Um artigo decididamente mais denso que o anterior, este dedicado ao 47º Tex Classic. Como sempre, algumas informações sobre os volumes reimpressos: Trata-se das seis strisce que vão do 39 ao 44 da série verde da Collana del Tex, publicados originalmente entre Fevereiro e Março de 1954, e repropostos pela primeira vez no formato actual nos números 3 e 4 da série quinzenal Albo d’Oro de Abril de 1956. A capa escolhida desta vez é a do número 3, abaixo encontrámo-la logo após a deste Tex Classic nº 47.
Tex Classic #47 – Nuovi intrighi
Albo d’Oro Tex #3 – III Serie
De notar o desaparecimento da garrafa sobre a mesa.
A história de Tex envolvido na rixa, que obviamente não é uma novidade na capa – já vimos nesta série também, deriva da striscia com o emblemático título ‘Tex entra em acção‘, a segunda das três reimpressas naquele Albo d’Oro quinzenal.
Collana del Tex 40 (Serie Verde) – ‘Tex entra in azione’
O artigo poderia ter terminado aqui, só que descobrimos, como costuma acontecer com esta série de reimpressões, que a equipa editorial escolheu como capa a imagem menos conhecida entre as elegíveis; muito provavelmente porque ver uma ilustração do ranger usada apenas uma vez, há mais de sessenta anos, para a maioria dos leitores é quase como ver um desenho inédito. A imagem descartada na verdade dá-nos mais satisfação, para os fins desta rubrica, do que a escolhida. A história contada nesta imagem é aquela em que o “velho camelo” nos mostra como se pode disparar contra um adversário desde uma posição bastante incómoda, protegendo-se com um cavalo. Vamos descobrir juntos a sua origem. A cena acrobática foi desenhada pela primeira vez na décima quinta tira do número 43 da série verde da Collana del Tex.
A vinheta de inspiração da autoria de Aurelio Galleppini
A cena é tão impactante que ganha até a capa do volume intitulado Kit Carson entra em jogo. Já que falamos da capa, então Carson precisa estar bem vestido: calças vermelha, jaqueta com franjas amarelas e um lindo chapéu verde. Também o seu adversário, um homem elegante, também tinha escolhido mais ou menos as mesmas cores, mas revelou-se um alvo demasiado fácil e levou a pior.
Collana del Tex 43 – Kit Carson entra in giuoco
Ao repetir a cena com cores completamente diferentes, por ocasião da raccoltina 33 da série vermelha, o resultado não muda.
Tex Raccoltina 33, série vermelha
Por ocasião da reimpressão da aventura nas publicações Albo d’Oro, há mudanças na capa: o título muda; perde um “u”; Kit Carson veste calças novas e usa jaqueta bicolor (terá roubada ao afilhado, Kit Willer?) e dispara com a mão direita, que evidentemente funciona pior nessa posição, tanto que o seu oponente, mais uma vez vestido com cores vivas, permanece vivo.
Albo d’Oro Tex #4 – III Serie
“Ok, vamos tentar com o herói principal, talvez corra melhor”, devem ter pensado na redacção. Assim, por ocasião da publicação da 36ª edição da segunda série gigante de Tex, a história volta a ser retocada. Para facilitar a visibilidade do adversário para ambos os contendores, decidem dar a Tex um cavalo branco e pintar de branco o edifício atrás do elegante adversário acima mencionado, mas o resultado foi o habitual.
Tex #36 – Il villaggio fantasma
Tentaram, novamente, mudar as cores nas edições de 1987 e 1997, mas sem obter resultados apreciáveis.
Tutto Tex #36 – Il villaggio fantasma
Tex Nuova Ristampa #36 – Il villaggio fantasma
Finalmente, em 2007, chega Claudio Villa e percebe que é preciso trazer tudo de volta às origens e por ocasião da Collezione Storica a Colori do La Repubblica, cria a capa do 11º volume com o mesmo enquadramento da vinheta inicial: Volta Kit Carson, que atira com a mão esquerda e acerta o alvo!
Collezione Storica a Colori #11 – Carson entra in gioco
Mauro Boselli exibe orgulhosamente a edição nº 76 de Tex Willer
No passado dia 19 de Fevereiro, a Sergio Bonelli Editore publicou a edição número 76 de Tex Willer (a série dedicada ao jovem Tex), intitulada “La colera di Wabinoga” que contém a terceira parte de uma história escrita por Mauro Boselli e desenhada por Marco Ghion.
Para vingar a morte do seu filho Taugu, o xamã dos Piutes Wabinoga sequestra Carson através dos renegados de Kid Billy e pretende torturá-lo atrozmente no ritual de tortura dos três escalpes. Mas Tex está no encalço do bando… E quando os dois futuros pards estiverem lado a lado, não haverá escapatória para ninguém!
A capa deste septuagésimo sexto número, tal como as setenta e cinco anteriores e as que se seguirão nesta colecção, é da autoria do conceituado desenhador Maurizio Dotti, capa essa que divulgamos hoje aqui no blogue do Tex acompanhada dos três esboços iniciais, assim como da arte a lápis, da arte finalizada a tinta da china e da capa original pintada igualmente por Maurizio Dotti, devido à gentil cortesia do próprio Dotti:
Primeiro esboço para a capa de Tex Willer #76, da autoria de Maurizio Dotti
Segundo esboço para a capa de Tex Willer #76, da autoria de Maurizio Dotti
Terceiro esboço para a capa de Tex Willer #76, da autoria de Maurizio Dotti
Arte a lápis para a capa de Tex Willer #76, da autoria de Maurizio Dotti
Arte final a tinta da china da capa de Tex Willer #76, da autoria de Maurizio Dotti
Ilustração para a capa de Tex Willer #76, com as cores originais de Maurizio Dotti
Capa de Tex Willer #76 – “La collera di Wabinoga”
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Tex – “Minstrel Show“, de Mauro Boselli e Marco Ghion
Depois de um interregno de quase três anos,A Seita voltou a trazer-nos um novo volume da série Tex. Este é o quinto Tex editado pela cooperativa e difere dos demais por ser a preto e branco. E não só. Denomina-se Minstrel Show e é uma belíssima obra que tem o condão de inserir a icónica personagem de Tex Willer num contexto histórico rico e complexo.
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Com argumento de Mauro Boselli e ilustrações de Marco Ghion, Minstrel Show apresenta uma certa militância social ao abordar temas sensíveis como o racismo e a discriminação, naturalmente ambientados nos tempos do faroeste, mais precisamente no período pós-Guerra Civil Americana.
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A trama, como o próprio nome faz menção, é sobre os denominados “minstrel shows”, que eram espetáculos que reuniam um misto de teatro e música e que eram populares no século XIX. Normalmente, as companhias que apresentavam estes tipo de espetáculo andavam em digressão, percorrendo os vários saloons do país. E sempre que havia um novo espetáculo deste género na cidade, havia um entusiasmo geral. Aos olhos de hoje, este tipo de apresentações de entretenimento tinham representações estereotipadas e frequentemente depreciativas dos afro-americanos. E os atores que representavam os próprios negros nestas atuações eram atores brancos com a cara pintada de carvão. . É a partir deste tema, não muito explorado, que o argumentista Mauro Boselli desenvolve uma história que mistura ficção e realidade e que acaba por fazer uma reflexão profunda sobre as tensões raciais da época sem, no entanto, e felizmente, ser demasiado panfletária. . Joey Nelson é um afro-americano amigo de infância de Tex. Depois de fugir das amarras da escravidão, Joey passa a integrar uma companhia de Minstrel Show enquanto músico, já que domina muito bem a guitarra. Ao contrário dos seus colegas da companhia, Joey Nelson não precisa de colorir a cara para parecer negro. Ele já o é de nascença. Eventualmente, alguém na plateia apercebe-se de tal facto, o que vai fazer com que a presença de Joey depressa cause tensões em plenos espetáculos, levando a que Joey Nelson acabe discriminado e ostracizado.
. Mas, claro, Tex Willer e Kit Carson acabam por interceder a favor do seu amigo. Entretanto, a trama intensifica-se quando na cidade de Lexington, no Missouri, ocorre um ataque por rebeldes sulistas liderados por Arch Clement e por Jesse James, o que leva Tex e Carson a terem que unir forças com alguns dos artistas do minstrel show para defender a cidade. Afinal de contas, em tempos de guerra os homens precisam ultrapassar os seus próprios preconceitos e antagonismos para o alcance de objetivos maiores. . A amizade entre Tex e Joey serve, pois, como fio condutor para explorar as dinâmicas raciais e as injustiças enfrentadas por afro-americanos no Velho Oeste. Boselli constrói diálogos que evidenciam a hipocrisia e o racismo institucionalizados, desafiando o leitor a refletir sobre essas questões. Não de um modo de “cancelamento”, tão em voga nos tempos atuais, mas mais com o intuito de fazer compreender erros do passado para melhor podermos construir o futuro à nossa frente. Abordagem educativa que apreciei devido à sua maturidade intrínseca. . À boa maneira de um livro de Tex, temos várias cenas de ação, com muitos tiroteios na clássica luta do bem contra o mal. Mas o que mais apreciei foi mesmo a capacidade do livro em nos induzir momentos de introspeção. São-nos dados de forma leve, mas não leviana. E nem sempre isso acontece nos livros de Tex onde, não raras vezes, as mensagens – mesmo tendo uma boa moral – são algo unidimensionais na forma e no conteúdo. Aqui não, o tema apresenta-se-nos com mais profundidade. Mesmo sendo através de um modo leve, repito. . As ilustrações a preto e branco de Marco Ghion capturam com precisão a atmosfera do Velho Oeste. O traço detalhado e expressivo é elegante, conferindo profundidade e verossimilhança às personagens e aos cenários. O autor consegue brilhar quer em cenas de ação, com enquadramentos dinâmicos que transmitem movimento e urgência, que em momentos mais introspetivos e serenos, com a atmosfera cénica a ser retratada com beleza e permitindo que a narrativa possa acalmar antes ou depois de acontecimentos de maior ação. . Destaque ainda para a forma eficaz como Ghion utiliza a luz, as sombras e os contrastes, criando uma ambientação que reflete a tensão e a gravidade dos eventos retratados. A escolha pelo preto e branco puro reforça o tom clássico da história, remetendo-nos para as origens do género western e da série Tex em particular. . Em termos de edição, apreciei bastante o trabalho que A Seita nos dá nesta obra. O livro apresenta capa dura com um acabamento algo rugoso e agradável ao toque, que é diferente daquilo que normalmente encontramos nas edições portuguesas, e que me agradou bastante. Além deste detalhe, o livro tem bom papel baço no interior, boa encadernação e boa impressão. No início da obra, há uma nota introdutória de Mauro Boselli e, no final, há um dossier de extras com 6 páginas que reúnem uma entrevista feita a Marco Ghion por Mário Marques, uma coleção com vários esboços e estudos preliminares do ilustrador e as notas biográficas dos dois autores.
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Em suma, Tex – Minstrel Show consegue um equilíbrio muito interessante ao apresentar, em tom de homenagem, uma certa dinâmica e estilo próprios dos western mais clássicos, por um lado, enquanto transcende o próprio género, oferecendo uma reflexão social, por outro. E esta última valência é algo mais raro de encontrar em banda desenhada de cowboys. Especialmente em Tex. É, por isso mesmo, o melhor Tex publicado pel’ A Seita chegando mesmo a remeter-me por vezes para o meu Tex favorito de todos:Tex – Patagónia.
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NOTA FINAL(1/10)
8.7
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Ficha técnica
Tex – Minstrel Show
Autores: Mauro Boselli e Marco Ghion
Editora: A Seita
Páginas: 136, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Outubro de 2024
. [*](Texto publicado originalmente noblogue “Vinhetas 2020“, em 20 de Fevereiro de 2025)
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Tex #773 – Caccia al navajo Argumento: Pasquale Ruju Roteiro: Pasquale Ruju Desenhos: Yannis Ginosatis Capa: Claudio Villa Lançamento: 7 de Março de 2025
Enquanto o sanguinário bandido El Escorpión está pronto para realizar um grande assalto no condado de Lincoln, o navajo Julio está em fuga, acusado de um assassinato brutal… Na verdade, foi em defesa legítima, mas Tex e Carson, além de restabelecerem a justiça no rancho da bela Elaine, devem caçar os desperados de Escorpión, que podem contar com um aliado traiçoeiro…
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