Entrevista exclusiva: GIANCARLO BERARDI

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Mário João Marques e Jorge Magalhães na formulação das perguntas e de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão.

Giancarlo BerardiComo nasceu a ideia de criar um personagem como Ken Parker e, principalmente,  porque  você  achou que Milazzo seria o desenhador  ideal  para  lhe dar vida?
Giancarlo Berardi: Ken nasceu por acaso, por razões “alimentares”. Eu era jovem, estudante e sem dinheiro nos bolsos.  Apresentei-me a Sergio Bonelli,  para quem havia escrito “Wyatt Doyle“, com o amigo Milazzo  e  uma pequena história de faroeste de doze páginas. Eu havia convencido Ivo, cansado de desenhar BD pornográfica, a fazer um teste com o Oeste.  Funcionou.  O editor gostou do seu estilo e perguntou se eu teria alguma ideia para uma edição de 96 páginas. Eu improvisei um argumento sobre um caçador de peles e ele deu o okay.

Quando criou Ken Parker você desejava, quem sabe indirectamente, que ele se tornasse um rival em potencial de Tex? Ou, ao contrário, desejava que fosse o seu oposto?
Giancarlo Berardi: Quando criei Ken eu queria ganhar dinheiro para encher o tanque e passear com a minha garota.

Ken ParkerKen Parker é um personagem consistente como Tex e rapidamente conquistou uma grande fatia de admiradores.
Porque a certa altura você se cansou dele?  Não  crê que deveria seguir o exemplo de Tex, Zagor e outros heróis Bonelli –  como a sua Júlia  – que continuam vivos e sempre a entusiasmar os leitores?

Giancarlo Berardi: Foram os leitores que se cansaram de Ken. Em 1996 eles haviam se reduzido a 13.000 pessoas. Muito pouco para uma sobrevivência editorial, na Itália. Com o passar dos anos ela tornou-se cada vez mais uma série de culto, mas jamais atingiu o grande sucesso popular. É um produto “de elite”.

Giancarlo Berardi e Ken ParkerVocê acha que o percurso seguido por Ken Parker, como personagem de ficção,  se  adiantou no tempo em relação à evolução da própria BD, e que isso pode ter sido uma das razões de seu prematuro eclipse?
Giancarlo Berardi: Ken renovou a linguagem da BD italiana, e não só. Ainda hoje,  depois de trinta anos,  parece-me que aquele tipo de narrativa não envelheceu nada. Seu único limite foi o de querer conjugar qualidade e quantidade.

Giancarlo Berardi e José Carlos FranciscoComo nasceu a oportunidade de escrever uma aventura para Tex? Foi uma escolha sua ou uma solicitação?
Giancarlo Berardi: Uma solicitação de Sergio Bonelli e, de novo, a minha necessidade financeira, numa época em que eu havia suspendido a produção de Ken Parker.

Ken Parker é um faroeste mais contido, mais intimista, ao contrário de Tex Willer, que usa muitos elementos do faroeste puro, duro e poeirento. Quais foram as principais dificuldades que você encontrou ao escrever uma história para Tex? E como se preparou para escrever a sua famosa história do Ranger?
Giancarlo Berardi: O meu único cuidado foi o de respeitar o estilo de Gianluigi Bonelli. Ele é um dos pais dos quadradinhos italianos a quem todos devemos reconhecimento. Por isso, eu li as primeiras cem histórias, para absorver o seu modo de escrever, e depois parti tranquilo.

Oklahoma! de BerardiGostaria de voltar a escrever uma história de Tex?
Giancarlo Berardi: Eu prefiro continuar com os meus personagens. Mas não digo nunca mais.

Falemos da criminóloga. Por que uma heroína como Júlia? O que o elemento feminino representa para si?
Giancarlo Berardi: O relacionamento com o sexo oposto preencheu a minha vida. E escrever sobre uma mulher em primeira pessoa também significa poder expressar a parte feminina que existe dentro de cada homem,  e  que eu identifico com a sensibilidade, com a capacidade de ouvir e com a fantasia.

Quais são as principais fontes para escrever os roteiros de Júlia? Você colhe as ideias do quotidiano ou busca outras fontes?
Giancarlo Berardi: A minha grande inspiradora é a vida. Em um dia pode ser um encontro, em outro um perfume, em outro uma emoção…

Duplamente... JúliaVocê criou muitas séries dos mais diversos géneros. Em qual delas se empenhou mais ou que mais lhe deu satisfação artística, depois de Ken Parker?
Giancarlo Berardi: Júlia, naturalmente. Mas também Giuli Bai e Tom’s Bar, duas séries de histórias curtas que amei demais.

Quais obras literárias marcaram mais profundamente  a  sua formação cultural  e  o  seu trabalho como autor de BD?
Giancarlo Berardi: São muitas, para poder citar todas. Eu li milhares de livros de todo o tipo e assisti a um sem número de filmes. Eu fui actor,  director,  músico,  cantor… mas sobretudo escutei muito as pessoas à minha volta.

Mário João Marques, Martina (esposa de Berardi) e BerardiNa sua obra se vê uma grande influência do cinema, sobretudo o americano. De onde veio a maior parte das sugestões?
Giancarlo Berardi: Eu cito quatro directores acima de todos os outros: Vittorio De Sica, Mario Monicelli, John Ford, Billy Wilder.

Para concluir, quais os seus projectos para o futuro?
Giancarlo Berardi: Continuar a estudar este mundo terrível e fascinante que é a Terra. E fazer os leitores partícipes daquele pouco que aprendi.

Caro Giancarlo Berardi, em nome dos texianos portugueses, agradecemos muito pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
Giancarlo Berardi: Obrigado a vocês.

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Intervista esclusiva: GIANCARLO BERARDI

Intervista condotta da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Mário João Marques e Jorge Magalhães per la formulazione delle domande e di Júlio Schneider (traduttore di Tex per il Brasile) e di Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni.

Giancarlo BerardiCome  ti è venuta  l’idea di creare un personaggio  come  Ken Parker, e soprattutto: perchè hai pensato che Milazzo sarebbe stato il disegnatore ideale per dargli vita?
Giancarlo Berardi: Ken nacque per caso, per ragioni “alimentari”. Ero giovane, studente e senza un soldo in tasca. Mi presentai a  Bonelli,  per il quale avevo scritto  “Wyatt  Doyle”,  con l’amico Milazzo e una storiella western di dodici pagine. Avevo convinto Ivo, stufo di disegnare fumetti porno, a mettersi alla prova con il West. Funzionò.
All’editore piacque il suo stile e mi chiese se avevo un’idea per un albo. Improvvisai un soggettino su un cacciatore di pellicce e lui diede l’okay.

Quando hai creato Ken Parker desideravi, magari indirettamente, che diventasse un rivale potenziale di Tex? Oppure, al contrario, desideravi che ne fosse l’antitesi?
Giancarlo Berardi: Quando creai Ken volevo avere i soldi per fare il pieno della benzina e andare a divertirmi con la mia ragazza.

Ken ParkerVisto che Ken Parker è un personaggio consistente come Tex e che ha coagulato rapidamente una grande fetta di estimatori, come mai ad un certo punto ti sei stancato di lui? Non ritieni che sarebbe da seguire l’esempio di Tex, Zagor ed altri eroi Bonelli – come pure la tua Julia – che continuano, vivi e vegeti, ad entusiasmare i lettori?
Giancarlo Berardi: Sono i lettori che si sono stancati di Ken. Nel 1996 si erano ridotti a 13.000 unità. Troppo pochi per sopravvivere editorialmente, in Italia. Negli anni, la serie è diventata sempre più un cult, ma non gli ha mai arriso il grande successo popolare. È un prodotto d’élite.

Giancarlo Berardi e Ken ParkerRitieni che il percorso seguito da Ken Parker,  in  quanto personaggio di fiction, si sia anticipato nel tempo all’evoluzione del fumetto,  e  che questa possa essere stata una delle ragioni del suo eclisse prematuro?
Giancarlo Berardi: Ken ha rinnovato il linguaggio del fumetto italiano, e non solo. Ancora oggi, dopo trent’anni, mi pare che non ci sia un granello  di  polvere su quel tipo di narrazione.  L’unico  suo limite è stato quello di voler coniugare qualità e quantità.

Giancarlo Berardi e José Carlos FranciscoCom’è nata l’opportunità di scrivere un’avventura per Tex ? E’ stata una scelta tua o una richiesta?
Giancarlo Berardi: Una richiesta di Sergio Bonelli e, ancora una volta, la necessità mia di guadagnare, in un periodo in cui avevo sospeso la produzione di Ken.

Ken Parker è un western più contenuto, più intimo, contrariamente a Tex Willer che utilizza molti dei canoni del western puro, duro e polveroso. Quali sono state le difficoltà principali che hai rilevato scrivendo una storia per Tex? E come ti sei preparato per scrivere questa mitica storia del Ranger?
Giancarlo Berardi: L’unico mio scrupolo è stato quello di rispettare lo stile di Gianluigi Bonelli. È un padre del fumetto italiano, a cui tutti dobbiamo riconoscenza. Così, mi sono letto le prime cento storie, per assorbire il suo modo di scrivere, dopodiché sono partito tranquillo.

Oklahoma! de BerardiTi  piacerebbe  scrivere ancora per Tex?
Giancarlo Berardi: Preferisco continuare i miei personaggi. Ma mai dire mai.

Passando adesso alla  criminologa,  come mai un’eroina come Julia? Cosa rappresenta l’elemento femminile per te?
Giancarlo Berardi: Il rapporto con l’altro sesso ha pervaso la mia vita.  Scrivere  di una donna in prima persona, poi, significa anche poter esprimere la parte femminile che è dentro ogni uomo, e che io identifico con la sensibilità, la capacità di ascolto e la fantasia.

Quali sono le tue fonti principali per scrivere le sceneggiature per Julia? Cogli gli spunti dalla quotidianità o cerchi altre fonti?
Giancarlo Berardi: La mia grande ispiratrice è la vita. Un giorno può essere un incontro, un altro un profumo, un altro un’emozione…

Duplamente... JúliaDato che hai creato molte altre serie di generi diversi, puoi dirci in quale ti sei maggiormente impegnato o che ti ha più soddisfatto artisticamente, dopo Ken Parker?
Giancarlo Berardi: Julia, naturalmente. Ma anche Giuli Bai e Tom’s Bar, due serie di racconti brevi che ho amato molto.

Quali opere letterarie hanno marcato più profondamente la tua formazione culturale ed il tuo  lavoro come autore di fumetti?
Giancarlo Berardi: Troppe,  per  citarle tutte.  Ho  letto migliaia di libri di ogni genere e visto altrettanti film. Ho fatto l’attore, il regista, il musicista, il cantante… Ma soprattutto ho ascoltato molto la gente intorno a me.

Mário João Marques, Martina (esposa de Berardi) e BerardiSi vede una grande influenza del cinema nella tua opera, soprattutto di quello americano. Vuoi indicarci qualcuno dei marchi che ti hanno suggestionato di più?
Giancarlo Berardi: Citerò quattro registi sopra tutti: Vittorio De Sica, Mario Monicelli, John Ford, Billy Wilder.

Concludendo l’intervista, quali sono i tuoi progetti per il futuro?
Giancarlo Berardi: Continuare a studiare questo mondo terribile e affascinante che è la Terra. E far partecipi i miei lettori di quel poco che ho imparato.

Caro Giancarlo Berardi, a nome dei texiani portoghesi t’inviamo un sentito ringraziamento per l’intervista che ci hai così gentilmente concesso.
Giancarlo Berardi: Grazie a voi.

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Póster Tex Nuova Ristampa 92

Póster Tex Nuova Ristampa 92

Neste novo desenho da autoria de Claudio Villa, vemos Tex Willer concluindo uma dura lição, começada num saloon de Paganosa Spring  e concluída da forma que vemos na via pública, contra o renegado Steve, por este juntamente com Jack, terem condenado à morte a senhorita Dayton, salva no último instante de um terrível destino às mãos dos índios utes, por Tex e seus pards.

Desenho usado no Brasil como capa de Tex Edição Histórica #69 e inspirado na história, “Sulla frontiera del Colorado” de G. L. Bonelli e Erio Nicolò (Tex italiano #158 a #160).
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Texto de José Carlos Francisco

Tex e Lilyth por Marcos Junio Ferreira dos Santos

Como forma de homenagear o criador gráfico de Tex (Aurelio Galleppini) e o próprio Tex, devido à efeméride dos 60 anos do longevo personagem dos fumetti, o jovem pard Marcos Junio fez uma versão Galleppiana da capa que Claudio Villa realizou para a edição comemorativa dos 60 anos do granítico Ranger, versão essa, que apresentamos de seguida, nas diferentes fases de realização (para efeitos de “comparação”, mostramos também o desenho de Claudio Villa, que serviu de inspiração):

Tex e Lilyth por Marcos Junio Ferreira dos Santos - 1Tex e Lilyth por Marcos Junio Ferreira dos Santos - 2
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Tex e Lilyth por Marcos Junio Ferreira dos Santos - 3Tex e Lilyth por Claudio Villa

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