NOVE páginas internas de “TEX: MAIS QUE UM HERÓI”, livro dedicado a Tex com selo d’A Seita e lançamento em Outubro

“TEX: MAIS QUE UM HERÓI“ com lançamento marcado para este mês de Outubro, da autoria de Mário João Marques (que levou mais de uma década a escrevê-lo) e publicado pela editora A Seita é o primeiro livro temático, publicado em Portugal, dedicado a Tex. Trata-se de uma extensa obra sobre o mítico ranger eterno que desvenda mais de sete décadas de autores, ilustradores, sagas e segredos desta carismática personagem dos fumetti italianos.

TEX: MAIS QUE UM HERÓI

Antes de ter conquistado a fama que o tornou célebre, apreciado por uns, odiado e temido por outros, Tex caraterizava-se sobretudo por condensar em si o caráter vulcânico, explosivo e irreverente de Gianluigi Bonelli, mas para conhecer toda a trajetória e história de Tex nestes quase 74 anos de vida, há que degustar, pausadamente e prazerosamente, esta requintada obra elaborada e analisada pelo Mário Marques de forma documental, crítica e fundamentalmente informativa.

Ricamente ilustrada e recheada de anotações bibliográficas, esta é a história definitiva de Tex, mais do que uma personagem de Banda Desenhada, como afirma o escritor da obra, o Mário Marques, um dos maiores conhecedores e especialistas mundiais desta personagem icónica dos fumetti, a banda desenhada italiana nascida no pós-guerra e como facilmente também se intuí ao vislumbrar algumas das páginas interiores que hoje damos a conhecer numa antestreia exclusiva.

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A obra, a preto e branco, cujo formato é idêntico aos volumes de Tex publicados anteriormente pela editora A Seita (207 x 286 mm), mas com cerca de 500 páginas conterá 9 capítulos: O Mito, O Herói, Os Atores, A Evolução, As Capas, Os Ambientes, A História, Os Autores e O Modelo.

As Leituras do Pedro: J. Kendall – As aventuras de uma criminóloga #153

As Leituras do Pedro*

J. Kendall #153 – Aventuras de uma criminóloga
Inclui Julia #196 e #197 (Itália, 2015)

Myhtos Editora
Brasil, Julho/Agosto de 2021
135 x 180 mm, 256 p., pb, capa mole, bimestral
R$ 25,90

A casa da Múmia
Giancarlo Berardi
e Lorenzo Calza (argumento)

Claudio Piccoli (desenho)

A Soberba
Giancarlo Berardi
e Maurizio Mantero (argumento)

Luigi Copello (desenho)

Grandes mudanças… inconsequentes

Demasiada proximidade de uma personagem de ficção – no caso de banda desenhada – tem um risco: perdermos (alguma) noção da realidade e deixarmos que ela, de alguma forma, entre na nossa vida e se torne quase parte da nossa família. Risco que se revela acrescido, quando começamos a fantasiar (com) situações da vida delas E que a nossa, de leitores empedernidos, já nos ensinou serem irrealizáveis.

Esta introdução, vem a propósito de A Soberba, a primeira viagem de Júlia Kendall a Génova, em Itália, para finalmente passar alguns dias de férias com Ettore, o seu actual namorado, para assim – de certo modo, também – avaliar da viabilidade da sua relação que, como sabemos nós, os tais ‘leitores empedernidos’ das investigações da criminóloga de Garden City, até agora existiu principalmente à distância, através do Skype.

Obviamente – já o intuíamos… – a visita turística e sentimental acaba por se transformar – de forma um pouco forçada…? – em mais um caso em que o investigador italiano e Júlia trocam informações e investigam juntos, enquanto o (projectado) aprofundamento da relação passa para segundo plano.

Nada que (nos) espante na verdade, se olharmos para trás retrospectivamente e lembrarmos o que já aconteceu com Alan Webb ou Tim O’Leary – ou nem sequer aconteceu (ainda?) com Leo Baxter, uma relação até agora sempre no plano platónico da amizade – ou se recordarmos como há alguns anos a Sergio Bonelli Editire travou uma outra iniciativa  de Berardi que prometia grande impacto e mudanças profundas: uma gravidez de Júlia.

Neste momento – agora para mim, há pouco mais de um ano no Brasil, em 2015 em Itália, aquando da publicação original deste relato… – não duvidamos, com certeza, que esta é uma relação a prazo e que, ultrapassado este devaneio – tão humano, por isso Julia continua a cativar-nos – tudo voltará ao normal.

Porque, não podemos, esquecer que os heróis de papel – como afinal Julia também é – são-no enquanto mantêm determinadas características a que os leitores se habituaram – e afeiçoaram. No caso de Júlia, é impossível que deixe a sua vida solitária, com as aulas na universidade, a visita ao lar da avó, os regressos pontuais de Norma ou a colaboração nas investigações conduzidas pela polícia de Garden City, pois uma gravidez, uma efectiva relação a dois ou outra mudança substancial nessas rotinas iriam alterar a substância daquilo que Julia é – e o que representa para (nós,) os seus ‘leitores empedernidos’: uma criminóloga sensível e humana que, mais do que uma justa penalização, procura entrar na mente dos criminosos para compreender o que os levou aquele ponto de ruptura.

[Movido pela proximidade ‘tóxica’ quase esquecia de referir A casa da Múmia, a narrativa (bem mais conseguida) que abre esta edição, um mergulho interessante e desafiador na literatura e na mente dos escritores, aqui de alguma forma representados por um pouco mediático Bertrand Hayes, que salta para a ribalta quando uma derrocada repentina revela um cadáver mumificado nas paredes do edifício em que habita.]

* Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro 

(capa disponibilizada pela Mythos Editora; pranchas disponibilizadas pela Sergio Bonelli Editore; clicar nas imagens para as aproveitar em toda a sua extensão)

A capa (e muito mais) de “TEX: MAIS QUE UM HERÓI”, livro (com cerca de 500 páginas) temático dedicado a Tex, da autoria de Mário Marques e com selo de ‘A Seita’

* “TEX: MAIS QUE UM HERÓI“, é o primeiro livro temático, publicado em Portugal, dedicado à mítica personagem Tex Willer, nascida em Setembro de 1948 pela mente brilhante de Gian Luigi Bonelli e pela pena mágica de Aurelio Galleppini.

* A mais extensa obra jamais publicada sobre o ranger eterno desvenda mais de sete décadas de autores, ilustradores, sagas e segredos desta personagem.
Ricamente ilustrada e recheada de anotações bibliográficas, esta é a história definitiva de Tex, mais do que uma personagem de BD.
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* Tex Willer cavalga a vastidão do Velho Oeste desde 1948. Com uma personalidade multifacetada que se presta a diversos níveis de leitura, Tex tornou-se num verdadeiro ícone da cultura italiana, muito por força do seu carisma de herói positivo. O seu sentido inato de justiça leva-o a enfrentar poderes instituídos e gente corrupta, e ao mesmo tempo a ultrapassar a nossa realidade e a confrontar outros poderes, menos racionais ou mais fantásticos. As suas aventuras recolheram uma herança narrativa única, e, ainda hoje, ele é o elo que continua a unir diversas gerações de leitores ao longo de décadas.

O lançamento de “TEX: MAIS QUE UM HERÓI“, um livro com a chancela d’A Seita, com cerca de 500 páginas, escrito por Mário João Marques, que levou mais de dez anos a escrever esta completíssima obra, está para muito breve, mais precisamente para o próximo mês de Outubro.

Tex: Mais que um Herói – Capa de João Marin (a partir de um desenho de Laura Zuccheri)

A obra cujo formato é idêntico aos volumes de Tex publicados anteriormente pela editora A Seita (207 x 286 mm) terá um prefácio de José Carlos Francisco e uma edição gráfica de João Marin e conterá 9 capítulos escritos pelo Mário Marques: O Mito, O Herói, Os Atores, A Evolução, As Capas, Os Ambientes, A História, Os Autores e O Modelo.

O livro a preto e branco, está recheado de centenas de ilustrações, várias delas totalmente inéditas oriundas da coleção pessoal do autor Mário Marques, vinhetas e fotografias e tem a devida autorização da Sergio Bonelli Editore.

O autor Mário Marques com a autora do Tex na capa, Laura Zuccheri

A paginação, tal como capa de “TEX: MAIS QUE UM HERÓI” é da autoria de João Marin (a partir de um desenho de Laura Zuccheri, com a devida autorização da SBE) e a contracapa é da responsabilidade de Stefano Biglia (desenho exclusivo gentilmente cedido pelo autor com a devida autorização da SBE). A revisão da obra é de José Hartvig de Freitas e de José Carlos Francisco.

Tex: Mais que um Herói – Contracapa de Stefano Biglia (desenho exclusivo gentilmente cedido pelo autor)

“TEX: MAIS QUE UM HERÓI” insere-se numa vasta lista (8 obras + 1 projecto para um renovado percurso pela história da Nona Arte em Portugal) de títulos da editora A Seita que candidatou-se ao programa Garantir Cultura, criado no ano passado para compensar as dificuldades criadas pelas medidas ligadas ao Covid, e para ajudar as empresas mais afetadas na área da cultura. A editora tem vindo a desenvolver uma série de projetos, como a edição de oito livros, 4 DE BD e outros 4 SOBRE BD, mas também projetos ligados à divulgação e à internacionalização de autores portugueses. Chamaram ao seu projeto (coordenado por José Hartvig de Freitas, no montante de mais de 80 mil euros, financiado em cerca de 60% do investimento total pelo programa Garantir Cultura) muito simplesmente “Garantir BD”, já que apoia diretamente autores e muitos mais profissionais da área em Portugal.

Tex: Mais que um Herói – Sumário

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Onze anos após a sua partida, a recordação e a saudade deixada por Sergio Bonelli

Por José Carlos Francisco

Faz hoje precisamente onze anos que Sergio Bonelli deixava-nos. Falar de Sergio Bonelli é lembrar de uma pessoa especial a qual tive o grande prazer, mas sobretudo o grande privilégio, de conhecer pessoalmente. O dia 26 de Setembro de 2011 é uma data que faz reemergir na memória tantas recordações ligadas a esse dia triste, marcado pelo falecimento de Sergio Bonelli.

15 de Setembro de 2002, dia inesquecível em que conheci pessoalmente Sergio Bonelli

Um ser humano extremamente inteligente, educado, companheiro e acima de tudo, uma pessoa sempre preocupada com os outros, como várias vezes o provou comigo mesmo, escrevendo-me ou telefonando-me (ou até mesmo convidando-me a viajar até à sua bela Itália) “apenas” para conversarmos sobre as nossas amadas personagens de papel, mas também para saber se estava tudo bem comigo e com a minha família.

Um escritor e um editor que amava o que fazia e que tinha prazer em comparecer aos eventos relacionados com a banda desenhada para falar da editora e das suas personagens e onde passava para todos a importância da leitura quadrinhística. Sergio Bonelli era um ser iluminado que seguramente deixou saudades a todos que o cercavam e sempre será lembrado pelo ser humano que era e pelas suas obras.

José Carlos Francisco e Sergio Bonelli, Milão 2002

Do seu acervo, posso falar com certeza, que são histórias incríveis que nos fazem viajar pelos lugares que ele tão bem descreve, sobretudo as contadas em Mister No. Ele tinha uma maneira diferente, única mesmo, de contar histórias com muita criatividade, cheias de magia e diversão, de mostrar o mundo, de expressar os seus sentimentos.

Pessoalmente recordo com eterna saudade aquele longínquo domingo, dia 15 de Setembro de 2002, em que na companhia do editor Dorival Vitor Lopes e do tradutor Júlio Schneider, no hotel Berna em Milão fui apresentado a Sergio Bonelli e logo aí nasceu uma empatia difícil de explicar por palavras. Foi um momento inolvidável em que o tempo passou muito depressa (pois tantos foram os motivos de conversa, muitas as curiosidades a saber por mim) e que ficou registado para todo o sempre na minha memória, estar ali frente a frente com o grande editor italiano fazendo perguntas e ele dispondo-se a responder de forma muito simpática e prolongada, perguntas relacionadas com a sua história de argumentista e editor, com a razão de ser da sua editora, ou até com pormenores que poderiam ser insignificantes para muitos, mas que muito me honraram.

Davide Bonelli, José Carlos Francisco, Dorival Vitor Lopes, Sergio Bonelli e Júlio Schneider na Sergio Bonelli Editore em-Setembro de 2002

O primeiro autógrafo de Sergio Bonelli ao seu amigo português

E ele próprio fazendo-me perguntas… falando das edições Bonelli na Itália, no Brasil e em Portugal, dos seus roteiros, dos seus colaboradores na editora, onde se incluíam principalmente os argumentistas e os desenhadores, da obra de seu pai, enfim foi um domingo de sonho já que a conversa prosseguiu num épico jantar e em que após o mesmo fomos passear a pé pelas ruas do centro de Milão, num passeio nocturno muito agradável no qual Sergio Bonelli revelou inclusive a história daquela parte da cidade, onde estão concentradas as principais lojas e escritórios de moda. Conhecemos as ruas Sant’Andrea, Spiga, Borgospesso e Monte Napoleone que formam o Quadrilátero de Ouro, onde estão localizadas as mais famosas e caras lojas de griffes italianas, como Armani, Valentino, Versace, Fiorucci e outras.

Sergio Bonelli e José Carlos Francisco, Milão 2006

Sergio Bonelli, José Carlos Francisco e Dorival Vitor Lopes jantando em Milão, 2006

José Carlos Francisco e Sergio Bonelli num passeio nocturno por Milão, 2009

À mesa com Sergio Bonelli, Milão 2009

Sergio Bonelli e José Carlos Francisco, em Rapallo, 2009

Fabio Civitelli, José Carlos Francisco e Sergio Bonelli na Cartoomics de Milão, 2010

Aquela viagem de sonho era mais que um sonho, era real e, ainda por cima, eu estava a viver um momento ímpar e exclusivo: ter o mítico Sergio Bonelli como guia num passeio nocturno em Milão. E mal sabia eu que o melhor ainda estava por vir! É que no dia seguinte aquando da visita à editora, após Sergio Bonelli saber que sendo eu português, tinha toda a colecção brasileira de Tex, ofereceu-me integralmente uma colecção italiana do Ranger prometendo inclusive que a partir desse dia eu receberia tudo do Tex que fosse publicado, promessa essa que foi sempre cumprida nos anos que se seguiram, tal como foi crescendo a nossa amizade, uma amizade tão magnificente entre dois homens de gerações e origens diferentes, unidos pela mesma devoção a coisas simples e sem mácula como podem ser, afinal, os quadradinhos e os heróis que os povoam.

José Carlos Francisco e a homenagem póstuma a Sergio Bonelli – 2017

Sergio Bonelli nunca será esquecido e as suas histórias de banda desenhada jamais deixarão de ser lidas… ele sempre estará presente em nossas vidas, quer sejamos crianças, adolescentes ou adultos. Sergio Bonelli teve o poder de escrever aventuras que nos envolvem da primeira até a última página, tornando-se um autor único e imortal, uma verdadeira LENDA, como se pode comprovar no vídeo abaixo onde os seus colegas e amigos da Sergio Bonelli Editore lhe dedicaram um vídeo-galeria que percorre sinteticamente as muitas emoções com as quais o mítico editor soube brindar os leitores durante a sua carreira.

Uma dedicatória especial de Sergio Bonelli para José Carlos Francisco

Um agradecimento especial de Sergio Bonelli

Uma particular colecção de cartas escritas por Sergio Bonelli para José Carlos Francisco

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)