VENTOS DE MUDANÇA

Por Sérgio Madeira Sousa[1]

Fabio Civitelli em MouraPara quem se deslocou a Moura, ao festival da BD realizado em Maio último, facilmente se apercebeu que a grande estrela do festival, foi sem dúvida Tex Willer, personagem da BD italiana, também conhecida por fumetti, criada no já longínquo ano de 1948, por GianLuigi Bonelli e Aurelio Galleppini.
A parte dedicada a este herói da BD, ocupava cerca de metade da área de toda a exposição e estava claramente dividida em três secções:
– Tex de Civitelli; exposição de várias pranchas deste grande desenhador italiano, para muitos leitores considerado um dos melhores desenhadores do Ranger.
Colecção de José Carlos Francisco – Tex de José Carlos Francisco; exposição de parte da colecção deste coleccionador, colecção de todo o tipo de artigos dedicados a esta personagem, que engloba essencialmente livros e revistas de praticamente todos os países onde é, ou foi publicado. Colecção absolutamente fantástica, que desperta nos coleccionadores de BD um misto algo contraditório de sentimentos:
Admiração – Qualquer coleccionador pretende adquirir o máximo de artigos do que colecciona e se possível completar a sua colecção. O José tem sem dúvida, uma colecção digna de ser alvo de admiração, de tão espantosa que é.
Frustração – Por muita dedicação e esforço que empenhemos para conseguirmos uma colecção deste calibre, é quase impossível igualá-la, uma vez que o seu proprietário não pára de acumular artigos que a engrandecem a cada dia que passa. Parabéns José Carlos, pela colecção, pelo esforço, pela dedicação e por tudo o que tem feito em prol desta personagem que tanto admiramos.
Exposição dos novos desenhadores de Tex – Os novos desenhadores de Tex; exposição de pranchas ainda por publicar, dos quinze novos desenhadores de Tex. Nesta parte estavam expostas pranchas de cada um dos novos elementos, que começarão a abrilhantar as páginas das várias revistas dedicadas à personagem.

Quando soube desta entrada massiva de desenhadores para o staff de Tex, fiquei intrigado. Porquê?
Não pela entrada de novos artistas do pincel, mas sim pelo seu exagerado número. Quais serão os motivos que levarão Sergio Bonelli a tomar esta opção? Nunca colocando a opção em causa, apenas pretendo perceber os motivos.
Sergio Bonelli (Guido Nolitta)Nolitta já provou ao longo de todos estes anos de vida editorial, que é um excelente editor, apesar de ser sem sombra de dúvida, melhor a escrever histórias de BD. É pena não existir outra Tea Bonelli, para que à semelhança do que aconteceu com o seu pai, se dedicasse exclusivamente aos argumentos e roteiros de BD, onde é inigualável.
Apesar de ter escrito muito poucas histórias de Tex, em comparação com o seu pai ou com Claudio Nizzi, consegue colocar muitas delas na selecção de melhores histórias de qualquer leitor. Recomendo a leitura ou releitura de: Missão em Great Falls (Tex 131-134)[2]; O Solitário do Oeste (Tex 163-165)[2]; A Patrulha Perdida (Tex 177-179)[2]; A Grande Ameaça (Tex 182-183)[2] e O Assassino Sem Rosto (Tex 193-195)[2], só para mencionar algumas.

Zagor e Chico por Mauro LaurentiEm Zagor, explorou como nenhum outro a personagem Chico, ao ponto deste rivalizar com o protagonista da série e devido à popularidade adquirida ter ganho inclusive uma revista própria. Com Nolitta, as histórias são muito movimentadas, repletas de acção e aventura, sem nunca descurar outros ingredientes como o humor.
Como já referi, Nolitta dava grande importância ao Chico, ao ponto de inserir pequenas histórias, que por vezes não tinham qualquer ligação à trama principal e que ocupavam quarenta ou cinquenta hilariantes páginas.
Para os leitores mais recentes de Zagor, que não conseguem perceber o porquê de Chico ter tantos admiradores, sugiro que leiam a colecção Zagor publicada pela RGE e Globo. Ao todo são 38 revistas, com excepção da nº1 (escrita por Tiziano Sclavi), e dos números 27, 28 e 29 (Alfredo Castelli), todas são escritas por Nolitta. Esta colecção apresenta várias histórias que marcaram a vida da personagem, como as primeiras aparições do SuperMike, Kandrax e Winter Snake. Aparecem também histórias com o Helligen e o Vampiro, além de estarem presentes quase todos os amigos de Zagor, enfim, uma colecção “curta”, mas muito atractiva em termos de conteúdo.
Outra das características que muito aprecio nas histórias de Nolitta, é a carga de suspense que consegue introduzir nas suas histórias, existe suspense até ao desenlace final, o que Nizzi muito raramente consegue, nas muitíssimas histórias que já escreveu para Tex.

Voltando ao assunto que me levou a escrever: Porquê quinze novos desenhadores para Tex?
Se acrescentarmos a entrada de Mario Milano nos finais de 2006, somam dezasseis novas entradas, o que significa uma autêntica revolução na personagem italiana. Podemos então concluir sem margem para erros, que Tex está para entrar numa nova fase, em meu entendimento, na 5ª fase da sua história.

1ª Fase – De Setembro de 1948 a Junho de 1966
GalepAs histórias eram escritas por G.L. Bonelli e desenhadas quase em exclusivo por Galep. Devido ao enorme sucesso da série, o que levou ao aumento do número de páginas publicadas mensalmente, Galep começou a ser auxiliado por outros desenhadores, (Virgilio Muzzi, Francesco Gamba, Guido Zamperoni, Lino Jeva e Mario Uggeri), que se limitavam a desenhar algumas pranchas por história. Pranchas essas, que por vezes eram retocadas ou arte finalizadas pelo mestre Galep.

2ª Fase – De Junho de 1966 a Janeiro de 1976
O que marca o início desta fase, é a primeira história totalmente desenhada por outro desenhador que não Galep. Em Junho de 1966, o Tex italiano nº 68, marca a estreia de Guglielmo Letteri como desenhador oficial da saga. A partir desse numero, Galep começou a alternar com outro desenhador a responsabilidade dos desenhos em histórias completas, alternando assim o trabalho, primeiro com Letteri, que a seguir a Galep é o desenhador que mais histórias têm desenhadas do Ranger e mais tarde com Erio Nicolò, Giovanni Ticci, Ferdinando Fusco e também Muzzi, que teve finalmente a oportunidade de desenhar histórias completas e não pranchas, como tinha acontecido na fase anterior. Fase de boa qualidade, quer a nível de desenhos quer de argumentos, que continuavam a ser alvos da genialidade do criador, GL Bonelli. Fase onde foram criadas algumas das melhores histórias de Tex, saliento as seguintes histórias publicadas na edição brasileira:
Entre Duas BandeirasForte Defiance (Tex 42-45), Entre Duas Bandeiras (Tex 53-55), A Cruz Trágica (Tex 50-52) e A grande Intriga (Tex 107-110), entre muitas outras histórias igualmente dignas de registo. Quanto a esta última, que a editora Mythos se prepara para publicar na próxima edição de Tex Edição Histórica, vai tornar-se um “marco” histórico para esta colecção e para a editora, se a publicar completa numa única edição. Uma das premissas de Tex Ed. Histórica, era publicar todas as histórias por ordem cronológica, o que rapidamente foi alterado devido à grande disparidade de páginas que cada história comporta, assim, agrupam-se pequenas histórias para que a revista tenha sempre um número elevado de páginas. A colecção também previa publicar unicamente histórias completas, o que foi conseguido até hoje. Mas então o que fazer a uma história que ultrapassa as quinhentas páginas? Apenas a editora Record teve a coragem de publicar uma revista de BD com esta dimensão, (Zagor Nº6, O Raio da Morte), mesmo assim esta história “só” tinha 436 páginas, ainda muito distante das quinhentas agora exigidas. Espero que a Mythos tenha essa coragem e resista à tentação de publicá-la em 2 partes. Se não o fizer, nas próximas histórias colocará sempre essa hipótese, acabando por banalizar esse facto e a colecção.

3ª Fase – De Janeiro de 1976 a Julho 1983
Caccia all'uomoO Tex italiano nº183 apresenta a 1ª história de Guido Nolitta, essa história à semelhança da 1ª de Letteri também marca a entrada de uma nova fase. As histórias passam a ser escritas por pai e filho, com maior intensidade pelo criador. Fase muito semelhante à anterior, o nível das histórias é extremamente elevado, o naipe de desenhadores que se manteve da fase anterior era excelente e foi reforçado por Vincenzo Monti em 1982, já no final desta fase. Devido ao cunho muito pessoal e característico de cada um deles, qualquer leitor de Tex, folheava a revista em qualquer ponto e identificava automaticamente o desenhador. Apesar de não ser grande apreciador da arte de Fusco, talvez por ser um desenho muito detalhado que não brilha no formato em que é publicado no Brasil, (a prancha original têm um formato superior a A4, sendo muito reduzido para publicação), considero que a 2ª e 3ª fases são as melhores fases de Tex, G.L. Bonelli estava no auge das suas potencialidades de escritor e Nolitta engrandeceu esta fase com algumas das melhores histórias como já mencionei. Além das histórias escritas por Nolitta que já referi, destaco ainda as escritas por GL Bonelli: Trapper (121-124)[2], A Águia e o Relâmpago (136-138)[2] e Jogo Aberto (147-149)[2]
Recomendo aos leitores mais jovens a leitura destas duas fases; podem acompanhar as histórias em Tex colecção, (a partir do nº 96), ou Tex Edição Histórica, (a partir do nº 36).

4ª Fase – De Julho 1983 a Fevereiro a de 2007
Claudio NizziA entrada de Nizzi em Julho de 1983 faz com que se abra uma nova e incaracterística fase da personagem, muitos não concordarão comigo e provavelmente fariam subdivisões desta fase, no entanto, apesar de se terem passado muitos acontecimentos importantes ligados a Tex e aos seus criadores, não considero nenhum facto marcante que justifique essa mesma divisão, senão vejamos:– GL Bonelli escreveu a sua última história em 1991, (Tex 364)[3] , tinham entrado para a série os seguintes desenhadores: Fabio Civitelli em 1985, Jesus Blasco e Claudio Villa em 1986, Rafaelle della Monica e Alberto Giolitti em 1989 e Raffaele Carlo Marcello no ano de 1991. Estas entradas como podem observar foram espaçadas no tempo, como tal, não provocaram nenhuma instabilidade. O próprio abandono de um dos criadores, foi feito de uma forma gradual, Bonelli escreve esta história para se despedir oficialmente de Tex, uma vez que ele já não escrevia nenhuma história desde 1989, (Tex 340)[3] e o principal responsável pelos argumentos já era o Claudio Nizzi, que nos primeiros anos seguia de uma forma metódica, a fórmula de Bonelli na elaboração das histórias.

Homenagem de Ticci a Galep – O Falecimento de Galep em 1994. É verdade que o Ranger ficou “órfão” de pais a partir do Tex nº 401[3], no entanto, Galep apesar de ainda ter um belíssimo traço, como ficou provado em Tex nº 400[3], meses antes da sua morte, já desenhava muito poucas histórias, (a anterior, Tex 377[3], quase dois anos antes); Pelo que a sua ausência na série só foi mais notada, porque todas as capas tinham sido de sua autoria até essa data.
Entre 1991 e 1994 entraram os seguintes desenhadores: Victor de la Fuente em 1992 e José Ortiz em 1993.

–A primeira história escrita por Boselli, Tex 407[3] em Setembro de 1994, para mim não marca o início de uma nova era, apesar de a partir desta história, os argumentos da série principal terem passado a ser escritos quase exclusivamente pela dupla Boselli/Nizzi. Não podemos esquecer que além de Boselli, tanto Michele Medda como Decio Canzio, foram testados como alternativa a Nizzi, tendo a opção recaído sobre Boselli. Mais um desenhador que entrou para o “staff”, após passar o teste no Texone, foi ele Aldo Capitanio em 1995. Andrea Venturi por sua vez, aparece pela primeira vez em 1996, no Almanacco del West desse ano.

–Em 1997, na colecção MaxiTex surge um novo argumentista; Antonio Segura, que apesar de só ter visto publicadas as suas histórias nesta colecção, veio juntar-se à dupla oficial de escritores de Tex.

Tex de Joe Kubert– Entre 1997 e 2007 muitos outros artistas da 9ª arte juntaram-se à prestigiada personagem, artistas como Alfonso Font em 1998, Miguel Angel Repetto em 1999, Bruno Brindisi em 2002, Manfred Sommer, Roberto Diso, Raul e Gianluca Cestaro em 2003 e Mario Milano no ano de 2006. Só me referi àqueles que constituem a equipe oficial, muitos outros tiveram participação, principalmente na colecção Texone, artistas do pincel como: Joe Kubert, Ivo Milazzo, Magnus ou Colin Wilson, ou ainda outros que participaram em Almanacco del West: Caleggari e Gattia nos desenhos e Pasqualle Ruju no texto.

Como podem Observar, foi uma fase muito longa e incaracterística como já referi, aos muitos desenhadores já mencionados temos de acrescentar aqueles que transitaram da fase anterior e que se mantêm até aos dias de hoje, casos de Ticci e Fusco, e também os já falecidos, Nicolò e Lettèri.
Argumentistas também foram vários, GL Bonelli, Claudio Nizzi, Decio Canzio, Guido Nolitta, Mauro Boselli e Michele Medda.

5ª Fase – De Fevereiro a de 2007 a ….
Senão fosse a confirmação oficial da editora, da massiva entrada de novos desenhadores, que praticamente coincide com a entrada de um novo argumentista: Tito Faraci, não poderíamos concluir que se estava a iniciar uma nova fase. Isto porque além dos trabalhos dos novos elementos, há que publicar também, de uma forma intercalada, os trabalhos de todos os outros desenhadores, assim, até se publicar um único trabalho de cada um deles, vão se passar anos, no mínimo três, pelo que a entrada dos novos elementos confundir-se-ia com uma entrada a “conta gotas”, o que estaria muito longe da realidade.

Voltamos à questão: Porquê quinze novos desenhadores para Tex?
Apenas podemos especular, eu como leitor interessado tenho as minhas ideias baseadas nas notícias que vou lendo sobre o assunto, ideias que passo a expor:
Arte de Giovanni Ticci– Grande parte dos actuais desenhadores de Tex possui idade avançada, pelo que é de prever, num futuro muito próximo, alguns deles sejam afectados por problemas de saúde, problemas que os impeçam de exercer a sua actividade profissional. Estou a referir-me nomeadamente a: Fusco, Ortiz, Repetto, Marcello e Sommer, todos eles já ultrapassaram os setenta e três anos de idade, mas também a Ticci e a Font, que já ultrapassaram os sessenta.

– A editora Bonelli possui um número muito elevado de colaboradores, colaboradores de elevada qualidade dos quais Nolitta não quererá prescindir, mesmo em situação de redução de publicações. Assim, “recruta-os” para o “staff” de Tex, reduz o número de trabalhos a cada um deles e torna possível a sua manutenção nos quadros da empresa, mostrando mais uma vez que além de óptimo gestor, também é um ser humano que muito se preocupa com os seus colaboradores.

– O Texone sempre foi um problema “bicudo”, a tarefa de encontrar um desenhador de créditos firmados a nível internacional, que estivesse disposto a desenhar mais de 200 páginas, sempre foi muito difícil desde o início.
Parece-me que Nolitta, sem desvirtuar o teor da colecção, resolveu este problema por vários anos, alguns destes novos elementos, desenharão um Texone e posteriormente passarão então ao Tex normal; Brilhante!

– Em vez de seleccionar 4 ou 5 desenhadores que porventura necessitaria nesta fase, coloca os 15 a desenhar algumas histórias e a selecção será posteriormente efectuada pelos leitores, reduzindo assim as hipóteses de errar na escolha e passando essa responsabilidade, àqueles para os quais a revista é publicada.

– Publicação de uma nova revista ou a redução da periodicidade do Almanaco ou do MaxiTex.

Quanto aos novos desenhadores, cujas pranchas tive oportunidade de apreciar em Moura e correndo o risco de errar nas minhas apreciações, uma vez que não se pode ajuizar o trabalho de cada um deles, apenas pela visualização de 2 pranchas; Sabendo no entanto que, não existe uma segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão, passo a referir apenas aqueles que mais me impressionaram:

Pranghas de Marco Torricelli expostas no MouraBD2007– Positivamente: Marco Torricelli, fantástico! Soberbo! Em minha opinião o melhor de todos. Se conseguir cumprir os prazos, mantendo a qualidade evidenciada nas 2 pranchas expostas, tem tudo para se tornar um dos melhores desenhadores de Tex de todos os tempos. Espero que a sua entrada se faça através de um Texone, pois seria lamentável não termos um Texone desenhado por este artista, o que provavelmente irá acontecer se entrar directamente para o Tex mensal. Já basta não existir um Texone desenhado por Gallieno Ferri, para mim a grande falha de Sergio Bonelli como editor, Ferri merecia sem dúvida este prémio por todo o seu trabalho ao longo de quase cinquenta anos de dedicação à SBE, assim como Tex.

Pranghas de Bianchini & Santucci expostas no MouraBD2007Giacomo Danubio e Bianchini & Santucci, desenhos de grande qualidade, muito límpidos e detalhados à semelhança de Civitelli. O cenário está quase sempre presente, mesmo nos grandes planos, o que valoriza muitíssimo a qualidade do desenho – localizar o local da acção em todos os quadros.

Lucio Filippuci, apenas não aprecio muito a forma como desenha Tex nos grandes planos.

Alessandro Piccinelli, muito bom trabalho à semelhança dos já mencionados, no entanto, a quase ausência de cenários em grandes planos, desvaloriza muito a qualidade do mesmo como já referi, ainda mais se nota se a história abusar desta perspectiva, não sei se este artificio é utilizado pelos desenhadores para poderem cumprir os prazos ou simplesmente porque é mais cómodo. Melhorará substancialmente se as histórias não forem apresentadas sobre esta perspectiva. Tenho óptimas expectativas para este desenhador.

Pranghas de Orestes Suarez expostas no MouraBD2007–Negativamente: Orestes Suarez e Corrado Mastantuono, desenhos demasiado “sujos” e de traço muito pouco preciso, enfim, a arte destes dois artistas não me impressionou, nem sequer gostei da versão do protagonista apresentada por eles, a de Suarez então, parece um energúmeno, um autentico “brutamontes”.

Quanto aos restantes, espero observar novos trabalhos para que possa ter uma opinião mais formada, as 2 duas pranchas observadas não foram suficientes.

Acredito que foi a conjugação de alguns pontos referidos que levaram o editor a provocar esta revolução em Tex; espero que esta fase não seja muito longa, (não ultrapasse 4 ou 5 anos) e estabilize num número mais restrito de desenhadores, com excepção dos convidados para o Texone obviamente.

Apesar de novos desenhadores poder significar novos leitores, leitores que acompanham o trabalho do desenhador independentemente da personagem, o inverso também é possível, com um número tão elevado de desenhadores, vão passar-se vários anos até vermos publicados os trabalhos daqueles que preferirmos. Este facto pode levar muitas pessoas a afastarem-se da série, assim como, o facto de Tex ter um numero tão elevado de rostos o fazer perder a sua identidade e muito provavelmente, também leitores.

E se eu estiver errado? E se a principal razão não for nenhuma das já mencionadas? Será que Bonelli está realmente preocupado com o Tex como aparenta à primeira vista? Sergio completa este ano 75 anos! É natural que comece a pensar na sua reforma e como a SBE irá funcionar após o seu afastamento. Será este o verdadeiro motivo? Preparar a sua saída a curto/médio prazo, garantindo desde já a viabilidade da empresa com esta reestruturação de pessoal?

O tempo se encarregará de responder, no entanto, seja qual for a resposta, espero que estas medidas garantam a continuidade da SBE por muitos e longos anos, para satisfação de todos os leitores de BD em geral e dos fumetti em particular.


[1] Coleccionador de Tex desde 1980.
[2] Tex – Edição Brasileira
[3] Tex – Edição Italiana

Fontes:
http://www.texbr.com/
https://texwillerblog.com/
http://www.sergiobonellieditore.it/
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Tex Série Normal: A Dama do Colorado

A Dama do ColoradoArgumento de Mauro Boselli, desenhos de Alfonso Font e capas de Claudio Villa.
Com o título original Colorado Belle, a história foi publicada em Itália nos nº 538 e 539 e no Brasil pela Mythos Editora nos nº 444 e 445.

Esta poderia ser a história de Alice Morrow, aliás Colorado Belle, uma cantora de saloon. Como poderia ser a história da procura incessante do seu irmão Charlie, aliás o reverendo Morrow em busca do seu paradeiro. Mas esta é também a história da perseguição empreendida por Tex e Kit Willer à quadrilha de Deadman Dick, um bando de criminosos que anda a roubar e assassinar no Colorado.

Até que por força do destino ou da divina providência, os caminhos de Tex levam-no até ao reverendo Morrow, mesmo a tempo de salvar-lhe a vida. Depois, pelo meio, surge também a história de uns jovens sobreviventes de uma pequena caravana atacada por Deadman Dick e vendidos por este aos índios Utes.

Tex em acçãoTudo se entrelaça até ao duelo final, quando Tex e Kit, depois de resgatarem os jovens, vão ter que enfrentar os homens de Deadman Dick na cidade fantasma de Yellow Sky. Fantasma ou talvez não, a verdade é que anda por lá algo ou alguém que muitos não julgariam encontrar.

Boselli não só junta várias personagens, vários destinos, várias vontades, como também junta Tex e Kit sozinhos na mesma missão. É sabida a vontade de Boselli em dar outra importância ou outro protagonismo ao jovem Kit nas suas aventuras, dotando-o de uma espessura que outros autores deixaram de lado. Aqui, o autor acentua o relacionamento entre pai e filho, realçando as diferenças naturais entre duas gerações, sobretudo patentes na experiência de um e na juventude do outro. Apesar dos ensinamentos de Tex, o jovem Kit não escapa a cometer este ou aquele erro. Boselli nunca contrapõe práticas, porque existe um desejo permanente de Kit em seguir as pisadas do pai e ele próprio reafirma ser essa a sua vontade.

Vinheta de Alfonso FontPor isso, esta aventura serve para sublinhar ainda mais os horizontes que Boselli pretende para Kit, mas sem nunca descurar a sua importância na vida de Tex. O autor entrelaça a perseguição de Tex e Kit à quadrilha de Deadman Dick com a busca de Charlie Morrow. O reverendo procura o paradeiro da sua irmã, uma jovem que saiu de casa e foi assim renegada pela sua família. Mas o irmão, como praticante e difusor da sua fé, conclui que todos merecem uma segunda oportunidade, mas nunca consegue adaptar-se à dureza do velho oeste onde a lei da bala clama sempre mais alto, mesmo mais alto do que qualquer fé. Mas é essa fé, que por vezes move montanhas, que o fará chegar até Colorado Belle, ou pelo menos acreditar nisso.

Duelo na Cidade FantasmaNo fundo, Boselli vem acentuar que o destino de cada um é por vezes movido pela fé, mas quase sempre esse mesmo destino é feito e construído por cada um. Se a fé destinou que Charlie chegasse até à sua irmã, já o que move Kit é a construção permanente do seu destino, partilhando sempre os mesmos valores do seu pai.

Graficamente, já assistimos a melhores trabalhos de Font, ou pelo menos a trabalhos mais homogéneos. A bem dizer, estamos a referirmo-nos a “Morte Nella Nebbia” aventura recente e posterior a esta, significando com isso que, afinal, o autor espanhol está em crescendo.

Na verdade, o trabalho de Font adquire sempre mais relevo em ambientes fechados, de que a cenas em Yellow Sky, a cidade fantasma, são perfeito exemplo. Pelo contrário, o traço vai decaindo principalmente na representação dos índios. Aqui, Font não consegue dotar estas personagens com a virilidade ou o dramatismo que requeriam.

Tex por Alfonso FontDepois temos a figura texiana, aqui e ali bem conseguida, mas sempre muito rectilínea o que acaba por desvirtuar um pouco o ranger. São notórias as influências do Tex de Ticci, mas Font ainda não conseguiu chegar ao ponto em que consegue representar o ranger sempre ao mesmo nível.

Texto de Mário João Marques

Póster Tex Nuova Ristampa 54

Póster Tex Nuova Ristampa 54

Mais um belo desenho de Claudio Villa, onde vemos Tex Willer acampado junto a uma fogueira, numa rigorosa noite de Inverno em plenas Montanhas Rochosas, sendo ameaçado por Zeke Colter, que confundiu Tex com alguém do bando de Bill Hatcher.

Desenho usado no Brasil como capa de Tex Edição Histórica #51 e inspirado na história, “La ballata di Zeke Colter” de C. Nizzi e R. Calegari com a colaboração de S. Biglia e L. Copello (Almanacco del West 1994).
(Para aproveitar a extensão completa do póster, clique no mesmo)
Texto de José Carlos Francisco

Civitelli conquista Moura

Tex nº 453A edição brasileira de Tex Willer, número 453, editada em Julho de 2007 pela Mythos Editora, contém nas suas contracapas, uma matéria intitulada “Civitelli conquista Moura“, onde o editor Dorival Vitor Lopes mostra, aos leitores do Brasil e também de Portugal, a presença de Fabio Civitelli no XVI Salão Internacional de Moura (Portugal), o “MouraBD2007“, salão que dedicou ao nosso inoxidável Ranger do Texas, uma mostra que apresentava ao público lusitano num exclusivo mundial 30 pranchas de 15 novos autores de Tex, uma mostra da colecção de José Carlos Francisco e obviamente como o título já dá a entender, a presença do consagrado desenhador italiano, Fabio Civitelli, que trouxe a Moura, uma exposição de pranchas Texianas da dupla aventura “Il presagio” (Tex italiano 475 e 476), mas também da mais recente história “La banda dei tre” (Tex italiano 554).

CIVITELLI CONQUISTA MOURA

Civitelli conquista MouraA cidade de Moura, na quentíssima e bela região do Alentejo (Portugal), não tem grandes castelos nem outras obras arquitetónicas antigas que a destaquem das demais cidades portuguesas. Mas ela possui algo que já a está tornando famosa; é sua mostra de banda desenhada (história em quadradinhos) que este ano completou 16 edições anuais.

Idealizada e coordenada por Carlos Rico, um apaixonado e estudioso dos quadradinhos, e sempre com o apoio da Câmara Municipal de Moura, Carlos consegue trazer sempre várias personalidades do mundo dos quadradinhos, e desta vez foi muito feliz em convidar – por sugestão de José Carlos Francisco, o representante da Mythos em Portugal – o desenhista de Tex Fabio Civitelli.

Civitelli conquista Moura - parte 1Fabio, aliás, cativou todos com a sua simpatia e simplicidade, nunca negando um autógrafo, um sorriso, uma foto ou um desenho às dezenas de ávidos texianos que o rodeavam durante as sessões de autógrafos. Uma verdadeira lição de profissionalismo, humildade e amor por seu fãs e por seu trabalho!

O Moura BD apresentou em primeira mão 30 pranchas de 15 novos desenhadores de Tex – outro grande trunfo do festival, que atraiu muita gente a Moura – e uma mostra da coleção particular de José Carlos Francisco, um dos maiores coleccionadores de Tex no mundo, e sobejamente conhecido de quem consulta seu blogue (www.texwillerblog.com).

Mas a estrela do evento foi mesmo Fabio Civitelli. Os visitantes não paravam de se perguntar como um desenhador de seu gabarito – considerado por boa parte da legião de texianos como o melhor de todos, ao lado de Claudio Villa – podia ser tão agradável e acessível.
Civitelli conquista Moura - parte 2Fabio tirou dezenas de fotos e fez muitíssimos desenhos de Tex com dedicatórias que sem dúvida passarão a ser o maior tesouro de todos os coleccionadores de Águia da Noite que os conseguiram. E o mais interessante é que Fabio realmente estava se divertindo tanto quanto seus fãs.
Não se cansava de agradecer a todos os portugueses pela acolhida que recebeu e ficou sensibilizado com o prémio Balanito de Honra que recebeu das mãos do presidente da Câmara Municipal de Moura, Dr. José Maria Prazeres Pós-de-Mina, na cerimónia de encerramento do evento. “Este é o primeiro prémio individual que recebo em minha carreira”, afirmou Civitelli, visivelmente emocionado.

Ao final dos quatro dias de permanência do maravilhoso artista em Moura, todos eram unânimes em afirmar que Sergio Bonelli não poderia ter enviado um embaixador melhor para representá-lo nessa mostra de quadradinhos, que é uma das três maiores de Portugal.

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