícios.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Cayman Moreira: Ainda na infância, na primeira metade da década de 60, no século passado, quando o meu pai trazia sempre gibis (revistas de banda desenhada) para mim e para ele, quando vinha do mercado, aos domingos.

Quando descobriu Tex?
Cayman Moreira: Bem, meu encontro com Tex Willer aconteceu por acaso, quando vi na casa de um amigo, a edição brasileira número 4 da revista com a aventura FORTE APACHE. Comecei a ler e interessei-me. E, então, ele disse que eu poderia ficar com o exemplar. Adorei o presente e apesar de nunca ter sido um genuíno coleccionador de Tex, eu passei a comprar a revista eventualmente, quando havia oportunidade.

Porquê esta paixão por Tex?
Cayman Moreira: Ele é um personagem que sempre me fascinou, por não ser totalmente “certinho”, como a maioria que surgiu na banda desenhada de Western no Brasil como Lone Ranger, Roy Rogers, Paladino, Matt Dillon, Bat Masterson, entre outros. Tex tanto pode ser um agente da lei, fazendo-a ser cumprida legalmente, como também pode ser um frio executor, através dos punhos, para extrair a verdade e pôr qualquer malfeitor no seu lugar e até mesmo sentenciando-o à morte com suas pistolas, se necessário for. Às vezes chega a me lembrar o sombrio Jonah Hex, em algumas sequências, nas páginas. E as aventuras nunca perderam o ritmo e a criatividade nos roteiros, assim como a arte, que, através dos anos, evoluiu muito depois de Galep, sendo apresentada ao público por verdadeiros monstros sagrados da banda desenhada como José Ortiz, Claudio Villa, Fabio Civitelli, entre outros mais.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Cayman Moreira: Eu penso que ele é único em vários sentidos, principalmente pelo facto de ter passado por aventuras diversas, que nem sempre tinham a ver com o western em si, sem perder suas características, já garante a positividade desta análise.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Cayman Moreira: Como eu disse antes, eu nunca fui um coleccionador genuíno, com todas as edições em ordem cronológica mas o meu acervo conta com pouco mais de uma centena de revistas, dando prioridade às edições especiais e almanaques. E a edição mais importante para mim, é a que contém a aventura PATAGÓNIA, publicada no Brasil há alguns anos na edição gigante e desenhada pelo meu amigo Pasquale Frisenda. Para mim, esta história tem algo de denúncia, sobre o destino triste dos índios – pior que no Brasil – naquela região. Não sei bem se alguns argentinos gostaram do que viram directa ou indirectamente naquelas páginas.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Cayman Moreira: Agora eu já posso contar com livros sobre o universo do personagem, além das edições especiais e discos com músicas feitas especialmente para ele. Tanto é, que, nos moldes das trilhas sonoras do western italiano, eu compus a minha balada pessoal para o Águia da Noite, já quase em processo de gravação.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Cayman Moreira: Ah, sem dúvida, o cinto com as pistolas!

Qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Cayman Moreira: Actualmente, posso citar três desenhadores: Frisenda, Villa e Civitelli. Como argumentista, fico com Mauro Boselli.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Cayman Moreira: Citarei apenas o que MAIS me agrada, já que nada é negativo para mim no personagem: o humanismo que é posto no arquétipo de Tex e a perfeita continuidade no ritmo dos argumentos, coisa que me faz virar as páginas sem parar.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Cayman Moreira: Eu penso que a abordagem diferente, no que se refere aos índios, quase nunca tratados com justiça e respeito em outras edições com outros personagens de banda desenhada, principalmente nos Estados Unidos.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Cayman Moreira: Às vezes, mas muito raramente, devido ao pouco tempo que disponho.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Cayman Moreira: Se depender de mim, que comecei a “invadir” seu universo com uma história inédita escrita e desenhada por mim, – algo que eu pretendo apresentar à Editora Bonelli na Itália – e dos seus incontáveis fãs dentro e fora do Brasil, o futuro do Águia da Noite é a eternidade. Em preto e branco, sinceramente, nunca vi nenhum ícone de banda desenhada ir tão longe quanto TEX WILLER.

Prezado pard Cayman Moreira, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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Vídeo: Por onde começo a ler TEX?

Hoje no blogue do Tex vamos dar a conhecer dois interessantes vídeos, ambos da autoria de Alexandro Colecionador, que tentam responder a uma pergunta que os fãs e coleccionadores de Tex muitas vezes ouvem de alguém que deseja conhecer o nosso Ranger: “Por onde começo a ler TEX?”.

Pergunta essa devido ao facto de Tex ter já uma vida editorial de quase sete décadas e porque há à venda inúmeras colecções de Tex tornando difícil para um novo leitor saber por onde começar, mas o Alexandro nestes dois excelentes vídeos vai então responder brilhantemente a essa pergunta, ele que também é um leitor recente de Tex:

Tex Willer na belíssima arte de Ronald Guimarães

O blogue português do Tex apresenta hoje aos seus leitores a mais recente arte dedicada a Tex Willer, da autoria de Ronald Guimarães, um fantástico desenhador brasileiro que nos últimos tempos nos tem brindado com bastante regularidade, as fantásticas artes texianas de sua autoria como esta que damos a conhecer de seguida:

Tex na belíssima arte de Ronald Guimarães

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Póster Tex Nuova Ristampa 253

Póster Tex Nuova Ristampa 253

Em mais uma deslumbrante ilustração de Claudio Villa, vemos, no interior de uma gruta localizada num vale (habitado por uma tribo de negros liderados por Thonga) de uma região árida do sul dos Estados Unidos, Tex Willer ferido por uma flecha, sendo cuidado por Kende, um velho dissidente da tribo anteriormente comandada pelo sábio Omoko…

Desenho INÉDITO no Brasil e inspirado na história “I diavoli neri”, de Claudio Nizzi e Carlo Raffaele Marcello (Tex italiano #371 a #373).
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Texto de José Carlos Francisco

Esboços alternativos de uma capa e de um póster de Tex, da autoria de Claudio Villa

Por José Carlos Francisco

Pelos mais variados motivos, alguns desenhos e estudos para capas de Tex e para pósteres do Ranger publicados em Tex Nuova Ristampa foram sendo modificados ou mesmo reprovados, conforme foram sendo “evoluídos”, até se chegar à capa eleita ou ao póster escolhido que vão para a gráfica, ou seja, o trabalho de Claudio Villa em cada capa e em cada póster de Tex, passa por sucessivas fases de realização conforme já por várias vezes mostramos aqui mesmo no blogue do Tex e hoje damos a conhecer mais dois exemplos desses esboços que tornaram-se assim obras inéditas e por isso mesmo desconhecidas pela maior parte dos leitores e fãs de Tex.

De modo a que possam ser admiradas e comentadas e  também para eventual comparação mostramos os esboços da capa nº 658 e do póster nº 182,  ao lado das respectivas artes publicadas:

Tex # 658:


Póster Tex Nuova Ristampa# 182:


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