Vídeo: Mike Deodato Jr. e o Tex Gigante de Joe Kubert

Por José Carlos Francisco

Deodato Taumaturgo Borges Filho, mais conhecido por Mike Deodato Jr., natural de Campina Grande, Paraíba, Brasil, onde nasceu a 23 de Maio de 1963 é um dos artistas brasileiros de Histórias de Banda Desenhada de maior projecção internacional.

Entre seus principais sucessos artísticos, estão “Mulher-Maravilha” (DC Comics), “Os Vingadores“, “Thor“, “Hulk“, “Homem-Aranha” e “Elektra” (Marvel Comics), no meio de muitos outros.

Mas porque Mike Deodato é assunto no blogue do Tex? Porque divulgamos hoje um vídeo de aproximadamente 10 minutos onde o consagrado desenhador brasileiro mostra a sua casa situada num bairro nobre de João Pessoa, a sua família e o seu estúdio, mostrando alguns dos seus desenhos mais recentes e a maneira como trabalha. Dá inclusive dicas de como fazer sucesso neste meio da Nona Arte e conta que está sempre procurando aperfeiçoar-se.

Quando fala sobre a arte de desenhar, em determinado momento ele “saca” debaixo dos seu desenhos o álbum de Tex (O Cavaleiro Solitário) desenhado por Joe  Kubert, explicando detalhadamente para o seu público (leitores de super-heróis dos comics) quem é Tex e como os desenhos do Mestre americano o  inspiram, conforme se pode então constatar assistindo ao vídeo que se segue, se bem que todo o vídeo é em inglês:

Para quem quiser conhecer melhor este fantástico artista, recomendamos uma visita ao site de Mike Deodato, contendo detalhes sobre a vida dele e bastante material de sua autoria:
http://mikedeodatojr.deviantart.com/

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Tex Série Normal: O Passado de Kit Carson

Argumento de Mauro Boselli, desenhos de Carlo Raffaele Marcello e capas de Claudio Villa. Com o título original Il passato di Carson, a história foi publicada em Itália nos nº 407 a 409 e no Brasil pela Editora Globo nos nº 317 a 320.

Esta é seguramente uma das melhores aventuras de toda a saga texiana. Mérito de Boselli, que aqui, logo na sua estreia, relata um episódio do passado de Carson, conseguindo reunir eficazmente uma grande densidade dramática com uma notável galeria de personagens, servido pelo desenho de Marcello que acaba por interpretar a contento todo o cenário envolvente, convidando o leitor a mergulhar literalmente na aventura.

Tudo começa no Montana quando os sobreviventes de uma terrível quadrilha, conhecida como “Os Inocentes”, reúnem-se após vinte anos de separação, com o objectivo de se vingarem do seu antigo chefe (o xerife Ray Clemonds) que os traiu no passado. Enquanto isso, Tex e Kit vão a caminho de Tucson para se encontrarem com Carson.

Mas nesta cidade, um dos elementos da quadrilha reconhece Carson e tenta liquidá-lo. Carson, que lutou contra “Os Inocentes” quando estes espalhavam o terror, acaba por descobrir que os seus elementos planeiam reunir-se novamente em Barrock e, sem aguardar pela chegada de Tex e Kit, acaba por partir sozinho para esta cidade. Ao chegarem a Tucson, Tex e Kit são informados dos propósitos de Carson e resolvem ir também para Barrock. Durante o caminho, Tex relata a Kit todos estes acontecimentos ocorridos no passado de Carson, quando ambos ainda não se conheciam, ressuscitando um episódio que ficou por resolver e que agora parece querer ajustar contas com o destino.

Com esta história iniciou-se o sucesso de Mauro Boselli, porque o autor congregou logo aqui grande parte dos seus atributos: uma extensa e importante galeria de personagens, todas superiormente desenvolvidas; uma intriga capaz de reunir temas como o romance, a amizade, o ódio, a vingança, a traição, ou a coragem, verdadeiras características de um argumento clássico, certamente, mas que o autor organiza dinamicamente e com um ritmo narrativo moderno; além de dois pontos importantes que vieram revolucionar algo a que o leitor texiano porventura não estaria habituado, como a introdução de personagens femininas com real importância no argumento e uma presença do ranger, eventualmente com menor protagonismo, mas sempre preponderante. Ou seja, uma aventura que na época marcou uma certa ruptura com o que vinha sendo feito na série, com Boselli a provar que Tex podia adaptar-se ao sabor dos novos tempos, evoluindo para argumentos mais densos e menos maniqueístas, trilhar novos rumos, mas nunca descurando os valores da personagem e da série.

Verdadeiro argumento cinematográfico, esta é uma história feita de flashbacks e onde todas as balas são literalmente disparadas. Uma história onde Tex não se reduz a um papel menos preponderante, apesar de ser uma aventura mais focada no velho (e no jovem) Carson. Dividindo o protagonismo, Tex e Carson nunca se assumem, por assim dizer, donos da história, porque a aventura está sempre recheada de acontecimentos que acabam por realçar outras relações, dotando grande importância a outros actores. Começando em Kit Willer, passando por Donna, Lena, ou Ray Clemonds e terminando em cada um dos elementos do bando, todas as personagens adquirem a sua espessura e as suas características, todas assumem um papel concreto capaz de se moldar ao ritmo da história. Este é um toque pessoal que Boselli trouxe para a série, tornando as aventuras mais ricas, menos lineares, aventuras onde o leitor é muitas vezes surpreendido pelo rumo empreendido ou pela capacidade de determinada personagem em optar por um comportamento ou por uma atitude menos aguardada. Boselli preocupa-se menos em construir o seu Tex, optando antes construir para Tex, o que equivale afirmar que, sem descurar a sua visão pessoal do Ranger, o autor prefere sempre mais contribuir para o evoluir da série e das personagens.

Apesar dos seus posteriores trabalhos, é nesta aventura que Marcello tem a sua melhor prestação em Tex.

Marcello consegue dotar a aventura de uma atmosfera única, integrando-se perfeitamente no espírito do argumento. A sua representação de Carson em novo é memorável, enquanto as personagens femininas de Lena e Donna são belíssimas.

Esta é realmente uma história lendária, belíssima, a ler e a reler sem nunca nos cansar.

Texto de Mário João Marques

Entrevista com o fã e coleccionador: Erik van Helvoort

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Fernanda Martins na tradução.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Erik: Eu nasci em 1969, na Holanda, numa cidade chamada Dordrecht. Neste momento trabalho como Gerente Internacional de Vendas.

Quando é que teve início esta paixão pela Banda Desenhada, em especial pelo Tex?
Erik: Como descrevo no meu website, eu descobri os meus primeiros livros de Tex Willer no mercado. Eram de segunda mão e custavam algo em torno de 25 centavos de Euro. Isso deve ter sido por volta de 1977.

Porquê o Tex e não outra personagem?
Erik: Somente após ter iniciado o meu website é que descobri que Tex era tão famoso em vários países. Foi muito interessante colectar informações sobre todas essas edições estrangeiras. Além disso, os desenhos nas revistas holandesas são sempre muito bons e as histórias também – nada mal para um produto feito em estúdio!

O que Tex representa para si?
Erik: Uma colecção muito bonita – e várias horas de leitura.

Qual o total de revistas de Tex que tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Erik: Pffff…. não tenho certeza. Há mais ou menos 133 livros holandeses, mas no total devo ter talvez umas 500 edições internacionais diferentes. Além disso tenho caixas cheias de edições holandesas extras (repetidas) que eu uso para venda e troca. A mais importante? Na Holanda os números 5 e 6 são extremamente raros. E eu tenho uma número 6 com “erro” na impressão. Da colecção internacional eu gosto dos meus livros da SAF Comics, destaco o pré-lançamento que tem a versão não censurada dos desenhos de Joe Kubert dos Quatro Assassinos!

Como explica o facto de Tex, hoje em dia, não ser publicado na Holanda?
Erik: Bem, não posso  fazer nada quanto a isso …  De qualquer modo, eu publiquei um novo livro no ano passado, concluindo desta forma, a história que tinha sido deixada incompleta (número 129)!

Como nasceu a ideia de criar um website relacionado com o Ranger?
Erik: Isso foi há muitos anos atrás. Eu queria criar um website sobre uma personagem de histórias em quadradinhos. Obviamente todos os quadradinhos (conhecidos na Holanda) já tinham o seu website (Tintin, Astérix…) então eu escolhi uma personagem dos livros que conhecia da minha infância: Tex.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem?
Erik: Basicamente livros. Não há muitas outras coisas disponíveis sobre Tex. Eu tenho o disco italiano de Tex e um boneco de plástico. Além de Tex eu também colecciono algumas outras séries europeias como: Thorgal, Tanguy & Laverdure, Gaston, Blake & Mortimer e Philemon.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Erik: Eu gosto da história nas edições holandeses de números 43 a 46. É uma história longa, eu suponho que também tenha sido publicada no Brasil: “San Francisco” é um dos títulos. É sobre Tex e seus pards lutando contra um gangue de chineses em San Francisco. Eles são capturados e colocados num navio. Após algumas aventuras no navio eles chegam a uma ilha tropical onde descobrem mais alguns bandidos. Eu também gosto da história sobre “Sasquatch“. Quanto  a escritores ou desenhadores, eu não tenho nenhum preferido.


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O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Erik: Eu gosto da boa qualidade das histórias, muito embora sejam publicadas mensalmente.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que ele é?

Erik: Bem, na Holanda ele não é absolutamente um ídolo!

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Erik: Eu suponho que tenha um futuro brilhante, mas não na Holanda…

Prezado pard Erik, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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