Imperdível: Live da Colligare com Pasquale Ruju com tradução simultânea em Português

Neste próximo sábado, dia 8 de Maio, às 21:07 horas de Portugal (17:07 do Brasil e 22:07 de Itália) o nosso conhecido escritor Pasquale Ruju fará uma Live no Instagram da @colligare_eu, com tradução simultânea em Português, pela nossa conhecida tradutora do Tex na Holanda, Fernanda Martins.

Além de grande apaixonada pelo TEX, Fernanda Trinta é uma das fundadoras da Colligare, uma empresa Holandesa que nasceu durante a pandemia, das paixões de grandes amigas por um turismo mais diferenciado e humano.

A Colligare trabalha somente com produtos personalizados e exclusivos, dentre eles, o planeamento de viagens com propósito para grupos pequenos, onde roteiros únicos são desenhados para cada pessoa, proporcionando vivências inesquecíveis de viagens para Portugal, Brasil e Itália. Gerar conexões entre os viajantes e o local, estimulando o respeito à cultura e às tradições e impactando positivamente a economia local, é o grande diferencial da empresa.

Pasquale Ruju além de ser actualmente um dos principais argumentistas das histórias de Tex, também é escritor de romances, já tendo publicado 4 livros, todos no género policial thriller.

Na live de sábado, Pasquale Ruju conversará com a Colligare sobre o seu trabalho como argumentista do Tex e como romancista, e dividirá também algumas curiosidades sobre a sua ilha natal, a Sardegna (Sardínia), local de inspiração do personagem principal de três dos seus romances, o fotógrafo Franco Zanna.

Entrevista Exclusiva: Giorgio Giusfredi, o Cozinheiro Escritor

Introdução e Tradução de Mário João Marques *
Revisão de José Carlos Francisco

No final de Janeiro de 2020 surgiam em Itália os primeiros casos de pessoas infectadas com coronavírus, dois turistas chineses. O governo italiano decretou, então, o estado de emergência e anunciou a suspensão dos voos de e para a China, como medida de precaução, numa altura em que a própria Organização Mundial de Saúde afirmava não haver razões para a tomada desta decisão, apesar de outros casos que já tinham sido confirmados em países como França, Alemanha, Finlândia e Reino Unido. De então para cá, o comércio fechou portas, tal como farmácias, supermercados e postos de combustível, linhas de produção e de abastecimento foram interrompidas, culminando no anúncio da quarentena em meados de Março. Apanhada no meio desta dramática situação, a Sergio Bonelli Editore (SBE) foi também forçada a fechar portas e os seus autores confinados a trabalhar em casa, longe do rebuliço e do habitat natural da fábrica dos sonhos italiana.

Durante este período, de modo a manter o contacto e estreitar relações com os seus leitores, a SBE foi divulgando vários vídeos com autores, “Em Casa com o Autor”, e Giorgio Giusfredi foi um dos eleitos. Apaixonado pela cozinha, pela escrita e pelos fumetti, Giusfredi é actualmente figura de proa na editora, onde foi subindo a pulso. Começou em Zagor, continuou em Dampyr (de cuja série é curador em partilha com Mauro Boselli), até chegar a Tex. Como o próprio refere, este período de confinamento representou muito esforço e metade do rendimento, por isso, o artigo que o autor tinha prometido escrever acabou por ficar adiado, apesar de continuar prometido, em função de outras prioridades editoriais. Mesmo assim, Giusfredi não deixou de acarinhar o Clube Tex Portugal e responder a um conjunto de questões que, de certa forma, pretende apresentar aos menos conhecedores um jovem autor que já deixou de ser promessa, para se tornar numa agradável certeza do fumetto italiano.

Giorgio Giusfredi

Começamos, então, com uma pequena apresentação: quem é Giorgio Giusfredi?
É um rapaz (se é que com 36 anos ainda posso definir-me como tal, mas espero que sim), que começou a trabalhar desde muito cedo na cozinha e que agora trabalha no mundo da banda desenhada lado a lado com os seus ídolos de infância e da adolescência.

Como e quando é que entraste na Sergio Bonelli Editore e qual foi o teu primeiro trabalho?
O meu primeiro trabalho foi um artigo para um número da colecção Almanacchi, dirigida por Graziano Frediani. Creio que foi um Almanacco del Giallo, publicado no final dos anos 2000, antes do falecimento do saudoso Sergio Bonelli. Foi o próprio Graziano que me trouxe à editora, apresentando-me a todos os colaboradores, entre os quais, Maurizio Colombo, Moreno Burattini e Mauro Boselli

O que significou para ti a estreia em Zagor?
Antes de eu ter começado a lidar com quem estava nos bastidores de Tex, as minhas personagens preferidas eram Zagor e Dampyr. Quando conheci Moreno, o curador de Zagor, propus-lhe um argumento francamente horrível e muito extenso. Cordialmente, ele fez-me ver que se tratava de um projecto falhado e convenceu-me a colocar as minhas ideias em poucas linhas, para que pudesse ver se eram boas. Ele apreciou todas e disse-me para escolher uma e, a partir dali,escrever um guião. Acabei por escolher uma que tinha personagens de Mauro Boselli e então Moreno disse-me que eu devia optar por outra ou então teria de convencer Boselli a escrever o meu guião. Moreno disse-me ainda que não tinha tempo para ensinar-me a escrever. Nessa altura, entrou em cena Maurizio Colombo, que escolheu uma ideia (mesmo que depois ficasse praticamente apenas o meu título) e deixou-me escrever o guião com ele, para me ensinar como fazer. Foi um trabalho longo, mas ele assim o fez e ensinou-me muito. E representa para mim o primeiro trabalho como autor profissional de banda desenhada. Para mais, desenhado pelo criador gráfico de Zagor, Mestre Gallieno Ferri!

Depois de Zagor veio Dampyr. Uma mudança radical. Porquê?
Como disse, para além de Tex e Zagor também era e sou fã de Dampyr. Quando Mauro viu o meu trabalho em Zagor com as suas personagens, disse-me: “não penso sequer desenvolver um guião baseado num dos teus argumentos, mas, por acaso, tens alguma ideia para Dampyr? Entreguei-lhe dois argumentos, que lhe agradaram.E desenvolvi-os ambos. Dito desta forma parece fácil, mas a verdade é que, quer com Colombo, quer com Boselli, tudo levou muito tempo e foram feitas muitas alterações. Ainda hoje eu continuo a aprender com os meus mestres. Mas a minha aplicação talvez tenha levado Mauro a pensar que eu poderia ser-lhe útil na redacção. Foi um golpe de sorte para a minha ambição de argumentista. Se bem que editor e argumentista sejam duas tarefas diferentes, trabalhar ao lado do Bos ajuda-me a crescer mais rapidamente, muito mais depressa mesmo como escritor.

Como ocorreu a tua passagem para a equipa de Tex?
Com Mauro, trabalho quer nas histórias de Dampyr, série onde desde há uns meses tenho o privilégio de figurar como curador ao seu lado, quer também em Tex, que conheço muito bem e de quem sou apaixonado. As histórias que escrevi saíram quase todas de forma sucessiva, mas algumas tiveram uma longa gestação, durante a qual eu fui amadurecendo o desejo de escrever para a personagem porta-estandarte da SBE.

O que significa para ti escrever histórias para uma lenda do fumetto como é Tex?
É um sonho tornado realidade. Um desafio contínuo. Um esforço agradável. É algo muito importante na minha vida. Conheci Tex e lia-o mesmo antes de andar na escola, atraído pelas capas western. Graças às minhas duas avós que me criaram a pão e western, com os velhos filmes que eram transmitidos na programação da tarde, tal como ver uma capa de Tex nas bancas era um verdadeiro choque. Há um tempo atrás, revi uma das minhas professoras da escola primária que me disse que no 5º ano eu estava constantemente a falar de Tex, juntamente com história, geografia e até matemática.

Quantas histórias de Tex estás a escrever actualmente? Podes contar-nos algo sobre as mesmas ou alguma particularidade?
Estou a escrever duas histórias. Uma longa e uma mais curta. Esta última será para um dos álbuns cartonados a cores que a editora tem vindo a publicar desde há uns anos e será desenhada por Alfonso Font, um dos grandes autores mundiais da banda desenhada. Estou muito orgulhoso em poder trabalhar com ele em Tex. E as pranchas já realizadas são verdadeiramente belas.

Que autores serviram de inspiração?
Ao lado de Gianluigi Bonelli, o autor mais influente é sem qualquer dúvida Mauro Boselli. Com Mauro eu cresci como leitor, tanto que às vezes ele pergunta-me: “como é que tu sabes isso?”. E eu respondo-lhe: “aprendi com uma das tuas histórias”. Depois, também Sergio Bonelli e Claudio Nizzi. Acho que se alguém pretende escrever Tex deve absolutamente ler e aprender, tal como com uma canção, as histórias de Bonelli, Nolitta, Boselli e Nizzi. Mas também as de Pasquale Ruju, que já é, sem dúvida, um dos grandes nomes do nosso amado Ranger.

Em 2018 saiu para as bancas a nova série Tex Willer. Como tem sido a aceitação, sobretudo entre os leitores mais conservadores e antigos?
Um sucesso incrível. Aliás é Tex! Certamente mais jovem, um fora-da-lei destemido e um pouco mais vulnerável, mas é sempre Tex. Mas não devo ser eu a dizê-lo, uma vez que sou um dos colaboradores, mas o nível das histórias é altíssimo.

Vais continuar a escrever para Tex ou trata-se apenas de um breve período da tua carreira, como aconteceu com Zagor e Dampyr?
Além das duas histórias de Tex, estou também a escrever três histórias para Dampyr e irei escrever muitas mais, sem dúvida. Também para Zagor começarei em breve a escrever o argumento de mais uma daquelas ideias que entreguei há doze anos atrás ao Moreno.

Para finalizar, falemos um pouco da situação actual de pandemia em Itália e no mundo inteiro. Como fazes o teu trabalho em confinamento?
Com o triplo do esforço e metade do rendimento. Eu habito em Lucca e Mauro em Milão. Muitos e muitos telefonemas, um sem número de emails, muitas informações chegam-me por via digital, outras pelo correio.

De que forma esta situação anómala influenciou a actividade da Editora e em particular de Tex?
Além da cadeia de trabalho que, como já sublinhei, é muito fatigante, pouco mais alterou. Todas as publicações saíram nas datas previstas e eu estou bastante orgulhoso daquilo que ainda está para ser publicado. Tudo histórias emocionantes e convincentes, vocês vão ver!

* Entrevista publicado originalmente na Revista nº 12 do Clube Tex Portugal, de Junho de 2020.

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Dos fantásticos (e inusitados) esboços iniciais às páginas impressas, passando pelas artes originais de Bruno Brindisi em Tex Willer

Bruno Brindisi

Na edição italiana número 24 de Tex Willer, lançada em Outubro de 2020 com o título “I razziatori del Nueces“, uma longa aventura escrita por Mauro Boselli e desenhada por Bruno Brindisi, que se estendeu até Fevereiro de 2021 já que durou cinco números, tivemos oportunidade de ver Tex Willer como nunca antes foi visto, já que Bruno Brindisi retratou a  maior alegria da família Willer: o nascimento do futuro Ranger, onde vemos os pais de Tex, Ken Willer e Mae Willer, com o pequeno rebento ao colo da mãe logo após o seu nascimento, mas hoje vamos abordar os incríveis e verdadeiramente inusitados primeiros esboços das primeiras páginas da história desenhada por Bruno Brindisi, mostrando também os esboços finais de cada uma das páginas assim como a página já arte-finalizada e até a página impressa para se poder mostrar como procede a criação de cada página de Tex Willer realizada por Brindisi nesta história onde durante uma pausa na sua vida errante, o jovem Tex Willer relembra o passado recente, quando, da noite para o dia, ele teve de abandonar o rancho paterno no Vale de Nueces e a sua vida mudou para sempre…
Pessoas amadas caem ao seu redor, mas o jovem pioneiro não pára para chorar. Com lágrimas nos olhos, não se atinge o alvo … e cada bala que sai dos seus Colts é chamada de vingança!

Destaque-se que as páginas originais de Bruno Brindisi medem 33×48 cm, enquanto os peculiares esboços são realizados numa única folha (frente e verso com tinta-da-china, lápis e lápis de cor azul)  com 29,5×42 cm.

Página número 1 de Tex Willer #24

Esboço inicial de Bruno Brindisi da página número 1 de Tex Willer #24

Página original (nº 1) realizada por Bruno Brindisi para Tex Willer #24

Página número 1 de Tex Willer #24 impressa na revista

Página número 2 de Tex Willer #24

Esboço inicial de Bruno Brindisi da página número 2 de Tex Willer #24

Página original (nº 2) realizada por Bruno Brindisi para Tex Willer #24

A página número 2 impressa na revista e a página original realizada por Bruno Brindisi

Página número 3 de Tex Willer #24

Esboço inicial de Bruno Brindisi da página número 3 de Tex Willer #24

Página original (nº 3) realizada por Bruno Brindisi para Tex Willer #24

Página original número 3 e esboço inicial de Bruno Brindisi da mesma página de Tex Willer #24

Página número 6 de Tex Willer #24

Esboço inicial de Bruno Brindisi da página número 6 de Tex Willer #24

Esboço final de Bruno Brindisi da página número 6 de Tex Willer #24

Página original (nº 6) realizada por Bruno Brindisi para Tex Willer #24

A página número 6 impressa na revista e a página original realizada por Bruno Brindisi

Página número 11 de Tex Willer #24

Esboço inicial de Bruno Brindisi da página número 11 de Tex Willer #24

Esboço final de Bruno Brindisi da página número 11 de Tex Willer #24

Página original (nº 11) realizada por Bruno Brindisi para Tex Willer #24

A página número 11 impressa na revista e a página original realizada por Bruno Brindisi

Página número 12 de Tex Willer #24

Esboço inicial de Bruno Brindisi da página número 12 de Tex Willer #24

Esboço final de Bruno Brindisi da página número 12 de Tex Willer #24

Página original (nº 12) realizada por Bruno Brindisi para Tex Willer #24

A página número 12 impressa na revista e a página original realizada por Bruno Brindisi

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Blueberry e Tex por Peter Nuyten

Por Afrânio Braga, criador do blogue Blueberry, Uma Lenda do Oeste: https://blueberrybr.blogspot.com

Blueberry e Tex por Peter Nuyten

Peter Nuyten

Peter Nuyten, ilustrador, banda desenhista e autor:

No início dos anos 80 do século passado, eu comecei como assistente administrativo na Philips. Após dois anos, comecei a estudar, à noite, na Academia de Arte Arnhem, então o HKA – Hogeschool voor de Kunsten Arnhem, hoje em dia Artez. Depois disso, iniciei independentemente como desenhador gráfico, mas logo eu mudei para a direcção de ilustrador, inicialmente para a área de publicidade, mas com o tempo passei a fazer cada vez mais ilustrações informativas e educacionais.

Na década seguinte, trabalhei por quase seis anos no Iris, um estúdio formador de desenhadores, em Nijmegen. Naqueles anos, diversos membros do estúdio também fizeram a revista de banda desenhada independente “Iris”, na qual também fiz alguns trabalhos junto com vários outros banda desenhistas holandeses que nesse meio-tempo são artistas holandeses conhecidos.

Em meados dos anos 90, eu tive a oportunidade de fazer interessantes contribuições ilustrativas para várias editoras educacionais de renome. Um pouco mais tarde, especializei-me cada vez mais em assuntos relacionados à história militar. Isso deveu-se, principalmente, ao facto de que quando eu era criança, tinha muito interesse em história. Uma das minhas mais importantes ambições de infância era tornar-se um arqueólogo.

Em 1995, produzi a minha maior atribuição de ilustração histórica. Estas eram ilustrações informativas para o livro “Tipi’s, Totems and Tomahawks” de Theo Vijgen; um livro sobre a história dos nativos da América do Norte. Este livro foi indicado pelo júri infantil holandês e recebeu o prémio Zilveren Griffel e eu recebi uma menção especial pelos meus esforços e abordagem. O livro recebeu uma grande quantidade de publicidade. Eu fui abordado por uma editora sueca que me procurou para publicar o livro em grande formato e a cores em países escandinavos. Muito desastrosamente, a editora holandesa, na época, acabou não sendo incentivadora em tudo, o que eu ainda acho incompreensível.

Em 1998, a Amsterdam University Press lançou algo pretensioso: o colorido “Historical Tableau” editado pelo renomado Dutch Frits Oostrom. Van Oostrom é professor universitário em Utrecht; ele é especializado em literatura holandesa da Idade Média. Em 1995, ele foi outorgado com o Prémio Spinoza pelo seu trabalho científico. O seu livro “Maerlants wereld” recebeu o prémio de literatura AKO em 1996. Portanto, foi uma honra eu ter sido convidado por ele para contribuir com este livro.

O livro trata da história do póster escolar histórico holandês e intentava ser um novo trampolim e defesa para uma reintrodução do póster escolar de outrora, mas com um toque moderno. Autores e ilustradores renomados foram reunidos, tanto quanto possível, como equipas de duas pessoas e foram convidados a contribuir para o livro. Na solicitação de Adriaan van Dis, um renomado autor holandês de romances, para trabalhar com ele a fim de entregar um projecto para esse livro, eu fiz uma ilustração colorida para o seu texto sobre escravidão. Infelizmente, a intenção de van Oostrom de dar nova vida ao póster escolar por meio deste livro não se materializou posteriormente.

De qualquer modo, comissionado pelo então Museu do Exército em Delft, eu tenho sido capaz de trabalhar com o coração e a alma, desde 2005, na série de pósteres escolares da história militar, os quais foram apresentados às escolas e ao público com grande sucesso. Infelizmente, o museu decidiu cancelar o bem sucedido projecto, após diversos anos, devido a medidas económicas austeras do governo. Eu também trabalhei para várias editoras educacionais em séries educacionais temáticas históricas tais como “The Indigo” e “Brandaan”, ensinando métodos que são continuamente populares nos Países Baixos.

De 1999 ao início de 2008, eu trabalhei no Studio Jan Kruis van Libelle, aonde trabalhei na história de banda desenhada Libelle popular “Jan, Jans em de kinderen” no princípio apenas com o director Daan Jippes e em seguida, por 18 anos, com o velho aluno Gerben Valkema. Daan Jippes é um artista holandês mundialmente famoso, mais conhecido por suas actividades nos Estados Unidos da América por sua longa duração na Disney e Warner Brothers. Hoje, ele está aposentado e, no que diz respeito às ilustrações da Disney, só faz alguns trabalhos para uma editora escandinava. O objectivo do Libelle era dar à história aos quadradinhos um novo visual total. A partir da metade do álbum 26, a história feita pelo estúdio é do ponto de vista gráfica e estilística, mas também em termos de improviso uma rigorosa adaptação da história de banda desenhada original, em parte para poder garantir um moderno visual, todavia também por razões práticas; a história tinha que ser fácil de editar para comercialização, etc. Mais tarde, outros artistas ingressaram e saíram.

Em 2007, o estúdio fechou devido a drásticas interrupções. De 2008 a 2013, trabalhei, sob contrato, em “Jan, Jans e as crianças”, mas de casa; actualmente, eu não faço mais nada para essa história de banda desenhada. Hoje, a série de BD ainda é desenhada por bastantes holandeses e alguns artistas do Comicup Espanha; todos eles desenham conforme o traço criado por nós em 1999. 

Actualmente, ainda produzo ilustrações para Bíblias infantis, livros infantis e tenho feito também alguns trabalhos de ilustração para a revista histórica “Quest history”. Entrementes, duas Bíblias infantis coloridas são traduzidas e licenciadas em russo.

Peter Nuyten e a sua neta num momento de boa disposição

Desde 2009, trabalho nas minhas próprias histórias de banda desenhada, as trilogias “Auguria” e “Apache Junction”. Ambos os títulos estão, correntemente, sendo lançados na Alemanha, Áustria e Suíça (Splitter Verlag), Bélgica e França, em língua francesa, (BD Must), Espanha e cinco países da América Latina incluindo México e Argentina (Ponent Mon), além do mais, em holandês, lançados pela editora Arboris. Não obstante o facto de que eles são trilogias fechadas, eles oferecem mais do que o suficiente para uma emocionante sequência, embora estejam estacionados, pois eu necessito de prazo para a minha adaptação do empolgante romance pós-apocalíptico “Metro 2033”.

“Metro 2033” (“Метро 2033” em russo) é um romance de ficção pós-apocalíptico, do autor russo Dmitry Glukhovsky, mais vendido em 2002, que toma lugar no metropolitano de Moscovo, onde os últimos sobreviventes estão escondidos após um holocausto nuclear global. O romance era seguido por duas sequências, “Metro 2034” e “Metro 2035”, gerando a franquia de mídia Metro. A edição em inglês do livro foi publicada em 2010 e igualmente um link com a adaptação para o videojogo. A editora alemã Splitter Verlag comprou os direitos autorais e perguntou-me se eu poderia estar interessado em fazer uma adaptação em forma de história de banda desenhada. O terceiro volume será publicado agora em Maio e o quarto volume no fim deste ano. A intenção é que a história aos quadradrinhos esteja disponível em outras línguas assim como o romance original; no momento, somente em alemão e em holandês.

Em 2022, um “Metro 2033” será lançado mundialmente como um filme de acção ao vivo. Inicialmente, a MGM pretendia pegar toda a produção, mas Glukhovsky estava completamente insatisfeito com a adaptação que, nessas circunstâncias, exigia muitas discussões por mais de 6 anos. Glukhovsky então cancelou o projecto e foi em busca de um novo produtor e empresa; agora, o filme está a ser produzido pelos estúdios de filmes de TNT-Premier, TV-3 e Central Partnership.

Uma prancha de “Metro 2033” nº 3 “Augen der Finsternis”
(“Eyes of Darkness”, “Olhos da Escuridão”).

Blueberry e Tex Willer

Jean Giraud é um dos meus grandes exemplos. Giovanni Luigi Bonelli estava, mas já não está no meu âmbito de grandes exemplos no que diz respeito ao seu Tex Willer, talvez também porque não correspondeu à minha visão pessoal do western; apesar do facto de que Tex Willer está a provar ser muito popular e, além disso, vários artistas tornaram-no mais realista. Em minha opinião, os álbuns de “Blueberry” a partir de “O Cavalo de Ferro” e “Chihuahua Pearl” e o ciclo de “Nariz Partido” até ao de “A Última Cartada” são aqueles que eu gosto mais; os desenhos são sublimes e igualmente os roteiros. Tudo o que veio depois é inferior, embora eu goste dos álbuns de François Corteggiani, Colin Wilson e Michel Blanc-Dumont.

Fonte: © 2021 Peter Nuyten

A série “Blueberry” foi criada por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud
Blueberry © Jean-Michel Charlier / Jean Giraud – Dargaud Éditeur

A personagem Tex foi criada por Giovanni Luigi Bonelli e realizada graficamente por Aurelio Galleppini
Tex © Sergio Bonelli Editore

“Blueberry, o irmão francês de Tex.” – Sergio Bonelli, editor e argumentista

Agradecimentos a Peter Nuyten pelo desenho de Blueberry e Tex, lendas do Oeste, para o blogue.
Afrânio Braga

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