NAS PEGADAS DO “MESTRE”: MÉDICO, CIENTISTA, VILÃO E ASSASSINO {1}

NAS PEGADAS DO “MESTRE”:
MÉDICO, CIENTISTA, VILÃO E ASSASSINO {1}

“A Tragédia do Shanghai Lady“

Por Zenaldo Nunes – Caruaru – Pernambuco – Brasil

Fevereiro de 2021

O MESTRE (Andrew Liddel): Nome original: Maestro – Criação: Mauro Boselli – Licenciador: Sergio Bonelli Editore.

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Em 1986 o roteirista Mauro Boselli assinou seu primeiro “western de Tex”, escrito a quatro mãos com o criador do nosso ranger, Gianluigi Bonelli {22 de Dezembro de 1908, Milão – 12 de Janeiro de 2001, Alexandria / 92 anos}. Foi “A Tragédia do Shangai Lady”; lançado no Brasil em 1987. Naquela ocasião, os Texianos conheceram um novo vilão, que planejava envenenar o reservatório de água de São Francisco: Andrew Liddel, chamado de “O Mestre” por seus grandes conhecimentos científicos. Personagem criado por Boselli (que, naquele seu primeiro trabalho texiano publicado, foi o autor do argumento; “a ideia de base da trama”, que depois foi transformada em roteiro por G. L. Bonelli), mais de dez anos depois o autor resolveu trazer de volta o patife e, nas duas vezes, confiando os desenhos ao grande Guglielmo Letteri {11 de Janeiro de 1926, Roma – 2 de Fevereiro de 2006, Roma / 80 anos}.

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1ª aparição: (TXI 309-310, Tex 215-217, TXO 5 – Boselli/G.L.Bonelli/Letteri).

TEX 215 – Com Água Até o Pescoço (Outubro de 1987 – Ed. Globo) – Publicada originalmente em Tex n° 309/1986 – Sergio Bonelli Editore.

Um misterioso veleiro encalha próximo a Sausalito, na baía de San Francisco. A bordo, ninguém, exceto a morte, invisível e misteriosa, que atinge a todos que chegam perto dele. Incapaz de resolver o mistério, o Chefe de Polícia, Tom Devlin, recorre a Tex e Carson, que logo ao chegarem à cidade, percebem que estão diante de um novo e poderoso inimigo que se auto-intitula O Mestre, e quer envenenar o reservatório de água de toda San Francisco.

Personagens: Tex, Kit Carson, Tom Devlin, O Mestre – Desenho de capa: Aurelio Galleppini, “Galep” – Argumento: Mauro Boselli – Roteiro: Giovanni Luigi Bonelli, “Gianluigi Bonelli” – Desenho: Guglielmo Letteri – Número de páginas: 116 – Formato: (13,5 cm x 17,5 cm) – Preto e branco / Lombada quadrada.

A TRAGÉDIA DO SHANGHAI LADY

– Iniciando “a saga”: A Tragédia do “Shanghai Lady” – p.102.
– Primeira morte por “envenenamento” (a bordo do “Shanghai Lady”) – p.105.
– Humor: Kit Carson recebe “um balde d’água” no rosto por um Chinês (fumando charuto em local proibido) – p.110.

TEX 216 – A Ameaça Invisível (Novembro de 1987 – Ed. Globo) – Publicada originalmente em Tex n° 310/1986 – Sergio Bonelli Editore.

Personagens: Tex, Kit Carson, O Mestre – Desenho de capa: Aurelio Galleppini, “Galep” – Argumento: Mauro Boselli – Roteiro: Giovanni Luigi Bonelli, “Gianluigi Bonelli” – Desenho: Guglielmo Letteri – Número de páginas: 116 – Formato: (13,5 cm x 17,5 cm) – Preto e branco / Lombada quadrada.

A AMEAÇA INVISÍVEL – O SURGIMENTO DE UM VILÃO

– Surge o Mestre (de costas) e quando é chamado de “Mestre” pela 1ª vez por seu súdito (Kalang) – p.11.
– Primeira morte por envenenamento (em terra) – p.20.
– 1ª mensagem escrita pelo “Mestre”- p.21.
– Citado a 2ª e 3ª mensagens escritas pelo “Mestre” (aviso de 4 mortes) – p.22.
– Citado a acromegalia; disfunções endócrinas (Dr. Legista) – p.27

O Gigantismo e Acromegalia são síndromes de excesso de secreção de GH (hormônio do crescimento) quase sempre decorrentes de adenoma hipofisário. Antes do fechamento das epífises, o resultado é o gigantismo. Mais tarde, o resultado é a acromegalia (do grego “akron” = extremidade, e “mega” = grande), que produz características faciais, contração dos tendões, hipertorfia da tireóide e outras. O diagnóstico é clínico, por meio de radiografias de crânio e mãos; medida das concentrações de GH; com a remoção ou destruição do adenoma.

– Pista de morte: 5 mortes por envenenamento (copos) – p.29.
– Primeira citação ao “Mestre”; chamando-o pelo seu nome, “Andrew” (cúmplice) – p.32.
– A doença é citada como “a maldição de Nantung” (Mestre Su-Ling) – p.49.
– Citado as ilhas da Malásia, como sendo “a origem” da maldição (Mestre Su-Ling) – p.50.

A Malásia tem 878 ilhas, daquelas inabitadas e acessíveis às solitárias e distantes. Pela costa oeste da península, pode-se conhecer a popular ilha de Langkawi, com praias tropicais e resorts de luxo; também a ilha de Penang, com arquitetura colonial e floresta primitiva. As Ilhas Perhentian, na costa leste, oferecendo uma atmosfera relaxante. Tudo isso a poucas horas de Kuala Lumpur. Apesar das ilhas da vizinha Tailândia serem mais famosas, as centenas de ilhas da Malásia são certamente tão bonitas quanto. 

DIÁRIO DE BORDO DO SHANGHAI LADY

– Diário de bordo do Capitão do Shanghai Lady; “Richard Davis”: 2 de Maio / Sepultado no mar a 4ª vítima em 2 dias, estando na metade do caminho entre o Havaí e a Costa da Califórnia (4 mortos) – p.54

O Estado do Havaí (Mokuʻāina o Hawaiʻi) é o mais novo dos 50 estados que compõem os Estados Unidos. Localizado ao norte do Oceano Pacífico, sua capital é Honolulu, na ilha de Oahu. Com uma área total de 16,637 km². A população é de cerca de quase 1.500 habitantes, e na maioria seguidores do cristianismo de rito católico. As línguas oficiais são o inglês e o havaiano. A moeda corrente é o dólar americano. Fonte: https://www.infoescola.com/

– Diário de bordo: 24 de Maio / mais 1 cadáver – p.55.
Nota: É citado que “o único passageiro” do Shanghai Lady era um certo Sr. Falkner (Andrew Liddel), sob falsa identidade}; mas havia seu empregado Malaio Kalang; o 2º passageiro. (a tripulação não é contada como passageiros) – p.55.

– Diário de bordo: 24 de Maio: “Andrew Liddel”, de Boston formado em Medicina e especializado em doenças tropicais – p.55.
– Diário de bordo: 25 de Maio / mais 1 cadáver – p.55.
– Diário de bordo: 27 de Maio / mais 1 cadáver em 26 de Maio – p.56.
– Diário de bordo: 27 de Maio / “possível morte” do Capitão Richard Davis – p.56.
– Mostrado o “Diploma de Medicina” de Andrew Liddel (Tom Devlin) – p.56.
– A 4ª mensagem escrita pelo “Mestre”- p.74.
– Pedido de resgate por mensagem escrita: Um milhão de dólares em ouro – p.75.
– Citado Andrew Liddel, formado em Medicina tropical (Tom Devlin) – p.76. {ver p.55}
Nota:
A medicina tropical é um campo da medicina que nasceu no fim do século XIX e descreve as doenças que ocorrem em regiões tropicais e são transmitidas por vetores intermediários, que são os insetos, os moluscos ou os vermes. O pai dessa ciência é o médico inglês Patrick Mason, que descreveu a importância dos vermes na filariose (elefantíase) e o papel do mosquito na transmissão da malária. Assim, países Europeus começaram a investigar a origem de tais doenças, inicialmente a malária, que impediam a colonização de regiões tropicais. Fonte: https://www.infoescola.com/

– Bacilos da doença, visualizados em microscópio (ampliação de 1 gota de água infectada recolhida do “Shanghai Lady”) – p.78.

– Os bacilos da doença desconhecida, são classificados como A Ameaça Invisível (título da edição nº 216) – p.78.
Nota: A “Cólera” é citada como debelada em Londres, pelo uso de filtros de areia que eliminam a maior parte das impurezas; tornando a água potável; purificada antes de entrar nos canos das residências – p.82.

Entre 1853 e 1864, a epidemia em Londres ceifou mais de 10.000 vidas e houve mais de 23.000 mortes em toda a Grã-Bretanha. Esta pandemia foi a que provocou mais mortes no século XIX. Em Londres, foi o pior surto na história da cidade, ceifando 14.137 vidas, mais do dobro do que o surto de 1832. Naquela época, Londres estava em pleno vapor – coração do vasto império da Rainha Vitória e portanto, um centro de comércio internacional. Sua população estava crescendo rapidamente; havendo aglomeração e miséria. Fonte: BBC NEWS/BRASIL (Julho/2020) – Desenhos: https://jornal.amormais.pt/

“Uma corte para o rei da cólera“, diz esta ilustração de 1852, que descreve uma cena típica de condições superlotadas e insalubres nas favelas de Londres. A cólera apareceu pela primeira vez na Grã-Bretanha em 1831, e surtos ocorreram regularmente em Londres em meados do século 19. Fonte: BBC NEWS/BRASIL (Julho / 2020).

TEX 217 – O Rancho dos Homens Perdidos (Dezembro de 1987 – Ed. Globo) – Publicada originalmente em Tex n° 311/1986 – Sergio Bonelli Editore.

Personagens: Tex, Kit Carson, Mestre – Desenho de capa: Aurelio Galleppini, “Galep” – Argumento: Mauro Boselli – Roteiro: Giovanni Luigi Bonelli, “Gianluigi Bonelli” – Desenho: Guglielmo Letteri – Número de páginas: 116 – Formato: (13,5 cm x 17,5 cm) – Preto e branco / Lombada quadrada.

NOS ESGOTOS DE SAN FRANCISCO

– Morre o assassino Malaio Kalang (baleado) – p.27.
– Morre assassinado o aliado Mestre Volker (punhal envenenado) – p.37.
– Surge a face do “Mestre” – p.69.
– “O Mestre” contamina-se com frascos quebrados (sua maleta) – p.74.
– Tentativa do “Mestre” de “injetar o antídoto” em seu corpo (fracassada) – p.75.
– Revelado sua face; contaminado com o vírus (o Mestre) – p.76.
– “O Mestre” bebe pequena parte do antídoto (retardando a ação do bacilo) – p.77.
– Injetado “antídoto” no “Mestre”; salvando-lhe a vida (hospital) – p.77.
– Destino do “Mestre”: Manicómio Judiciário de Atlanta (EUA) – p.77.
Nota: Nos Estados Unidos, o primeiro manicómio criminal foi implantado no ano de 1855. Fonte: https://www.reme.org.br/Home

– “O Mestre” é chamado de “Génio” (Tom Devlin) – p.78
– Trem de San Francisco ao Arizona (South Pacific) – p. 79.

A Southern Pacific Transportation Company, primeiramente Southern Pacific Railroad (1865-1885) e Southern Pacific Company (1885-1969). Foi uma ferrovia norte-americana com Sede em San Francisco, Califórnia e área de operação: Arizona, Califórnia, Louisiana, Nevada, Novo México, Oregon, Texas, Utah, Colorado, Arkansas, Oklahoma, Kansas, Missouri, Iowa e Illinois. Fonte: https://www.farwest.it/

O 1º ASSALTO A UM TREM EM MOVIMENTO NO VELHO OESTE

Nota: Na noite de 6 de Outubro de 1866, John Reno, Sim Reno e Frank Sparkes embarcaram em um trem que fazia a rota de Mississipi a Ohio, renderam um guarda e arrombaram um cofre contendo algo entre US$ 10.000 a US$ 16.000 dólares. Com o trem em movimento, empurraram um cofre maior para fora, onde o resto da quadrilha, conhecida como a gangue dos irmãos Reno, esperava. Não conseguiram abrir o segundo cofre e fugiram. Aconteceu próximo a Jackson County, Indiana, e era a primeira vez que se tinha notícia de um assalto a um trem em movimento. Até então, assaltos aconteciam com o trem parado em alguma estação ou em terminais de carga. Foram a primeira gangue de assaltantes de que se tem notícia, e logo o método tornou-se popular. Com o tempo, as linhas de trem passaram a se defender. Homens armados eram embarcados nos trens, assim como começaram a ser utilizados vagões carro-forte. Em função disso, no final dos anos 1800 o roubo a trem tornou-se uma tarefa muito difícil e perigosa. Os irmãos Reno foram capturados dois anos depois, em 1868, e, neste mesmo ano, foram enforcados por uma multidão que invadiu a cadeia onde estavam presos. A maior parte do dinheiro de seus roubos nunca foi recuperada. Fonte: https://nahistoriadehoje.wordpress.com/

1º PEDIDO DE RESGATE: US$ 1.000.000 (Um milhão de dólares em ouro) – Vírus – São Francisco.

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Relançamento da 1ª aparição do “Mestre” (TXI 309-310, Tex 215-217, TXO 5 – Boselli/G.L.Bonelli/Letteri).

1ª história – O Rancho dos Homens Perdidos (Março de 2003 – Ed. Mythos) – Publicada originalmente em Tex n° 309-311/1986 – Sergio Bonelli Editore.

Os cheyennes do chefe Faca Comprida se rebelam e atacam um rancho à beira do deserto. Para piorar, ainda raptam a filha do dono do rancho. Apenas Águia da Noite e Kit Carson podem apaziguar os índios e salvar a moça.

Personagens: Tex, Kit Carson, Cheyennes – Desenho de capa: Aurelio Galleppini, “Galep” – Arte: Claudio Villa – Argumento: Giovanni Luigi Bonelli – “Gianluigi Bonelli” – Número de páginas: 308 – Formato: (13,5 cm x 17,5 cm) – Preto e branco / Lombada quadrada.

SURGE “O MESTRE”

2ª história – A Tragédia do Shangai Lady (Março de 2003 – Ed. Mythos) – Publicada originalmente em Tex n° 309 – 311/1986 – Sergio Bonelli Editore.

Um misterioso veleiro encalha próximo a Sausalito, na baía de San Francisco. A bordo, ninguém, exceto a morte, invisível e misteriosa, que atinge a todos que chegam perto dele. Incapaz de resolver o mistério, o Chefe de Polícia, Tom Devlin, recorre a Tex e Carson, que logo ao chegarem à cidade, percebem que estão diante de um novo e poderoso inimigo que se auto-intitula O Mestre, e quer envenenar o reservatório de água de toda San Francisco.

Personagens: Tex, Kit Carson, Tom Devlin, O Mestre – Desenho de capa: Aurelio Galleppini, “Galep” – Arte: Guglielmo Letteri – Argumento: Mauro Boselli, Giovanni Luigi Bonelli – “Gianluigi Bonelli”.

ARCO HISTÓRICO DA 1ª APARIÇÃO DO “MESTRE”
(Relançamento – TEX EDIÇÃO DE OURO nº 5)

1º PEDIDO DE RESGATE: US$ 1.000.000 (Um milhão de dólares em ouro) – (ver Tex 215-217)


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Nota: “Arcos históricos” no Brasil: (1987, 1998, 2019 – Tex regular) e (2003, 2012 – Tex Edição de Ouro). Fontes: Tex Willer Blog {Portugal}, Texbr, Guia dos Quadrinhos {Brasil}, sites/páginas/web.

Nota final: Diante do “cenário atual” em que o mundo está passando (Pandemia do COVID-19); além de “estudar, ensinar e trabalhar com Ciência“; ousei fazer esta “busca investigativa” nos arcos históricos supracitados; diante das narrativas propostas de complô, traição, suborno, chantagem, ganância, politicagem, ódio, preconceito, racismo, escravidão, doença, morte, cura e sobrevivência. Vivendo estas aventuras; teremos os “registros históricos“, agregados com conhecimentos e curiosidades. Nestas “batalhas” realísticas, subjetivas, fictícias ou filosóficas: {bem X mal; herói X vilão; mocinho X bandido; vacina X vírus}; vos apresento “O Mestre“.

Foto: Zenaldo Nunes

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Para ler a segunda parte da matéria de Zenaldo Nunes dedicada ao Mestre intitulada “A Volta do Mestre“, clique AQUI!
Para ler a terceira parte da matéria de Zenaldo Nunes dedicada ao Mestre intitulada “A Sombra do Mestre“, clique AQUI!

Tex – Patagónia, na análise de Hugo Pinto

Por Hugo Pinto [*]

Tex – Patagónia, de Mauro Boselli e Pasquale Frisenda

Desde sempre que a série Tex me surpreendeu pelas suas características únicas. É que, se por um lado, Tex é o grande porta-estandarte da editora italiana Bonelli e um herói muito acarinhado pelos muitos fãs que tem em todo o mundo (e faço destaque ao próprio Clube Tex Português e ao fantástico blog que sustenta esse clube – Tex Willer Blog); por outro lado, é uma série que não chega a um verdadeiro público mainstream da banda desenhada. É extremamente bem sucedida mas, face a uma franja de mercado apenas. Nem toda a gente gosta… mas quem gosta, gosta muito! É fã acérrimo. Tex é, por isso, aquilo que costumamos apelidar de “série de culto”.
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Se me parece que, por vezes, Tex Willer é uma personagem demasiado unidimensional e, por esse motivo, bastante clássica nos valores e idiossincrasias que representa, a verdade é que isso também é facilmente justificável pela longa vida do personagem, a cavalgar planícies áridas desde 1948. E, em Patagónia, o fantástico trabalho do argumentista Mauro Boselli, traz-nos um Tex Willer que, mesmo preservando essa unidimensionalidade que referi acima, consegue, não obstante, pintar este Ranger do Texas com subtis pinceladas, que nos dão tonalidades mais cinzentas na postura da personagem. E isso é, sem dúvida, um dos muitos pontos a favor deste fantástico Patagónia.
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Em termos de história, esta é uma aventura única de Tex Willer e diferente daquilo que poderíamos estar à espera. Desta vez, Tex e o seu filho, Kit Willer, viajam dos Estados Unidos para as pampas argentinas, para servirem de intermediários entre o Governo argentino e as tribos indígenas locais. Tudo o que despoleta esta demanda é uma sequência de ataques mortíferos por parte dos índios e o consequente rapto de prisioneiros. À medida que a história se vai desenrolando, as reais razões desta missão dos Willer surgem dúbias. Por um lado, parece haver uma tentativa de negociação pacífica do Governo argentino – e esta, naturalmente, é a vontade de Tex – mas, por outro lado, uma facção do exército argentino parece querer resolver o assunto com o recurso à violência gratuita, manifestando vontade de dizimar as tribos de índios.
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Há uma vertente mais histórica nesta obra pois consegue transmitir-nos, com realismo, o genocídio das tribos de índios na Patagónia, levado a cabo pelo exército argentino, e como só através de muita determinação, espírito de sacrifício e incríveis perdas humanas, estas tribos de índios conseguiram ter uma palavra a dizer na história da Argentina. Tex Willer aparece aqui como um intermediário, um pêndulo de bom-senso e diplomacia que procura, de forma disciplinada, reunir consensos e cedências de parte a parte.
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Obviamente, um cowboy vindo do faroeste não é inicialmente bem-vindo. Nem junto dos oficiais argentinos – com exeção de Ricardo Mendonza, antigo companheiro de Tex e responsável pela sua chamada à Argentina – nem junto dos índios que olham de soslaio para o protagonista, por ter a pele branca. Eventualmente, Willer terá que conquistar a sua admiração através de alguns eventos, muito bem imaginados pelo argumentista Boselli.
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Uma coisa é certa: embora seja uma obra com bastantes momentos de ação, esta é uma história que demora bastante tempo a arrancar. As primeiras 40 páginas servem mais para que Boselli nos apresente a história, o tema, a demanda, os interesses em conflito. E isto não é necessariamente mau. É adulto. Leva-se a sério. Possivelmente, um jovem leitor ficará algo entediado com o ritmo lento da primeira parte da obra. No entanto, um adulto que procure uma história com cabeça, tronco e membros, apreciará a forma cuidada e rigorosa com que a narrativa está construída.
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Mais do que uma história de cowboys, esta é uma história de guerra. Entre soldados do regime argentino e os índios da Patagónia. E mesmo estando embebida de alguma moral relativamente ao erro de se ser preconceituoso, no que concerne a raças e culturas, também não é uma história demasiado moralista. Tenta ser até, bastante factual, na forma como narra os eventos. Se essa moral existe, é nos feitos e postura de Tex Willer, pelo seu exemplo de justiça, que a mesma é passada. Muito adulto, uma vez mais.
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Apreciável também é a tal dimensão menos unidimensional de Tex e das personagens que o rodeiam. Gostei particularmente de como Ricardo Mendonza e Solano conseguem ter várias camadas entre o bem e o mal. Entre o certo e o errado.
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Mas, se a história é bem documentada, original pelo cenário onde acontece, e com personagens interessantes, a arte ilustrativa de Pasquale Frisenda é uma autêntica obra de arte. Uma maravilha para os olhos ao saber utilizar, com tanta mestria, o preto e branco, para nos dar um mundo verdadeiramente bem executado, para onde somos convidados a entrar. A minúcia dos pormenores que Frisenda deposita nos seus desenhos é incrível e merece ser observada com um olhar igualmente minucioso. Assim, não raras vezes, dei por mim a perder largos momentos em muitas vinhetas incríveis e majestosas no tratamento gráfico.
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A caracterização das personagens é excelente, com uma boa panóplia de emoções, que o autor utiliza sabiamente para dotar as personagens de sentimentos verossímeis. Mas é na caracterização dos ambientes, sejam eles paisagens distantes, olhares sobre os grandiosos acampamentos índios, cenas de desenfreado combate ou de cavalos em impetuosas cavalgadas, que mais fiquei surpreendido e apaixonado pela sua arte. De facto, a maneira como Frisenda capta o momento é magnífica e tem algo de poético, até. E isso não é comum em banda desenhada. O seu traço fino, elegante e muito seguro de si mesmo, representa a qualidade gráfica que uma série de culto como Tex merece. A meu ver, era difícil fazer um melhor trabalho no cômputo da arte ilustrativa.
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Se há uma coisa que não gostei tanto, e que diz respeito à história, é o final algo abrupto da mesma. Chega a ser frustrante se tivermos em conta que a história demora tantas páginas a desenvolver – e isso é bom, pois permite explorar as personagens e preparar o leitor para a grande missão de Tex – mas depois, no final, resolve a história em duas páginas, de forma demasiado seca. Não sei se isso aconteceu por causa de alguma pressão da editora sobre os autores, que tivesse que ver com deadlines, mas é uma pena, pois é um final demasiado brusco. Não é um mau final, note-se. Mas é um final mal explorado. Um livro destes merecia um final mais épico e bem conseguido.
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Quanto à edição da Polvo, mesmo admitindo que considero que esta obra de qualidade superior merecia uma capa dura, tenho que reconhecer que é uma edição com muita qualidade por parte da editora portuguesa. O papel é muito bom, a capa, com generosas bandanas, é muito bonita, e o trabalho gráfico também apresenta uma elegância muito apreciável. A introdução da obra por José Carlos Francisco também acrescenta informação pertinente à obra.
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Em conclusão, é fácil perceber porque é que Patagónia é uma das obras mais aclamadas de Tex Willer. As ilustrações de Frisenda são verdadeiramente magníficas e dignas de serem analisadas ao detalhe, enquanto que a história, que nos é oferecida por Boselli, é muito bem encetada, sabendo munir a obra de uma boa trama, que se desenvolve num cenário diferente daquilo a que estamos mais habituados a ver nas histórias do famoso cowboy. Pela parte que me toca, não tenho dúvidas que, se não for mesmo a melhor, é uma das melhores obras de Tex e um ótimo portal para mergulhar nas aventuras desde famosíssimo herói. Imprescindível.
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NOTA FINAL (1/10)
9.2

Ficha técnica
Tex – Patagónia
Autores: Mauro Boselli e Pasquale Frisenda
Editora: Polvo
Páginas: 228, a preto e branco
Encadernação: Capa mole
Lançamento: Maio de 2015 (2ª Edição: Maio de 2018)
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[*] (Texto publicado originalmente no blogue “Vinhetas 2020“, em 17 de Fevereiro de 2021)

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As críticas do Marinho: “Sulla cattiva strada” (Tex italianos 719 e 720)

Tex #720 – Sulla cattiva strada

Por Mário João Marques

Sulla cattiva strada

Argumento de Pasquale Ruju, desenhos de Alfonso Font e capas de Claudio Villa.

História publicada em Itália nos nº 719 (“Scontro finale“) e 720 (“Sulla cattiva strada“), de Setembro e Outubro de 2020.

Goldfield, Arizona, uma cidade calma e próspera que se desenvolveu devido às minas que a rodeiam. Tex e Carson chegam à cidade na pista de Larry Granger, um bandido procurado pelas autoridades, mas quando vêem Scott Granger acreditam estar defronte do fora da lei. Adoptados pelos antigos donos do maior posto comercial da cidade, Larry e Scott são, na realidade, irmãos e gémeos, mas muito diferentes. Larry tem um passado rico em rixas e pequenos furtos, acabando por abandonar o lar ainda adolescente e tornar-se num verdadeiro fora da lei, que vive de roubos e assaltos e que não hesita em abater todos aqueles que tentam opor-se-lhe. Em poucas palavras, um ladrão e um assassino. Pelo contrário, Scott nunca foi violento e é hoje um cidadão respeitado, casado e pai de uma criança. Permaneceu sempre ao lado dos pais, até deles herdar o posto comercial onde todos afluem. Em suma, um cidadão exemplar. Acossado pela perseguição movida pelos dois rangers, Larry regressa à cidade para literalmente “tomar o lugar” do irmão.

Podíamos identificar Scott e Larry como uma espécie de Abel e Caim, tal como em certa altura se alude na história, mas o relacionamento entre os irmãos Granger no argumento de Pasquale Ruju, surge-nos diferente daquele que nos foi narrado pelo drama bíblico, o primeiro assassinato entre homens, e que ocorreu devido aos ciúmes que Caim tinha por Abel, pelo facto de Deus ter reconhecido um presente que lhe foi oferecido pelo irmão e não ter dado muito valor ao seu. Pelo contrário, Larry sempre encontrou nos progenitores compreensão para as suas atitudes rebeldes e violentas, talvez porque, dessa forma, eventualmente conseguiriam atenuar a índole dramática do filho. Além disso, e tanto como as cenas iniciais nos permitem concluir, o relacionamento entre os dois irmãos não era de rivalidade nem alimentado pelo ciúme, sendo até possível identificar Scott como um aliado de Larry, mesmo que momentâneo e forçado pelas contingências, quando este opta pela fuga do lar. Ou seja, a acção de Larry não é movida por alguma animosidade pelo irmão, mas sim pelo seu próprio carácter complexo e problemático, que o vai transformar num perfeito bastardo sem coração, que não hesita em apontar a arma na direcção da sua família, como o futuro virá demonstrar, e disposto a tudo para salvar-se, característica que o leitor até testemunha logo numa das cenas iniciais, quando abandona o seu bando nas mãos de Tex e Carson, sabendo ser muito difícil enfrentar e derrotar os rangers.

Chegado à cidade, Larry assume-se como uma espécie de Proteus, a célebre personagem presente no imaginário do leitor como o homem dos múltiplos disfarces, contudo, sem necessitar de alguma máscara para assumir outra identidade, tal é a sua semelhança com o irmão Scott. Com este efeito surpresa dissipado, é no confronto, ou se quisermos, no contraste entre os dois gémeos, idênticos fisicamente, mas muito diferentes no carácter, que a trama de Ruju se vai sustentar, conseguindo o autor gerir, de forma hábil, a gestão de expectativas do leitor, ao que não é alheia a introdução da personagem de Montoya, um sádico que nutre um enorme prazer no sofrimento das suas vítimas e de cujo bando Larry tinha feito parte. Acompanhado por um par de cães ferozes, a recordar Lizard de Os sete assassinos, Montoya é mais uma daquelas personagens violentas, marcadas e atormentadas que Ruju tanto gosta de apresentar e desenvolver, o que contribui para adensar e apimentar uma trama que parecia delimitar-se às ruas Goldfield e às astucias e artimanhas de Larry.

No desenho desta aventura encontramos o veterano espanhol Alfonso Font, de novo com um trabalho de grande qualidade, apesar dos anos que, naturalmente, passam por todos. No entanto, Font parece insistir em fintar o destino, porque trabalha com um ritmo que muitos bem mais novos gostariam de atingir, e sempre com um nível acima da média. Podemos estar em presença de um traço talvez mais sintético, mas estilo, técnica, enquadramentos, expressividade das personagens e um perfeito domínio dos contrastes, tudo contribui para um trabalho globalmente homogéneo. Destaque para a cena da perseguição inicial de Tex e Carson, com a poeira das cavalgadas, o disparo das armas, o movimento de cavalos e cavaleiros, tudo roça a antologia. E onde outros desenhadores utilizam o pontilhado para conferir dinamismo e dimensão, Font opta por traços que, reunidos em conjunto, acabam por transmitir a mesma sensação ao leitor. O seu Tex, graficamente menos canónico que outros, é acima de tudo um herói perfeitamente reconhecível, presente no imaginário do leitor pelo seu olhar rasgado, os seus traços nervosos e bem definidos, ao lado de personagens representadas por Font de modo vincado e expressivo, perfeitamente capazes de emergirem ao longo de toda a aventura.

De elaboração clássica, esta é uma aventura escorreita e bem calibrada, onde o papel de Tex e Carson está manifestamente bem doseado e administrado e onde todos os actores sabem bem qual o papel a desempenhar na economia da narrativa. Uma daquelas aventuras que vem cimentar as características de Ruju na série: onde Boselli é épico, Ruju opta pela simplicidade do previsível, o que não é de somenos.

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Exclusivo Mundial: Os SEIS esboços necessários para realizar a capa de Tex Willer n° 25 e ainda o lápis, a tinta da china e as cores originais de Maurizio Dotti

Mauro Boselli exibe exemplares de Tex Willer #25 – Resa dei conti al White Horse

Por vezes, para chegar à realização de uma capa, neste caso de Tex Willer (a série dedicada ao jovem Tex e que traz as aventuras de Tex quando ele ainda era um fora-da-lei!), o capista tem de recorrer a diversos esboços até chegar à ilustração pretendida e que se tornará a capa definitiva.

Tal aconteceu uma vez mais com a edição número 25 de Tex Willer, cuja capa, como todas até ao presente, é da autoria de Maurizio Dotti, com a particularidade de Dotti ter feito seis esboços diferentes até dar-se por satisfeito, como poderemos ver de seguida, com a particularidade do esboço eleito ter sido precisamente o primeiro, já que vamos dar conhecimento aos nossos leitores, num rigoroso exclusivo mundial, de todos os seis esboços realizados por Maurizio Dotti, assim como da arte a lápis, da arte a tinta da china e da capa original pintada igualmente por Maurizio Dotti devido à gentileza do próprio Dotti que até hoje não tinha ainda divulgado estas fantásticas artes de sua autoria para a edição nº 25 de Tex Willer:

Primeiro esboço, o eleito, para a capa de Tex Willer #25, da autoria de Maurizio Dotti

Segundo esboço para a capa de Tex Willer #25, da autoria de Maurizio Dotti

Terceiro esboço para a capa de Tex Willer #25, da autoria de Maurizio Dotti

Quarto esboço para a capa de Tex Willer #25, da autoria de Maurizio Dotti

Quinto esboço para a capa de Tex Willer #25, da autoria de Maurizio Dotti

Sexto esboço para a capa de Tex Willer #25, da autoria de Maurizio Dotti

Arte a lápis para a capa de Tex Willer #25, da autoria de Maurizio Dotti

Arte final a tinta da china da capa de Tex Willer #25, da autoria de Maurizio Dotti

Ilustração para a capa de Tex Willer #25, com as cores originais de Maurizio Dotti

Capa de Tex Willer #25 – Resa dei conti al White Horse

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As Leituras do Pedro: Almanaque Tex #52

As Leituras do Pedro*

Almanaque Tex #52
>Colheita sangrenta
Jacopo Rauch (argumento)
Alessandro Poli (desenho)
>Corrida pela vida
Giorgio Giusfredi (argumento)
Alfonso Font (desenho)
Histórias originalmente publicadas em Tex Magazine #5 (Itália, 2019)
Mythos Editora
Brasil, Fevereiro de 2020
135 x 180 mm, 110 p., pb, capa mole
R$ 13,90 / 4,00 €

Curtas

Se não nascida, pelo menos tornada popular em longos folhetins que se estendiam por semanas ou meses nos jornais, a banda desenhada, com o advento das revistas, ganhou relatos mais curtos. Hoje, encontramo-la por toda a parte naquelas duas dimensões – e noutras… – mas a verdade é que há universos em que à partida não contamos com relatos curtos – e como é relativo este adjectivo…

É o caso daquele em que se movimenta o ranger Tex Willer mas, também nele, não há regra sem excepção e este é um exemplo.

[Se ao longo dos muitos anos que Tex já conta, pontualmente surgiram aventuras mais curtas, em abono da verdade, na última década assistimos ao reforço desta realidade e a Color Tex (Tex Edição Colorida no Brasil) é mostruário disso, com as suas edições com quatro histórias de uma trintena de páginas cada.]

Disse acima que o adjectivo ‘curto’ era enganoso, e esta edição prova-o. Colheita sangrenta, que a abre, conta 78 pranchas, volume considerável em muitos outros panoramas editoriais, mas não quando falamos de Tex, cujas aventuras geralmente ultrapassa(va)m, no mínimo, a centena de pranchas, podendo aproximar-se mesmo do meio milhar.

Dessa história, realce para dois momentos fulcrais: o sacrifício humano logo nas primeiras páginas – pelo inusitado da situação em Tex e pelo método utilizado – e, depois, mais à frente, a perseguição num campo de milho – apropriação coerente de uma cena utilizada recorrentemente em diversos registos narrativos pela potencial que a vegetação alta e cerrada proporciona em termos de jogo do gato e do rato. Fora isso, esta pode ser encarada como uma aventura tradicional do ranger, a solo, embora com uma surpresa – previsível… – quase no final, que confirma uma regra cavalheiresca que Tex não transgride…

Quanto a Corrida pela vida, provoca uma dupla estranheza: pela sua curta (cá está, outra vez) dimensão – 32 páginas – e, principalmente, pela ausência do protagonista esperado, substituído aqui por Gros Jean e Dawn.

Confesso que não me ocorre – falta minha ou memória fraca? – nenhuma outra história d(o universo d)e Tex em que ele não esteja presente, com excepção de Maria Pilar, que até tem edição da Polvo, mas a verdade é que a dupla (canadiana…) escolhida faz todo o sentido, num relato que se desenrola integralmente na neve, durante numa corrida de trenós, em que os interesses e os fins, parecem justificar alguns meios.

Num caso e noutro, com a ajuda do traço mais duro e agreste de Poli e Font, os desvios à ‘normalidade’ texiana são sensíveis, mas sem serem abusivos, e permitem abordagens diferentes.

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro

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