Remake (de Marco Verni) da histórica capa (de Galep) de Tex “Sioux”

Remake (tradução literal: “refazer”) é a designação usada para novas produções e regravações de filmes, telenovelas, jogos, seriados ou até mesmo CAPAS de Tex. É quando se produz novamente uma história ou uma capa já conhecida do público e que já tivera uma produção anterior, ou mesmo mais de uma com ajustes mais modernos e tecnológicos.

Marco Verni no seu estúdio

Quando se faz um remake (que pode ser traduzido como “nova versão”), não quer dizer que tudo tenha de ser exactamente como o original, se bem que MARCO VERNI, consagrado desenhador de Zagor que também colecciona e inclusive é fã do Ranger “O que eu gosto em Tex é a sua prepotência e arrogância contra os poderosos e os desprezíveis: é o que gostaríamos que acontecesse na realidade e sentimos prazer todas as vezes que Tex age no nosso lugar.“, fez o remake de uma das mais célebres capas de Aurelio Galleppini (“Sioux“, Tex italiano nº 359, no Brasil Tex nº 272, “A montanha sagrada“) com bastante fidelidade como podemos ver de seguida, comparando a arte original com a sua interpretação:

Capa de Tex 359 da autoria de Aurelio Galleppini

Remake da capa de Tex 359, “Sioux”, por Marco Verni

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O editorial da revista nº 3 do Clube Tex Portugal

Decorridos seis meses desde a publicação do anterior número, aqui estamos novamente com mais páginas dedicadas ao estudo e divulgação do nosso querido ranger e, pela primeira vez, com duas edições no mesmo ano. Um trabalho que muito nos orgulha e que só tem vindo a ser possível com o esforço, a dedicação e o carinho de todos, e que este número ainda nos honra mais, uma vez que ficamos de certa forma associados ao regresso do romano Luca Vannini ao mundo da banda desenhada, um talento que desde há alguns anos se encontrava afastado destas “lides”, tendo-se dedicado sobretudo à ilustração. E é por falar em ilustração que começamos por sublinhar as duas, em rigoroso exclusivo, que o desenhador compôs para as capas deste número da revista e que já tantos elogios têm merecido, depois de divulgadas pelo blogue português de Tex Willer. Este desenhador de enorme talento regressa agora, depois de, entre outros trabalhos, ter desenhado as primeiras 56 páginas de Faccia di Rame, a última aventura de Ken Parker, e ter estado na génese de outra série de Giancarlo Berardi, Júlia, onde teve um trabalho importante no estudo e na definição gráfica da protagonista, de personagens e dos ambientes. O artigo do Italo Marucci, complementado com a entrevista concedida por Luca Vannini, pretendem de certa forma apresentar este talento ao leitor texiano, agora que o desenhador foi convidado pelo curador Mauro Boselli a integrar a equipa de desenhadores de Tex Willer.

Outro destaque deste número é a homenagem que deixamos a Fernando Fusco, recentemente desaparecido e que vem deixar a série órfã de um dos seus autores mais emblemáticos. Um dos desenhadores da chamada idade de ouro, formada também por Galleppini, Letteri, Nicolò e Ticci, permanecendo apenas este último como uma lenda viva desse período. Uma homenagem sentida de Italo Marucci, que também nos facultou aquele que muito provavelmente foi o último Tex desenhado por Fusco; de Moreno Burattini, que gentilmente nos autorizou a publicar o seu So Long Fusco, texto previamente apresentado no blogue do autor; também do nosso querido Francesco Micoli, que deixa aqui uma extensa, cuidada e muito interessante bibliografia de Fusco, onde também apresentamos um desenho homenagem do António Lança-Guerreiro; e finalmente, na contracapa deste número, uma obra-prima assinada por Stefano Biglia, que nos presenteia com uma homenagem a uma das muitas excelentes aventuras de Fusco “Os Rebeldes do Canadá” (no original I Ribelli del Canada).

Há muito mais para ler e apreciar, sobretudo alguns artigos que se debruçam sobre aventuras texianas, Trapper pelo Sérgio de Sousa, A horda do Crepúsculo (L’orda del tramonto) pelo João Miguel Lameiras, que se estreia nas páginas da revista, ou ainda O Estripador (Orrore!) pelo Jesus Nabor Ferreira, outra estreia. Apesar de todas estas apreciações, a verdade é que ainda está para ser eleita a melhor aventura de sempre do ranger, resposta que o nosso querido Dorival Lopes não hesita em deixar ao leitor texiano, iniciando desta forma também a sua participação nestas páginas, que todos esperamos seja duradoura.

Mantêm-se as habituais colaborações do Rui Cunha, do José Carlos Francisco, do Jorge Magalhães, do Carlos Gonçalves, do Pedro Cleto, do Mário João Marques e do Jorge Machado-Dias, assim como de alguns autores italianos, como são os casos de Pasquale Del Vecchio, autor do desenho original e exclusivo, que apresentamos aqui mesmo na página ao lado, e o esboço de uma prancha da próxima aventura desenhada por Maurizio Dotti, gentilmente cedida pelo próprio, prova da grandeza e generosidade dos autores texianos. Adjectivos que, mais uma vez, estendemos a todos os que nos ajudaram e permitiram concretizar mais este número, destacando-se a Sergio Bonelli Editore, o curador Mauro Boselli, o Júlio Schneider (pelas traduções) e o Jorge Machado-Dias, que com sacrifício pessoal e profissional não quis deixar de tratar da edição gráfica da revista, a qual, esperamos, seja do agrado de todos.

Luca Vannini, mestre das cores

Nota do Clube Tex Portugal a todos os sócios:

Como habitualmente, os sócios do Clube Tex Portugal (com excepção dos sócios menores) COM AS QUOTAS DO MÊS DE DEZEMBRO PAGAS, terão direito a receber gratuitamente um exemplar da revista. Dado que este 3º número será publicado com duas versões da capa, o exemplar gratuito será o da versão com desenho de Tex e Dinamite.

Adicionalmente, sem qualquer limite, os sócios podem adquirir mais exemplares da revista, quer da versão oficial quer da versão alternativa, sendo o preço unitário de 10 euros.

Deste modo, todos os sócios (que ainda não o tenham feito) que desejem adquirir exemplares da revista, devem informar desde já o Clube Tex Portugal, na forma de comentário a este post ou escrevendo para José Carlos Francisco (josebenfica@hotmail.com), indicando o nº de exemplares pretendido para cada versão da capa e procedendo ao respectivo pagamento na conta do Clube Tex Portugal ou através de paypal, enviando o comprovativo desse mesmo pagamento.

  • Pagamentos internacionais por transferência bancária  devem ser feitos com todas as despesas a serem suportadas pelo ordenador, sem qualquer dedução no valor a receber pelo Clube, devendo ser creditada a conta PT50003600009910590434664 em nome do Clube Tex Portugal na Caixa Económica Montepio Geral – código swift: MPIOPTPL;
  • Pagamentos nacionais por transferência bancária  devem ser feitos para o NIB 0036.0000.99105904346.64
  • Pagamentos por Paypal devem ser efectuados para o e-mail cacem.moreira@gmail.com com todas as despesas a serem suportadas pelo ordenador, sem qualquer dedução no valor a receber pelo Clube..

As Leituras do Pedro: Tex Especial Colorido #4

As Leituras do Pedro*

Tex Especial Colorido #4
Os suspeitos – Tito Faraci e Giampiero Casertano

Um covil de feras –
Pasquale Ruju e Sandro Scascitelli
O último da lista –
Gianfranco Manfredi e Stefano Biglia
O vale sagrado
– Mauro Boselli e Nicola Genzianella

Histórias originalmente publicadas em Color Tex italiano 4

Mythos Editora
, Brasil, Abril de 2015
160 x 210 mm, 132 p., cor, brochado
R$ 19,90 / 10,00 €

Depois de ter inovado com a introdução da cor em Tex, esta revista quebra agora uma outra ‘regra’, pois a tradicional opção por histórias longas, deu lugar, neste quarto número, à inclusão de quatro narrativas de apenas 32 pranchas.

Não que já não existisse cor em Tex: os números centenários da colecção regular ostentam-na desde os anos 1960 – e todos eles foram alvo de colorização para a Collezione Storica a Colori, que a Sergio Bonelli Editore criou em parceria com o jornal La Repubblica e a revista L’Expresso.

De igual modo, em quase 70 anos a cavalgar nas grandes pradarias, Tex já tinha vivido uma mão cheia de aventuras curtas – reunidas no Almanaque Tex #44 – mas também não é esse o seu modelo padrão.

Embora pudesse (também) ser, como parecem comprovar – de formas diferentes – as quatro narrativas presentes neste Tex Especial Colorido #4, agora distribuído em Portugal.

Obviamente, a redução de páginas obriga a modelos diferentes. Em Os Suspeitos a descoberta de um assassino contratado entre os passageiros de uma diligência, obriga Tex a um trabalho quase de detective e o final, inesperado, ostenta um humor desconcertante, raramente presente nas histórias do ranger.

O final desconcertante surge de novo em Um covil de feras, uma história com – um nada habitual – protagonismo no feminino e o Tex detective está de novo presente em O último da lista, quando tem de encontrar um antigo assaltante, entretanto redimido, para o proteger de uma vingança.

Finalmente, O vale sagrado, ambientado em montanhas rodeadas de deserto e com uma vingança vinda do passado como gatilho da narrativa, assume um tom místico.

De comum a todas, o facto de se sustentarem por si só e dificilmente poderem ser apenas um episódio numa trama mais longa (em especial no que toca às duas primeiras) e o facto de terem tido dos melhores tratamentos de cor que já foi possível ver em Tex.

E apesar de tudo isto, podem ser também vistas como experiências – duplas – no universo de Tex: como teste a novos autores, como o trilhar de (possíveis?) novos caminhos narrativos e como uma tentativa de oferta de uma leitura mais imediatista – mais de acordo com os padrões dos jovens actuais?

Porque – e aqui o texto diverge para um âmbito mais vasto – acredito que com este Tex Especial Colorido, a Sergio Bonelli Editore, não pondo de parte os habituais leitores de Tex, visa mais longe, tentando conquistar novos (ou não tão novos) leitores, possivelmente como única forma de sobrevivência a – médio? – prazo de um dos mais longevos e importantes selos editoriais de BD do velho continente.

Na verdade, os anos recentes têm revelado uma mudança de orientação por parte da Sergio Bonelli Editore no que a Tex diz respeito – mesmo que para alguns constitua traição digna de um tratamento duro à moda do ranger.
Refiro-me obviamente, às edições especiais e de luxo e à retoma – mesmo que pontualmente – do mais célebre herói da casa Bonelli por outros autores, como é o caso dos álbuns (em formato europeu) desenhados por Eleuteri Serpieri – mas sem Druna… – ou Horacio Altuna. Ou às edições de ‘livraria’ – recém-estreadas com Vendetta Indiana – para onde são também vocacionados os luxuosos Teg Gigantes coloridos da Mythos Editora.

[E abro aqui um parêntesis, para citar a antecipação portuguesa neste campo, com a bela, elogiada e cobiçada edição de Patagónia, pela Polvo, cujo intuito também vai, obviamente, bem para lá do núcleo duro dos leitores de Tex.]

A estas ‘inovações texianas’ há que juntar outros passos na mesma direcção dados com outros heróis fortes da casa Bonelli, com direito também a edições especiais coloridas, em formato mais próximo do livro ou com capas variantes, como aconteceu – no exemplo mais marcante? – em Julia #200, que a par da edição com capa tradicional, teve outra, de menor tiragem, com a capa desenhada por… Vittorio Giardino!

A razão de tudo isto – óbvia e compreensível, diria eu – é a procura de novos leitores noutros segmentos, a par da oferta de produtos de maior qualidade para um leque (alargado?) de leitores tradicionais que, pela mudança de hábitos – em comparação com outros géneros de banda desenhada – e de poder económico (?) querem ver o(s) seu(s) herói(s) em edições que façam jus à qualidade que vêem nele(s).

No entanto – e acho importante reforçar esta ideia – nada disto coloca em causa as origens – apetece-me escrever ‘humildes’ – das personagens nas edições (claramente) populares, a preto e branco, papel (só) razoável e baixo preço. Edições que se mantêm disponíveis como a base do império editorial (bem sucedido) que a Bonelli alicerçou em Tex e onde ele – e à sua sombra protectora muitos outros – continua a viver a maior parte das suas aventuras.

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.

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