TEX no Diário de Aveiro: 1 de Outubro de 2006

Texto do jornal Diário de Aveiro de 1 de Outubro de 2006
Ana Rita Gomes

* Célebre cowboy das histórias aos quadradinhos
Tex continua a despertar emoções

* Um dos maiores coleccionadores mundiais de revistas e outros objectos relacionados com Tex reside na Malaposta, Anadia, tendo já viajado até Itália onde tudo se processa para que o justiceiro do Oeste chegue a várias partes do mundo

Tex continua a despertar emoçõesCitado em várias edições, detentor de objectos raros e colaborador na única edição portuguesa, José Carlos Pereira Francisco é considerado um dos maiores coleccionadores mundiais de Tex, um justiceiro temido e respeitado por todo o Oeste.

Apesar de gostar de banda desenhada desde os cinco anos, a paixão pelo Tex nasceu em 1980, quando José Francisco tinha 13 anos. «Sempre lidei com banda desenhada, porque a minha mãe tinha uma papelaria, na época em que morei em Moçambique, onde nasci».  A descoberta deste herói de banda desenhada surgiu por um mero acaso «quando vim para Portugal, estava a morar com os meus avós que entretanto se mudaram para uma quinta em Vila Nogueira de Azeitão. Na altura das mudanças, quando estávamos a arrumar o sótão, descobri uma caixa com dezenas de livros de banda desenhada» este foi o primeiro passo desta enorme paixão «no meio deles, estava uma edição do Tex, quando a li gostei bastante e fiquei fascinado».

Sendo um homem duro direccionado para um público mais maduro, este justiceiro decidido, capaz de agir fora da lei se a situação assim o exigir, fascina não só pela acção em que as suas aventuras se desenrolam, mas também «pelo conhecimento que as histórias trazem, o leitor fica inteirado da cultura dos índios, da vida dos pioneiros e de episódios marcantes e reais na história dos Estados Unidos», refere José Francisco «é uma personagem, criada na Itália, que tem como lema a lei, justiça, humanidade e amizade. No mundo de hoje tão cheio de injustiças, dá gosto ler esta banda desenhada, pois o Tex pode ser visto como companheiro, irmão e amigo».

Depois do fascínio após o primeiro contacto «comecei a descobrí-lo procurando números mais antigos em vários postos de venda», actualmente possui 2.000 objectos na sua colecção. «As revistas italianas já vão em 550 e as brasileiras em 450, o que totaliza 900 objectos. Depois tenho várias revistas de outros países onde o Tex foi editado, além de outros objectos de diferentes tipos (pins, bonecos, camisolas,…».

Diário de AveiroObjectos raros e curiosos

Sendo um dos maiores coleccionadores mundiais, José Francisco tem dois objectos de cariz especial. Uma caneta de nanquim autografada que Marcos Maldonado, escritor de Tex no Brasil, utilizou durante vários anos, e um póster onde se pode vislumbrar as 400 capas de Tex no Brasil (só existem oito no mundo inteiro).

Na sua imensa colecção existem dois objectos curiosos, um maço de cigarros «pirata» de Tex e o seu cardápio.

Toda a colecção é concebida através de objectos que José Francisco comprou, bem como com objectos adquiridos com a ajuda de amigos admiradores de Tex que tem espalhados por vários países. «Uma coisa que o Tex tem é a capacidade de quebrar fronteiras, criar pontes e grandes laços de amizade». A comunicação entre coleccionadores é feita, em grande parte, pela Internet e por telefone, «mas também há alguns amigos que já tinha antes do aparecimento da Internet com os quais ainda me comunico por carta».

Um sonho tornado realidade

Durante vários anos José Francisco apenas coleccionou a versão brasileira, visto que era a única que chegava até ao nosso país. Em 2001, quando conseguiu completar a colecção, escreveu para a editora brasileira a comunicar-lhes a aquisição de todos os números.
«No ano seguinte viajei até Itália, onde as colecções são feitas, e todos ficaram admirados com o facto de um português possuir a colecção completa. Nesta visita fiquei a conhecer Sergio Bonelli, o grande responsável por Tex, e quem faz as personagens, escreve e desenha as histórias» referiu.

Pontos altos da aventura de coleccionador

Devido à sua paixão e conhecimento desta personagem, José Francisco já foi convidado para escrever textos em alguns jornais, revistas e sites específicos sobre o Tex. Mas o que mais orgulha é «ter contribuído para a existência (por via de textos de apresentação da personagem e tradução) do único livro de Tex editado até hoje em Portugal, que circulou junto ao jornal Correio da Manhã, no domingo 14 de Agosto de 2005, integrado na colecção da Série Ouro, Os Clássicos da Banda Desenhada».
Herói de um tempo passado, este justiceiro continua presente no mundo da banda desenhada mostrando a cada novo número e a cada nova história, que o caminho certo a seguir é o bem, sempre do lado da lei e da justiça.

Copyright: © 2006 Diário de Aveiro; Ana Rita Gomes
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Dampyr em Portugal

Capa BDJornal #19O BD Jornal, um jornal, ou melhor dizendo, uma revista sobre a Nona Arte editada em Portugal, dá no seu número 19, de Junho/Julho de 2007, um grande destaque a uma personagem da editora Bonelli, que teve uma aventura passada em Portugal: DAMPYR de seu nome!

O BDjornal surge agora em novo formato (275 x 205 mm) e com mais páginas (76) e em impressão digital – capa em cartolina de 200 grs. plastificada brilhante e com papel do miolo de 115 grs. – agora com tiragem limitada e distribuição centrada nas lojas da especialidade, apostando decididamente em reforçar o número dos assinantes.
O preço de capa é de € 6,00 e a assinatura por 1 ano (6 números) é de € 30,00.

Por norma, o blogue português do Tex, é dedicado exclusivamente a TEX WILLER e ao seu mundo, mas sempre que uma personagem Bonelli, que não Tex, tiver algo de muito relevante e que diga respeito a Portugal, terá espaço no blogue do Tex, na rubrica dedicada a outras personagens Bonelli, acabada de criar para o efeito.

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Texto do BDJornal nº 19, de Junho/Julho – 2007
Por João Miguel Lameiras

DAMPYR EM PORTUGAL

Dampyr no BDJornalDepois de, durante um ano, ter sido presença regular nas bancas portuguesas, por via das edições brasileiras da Editora Mythos, actualmente praticamente reduzidas às aventuras do cowboy Tex, Dampyr o caçador de vampiros criado por Mauro Boselli e Maurizio Colombo voltou a Portugal em Junho do ano passado, embora apenas os leitores italianos se tenham apercebido disso…

A verdade é que, desta vez, foi a personagem quem esteve em Portugal e não a revista que conta as suas aventuras. Tudo aconteceu no nº 75 da série mensal italiana, publicado em Junho de 2006, numa história chamada “Lo Sposo della Vampira”, em que Harlan Draka e o seu amigo Kujak vão até Trás os Montes, investigar a lenda do Castelo de Monforte da Estrela, que dizem estar assombrado por uma vampira.

Lo sposo della vampiraSeja através do cinema, da literatura, ou da BD, a verdade é que a figura do vampiro está cada vez mais enraizada no imaginário da cultura de massas, tanto no Ocidente, como no Oriente. Um sucesso natural, a que não é alheia a grande carga erótica inerente ao conceito de um ser imortal, que suga a vida às suas presas. Um fascínio que tem sido devidamente aproveitado pelo cinema, mas também pela BD, que ao longo de décadas tem sabido reinventar esse arquétipo das mais variadas formas.

A série Dampyr insere-se claramente nessa tradição, mas a grande inovação de Mauro Boselli e Maurizio Colombo, dois argumentistas habituais da casa Bonelli e criadores de Dampyr, foi escolherem como cenário para a aparição do mal simbólico (os vampiros) um espaço martirizado pela guerra, onde o mal é bem real: as Balcãs. E é precisamente ao folclore da região que ao argumentistas foram buscar inspiração, pois de acordo com as lendas locais, o Dampyr é fruto da união de um vampiro com uma mulher mortal, sendo por isso alguém que está entre dois mundos e cujo sangue pode destruir os vampiros.

O herói involuntário desta série é Harlan Draka, um Dampyr que no início não tem consciência dos seus extraordinários poderes, nem sabe bem como usá-los, mas que acaba por descobrir que, embora tenha conseguido não se envolver na guerra que assola o seu país, não vai poder deixar de tomar partido na guerra contra os vampiros, como Gorka, o mais poderoso vampiro da região, contando como aliados com um militar, Kurjak, e com Tesla, uma vampira que se quer libertar da influência do seu senhor, Gorka.

Dampyr e seus parceirosEscrita por dois veteranos da casa Bonelli, que já assinaram argumentos para inúmeras outras séries da editora, “Dampyr”, apesar da originalidade da premissa inicial, apresenta as características habituais da “fábrica Bonelli”, que já nos habitou a história eficazes e bem contadas, mas algo presas a uma receita que não contempla grandes variantes. Neste caso, a luta sem tréguas de Harlan com os Mestres da Noite, não acaba com a morte de Gorka, ou de Vurdlak, o Mestre da Noite que o criou, mas prossegue por todo o mundo. Um périplo pelo sobrenatural que, a partir de Praga,  leva o Dampyr pelos quatro cantos do mundo, em histórias que permitem aos seus autores reinterpretar à sua maneira as mais diversas lendas do fantástico, com Harlan a ter que enfrentar  fantasmas, demónios, entidades lovecraftianas e anjos caídos, para além dos tradicionais vampiros, cujo extermínio se tornou o principal objectivo da sua vida.

E é assim que Harlan Draka se transforma num verdadeiro “globe trotter” do sobrenatural, percorrendo o mundo, de Praga à ex-Jugoslávia, de Paris a Berlim, de Veneza ao Japão, até chegar a  Portugal, na história que motiva este texto.

Mauro BoselliEscrita pelo criador da série, Mauro Boselli e com (excelentes) desenhos de Alessandro Bocci, a história tem como ponto de partida um filme de terror  de série B, que o realizador Roland Kirby decide filmar em Trás-os-Montes, a partir do romance Inês de las Sierras, um conto gótico escrito em 1838 por Charles Nodier, um escritor romântico francês. E se tanto Nodier como o romance que escreveu existiram realmente,   a acção do conto de Charles Nodier tem lugar perto de Barcelona, no castelo de Ghismondo, o que justifica o apelido espanhol de Inês, não se percebendo muito bem porque Boselli mudou a acção da história da Catalunha para Trás os Montes …

De qualquer modo, Portugal, mais do que os cenários e os figurantes cede também um personagem secundário, com importância no desenrolar da história, que é o pastor Vitorino Rocha, que conduz Harlan até ao castelo e lhe salva a vida, ao alertar a protecção civil em relação ao incêndio (infelizmente tão típico do Verão português) que isolou o Castelo de Monforte.

Lo sposo della vampira - o castelo portuguêsE, se os autores mostram algum cuidado na descrição da aldeia fictícia de Riba Preta, ou no Castelo de Monforte da Estrela, já em termos históricos, a coisa falha, e muito, quando Mauro Boselli põe uma das personagens a dizer que o Castelo tinha a forma actual desde o reinado de D. Dinis, que o reconstruiu para manter os mouros longe. O problema é que Dom Dinis, que nasceu em 1261 e só se tornou Rei em 1279, nunca teve propriamente que se preocupar com os Mouros, que tinham abandonado o território português antes de ele nascer, em 1249, ano em que a conquista de Faro, Albufeira e Silves, por Dom Afonso III, pai de Dom Dinis, põe oficialmente fim à reconquista portuguesa, o que torna perfeitamente disparatada toda a intriga em torno do emir árabe que conquistou o castelo na Idade Média.

De qualquer modo, para o que é habitual em termos da representação de Portugal e dos portugueses na BD, até não nos podemos queixar muito, pois Bocci desenha de forma perfeita os cenários transmontanos e tanto os nomes portugueses como algumas expressões coloquiais aparecem correctamente escritos. Apesar desse rigor, habitual na casa Bonelli (basta ver a pesquisa que envolve uma série como Martin Mystére) Portugal aqui pouco mais faz do que ceder as suas paisagens para cenário de uma história que gira em torno do cinema, homenageando, de forma mais ou menos directa, os grandes clássicos do cinema de terror. Italiano e não só.

Lo sposo della vampira - Trás-os-MontesA cena inicial do livro, que acaba por se revelar como uma sequência de um filme de terror, na linha das produções da Hammer, ou das adaptações dos contos de Edgar Poe produzidos por Roger Corman, dá logo o tom, acentuado pelos diálogos. Roland Kirby, assume que pretende ser o Roger Corman do século XXI e transformar a sua actriz na reencarnação de Barbara Steele (a actriz de La Maschera del Demónio, um clássico do mestre do terror italiano, Mário Bava, que já tinha servido de base a uma aventura de Dylan Dog), enquanto que o actor Eddie Chapman evoca Dário Argento, para além de Corman e Bava.

Mas a maior citação cinéfila acontece na cena em que Lucy é fechada dentro de um caixão. Cena que não pode deixar de evocar a mais célebre sequência do filme La Paura de Lúcio Fulci, que Tarantino também homenageou no seu Kill Bill.  E, prosseguindo com as metáforas cinematográficas, não é demais salientar o trabalho de Alessandro Bocci como director de fotografias deste filme de terror em papel, com o desenhador italiano, que desenhou o bárbaro Conan antes de entrar na escuderia Bonelli, a mostrar um traço clássico, de grande pormenor e legibilidade, muito bem servido por um excelente uso de tramas.

Dampyr e os parceirosInfelizmente, com o fim da edição brasileira da Mythos, que acabou no nº 12, os leitores portugueses deixaram de poder acompanhar as aventuras de Harlan Draka. Assim, muito dificilmente poderemos ler em português esta aventura do Dampyr em passada em Portugal e saber algo mais sobre a ligação entre a maldição da família Kirby, o misterioso Emir cujo nome a História não fixou e a vampira que se esconde no Castelo de Monforte da Estrela.

Copyright: © 2007 BDJornal; João Miguel Lameiras
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A Grande Intriga em Tex Edição Histórica

Por Dorival Vitor Lopes[1]
Dorival Vitor Lopes, Tex e Claudio VillaAmigos,
Li aqui no blogue de Tex o que escreveu o leitor português Sergio Madeira Sousa, num  belíssimo texto, intitulado “Ventos de Mudança” e creio que ele merece conhecer minha opinião sobre o assunto em pauta (Tex Edição Histórica).
Acho adorável a simplicidade do leitor que quer ver sua revista favorita sempre maior, melhor, com mais páginas, mais barata e que só esteja na banca quando ele tem dinheiro para comprá-la. É natural pensar e desejar que seja assim, pois sempre almejamos um mundo perfeito, à nossa ideia, imagem e semelhança.Até o editor pensa assim, num primeiro momento, desejando que o leitor o acompanhe em suas “loucuras” editoriais e compre tudo o que ele publicar, a qualquer preço e sem restrições.

Mas a realidade não é essa. Ao mesmo tempo que o leitor deseja muitas coisas, e até “exija” que o editor o satisfaça, ele é o primeiro a abandonar o editor se achar o preço da revista exorbitante ou aquém de suas posses.

Publicar a história A Grande Intriga em uma única edição de 512 páginas seria a coisa mais natural a fazer. Mas o editor tem a obrigação de pensar no que é melhor para seu público, para a revista, para sua empresa e tomar decisões equilibradas.

Tex Edição HistóricaComo editor eu vejo três boas razões para não publicar essa história de uma única vez. A lombada teria 2,5 cm de altura e seria difícil para a gráfica colar tantas páginas juntas. Muitas páginas poderiam se soltar durante o manuseio da revista pelo leitor. Além disso, acho desconfortável ler uma revista muito grossa; ela não se abre direito e dificulta ver o que tem perto da lombada. Outro factor importante é o preço: essa revista custaria quase R$ 30,00, o que a colocaria fora do alcance de uma parte considerável de nossos leitores.

Por essas razões peço encarecidamente a compreensão de nossos queridos leitores – parceiros da Mythos e razão de nossa existência -, mas essa história terá que ser publicada em duas edições – Tex Edição Histórica nr. 73 e 74 – cada uma com uma linda capa inédita de Claudio Villa e interessantes matérias de Júlio Schneider. Cada uma terá 256 páginas, ficando assim mais acessível ao bolso de nosso público, mais fácil de manusear e mais gostosa de ler.

Um abraço a todos,
Dorival Vitor Lopes

[1] Editor de Tex Brasil/Portugal