A Grande Intriga em Tex Edição Histórica

Por Dorival Vitor Lopes[1]
Dorival Vitor Lopes, Tex e Claudio VillaAmigos,
Li aqui no blogue de Tex o que escreveu o leitor português Sergio Madeira Sousa, num  belíssimo texto, intitulado “Ventos de Mudança” e creio que ele merece conhecer minha opinião sobre o assunto em pauta (Tex Edição Histórica).
 
Acho adorável a simplicidade do leitor que quer ver sua revista favorita sempre maior, melhor, com mais páginas, mais barata e que só esteja na banca quando ele tem dinheiro para comprá-la. É natural pensar e desejar que seja assim, pois sempre almejamos um mundo perfeito, à nossa ideia, imagem e semelhança.
 
Até o editor pensa assim, num primeiro momento, desejando que o leitor o acompanhe em suas “loucuras” editoriais e compre tudo o que ele publicar, a qualquer preço e sem restrições.
 
Mas a realidade não é essa. Ao mesmo tempo que o leitor deseja muitas coisas, e até “exija” que o editor o satisfaça, ele é o primeiro a abandonar o editor se achar o preço da revista exorbitante ou aquém de suas posses.
 
Publicar a história A Grande Intriga em uma única edição de 512 páginas seria a coisa mais natural a fazer. Mas o editor tem a obrigação de pensar no que é melhor para seu público, para a revista, para sua empresa e tomar decisões equilibradas.
 
Tex Edição HistóricaComo editor eu vejo três boas razões para não publicar essa história de uma única vez. A lombada teria 2,5 cm de altura e seria difícil para a gráfica colar tantas páginas juntas. Muitas páginas poderiam se soltar durante o manuseio da revista pelo leitor. Além disso, acho desconfortável ler uma revista muito grossa; ela não se abre direito e dificulta ver o que tem perto da lombada. Outro factor importante é o preço: essa revista custaria quase R$ 30,00, o que a colocaria fora do alcance de uma parte considerável de nossos leitores.
 
Por essas razões peço encarecidamente a compreensão de nossos queridos leitores – parceiros da Mythos e razão de nossa existência -, mas essa história terá que ser publicada em duas edições – Tex Edição Histórica nr. 73 e 74 – cada uma com uma linda capa inédita de Claudio Villa e interessantes matérias de Júlio Schneider. Cada uma terá 256 páginas, ficando assim mais acessível ao bolso de nosso público, mais fácil de manusear e mais gostosa de ler.
 
Um abraço a todos,
Dorival Vitor Lopes

 


[1] Editor de Tex Brasil/Portugal

3 Comentários

  1. – Dorival,

    Achei extremamente sensata sua reposta, como não poderia deixar de ser, visto que a Mythos, na minha modesta opinião é a editora brasileira que melhor tratou a linha Bonelli até hoje. Minha única critica é, e sempre será, ao famigerado formatinho, que, a partir de uma certa época, passou a padronizar as edições de HQ brasileiras. Ainda bem que a Panini e a Pixel estão começando a mudar este cenário com formatos mais gostosos de ler.

    A Record tinha uma grande vantagem na época, pois editava no formato Bonelliano e, pelo menos no inicio, sempre publicou as revistas sem o tão lamentável e triste: “Continua”… Mas, embora tivesse a vantagem de um parque gráfico próprio, a qualidade da impressão não era boa e o letreamento e balões deixavam muito a desejar. Mesmo assim tenho guardado tudo que eles editaram de Bonelli com muito carinho, pois como disse antes, julgo ser aquele formato o ideal. Além dos personagens, é claro.

    Sou um leitor 99,9% da Mythos, pois tenho tudo que saiu até agora de Julia, Mágico Vento, Nick Raider, Martin Mystère, Mister No, Zagor, Zagor Extra, Zagor Especial, Docteur Mystère, Jeremiah, Wil Bill Está Morto, Tex e os Aventureiros, Tex (edição regular), Tex Ouro, Tex de Férias, Tex Grandes Clássicos e Almanaque Tex. Vou começar agora a comprar o que já saiu de Tex Edição Histórica e Tex Coleção, pois eu não colecionava estas revistas.

    Como leitor de quase 100% do que a Mythos edita ou editou, gostaria de fazer tres sugestões:

    1 – A Volta de Tex e os Aventureiros, no mesmo formato, mas sendo que a história principal (e maior) fosse sempre do Tex, se possivel um grande clássico ou uma inédita, complementando a revista com várias histórias curtas dos outros personagens Bonelli. Ou que um outro personagem Bonelli, que não tenha revista própria atualmente no Brasil, complementasse a revista a cada edição, em sistema de rodizio. Assim teriamos a garantia que os leitores de Tex seriam atraídos para a nova publicação e também os fãs que estão órfãos dos outros personagens.

    2 – Que o Tex Coleção deixe de ter aquela capa plastificada e passe a ter a capa igual ao Tex mensal. Ou que se engrosse o papel da capa, pois atualmente, com o manuseio a capa fica desde o primeiro momento com as pontas levantadas e rapidamente faz aparecem as orelhas.

    3 – Que nas edições com maior número de páginas a margem junto a cola da lombada seja maior do que é atualmente, pois como ela é colada muito rente dificulta a leitura. A abertura forçada da revista para ler o texto junto à margem interna acaba fazendo a cola quebrar. Acho que poderia aumentar um pouco a margem interna e diminuir a externa, visando contornar este problema.

    Desejo ao amigo muito sucesso, e que a Mythos não pare de nos surpreender, positivamente, nos próximos cem anos.

    Grande abraço

    José Manoel Alvarez
    Rio de Janeiro/Brasil

  2. Caro Dorival,
    Obrigado pelos seus esclarecimentos relativamente a esta questão.

    È claro que como editor tem de observar a questão sobre outra perspectiva, mais racional e muito menos emotiva. Aceito e compreendo perfeitamente as razões da não publicação desta história completa. Mais do que ter esta edição completa, quero é ter várias edições de Tex, Zagor e outros personagens Bonelli, todos os meses nas bancas.
    Várias edições por mês nas bancas, só têm sido possíveis devido ao magnífico trabalho desenvolvido por vocês, da Mythos. Parabéns, espero que continuem assim.

    No entanto, espero que histórias inferiores a 372 páginas não sejam alvo de divisão devido a este precedente.
    Quanto ás razões apresentadas para a não publicação da história completa, permita-me discordar de 1 delas: Conforto na leitura de uma revista tão volumosa – Como o José Manuel Alvares referiu: Se a margem interior, a que se encontra junto à cola da lombada for aumentada e a exterior reduzida, deixa de ser necessário abrir tanto a revista para se obter um bom visionamento da mesma. Adicionando a este facto a utilização de outro tipo de papel, papel mais macio que não enrugue junto à lombada, (as primeiras revistas da Mythos isto não acontecia), resolve-se esta questão de uma forma bastante satisfatória. Lembro que esta história foi publicada completa pela Mondadori, com o título “la cella della morte”, no mesmo formato das edições mensais italianas.

    Preço e dificuldades da gráfica em colar a lombada – sobre estas questões nem sequer me vou pronunciar.

    Aceite um abraço, deste seu admirador pelo trabalho que tem desenvolvido,

    Sérgio Madeira de Sousa

  3. E 12 anos depois veremos essa história ser publicada na íntegra, numa única edição, no Super Tex…

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