O blogue do Tex tem hoje o privilégio de apresentar aos seus leitores, mais DUAS magníficas artes desenhadas porAntonio Carlos Moreira, mais conhecido por AMoreira, em mais dois belos “trabalhos” deste talentoso artista brasileiro, que vemos na foto acima onde se pode ver também a presença de Tex. Artes essas de Tex Willer (e toda a sua subtileza no tratamento aos malfeitores) e de Jack Tigre, como podemos observar de seguida através da sua INCONFUNDÍVEL MESTRIA:
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Míticos letristas Marcos Maldonado e Dolores Maldonado exibem orgulhosamente as revistas nº 4 do Clube Tex Portugal
A revista nº 4 do Clube Tex Portugal teve lançamento ocorrido em finais de Junho, mas em pleno mês de Setembro, ou seja quase três meses após a sua distribuição aos sócios do Clube Tex Portugal, os seus ecos elogiosos e orgulhosos ainda chegam à redacção vindos do outro lado do Atlântico, nomeadamente do Brasil, o país onde o Ranger é editado na língua portuguesa através da Mythos Editora, mas também do nosso país irmão, aEspanha, sócios esses que têm-nos enviados fotografias, como foi por exemplo o caso dos sócios honorários e míticos letristas de TexMarcos MaldonadoeDolores Maldonado, ou dos também ilustres sóciosTizziana Giorgini(ex-tradutora de Tex no Brasil e também sócia honorária) e seu maridoSebastián Pérez Retorta, comprovando o recebimento da cada vez mais cobiçada e elogiada revista como se constata também por alguns comentários que nos têm enviado como por exemplo o da mítica tradutora:
“Estão belíssimas e os textos são interessantíssimos. E os desenhos…um primor!!! Parabéns a todos pelo capricho.“.
Tizziana Giorgini e a leitura da revista nº 4 do Clube Tex Portugal, com a capa alternativa
Sebastián Pérez Retorta e a prazerosa leitura da revista nº 4 do Clube Tex Portugal
Igualmente do Brasil, mais elogios e fotos chegam do ilustre sócio Antonio Carlos da Silva, popularmente conhecido porRouxinol do Rinaré:
“Pard Zeca e demais envolvidos nessa maravilhosa edição da Revista nº 4 do nosso Clube Tex Portugal, meus parabéns!
Trabalho de edição primoroso. Cada vez melhor… Gostei demais de todas as matérias e, em especial, da HQ/BD (uma das primeiras coisas que li, rsrs ).“
Sócio Antonio Carlos da Silva, popularmente conhecido por Rouxinol do Rinaré, mostrando a revista nº 4 na sua belíssima biblioTex
Rouxinol do Rinaré na sua biblioTex com as revistas nº 4 do Clube Tex Portugal
Mas também em Portugal há quem somente agora, por motivos alheios ao Clube Tex Portugal, esteja a receber a revista nº 4, nas suas duas versões, como é o caso de Orlando Santos Silva, ilustre Sócio Fundador que teve o “privilégio” de receber os seus exemplares directamente das mãos dos DirectoresCarlos MoreiraeMário João Marquesapós um fausto almoço ocorrido precisamente nesta 4ª feira, dia 14 de Setembro, tendo assim a oportunidade de dar pessoalmente os parabéns à Direcção do Clube Tex Portugal “por mais um excelente número“.
Sócio Fundador Orlando Santos Silva e o orgulho de receber as suas revistas nº 4 do Clube Tex Portugal das mãos dos Directores Mário João Marques e Carlos Moreira
Para fazer parte do Clube Tex Portugal – cujos estatutos podem ser consultados em https://texwillerblog.com/?page_id=47999 – e usufruir de todos os brindes e regalias, entre os quais se inclui a revista do Clube, é necessário pagar uma jóia de inscrição de € 5,00 e uma quota mensal de € 2,00(€ 2,50 para sócios não residentes em Portugal).
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A CONTAGIANTE ALEGRIA por completar o álbum de cromos de Tex
Foi lançado no final do ano passado pela Panini, na Itália, um novo álbum de cromos de Tex, álbum de 48 paginas intitulado TEX L’EROE DEL WEST e cuja capa trazia uma belíssima arte de Aurelio Galleppini e que para além de cromos e cards continha inclusive uma história INÉDITA de Tex, “La valle sconosciuta“, com argumento de Mauro Boselli e arte de Alessandro Piccinelli.
Esta colecção de cromos gerou uma febre imensa entre os coleccionadores de Tex, não somente em Itália, mas em todos os países onde havia fãs e coleccionadores do Ranger, inclusive em Portugal e no Brasil, onde vários texianos completaram as suas colecções e onde ainda hoje outros tentam completar, mas não há dúvida alguma que foi na Itália que a febre foi maior, levando sobretudo os menos jovens a recordarem-se dos seus tempos de jovens onde coleccionavam cromos e com este álbum de Tex, muitos fãs mais idosos voltaram a ser “crianças” e como se pode ver no vídeo que apresentamos de seguida, a alegria por completar o álbum é verdadeiramente imensa e contagiante, mesmo quando o feito é conseguido por um pard já de (muitos) cabelos brancos:
Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Giampiero Belardinelli na formulação das perguntas, de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão e de Bira Dantas na caricatura.
Olá, caríssimo Bruno Ramella, e bem-vindo ao blogue português do Tex! A sua história pessoal é muito interessante, com a actividade de lenhador na juventude. Fale um pouco desse período. Bruno Ramella:Eu nasci e cresci numa cidade do interior da Ligúria, a minha família tinha uma máquina de espremer azeitonas e, no Verão, alternava com o corte e comércio de madeira. Naquela época eu também estava matriculado na faculdade de filosofia. Era um trabalho bem mais dinâmico que o de desenhador de banda desenhada. Depois eu tive uns problemas físicos que me levaram a tomar outro caminho. Aos vinte e quatro anos eu decidi tentar fazer quadradinhos.
Durante o período de inactividade você decidiu fazer contacto com Ivo Milazzo: já o conhecia? Bruno Ramella:Não, e evidentemente ele era um ídolo meu, eu conhecia todos os trabalhos dele e considerava-o o melhor desenhador italiano. Eu sabia que ele era genovês, aí dei ouvidos à minha mãe, que me sugeria escrever-lhe uma carta. O destino quis que há muitos anos ele tivesse uma casa em Impéria, onde passava as férias, e aí um dia tocou o meu telefone e era ele… a coisa pareceu-me meio irreal!
Quando você levou a Milazzo os seus primeiros trabalhos, qual foi a reacção dele? Bruno Ramella:Em seguida ele disse-me que um único desenho o havia convencido de que eu tinha alguma chance, era um homem estranho com cabeça de tucano. Depois eu o presenteei ao meu irmão e até hoje está emoldurado. Ivo é quase tão bom para ensinar quanto é para desenhar, se a começar dali ele conseguiu fazer-me adquirir as bases da BD.
Quando tempo passou, desde aquele encontro, até que os seus trabalhos fossem considerados dignos de publicação? Bruno Ramella:Durante dois anos, mais ou menos uma vez por mês, eu fazia o trajecto de Impéria a Génova, Ivo dedicava-me o dia, a analisar os trabalhos que eu levava a ele e, sempre, a massacrá-los. E, quando ele via que eu me deprimia, dizia “estou a perceber”. Eu voltava para casa com os ossos em pedaços, mas a cada vez me parecia ter entendido algo a mais.
Como foi a colaboração com Ivo Milazzo? Bruno Ramella:Uma colaboração efectiva nos trabalhos dele nunca houve, por um período eu frequentei o estúdio dele com mais intensidade na possibilidade de ajudá-lo com o lápis. Nesse ínterim eu também cuidei da remontagem gráfica de alguns volumes para a edição colorida de Ken Parker. Um trabalho de corte e costura e alguns quadradinhos a lápis. Depois eu fui chamado pela Eura Editorial de Roma, a quem havia mandado um material, e fiz duas histórias curtas com eles: os meus primeiros trabalhos publicados.
Graças a Claudio Nizzi você foi conhecido pelo público mais amplo da Sergio Bonelli Editore: como nasceu essa colaboração? Bruno Ramella: Eu havia contactado Claudio em uma mostra, ele havia se interessado pelos meus desenhos, na época em que estava a preparar o lançamento de Nick Raider e, apesar da minha pouca experiência, embarcou-me naquela aventura. Eu fui à Bonelli para encontrar Decio Canzio, uma figura mitológica para mim, com uma página de estudos de personagens e nenhuma página de teste. Eram outros tempos, creio que hoje uma coisa assim não seria possível. De todo modo, voltei para casa com um roteiro para desenvolver!
A personagem de Nick Raider deve a si a sua fisionomia definitiva: pode nos contar alguma coisa sobre isso? Bruno Ramella:Na verdade eu me baseei muito na síntese de Milazzo, cujas fotocópias do número 5 me chegavam à medida em que ele trabalhava. É curioso como, por ter aprendido com ele, depois eu acabei a desenhar as mesmas personagens: Nick, Mágico Vento e agora Tex. Por vezes ponho-me a pensar que se um Mefisto tivesse me mostrado o futuro na água, eu não acreditaria.
Como nasceu a exigência de fazer as capas de Nick Raider (antes feitas por Giampiero Casertano)? Porque não deu continuação a essa tarefa? Bruno Ramella: Porque era necessária uma caracterização da personagem, nas capas, que tivesse mais a ver com a sua fisionomia das histórias. Casertano, que eu admirava muito, estava ocupado com Dylan Dog e limitava-se às capas. É um trabalho que eu achei muito difícil e, talvez, não adequado ao meu estilo, mesmo se me deu mais visibilidade. Eu diria que, essencialmente, sou um narrador, dou o melhor quando tenho uma sequência a contar.
Passemos a Mágico Vento. No projecto de Gianfranco Manfredi você foi o desenhador de referência: como isso aconteceu? Bruno Ramella: Eu trabalhava há alguns anos com Renato Queirolo em Nick Raider, havia desenhado duas histórias escritas por Manfredi, com lápis de Barbati. Mágico Vento teve uma fase de criação muito rápida, ao menos do ponto de vista de realização, e era necessário um modelo gráfico bastante sintético que os desenhadores pudessem reproduzir sem muitos problemas. Por uma escolha comum eu parti de Daniel Day Lewis e em quinze dias os modelos do protagonista e de Poe estavam prontos.
O faroeste mágico de Manfredi levou-o a um nível superior: quais foram as peculiaridades que o levaram a tentar soluções, digamos, mais visionárias em relação ao realismo metropolitano de Nick Raider? Bruno Ramella: A pressa! Brincadeiras à parte, é sabido que ao menos por seis ou sete anos a equipa de desenhadores era bem restrita. A série tinha um estilo gráfico muito particular, os desenhadores disponíveis creio que não eram muito adequados, por isso trabalhava-se muito e com muita rapidez, o pincel não ficava suspenso na folha com a dúvida se devia sair um traço assim ou assado, os desenhos rebuscados deviam ficar de lado e muito se deixava por conta do instinto. Eu observei que, se não pensasse muito no resultado, o próprio resultado era melhor e sempre funcional para a história que eu contava. Vem daqui o uso de traços, meios-tons, efeitos e variações gráficas que davam aquele efeito de sujeira muito adequado ao faroeste e ao terror.
Depois do encerramento de Mágico Vento, antes de passar a Tex você trabalhou com outros editores, além da Sergio Bonelli Editore? Bruno Ramella: Não, eu trabalhei como arte-finalista em três números de Shanghai Devil e na mini-série Coney Island, sempre com Manfredi e sempre para a Bonelli.
Passemos agora ao Ranger que dá nome a este blogue: como foi a sua entrada na equipa de desenhadores de Tex? Bruno Ramella: Eu diria de modo natural. Eu estava a concluir os desenhos de Coney Island, mini-série com os trabalhos complicados tanto pelos meus problemas pessoais quanto pela morte repentina de Giuseppe Barbati, com quem eu trabalhava. Quando Boselli ligou-me para falar de Tex, a coisa não me pareceu estranha, eu já havia desenhado faroeste durante anos e tinha uma certa experiência. Digamos que eu estava a esperar.
Como se sente a fazer o Ranger? Bruno Ramella:Não tenho receios particulares, o problema principal é a atenção que se deve ter com Tex, porque nenhuma BD identifica-se tanto com o seu protagonista como neste caso.
Ao desenhar Tex, que tipo de dificuldades encontrou, se é que encontrou? Bruno Ramella: Justamente a manutenção do modelo gráfico e do carácter da personagem, porque os aficionados são muito atentos e muito ligados à tradição. Você pode fazer uma versão pessoal, mas ela deve ser compatível com o que o leitor espera de Tex. Para o resto, por ter experiência com faroeste, eu não tenho muitos problemas com os cavalos, os cenários e com aquela atmosfera particular.
Você teve que modificar o seu estilo habitual? Bruno Ramella: Não, em Tex não pode haver equívocos se não forem funcionais à história, e o desenho deve ser o mais claro e detalhado possível. Para o resto, vista a quantidade de páginas das histórias, pode existir a dificuldade em incluir elementos novos e experimentais sem criar uma descontinuidade gráfica.
Como define graficamente o seu Tex? Bruno Ramella: Bastante tradicional. A dificuldade está em manter uma via de meio entre a sua firmeza e a sua humanidade, seja em relação aos pards, seja em relação às personagens mais fracas. Além disso, ele deve ser maduro mas plenamente vigoroso. Mágico Vento era uma personagem mais emotiva, podia passar de uma dureza extrema a uma extrema fraqueza, mas Tex é, digamos, mais linear.
Nos últimos tempos vários desenhadores fizeram uma rápida aparição em Tex e depois voltaram a trabalhar com outras personagens. Para si, o compromisso com Tex é duradouro, ao menos na sua intenção? Bruno Ramella: Por enquanto é duradouro porque as histórias são longas e eu não sou muito rápido. Acabei de concluir a primeira parte de uma história e vou começar a segunda, de uma trama em duas partes. Veremos o resultado final, mas creio que a resposta seja sim.
Quem ou o que é Tex, na sua opinião? O que gosta mais no Ranger e o que gosta menos? Bruno Ramella: Eu sou um leitor de Tex desde quando era criança. Na época não era muito comum comprar as revistas nos quiosques, nós trocávamos entre amigos. Era perfeitamente normal, se bem que um pouco frustrante, ler uma aventura já começada e por vezes não saber como acabaria. Anos depois, aos poucos, eu consegui comprar usados todos os números. O meu pai era um grande leitor do Ranger, e muitas vezes relia as histórias depois de algum tempo. Isso é para dizer que Tex foi parte da minha infância, e também depois, qualquer leitor sabe o que eu quero dizer. Por isso é difícil, para mim, dar uma definição dele ou dizer o que me agrada ou não. Digamos que não gosto muito daquelas cenas em que ele se safa por pura sorte ou porque os seus inimigos são por demais pouco inteligentes ou não muito precisos. Eu sei que é difícil arrumar expedientes novos que sejam originais ou credíveis e, como leitor, eu parabenizo os roteiristas que conseguem fazer isso.
Para concluir o tema, como vê o futuro de Tex? Bruno Ramella: Eu não tenho muito conhecimento da parte comercial, mas acredito que ainda há muita afeição pela personagem e Mauro Boselli está a levar em frente com lucidez um processo de renovação na tradição. Há uns meses, por meio de amigos, eu conheci um menino de dez anos aficionado por Tex. Ao fazer um trabalho na escola sobre um escritor da Lombardia, ele escolheu Giovanni Luigi Bonelli… isso parece-me um bom sinal e, certamente, um augúrio.
Quanto tempo leva para desenhar uma página? Você cumpre horários? Como se divide o seu dia entre trabalho, leituras, busca de informações, ócio, vida familiar? Bruno Ramella: Eu não costumo ser linear no meu trabalho, e nos últimos anos diminuí um pouco os ritmos também por outros compromissos. Digamos que faço 7 ou 8 páginas por mês. Quanto aos horários, na época em que eu não tinha laços familiares sempre começava tarde e terminava muito tarde. Em certos períodos eu gosto de desenhar de modo particular, e aí costumo fazer trabalho extra, por vezes à noite, na frente da televisão.
Como é a sua técnica de trabalho? Bruno Ramella: Eu não faço páginas completas, mas sim uma certa quantidade de páginas a lápis, que podem ser 5 ou 40, depois passo o nanquim em todas com caneta de ponta porosa e em seguida com pincel – aliás, já há muitos anos uso o Pentel Brush Pen. Mesmo a fazer o lápis, é muito difícil iniciar e concluir uma página, eu salto de uma vinheta a outra e busco não insistir em coisas que não me saem de imediato: às vezes eu faço muitos detalhes e em outras ocasiões poucos, principalmente se o primeiro esboço funciona. Em suma, é uma técnica de trabalho feita sob medida!
Há alguma outra série bonelliana com a qual você não trabalhou e que gostaria de ilustrar? Caso positivo, qual seria e porque? Bruno Ramella:Posso mencionar duas do passado: Ken Parker e História do Oeste, pela grande estima que tenho por Berardi e D’Antonio.
A BD da SBE sempre foi o seu objetivo ou você gostaria de ter feito a chamada BD de autor, como Pratt, Battaglia, Toppi, Manara? Bruno Ramella: O meu objectivo era fazer quadradinhos em geral, mas jamais frustrei-me por trabalhar só para a Bonelli. Não que eu não veja os limites, deve-se agir dentro de esquemas bem definidos, mas são as regras do jogo desse tipo específico de narrativa gráfica. Se devo dar uma resposta, eu não aprecio que o desenhador exagere, que vá além da história que se está a contar, e isso na BD bonelliana é basilar.
Quais são os seus projectos imediatos? Bruno Ramella: Fácil: iniciar a segunda parte da história de Tex que estou a desenhar e, se possível, andar um pouco mais rápido.
Quais BDs lê actualmente? Bruno Ramella: Continuo a acompanhar as bonellianas mas aprecio muito aquelas que, nos últimos anos, são chamadas de graphic novel. É evidente que o nível deve ser alto, em geral eu prefiro a BD francesa e latina, e não gosto muito da americana, em particular os super-heróis. Com as devidas excepções, naturalmente.
Além de quadradinhos, o que você lê? E quais são as suas preferências no campo do cinema e da música? Bruno Ramella:Eu leio bastante, e até gostaria de ler mais. Até há uns anos eu costumava ler um capítulo como intervalo do trabalho, e hoje abro o Facebook, ou vejo as notícias, ou o sítio Pinterest. Eu sempre leio à noite, assuntos variados mas quase sempre de narrativa. Quanto ao cinema, costumo acompanhar o que sai no Cineforum, não sigo muito as tendências do momento. Na TV, ultimamente tenho acompanhado as séries. Uma época eu sempre trabalhava com um fundo musical; ainda tenho milhares de fitas de áudio dos géneros mais variados, rock blues, principalmente. Eu sou de outra época! Mas a certa altura eu parei de ouvir música enquanto trabalho, não sei dizer porque.
Bem, chegamos a fim. Você gostaria de dizer algo mais? Algo que não lhe foi perguntado e que gostaria que os nossos leitores soubessem? Bruno Ramella: É em ocasiões como esta que, quem faz o meu trabalho, percebe quanto amor sentem os leitores dos vários países do mundo ao acompanhar as BDs preferidas. Isso faz com que nós, profissionais do sector, voltemos a ser um pouco leitores, e isso é um bem porque nos leva a ir além da abordagem técnica, em favor daquela que deve ser a primeira motivação ao contar histórias aos quadradinhos, ou seja, a paixão.
Caro Bruno, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu. Bruno Ramella: Obrigado a vocês, e um abraço a todos os leitores portugueses!
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Intervista condotta da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Giampiero Belardinelli per la formulazione delle domande, di Júlio Schneider (traduttore di Tex per il Brasile) e di Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni e di Bira Dantas per la caricatura.
Ciao, carissimo Bruno Ramella, e benvenuto sul blog portoghese di Tex! La tua vicenda personale è molto interessante, ci riferiamo alla tua giovanile attività di taglialegna: raccontaci brevemente quel periodo. Bruno Ramella:Io sono nato e cresciuto in un paese dell’entroterra ligure, la mia famiglia aveva un frantoio per olive e in estate si alternava col taglio e il commercio della legna… ero anche iscritto alla facoltà di filosofia, in quel periodo. Un lavoro certo molto più dinamico del fumettista… Poi ho avuto dei problemi fisici che mi hanno costretto a prendere un’altra strada. A ventiquattro anni ho deciso di provare a fare i fumetti.
Durante il periodo di inattività decidi di metterti in contatto con Ivo Milazzo: lo avevi conosciuto in precedenza? Bruno Ramella: No, ovviamente era un mio idolo, conoscevo a memoria i suoi lavori e lo consideravo il miglior disegnatore italiano. Sapevo che era genovese , così ho dato retta a mia madre che mi consigliava di scrivergli una lettera. Il caso ha voluto che avesse da molti anni una casa a Imperia per le vacanze, un giorno mi squilla il telefono ed era lui… mi sembrò quasi irreale!
Quando hai portato i tuoi primi lavori, qual è stata la reazione di Milazzo? Bruno Ramella: In seguito mi disse che un unico disegno lo aveva convinto che io avessi qualche possibilità, uno strano uomo con la testa di tucano. In seguito lo regalai a mio fratello e ancora oggi ce l’ho incorniciato. Ivo è quasi altrettanto bravo ad insegnare che a disegnare, se partendo da lì è riuscito a farmi acquisire le basi del fumetto…
Quando tempo è passato, da quell’incontro, prima che i tuoi lavori siano stati ritenuti degni di pubblicazione? Bruno Ramella: Per un paio d’anni feci la spola, più o meno una volta al mese, da Imperia a Genova, Ivo mi dedicava una giornata, analizzando i lavori che gli portavo e solitamente massacrandoli… quando vedeva che mi deprimevo mi diceva “mi rendo conto…” . Tornavo a casa con le ossa rotte ma ogni volta mi sembrava di aver capito qualcosa in più.
Come si è svolta la collaborazione con Ivo Milazzo? Bruno Ramella: Una collaborazione effettiva sui suoi lavori non c’è mai stata, per un periodo frequentai il suo studio più intensamente nell’ipotesi di aiutarlo con le matite. Nel frattempo mi occupai anche del rimontaggio grafico di qualche albo per l’edizione a colori di Ken Parker. Un lavoro di taglia e cuci e qualche vignetta a matita. Poi mi chiamarono dall’Eura editoriale di Roma a cui avevo mandato del materiale e feci due storie brevi con loro: i miei primi lavori pubblicati.
Grazie a Claudio Nizzi ti sei fatto conoscere dal più ampio pubblico della Sergio Bonelli Editore: come è nata questa collaborazione? Bruno Ramella:Avevo contattato Claudio a una mostra, si era interessato ai miei disegni, in quel periodo stava mettendo in cantiere l’uscita di Nick Raider e, nonostante le mie acerbe capacità, mi imbarcò in quell’avventura. Andai in Bonelli a incontrare Decio Canzio, che per me era una figura mitologica, con una pagina di studi dei personaggi e neanche una tavola di prova. Erano altri tempi, oggi una cosa così non credo sarebbe possibile… comunque tornai a casa con una sceneggiatura!
Il personaggio di Nick Raider deve a te la sua fisionomia definitiva: puoi raccontare ai nostri lettori qualche aneddoto? Bruno Ramella:In realtà io mi basai molto sulla sintesi di Milazzo, le cui fotocopie del numero 5 in lavorazione mi arrivavano in corso d’opera. E’ curioso come avendo imparato da lui mi sia trovato poi a disegnare gli stessi personaggi… Nick, Magico Vento ed ora Tex. Spesso mi trovo a pensare che se un Mefisto mi avesse fatto vedere nell’acqua il futuro, avrei stentato a crederci.
Come è nata l’esigenza di realizzare le copertine di Nick Raider (in precedenza affidate a Giampiero Casertano)? Perché poi non hai più realizzato questo compito? Bruno Ramella:Proprio perché c’era bisogno di una caratterizzazione del personaggio sulle copertine che richiamasse di più la sua fisionomia nelle storie raccontate… Casertano, che io ammiravo molto, era impegnato con Dylan Dog e si limitava alle copertine. E’ un lavoro che io ho trovato molto difficile e forse non tanto adatto a me, anche se mi ha dato più visibilità. Direi che io sono essenzialmente un narratore, do’ il meglio quando ho una sequenza da raccontare.
Passiamo a Magico Vento. Nel progetto di Gianfranco Manfredi sei stato il disegnatore di riferimento: come sono andate le cose? Bruno Ramella: Lavoravo da anni con Renato Queirolo a Nick Raider, disegnando con le matite di Barbati anche due episodi scritti da Manfredi. Magico Vento ha avuto una genesi molto veloce, almeno dal punto di vista realizzativo, serviva un modello grafico piuttosto sintetico che i disegnatori potessero riprodurre senza troppi problemi. Per scelta comune partii da Daniel Day Lewis e in una quindicina di giorni il modello del protagonista e di Poe era pronto.
Il western magico di Manfredi ti ha portato su un livello superiore: quali sono state le peculiarità che ti hanno portato a provare soluzioni magari più visionarie rispetto al realismo metropolitano di Nick Raider? Bruno Ramella:La fretta! Scherzi a parte, è cosa nota che almeno per sei o sette anni lo staff dei disegnatori fosse ridotto all’osso. La serie aveva un’impronta grafica particolare, i disegnatori disponibili magari non erano adatti e viceversa. Per cui si lavorava molto e molto velocemente, la penna non stava mai sospesa sul foglio incerta se fare un segno così o cosà, la calligrafia era bandita e molto affidato all’istinto. Mi resi conto che se non pensavo troppo al risultato il risultato stesso era migliore, e comunque funzionale alla storia che raccontavo. Da qui l’uso di tratteggi, sfumature, effetti e varianti grafiche che davano quell’effetto di “sporco” molto adatto al western e all’horror.
Dopo la chiusura di Magico Vento, prima di passare a Tex, hai collaborato con altre editori all’infuori della Sergio Bonelli Editore? Bruno Ramella:No, ho lavorato come inchiostratore a tre numeri di Shanghai Devil e alla miniserie Coney Island, sempre con Manfredi e sempre per Bonelli.
Passiamo adesso al Ranger che dà nome a questo blog: vuoi raccontarci com’è avvenuto il tuo arruolamento nello staff dei disegnatori di Tex? Bruno Ramella: In modo direi naturale… stavo finendo di disegnare “Coney Island”, miniserie dalla lavorazione complicata sia per miei problemi personali che per la morte improvvisa di Giuseppe Barbati, con cui lavoravo. Quando mi telefonò Boselli per propormi Tex non mi sembrò molto strano, avevo disegnato western per anni e avevo una certa esperienza, diciamo che me lo aspettavo.
Come ti senti a misurarti con il Ranger? Bruno Ramella:Non ho ansie particolari, il problema principale è l’attenzione che bisogna avere per Tex, perché nessun fumetto si identifica col suo protagonista come in questo caso.
Nel disegnare Tex, che tipo di difficoltà hai incontrato, se ne hai incontrate? Bruno Ramella: Appunto l’aderenza al modello grafico e caratteriale del personaggio, perché gli appassionati sono attentissimi e molto legati alla tradizione… puoi farne una versione tua ma deve essere compatibile con quello che il lettore si aspetta da Tex. Per il resto, avendo esperienza di western non ho troppi problemi con i cavalli, gli ambienti e quella particolare atmosfera.
Hai dovuto modificare il tuo solito stile, oppure no? Bruno Ramella: No, il racconto in Tex dev’essere privo di equivoci, chiaramente se non funzionali alla storia, e quindi il disegno quanto più possibile chiaro e dettagliato. Per il resto, vista la lunghezza delle storie, ci può essere la difficoltà a immettere elementi nuovi e sperimentali senza creare discontinuità grafica.
Come definisci graficamente il tuo Tex? Bruno Ramella:Abbastanza tradizionale, la difficoltà sta nel mantenere una via di mezzo tra la sua “rocciosità” e la sua umanità, sia nei confronti dei pard, sia nei confronti dei personaggi più deboli. Inoltre dev’essere maturo ma pienamente vigoroso. Magico Vento era un personaggio più emotivo, poteva passare da una durezza estrema ad un’estrema debolezza, diciamo che Tex è molto più lineare.
Negli ultimi tempi diversi disegnatori hanno fatto solo una veloce comparsata su Tex e poi sono tornati a lavorare su altri personaggi. Quello su Tex è per te un impegno duraturo, almeno nelle tue intenzioni? Bruno Ramella: Intanto è duraturo perché le storie sono lunghe ed io non sono più molto veloce… ho appena finito il primo episodio e sto per iniziare il secondo di una storia in due parti. Vedremo il risultato finale, comunque credo di sì.
Chi o cosa è Tex secondo te? Cosa ti piace di più nel Ranger e cosa di meno? Bruno Ramella: Io sono un lettore di Tex da quando ero bambino, allora non era molto usuale andare in edicola a comprare i fumetti, ci se li scambiava tra amici. Era perfettamente normale, anche se un po’ frustrante, leggere un’avventura già iniziata e magari non sapere come sarebbe finita… anni dopo ho recuperato sulle bancarelle piano piano tutti i numeri. Mio padre stesso era un gran lettore del ranger, e spesso rileggeva le storie a distanza di un po’ di tempo. Questo per dire che Tex è stato parte della mia infanzia e oltre, qualunque lettore capisce cosa intendo. Per cui mi viene difficile darne una definizione o dire cosa mi piace e cosa no… diciamo che non sono molto affezionato a quelle scene per cui lui se la cava per pura fortuna o perché i suoi nemici sono un po’ troppo stupidi o imprecisi. Mi rendo conto che è difficile trovare espedienti nuovi originali e credibili, come lettore faccio i complimenti agli sceneggiatori che ci riescono.
Per concludere il tema, come vedi il futuro di Tex? Bruno Ramella: Non sono molto addentro alla parte strettamente commerciale, credo ci sia ancora una certa affezione per il personaggio e Mauro Boselli sta portando avanti con lucidità un processo di rinnovamento nella tradizione. Nei mesi scorsi tramite amici ho conosciuto un bambino di 10 anni appassionato di Tex. Dovendo fare una relazione a scuola su uno scrittore lombardo, ha scelto Giovanni Luigi Bonelli… mi sembra un buon segnale e sicuramente un augurio.
Quanto tempo impieghi per disegnare una tavola? Hai degli orari? Come si articola una tua giornata tipo fra lavoro, letture, tenerti informato, ozio, vita familiare? Bruno Ramella:Non sono granché lineare nel mio lavoro e negli ultimi anni ho un po’ rallentato i ritmi anche per altri impegni. Diciamo che faccio giuste 7-8 tavole al mese; quanto agli orari, nei periodi in cui non avevo legami familiari ho sempre iniziato tardi e finito anche molto tardi. Ci sono periodi in cui disegnare mi piace particolarmente ed allora lo faccio spesso extra lavoro, magari la sera davanti alla televisione.
Puoi esporci la tua tecnica di lavoro? Bruno Ramella: Non faccio mai tavole complete, ma un certo numero di matite, possono essere 5 come 40, poi le inchiostro prima tutte a pennarello e poi tutte a pennello… anzi, ormai da molti anni col Pentel Brush Pen. Anche facendo le matite è molto difficile che inizi e finisca una tavola, salto da una vignetta all’altra e cerco di non intestardirmi sulle cose che non mi vengono subito… a volte definisco moltissimo ed altre accenno, specialmente se il primo abbozzo funziona. In sostanza è una tecnica di lavoro fatta su misura!
Esiste un’altra testata bonelliana, per la quale non hai mai lavorato, e che ti piacerebbe tantissimo disegnare? In caso positivo, puoi dirci quale sarebbe e perché? Bruno Ramella: Posso dirne due del passato : Ken Parker e La Storia del West, per la grande stima che ho per Berardi e D’Antonio.
Il fumetto della SBE è sempre stato il tuo obiettivo oppure avresti preferito fare il cosiddetto fumetto d’autore come Pratt, Battaglia, Toppi, Manara? Bruno Ramella:Il mio obiettivo era fare fumetti in genere, ma non sono mai stato frustrato dal lavorare solo per Bonelli. Non che non ne veda i limiti, si agisce entro schemi ben precisi, ma sono le regole del gioco, o se vogliamo di questo tipo specifico di narrazione grafica. Se devo dare una risposta, non mi piace che il ruolo del disegnatore travalichi la storia che si sta raccontando, e questo nel fumetto bonelliano è basilare.
Quali sono i tuoi progetti immediati? Bruno Ramella:Facile: iniziare la seconda parte della storia di Tex che sto disegnando e, se possibile, andare un po’ più spedito…
Quali fumetti leggi attualmente? Bruno Ramella: Continuo a seguire i bonelliani ma apprezzo molto quelle che negli ultimi anni vengono chiamate graphic novel. Ovviamente il livello deve essere alto, in genere preferisco il fumetto francese e latino e non amo particolarmente quello americano, in particolare i supereroi. Con le dovute eccezioni, naturalmente.
Oltre ai fumetti, quale tipo di libri leggi? E quali sono le tue preferenze nel campo del cinema e della musica? Bruno Ramella: Sono un lettore molto forte, e vorrei farlo anche di più. Fino a qualche anno fa leggevo spesso un capitolo come intervallo dal lavoro, ora mi capita di aprire facebook, o le notizie, o pinterest. Leggo sempre la sera, argomenti diversi ma quasi sempre narrativa. Quanto al cinema, vado abitualmente al cineforum, non seguo molto il mainstream. In televisione, negli ultimi anni, soprattutto serie tv. Un tempo lavoravo con costante sottofondo musicale; avevo, ed ho tuttora, migliaia di audiocassette dei generi più svariati. Rock blues, soprattutto. Arrivo da un’altra epoca! Ma ad un certo punto ho smesso di ascoltare musica mentre lavoro, non so dire perché.
Bene, noi avremmo finito. C’è ancora qualcosa che vorresti dire? Qualcosa che non ti è stato chiesto e che avresti assolutamente voluto far sapere ai nostri lettori? Bruno Ramella: Solo che è in occasioni come queste che chi fa il mio lavoro si rende conto di quanto amore mettano i lettori dei più vari paesi del mondo nel seguire i propri fumetti preferiti. Questo fa tornare un po’ lettori anche noi addetti ai lavori, ed è un bene perché ci spinge ad andare oltre l’approccio tecnico a favore di quella che deve essere la prima motivazione nel raccontare storie a fumetti, ovvero la passione.
Caro Bruno, ti ringraziamo moltissimo per l’intervista che ci hai così gentilmente concesso. Bruno Ramella:Grazie a voi e saluti a tutti i lettori portoghesi!
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