Entrevista com o fã e coleccionador: José Manoel Alvarez

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
José Manoel Alvarez: Nasci no Rio e Janeiro, Brasil, em Janeiro de 1957, ano em que meu querido Botafogo FR foi campeão Carioca, mais uma vez, com uma equipa que seria a base da selecção brasileira que um ano depois conquistaria o Campeonato do Mundo na Suécia. Aquela equipa do Botafogo, diferente da actual, era um timaço, onde se destacavam: Nilton Santos, Pampolini, Didi, Garrincha, Quarentinha, Édson e Paulo Valentim. A Final foi contra o Fluminense, que tinha um ponto de vantagem na classificação e o Botafogo ganhou por 6×2.
Meus pais são espanhóis e aos quatro anos fui para a Espanha com a minha mãe, pois a minha avó fracturara uma perna e pedia pela filha a seu lado. Eles moravam em Sela, pequeno vilarejo da Galiza às margens do Rio Minho, que servia como linha de fronteira com Portugal. Podíamos ir a nado de Espanha para Portugal. Fiquei por lá uns quatro anos e voltamos ao Brasil quando eu tinha de oito para nove anos.
Talvez por isso goste tanto dos desenhadores espanhóis, em especial o grande Esteban Maroto, do qual tenho algumas obras guardadas e das quais não pretendo me desfazer. E claro que entre os espanhóis não poderia deixar de faltar o sensacional F. Ibañez, com sua dupla de agentes birutas, Mortadelo e Salaminho.
Actualmente trabalho como executivo de vendas numa multinacional americana. Desta forma quase não tenho mais tempo para ler, o que só é possível ou nos finais de semana ou durante as madrugadas, pois ao chegar a casa diariamente ainda tenho relatórios e propostas para fazer, e-mails profissionais para responder, etc. Até mesmo a leitura literária, de que gosto tanto (principalmente biografias, ficção-científica e livros policiais) também fica muito negligenciada. Minha colecção de livros já passa de 500 exemplares, distribuídos em várias estantes e caixas. Mas o tempo é muito curto, restando-me apenas as madrugadas, meu horário favorito para as leituras, normalmente entre 23:00 e 02:00h da madrugada. E a dureza é que às 05:40h já estou levantando para mais um dia.
Um dos últimos livros que li, O Sétimo Selo, de José Rodrigues dos Santos, moçambicano radicado em Portugal, eu terminei de ler num sábado às 03:20 da madrugada, já com imensa dificuldade de manter os olhos abertos. Mas não conseguiria esperar por mais um dia para terminar sua leitura, deveras interessante.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?

José Manoel Alvarez: O jornal carioca O GLOBO publicava diariamente uma página inteira com tiras de quadradinhos. Eram mais de 30 tiras diárias com Superman, Fantasma, Mandrake, Tarzan, Flash Gordon, Brucutu, Dick Tracy, Nick Holmes, Modest Blaise, Recruta Zero, Zé Mulambo, Big Bem Bolt, entre outros que não lembro agora. Às terças publicava uma prancha colorida do Príncipe Valente e aos sábados outra com Tarzan desenhado por Russ Manning. Aos sábados, e depois aos domingos, era publicado um caderno especial de quadradinhos, chamado O Globinho Supercolorido, com muitas personagens da Disney, Hanna-Barbera, Popeye, Brucutu, etc.. Nessa época meu tio comprava O Globo diariamente. Eu ficava aguardando ele voltar do trabalho à noite para pegar o jornal. Já o esperava no portão, pegava o jornal e abria o segundo caderno no chão da sala para conseguir ler melhor, pois as folhas do jornal eram bem grandes para um menino de oito anos.
Claro que não lia todas as histórias, pois algumas tinham uma temática mais adulta para minha idade e eu achava-as muito chatas. Mas lia todas aquelas que viraram clássicas e que também saíam nas revistas mensais das várias editoras de quadradinhos que tínhamos no Brasil naquela época. Lembrava-me sempre de uma história do Dick Tracy em que havia uma personagem com antenas que emitiam um tipo de raio e eu achava o máximo, pois também era grande fã de ficção-científica. Depois de adulto, sempre que encontrava uma edição com histórias do Dick Tracy eu procurava por esta história, que saíra nas tiras de O Globo. Este ano finalmente encontrei-a. Achei uma colectânea com antigas histórias do Dick Tracy sendo vendida no Mercado Livre da Argentina (uma espécie de e-Bay da América do Sul). E lá estava a história que havia ficado marcada em minha memória. No verdadeiro pacotaço que recebi da Argentina também vieram, entre outras, algumas revistas da Modesty Blaise, de quem não perdia uma única tira na infância.
Assim o jornal O Globo entrou na minha vida (comecei lendo os quadradinhos, alguns anos após passei a ler também a parte desportiva, e muitos anos depois o restante dos assuntos, muito adultos para aquele jovem leitor). Pois eu leio O Globo diariamente até hoje, sendo que tenho uma assinatura ininterrupta dele desde 1980. Hoje, infelizmente a página de quadriadnhos publica apenas algumas tiras, não se comparando com a fartura de opções daquela época. De O Globo passei para os quadradinhos de banca, sempre que ganhava algum dinheiro comprava alguma edição das revistas que mais gostava naquela época: Legião dos Super Heróis, O Judoka, Homem-Aranha, O Fantasma, Zorro, Tarzan, Flecha Ligeira, Cavaleiro Negro, etc.. Também lia as revistas Disney, mas nunca fui de comprar. Gostava muito do Super Pateta e depois do Peninha (Morcego Vermelho). Sempre achei o Mickey meio chato.
Nesta época os quadradinhos brasileiros também tinham muitas personagens interessantes, como o Jerônimo, o Herói do Sertão, que fazia grande sucesso nos quadradinhos, desenhado pela grande artista Edmundo Rodrigues. Este era uma personagem que surgira de uma radionovela da Rádio Nacional do Rio de Janeiro (uma verdadeira TV Globo da época pré-TV). Assim como a TV Globo exporta centenas de novelas e mini-séries para centenas de países, a Rádio Nacional era a rainha das radionovelas no Brasil. Lembro-me que eu e meus amigos passávamos a parte da manhã na escola, depois a tarde inteira brincando na rua, mas quando se aproximava o horário de passar Jerônimo, todos corriam para suas casas, tomávamos banho e ficávamos colados junto ao rádio ouvindo mais um episódio do grande herói. Uma espécie de Tex brasileiro, que lutava contra a tirania pelo interior do Brasil, sempre em aventuras cheias de acção, acompanhado de seu inseparável amigo, o Moleque Saci, um negrinho que vivia se metendo em problemas, mas que também ajudava o Jerônimo a sair de muitas enrascadas. Tinha também a sua eterna namorada Aninha que participava muito de suas aventuras.
Várias personagens dos quadriadnhos das décadas de 50/70 saíram das novelas do rádio: O Anjo (um detective), Juvêncio, o Justiceiro (também um cowboy do sertão brasileiro). Outros saíram de programas de TV. Foi bem no início da TV no Brasil, onde os programas eram ao vivo, pois ainda não havia o vídeo-tape que permitissem serem previamente gravados. Eram programas semanais, interpretados por actores vindos das novelas de rádio, já que a TV estava no seu início. Os mais famosos foram o Capitão 7 (tinha arma de raios, capa e voava), O Falcão Negro (uma personagem de capa e espada).
Outras personagens eram copiadas dos heróis de quadradinhos americanos, como Targo (um Tarzan que habitava uma região perdida da Amazónia onde conviviam índios e dinossauros), Raio Negro (uma mistura de Lanterna Verde com o Ciclope dos X-Men), Escorpião (cópia do Fantasma), etc..
Tínhamos uma grande diversidade de editoras de banda desenhada neste período. As grandes EBAL (a que eu mais amei e tenho saudades até hoje), a Rio Gráfica Editora (depois RGE e mais tarde Globo) e a Abril, basicamente publicando a linha Disney e depois a Turma da Mônica, do Maurício de Souza. Porém haviam várias editoras pequenas e que publicavam basicamente quadradinhos feitos no Brasil. A maioria publicava histórias de Terror, alguma coisa de faroeste, alguns heróis copiados dos americanos e personagens infantis. Destas pequenas gostava muito da EDREL, onde trabalhavam uma série de artistas descendentes de japoneses, com destaque para o Cláudio Seto, que desenhava em estilo Mangá (entre os anos 60/70), muito antes desse estilo ser divulgado no Brasil. Suas personagem principais deste estilo eram Ninjas ou Samurais. Tinha o Fernando Ikoma, com um estilo muito diferente, desenhando mais histórias de terror. Era uma editora que só publicava material nacional.

Quando descobriu Tex?
José Manoel Alvarez: Descobri Tex logo nos primeiros números, mas a princípio não gostei muito. Acostumado com os quadradinhos americanos, com histórias pequenas e sempre com final, achava as histórias de Tex muito cansativas. Também na época conheci AKIM, aquela cópia pessimamente desenhada do Tarzan. Era incrível, mas seu desenhador não tinha a mínima noção de anatomia humana e vivia desenhando corpos sumariamente vestidos, onde seus fracos dotes artísticos eram notados até por um míope. Na época gostava de faroeste com Cavaleiro Negro, Bonanza, Flecha Ligeira e Zorro. Bonanza era um tremendo sucesso na TV, cujo tema de aventura eu vivia cantarolando. Pena que era publicado pela editora O Cruzeiro, cuja qualidade de impressão e papel eram horríveis e as cores ficavam todas borradas. Às vezes era difícil de ler algumas palavras ou ver certos detalhes dos desenhos. O Zorro também passava na TV. Eu ficava esperando as cenas finais só para ver e ouvir o “Aaaaiiiiiiôôôôô, Silver!”. Assim era muito mais fácil gostar destas personagens de western do que do Tex, cujas aventuras eram muito grandes, tinham “muita enrolação” e não tinham final do terminarmos de ler a revista. As outras eram de personagens conhecidas e as histórias eram curtas, com média de 8/10 páginas cada.

Porquê esta paixão por Tex?
José Manoel Alvarez: Comparada com a sua, José Carlos, não posso dizer que tenho uma paixão. Mas gosto bastante de ler Tex. Aliás, também gosto muito das outras personagens Bonellianas, como Mágico Vento, Júlia, Zagor, Dylan Dog, Mister NO e Martin Mystère. Comecei a acompanhar mais regularmente o Tex depois dos 25 anos. Na verdade o que me fez voltar a ler Tex foram as edições Bonelli que passaram a sair pela editora Record: Zagor, Martin Mystère, Dylan Dog, Nick Raider e Mister NO. O formato atraiu-me e aqueles verdadeiros livrões, alguns com mais de 300 páginas deixaram-me cativado de verdade.
Na verdade eu gostava muito, e gosto até hoje, de ler livros, romances, ficção-científica, biografias, etc.. Não há um mês em que não leia, pelo menos, um livro. Assim aquele formato e quantidades de páginas atraiam-me. Comecei com Zagor, fui passando pelos outros e daí para o Tex foi um pulo, pois vi que eram da mesma editora italiana. E na secção de cartas das revistas da Record muitas vezes os leitores perguntavam se eles também iriam publicar o Tex. Mesmo odiando aquele formatinho do Tex eu passei a ler suas aventuras regularmente.
Acho que a Mythos devia lançar uma edição de Tex diferenciada. Algo para os coleccionadores, fãs verdadeiros, não aqueles formatinhos que a grande maioria lê depois troca de novo com o jornaleiro da esquina por um cartão de raspadinha, ou joga fora, vende para um alfarrabista, etc.. Algo que fosse de qualidade e que os fãs ficassem tentados a comprar para suas biblioTex’s.  Formato italiano, ou maior, capa e papel de qualidade. Veja quanta coisa tem saído para venda em gibitecas e livrarias, mesmo custando muito mais caro do que sai em banca. É o caso da Biblioteca Histórica Marvel ou a linha Crônicas da DC (Superman e Batman), que a Panini vem publicando, e com grande sucesso, tanto é verdade que novos lançamentos já estão sendo anunciados. Por que não lançar algo semelhante com Tex? Será que a Panini vai ter que pegar a personagem italiana para que ele possa ter algo semelhante? Ela já pegou Marvel, DC, Image… Qualquer hora dessas pega a linha Bonelli, afinal são todos italianos.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
José Manoel Alvarez: Não acho que ele tenha algo diferente de outras personagens de banda desenhada, pois sempre haverá uma personagem ou outra que terá algumas das qualidades, ou defeitos, de Tex. Mas tem muitas coisas que admiro em suas venturas. A primeira delas são os roteiros e o excepcional time de desenhadores, dos quais destaco o incomparável Civitelli, cuja admiração por sua arte você bem conhece, tendo inclusive me presenteado com uma bela gravura assinada pelo mestre.
Gosto da grande maioria dos desenhadores de Tex. Dos que menos gostava eram Galep e o Letteri, este é certamente o pior de todos os que já desenharam Tex, na modesta minha opinião.
Alguns roteiros de Tex dariam excelentes filmes de Western. Aliás, é assim que me sinto quando leio as aventuras de Tex, como se estivesse vendo um western clássico com John Wayne ou um daqueles faroestes B, mas sempre óptimos, com o Randoph Scott.
Gosto mais das aventuras onde participam os quatro juntos, com Tigre e filho do Tex, pois fica muito forte o sentimento de amizade, de família, de união entre eles.

Qual o total de revistas de Tex que tem na sua colecção?
José Manoel Alvarez: Bem, não sei ao certo, mas da revista mensal faltam umas poucas edições da Editora Vecchi, algumas outras da Globo. Da Mythos tenho todas. Da Globo tenho todas as edições coloridas. Os Tex Gigantes tenho todos, bem como do Tex anual e do Almanaque. De Tex Coleção tenho algumas edições, bem como da Série Histórica e da Grandes Clássicos. Aliás, das outras Bonellis (Dylan Dog, Zagor, Mister NO, Martin Mystère, Nick Rider, Mágico Vento e Júlia) tenho tudo que saiu pela Mythos e dos que foram publicados pela Record também. Da Globo só tenho Tex.
Não tenho uma edição que possa dizer que é a mais importante para mim. Não seria justo ter apenas uma. Mas para mim as mais importantes e significativas são as desenhadas pelo Civitelli e o Ortiz. Eles são magistrais em seus tão diferentes estilos. Tão diferentes esteticamente, mas tão representativos da beleza da arte sequencial.
O que mais gosto numa BD é o desenho. Posso ler um péssimo roteiro bem desenhado. Mas jamais vou conseguir terminar a leitura de um grande roteiro se for desenhado por alguém de cujo desenho eu não goste. A única história desenhada pelo Letteri que li até hoje foi Oklahoma. E confesso que li com muita dificuldade, não vendo a hora de terminar para descansar meus olhos. Vez ou outra até dava uma parada e lia um pedaço de um Tex desenhado pelo Civitelli, Della Monica, Repetto ou Del Vecchio.
Meu primeiro curso superior foi Belas Artes. Entrei para a Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde comecei a cursar “Comunicação Visual”, mas fiquei apenas um ano, pois precisava muito trabalhar e lá só havia o curso pela manhã. Quando entrei achei que sairia de lá um desenhador formado, profissional. Como lia muita BD na infância, sempre tivera o sonho de ser um desenhador de quadradinhos, um grande desenhador ou pintor. Infelizmente não deu e fui cursar Administração de Empresas à noite, o que não prejudicava o meu trabalho.

Colecciona apenas revistas ou tudo o que diga respeita à personagem?
José Manoel Alvarez: Somente revistas e livros. Deixo os outros itens para alguns amigos (rsssss), que coleccionam de tudo.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
José Manoel Alvarez: O lençol de sua primeira noite com Lírio Branco. Só assim eu poderia provar para o grande Amigo João Guilherme que tal facto realmente aconteceu. Rsssssss.  Maldade à parte (perco o Amigo, mas não perco a piada), não tenho interesse específico. Só se o Amigo José Carlos me conseguisse uma revista de Tex desenhada e autografada pelo próprio Civitelli, com dedicatória e tudo. Certamente ficaria emoldurado na parede de meu escritório.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
José Manoel Alvarez: A favorita é “O Cavaleiro Solitário“, aquela desenhada pelo Joe Kubert para o Tex Gigante. É fantástica.
Os desenhadores favoritos são Civitelli, Della Monica, Del Vecchio, Repetto, Ortiz e Ticci.
Os argumentistas que mais aprecio são Boselli, Segura, Faraci e Manfredi. Nizzi também tem bons roteiros, mas acho que os outros tem um estilo que gosto mais.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
José Manoel Alvarez: O espírito de amizade, de enfrentar qualquer obstáculo para ajudar um amigo em dificuldades. Seu senso de amizade é muito forte.
O que gosto menos é a falta de vida pessoal da personagem. Não há outra publicação da Bonelli em que a inexistência da vida pessoal seja tão marcante como é em Tex. Acho que a vida pessoal engrandeceria ainda mais a personagem e enriqueceria suas histórias.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que ele é?

José Manoel Alvarez: O senso de amizade e justiça. Alguém que enfrenta qualquer situação para ajudar um amigo ou um injustiçado, que muitas vezes ele nem conhecia até aquele momento. Num mundo como o de hoje isso é dificílimo de ser encontrado.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
José Manoel Alvarez: Infelizmente não, pois trabalho o dia todo e às vezes boa parte da noite. Tempo só nos finais de semana, que acabam sendo muito pequenos para tantos afazeres que ficam sendo adiados durante a semana. Mesmo para leitura só sobra tempo tarde da noite e nos finais de semana. Há pouco tempo tive o prazer de conhecer José Ricardo, também conhecido como JR, quando estive no QG da Bonelli-HQ, pegando minha estátua de Zagor. Infelizmente nenhum dos dois lembrou-se de tirar umas fotos para registar o evento. Mas certamente outras oportunidades ocorrerão em breve.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
José Manoel Alvarez: Acredito que será ainda muito promissor por um bom tempo. Não sei se daqui a dez anos ainda será publicado em papel, ou em alguma forma digital. Já temos e-books, poderemos ter os e-BD, quem sabe. Mas acho que a personagem não perderá sua força tão bruscamente num futuro próximo. Não sei no Brasil, onde sempre é maltratado e publicado em formatinho e papel horrível. Aqui não há publicações decentes de Tex, álbuns, livros, edições de coleccionadores, para livrarias, etc.. Existem em vários países, mas parece que o pessoal que o publica aqui não sabe pensar grande. Quer ficar restrito às bancas de jornal, onde somos obrigados a verdadeiras maratonas para encontrar as revistas do Ranger.

Prezado pard José Manoel Alvarez, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
José Manoel Alvarez: Obrigado eu, Amigo José Carlos por lembrar-se de mim, tão pequeno coleccionador de Tex, comparado com alguns amigos que conhecemos, ou temos notícias pelo Blogue português do Tex.

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Encontro Texiano com Pedro Fernandes Pereira

Por José Carlos Francisco
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Nesta última sexta-feira de Maio de 2009, dia 29, aconteceu mais um convívio Texiano na Malaposta, pois tive a grande honra de receber em minha casa, o grande fã e coleccionador fervoroso de Tex, Pedro Fernandes Pereira, que aproveitando uma viagem de trabalho à cidade do Porto, fez um desvio no regresso a casa, de modo a poder conhecer pessoalmente a minha BiblioTEX e ao mesmo tempo”levantar” um pacote de revistas de Tex oriundas da Mythos e trazidas pelo editor Dorival aquando da sua recente viagem a Portugal e também para matarmos as saudades mútuas, proporcionando mesmo que por poucos minutos, intensos momentos Texianos, como sempre acontece quando dois (ou mais) Texianos se encontrem.
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Pedro Pereira em jovem lia o Falcão, Mundo de Aventuras, Guerra, Zagor, Mandrake… mas hoje em dia só Tex ficou mesmo! Todos os outros foram partindo! É que Tex para ele é o herói da banda desenhada que devia ser de carne e osso, já que num mundo cheio de injustiças, em que os fortes oprimem os fracos, a lei serve para defender os opressores…
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Tex é mesmo uma lufada de ar fresco e representa o ideal do bem, mesmo que para isso seja preciso cometer algumas ilegalidades… tudo isto (e muito mais) se pode saber, vendo a entrevista que o Pedro concedeu ao blogue do Tex.

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Foi enfim, mais um dia fantástico na minha vida de coleccionador de Tex, onde a amizade predominou e que só foi possível devido ao Ranger, ser uma personagem (de papel) tão especial e publicamente, agradeço ao Pedro, por estes maravilhosos momentos (poucos mas bons) vividos em minha casa, pois é sempre um tremendo prazer falar sobre o nosso Tex, ainda mais entre Amigos com a mesma paixão e que no fundo são como família!

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Fanzine “A Conquista do Oeste” – Maio/Novembro 2001 – Página 80 – Roy Rogers

ROY ROGERS

Temos pena, mas este será o último artista que irá figurar destacadamente neste espaço. Infelizmente e pelo que temos vindo a lançar no computador, estão já contadas mais de 50 páginas e, como ainda nos falta incluir tanto material, as 100 páginas previstas não vão chegar. E temos que admitir que ultrapassar tal número, está fora de questão. Todos os outros artistas irão unicamente aparecer com os seus nomes e pouco mais, apesar de sabermos que, muitos deles mereciam ainda, mais linhas.

Leonard Slye (seu nome verdadeiro), nasceu a 5 de Novembro de 1912, em Cincinnati, em Ohio.
Contemporâneo de Gene Autry, Roy Rogers foi, sem dúvida, a partir de 1943, o “Rei dos Cow-boys” do Cinema, mantendo o seu título durante 12 anos seguidos, suplantando o do seu rival, que permaneceu destacado unicamente durante 6 anos. Como se isso não bastasse, os seus parceiros eram “Trigger” (o cavalo mais esperto do Cinema) e sua mulher Dale Evans (a rainha do Oeste), com quem contracenou durante 20 filmes.

Roy Rogers não era um grande actor, mas o seu estilo alegre e natural, proporcionou-lhe a popularidade que alcançaria. Estreou-se no Cinema em 1935, como cantor integrante do grupo “Sons of The Pioneers”. Teve o seu primeiro papel com o nome de “Dick West”, sendo baptizado como “Roy Rogers”, em 1938, pelo o então presidente da Republica Pictures, Herbert J. Yates, no filme “Under Western Stars”. O seu segundo filme, “Billy The Kid Returns”, embora mais emocionante que o anterior, não deu a Roy Rogers, a consagração que Gene Autry tinha alcançado. Somente quando este ingressou nas Forças Armadas, em 1942, é que Rogers veio a ocupar o primeiro lugar nos filmes de “western”.

Até 1940 os seus filmes foram sempre musicais, tornando-se mais intensos em relação à acção, a partir de finais dessa década, como em “Springtime In The Sierras”.
Seu último filme de “western” seria “Palms of The Golden West” (1951), embora ainda entrasse no ano seguinte em outro filme com Bob Hope, “Son of Paleface”. Depois disso retirou-se e passou unicamente a entrar em filmes da TV.

Alguns dos seus filmes: “Brazil”, “The Ranger And The Lady”, “Son of Nevada”, “Yellow Rose of Texas” (de 1940), “Along The Navarro Trail”, “Don’t Fence Me In”, “Sunset In Eldorado” (de 1945), “Heldorado”, “My Pal Trigger”,  “Rainbow Over Texas”, “Roll On Texas Moon” (de 1946), “Apache Rose”, “Bells of San Angelo”, “On The Old Spanish Trail” (de 1948), “The Gay Ranchero”, “Eyes of Texas” e “Grand Canyon Trail” (de 1948).

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Póster Tex Nuova Ristampa 110

Póster Tex Nuova Ristampa 110

Dramático desenho da autoria de Claudio Villa, onde vemos Tex Willer e Kit Carson no preciso momento em que ocorre o desabamento de uma galeria (que visava o cofre forte do banco de Little Rock) escavada pelos elementos do bando chefiado pelo Capitão Harry Field.

Desenho usado no Brasil como capa de Tex Edição Histórica #94 e inspirado na história “Little Rock” de G. L. Bonelli e Erio Nicolò (Tex italiano #186 a #188).
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Texto de José Carlos Francisco