Tex Willer e o Salão de Moura em destaque na LUSA – Agência de Notícias de Portugal, S.A.

BD: Salão de Moura revela pranchas inéditas de Tex Willer

Prancha de Corrado MastantuonoTrinta pranchas inéditas de 15 novos desenhadores de Tex Willer, o famoso «cowboy» das «histórias aos quadradinhos», vão poder ser apreciadas em estreia mundial no 16º Salão Internacional de Banda Desenhada – Moura BD, que começa sábado.

Até 3 de Junho, os «apaixonados» por BD vão poder apreciar os «traços» de vários autores consagrados e novos talentos da nona arte, através de oito exposições, três individuais e cinco colectivas, espalhadas pelo Convento do Castelo de Moura (Beja).

Entre as mostras colectivas, o destaque vai para uma das maiores exposições fora da Itália sobre Tex Willer, na qual vão ser «reveladas» 30 pranchas inéditas de 15 novos autores do «staff» que desenha o «cowboy europeu» para a editora italiana Sergio Bonelli (SBE).

A personagem de BD Tex Willer, um dos mais famosos «cowboys» dos «quadradinhos», foi criada em Itália, em 1948, pelos autores italianos de BD Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Gallepini.

Foi então que «nasceu» a saga de uma das personagens de «westerns» mais antigas da história dos «comics», actualmente publicada em vários países do mundo.

Além daquela estreia mundial, a colectiva dedicada a Tex Willer inclui também 24 pranchas de três histórias do «ranger» pelas mãos do consagrado desenhador italiano e colaborador da SBE Fabio Civitelli, um dos três autores homenageados no Moura BD deste ano.

«La banda dei tre» (Tex italiano 554) acabado de sair em Itália e, portanto, inédito em Portugal, «L´uomo venuto dal fiume» (Tex italiano 476) e «Il presagio» (Tex italiano 475) são as histórias de Civitelli em exposição.

Colecção José Carlos FranciscoA exposição vai revelar ainda o espólio de mais de dois mil objectos, entre revistas, posters, pranchas originais autografadas ou miniaturas em plástico, «religiosamente» coleccionados há mais de 20 anos pelo português José Carlos Francisco, um «caso raro de dedicação» a Tex Willer e o representante em Portugal da Mythos Editora, que publica as histórias do «águia da noite» no Brasil.

«Nas garras felinas do humor», uma retrospectiva sobre a figura do gato como interveniente na sátira social, política e desportiva, que inclui sete trabalhos inéditos de sete caricaturistas actuais, é outra das exposições colectivas do Moura BD deste ano, dedicado ao gato, um dos animais preferidos pelos autores de BD.

«Os gatos na BD – Panorâmica geral» e as mostras dos trabalhos seleccionados no 14º Concurso de Banda Desenhada e Cartoon e no 11º Concurso Escolar de Banda Desenhada, promovidos pelo Moura BD, são as restantes exposições colectivas.

Moura BD 2007Os desenhadores portugueses José Abrantes e Catherine Labey, os outros dois homenageados este ano pelo Moura BD, são os nomes «incontornáveis» da BD portuguesa dos últimos 30 anos que vão expor individualmente, além de Susana Monteiro, uma «jovem promessa» da BD nacional ligada ao Toupeira – Atelier de Banda Desenhada de Beja.

Entre os três autores de BD homenageados este ano pelo Moura BD, José Abrantes e Fabio Civitelli vão receber o troféu «Balanito de Honra» e Catherine Labey o «Balanito Especial».

No Moura BD deste ano vão ainda ser lançados o número sete dos Cadernos Moura BD, com trabalhos de José Abrantes, o estudo de Jorge Magalhães «O Western na BD Portuguesa» e o catálogo da exposição «Nas Garras da Sátira», comissariada por Osvaldo de Sousa.

A entrega, dia 02 de Junho, dos Diplomas Moura BD para premiar o que de melhor se editou, em 2006, no campo da nona arte, sessões de autógrafos e de cinema de animação, animações no Espaço Ludoteca para as escolas do Concelho e a Feira do Livro BD são outras das actividades previstas ao longo dos 15 dias do certame.

LusaCopyright: © 2007 LUSA – Agência de Notícias de Portugal, S.A.

Póster Tex Nuova Ristampa 48

Póster Tex Nuova Ristampa 48

Neste fantástico desenho de Claudio Villa, vemos Kit Carson petrificado devido ao brilho intenso que irradia através de um rubi mágico incrustado na lança sagrada do antigo povo vermelho, e Tex Willer que prestes a ser também hipnotizado, reage de forma fulminante disparando contra a lança, terminando desse modo o pesadelo porque ambos passavam nas quentes areias do deserto.

Desenho usado no Brasil como capa de Tex Edição Histórica #48 e inspirado na história, “L’enigma della lancia” de G. Letteri (Tex italiano #83).
(Para aproveitar a extensão completa do póster clique no mesmo)

Texto de José Carlos Francisco

Franco Devescovi: Em Tex, mas eternamente enamorado por Martin Mystère!

Franco DevescoviCaros amigos,
Continuando o elenco dos novos futuros ilustradores do nosso Tex, temos uma certa relutância em definir como “novo” um autor que já faz parte da história da banda desenhada italiana nos últimos quarenta anos.

Por um estranho acaso, na mais completa revista italiana não profissional que se ocupa da banda desenhada, Ink, o director editorial Paolo Telloli dedica-lhe uma longa e documentada entrevista que começa precisamente assim: “Presente na banda desenhada desde 1970, Franco Devescovi é um dos mais válidos desenhadores italianos. Procurado por diversas editoras italianas, passou por diversos géneros produzindo sempre pranchas de elevada qualidade. Depois de um parêntese de alguns anos dedicados à pintura retornou à banda desenhada e nestes últimos tempos está dedicando-se a Tex…”. Em suma, como agora viram, uma vez mais, para encontrar um ulterior “lápis” para juntar à já aguerrida esteira de prossecutores de Aurelio Galleppini, Sergio Bonelli não precisou atravessar os Alpes ou o Oceano, mas sim estar atento a um gabinete situado ao lado do seu.

Desde há dezassete anos, com efeito, na secretária “habitada” por Alfredo Castelli pousam as páginas de Martin Mystère realizadas por Devescovi. O seu clássico preto & branco tinha despertado a atenção de Sergio Bonelli, desde os tempos em que havia visto os seus primeiros trabalhos realizados para o “Intrepido”, um semanário publicado pela editora Universo, que, por decénios, constituiu o chefe de fila do mercado editorial italiano no quesito da banda desenhada. Atento e paciente como era no início da sua vida profissional, Sergio Bonelli, seguiu com curiosidade a passagem de Devescovi a um outro baluarte histórico do mercado editorial italiano, como era o Corriere dei Ragazzi que naquela época, podia gabar-se de apresentar nas suas páginas os maiores desenhadores italianos, de Dino Battaglia a Mario Uggeri, de Sergio Toppi a Ferdinando Tacconi, de Aldo Di Gennaro a Hugo Pratt.

E seguiu também em 1976, quando Devescovi (de quem vêm no início deste texto um auto-retrato) retornou à editora Universo, desenhando por anos personagens como Billy Bis, Cristal, Comissário Norton e Black Rider. Dado que as vias dos quadradinhos não são infinitas – e antes ou depois todos os profissionais desta área acabam por se encontrar um dia –  em 1990 apresentou-se a ocasião de Sergio Bonelli convidá-lo para fazer parte do grupo de autores da Via Buonarroti.

O Tex de Franco DevescoviUma trintena de álbuns de Martin Mystère, três de Zagor e um de Mister No representam uma espécie de “exame” antes que decidissem, de comum acordo, de enfrentar a empenhada prova constituída pelo mundo do Tex (a este propósito, mostramos aqui ao lado uma pequena prova do seu trabalho). Por ser um veterano profissional, Franco Devescovi levou muito a sério o novo desafio. Tanto é verdade, que sempre roubando aos colegas da Ink algumas declarações da entrevista já citada, disse: “Por agora devo pensar somente em Tex. Devo empenhar-me completamente e tornar o meu traço mais rápido. As histórias western sempre me deram muito prazer, mas depois de tantos anos desenhando ambientações modernas, acabei tornando-me lento, estou um pouco enferrujado. Devo encontrar a mão e a rapidez dos tempos de Black Rider”.

Estas palavras demonstram o grande profissionalismo do desenhador triestino, que esperamos, se afeiçoe a Tex Willer, como já sucedeu no passado com o herói de Castelli, no confronto dos quais deixou também à revista Ink um verdadeiro e próprio tributo de amor: “Amei sinceramente o Bom e Velho tio Marty e o amo ainda. Creio, ou melhor, foi a única personagem, entre tantas em que eu meti as mãos, que suscitou em mim um tal sentimento”.

Texto de José Carlos Francisco, baseado na rubrica “Caro Tex…”, de Sergio Bonelli, inserida em Tex Nuova Ristampa nº 183 de 15 de Maio de 2007.