Tex e seus pards esculpidos em areia

Por José Carlos Francisco

Capa Tex 500 esculpida em areiaTex e seus pards foram esculpidos na areia, num concurso de esculturas em areia dedicadas ao  The  American Wild West (Oeste Selvagem Americano), por Kevin Crawford, um americano residente na cidade de Perth na Austrália, num concurso realizado no Verão de 2007, na bela cidade italiana de Jesolo, integrada na região do Veneto, província de Veneza e que contou com a participação de escultores do mundo inteiro.

Conforme podemos ver nas imagens que ilustram este texto (para aproveitar a extensão completa das imagens, clique nas mesmas), o consagrado artista americano homenageou o famoso Ranger criado por G. L. Bonelli e Aurelio Galleppini esculpindo na areia a já mítica capa da edição nº 500, da autoria de Claudio Villa e que foi publicada na Itália em Junho de 2002, capa essa onde comparecem os 4 pards!

Tex e seus pards esculpidos em areia
Kevin CrawfortA areia é hoje em dia cada vez mais utilizada, um pouco por todo o mundo, como matéria-prima artística, utilizada em eventos promocionais ou sociais, em ocupação de tempos livres, bem como em festivais e animação variada.

As esculturas em areia, obras que desafiam o carácter efémero, em que o suporte se esvai com os elementos, assumem-se apesar disso, como excelente meio de comunicação, não só pela espectacularidade do produto artístico final, como pelo próprio processo de criação e de construção, como podemos ver em outro trabalho realizado por Kevin Crawfort e integrado no mesmo concurso, mas tendo nesta obra a colaboração da escultora profissional Karen Fralich, natural do Canadá, intitulado “A febre do Ouro“, onde os artistas esculpiram magnificamente uma mina de ouro californiana, outra verdadeira obra de arte. Ou deveremos dizer obra de engenharia e de arquitectura?

Mina de Ouro em areia

Clara da Noite, Carson e Tex, por Jordi Bernet

* Texto de José Carlos Francisco

Clara da Noite, Tex e Carson por Joe BernetNa imagem ao lado (para aproveitar a extensão completa da ilustração, clique na mesma)  mostramos um belo e inusitado desenho do considerado mestre da BD noir, o afamado desenhador espanhol Jordi Bernet (para além do seu trabalho no Tex Gigante é conhecido também por seus trabalhos em Torpedo e Jonah Hex) que junta numa mesma Arte, os dois famosos Rangers Kit Carson e Tex Willer (este de arma na mão) e ainda a bela e sensual “Clara da Noite“, uma prostituta espanhola de bom coração, criação do próprio Jordi Bernet na companhia de Carlos Trillo e Eduardo Maicas, para as páginas de quadradinhos da El Jueves, revista de humor espanhola, onde aparece desde 1992.

Como se pode comprovar nesta mesma arte, Jordi Bernet i Cussó natural de Barcelona, cidade onde nasceu em 14 de Julho de 1944, e filho do célebre desenhador Miguel Bernet Toledano, agrega nos seus desenhos um ligeiro toque caricaturesco na descrição gráfica das personagens, realizando além disso um desenho que reduz os elementos indispensáveis a uma expressão mínima, e em que o contraste entre o preto e branco adquire um protagonismo primordial.

Jordi Bernet no seu estúdioA única participação de Jordi Bernet (na foto ao lado) na saga de Tex ocorreu em Novembro de 1996 com a história  “O Homem de Atlanta”, escrita por Claudio Nizzi que para a ocasião fez um guião especialmente pensado para Bernet. Para ele criou uma personagem feminina à qual deu um grande protagonismo na narração para permitir o brilho do desenhador: Lola Dixieland, cantora de salão.

Pese o seu breve episódio na saga de Tex, podemos dizer que se algo contribuiu no trabalho de Jordi Bernet, isso foi a expressão; não é nenhum segredo o nível expressivo que Jordi foi capaz de desenvolver no Texone # 10…

Tex, um Gigante na Editora Globo

Por José Rivaldo Ribeiro[1]

Em Junho de 1988, por ocasião dos 40 anos do seu mais ilustre personagem, a Sergio Bonelli Editore lançou o mítico Albo Speciale per i 40 Anni di Tex, Il Grande!.

Texone 1

No Brasil, simultaneamente, a Editora Globo lançava a Edição Especial – 40 Anos de Tex, O Grande!, milagrosamente com o mesmo conteúdo do original. Um facto relevante, já que a editora costumava talhar as histórias do ranger para também encaixar as suas propagandas nas 116 páginas da revista. Enfim, os texmaníacos tinham uma extensa matéria com informações e curiosidades sobre Águia da Noite e seus criadores, sem contar a surpreendente e fascinante história de Nizzi e Buzzelli, que prende o leitor do primeiro ao último quadradinho.

A edição passou a ser referida pelos coleccionadores como ‘o especial da Globo’, já que em 1980 a Editora Vecchi também lançara o seu, o imbatível e mega-raro Tex Especial – O Ídolo de Cristal, sonho de consumo de muitos coleccionadores de Tex.

Na Itália, o formato de Texone é um pouco maior que o adoptado no Brasil. Em cada número a SBE convidava um novo artista para ilustrar o ranger e seus pards, dando-lhes traços bem diferentes do habitual.

Em Março de 1999, a Mythos relançou a série rebaptizando-a de Tex Gigante, dessa vez com numeração sequencial. Diferentemente da editora actual, a série da Globo é marcada por curiosidades que alguns coleccionadores desconhecem. Muitos afirmam que foram lançados cinco álbuns. Outros dizem que seis é a conta exacta. Blogues, sites, fanzines e livros nunca mencionaram todos (até agora). Seja como for, a colecção completa é formada por sete edições.

Talvez a confusão exista por causa de duas histórias que foram reeditadas ainda naquela editora. Mas o que ajuda de facto a deixar a colecção confusa é a ausência de numeração em capa. Tex, O Grande! então foi reeditado em Julho de 1998 para as comemorações dos 50 anos do ranger, com a mesma capa, texto actualizado e notáveis diferenças. Para muitos leitores essa edição é uma daquelas revistas lendárias, inventadas por alguns aficionados. O mesmo acontece com a também misteriosa e intrigante A Marca da Serpente, reeditada em seguida.

Relação completa:

1 – Tex, O Grande! – 40 Anos (Set/88)
2 – A Marca da Serpente (Ago/93)
3 – O Grande Roubo (Jul/94)
4 – Arizona em Chamas (Jul/95)
5 – O Vale do Terror (Out/96)
6 – Tex, O Grande! – 50 Anos (Jul/98)
7 – A Marca da Serpente (Set/98)

Eis de seguida, as sete capas dos especiais da Globo.

Tex, o Grande - 40 anosTex, o Grande - 50 anos
.
TEX - A Marca da Serpente1TEX - A Marca da Serpente 2

O Grande RouboArizona em Chamas
.
.
O Vale do Terror

Desde 1999, quando adquiriu os direitos da Bonelli no Brasil, a Mythos Editora vem fazendo um trabalho primoroso com as publicações da revista Tex. Todas as edições mencionadas acima foram também relançadas na série Tex Gigante.

(Texto publicado originalmente no Planeta Gibi Blog, em 15  de Setembro de 2009)


[1] José Rivaldo Ribeiro é um grande coleccionador brasileiro de banda desenhada, tendo participado activamente de pesquisas para edições, blogues e sites referentes a BD de diversos géneros!
Considera-se um crítico de banda desenhada e é também leitor e coleccionador de Tex.

Entrevista com o fã e coleccionador: Ilson Nogueira Junior

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Ilson Nogueira JuniorPara começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Ilson Nogueira Junior: Chamo-me Ilson Nogueira Junior, sou natural de Angatuba no interior do Estado de São Paulo, Brasil. Nasci no dia 2 de Setembro de 1980, actualmente resido na cidade de Itapetininga, também interior do Estado de São Paulo, onde trabalho em uma fábrica de baterias.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Ilson Nogueira Junior: Quando tinha 8 anos de idade comecei a ler “Tex”, conheci a revista através do meu pai que era um coleccionador, ele comprava a revista mensalmente e depois que ele terminava de ler era a minha vez.
Foi assim que começou o meu interesse pelas revistas em quadradinhos, encantavam-me desde aquela época as tramas das histórias e os excelentes desenhos de Tex. Comecei a frequentar as bancas da cidade de Cotia (São Paulo), onde eu residia nessa época e logo me interessei também por “Zagor” e posteriormente “Mister No”.
Hoje em dia, além de Tex e Zagor, também colecciono “Mágico Vento” e “Aventuras de Uma Criminóloga”.

Ilson Nogueira Junior e o Blogue de JúliaPara aqueles que ainda não estão bem identificados, fale-nos um pouco da sua paixão por Júlia (“Aventuras de Uma Criminóloga”), paixão essa que o levou a criar inclusive o blogue de Júlia Kendall?
Ilson Nogueira Junior: Júlia foi criada pelo genial Giancarlo Berardi, autor que eu admiro muito, que inclusive elaborou todos os argumentos da série até hoje, isso apenas já seria suficiente para acender a minha paixão por Júlia, porém é mais do que isso. As histórias de Júlia são brilhantes, realistas, emocionantes, e por vezes polémicas e chocantes, e ainda conta com alguns dos melhores desenhadores da Editora Bonelli.
Apesar de já estarmos na edição 59 de Júlia aqui no Brasil, desde o início da publicação da revista pela Editora Mythos houve boatos de que Júlia poderia ser cancelada devida a sua vendagem ser baixa.
Como já havia lido por mais de uma vez todas as edições publicadas no Brasil, senti-me um especialista em Júlia, então criei o Blogue “Aventuras de Uma Criminóloga” com o intuito de ajudar na conquista de novos leitores e ainda ter um local em que eu pudesse trocar ideias com outros leitores de Júlia.

Ilson Nogueira JuniorPassando agora ao Ranger que dá nome a este blogue, quando descobriu Tex?
Ilson Nogueira Junior: Como informei anteriormente foi aos 8 anos de idade, através do meu pai que já é falecido, ele era um coleccionador de Tex. A minha própria colecção eu comecei quando me tornei adolescente e comecei a trabalhar, podendo assim comprar as revistas mensalmente. Na época Tex era publicado no Brasil pela Editora Globo.

Porquê esta paixão por Tex?
Ilson Nogueira Junior: Gosto muito de todas as publicações da Editora Bonelli e Tex é o pai de todas as revistas da editora. As aventuras de Tex são interessantes e inteligentes e seu estilo marcante está presente há muitas décadas.

Ilson Nogueira JuniorO que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Ilson Nogueira Junior: Acho que principalmente o carisma da personagem, seu senso de justiça e lealdade são sua marca registrada. Tex é uma personagem muito confiante e corajosa, desafia qualquer um em nome do que acredita que seja o correcto.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Ilson Nogueira Junior: Não sei ao certo o total de revistas de Tex que tenho na minha colecção, infelizmente faltam-me centenas de edições para completá-la, porém tenho muitas da Editora Globo e quase todas da Editora Mythos. Todas as edições são importantes para mim, mas se tiver que escolher fico com o “Tex Edição Especial –  O Vale do Terror” que foi desenhado por Magnus.

Ilson_007Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Ilson Nogueira Junior: Apenas as revistas em quadradinhos mesmo.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Ilson Nogueira Junior: Gostaria de possuir um póster para quando eu tiver um cómodo em casa que eu possa transformar na minha BiblioTEX.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Ilson Nogueira Junior: Considero a edição “Oklahoma!” com o roteiro do Berardi a melhor história de Tex. Os desenhadores são todos muito bons, mas como tenho que escolher apenas um, escolho o Fabio Civitelli, e o roteirista escolho o Claudio Nizzi.

Ilson Nogueira JuniorO que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Ilson Nogueira Junior: O que mais me agrada são as muitas sequência de acção que são apresentadas durante a história, o que menos me agrada é a falta da abordagem de temas mais pessoais da personagem, como o relacionamento com o filho e até mesmo a falta de relacionamentos amorosos de Tex.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Ilson Nogueira Junior: Tex consegue fazer com que seus leitores se tornem fiéis à personagem, quem lê Tex uma vez não consegue mais parar.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Ilson Nogueira Junior: Nunca tive a oportunidade de me encontrar com outros coleccionadores, espero que um dia eu consiga, principalmente se o encontro for dentro do Estado de São Paulo.

Ilson Nogueira Junior e filhoComo vê o futuro do Ranger?
Ilson Nogueira Junior: Acredito que Tex ainda tem uma longa vida editorial pela frente, a Editora Bonelli está sempre renovando a sua equipa de artistas a fim de manter os leitores antigos e conquistar novos, isso sem perder o padrão que fez de Tex o ícone que é.

Para concluir, como imaginaria uma história onde Tex e Júlia pudessem actuar juntos?
Ilson Nogueira Junior: Imagino alguém sendo acusado de um crime injustamente, e apenas a intuição e perspicácia de Júlia e a análise critica dos factos e empenho do Tex poderiam solucionar o caso a favor do injustiçado.

Prezado pard Ilson Nogueira Junior, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)