Vídeo: Tex, 50 Anos de Publicação Ininterrupta no Brasil com Paulo Guanaes, João Marin, Ricardo Elesbão e Leonardo Fraga

Tex comemora neste mês de Fevereiro  50 anos de publicação ininterrupta no Brasil no formato de revista e 70 anos desde a primeira história publicada. Apesar de várias mudanças e dificuldades no mercado de banda desenhada, o Ranger segue sendo publicado (actualmente pela Mythos Editora) e seguido por uma legião de fãs, inclusive de Portugal, até porque Tex também começou a ser distribuído neste país europeu à beira mar plantado, precisamente em 1971.

Nesta ocasião especial Leonardo Fraga e Ricardo Elesbão, Gestores e Editores da Confraria Bonelli, entrevistaram dois dos mais ilustres sócios do Clube Tex Portugal: Paulo Guanaes, tradutor do Tex mensal desde 1971 e João Batista Marin, um dos principais coleccionadores brasileiros de Tex e que tem a sua colecção incluída no Rank Brasil, como sendo detentor do título de maior colecção de itens do personagem Tex.

Uma conversa muito agradável e muito enriquecedora, que se prolongou por quase 3 horas, onde se ficou a conhecer  Causos e Histórias de meio século de publicação ininterrupta do Ranger no Brasil e que podem ser vistos no vídeo que apresentamos de seguida:

Do esboço inicial à capa final de Tex Willer #28, passando pelos esboços alternativos, tinta da china e cores originais de Maurizio Dotti

Mauro Boselli exibe exemplares de Tex Willer #28 – Texas Rangers

No passado dia 18 de Fevereiro a Sergio Bonelli Editore publicou a edição número 28 de Tex Willer (a série dedicada ao jovem Tex e que traz as aventuras de Tex quando ele ainda era um fora-da-lei!), intitulada “Texas Rangers” que contém a quinta e última parte da saga de John Coffin, história escrita por Mauro Boselli e desenhada por Bruno Brindisi!

A capa deste vigésimo oitavo número, tal como as vinte e sete anteriores e as que se seguirão nesta  colecção, é da autoria do conceituado desenhador Maurizio Dotti, capa essa que divulgamos hoje aqui no blogue do Tex acompanhada do esboço inicial, assim como de um segundo esboço alternativo, assim como da arte a lápis, da arte finalizada a tinta da china e da capa original pintada igualmente por Maurizio Dotti, devido à gentil cortesia do próprio Dotti:

Primeiro esboço para a capa de Tex Willer #28, da autoria de Maurizio Dotti

Segundo esboço, o eleito, para a capa de Tex Willer #28, da autoria de Maurizio Dotti

Arte a lápis para a capa de Tex Willer #28, da autoria de Maurizio Dotti

Arte final a tinta da china da capa de Tex Willer #28, da autoria de Maurizio Dotti

Ilustração para a capa de Tex Willer #28, com as cores originais de Maurizio Dotti

Capa de Tex Willer #28 – Texas Rangers

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Vídeo: Tex em San Francisco com… o Capitão “Barba Negra” Drake, na arte de Stefano Andreucci

Stefano Andreucci, que podemos já informar será o capista da revista nº 14 do Clube Tex Portugal, a publicar em Junho, está a desenhar uma história, de 220 páginas, de Tex para a série principal do Ranger, uma empreitada que demorará cerca de 2 anos a concluir mas pode-se desde já informar que será (mais) uma história icónica, escrita por Mauro Boselli, que trará o regresso do Capitão Barba Negra, mas para já e antes de falar do capitão Drake com maior profundidade, vamos dar a conhecer um magnífico vídeo, de 45 segundos, onde com uma bela melodia de fundo, o Stefano Andreucci nos mostra uma esplendorosa prancha, ainda a lápis, acabada de desenhar:

Mas falemos agora das anteriores aparições do capitão “Barba Negra” Drake (representado de seguida na fabulosa arte de Stefano Andreucci) e do porquê de ser uma das personagens mais carismáticas na longa saga de Tex…

Capitão “Barba Negra” Drake na arte de Stefano Andreucci

De Ulisses a Jim Hawkins, de Sinbad ao capitão Nemo, de Ahab a Corto Maltese, os mais grandiosos protagonistas de histórias de Aventuras tiveram que enfrentar, mais cedo ou mais tarde, uma viagem nas imensas extensões Oceânicas, com tudo que isso envolve: tempestades, abordagens, naufrágios, batalhas navais, caça à baleia… Tex não podia ser a excepção.

A ocasião ofereceu-lhe o Capitão “Barba Negra” Drake, que rapta Kit Willer e o aprisiona num velho veleiro (o “Black Shark”), pensando em abandoná-lo num atol do Pacífico. Homem do mar de carácter duro, contrabandista habituado a bater-se e a desembainhar o punhal sem pensar duas vezes, Barba Negra tudo somado, é um simpático pirata, provido de um seu código de honra. Por isso, em seguida, passará a fazer parte dos aliados de Águia da Noite.

QUEM É O CAPITÃO BARBA NEGRA

Capitão Barba Negra - HachetteTex abandona frequentemente terra firme, para zarpar, a bordo de veleiros, botes, pirogas e baleeiras em direcção a metas exóticas e remotas.
E é precisamente no coração do Oceano Pacífico que o Ranger se aventura para encontrar o seu filho Kit, embarcado (à força) como marinheiro no barco de um simpático patife: Capitão Barba Negra!

“Onde está o meu filho?”, pergunta Tex com olhar fogoso, agarrando pelos colarinhos o aterrorizado Diamond Jim. O homem, que tem vários locais de tráfico de São Francisco, mandou raptar Kit Willer para vingar o próprio irmão, vítima de Águia da Noite há alguns anos atrás. Mas depressa arrepende-se. De facto, rapidamente, com um lampejo de horror nos olhos, revela que Pequeno Falcão foi apanhado e embarcado pelos homens do “Black Shark”, o barco de um certo Capitão Drake, dito Barba Negra.

Capitão Barba-NegraEssa pessoa recebeu uma pilha de dólares e a ordem de desembarcar o prisioneiro no meio do Pacífico, num atol esquecido por Deus, durante a sua viagem para as Ilhas Salomão.
Para ir no encalço do “Black Shark”, que já tinha levantado âncora, Tex contrata, por sua vez, um capitão de longo curso, Billy Bart, velho rival de Barba Negra, convencendo-o a desdobrar as velas do seu três-mastros. Bart descreve Drake com estas palavras: “É um maldito filho de um cão, mas a seu modo é um homem de palavra!”

Capitão-Barba-NegraHomem duro, contrabandista habituado a bater-se e a desembainhar o punhal nas tabernas de portos de meio mundo, tem porém o seu código de honra. “Eu me comprometi em desembarcar-te o mais longe possível de “Frisco”, num lugar do qual tu tenhas escassas possibilidades de voltar.”, diz Barba Negra a Kit Willer, durante a navegação, “E que eu seja enforcado se não farei isso, embora eu te ache simpático. Eu mantenho sempre a minha palavra”. Pequeno Falcão refuta: “O que, neste caso, seguramente lhe vai custar a pele”. “Conversa!”, replica o Lobo do Mar. “Tu não tens a mínima ideia de quem seja o velho Drake!”. E Kit, de imediato: “E você não suspeita nem de longe quem seja o meu pai. Fará tudo para descobrir onde eu fui parar; se não conseguir não descansará enquanto não puser as mãos em todos os responsáveis pelo meu desaparecimento!”.
No final, travado por Tex, que o perseguiu por meio Pacífico, Barba Negra perde o “Blak Shark” mas salva a fatídica pele.

Capitão Barba Negra e TexQuando, anos depois, o Ranger e o capitão se revêem, este último está há algum tempo enclausurado entre os muros de Alcatraz, e ainda chora pela sorte do seu barco, que foi fazer companhia aos peixes no fundo do Oceano. “Um fim justo para uma banheira que só servia para contrabando e assaltos”, comenta Águia da Noite.

Capitão Barba Negra e o AlbatrozHabituado aos horizontes do mar aberto, Drake sofre como uma raposa na armadilha agora que é forçado a viver fechado numa penitenciária. Porém há um trunfo para jogar: sabe onde está escondido Tom Devlin, o chefe da polícia de São Francisco, acabado de ser vítima de uma conspiração efectuada por alguns dos seus próprios colegas. Drake pede a Tex a promessa de tirá-lo da prisão em troca da sua ajuda. Willer e Carson, por isso, fazem evadir Barba Negra de Alcatraz, e Drake, de novo livre revela que o Capitão Devlin está aprisionado na estiva de um navio chamado “Albatroz” que ruma para Vancover.

Capitão Barba Negra e Tom DevlinÁguia da Noite compreende ter agora de precisar do barbudo pirata e lhe assegura que convencerá Devlin a perdoar-lhe o resto da pena, se colaborar com a Lei. Os dois homens entreolham-se e compreendem em poucos instantes que precisam um do outro. Barba Negra ajuda Tex por conveniência. Mas fá-lo.

É ele mesmo a admirar-se, quando, no final, se encontra a jantar no restaurante com o policial que contribuiu para libertar.: “Pelo ventre de um tubarão, essa é boa! Um penduricalho de forca como eu sentado ao lado do chefe da polícia!”. Quase para salvar a face ou para não se desdizer a si mesmo, Drake não renuncia a apontar o dedo contra o ranger: “A nossa conta permanece em aberto, Willer! Um dia poderás me encontrar no teu caminho novamente!” E Tex: “Não te aconselho! Eu poderia arrancar essa barba e fazer uma vassoura com ela”. Mas, pouco depois, o encontro termina com um brinde: “À volta do Capitão Devlin e à regeneração de um velho pecador!”.

Vídeos: Entrevistas com Michele Rubini, Fabio Civitelli, Alessandro Piccinelli, Stefano Andreucci, Nicola Genzianella, Aldo Di Gennaro, Pasquale Del Vecchio, Stefano Biglia, Mario Rossi (Marò), Pasquale Ruju e Gianfranco Manfredi

Hoje no Tex Willer Blog damos a conhecer algumas vídeo-entrevistas realizadas (em italiano) muito recentemente com alguns dos principais desenhadores do staff oficial de Tex (Michele Rubini, Fabio Civitelli, Alessandro Piccinelli, Stefano Andreucci, Nicola Genzianella, Aldo Di Gennaro, Pasquale Del Vecchio, Stefano Biglia e Mario Rossi -Marò) e com prestigiados escritores do Ranger (Pasquale Ruju e Gianfranco Manfredi), entrevistas muito interessante da rubrica “3 Chiacchiere con…” com cerca de 60 minutos,  conduzidas pelo youtuber Manuel para o canal nerd 8 – BIT e que recomendamos a todos os fãs de Tex que compreendam o belo idioma italiano:

As Leituras do Pedro – Ken Parker #8: Hombres, Bestias y Héroes/ Butch, el implacable

As Leituras do Pedro*

Ken Parker #8: Hombres, Bestias y Héroes/ Butch, el implacable
Giancarlo Berardi (argumento)
Ivo Milazzo e Bruno Marrafa (desenho)
ECC Comics
Espanha, Março de 2018
140 x 210 mm, 200 p., pb, capa fina com badanas
ISBN: 978-84-17354-28-2
9,90 €

Títulos…

Em cada análise que faço aqui no blogue, por baixo do título da obra existe um (sub-)título com o qual pretendo resumir, apresentar o livro e/ou despertar a curiosidade de quem lê, mas sempre sem desvendar demasiado.

Desta vez, neste (rápido) regresso a Ken Parker, não consegui decidir que (sub-)título utilizar: Fim de ciclo? Curiosidade? Mestria narrativa? Ficam breves análises segundo as linhas orientadoras de cada um, já a seguir…

Fim de ciclo

Este volume duplo – da colecção Ken Parker que a ECC Comics está a lançar mensalmente em Espanha – abre com Hombres, Bestias y Héroes que marca o final do ciclo que Berardi dedicou à adolescente Pat O’Shane. Foi uma fase de transição, relativamente longa, por vezes com um excesso de rábulas burlescas, que fundamentalmente serviu de rito de passagem da adolescência para uma idade (pré-)adulta da jovem que Ken acompanhou e protegeu, da melhor forma que pôde, embora fosse visível a forma como se sentia desconfortável, preso e manietado na sua ânsia de liberdade.

Este conto final – que é também um retrato realista – por isso duro – de algumas realidades do velho Oeste, destaca-se pela forma púdica como é narrada a aproximação progressiva entre Pat e Nathan que permite a libertação emocional de Ken.

Curiosidade

Outro aspecto a destacar neste conto – embora por demais conhecido – é a curiosidade de nas suas páginas iniciais, na cena em que Ken Parker, num saloon, tenta encontrar homens que o acompanhem na condução do rebanho de Pat O’Shane, ter como cicerones os próprios Berardi e Milazzo, em divertidos exercícios de auto-depreciação. Ao mesmo tempo, entre os clientes vão-se reconhecendo Tex, Carson, Kit Willer e Jack Tigre, Larry Yuma, Red Dust, Cisco Kid e Pancho, Sargento Kirk, Lucky Luke ou Blueberry, numa bela homenagem e curioso reconhecimento do género e citação de alguns dos seus intervenientes de eleição, numa série que tanto se afastou do western tradicional em nome da sua humanização…

Mestria narrativa

Mas a principal razão para este texto – por isso este terceiro sub-título ficou para o fim – é o segundo relato que o livro contém – Butch, el implacable – no qual Giancarlo Berradi dá mostras de toda a sua mestria narrativa – num modelo (desculpem a rudeza do termo) que iria aplicar anos mais tarde igualmente em Julia.

Com o herói a entrar apenas por volta da página 30 (!), aproveita o largo intróito anterior para nos dar a conhecer Butch, um caçador de escalpes, bem como alguns passageiros de uma diligência. Fá-lo através da acção e dos diálogos, tentando que os juízos sobre cada um caibam apenas ao leitor mas, nessas curtas páginas, aborda emancipação feminina, racismo, preconceitos em relação aos índios, servindo tudo com um grau de violência- várias vezes visual – invulgar na época…

Se os caminhos da diligência referida, de Ken Parker e de Butch se vão cruzar, vítimas comuns de uma perseguição por índios, tenham cuidado com as ideias feitas (que vão formar antecipadamente) e esperem tudo deste relato menos um western clássico e estereotipado, porque Berardi – com evidente prazer – troca-nos as voltas de forma magistral, mostrando como quem vê caras não vê corações – desculpem a recurso fácil à sabedoria popular – e entre redenções e quedas, o ser humano é sempre capaz de nos (des)iludir.

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro

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