Tex nº 94 – BANDIERA BIANCA

Tex nº 94 – BANDIERA BIANCA

Por José Carlos Francisco
Chegou a Portugal o material a expor na mostra dedicada aos 25 anos de Fabio Civitelli a desenhar Tex, a realizar em Beja de 29 de Maio e 13 de Junho de 2010, integrada no 6º Festival Internacional de BD de Beja.
Após os grandes sucessos das 3 exposições colectivas dedicadas a Tex que se realizaram recentemente em Portugal: em Viseu (2005) com uma retrospectiva de autores consagrados, em Moura (2007) com a nova vaga de desenhadores e a presença de Fabio Civitelli, e na Amadora (2008) com a comemoração do 60º aniversário de Tex e as presenças de Fabio Civitelli e Marco Bianchini e onde pela primeira vez fora de Itália foram expostos originais de Tex, temos desta vez (agora em Beja) uma exposição de carácter individual: 25 anos de carreira de Fabio Civitelli a desenhar Tex.
E mais uma vez Portugal terá o privilégio de expor originais do Ranger, já que tanto Sergio Bonelli assim como Fabio Civitelli concordaram em expor novamente no nosso país ORIGINAIS de Tex, o que permitirá que possamos apreciar os originais de alguns dos trabalhos mais significativos de Fabio Civitelli de modo a se poder ver na exposição a evolução de Civitelli (e do próprio Tex) ao longo dos 25 anos de trabalho do artista com Tex Willer.
E se ler uma história de Tex é uma aventura maravilhosa, poder apreciar os originais, é uma aventura muito maior. É uma daquelas coisas que nos ficará na memória para toda a vida. Quem vier a Beja para ver as pranchas originais expostas no Festival, poderá constatar isso mesmo. Até porque hoje a BD tem o estatuto de Arte – a 9ª – e os seus originais podem valer milhares de euros, se bem que algumas das pranchas originais de Civitelli expostas em Beja, estarão à venda, mas por números bem menores, ao alcance de quem quiser enriquecer a sua colecção com algo de valioso e exclusivo.
Além disso, através da visão e apreciação ao pormenor dos originais, apercebe-se que entre a prancha desenhada pelo autor e a página que será impressa, por vezes há algumas mudanças, umas mais subtis, outras menos. Também estará exposto o desenho original que Fabio Civitelli fez em exclusivo para o Festival: Tex saudando a cidade de Beja, tendo a Torre de Menagem do Castelo de Beja como pano de fundo.
Esta e muitas outras curiosidades, podem ser então apreciadas por quem visitar a exposição dedicada à célebre personagem da banda desenhada italiana, que contará com a presença do desenhador FABIO CIVITELLI nos dias 29 e 30 de Maio, para abrilhantar o evento.
Eis de seguida o elenco completo, dos ORIGINAIS de Fabio Civitelli a expor em Beja:
Prancha 1 – Particularidade: Primeira página de Tex da autoria de Fabio Civitelli
Itália – 1985 – Tex nº 293 – Pág. 91
Título da história: I due killers – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Título do álbum: Gli ostaggi
Brasil – 1986 – Tex nº 199 – Os Dois Killers – Pág. 92
Brasil – 2002 – Tex Ouro nº 2 – Os Dois Assassinos – Pág. 160
Prancha 2 – Particularidade: Página que serviu de base para a capa do álbum
Itália – 1985 – Tex nº 295 – Pág. 39
Título da história: I due killers – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Título do álbum: Il passaggio segreto
Brasil – 1986 – Tex nº 202 – A Passagem Secreta – Pág. 40
Brasil – 2002 – Tex Ouro nº 2 – Os Dois Assassinos – Pág. 325
Prancha 3
Itália – 1986 – Tex nº 305 – Pág. 80
Título da história: Omicidio a Corpus Christi – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Título do álbum: La taverna sul porto
Brasil – 1987 – Tex nº 211 – A Taberna do Porto – Pág. 102
Brasil – 2003 – Tex Ouro nº 6 – Os Conspiradores – Pág. 92
Prancha 4
Itália – 1986 – Tex nº 307 – Pág. 8
Título da história: Omicidio a Corpus Christi – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Título do álbum: Il giorno della paura
Brasil – 1987 – Tex nº 213 – O Dia do Medo – Pág. 42
Brasil – 2003 – Tex Ouro nº 6 – Os Conspiradores – Pág. 238
Prancha 5 – Particularidade: Originalmente a preto e branco, foi publicada a cores no Brasil
Itália – 1987 – Tex nº 323 – Pág. 64
Título da história: La città corrotta – Fabio Civitelli/Gianluigi Bonelli
Título do álbum: La città corrotta
Brasil – 1991 – Tex Edição Especial Colorida nº 2 – A Cidade Corrompida – Pág. 64
Brasil – 2008 – Almanaque Tex nº 34 – A Cidade Corrompida – Pág. 62
Prancha 6 – Particularidade: Originalmente a preto e branco, foi publicada a cores no Brasil
Itália – 1987 – Tex nº 323 – Pág. 85
Título da história: La città corrotta – Fabio Civitelli/Gianluigi Bonelli
Título do álbum: La città corrotta
Brasil – 1991 – Tex Edição Especial Colorida nº 2 – A Cidade Corrompida – Pág. 85
Brasil – 2008 – Almanaque Tex nº 34 – A Cidade Corrompida – Pág. 83
Prancha 7 – Particularidade: Originalmente a preto e branco, foi publicada a cores no Brasil
Itália – 1987 – Tex nº 323 – Pág. 86
Título da história: La città corrotta – Fabio Civitelli/Gianluigi Bonelli
Título do álbum: La città corrotta
Brasil – 1991 – Tex Edição Especial Colorida nº 2 – A Cidade Corrompida – Pág. 86
Brasil – 2008 – Almanaque Tex nº 34 – A Cidade Corrompida – Pág. 84
Prancha 8 – Particularidade: Uma das histórias mais longas da série (500 páginas), cuja primeira parte foi desenhada por Fernando Fusco (250 páginas) e a segunda por Civitelli. Os soldados do exército mexicano usam carabinas Spencer modelo 1865 enquanto o oficial empunha uma pistola Smith & Wesson New Model Russian calibre 44 Mexican
Itália – 1991 – Tex nº 367 – Pág. 95
Título da história: Agguato nella miniera – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Título do álbum: Agguato nella miniera
Brasil – 1992 – Tex nº 277 – Emboscada na Mina – Pág. 63
Brasil – 2007 -Tex Ouro nº 29 – Revolta em Chihuahua – Pág. 63
Prancha 9 – Particularidade: Uma das histórias mais longas da série (500 páginas), cuja primeira parte foi desenhada por Fernando Fusco (250 páginas) e a segunda por Civitelli. Tex e Kit Carson usam carabinas Winchester 1873 calibre 44 enquanto os soldados do exército mexicano usam carabinas Spencer modelo 1865
Itália – 1991 – Tex nº 368 – Pág. 85
Título da história: Agguato nella miniera – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Título do álbum: Lampi sul Messico
Brasil – 1992 – Tex nº 278 – A Conquista da Fortaleza – Pág. 58
Brasil – 2007 -Tex Ouro nº 29 – Revolta em Chihuahua – Pág. 162
Prancha 10 – Particularidade: Uma das histórias mais longas da série (500 páginas), cuja primeira parte foi desenhada por Fernando Fusco (250 páginas) e a segunda por Civitelli. Em primeiro plano uma pistola Smith & Wesson New Model Russian calibre 44 Mexican
Itália – 1991 – Tex nº 369 – Pág. 45
Título da história: Agguato nella miniera – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Título do álbum: Chihuahua!
Brasil – 1992 – Tex nº 279 – A Queda de um Tirano – Pág. 23
Brasil – 2007 -Tex Ouro nº 29 – Revolta em Chihuahua – Pág. 231
Prancha 11
Itália – 1993 – Tex nº 393 – Pág. 32
Título da história: Intrigo a Santa Fe – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Título do álbum: Intrigo a Santa Fe
Brasil – 1995 – Tex nº 304 – Intriga em Santa Fé – Pág. 65
Brasil – 2006 -Tex Especial de Férias nº 5 – Intriga em Santa Fé – Pág. 32
Prancha 12
Itália – 1993 – Tex nº 394 – Pág. 27
Título da história: Intrigo a Santa Fe – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Título do álbum: Una pallottola per il presidente
Brasil – 1995 – Tex nº 305 – Alvo: o Presidente – Pág. 62
Brasil – 2006 -Tex Especial de Férias nº 5 – Intriga em Santa Fé – Pág. 136
Prancha 13
Itália – 1993 – Tex nº 394 – Pág. 58
Título da história: Intrigo a Santa Fe – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Título do álbum: Una pallottola per il presidente
Brasil – 1995 – Tex nº 305 – Alvo: o Presidente – Pág. 93
Brasil – 2006 -Tex Especial de Férias nº 5 – Intriga em Santa Fé – Pág. 167
Prancha 14
Itália – 1993 – Tex nº 394 – Pág. 113
Título da história: Intrigo a Santa Fe – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Título do álbum: Una pallottola per il presidente
Brasil – 1995 – Tex nº 306 – Queima de Arquivo – Pág. 41
Brasil – 2006 -Tex Especial de Férias nº 5 – Intriga em Santa Fé – Pág. 222
Prancha 15
Itália – 1997 – Tex nº 443 – Pág. 28
Título da história: Il ritorno della Tigre Nera – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Título do álbum: Il ritorno della Tigre Nera
Brasil – 1999 – Tex nº 356 – O Retorno do Tigre Negro – Pág. 55
Prancha 16
Itália – 1997 – Tex nº 443 – Pág. 45
Título da história: Il ritorno della Tigre Nera – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Título do álbum: Il ritorno della Tigre Nera
Brasil – 1999 – Tex nº 356 – O Retorno do Tigre Negro – Pág. 72
Prancha 17
Itália – 1997 – Tex nº 443 – Pág. 50
Título da história: Il ritorno della Tigre Nera – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Título do álbum: Il ritorno della Tigre Nera
Brasil – 1999 – Tex nº 356 – O Retorno do Tigre Negro – Pág. 77
Prancha 18
Itália – 1997 – Tex nº 443 – Pág. 70
Título da história: Il ritorno della Tigre Nera – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Título do álbum: Il ritorno della Tigre Nera
Brasil – 1999 – Tex nº 357 – A Lagoa Morta – Pág. 4
Prancha 19
Itália – 2001 – Tex nº 493 – Pág. 101
Título da história: La morte nera – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Título do álbum: La morte nera
Brasil – 2002 – Almanaque Tex nº 15 – A Morte Negra – Pág. 111
Prancha 20
Itália – 2003 – Tex nº 511 – Pág. 29
Título da história: Ritorno a Culver City – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Título do álbum: Ritorno a Culver City
Brasil – 2005 – Almanaque Tex nº 25 – Retorno a Culver City – Pág. 27
Prancha 21 – Particularidade: Numa iniciativa de Fabio Civitelli, são revelados pela primeira vez os nomes dos pais de Tex
Itália – 2003 – Tex nº 511 – Pág. 30
Título da história: Ritorno a Culver City – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Título do álbum: Ritorno a Culver City
Brasil – 2005 – Almanaque Tex nº 25 – Retorno a Culver City – Pág. 28
Prancha 22
Itália – 2003 – Tex nº 512 – Pág. 104
Título da história: Ritorno a Culver City – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Título do álbum: La città della paura
Brasil – 2005 – Almanaque Tex nº 25 – Retorno a Culver City – Pág. 211
Prancha 23
Itália – 2005 – Tex nº 536 – Pág. 20
Título da história: Tumak l’inesorabile – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Título do álbum: Tumak l’inesorabile
Brasil – 2006 -Tex nº 442 – Tumak, o Implacável – Pág. 20
Prancha 24 – Particularidade: A única página pintada a aguarela e publicada a preto e branco em 62 anos de produção texiana
Itália – 2005 – Tex nº 536 – Pág. 55
Título da história: Tumak l’inesorabile – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Título do álbum: Tumak l’inesorabile
Brasil – 2006 -Tex nº 442 – Tumak, o Implacável – Pág. 55
Prancha 25 – Particularidade: Página com uma vinheta totalmente vertical, algo raríssimo em toda a saga de Tex
Itália – 2005 – Tex nº 537 – Pág. 60
Título da história: Tumak l’inesorabile – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Título do álbum: Anasazi
Brasil – 2006 -Tex nº 443 – O Segredo do Túmulo – Pág. 58
Prancha 26
Itália – 2005 – Tex nº 537 – Pág. 93
Título da história: Tumak l’inesorabile – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Título do álbum: Anasazi
Brasil – 2006 -Tex nº 443 – O Segredo do Túmulo – Pág. 91
Prancha 27
Itália – 2006 – Tex nº 554 – Pág. 62
Título da história: La banda dei tre – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Título do álbum: La banda dei tre
Brasil – 2007 -Tex nº 458 – O Trio Mortal – Pág. 62
Prancha 28
Itália – 2007 – Tex nº 555 – Pág. 49
Título da história: La banda dei tre – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Título do álbum: Il killer misterioso
Brasil – 2008 -Tex nº 459 – O Pistoleiro Misterioso – Pág. 49
Prancha 29 – Particularidade: Página que serviu de base para a capa do álbum
Itália – 2007 – Tex nº 555 – Pág. 70
Título da história: La banda dei tre – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Título do álbum: Il killer misterioso
Brasil – 2008 -Tex nº 459 – O Pistoleiro Misterioso – Pág. 70
Prancha 30
Itália – 2007 – Tex nº 555 – Pág. 98
Título da história: La banda dei tre – Fabio Civitelli/Claudio Nizzi
Título do álbum: Il killer misterioso
Brasil – 2008 -Tex nº 459 – O Pistoleiro Misterioso – Pág. 98
Com todos estes atractivos (e ainda outras surpresas mais, que em breve divulgaremos), poderemos dizer sem medo de errar que esta é uma das maiores e mais importantes Exposições de Tex realizadas a nível mundial, por isso caro amante da Nona Arte, não deixe de comparecer em Beja durante os dias 29 de Maio a 13 de Junho e veja com os seus próprios olhos, um pouco mais do fantástico mundo de Tex Willer!!!!
O blogue do Tex apresenta hoje vários desenhos relacionados com o mundo de Tex Willer, da autoria do jovem Marcos Junio Ferreira dos Santos, um já grande fã e coleccionador do Ranger, para além de ser também um promissor desenhador a quem auguramos um futuro bastante promissor no que à 9º Arte diz respeito.
Desenhos esses inspirados em diversas capas de Tex da autoria de Claudio Villa e que foram realizados entre os anos 2003 e 2006, tendo as cores sido aplicadas em 2008 como se pode verificar nas diversas “capas” mostradas de seguida:
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Claudio Villa mostra-nos nesta ilustração o preciso momento em que Tex Willer se apresta para libertar do interior das minas de prata, centro mineiro mexicano abandonado há muitos anos e a pouco mais de vinte quilómetros da fronteira sul do Arizona, a aprisionada Manuela Montoya, filha do fidalgo Dom Carlos Montoya que tinha sido sequestrada do rancho da família Montoya por Diego e dois índios yaquis a mando de Dom Pedro Cortez, para este fazer depois o papel do herói que libertaria a nobre das mãos dos seus raptores…
Desenho INÉDITO no Brasil e inspirado na história “I due rivali” de G. L. Bonelli e Erio Nicolò (Tex italiano #214 e #215).
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Texto de José Carlos Francisco
Por José Carlos Francisco
Está a decorrer até ao dia 9 de Maio no Palácio das Artes em Nápoles, Itália, uma grande exposição que conta a história dos 70 anos da Sergio Bonelli Editore (a história da editora iniciou-se em 1940, quando Gian Luigi Bonelli comprou as Edizioni Audace a Lotario Vecchi), abrangendo TUDO o que a editora italiana fez na Itália e no exterior e que tem por título L’AUDACE BONELLI – L’AVVENTURA DEL FUMETTO ITALIANO (O Audaz Bonelli – A Aventura dos Quadradinhos Italianos), exposição essa promovida em parceria pela Napoli COMICON e pela Sergio Bonelli Editore e que é composta por cerca de 200 páginas originais feitas ao longo dos anos por muitos dos desenhadores que fizeram parte, ou que ainda agora o fazem, da editora.
A exposição é dividida em várias secções temáticas, destacando a história e as origens da editora, as grandes personagens, os prestigiosos autores italianos e estrangeiros, os projectos actuais e as perspectivas futuras das publicações Bonelli. Ou seja, trata-se de uma oportunidade única para fazer uma viagem através dos setenta anos da história da principal editora italiana de banda desenhada, percorrendo as tantas páginas aventurosas que a editora publicou, de Tex a Zagor, de Mister No a Martin Mystère, de Nathan Never a Júlia, Magico Vento, Dampyr… gradualmente até chegar às mais recentes mini-séries como Caravan e Greystorm.
“L’audace Bonelli” é apoiada por um importante livro de 250 páginas em formato gigante e com centenas de belíssimas ilustrações, lançado no dia 19 de Março e que está à venda por € 18,00, repercorrendo igualmente a história e a fenomenologia da editora milanesa e que será certamente do agrado de todos, desde os simples curiosos aos estudiosos de dinâmicas culturais assim como aos apaixonados leitores das diversas séries bonellianas.
E como não podia deixar de ser, regista-se com agrado que sobretudo o Brasil, mas também Portugal constam desta histórica (a todos os níveis) exposição, que recorde-se uma vez mais foi organizada em conjunto pela Napoli COMICON e pela Sergio Bonelli Editore (tanto a mostra quanto o livro), o que significa dizer que o material reflecte a história e pontos de vista oficiais da SBE, inclusive o modo como eles vêem o trabalho feito com as edições estrangeiras, trabalho esse que no que se refere à nossa língua está bem expresso no início do capítulo dedicado ao tema com a seguinte frase: “Um discurso à parte merecem o Brasil e Portugal, que juntam às analogias editoriais um amor ao produto bonelliano muito próximo àquele do leitor italiano.“.
Discurso esse integrado nas páginas 153 e 154 e cujo texto da autoria de Raffaele De Falco ilustrado pelas capas do Tex Gigante “O Vale do Terror” (reedição Mythos) e do Tex em Cores n° 1, transcrevemos de seguida na nossa língua:
“A terra estrangeira que deu maior brilho às personagens Bonelli é, sem dúvida, o Brasil. Os leitores brasileiros têm uma ligação especial com Tex e parceiros (partilhado com os primos portugueses). Tex, desde há anos o álbum mais difundido em absoluto, faz a sua estreia em 25 de Fevereiro de 1951 no nº 28 da colecção Júnior da Rio Gráfica Editora, rebaptizado de Texas Kid. Após seis anos de bons sucessos, Tex desaparece dos pontos de venda. É relançado em 1971 pela editora Vecchi no clássico formato italiano. Depois de um período inicial de incertezas, a revista, reduzida para o formato 17,5 x 13,5 cm, atingiu uma nobre prestação que atingiu uma tiragem de 150.000 exemplares. Em 1977, juntam-se Zagor, Ken Parker, Histórias do Oeste, etc. até que a crise de 1982 obriga à cessação das publicações.
Depois de uma longa agonia que durou um ano, Tex retornou aos quiosques brasileiros com um outro selo, aquele da mesma editora que o tinha lançado 32 anos antes, a RGE. Em Agosto de 1983, continuando a velha numeração, sai o nº 164, seguindo em frente até 1987, quando a RGE muda a própria denominação para Globo e o editor lança as duas reedições “Tex Coleção” e “Tex Edição Histórica”, esta última com capas inéditas da autoria de Claudio Villa. Por uma década Tex continua por inércia, sem muita atenção por parte da editora, tanto assim que em Dezembro de 1998 com o nº 350 (e os números 143 de Tex Coleção e 33 da histórica) a Globo encerra o seu relacionamento com Tex.
Os apaixonados leitores da criação de Gianluigi Bonelli temem que nenhum grande editor possa retomar a personagem e parecem ter que se resignar com o seu desaparecimento definitivo. Mas aconteceu um pequeno milagre. A Mythos, uma jovem editora de São Paulo, com apenas dois anos de vida, vem à frente e, em Janeiro de 1999, sai Tex 351, com uma capa inédita de Magnus. Em um ano a editora deu nova vida a todas as séries de Tex interrompidas pela Globo e acrescentou Especial, Extra, Anual, Almanaque, etc., usando um papel nobre e dedicando maior atenção às capas, ganhando aplausos da casa-mãe italiana, que coroa a versão brasileira como a melhor edição estrangeira. Mais uma vez Tex é o abre-alas e, a partir de 2002, a Mythos coloca outras personagens no mercado: Mágico Vento, Mister No, Zagor, Júlia, Ken Parker e Dampyr.
Hoje os leitores brasileiros acompanham os feitos do seu herói preferido num número de títulos maior até que os publicados pela Sergio Bonelli, sempre com um olho apontado para a Itália, por meio dos sites dedicados a Tex e pelo trabalho do consultor editorial para os títulos Bonelli no Brasil: Júlio Schneider que, antes de tudo, é um grande aficionado.
Graças aos textos de Schneider os fãs brasileiros podem ler a reedição colorida (que, na Itália, sai com o jornal La Repubblica e que é igualmente publicada também na Croácia, Noruega e Finlândia) com renovado entusiasmo.“
Destaque ainda para o facto de que na pág. 226 do livro, no tópico dedicado aos “Volumes sobre o mundo bonelliano”, é citada a obra “Gonçalo Silva Jr, O mocinho do Brasil. A história de um fenômeno editorial chamado Tex, Editora Laços, São Paulo (Brasil) 2009″.
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