IT’S MY LIFE, é o título de uma famosa canção dos Bon Jovi que o pard italiano conhecido como Coronel Jim Brandon, resolveu usar para realizar uma excelente montagem vídeo-musical com o nosso amado Ranger de camisa amarela, onde ao ritmo da melodia, se assiste a um desfilar de maravilhosas ilustrações coloridas na sua maioria da autoria de Claudio Villa!
Trata-se igualmente de mais uma iniciativa que visa uma vez mais, divulgar sobretudo, o excelente fórum (italiano) de Tex Willer…
A Mythos Editora, a editora brasileira que edita Tex Willer, estará representada ao mais alto nível nas comemorações do 25º aniversário de carreira de Fabio Civitelli a desenhar Tex integradas no 6º Festival Internacional de BD de Beja, com destaque para a exposição de originais do artista italiano, já que será representada pelo editor do Ranger, Dorival Vitor Lopes e pelo legendador (letrista, no Brasil) Marcos Maldonado Rodriguesque virá acompanhado da sua esposa, Dolores Maldonado, também ela um nome grande da história de Tex no Brasil, já que no passado também foi legendadora de Tex.
O editor (de Tex, Zagor e outros títulos Bonellianos) Dorival Vitor Lopes regressa a Portugal pela enésima vez e é já sobejamente conhecido da grande maioria dos fãs portugueses do Ranger, pelo que já dispensa apresentações. Marcos Maldonado Rodrigues, natural de Sorocaba, Estado de São Paulo, Brasil, nasceu em 25 de Abril de 1940 e é legendador de Banda Desenhada desde 1969, tendo iniciado a sua ligação com Tex no dia 3 de Março de 1980 (tratava-se de Tex nº 110, “A Sombra do Patíbulo“, 130 páginas), portanto já lá vão 30 anos participando das aventuras deste nosso destemido herói do oeste.
Já de Dolores Maldonado reza a lenda que aquando do legendamento (letreiramento, no Brasil) manual, a sua caligrafia era tão semelhante com a do seu marido que não se conseguia identificar o início de uma e o fim de outra. Durante muito tempo ambos legendaram juntos, pois na época tinham tanto trabalho e algumas histórias tinham o prazo tão apertado que eles dividiam as páginas legendando por vezes a mesma história de Tex para a Editora Vecchi. Depois de publicadas as revistas ambos tentavam sem sucesso descobrir o que um ou outro tinha legendado. Isso era possível por terem iniciado juntos o treino de legendamento, ainda em 1969, copiando histórias de revistas da época e seguindo o estilo de letras de Antonio Maldonado, irmão de Marcos Maldonado, também ele legendador e que já era muito conhecido no meio das Histórias em Quadradinhos.
A presença de tão ilustres visitantes oriundos da editora brasileira é certamente mais um motivo de peso a juntar à presença do consagrado desenhador Fabio Civitelli, para a comunidade Texiana se deslocar em força à histórica cidade de Beja nos dias 29 e 30 de Maio de 2010, por isso prezado pard, esperamos por si em Beja!
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Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente? José de Matos-Cruz: Nasci em Mortágua, no ano de 1947. Trabalhei na Cinemateca Portuguesa, onde fui responsável pela Filmografia Portuguesa, até me aposentar em finais de 2008. Noutras áreas, desde final dos anos ’60, tenho escrito ficção e poesia, e investigado a história do teatro. Essa actividade vem-se manifestando em jornais e revistas e na publicação de vários livros.
Quando é que teve início esta paixão pela Banda Desenhada, em especial pelo Tex? José de Matos-Cruz: O início do fascínio pela banda desenhada vem da infância, ainda mal sabia ler. Quando passou a interessar-me a expressão criativa e artística dos quadradinhos, dediquei-me a uma intervenção analítica e crítica na imprensa, fundei fanzines… A paixão por Tex evoluiu desde cedo, sobretudo como leitor.
Porquê o Tex e não outra personagem? José de Matos-Cruz: Tex não foi, para mim, uma afeição única ou exclusiva, antes se converteria num fenómeno referencial – pela relevância épica em banda desenhada, pelo recorte da saga no género western, pelas qualidades intrínsecas do herói, pela complexa simbologia humana e social em causa.
O que Tex representa para si? José de Matos-Cruz: Tex representa a determinação e a coragem ante as adversidades, no enfrentamento dos desafios, mas também a coerência na assunção das fragilidades íntimas e na superação dos demónios pessoais. Não é um herói inequívoco ou linear.
Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si? José de Matos-Cruz:Não faço propriamente uma colecção de revistas, sobretudo adquiro e conservo as obras que me parecem mais significativas no historial de uma personagem – e Tex é, nesta perspectiva, uma motivação exemplar. Em especial, importantes são as fases de rotura ou transformação, ficcional ou criativa.
Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem? José de Matos-Cruz: Lateralmente, conservo tudo o que se relacione com o universo da banda desenhada, especialmente quanto às personagens de minha maior afeição – como iconografia, filmes alusivos, manancial informativo e analítico em arquivo. Embora a obra directa seja sempre insubstituível, para fruição ou reflexão.
Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista? José de Matos-Cruz: Em absoluto, não tenho uma história definitivamente favorita. Tudo depende da oportunidade de leitura, de um estado de espírito, da motivação por que regresso ao universo de uma personagem. Aliás, quanto a Tex há arcos romanescos de tensão e emoção, mais do que uma simples aventura, que me parecem peculiarmente aliciantes. Numa perspectiva muito própria e afectiva, admiro a dimensão estética de Aurelio Galleppini, a coerência gráfica de Fabio Civitelli… E a inspiração primordial, trágica e anímica, de Gian Luigi Bonelli… Sou, talvez, um leitor tradicional e conservador, contraditório quanto ao observador e crítico.
O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos? José de Matos-Cruz: Volto à coerência global de apreciação: agrada-me muito a fusão mítica e lendária que, sob um historial realista e sagrador, se perfilou na personalidade forte mas afectiva de Tex, e o potencial testemunhador em que se reflectiu através de gerações (seus comparsas, e leitores da saga). Aprecio menos certas obras de passagem, que se destinam a cumprir um percurso editorial, ou que escamoteiam os valores imaginéticos e romanescos que forjam o elã, distinguem e tanto aliciam em Tex.
Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é? José de Matos-Cruz: Num fundamento de admiração, creio que deixei espalhada e espelhada uma resposta, na consideração das questões anteriores. Mas, especificando melhor, Tex possui uma personalidade heróica forte e apelativa, logrou modelar o seu percurso virtual e emulativo no essencial universo western, e transferir-se para uma dimensão épica genuinamente universal e intemporal.
Para concluir, como vê o futuro do Ranger? José de Matos-Cruz: Tex continuará para sempre, para além das transformações vitais e heróicas que assinalarem a continuidade da saga. O que já existe é um extraordinário acervo artístico e cultural, afectivo e ritual, com os muitos admiradores que somos, e que se transferirá para os tantos outros que serão tocados, que se emocionarão e enriquecerão com a inestimável herança de Tex. Admirando os criadores originais, prestigiando todos os sucessores que lhe cederam talento e conferiram densidade, aguardando com expectativa o contributo futuro dos mais devotados argumentistas e ilustradores.
Prezado pard José de Matos-Cruz, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu. (Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)
Em conversas com coleccionadores veteranos da série Tex, muitas vezes surge o consenso de que talvez a fase mais fraca da revista tenha sido aquela que englobou os números entre o 200 e 300. Mas nesse período existe um arco do qual eu particularmente gosto muito e que é composto pelos números 247, 248 e 249: Retorno da Morte, Diabos Vermelhos e Ataque Final.
Esta história, escrita por Claudio Nizzi é uma clara homenagem a um grande filme de Western chamado “Cavalgada Heróica” (no original americano “Stagecoach” e no Brasil “No Tempo das Diligências”). Filme estrelado por John Wayne e dirigido por John Ford que se tornou um marco do cinema americano e mundial.
Claro que não seria possível colocar todas as questões que o filme de Ford mostrou, nas 200 páginas dos quadradinhos de Nizzi e Galep, mas a essência do filme está lá. Nizzi faz um excelente trabalho dando um ritmo frenético ao texto e não conseguimos parar de ler até chegar ao apoteótico final.
O covarde assassino, o caçador de recompensas velhaco, o ex-capitão que procura acertar contas com os seus fantasmas e uma dupla de tições do inferno. Todos acabarão sitiados num posto de diligências por uma horda de selvagens índios sedentos de sangue e glória…
A morte bafejava-lhes em volta, mas Tex e Carson lutariam até ao final, como sempre o fizeram…
Eu acabo de receber a edição nº 137 do Tex Collezione Storica a Colori onde está esta magnifica aventura. E agora pude apreciar este lindo trabalho de Galep em toda a sua totalidade e a cores. Impressionante…
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(Texto publicado originalmente noBlogue Zona Franca Comics, em 31 de Março de 2010) [1] Coleccionador de Banda Desenhada desde 1976 Contacto: zonafranca34@hotmail.com