O Audaz Bonelli – A Aventura dos Quadradinhos Italianos

Por José Carlos Francisco

L'AUDACE BONELLI - L'AVVENTURA DEL FUMETTO ITALIANOEstá a decorrer até ao dia 9 de Maio no Palácio das Artes em Nápoles, Itália, uma grande exposição que conta a história dos 70 anos da Sergio Bonelli Editore (a história da editora iniciou-se em 1940, quando Gian Luigi Bonelli comprou as Edizioni Audace a  Lotario Vecchi), abrangendo TUDO o que a editora italiana fez na Itália e no exterior e que  tem por título L’AUDACE BONELLI – L’AVVENTURA DEL FUMETTO ITALIANO (O Audaz Bonelli – A Aventura dos Quadradinhos Italianos), exposição essa promovida em parceria pela Napoli COMICON e pela Sergio Bonelli Editore e que é composta por cerca de 200 páginas originais feitas ao longo dos anos por muitos dos desenhadores que fizeram parte, ou que ainda agora o fazem, da editora.

A exposição é dividida em várias secções temáticas, destacando a história e as origens da editora, as grandes personagens, os prestigiosos autores italianos e estrangeiros, os projectos actuais e as perspectivas futuras das publicações Bonelli. Ou seja, trata-se de uma oportunidade única para fazer uma viagem através dos setenta anos da história da principal editora italiana de banda desenhada, percorrendo as tantas páginas aventurosas que a editora publicou, de Tex a Zagor, de Mister No a Martin Mystère, de Nathan Never a Júlia, Magico Vento, Dampyr… gradualmente até chegar às mais recentes mini-séries como Caravan e Greystorm.

Página 150 - L'AUDACE BONELLI - L'AVVENTURA DEL FUMETTO ITALIANOL’audace Bonelli” é apoiada por um importante livro de 250 páginas em formato gigante e com centenas de belíssimas ilustrações, lançado no dia 19 de Março e que está à venda por € 18,00, repercorrendo igualmente a história e a fenomenologia da editora milanesa e que será certamente do agrado de todos, desde os simples curiosos aos estudiosos de dinâmicas culturais assim como aos apaixonados leitores das diversas séries bonellianas.

E como não podia deixar de ser, regista-se com agrado que sobretudo o Brasil, mas também Portugal constam desta histórica (a todos os níveis) exposição, que recorde-se  uma vez mais foi organizada em conjunto pela Napoli COMICON e pela Sergio Bonelli Editore (tanto a mostra quanto o livro), o que significa dizer que o material reflecte a história e pontos de vista oficiais da SBE, inclusive o modo como eles vêem o trabalho feito com as edições estrangeiras, trabalho esse que no que se refere à nossa língua está bem expresso no início do capítulo dedicado ao tema com a seguinte frase: “Um discurso à parte merecem o Brasil e Portugal, que juntam às analogias editoriais um amor ao produto bonelliano muito próximo àquele do leitor italiano.“.

Página 153 - L'AUDACE BONELLI - L'AVVENTURA DEL FUMETTO ITALIANODiscurso esse integrado nas páginas 153 e 154 e cujo texto da autoria de Raffaele De Falco ilustrado pelas capas do Tex Gigante “O Vale do Terror” (reedição Mythos) e do Tex em Cores n° 1, transcrevemos de seguida na nossa língua:
A terra estrangeira que deu maior brilho às personagens Bonelli é, sem dúvida, o Brasil. Os leitores brasileiros têm uma ligação especial com Tex e parceiros (partilhado com os primos portugueses). Tex, desde há anos o álbum mais difundido em absoluto, faz a sua estreia em 25 de Fevereiro de 1951 no nº 28 da colecção Júnior da Rio Gráfica Editora, rebaptizado de Texas Kid. Após seis anos de bons sucessos, Tex desaparece dos pontos de venda. É relançado em 1971 pela editora Vecchi no clássico formato italiano. Depois de um período inicial de incertezas, a revista, reduzida para o formato 17,5 x 13,5 cm, atingiu uma nobre prestação que atingiu uma tiragem de 150.000 exemplares. Em 1977, juntam-se Zagor, Ken Parker, Histórias do Oeste, etc. até que a crise de 1982 obriga à cessação das publicações.

Depois de uma longa agonia que durou um ano, Tex retornou aos quiosques brasileiros com um outro selo, aquele da mesma editora que o tinha lançado 32 anos antes, a RGE. Em Agosto de 1983, continuando a velha numeração, sai o nº 164, seguindo em frente até 1987, quando a RGE muda a própria denominação para Globo e o editor lança as duas reedições “Tex Coleção” e “Tex Edição Histórica”, esta última com capas inéditas da autoria de Claudio Villa. Por uma década Tex continua por inércia, sem muita atenção por parte da editora, tanto assim que em Dezembro de 1998 com o nº 350 (e os números 143 de Tex Coleção e 33 da histórica) a Globo encerra o seu relacionamento com Tex.

Página 154 - L'AUDACE BONELLI - L'AVVENTURA DEL FUMETTO ITALIANOOs apaixonados leitores da criação de Gianluigi Bonelli temem que nenhum grande editor possa retomar a personagem e parecem ter que se resignar com o seu desaparecimento definitivo. Mas aconteceu um pequeno milagre. A Mythos, uma jovem editora de São Paulo, com apenas dois anos de vida, vem à frente e, em Janeiro de 1999, sai Tex 351, com uma capa inédita de Magnus. Em um ano a editora deu nova vida a todas as séries de Tex interrompidas pela Globo e acrescentou Especial, Extra, Anual, Almanaque, etc., usando um papel nobre e dedicando maior atenção às capas, ganhando aplausos da casa-mãe italiana, que coroa a versão brasileira como a melhor edição estrangeira. Mais uma vez Tex é o abre-alas e, a partir de 2002, a Mythos coloca outras personagens no mercado: Mágico Vento, Mister No, Zagor, Júlia, Ken Parker e Dampyr.

Hoje os leitores brasileiros acompanham os feitos do seu herói preferido num número de títulos maior até que os publicados pela Sergio Bonelli, sempre com um olho apontado para a Itália, por meio dos sites dedicados a Tex e pelo trabalho do consultor editorial para os títulos Bonelli no Brasil: Júlio Schneider que, antes de tudo, é um grande aficionado.
Graças aos textos de Schneider os fãs brasileiros podem ler a reedição colorida (que, na Itália, sai com o jornal La Repubblica e que é igualmente publicada também na Croácia, Noruega e Finlândia) com renovado entusiasmo.

Destaque ainda para o facto de que na pág. 226 do livro, no tópico dedicado aos “Volumes sobre o mundo bonelliano”, é citada a obra “Gonçalo Silva Jr, O mocinho do Brasil. A história de um fenômeno editorial chamado Tex, Editora Laços, São Paulo (Brasil) 2009″.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Um comentário

  1. Um livro como este merecia repousar em G.G.Carsan Bibliotex… vamos ver se consigo.

    Abs

    G.G.Carsan

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