(Para aproveitar a extensão completa do desenho, clique no mesmo)
Balão TEXiano de ar quente
Voar num balão de ar quente, é algo que faz parte do imaginário da infância de muitos de nós e que nos persegue durante boa parte da nossa vida.
Ar, terra, água e fogo. Voar de balão significa entrar em sintonia com esses quatro elementos que regem a natureza, cruzando os céus embalado pelo sopro dos ventos. Está assim composta uma harmoniosa sinfonia, que dá a cada voo um tom poético como se fosse a primeira vez a bordo do balão. O voo de um balão também não é difícil de associar a aventuras cinematográficas ou mesmo a aventuras de Tex Willer, como facilmente se comprova pela capa da edição nº 106 da Collezione Storica a Colori de Tex, acabada de ser publicada na Itália e que foi magistralmente desenhada como todas as anteriores, por Claudio Villa e que mostramos no início deste texto, ou também na capa igualmente desenhada por Villa, para a edição nº 517 da série normal do Ranger na Itália e que mostramos de seguida.
Em todo o mundo existem muitos Clubes de Balonismo, com pessoas que se reúnem para construir e soltar balões. Têm gente de todas as classes sociais: pobres e também ricos, para financiar as peças; têm técnicos e até engenheiros que calculam o tamanho da boca e da mecha necessárias para o balão subir. Calculam também que tamanho e peso de bandeira cada balão pode levar.
Apesar disso, soltar balões é contravenção penal em muitos países, por causa do perigo de incêndios. Os balonistas (baloeiros no Brasil) procuram minimizar o risco de incêndios seguindo e resgatando os balões, algumas horas após serem soltos, o que não invalida que em muitos desses países, os balonistas sejam portanto contraventores e estão em constante atrito com a polícia, embora esta às vezes feche os olhos em razão da beleza das obras, como por exemplo as contidas neste balão (do mundo texiano) que o blogue do Tex dá hoje a descobrir seguidamente e que é uma autêntica obra de arte:
Curiosidades do Balonismo
Santos Dumont inventou o avião mas, assim como muita gente, tinha uma queda pelos balões. Conta-se até que em Paris, foi visto muitas vezes arrastando latas de lixo com os pesos do seu balão.
Hoje em dia no nosso país, o balonismo é um desporto que chama a atenção. Movidos pelos ventos, os balões, que têm em média 25 metros de altura (equivalente a um prédio de oito andares), são inflados com ar quente e manobrados em velocidades de até 10 km/h.
Os mais audaciosos conseguem levar os balões a 10.000 metros de altura com o objectivo de dar a volta à Terra. Neste caso, substitui-se o cesto por cabines pressurizadas..
História do Balonismo
Não se pense que o voo em balão é algo dos nossos dias, bem pelo contrário. Pode-se recuar até 1709, data em que o padre Bartolomeu de Gusmão conseguiu em Lisboa, que o seu balão ou “passarola”, se elevasse a quatro metros de altura. Ele foi até a corte e diante do rei D. João V, apresentou a sua passarola, que foi destruída por dois guardas, receosos de que o padre voador provocasse um incêndio no palácio. O experimento de Bartolomeu de Gusmão ficaria para a história como o primeiro voo promovido pela engenharia humana.
Antes dele a teoria mais aceite é a de que os índios Nazca do Peru teriam feito um balão com fibras vegetais existentes naquela região, e que teriam sobrevoado o deserto de Nazca. As provas desse feito estão em peças de cerâmica datadas do ano 500 que estão hoje num Museu na cidade de Lima.
É no entanto geralmente aceite que o primeiro voo efectivo em balão foi o realizado pelos irmãos Montgolfier, ao fazerem subir o engenho a 500 metros de altura em 1783 . Este balão levou a bordo alguns animais que retornaram ao solo em perfeitas condições, tendo este feito sido assistido pelo rei Luís XVI e por toda a população parisiense da época.
No mesmo ano, o professor J.A.Charles voava por duas horas e meia a uma altura de mais de 250 metros, por cerca de 40 km, um balão de gás hidrogénio.
Em 1785 um balão atravessava o Canal da Mancha com um francês e um americano a bordo. Oito anos depois o francês Jean Pierre Blanchard voou pela primeira vez de balão em território americano. Foi na Filadélfia na presença de George Washington.
Em 1884 , o parisiense Júlio Cezar Ribeiro de Souza patenteou em Paris o dirigível Victória que voou contra o vento e em linha recta.
Em 1893 Augusto Severo de Albuquerque Maranhão construiu em Paris um dirigível com o nome de “Bartholomeu de Gusmão”.
Finalmente, veio Santos Dumont, que com seu aprendizado de construção de aeronaves fez vários dirigíveis, até que acabou de construir uma aeronave mais pesada que o ar. A construção por Dumont de um balão de 186 metros quadrados com hélice serviu de base para o famoso 14 BIS.
Foi em 1953 que o americano Ed Yost inventou o moderno balão movido a ar quente. Nesse ano construiu um balão 230 metros cúbicos que voasse com o auxílio de um maçarico.
O primeiro voo livre foi realizado em 1960 com um balão de 800 metros cúbicos, cujo ar era aquecido pelo fogo alimentado pelo gás propano. A partir daí começa o balonismo como desporto.
O Canal da Mancha foi atravessado pela primeira vez com um balão a ar quente em 1963 . Com a introdução do balão na Europa, no mesmo ano é realizado o primeiro campeonato de balonismo.
A partir de 1973 , com a realização do primeiro campeonato mundial, o balonismo volta a crescer em todo o planeta. Actualmente, existem no mundo cerca de 15.000 balões. Onze mil estão nos Estados Unidos da América, 1.200 na França, 1500 na Inglaterra e os restantes espalhados pelo mundo.
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)
Entrevista com o fã e coleccionador: Everton Junior Pelisson
Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.
Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Everton Pelisson: Meu nome é Everton Junior Pelisson, nascido no dia 02/10/1981, tenho, portanto, 27 anos de idade. Nasci na cidade de Santo António do Sudoeste, localizada na região sudoeste do estado do Paraná. Sou formado em Administração de Empresas e actualmente moro na cidade de Cascavel – Paraná, e no momento estou me preparando para prestar concurso público. Gosto muito de leitura, cinema e futebol (paixão equiparada a que sinto pela banda desenhada), sou adepto fervoroso do Grémio Foot-Ball Porto Alegrense.
Quando é que teve início esta paixão pela Banda Desenhada, em especial pelo Tex?
Everton Pelisson: Desde muito jovem sinto encanto pelo “velho oeste” e suas personagens. Lembro com saudosismo do tempo em que tínhamos uma enxurrada de filmes do género na televisão. Quando descobri na casa de um primo, uma montanha de revistas de Tex, Zagor e Akim entre tantos outros, foi como se tivesse encontrado um tesouro. Conheci Tex, antes mesmo de saber ler, e fiquei apaixonado pelas belas capas, mas um pouco decepcionado com a falta de cores no “miolo” das revistas e tentava imaginar o que estava acontecendo no meio daquele tiroteio todo.
Tentei ler revistas de heróis Marvel (atraído pelas cores e pela maior divulgação das personagens, principalmente pela TV), mas não deu certo, e logo desisti. Li também (e ainda leio) personagens Disney, os quais gosto muito. Mas a verdadeira paixão sempre foi, principalmente, pelas histórias de Tex. Com certeza Tex é o “carro chefe” dentre todos as revistas de banda desenhada que aprecio, mas sou coleccionador de todas as personagens Bonelli que já foram ou são publicadas no Brasil. Gostava muito de Zagor, do tempo em que Guido Nolitta era o argumentista, hoje em dia apenas compro e colecciono a personagem (às vezes tento ler, mas acho as histórias fraquíssimas, algumas beiram o ridículo) e Mister No. Com o tempo aprendi a gostar de Ken Parker, o qual estou tentando, com calma, completar a colecção brasileira.
Porquê o Tex e não outra personagem?
Everton Pelisson: Com seis ou sete anos de idade eu ainda não havia escolhido uma personagem, apenas sabia que eu gostava de quadradinhos. O primeiro que eu comprei, após muito incomodar meu pai, foi uma edição de DC2000, mas nunca nem cheguei a ler a edição toda. Li muito as personagens Disney. Tudo isso só por causa das cores das revistas, porque minha verdadeira paixão estava nas páginas de Tex. Acho que escolhi Tex pelo género western, pelos índios, pelas pradarias, enfim, não sei ao certo, afinal de contas uma paixão não se pode escolher, ela simplesmente acontece.
O que Tex representa para si?
Everton Pelisson: Tex representa um passatempo prazeroso. Um amigo que eu acompanho há mais de 20 anos. Representa, muitas vezes o que, com os problemas do dia a dia, eu gostaria de ser. Para ele tudo é fácil, tudo é possível, ele é imortal, ele sempre tem dinheiro, sua vida é uma aventura, às vezes perigosa, mas em que sempre tudo dará certo no final. Mas aí eu lembro que Tex é uma personagem de banda desenhada, é imaginário e tudo volta a ser apenas leitura saborosa, um lazer. Sem falar que foi através da minha paixão por Tex (e também por outras personagens), que eu conheci, mesmo que, por ora, apenas virtualmente ou por contacto telefónico, alguns dos maiores e mais respeitados coleccionadores. Pessoas que convivo diariamente trocando mensagens e opiniões sobre quadradinhos e que já fazem parte do meu círculo de amizades.
Qual o total de revistas de Tex que tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Everton Pelisson: Hoje, tenho exactas 1074 revistas de Tex, incluindo dez edições italianas e uma portuguesa. Faltam-me trinta e nove revistas para completar a primeira edição, cinco para completar a segunda edição, o álbum de figurinhas de Tex publicado pela Vecchi e os Tex Júnior (dos quais possuo apenas um). Das demais colecções que foram ou estão sendo publicadas no Brasil, tenho todas as edições. Tenho carinho especial por todas as minhas revistas (um certo ciúme até), mas posso dizer que dentre todas a mais marcante é a edição número 10 de Tex Coleção (Jogo Duplo), pois foi o meu primeiro Tex, foi com essa edição que tudo começou.
Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem?
Everton Pelisson: Gosto mesmo é das histórias, até porque no Brasil não temos outras opções de itens para coleccionadores, mas não descarto nada ligado ao nosso Ranger. Tenho poucos itens que não sejam revistas (alguns pósteres, uma camisa e o chaveiro feito pela Mythos entre outras coisas). Tenho também várias imagens do Ranger para um dia transformar em camisas, quadros, etc.
Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Everton Pelisson: Posso dizer que gosto muito de 90% das histórias de Tex (as 10% restantes, apenas gosto, he, he, he). Poderia citar aqui uma centena de histórias, mas vou mencionar apenas as que me vieram à cabeça automaticamente, sem nem mesmo parar para pensar em uma resposta. Gosto muito do Caçador de Fósseis (Tex Anual nº1 da Mythos), El Muerto (fenomenal), O Passado de Kit Carson, Oklahoma e Rio Selvagem (Tex Almanaque nº 3).
Quanto ao argumentista, na minha opinião, Gian Luigi Bonelli (mesmo que nenhuma das histórias citadas acima, como minhas favoritas, tenha sido escrita por ele), o criador, não se discute, mas deixo aqui uma menção honrosa para o Bonelli filho (Guido Nolitta). Já quanto ao desenhador a escolha é mais complicada. Indiscutível, para mim, é o Galep. Dos actuais Villa e Civitelli são extraordinários, muito acima dos demais. Cito também entre os melhores, Ortiz, Fusco, Ticci, Letteri, Nicolò e Monti.
O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Everton Pelisson: O que mais me agrada é que Tex apresenta bom carácter, honestidade, lealdade, suas decisões são sempre sábias e a facilidade com que ele faz justiça, se “a coisa” não está dando certo ele vai lá da uns sopapos e resolve tudo. E quanto à segunda pergunta, nada me desagrada, posso dizer, para que não pareça que quero dar a entender que a personagem é perfeita, que o Tex nas histórias iniciais não me agradava muito, e hoje em dia penso que ele poderia sofrer um pouco mais nas aventuras, ser ferido mais vezes, falhar mais vezes…
Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que ele é?
Everton Pelisson: Creio que acima de tudo, este sucesso é devido à competência de seus criadores que souberam atribuir características determinantes para solidificar a personagem. Deram vida a um herói de papel e desenvolveram histórias fantásticas. A manutenção das características de Tex pelos herdeiros profissionais de Bonelli pai e Galep são fundamentais para o sucesso da mítica personagem italiana. Não sou a favor de grandes mudanças (como fizeram com Zagor e acabaram com suas histórias, na minha opinião), não sou a favor do envolvimento de Tex com mulheres, que isso fique em nosso imaginário, que ele siga fiel à sua Lilyth, e continue apenas cumprindo com louvor seu papel de justiceiro, pois essa é sua função. Tex ganhou vida em uma época onde as opções de entretenimento eram menores, época em que havia mais paixão e menos negócio (dinheiro). Mesmo entendendo que o “produto Tex” tenha enorme potencial, não acho que o Ranger resistiria tanto tempo se surgisse nos dias actuais.
Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Everton Pelisson: Tex completou 60 anos. Está consolidado no mercado, mesmo sendo cada vez menor o número de jovens a demonstrarem interesse pelo género western e pela leitura de banda desenhada, acredito que Tex vencerá mais esta batalha, pois possui um público fiel, e permanecerá dando alegrias aos seus fãs e coleccionadores. Gostaria apenas que a SBE acabasse com a restrição quanto ao número máximo de páginas por história, aí sim, acho que voltaríamos a sermos brindados com roteiros cada vez melhores. Parabéns e mais 200 anos de vida para Tex e seus pards!
Prezado pard Everton Junior Pelisson, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
(Para aproveitar a extensão completa das fotografias acima, clique nas mesmas)
Collezione storica a colori nº 62 – Una dura condanna
Tex nº 62 – UNA DURA CONDANNA

Fanzine “A Conquista do Oeste” – Maio/Novembro 2001 – Páginas 62 a 64 – Xuxá
XUXÁ, UMA FASCINANTE PERSONAGEM

Não era nossa intenção incluir, neste estudo, esta personagem. Mas como na segunda série das suas aventuras, vamos encontrá-lo no Canadá, como Polícia Montada (que é um tema também ligado aos “cow-boys”), achámos que a poderíamos acrescentar aqui, sem alterar em nada o conteúdo deste Fanzine. Além disso, quando este artigo foi publicado no jornal “Correio da Manhã”, levou o título de “Xuxa”, como se fosse uma personagem feminina, além de possuir vários erros.
Mais uma vez lembramos, que este estudo de modo algum poderá ser considerado exaustivo, apesar do trabalho que nos tem dado. Mas é completamente impossível conseguir apresentar, nesta centena de páginas, tudo quanto se tem escrito, desenhado e filmado, sobre o tema do “western”. Faltarão vários “heróis” importantes, tais como “Red Ryder”, “Zagor”, “Sunday” (que tem já um estudo elaborado por Manuel Caldas), “Gringo”, “Gun Law”, “Jerry Spring”, “Blueberry”, “Jonathan Cartland”, “King of The Royal Mounted”, “Manos Kelly”, “Sam Billie Bill”, “Zorro”, etc., etc.. Pode ser, que em outra altura, não sabemos quando, possamos fazer um outro Fanzine sobre este tema.
A HISTÓRIA DE “XUXÁ”
Numa aldeia italiana da orla do mar Tirreno, ocupada pelos aliados no seu avanço contra Roma, haviam-se alojado as forças norte-americanas, recebidas com simpatia e curiosidade pelo povo, composto por naturais da aldeia e de refugiados precedentes de toda a Itália. Entre esses últimos estava “Nico”, mais conhecido por “Sciusciá”, nome por que eram baptizados todos os garotos italianos órfãos, que carregavam a sua caixa de engraxador e que tentavam viver do seu expediente, inteligência e também coragem. Sem a ajuda de ninguém e sem apoio moral, procuravam a melhor maneira de conseguir comida para si e às vezes para os seus irmãos mais jovens, que o não podiam fazer pelos seus próprios meios.
Assim se iniciava uma das aventuras de um “herói” italiano (que o viria a ser também em França, em Espanha e igualmente no Brasil, identificando-se cada leitor com a sua vida e com as suas peripécias, na luta pela sobrevivência). A edição desta obra no Brasil teria como consequência, a sua distribuição no nosso país e o conhecimento, por parte dos leitores portugueses da época, das aventuras de “Xuxá” (onde nós nos incluímos). “Sciuscá” (Xuxá), viria a ser criado pelo editor italiano Tristano Torrelli e pela escritora Gianna Anguissola, em 22 de Janeiro de 1949. Ambos eram os autores dos guiões, enquanto os desenhadores seriam Franco Paludetti, Lina Buffolente e Ferdinando Tacconi. No entanto, seria este último que se ocuparia dos primeiros fascículos desta série, antes de desenhar “Nat del Santa Cruz”.
A INOVAÇÃO DO FORMATO DOS FASCÍCULOS
Antes de falarmos nas aventuras de “Xuxá”, convém salientar que seriam as histórias de “Il Piccolo Scheriffo” que iriam inaugurar um novo formato de revista de Banda Desenhada, criado pelo editor Tristano Torrelli. Os fascículos eram semanais e tinham cerca de 8 cms. de altura por 17 de comprimento e correspondiam a uma tira de 1 a 3 desenhos, como máximo.

Na primeira aventura de “Xuxá”, vamos encontrá-lo como engraxador. Num contacto com o capitão “Wickers”, irá tornar-se “correio” de uma mensagem cifrada, destinada às tropas aliadas, situadas em Nápoles e dali para Roma, ainda ocupada pelos nazis (mas onde se encontravam italianos simpatizantes das forças aliadas). Logo a partir da 8ª tira surgirá uma nova figura (desta vez feminina), que o irá acompanhar quase sempre, em todos os fascículos. Trata-se de “Fiametta”. Intrépido e corajoso, “Xuxá” irá ocupar-se da missão (por dinheiro, claro), de uma forma extraordinária. Logo a partir do segundo fascículo, passará a ter contactos com os alemães, que o irão perseguir mais tarde. Nazis e espiões a trabalhar para as forças alemãs, dificultarão a vida aos dois jovens, semana após semana.
Mas estes, pouco a pouco e com a ajuda de personagens altruístas, conseguirão ultrapassar e vencer todos os perigos. Temos de início o “Feiticeiro”, que fará explodir um barril de pólvora, juntamente com tropas nazis, que perecerão juntamente com ele, “Hércules”, “Renzo” e muitas outras pessoas (homens e mulheres sem nome), que os ajudarão a vencer todos os perigos. A partir do 10° capítulo surgirá pela primeira vez “Pantera”, que acompanhará e viverá também, a partir daqui, todas as aventuras de “Xuxá”, que se desenrolam em barcos e comboios, com bombardeamentos e tempestades do mar, à mistura. A emoção nunca faltará de semana para semana, identificando-se muitas vezes os leitores e leitoras, com as três personagens.
Várias vezes prisioneiros, chegando mesmo quase a serem fuzilados, “Sciusciá”, “Pantera” e “Fiammetta”, vão vencendo, pouco a pouco, os seus inimigos. Tortura, fogo, naufrágios, praga de ratos, internamento numa casa de loucos, tudo é pouco para dar emoção às histórias de “Xuxá”. A primeira aventura terminará no fascículo Nº 39, mas logo depois as peripécias continuam. A sua continuidade faz-se à roda de um roubo de jóias. São então capturados pelos alemães e colocados num campo de concentração. Entretanto “Fiammetta” viverá as suas aventuras sozinha e acabará na Argélia. Gibraltar e de novo Nápoles, irão acolher os nossos “heróis”, mais tarde. Um circo, um castelo, um vulcão, uma tourada (estavam em Valência)» assassinatos, “Xuxá” em perigo de vida, uma viagem à Malásia, outra aos Estados Unidos da América (S. Francisco e seu bairro chinês), corridas de cavalos (em quase todas estas últimas aventuras, encontra-se associado o capitão “Wickers”, que dá o nome precisamente ao primeiro fascículo da série e que se tornará responsável pelas missões de “Xuxá”) e uma deslocação ao Canadá (com a respectiva Policia Montada), constituem a primeira fase das suas aventuras, que termina aqui.
2ª SÉRIE DE AVENTURAS
Na segunda fase das aventuras das nossas personagens, os dois rapazes alistam-se na Polícia Montada (já são um bocadinho maiores). “Fiammetta”, nesta nova série, só muito esporadicamente aparece nas aventuras dos dois jovens. Só a partir do volume 17, os leitores irão encontrar de novo a jovem protagonista, mas por pouco tempo.

As aventuras repetem-se, mas desta vez sem guerra. Uma delas não terá fim, já que se verificará uma interrupção e deixaremos de ter acesso a elas, a partir da altura em que os dois “heróis” se encontram sozinhos na neve… a revista deixará de circular em Portugal… No entanto, no Brasil ela continuará a circular e as nossas personagens são salvas e acabarão em África onde, depois de mais perigos, o antigo capitão “Wickers”, agora civil, é morto por selvagens.
Depois é só selva, mais aventaras e mais emoção… e voltam a Itália.
3ª SÉRIE DE AVENTURAS
A 3ª série de aventuras de “Xuxá” apresenta-se com um formato maior, duas tiras deitadas, uma em cima da outra, em vez de uma única tira. Também as aventuras triplicam, já que surgirão nestes fascículos as histórias de “Xuxá”, “A Patrulha do Céu” e “Coração Intrépido”.
No que respeita a “Xuxá” ele parte para Londres, juntamente com “Pantera” e “Fiammetta”, como jornalistas. De novo em Itália, depois na América do Sul, Marrocos, Cabo Verde, de novo em Londres e Escócia, desta vez com “Fiammetta” que tinha ficado em Londres, Egipto, Londres, África de novo e ficam interrompidas…
A partir do Nº 16 serão publicadas as aventuras de “Nat” de Tacconi, que irão igualmente ficar interrompidas quando a série termina no Nº 52. Quanto a esta personagem, as suas aventuras continuarão nas 3ª e 4ª séries de “O Pequeno Xerife”. Como não conhecemos a 3ª série desta personagem, pensamos que as aventuras de “Xuxá” tenham ali continuado também.
ALGUNS ASPECTOS DA EDIÇÃO BRASILEIRA
O primeiro número de “Xuxá” na edição brasileira, surgiu em Setembro de 1950, quase dois anos depois do original italiano. Tinha 8 por 16 cms. e custava um cruzeiro (1.50 em Portugal). Era uma revista muito cara para a época, não só pelo número de páginas, como pelo seu tamanho. O “Cavaleiro Andante” custava 1.80 quando apareceu, num formato onde cabiam 5 ou 6 “Xuxá” e já estávamos em 1952. As capas eram excelentes a 4 cores. O último número da 1ª série data de 4/8/53, com o 144. A nova série, também com o Nº 1 data de 17/8/53 e o último, o 182, data de 29/1/57. O Nº 1 da 3ª série possui a data de 5/2/57 e o 52 (28/1/58).
O SUCESSO DA SÉRIE
O sucesso de “Xuxá” não se deveu essencialmente a esta série. Digamos que o seu editor aproveitaria o êxito da sua anterior série “Il Piccolo Sceriffo”, para lançar o “Xuxá”. O nome da personagem seria recolhido de um filme de Vittorio de Sica, datado de 1947, intitulado “Sciusciá”. Exactamente como no filme, a jovem personagem irá ser engraxador e terá o nome criado por deformação da palavra “shoe-shine”, pela pronúncia italiana.
O sucesso de “Xuxá” seria rápido e a tiragem da revista duplicaria, em pouco tempo. Estavam na moda os pequenos “heróis”. Em 1951, Torelli, juntamente com Tacconi, ainda cria mais uma pequena personagem para as suas edições: “Nat del Santa Cruz”. O êxito da série estende-se a outros países onde será publicada. Em Portugal e devido à edição brasileira, o sucesso irá manter-se, enquanto a revista apareceu no nosso país…
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, e/ou imprimi-las, clique nas mesmas)




