O Flash Gordon de Alex Raymond nas páginas de Tex

Por Sandro Palmas [1]

O Flash Gordon de Alex Raymond nas páginas de Tex

Auto-retrato de Alex RaymondAlexander “Alex” Gillespie Raymond, nascido em New Rochelle a 2 de Outubro de 1909 e falecido em Westport a 6 de Setembro de 1956 foi, tal como o compatriota Hal Foster, um dos indiscutíveis mestres de Aurelio Galleppini.

Estudando na Grand Central School of Art, colabora inicialmente com Russ Westover para frequentar então, em 1931, o estúdio dos irmãos Young, os autores de Cino e Franco.

Em 1933, a King Features Syndicate abriu um concurso para descobrir personagens de banda desenhada que rivalizassem com Buck Rogers e Tarzan de sua concorrente, a Pulitzer Syndicate. Alex Raymond inscreveu-se e ganhou, passando a desenhar Flash Gordon e Jim das Selvas para o New York American Journal, a partir de um domingo, 7 de Janeiro de 1934. Poucas semanas depois, Raymond passaria também a desenhar o Agente Secreto X-9, outra encomenda da King Features para contrabalançar o sucesso de Dick Tracy, da Pulitzer.

Em 1944 o desenhador alista-se na Marinha. No imediato pós-guerra cria Rip Kirby, série que o consagra definitivamente como um dos indiscutíveis autores do seu tempo.

Grande apaixonado por automóveis, Raymond perdeu a vida em 1956 aos 47 anos de idade, rico e no auge da fama, num acidente fatal nas curvas da estrada de Clappboard, próximo a Westport, Connecticut, enquanto guiava um novo Porsche de um colega e vizinho.

Entre as obras que influenciaram Galep, citamos principalmente Jim das Selvas (que o pai de Tex conhecia com título italiano de “Jim della Giungla“), uma série ambientada em África e depois na Ásia, que vê um guia turístico com o hobby da investigação. O Agente Secreto X-9 ( na Itália “Agente segreto X-9” ) era por sua vez um solitário e corajoso agente do FBI, empenhado numa dura luta contra a máfia. Flash Gordon, finalmente, é um aventureiro do espaço às voltas com os planos maléficos do cruel ditador Ming, o impiedoso.

OS EMPRÉSTIMOS DE RAYMOND A GALEP
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O prudente Tex da primeira e histórica vinheta de abertura da série apresenta uma forte semelhança, anatomicamente falando com uma imagem tirada de um dos primeiros episódios de Flash Gordon conforme se pode constatar de seguida:

A primeira vinheta de Tex

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Flash Gordon inspirador.
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Ainda no primeiro número, na página 10, uma outra imagem parece encontrar justamente referência na obra de Raymond:

Tex por Galep

Flash Gordon por Alex Raymond

O refinado desenho de Raymond serviu de modelo também para inúmeras capas da denominada 1ª série gigante do Ranger.  Comecemos pela capa do número 4:

Capa nº 4 da série gigante

A inspiração para a capa nº 4 da série gigante

Segue-se a capa número 6:

Capa nº 6 da série gigante

A inspiração para a capa nº 6 da série gigante

 E concluo o quesito capas com o número 11, onde se mostra que os punhos do Flash Gordon de Raymond fazem tanto quanto os do Tex bonelliano:

Capa nº 11 da série gigante

A inspiração para a capa nº 11 da série gigante

 Serpentes e cientistas loucos, vales encantados e escondido habitados por animais pré-históricos … a Galep nunca faltou a documentação, como também se mostra de seguida:

Arte de Alex Raymond

Arte de Alex Raymond

Mostro agora uma outra imagem de Raymond, que talvez nunca tenha inspirado realmente Galep, embora pessoalmente recorda-me imenso a capa de “Canyon Diablo“:

Arte de Alex Raymond

Capa Canyon Diablo

Para finalizar, podemos também dizer que o pérfido Imperador Ming da obra raymondiana, que vimos numa vinheta acima, é um estreito parente do Padma galleppiniano:.

Imperador Ming

Padma com Mefisto

[1] (Texto publicado originalmente no Tex Willer Forum, em 4 de Julho de 2009)
Tradução e adaptação a cargo de José Carlos Francisco

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

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