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Entrevista exclusiva: PASQUALE RUJU
Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Giampiero Belardinelli e Roberto Pagani na formulação das perguntas, de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão e de Bira Dantas na caricatura.
Caro Pasquale Ruju, bem-vindo ao blogue português de Tex. Para começar, o que é a BD para si, como linguagem e como experiência profissional?
Pasquale Ruju: Um modo de me expressar, com palavras e imagens, sem precisar ficar de olho no orçamento, como eu faria se trabalhasse no cinema. Em resumo, o melhor trabalho do mundo!
Que lugar tiveram os quadradinhos, sobretudo Bonelli, na sua infância?
Pasquale Ruju: Desde a adolescência eu fui um grande leitor de Zagor e Mister No, e depois cheguei a Tex e a Dylan Dog. Junto aos romances de Júlio Verne e de Emilio Salgari, os quadradinhos Bonelli contribuíram para formar a minha visão pessoal de história aventurosa.
Você começou a sua carreira artística no cinema e no teatro. O que nos pode contar dessa experiência?
Pasquale Ruju: Depois da formatura em Arquitectura, eu trabalhei por alguns anos no teatro, com algumas incursões no cinema e na TV. Durante os estudos universitários eu frequentei uma escola profissional de actores, e assim eu comecei aos poucos a trabalhar nesse sector. Uma experiência muito fascinante, que alguns anos depois levou-me à dobragem (n.t.: dublagem, no Brasil).
Em seguida você destacou-se como dobrador (n.t.: dublador, no Brasil). Como chegou a esse trabalho? E consta que você deu voz a algumas personagens da edição radiofónica de Dylan Dog, transmitida pela RAI (n.t.: a rádio e TV italiana), certo?
Pasquale Ruju: A dobragem para TV foi o meu verdadeiro trabalho, até que cheguei à Bonelli. Eu comecei quase por acaso, a fazer uns testes graças a um amigo que conheci no teatro. A experiência radiofónica existiu mesmo, e foi baseada numa história minha. E foi muito divertido.
Em 1995, depois de várias experiências no cinema, teatro e dobragem, aconteceu o seu ingresso no mundo dos quadradinhos. Como você chegou à Sergio Bonelli Editore? Você pensava apenas em Dylan Dog ou tinha ideias também para outras personagens da Editora milanesa?
Pasquale Ruju: Meus primeiros contactos foram com Antonio Serra, para Nathan Never, mas foi Mauro Marcheselli quem me deu a primeira chance de verdade, ao sugerir que eu fizesse o roteiro de uma história curta para Dylan Dog (que depois seria publicada com o título de “O Vizinho de Casa“). Isso foi no distante 1994.
Você já havia escrito algum roteiro de BD antes de entrar na Bonelli?
Pasquale Ruju: Eu havia tido algumas experiências semi-profissionais, mas até aquele momento eu era substancialmente um grande aficionado, não um verdadeiro roteirista.
Quanto lhe ajudaram na carreira de roteirista de BD as suas experiências de actor e dobrador?
Pasquale Ruju: Obviamente é uma base que tem o seu peso. Muitas vezes escrever quadradinhos torna-se o resultado de experiências variadas. Eu busco fazer as minhas darem frutos.
Quais foram as recomendações dos responsáveis por Dylan Dog quando você entrou de forma estável para a equipa de roteiristas? Nestes últimos anos você foi um dos autores mais presentes nas páginas do Investigador do Pesadelo. Em muitas das suas histórias Dylan parece mais um detective e, sem deixar de lado as suas peculiaridades irónicas, um pouco mais levado à acção. Você se reconhece nessas observações?
Pasquale Ruju: A personagem de Dylan Dog, assim como foi concebida por Tiziano Sclavi, tem muitas “almas”, e permite tramas profundamente diferentes entre si. Em cerca de 80 histórias escritas por mim, muitas são aventurosas ou de investigação, mas não faltam aquelas mais “intimistas” ou até mesmo declaradamente humorísticas. Eu não me recordo de recomendações particulares além daquela de respeitar as características da personagem (que, deve-se acrescentar, eu conhecia de cor!).
Você escreve histórias de Dylan Dog há quinze anos. Como é o seu relacionamento com a personagem principal, com seu mundo e com as outras personagens da série? Isso mudou com o passar dos anos?
Pasquale Ruju: Dylan mudou um pouco, é inevitável. Talvez esteja um pouco mais amargurado e desiludido, como é a nossa época em relação aos anos 80 do século passado. O meu relacionamento com ele ainda é óptimo, e divirto-me como antes a colocar o pobre Dylan em todo tipo de problemas. O ruim é que no início do nosso relacionamento tínhamos a mesma idade (33 anos) enquanto hoje ele ainda tem 33 e eu 47!
Groucho é uma personagem difícil de administrar, ao menos segundo os depoimentos de outros colegas seus. Você teve dificuldades para administrá-lo e para criar os chistes característicos?
Pasquale Ruju: Groucho não é apenas alguém que solta chistes… é a verdadeira contraparte de Dylan. Sem ele a série e a personagem não seriam os mesmos. Não tenho problemas em criar os chistes, mas a coisa realmente difícil é manter as características “excêntricas” e fortemente “arrasadoras” da personagem.
A crítica é unânime ao afirmar que Dylan Dog mudou muito desde a sua estreia nos quiosques, há 24 anos, e por um lado isso é perfeitamente lógico porque as pessoas (autores e leitores) mudam como o mundo que as circunda. Mas por outro lado, no passar dos anos você teria recebido indicações especiais da redacção em relação a temáticas que não podem mais ser abordadas ou sugestões sobre as modalidades de roteiro para histórias de Dylan Dog? Pensemos no splatter, que já esteve muito em voga, ou nas temáticas sociais que já foram a base da série e que hoje estão meio que esquecidas.
Pasquale Ruju: O splatter passou um pouco da moda, também no cinema. Já as temáticas sociais, essas ainda existem em muitas histórias de Dylan (não em todas, claro). Os roteiristas não sofrem restrições particulares, mas devem manter-se no âmbito das linhas mestras da Editora (Dylan, como Tex e como todas as outras BD Bonelli, devem poder ser lidas por todo o mundo, dos adultos às crianças). Essa é a verdadeira linha de fronteira.
Às vezes a sua versão de Dylan Dog parece um pouco “fria”, quando dá preferência a histórias policiais (embora com toques de terror), ou então quando coloca Dylan Dog às voltas com monstros de todo o tipo mas sempre tangíveis (enquanto o terror e os pesadelos de Sclavi também eram existenciais). Ou seja, falta aquele envolvimento emotivo tão querido do criador da personagem. Não por acaso, muitos leitores afirmam que um dos seus episódios mais bonitos e bem feitos seja “A Eterna Ilusão“, talvez porque foi mais “sentido” por si. O que acha disso?
Pasquale Ruju: Eu já respondi em parte a essa pergunta. Eu sou um autor mais aventuroso e menos intimista do que Tiziano ou Paola Barbato. Mas acho que os leitores querem ler histórias diversificadas – ora mais reflexivas, ora mais divertidas ou cheias de adrenalina – por isso pode-se dizer que nós roteiristas nos “completamos” um ao outro.
Você trabalhou com todos os desenhadores da equipa de Dylan Dog: com quais estabeleceu um entendimento particular? Acha mais difícil escrever uma história curta ou uma com as tradicionais 94 páginas?
Pasquale Ruju: Eu sinto-me bem com todos os desenhadores. Talvez seja mais difícil uma história curta, você tem que jogar tudo em poucas páginas e, para que tudo funcione, ritmo e estrutura devem ser perfeitos.
Na sua opinião, como a personagem vai se desenvolver? Conseguirá se manter a passo com os tempos? Você planeja alguma novidade a acrescentar à série, de forma compatível com as exigências de Sclavi e da redacção?
Pasquale Ruju: Dylan Dog é apreciado justamente porque permanece igual a si mesmo. Eu creio que, se houver alguma novidade, será o próprio Tiziano a inseri-la na série.
Até agora você escreveu dois episódios de Dampyr, os números 72 e 106, e ambos têm como argumento o mundo da mitologia egípcia. É um tema que você aprecia ou a escolha foi ditada por outras exigências?
Pasquale Ruju: É um tema que aprecio muito. Um dia destes também vou abordá-lo com Dylan.
Como nasceu a sua colaboração com a série de ficção científica de Nathan Never? Como você se sentiu com a ficção científica social da série? Voltaria a escrever novos episódios?
Pasquale Ruju: Eu gostei de escrever para Nathan Never. A ficção científica era uma velha paixão, anterior à do terror e do noir. Eu não excluo que possa voltar a visitar o nosso agente especial do futuro.
Falemos de Demian, a mini-série em dezoito episódios que você criou e na qual você deu vazão à sua paixão pelo noir e pelo género aventuroso. Como nasceu a ideia da série? Você ficou satisfeito com o resultado, tanto em nível de texto quanto gráfico?
Pasquale Ruju: Fazer os roteiros de Demian foi uma experiência excitante, por tratar-se de um trabalho completamente “meu”, mesmo se inserido nos padrões bonellianos, nas tradições da Editora. A ideia nasceu há alguns anos e concretizou-se depois de várias conversas com o editor Sergio Bonelli e com Decio Canzio, que na época já pensavam em lançar algumas mini-séries. A aposta, para mim, era propor um “herói” bonelliano que vivesse as suas aventuras num contexto mais próximo a nós, o do Mediterrâneo, e num país como a França, muito diferente dos países anglo-saxões em características e estilo de vida. Assim, a série teve como moldura principal a cidade de Marselha, cadinho de raças, interesses, religiões e economias diferentes. Foi uma aposta, repito, mas a olhar depois, vi que eu não poderia imaginar um palco mais intrigante para o meu protagonista. Depois de dois anos de trabalho – e com muita confiança da parte do editor, que me permitiu trabalhar com grande autonomia – as respostas da crítica e das vendas foram lisonjeiras. Devo dizer que, de um modo geral, todas as mini-séries propostas até agora, de Brad Barron a Rosto Escondido, foram muito apreciadas pelos leitores, tanto que essa nova “fórmula” entrou de forma definitiva na programação da Editora.
Analisada com a visão do “depois”, você mudaria alguma coisa na série?
Pasquale Ruju: Não. Ao relê-la, vejo que gosto da série assim como ela é.
Não lhe desagrada ter “queimado”, em 18 edições, ideias para uma série que tinha potencial para durar muito mais? Na sua opinião o futuro da BD bonelliana (e dos quadradinhos populares de modo geral) será constituído apenas por mini-séries com encerramento programado?
Pasquale Ruju: Na verdade Demian – em razão de muitos pedidos dos leitores – terá uma espécie de continuação, articulada em algumas edições “especiais” com periodicidade semestral. Dito isso, penso que no futuro as mini-séries marcarão cada vez mais presença ao lado das séries “históricas” da Editora. Mas também estou convicto que nascerão novas personagens com uma vida mais longa. Como sempre, dependerá dos autores.
Passemos agora ao Ranger que dá nome a este blogue. A partir de 2004 a sua assinatura aparece também nas revistas de Tex: como você chegou à corte texiana?
Pasquale Ruju: Eu fui “convocado” e testado. O autor não se oferece para escrever Tex. Normalmente é a Editora a convidá-lo.
Quais foram as primeiras preocupações que a personagem de Tex suscitaram em si? E como se preparou para escrever as histórias do Ranger? Você já o conhecia bem?
Pasquale Ruju: Eu havia lido centenas de histórias da série – metade de todas as publicadas, talvez um pouco mais – e outras centenas eu reli antes de escrever a primeira linha. Roteirizar Tex é difícil justamente porque trata-se de um “clássico”. Não se pode trapacear com Tex, ou você está com ele ou está contra ele.
Que dificuldades e estímulos encontrou ao escrever as suas aventuras? Depois de todos os episódios de Dylan Dog que você escreveu, não veio à sua mente alguma ideia para explorar o filão de histórias fantásticas de Tex?
Pasquale Ruju: Por ora não. Eu preferi mudar completamente de estilo e confrontar-me com o faroeste “duro e puro”. Um belo desafio a mim mesmo, mas que foi apreciado também pelos leitores.
Na sua visão Tex é um herói que se destaca pela infalibilidade e certezas ou você considera que, sob uma óptica de adequação aos tempos, seja necessário fazer com que ele enfrente adversários “durões” que lhe criem alguma dificuldade a mais?
Pasquale Ruju: Um bom antagonista é o tempero de qualquer história texiana, ainda que o Ranger deva permanecer o que é, um infalível distribuidor de justiça.
O que significa para si escrever histórias de uma lenda da BD como Tex, que recentemente completou 60 anos de vida editorial, uma das personagens mais longevas?
Pasquale Ruju: Uma bela responsabilidade!
Na sua carreira de banda desenhista Tex foi apenas um bom momento ou você pensa em escrever novos episódios, em concomitância aos seus outros compromissos?
Pasquale Ruju: Acabei de começar a escrever uma nova história, que envolverá os apaches mescaleros e será desenhada pelo grande Font.
Como você se define como autor de Tex? Imagina que tem algo em comum com algum outro autor do Ranger?
Pasquale Ruju: O meu ponto de referência é G. L. Bonelli, que obviamente é inatingível.
Seria de seu agrado escrever uma história de Tex especial para algum desenhador? Porque?
Pasquale Ruju: Eu gosto muito do traço de Font, assim como também gosto do de Garcia Seijas e de Roberto Diso. Dizer o quê? Eu tive a sorte de trabalhar com todos os três!
Quanto tempo leva para escrever uma história? Segue horários? Como é o seu dia padrão, entre trabalho, leitura, informação, busca de novos argumentos, vida familiar?
Pasquale Ruju: Eu trabalho oito horas por dia, das dez da manhã às seis/sete da noite. Depois eu saio, vou ao cinema, vou jantar com amigos ou com a noiva, leio livros, navego na Internet. Uma vida normal mas rica de sugestões. Para escrever histórias é indispensável absorver informações e sugestões das mais variadas mídias.
Pode nos antecipar alguma coisa da sua nova mini-série? Sergio Bonelli deixou escapar que será uma trama policial anos 70, e você mesmo revelou que será muito mais cruenta e realística que Demian. Pode nos revelar o nome de algum desenhador que estará envolvido e dar uma ideia, mesmo que mínima, da ambientação dominante?
Pasquale Ruju: A minha nova personagem, que estreará na Itália no dia 8 de Maio de 2010, se chamará Cassidy. A série será um hard boiled ambientado em 1977/78. A história de um assaltante de bancos que tem 18 meses de vida será contada em tempo real (18 edições, 18 meses). Terá uma continuidade estreita e será ambientada nos lugares “texianos” por excelência (Arizona, Nevada e Califórnia, com algumas incursões no México). Em suma, será um policial com alma de faroeste, mas com pistolas automáticas no lugar dos colts, e Dodges barulhentos no lugar dos cavalos.
E fora dos quadradinhos, você tem algum novo projecto?
Pasquale Ruju: Recentemente eu escrevi dois roteiros para cinema. Mas sobre isso não posso falar mais, de momento!
Caro Pasquale, em nome do blogue português de Tex agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
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Intervista esclusiva: PASQUALE RUJU
Intervista condotta da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Giampiero Belardinelli e Roberto Pagani per la formulazione delle domande, di Júlio Schneider (traduttore di Tex per il Brasile) e di Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni e di Bira Dantas per la caricatura.
Ciao carissimo Pasquale Ruju, e benvenuto sul blog portoghese di Tex. Per cominciare, cosa è per te il fumetto? Sia come linguaggio che come esperienza professionale.
Pasquale Ruju: Un modo di esprimermi, con parole e immagini, e senza dover badare al budget, come farei se lavorassi nel cinema: il miglior lavoro del mondo, insomma!
Che posto hanno avuto i fumetti, soprattutto i Bonelli, nella tua infanzia?
Pasquale Ruju: Sono stato fin dall’adolescenza un grande lettore di Zagor e Mister No, per poi arrivare a Tex e a Dylan Dog. Insieme ai romanzi di Giulio Verne ed Emilio Salgari, i fumetti Bonelli hanno contribuito a formare la mia personale idea di storia avventurosa.
Hai iniziato la tua carriera artistica nel cinema e nel teatro. Puoi parlaci di queste tue esperienze?
Pasquale Ruju: Dopo la laurea in Architettura, ho lavorato per alcuni anni in teatro, con qualche incursione nel cinema e nella TV. Insieme agli studi universitari, avevo frequentato una scuola di recitazione professionale, e ho così cominciato, poco a poco, a lavorare in quel settore. Un’esperienza molto affascinante, che qualche anno dopo mi ha portato al doppiaggio.
In seguito ti sei distinto come doppiatore: come sei arrivato a far questo lavoro? Se non ricordiamo male, hai dato voce ad alcuni personaggi dell’edizione radiofonica di Dylan Dog, trasmessa dalla Rai su Radio Due. Ci sbagliamo?
Pasquale Ruju: Il doppiaggio televisivo è stato il mio vero lavoro, fino all’arrivo in Bonelli. Ho cominciato quasi per caso, facendo dei provini grazie a un amico conosciuto in teatro. L’esperienza radiofonica, basata su una mia storia, c’è stata. Ed è stata molto divertente.
Nel 1995, dopo svariate esperienze nel cinema, nel teatro e nel doppiaggio, avviene il tuo ingresso nel mondo del fumetto. Come sei entrato in contatto con la Sergio Bonelli Editore? Ti sei proposto solo per Dylan Dog oppure avevi anche idee per altri personaggi della Casa Editrice milanese?
Pasquale Ruju: I primi contatti li ebbi con Antonio Serra, per Nathan Never, ma fu Mauro Marcheselli a darmi la prima vera chance, proponendomi di sceneggiare una storia breve per Dylan Dog (che sarebbe poi stata pubblicata con il titolo de “Il vicino di casa”). Parliamo del lontano 1994.
Avevi mai scritto sceneggiature fumettistiche prima di entrare in Bonelli?
Pasquale Ruju: Avevo avuto qualche esperienza semiprofessionale, ma fino a quel momento ero sostanzialmente un grande appassionato, non un vero sceneggiatore.
Quanto ti ha aiutato nella tua successiva carriera di sceneggiatore di fumetti le tue esperienze di attore e di doppiatore?
Pasquale Ruju: Ovviamente è un retroterra che ha il suo peso. Scrivere fumetti diventa spesso un sunto di esperienze anche molto diverse. Io cerco di mettere a frutto le mie.
Quali sono state le raccomandazioni dei curatori di Dylan Dog quando sei entrato stabilmente nello staff di sceneggiatori? In questi ultimi anni, sei stato uno degli autori più presenti sulle pagine dell’Indagatore dell’Incubo. In molte tue storie Dylan sembra più un detective e, senza tralasciare le sue peculiarità ironiche, un po’ più portato all’azione. Ti riconosci in queste osservazioni?
Pasquale Ruju: Il personaggi di Dylan Dog, così come è stato concepito da Tiziano Sclavi, ha molte “anime”, e consente intrecci anche profondamente differenti. In circa 80 storie da me scritte, molte sono avventurose o di indagine, ma non mancano quelle più intimiste o perfino dichiaratamente umoristiche. Non ricordo particolari raccomandazioni, se non quella di rispettare le caratteristiche del personaggio (che peraltro conoscevo a memoria!).
Scrivi per Dylan Dog ormai da quindici anni. Qual è il tuo rapporto con il personaggio di Dylan, con il suo mondo e con gli altri comprimari della serie? E’ cambiato nel corso degli anni?
Pasquale Ruju: Dylan è inevitabilmente un po’ cambiato. Forse è un po’ più amaro e disincantato, come lo sono i nostri tempi rispetto agli anni ‘80 del secolo scorso. Il mio rapporto con lui è ancora ottimo, devo dire, e mi diverto come sempre a mettere il povero Dylan in ogni genere di guai. Peccato che però all’inizio di quel rapporto eravamo coetanei (33 anni a testa) mentre ora lui ne ha sempre 33 e io 47!
Groucho è un personaggio difficile da gestire, almeno secondo le testimonianze di altri tuoi colleghi. Hai trovato delle difficoltà a gestirlo e ad inventare le caratteristiche barzellette?
Pasquale Ruju: Groucho non è solo un dispensatore di battute… è il vero contraltare di Dylan. Senza di lui il fumetto e il personaggio non sarebbero gli stessi. Non ho problemi a inventare le barzellette, ma la cosa veramente difficile è mantenere le caratteristiche “lunari” e anche fortemente “eversive” del personaggio.
La critica è unanime nel ritenere Dylan Dog molto variato dal suo esordio in edicola, avvenuto del resto ben 23 anni fa: se da un lato ciò è perfettamente logico poiché le persone (sia gli autori che i lettori) per forza di cose cambiano così come è cambiato il mondo che ci circonda, dall’altro lato nel corso degli anni ti sono invece giunte particolari indicazioni dalla redazione circa tematiche che non si possono più affrontare o suggerimenti sulle modalità con cui sceneggiare le storie di Dylan Dog? Pensiamo allo splatter, una volta tanto in voga, o alle tematiche sociali che un tempo erano il fulcro della serie ed ora sono un po’ finite nel dimenticatoio.
Pasquale Ruju: Lo splatter è un po’ passato di moda, anche nel cinema. Le tematiche sociali, invece, si trovano ancora in molte storie di Dylan (certo, non in tutte). Non ci sono particolari censure sugli sceneggiatori, che devono però restare nell’ambito delle linee guida della casa editrice (Dylan, come Tex, e tutti gli altri fumetti Bonelli devono poter essere letti da tutti, dagli adulti come anche dai ragazzini). Questa è la vera linea di confine.
A volte la tua versione di Dylan Dog sembra un po’ “fredda”, in quanto prediligi storie gialle (sia pur con venature horror) oppure poni Dylan Dog alle prese con mostri di svariata natura, sempre però tangibili (mentre l’horror e gli incubi di Sclavi erano anche esistenziali). Manca insomma quel coinvolgimento emotivo tanto caro al creatore del personaggio. Non è un caso che molti lettori sostengono che uno dei tuoi episodi più belli e riusciti sia “L’eterna illusione”, forse perché da te maggiormente “sentito”. Tu che ne pensi?
Pasquale Ruju: Ho già risposto in parte a questa domanda. Io sono un autore più avventuroso e meno intimista rispetto a Tiziano o a Paola Barbato. Credo però che i lettori vogliano leggere storie di volta in volta diverse – ora più riflessive, ora più divertenti o adrenaliniche – perciò si può dire che, fra tutti, noi sceneggiatori ci “completiamo” a vicenda.
Hai collaborato con tutti i disegnatori dello staff di Dylan Dog: con quali hai stabilito un particolare feeling? Trovi più difficile scrivere una storia breve o una dalle canoniche 94 tavole?
Pasquale Ruju: Mi trovo bene un po’ con tutti i disegnatori. Forse è più difficile una storia breve, lì ti giochi tutto in poche pagine, e i ritmi e la struttura, perché tutto funzioni, devono essere perfetti.
In che modo si evolverà secondo te il personaggio, riuscirà a stare al passo con i tempi? Hai in mente, compatibilmente con le esigenze di Sclavi e della redazione, qualche novità da apportare alla serie?
Pasquale Ruju: Dylan Dog viene apprezzato proprio perché rimane sé stesso. Penso che, se novità ci dovranno essere, sarà lo stesso Tiziano a inserirle nella serie.
Hai scritto finora due episodi Dampyr: i numeri 72 e 106. Entrambi gli episodi hanno come soggetto il mondo della mitologia egizia. È un tema che ti è caro oppure la scelta è stata dettata da altre esigenze?
Pasquale Ruju: È un tema che mi appassiona molto. Prima o poi lo affronterò anche su Dylan.
Com’è nata la tua collaborazione con la serie fantascientifica Nathan Never? Come ti sei trovato con la fantascienza sociale delle serie? Ritorneresti a scriverne qualche altro episodio?
Pasquale Ruju: Mi è piaciuto scrivere per Nathan Never. La fantascienza era una mia vecchia passione, precedente a quella per l’horror e per il noir. Non escludo, prima o poi, di tornare a far visita al nostro agente speciale del futuro.
Veniamo ora a Demian, la miniserie in diciotto episodi da te ideata. Con Demian hai dato libero sfogo alla tua passione per il noir e per il genere avventuroso. Com’è nata l’idea per questa serie? Sei soddisfatto del risultato, sia a livello di scrittura e sia a livello grafico?
Pasquale Ruju: Sceneggiare Demian è stata un’esperienza esaltante, trattandosi di un lavoro completamente “mio”, anche se inserito nei canoni bonelliani, e nelle tradizioni della casa editrice. L’idea è nata alcuni anni fa, e si è concretizzata dopo una serie di conversazioni con l’editore Sergio Bonelli e con Decio Canzio, che pensavano già allora a mettere in cantiere alcune miniserie. La scommessa per me era proporre un “eroe” bonelliano che vivesse le sue avventure in un contesto più vicino a noi, quello del Mediterraneo, e in un paese come la Francia, molto diversa per caratteristiche e stile di vita dai paesi anglosassoni. La serie ha avuto così come cornice principale la città di Marsiglia, crogiolo di razze, interessi, religioni ed economie diverse. È stata una scommessa, ripeto, ma a posteriori non avrei potuto immaginare uno sfondo più intrigante per il mio protagonista. Dopo un paio d’anni di lavoro, e con una grande fiducia da parte dell’editore, che mi ha consentito di operare in totale autonomia, il riscontro in termini di critica e di vendite è stato lusinghiero. Devo dire che in generale tutte le miniserie proposte finora, da Brad Barron fino a Volto Nascosto, sono state molto apprezzate dai lettori, tanto che ormai questa nuova “formula” è entrata stabilmente nel palinsesto della casa editrice.
C’è qualcosa che con il senno del poi, avresti voluto cambiare?
Pasquale Ruju: No. Rileggendola, la serie mi piace così com’è.
Non ti spiace aver “bruciato” in 18 numeri idee per una serie che aveva le potenzialità per durare molto di più? A tuo parere il futuro del fumetto bonelliano (e del fumetto popolare tout court) sarà costituito solo da miniserie con chiusura già programmata?
Pasquale Ruju: In realtà Demian – a grande richiesta dei lettori – avrà una sorta di seguito, articolato in alcuni albi “speciali” con cadenza semestrale. Detto questo, penso che in futuro le miniserie si affiancheranno sempre di più alle serie “storiche” della casa editrice. Ma sono anche convinto che nasceranno nuovi personaggi con un respiro più lungo. Dipenderà, come sempre, dagli autori.
Passiamo adesso al Ranger che dà nome a questo blog. Dal 2004 la tua firma appare anche sugli albi di Tex: come sei arrivato alla corte del Ranger?
Pasquale Ruju: Sono stato “convocato” e messo alla prova. Non ci si propone, per scrivere Tex. Di solito è la casa editrice a chiamarti.
Quali sono state le prime preoccupazioni che il personaggio di Tex ti ha suscitato? E come ti sei preparato per scrivere le storie di Tex? Lo conoscevi già profondamente oppure l’hai (ri)scoperto solo per lavoro?
Pasquale Ruju: Avevo letto centinaia di albi della serie – credo di aver letto una buona metà delle storie pubblicate, forse qualcosa di più – e altre centinaia ne ho riletti prima di scrivere una sola riga. Sceneggiare Tex è difficile proprio perché si tratta di un “classico”. Non si può barare con Tex, o sei con lui o contro di lui!
Quali difficoltà e stimoli hai incontrato a scriverne le avventure? Dopo tutti gli episodi di Dylan Dog che hai scritto, non ti è venuta in mente qualche idea che sfrutti il filone delle storie fantastiche di Tex?
Pasquale Ruju: Per ora no. Ho preferito cambiare completamente stile e confrontarmi con il western “duro e puro”. Una bella sfida con me stesso, che però è stata apprezzata anche dai lettori.
Per te Tex è un eroe contraddistinto da infallibilità e certezze oppure reputi che, in un’ottica di adeguamento ai tempi, sia necessario fargli affrontare avversari “tosti” che gli creino qualche difficoltà in più?
Pasquale Ruju: Un buon antagonista è il sale di ogni storia texiana, anche se il ranger deve restare quello che è, un infallibile dispensatore di giustizia.
Cosa significa per te scrivere storie su una leggenda del fumetto come Tex che recentemente ha compiuto i 60 anni di vita editoriale, uno dei personaggi più longevi?
Pasquale Ruju: Una bella responsabilità!
Nel corso della tua carriera fumettistica Tex è stato solo un diversivo oppure pensi in futuro, compatibilmente con gli altri tuoi impegni, di sceneggiarne qualche altro episodio?
Pasquale Ruju: Ho cominciato ora a scrivere una nuova storia, che coinvolgerà gli Apache Mescalero, e sarà disegnata dal grande Font.
Come ti definiresti in qualità di autore di Tex? Secondo te hai delle attinenze con qualche altro suo autore?
Pasquale Ruju: Il mio punto di riferimento resta sempre G. L. Bonelli, che ovviamente è inarrivabile.
Ti piacerebbe scrivere una storia su Tex in special modo per qualche disegnatore? Perchè?
Pasquale Ruju: Amo molto il segno di Font, così come anche quello di Garcia Seijas e di Roberto Diso. Che dire… ho avuto la fortuna di lavorare con tutti e tre!
Quanto tempo impieghi per scrivere una storia? Hai degli orari? Come si articola una tua giornata tipo fra lavoro, letture, tenerti informato, ricerca di nuovi argomenti, vita familiare?
Pasquale Ruju: Lavoro otto ore al giorno, dalle dieci di mattina alle sei/sette di sera. Poi esco, vado al cinema, a cena con gli amici o con la fidanzata, leggo libri, navigo su internet. Una vita normale, insomma, ma ricca di input. Per scrivere storie, è indispensabile assorbire informazioni e suggestioni dai media più diversi.
Puoi anticiparci qualcosa della tua nuova miniserie? Sergio Bonelli si è lasciato sfuggire che sarà un poliziesco anni ’70, e tu stesso hai rivelato che sarà molto più crudo e realistico di Demian. Ci puoi svelare qualche disegnatore che verrà coinvolto e fare un accenno sia pur minimo alle atmosfere che vi domineranno?
Pasquale Ruju: Il mio nuovo personaggio, che debutterà l’8 maggio 2010, si chiamerà Cassidy. La serie sarà un hard boiled, ambientato nel 1977/78. La storia di un rapinatore di banche che ha 18 mesi di vita, raccontata in tempo reale (18 albi, 18 mesi). Avrà perciò una continuity serrata, e sarà ambientata nei luoghi “texiani” per eccellenza (Arizona, Nevada e California, con qualche incursione in Messico). Si tratterà, insomma, di un nero con l’anima western, anche se ci saranno pistole automatiche al posto delle Colt, e Dodge rombanti al posto dei cavalli.
Hai per caso nuovi progetti al di fuori del fumetto?
Pasquale Ruju: Di recente ho scritto un paio di sceneggiature per il cinema… ma su questo, per il momento, non posso dire di più!
Caro Pasquale, a nome del blog portoghese di Tex ti ringraziamo moltissimo per l’intervista che ci hai così gentilmente concesso.
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Collezione storica a colori nº 93 – Frontiere di fuoco
Tex nº 93 – FRONTIERE DI FUOCO

O Flash Gordon de Alex Raymond nas páginas de Tex
Por Sandro Palmas [1]
Alexander “Alex” Gillespie Raymond, nascido em New Rochelle a 2 de Outubro de 1909 e falecido em Westport a 6 de Setembro de 1956 foi, tal como o compatriota Hal Foster, um dos indiscutíveis mestres de Aurelio Galleppini.
Estudando na Grand Central School of Art, colabora inicialmente com Russ Westover para frequentar então, em 1931, o estúdio dos irmãos Young, os autores de Cino e Franco.
Em 1933, a King Features Syndicate abriu um concurso para descobrir personagens de banda desenhada que rivalizassem com Buck Rogers e Tarzan de sua concorrente, a Pulitzer Syndicate. Alex Raymond inscreveu-se e ganhou, passando a desenhar Flash Gordon e Jim das Selvas para o New York American Journal, a partir de um domingo, 7 de Janeiro de 1934. Poucas semanas depois, Raymond passaria também a desenhar o Agente Secreto X-9, outra encomenda da King Features para contrabalançar o sucesso de Dick Tracy, da Pulitzer.
Em 1944 o desenhador alista-se na Marinha. No imediato pós-guerra cria Rip Kirby, série que o consagra definitivamente como um dos indiscutíveis autores do seu tempo.
Grande apaixonado por automóveis, Raymond perdeu a vida em 1956 aos 47 anos de idade, rico e no auge da fama, num acidente fatal nas curvas da estrada de Clappboard, próximo a Westport, Connecticut, enquanto guiava um novo Porsche de um colega e vizinho.
Entre as obras que influenciaram Galep, citamos principalmente Jim das Selvas (que o pai de Tex conhecia com título italiano de “Jim della Giungla“), uma série ambientada em África e depois na Ásia, que vê um guia turístico com o hobby da investigação. O Agente Secreto X-9 ( na Itália “Agente segreto X-9” ) era por sua vez um solitário e corajoso agente do FBI, empenhado numa dura luta contra a máfia. Flash Gordon, finalmente, é um aventureiro do espaço às voltas com os planos maléficos do cruel ditador Ming, o impiedoso.
OS EMPRÉSTIMOS DE RAYMOND A GALEP.
O prudente Tex da primeira e histórica vinheta de abertura da série apresenta uma forte semelhança, anatomicamente falando com uma imagem tirada de um dos primeiros episódios de Flash Gordon conforme se pode constatar de seguida:
Ainda no primeiro número, na página 10, uma outra imagem parece encontrar justamente referência na obra de Raymond:
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O refinado desenho de Raymond serviu de modelo também para inúmeras capas da denominada 1ª série gigante do Ranger. Comecemos pela capa do número 4:
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Segue-se a capa número 6:
E concluo o quesito capas com o número 11, onde se mostra que os punhos do Flash Gordon de Raymond fazem tanto quanto os do Tex bonelliano:
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Serpentes e cientistas loucos, vales encantados e escondido habitados por animais pré-históricos… a Galep nunca faltou a documentação, como também se mostra de seguida:
Mostro agora uma outra imagem de Raymond, que talvez nunca tenha inspirado realmente Galep, embora pessoalmente recorda-me imenso a capa de “Canyon Diablo“:
Para finalizar, podemos também dizer que o pérfido Imperador Ming da obra raymondiana, que vimos numa vinheta acima, é um estreito parente do Padma galleppiniano:.
[1] (Texto publicado originalmente no Tex Willer Forum, em 4 de Julho de 2009)
Tradução e adaptação a cargo de José Carlos Francisco
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