Tex 593 – “La mano del morto“, de Março de 2010, Tex 594 – “Quel treno a mezzogiorno“, de Abril de 2010 e Tex 595 – “Deadwood“, de Maio de 2010. Argumento de Mauro Boselli, desenhos de Alfonso Font e capas de Claudio Villa. História inédita no Brasil e Portugal.
James Butler Hickok, mais conhecido por Wild Bill Hickok foi uma das lendas do velho oeste americano. Lutou no exército da União durante a Guerra Civil e, depois desta, ganhou fama como jogador profissional e fora da lei. Envolveu-se em vários duelos épicos, rapidamente explorados pela imprensa sensacionalista da época, acabando por morrer durante um jogo de póquer num saloon em Deadwood, no Dakota.
Reza a lenda que, não encontrando vago o seu lugar habitual, Hickok acabou por sentar-se de costas para a porta, sendo baleado por Jack McCall. Na altura, dispunha de um par de ases, um par de oitos e uma dama, conjunto de cartas este que ficou para sempre conhecido como a “Mão do Morto”. E é desta forma que Boselli inicia esta aventura, certamente uma das melhores de sempre da série.
Não se trata de retratar a vida preenchida desta personagem símbolo da história do oeste, nem tão pouco colocar Tex novamente ao lado de figuras históricas. Boselli vai mais além, aproveitando a História para subir ao patamar da intriga política.
Tudo começa em Deadwood, em Agosto de 1876. Um homem entra num saloon e é convidado para se juntar a um jogo de póquer. Os factos seguintes fazem parte da História, mas o argumento de Boselli é suficientemente rico e de tal modo bem elaborado que em breve nos vemos em presença de um magistral complot político.
Uma história de delitos aparentemente sem ligação entre si, mas que Tex, Carson e Kit vão conseguir interligar chegando até ao episódio do assassinato de Will Bill Hickok. Uma história rica em acontecimentos, em acção, em elementos históricos, verdadeiramente fascinante, com personagens que fazem parte do imaginário do velho oeste, enriquecedoras de uma aventura épica onde Boselli consegue conjugar na perfeição a história do velho oeste com toda a atmosfera texiana, mantendo sempre latente a tensão e o mistério, apesar da extensão da aventura.
Nota-se que estamos em presença de um projecto ambicioso do autor, com uma grande concentração de factos e personagens, algo que Boselli consegue gerir espantosamente, provando, uma vez mais, ser um autor de enormes recursos narrativos, caracterizando densamente personagens e manipulando factos históricos com uma simplicidade notável.
Mais um excelente trabalho para Alfonso Font. Já o dissemos, o espanhol parece estar talhado a desenhar os melhores argumentos de Boselli. Aqui, uma vez mais, um trabalho de elevada qualidade em qualquer cenário e na composição das personagens. Will Bill está excelente, mister Black inesquecível. Óptimas sequências, como toda a que decorre no teatro, a cena do assassinato de Will Bill, no hotel, o duelo final no saloon de Deadwood.
Font está no auge das suas possibilidades, domina recursos, domina personagens e ambientes. Um traço sintético aqui, mais elaborado acolá. Menos porco que o de Ortiz, mas um traço que parece ser particular nos autores espanhóis.
Esta aventura vem afirmar Boselli como um autor que agarra em pleno a personagem de G.L. Bonelli, modelando-a ao sabor do tempo, deste tempo, sem deixar cair o mito. Mas demonstra também um autor que, ao mesmo tempo, actua em redor do protagonista, sublinhando sempre o seu lado mais épico e justiceiro, em detrimento do ranger duro e viril bonelliano.
No final, a verdade dos factos não é desvendada, porque para Tex o mais importante é que os assassinos paguem pelo que cometeram. Já que a História deixa tantas pontas soltas, permitindo assim inúmeras interpretações subjectivas, é bom que, de quando em vez, surja um autor tão dotado como Boselli disposto a dar-nos a sua interpretação para deleite de nós leitores.
Ao longo dos últimos 25 anos, o nome de Fabio Civitelli tornou-se num dos nomes mais associados a Tex, a mítica personagem italiana criada por Gian Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini em Setembro de 1948.
Desde 1985, que Civitelli vem concitando as atenções gerais, em relação às quais tanto público leitor como crítica especializada tecem uma opinião global tida como elogiosa, seja na Itália, seu país de origem, ou nos mais diversos países onde o Ranger tem sido publicado.
Fabio Civitelli, considerado por muitos como um dos melhores desenhadores de sempre da série Tex, comemorou em Portugal os 25 anos de carreira a desenhar Tex Willer, onde foi protagonista de uma exposição (que ainda decorre até ao dia 13 de Junho) integrada na VI Edição do Festival Internacional de BD de Beja e que contou inclusive com a presença do artista italiano aquando da sua inauguração nos dias 29 e 30 de Maio, que com a sua presença abrilhantou ainda mais a efeméride.
A ocasião foi aproveitada pela família Texiana para homenagear carinhosamente Fabio Civitelli, entregando-lhe um troféu em vidro, uma bonita peça idealizada por Carlos Moreira, com um desenho fora do vulgar, onde constava o acontecimento assim como o famoso logótipo de Tex. A entrega ocorreu na presença dos Texianos presentes em Beja, mas em nome de toda a família Texiana, num gesto que muito emocionou Fabio Civitelli.
O desenhador aretino falou do orgulho que sentiu ao ser reconhecido de tal forma num país estrangeiro: “Ser reconhecido desta forma num país que sempre me recebeu com muito afecto, é uma honra e a prova do carinho que os Texianos portugueses têm por mim.“, disse comovido.
Como esta homenagem foi feita em nome de todos os Texianos, quem quiser ficar com o seu nome associado a ela, terá de deixar o seu nome num comentário a este post e de seguida contactar o pard Carlos Moreira, de modo a pagar a sua parte num prazo máximo de 3 dias, para que possamos elencar todas as pessoas que colaboraram na homenagem e enviar a lista completa a Fabio Civitelli.
A lista de aderentes está para já constituída pelas seguintes pessoas (o preço a pagar por cada um, será obviamente o valor da peça de arte dividido pela totalidade das pessoas que desejarem aderir à homenagem):
Dorival Vitor Lopes – Editor de Tex no Brasil e Portugal
Marcos Maldonado – Legendador de Tex
Dolores Maldonado – Ex-legendadora de Tex
Tizziana Giorgini – Ex-tradutora de Tex
Álvaro Machado
António Freire
António Lança Guerreiro
Camilo Prieto
Carlos Moreira
Catherine Labey
Fabio Nardelli
Fernanda Martins
Gianni Petino
Hernâni Portovedo
Jorge Magalhães
José Carlos Francisco
Jorge Monteiro
José Eduardo Monteiro
Mário João Marques
Orlando Santos Silva
Pedro Fernandes Pereira
Ricardo Leite
Rui Rolo
Sérgio Sousa
Parabéns Fabio, e que venham (no mínimo) mais 25 anos de bons desenhos em Tex!
(Para aproveitar a extensão completa das fotos acima, clique nas mesmas)
Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de João Miguel Lameiras na formulação das perguntas, de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão.
Fabio, você será protagonista em Portugal de uma exposição integrada no Festival Internacional de BD de Beja, que comemora os seus 25 anos de carreira a desenhar Tex. Pode fazer-nos uma retrospectiva desse período e do que representa para si este acontecimento num País estrangeiro? Fabio Civitelli: Pensar que já se passaram mais de 25 anos que entrei para o mundo de Tex causa-me arrepios! O tempo passa velozmente quando se tem ao lado um amigo como Tex Willer! Para mim tudo isso é uma bela aventura profissional e humana: profissional por ter sido chamado por Sergio Bonelli para a equipa da personagem mais prestigiada da BD italiana e ter-me colocado a serviço do herói, com humildade e a consciência de me dedicar ao máximo para ser digno dessa honra, e humana pelo que pude desenvolver em termos de relações de amizade, de estima e de afecto com o editor, os roteiristas, os colegas desenhadores e o maravilhoso público dos leitores. Que melhor modo de festejar este evento se não com uma mostra num País que eu não esperava, sempre me apreciou e me acolheu com grande simpatia?
Quais os momentos que mais recorda destes 25 anos de carreira com Tex? Fabio Civitelli: Com o tempo, os momentos de dificuldade, que evidentemente existiram, desaparecem na recordação e reforçam-se os momentos agradáveis: conhecer tantos leitores apaixonados, na Itália como em Portugal, o apreço de Sergio Bonelli e da Editora que me permitiu realizar a edição comemorativa dos 60 anos, e também viajar por toda a península italiana e ao exterior para promover Tex, fazendo com que me me sinta um pouco embaixador dos quadradinhos italianos.
Tem consciência de ser um dos melhores desenhadores de sempre da série e que os leitores aguardam sempre com grande expectativa os seus trabalhos? Fabio Civitelli: Ser considerado de tal modo por leitores tão exigentes é motivo de grande satisfação. Isso não exclui que se trata de uma responsabilidade enorme: manter elevado o padrão de qualidade apesar do passar dos anos é o meu objectivo principal e, aliás, agora estou a buscar atenuar o meu principal defeito, o da excessiva limpeza do traço, que contrasta um pouco com o ambiente do faroeste.
Revele-nos um segredo: como se forma um desenhador do seu calibre? Fabio Civitelli: Não existem segredos particulares, senão o amor pelo próprio trabalho, que considero um dos mais belos do mundo, e muita aplicação e perseverança.
De que modo imagina conseguir atrair novos leitores para Tex? Fabio Civitelli: Às vezes eu penso que um desenho elaborado, com soluções gráficas modernas e espectaculares. Mas também o encontro com muitos leitores, em mostras e nas lojas de BD, que podem levar algum novo leitor a gostar de Tex, mas eu sou um sonhador, porque os resultados das vendas não mostram variações significativas. No entanto, continuarei a empenhar-me nisso enquanto puder.
Como avalia o seu trabalho de hoje em comparação com o do passado? Fabio Civitelli: Creio que não sou um bom juiz de mim próprio: posso dizer apenas que procurei enriquecer o meu desenho com contrastes mais expressivos, aumentar a gama de tons com várias graduações de cinza, e corrigir o mais possível erros de anatomia e perspectiva. Mas se obtive uma real melhora, deixo que sejam os leitores a julgar.
Em sua opinião, qual foi o seu melhor trabalho com Tex? E já agora, o mais difícil? Fabio Civitelli: Eu sou particularmente ligado à história O Presságio pelo facto de ter podido trabalhar com um argumento escrito por mim, no qual inseri muitas coisas que gostaria de desenhar e ainda não havia tido essa hipótese. Mas todo o autor acredita que o próximo trabalho será melhor que os precedentes, e espero que seja mesmo assim. Neste momento posso apenas dizer que a história em que estou a trabalhar é provavelmente a mais difícil.
Como definiria graficamente o seu Tex? Fabio Civitelli: Um homem com o olhar gélido e nervos de aço, robusto mas não imponente, sério mas capaz de um sorriso irónico.
O que representa Tex para si e qual é a sua importância na sua vida? Fabio Civitelli: Além da grande oportunidade profissional, Tex tornou-se um amigo que me acompanhou nas etapas mais importantes da minha vida: o casamento, o nascimento das minhas belíssimas filhas, a compra da casa, etc. Cada história realizada recorda-me um período da minha vida, e os momentos pessoais misturam-se aos profissionais com muita facilidade.
Depois de 25 anos, o seu modo de representar Tex mudou? Você ainda tem aquele entusiasmo juvenil ou entrou numa rotina, talvez inevitável no caso de publicações em séries? Fabio Civitelli: Eu espero ter aprimorado e aprofundado aspectos que, no início, como não tinha familiaridade com o faroeste, eu não havia elaborado com mais rigor, como as armas, os cenários e vestimentas. Essa busca contínua é também o melhor modo para não cair na rotina quotidiana e manter aquela vontade de estudar novas soluções gráficas e narrativas que ainda tornam agradável e criativo trabalhar com uma personagem tão importante.
O que espera ainda da sua carreira, com relação a Tex? Fabio Civitelli: Poder continuar a desenhá-lo ainda por muitos anos, e extrair também no futuro a satisfação que este trabalho actualmente me concede.
Você exerceu uma certa influência em alguns argumentos de Claudio Nizzi. Pode falar-nos sobre isso, e se ainda pretende um dia realizar uma história de Tex toda sua? Fabio Civitelli: Com os anos, nasceu com Nizzi uma sintonia tal, que muitas vezes pude intervir nos argumentos com variações e pequenas modificações, assim como Claudio me aconselhava sobre os desenhos. Propor-lhe ideias minhas foi natural, e o seu acolhimento foi tão bom que os meus argumentos se tornaram roteiros e histórias desenhadas. A primeira e mais importante foi O Presságio (Tex n° 390/393, Mythos), logo seguida de O Duelo (Seleção Tex e os Aventureiros n° 3), história curta, a cores, publicada em Itália na revista Specchio (n.t.: Espelho) em 1998. Sem assinar, também escrevi O Fugitivo (Almanaque Tex n° 27) e Tumak, o Implacável (Tex n° 442 e 443), além de ser autor da ideia de base para Retorno a Culver City (Almanaque Tex n° 25). Quanto ao futuro, não sei se encontrarei tempo e concentração necessários para escrever novamente. Estou a trabalhar em três projectos ao mesmo tempo, e estou realmente ocupado. Mas não excluo que um dia possa tentar novamente.
Correm rumores de que você estaria envolvido em novos e importantes projectos ligados a Tex. O que pode dizer-nos sobre isso? Fabio Civitelli: Não é já segredo para ninguém, pelo menos em Itália, que a história em que estou a trabalhar, com texto de Mauro Boselli, será publicada como um Tex Gigante. Isso deixa-me particularmente feliz porque é a consequência da alta consideração que Sergio Bonelli e a Editora têm pelo meu trabalho. Sem contar que, pelo facto dos meus desenhos virem a ser impressos em grande formato, pude enriquecer ainda mais os detalhes e matizes. Por outro lado, está finalmente a chegar à conclusão o livro de ilustrações inéditas, realizado com a parceria do amigo Giovanni Battista Verger, que será publicado pela Editora Little Nemo creio que até o final do ano. Em quase 90 desenhos eu procurei ilustrar todos os aspectos do mundo de Tex, das cenas de acção às paisagens, das cidades às pradarias, etc. E também há outro grupo de ilustrações que estou a realizar para a Bonelli, mas é prematuro falar disso. Como se pode ver, não há como entediar-me!
É a terceira vez que você é convidado a estar presente e a expor os seus trabalhos num grande evento da BD realizado em Portugal: pode dizer-nos o que significa isso para si? Fabio Civitelli: Eu continuo a impressionar-me com o afecto e amizade de tantos fãs portugueses, que conheci em Moura e depois revi por ocasião do Festival da Amadora. São realmente fantásticos, e é incrível o amor que têm por Tex. Só espero poder retribuir adequadamente o acolhimento que sempre me dispensaram. Nessas ocasiões eu sinto-me o embaixador de Tex, e isso enche-me de orgulho.
Encontrou diferenças significativas entre o Salão de Moura de 2007 e o Festival da Amadora de 2008? Qual desses eventos significou mais para si e porque? Fabio Civitelli: Ambos foram muito bonitos: o Salão de Moura tinha um ambiente mais familiar e menos oficial. Estive em casa de Carlos Rico, conheci a sua esplêndida família, passeei com Dorival Vitor Lopes e o amigo José Carlos Francisco pelas ruas da cidade à noite, e todos eles me fizeram sentir em casa. O Festival da Amadora é um evento maior, éramos muitos autores e havia um programa oficial a respeitar, mas também ali, no fim de contas, o ambiente foi muito cordial e eu e Marco Bianchini passámos dias belíssimos.
Que expectativas tem em relação ao Festival de Beja em geral e à sua exposição em particular? Fabio Civitelli: Ficarei feliz por encontrar tantos velhos e novos amigos a verem a minha exposição, e por mostrar também muito material inédito. É sempre emocionante ver os próprios desenhos pendurados numa parede, vistos por tantos leitores aficionados e competentes: talvez seja uma ocasião para revelar alguns pequenos segredos do ofício.
Qual foi o momento mais interessante das suas passagens por Portugal? Fabio Civitelli: É impossível condensar em poucas palavras todas as emoções vividas naqueles dias. Se devo mesmo escolher um, eu diria que foi o momento de receber um prémio no Teatro de Moura: eu estava verdadeiramente emocionado e feliz, até tentei dizer duas palavras em português!
Como já frequentou vários Festivais de BD em Portugal, pode dizer-nos se há diferenças entre estes e os italianos? Fabio Civitelli: Nos Festivais italianos, sobretudo em Lucca, eu devo desenhar bastante, demais, e nunca consigo ter tempo para visitar com calma as mostras, enquanto que em Portugal o clima é muito mais relaxado.
Pode contar-nos algum caso curioso que lhe aconteceu num Festival? Fabio Civitelli: Em 2007, durante o trajecto do aeroporto a Moura, nós parámos para visitar Évora, uma cidade belíssima, e justamente naqueles dias havia lá muitas bancas de mercado que vendiam livros e revistas aos quadradinhos, usados. Bastou-me uma olhadela para ver algumas edições de Tex editadas no Brasil e desenhadas por mim! Agora fazem um belo efeito na minha biblioteca. Claro que eu não poderia receber um amuleto melhor.
Se você tivesse a oportunidade de desenhar qualquer personagem fora do universo Bonelli, qual escolheria? Fabio Civitelli: Como eu já disse várias vezes, estou tão bem com Tex que não tenho intenção alguma de mudar. Mas se devo mesmo indicar alguma, posso citar talvez somente o Blueberry do grande Giraud, uma personagem de quem sempre gostei muito.
Por fim, você gostaria de deixar uma mensagem aos seus admiradores que irão a Beja? Fabio Civitelli: É claro que procurarei satisfazer o mais possível a curiosidade de todos, e também levarei algumas cópias dos meus livros publicados pela Little Nemo, como também procurarei contentar todos aqueles que me solicitarão um autógrafo ou um desenho.
Fabio, agradecemos muitíssimo pelo tempo que nos dedicou. Se quiser aproveitar este espaço para deixar uma mensagem aos nossos leitores, à vontade! Fabio Civitelli: Espero que os leitores portugueses compareçam em grande número: como eu disse, tenho muita coisa para mostrar, farei muitos desenhos e estou certo de que passaremos momentos extrardinários!
Intervista condotta da José Carlos Francisco, con la collaborazione di João Miguel Lameiras per la formulazione delle domande e di Gianni Petino e Júlio Schneider (traduttore di Tex per il Brasile) per le traduzioni e revisione.
Fabio, tu sarai protagonista in Portogallo di una esposizione integrata nel Festival Internazionale del Fumetto di Beja che commemora i tuoi 25 anni di carriera disegnando Tex. Puoi farci una retrospettiva di questo periodo e di ciò che rappresenta per te questo avvenimento che potrà contare sulla tua presenza in un paese straniero? Fabio Civitelli: Pensare che sono già passati più di 25 anni dal mio ingresso nel mondo di Tex mi mette i brividi! Il tempo passa velocemente con al fianco un amico come Tex Willer! Per me tutto questo è una bella avventura professionale e umana: professionale per essere stato chiamato da Sergio Bonelli nello staff del personaggio più prestigioso del fumetto italiano e essermi messi al servizio dell’eroe, con umiltà e con la consapevolezza di impegnarmi al massimo per essere degno di questo onore, e umana per lo svilupparsi di rapporti di amicizia, di stima e di affetto verso l’editore, gli sceneggiatori, i colleghi disegnatori e il meraviglioso pubblico dei lettori. Quale miglior modo di celebrare questa ricorrenza se non con una mostra in un paese che, inaspettatamente, mi ha sempre apprezzato e accolto con grande simpatia?
Quali momenti ricordi maggiormente in questi 25 anni di carriera con Tex? Fabio Civitelli: Col tempo i momenti di difficoltà, che pure ci sono stati, svaniscono nel ricordo e si rafforzano i momenti lieti: il conoscere tanti lettori appassionati, in Italia come in Portogallo, l’apprezzamento di Sergio Bonelli e della Casa Editrice che mi ha consentito di realizzare l’albo celebrativo dei 60 anni, e anche il viaggiare per tutta la penisola e all’estero per promuovere Tex, facendomi sentire un po’ un ambasciatore del fumetto bonelliano.
Sei cosciente di essere uno dei migliori disegnatori di sempre della serie e che i lettori conservano sempre grandi aspettative dai tuoi lavori? Fabio Civitelli: Essere considerato con tanto favore da lettori così esigenti è motivo di grande soddisfazione. Ciò non toglie che si tratti di una grossa responsabilità: mantenere alto lo standard di qualità nonostante il passare degli anni è il mio obiettivo principale, e anzi adesso sto cercando di smussare il mio difetto principale, quello di una eccessiva “pulizia” del tratto che contrasta un po’ con l’ambiente western.
Fabio, svelaci un segreto: come si forma un disegnatore del tuo calibro? Fabio Civitelli: Non ci sono segreti particolari se non l’amore per il proprio lavoro, che considero uno dei più belli del mondo, e tanta applicazione e tanta perseveranza.
In che modo ritieni che Fabio Civitelli possa riuscire a portare nuovi lettori verso Tex? Fabio Civitelli: A volte penso che un disegno curato, con soluzioni grafiche moderne e spettacolari, ma anche l’incontro con tanti lettori alle mostre e nelle fumetterie, possano portare qualche nuovo lettore ad appassionarsi a Tex, ma mi sa che sono un illuso, perché i dati di vendita non mostrano variazioni significative. Comunque io continuerò ad impegnarmi in questo finché potrò.
Come valuti il tuo lavoro di oggi in rapporto al passato? Fabio Civitelli: Non credo di essere un buon giudice di me stesso: posso dire soltanto che ho cercato di arricchire il mio disegno con luci e ombre più espressive, aumentare la gamma tonale con varie gradazioni di grigio, e correggere quanto più possibile errori di anatomia e prospettiva. Se poi ho ottenuto un vero miglioramento lo lascio giudicare ai lettori.
A tuo avviso, quale è stato il tuo lavoro migliore su Tex? E il più difficile? Fabio Civitelli: Sono particolarmente legato alla storia “Il presagio” per il fatto di aver potuto lavorare su un soggetto scritto da me, nel quale avevo inserito tante cose che avevo voluto disegnare e non ne avevo ancora avuto l’occasione. Però ogni autore crede che il prossimo lavoro sarà migliore dei precedenti, e spero che sarà proprio così. Al momento posso solo dire che la storia a cui sto lavorando è probabilmente la più difficile.
Come definiresti graficamente il tuo Tex? Fabio Civitelli: Un uomo dallo sguardo di ghiaccio e dai nervi d’acciaio, robusto ma non imponente, serio ma capace di un ironico sorriso.
Cosa rappresenta Tex per te e quale è la sua importanza nella tua vita? Fabio Civitelli: Al di là della grande opportunità professionale, Tex è diventato un amico che mi ha seguito nelle tappe più importanti della mia vita: il matrimonio, la nascita delle mie bellissime figlie, l’acquisto della casa ecc. Ogni storia realizzata mi ricorda un periodo della mia vita e le vicende personali si mischiano con quelle lavorative con grande facilità.
Dopo 25 anni il tuo modo di rappresentare Tex è cambiato? Hai ancora quell’entusiasmo giovanile o sei entrato in una routine, forse inevitabile in caso di pubblicazioni seriali? Fabio Civitelli: Spero di aver affinato e approfondito degli aspetti che all’inizio, digiuno com’ero del genere western, non avevo curato particolarmente come le armi, gli ambienti e l’abbigliamento. Questa continua ricerca è anche il modo migliore per non cadere nella routine quotidiana e mantenere quella voglia di studiare nuove soluzioni grafiche e narrative che rendono ancora piacevole e creativo lavorare a un personaggio così importante.
Cosa ti aspetti ancora dalla tua carriera, per quanto riguarda Tex? Fabio Civitelli: Di poter continuare a disegnarlo per molti anni ancora, e di ricevere anche in futuro le soddisfazioni che questo lavoro mi sta attualmente regalando.
Tu hai avuto qualche influenza su alcune sceneggiature di Claudio Nizzi. Puoi dirci qualcosa in merito e se hai ancora qualche ambizione di realizzare un giorno una storia tutta tua di Tex? Fabio Civitelli: Con Nizzi è nata in tanti anni una sintonia e un affiatamento tale che ho potuto spesso intervenire sulle sceneggiature con variazioni e piccole modifiche, così come Claudio mi consigliava sui disegni. Proporgli delle mie idee è stato naturale, e la sua accoglienza è stata talmente buona che i miei soggetti sono diventati delle storie sceneggiate e disegnate. La prima e più importante è stata “Il presagio” seguita a ruota da “Il duello”, storia breve a colori pubblicata su “Specchio” nel 1998. Non firmate, ho scritto anche “Il fuggitivo” (Almanacco del West 2005) e “Tumak l’inesorabile”, inoltre mia è l’idea di base di “Ritorno a Culver City”. Quanto al futuro, non so se troverò il tempo e la concentrazione necessari per scrivere ancora. Sto lavorando a tre progetti contemporaneamente, e sono veramente molto impegnato. Comunque non escludo di riprovarci, prima o poi.
Girano voci che tu saresti coinvolto in nuovi ed importanti progetti in relazione a Tex. Cosa puoi dirci in proposito? Fabio Civitelli: Non è più un segreto per nessuno, almeno in Italia, che la storia a cui sto lavorando, su testi di Mauro Boselli, sarà pubblicata come Texone. La cosa mi rende particolarmente felice, perché è la conseguenza della alta considerazione che Sergio Bonelli e la Casa Editrice hanno del mio lavoro. Il fatto poi che i miei disegni saranno stampati in grande formato, mi ha permesso di arricchirli di ancora più particolari e sfumature. Inoltre sta finalmente giungendo a conclusione il libro di illustrazioni inedite, realizzato con la complicità dell’amico Giovanni Battista Verger, che sarà pubblicato da Little Nemo Editore, spero entro la fine dell’anno. In quasi 90 disegni, ho cercato di illustrare tutti gli aspetti del mondo di Tex, dalle scene d’azione ai paesaggi, dalle città alle praterie ecc. C’è poi anche un altro gruppo di illustrazioni che sto realizzando per Bonelli, ma è prematuro parlarne. Come si può vedere, non ho certo modo di annoiarmi!
E’ già la terza volta che vieni invitato ad essere presente e ad esporre tuoi lavori in un grande evento dei fumetti realizzato in Portogallo: puoi dirci cosa significa per te questo fatto? Fabio Civitelli: Continuo a stupirmi dell’affetto e dell’amicizia di tanti fan portoghesi, che ho conosciuto a Moura e ho poi rivisto in occasione del Festival di Amadora. Sono veramente fantastici, ed è incredibile l’amore che hanno per Tex. Spero solo di poter ricambiare adeguatamente l’accoglienza che sempre mi riservano. In queste occasioni mi sento l’ambasciatore di Tex, e questo mi riempie d’orgoglio.
Hai trovato differenze significative tra il Salone di Moura del 2007 ed il Festival di Amadora del 2008? Quale di questi eventi ha significato di più per te e perché? Fabio Civitelli: Sono stati entrambi molto belli: il Salone di Moura aveva una atmosfera più “familiare” e meno ufficiale. Sono stato a casa di Carlos Rico, ho conosciuto la sua splendida famiglia, ho passeggiato con Dorival Vitor Lopes e l’amico Zeca per le stradine notturne della città, e tutti loro mi hanno fatto sentire come a casa mia. Il Festival di Amadora era un evento più grande, eravamo tanto autori e c’era un programma ufficiale da rispettare, però anche lì, alla fine, l’atmosfera era molto cordiale e io e Marco Bianchini abbiamo passato delle bellissime giornate.
Quali aspettative hai relativamente al Festival di Beja in generale e della tua esposizione in particolare? Fabio Civitelli: Sarò felice di incontrare tanti vecchi e nuovi amici davanti alla mia mostra, far veder anche molto materiale inedito. E’ sempre emozionante vedere i propri disegni appesi ad una parete, visti da tanti lettori appassionati e competenti: sarà magari anche l’occasione per svelare qualche piccolo trucco del mestiere.
Quale è stato il momento più interessante dei tuoi soggiorni in Portogallo? Fabio Civitelli: Mi è impossibile condensare in poche parole tutte le emozioni vissute in quei giorni. Se proprio devo sceglierne uno, direi il momento della premiazione al Teatro di Moura: ero veramente emozionato e contento, ho perfino provato a dire due parole in portoghese!
Visto che hai già frequentato vari Festival del fumetto in Portogallo, puoi dirci se trovi delle differenze fra questi e quelli italiani? Fabio Civitelli: Nei Festival italiani, soprattutto a Lucca, mi fanno disegnare moltissimo e non riesco mai a trovare il tempo per visitare con calma le mostre, mentre in Portogallo il clima è molto più rilassato.
Ci puoi raccontare qualche aneddoto curioso che ti è successo in un Festival? Fabio Civitelli: Nel 2007, durante il tragitto dall’aeroporto a Moura, ci siamo fermati a visitare Evora, una bellissima città, e proprio in quei giorni c’erano molte bancarelle di libri e fumetti usati. Mi è bastato dare un’occhiata per scoprire alcuni albi di Tex editi in Brasile, da me disegnati! Adesso fanno bella mostra di se nella mia libreria. Non potevo certo ricevere un portafortuna migliore.
Se avessi l’opportunità di disegnare un qualsiasi personaggio fuori dall’universo Bonelli, quale sceglieresti? Fabio Civitelli: Come ho detto più volte, mi trovo così bene con Tex che non ho alcuna intenzione di cambiare. Se proprio devo indicarne uno, posso citare forse il solo Blueberry del grande Giraud, un personaggio che ho sempre amato molto.
In conclusione, vuoi lasciare un messaggio ai tuoi ammiratori che si trasferiranno a Beja? Fabio Civitelli: Cercherò naturalmente di soddisfare il più possibile le loro curiosità, porterò anche alcune copie dei miei libri editi da Little Nemo, e anche di accontentare tutti quelli che mi chiederanno un autografo o un disegnino.
Fabio, ti ringraziamo moltissimo per il tempo che ci hai dedicato. Se vuoi approfittare di questo spazio per lasciare qualche messaggio ai nostri lettori, puoi farlo! Fabio Civitelli: Spero che i lettori portoghesi intervengano numerosi: come ho detto, ho tante cose da mostrare, farò molti disegnini e sono sicuro che passeremo delle bellissime giornate!
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Texto da revista “Splaft!” nº 6 (Caderno Informativo da Bedeteca de Beja – catálogo do Festival), de Maio de 2010. * José Carlos Francisco.
FABIO CIVITELLI.
Fabio Civitelli, o consagrado desenhador italiano, natural de Lucignano, na província de Arezzo, Toscana, onde nasceu em 9 de Abril de 1955 e que este ano completa 25 anos de carreira a desenhar Tex Willer, a lendária personagem criada em 1948 pela mítica dupla Giovanni Luigi Bonelli (texto) e Aurelio Galleppini (desenho) e que ainda hoje é um ícone de vendas dos (assim se denomina naquelas paragens a banda desenhada), regressa pela terceira vez ao nosso país, para participar na exposição organizada em sua homenagem pelo VI Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, depois de já ter estado presente, e sempre ter sido acolhido com grande afecto por um público afável e bem informado, na XVI Edição do Salão Internacional de Banda Desenhada (Moura BD 2007) e aquando dos 60 anos de vida editorial de Tex Willer, na XIX Edição do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA 2008).
Civitelli, que aos sete, oito anos apaixonou-se pela BD e cujo traço luminoso, de linhas seguras, limpo de pormenores desnecessários, quase sempre sem tons intermédios entre o preto e o branco, que contrasta equilibradamente, não teve qualquer tipo de formação escolar específica, embora cultivasse diariamente a sua paixão pelo desenho, já que o seu sonho era tornar-se um desenhador profissional, depois de ter estudado no Liceu Científico de Arezzo, começou de imediato a trabalhar como desenhador de banda desenhada, ofício que nunca mais abandonou.
A sua estreia ocorre em 1974 com Lady Dust para o estúdio de Graziano Origa, publicada pela Edifumetto, que editava predominantemente banda desenhada pornográfica. Num período particularmente activo para o mercado da BD italiana, dado o proliferar nos anos setenta, de publicações nos quiosques, colabora também para a Editoriale Dardo e para a Ediperiodici. Para a Editora Universo desenhou para as revistas Il Monello e L’Intrepido em 1977. Nesse período utiliza o pseudónimo Pablo de Almaviva, à causa do qual Sergio Bonelli o inculpa de ter retardado o seu ingresso na editora Bonelli porque não conseguia descobrir quem era esse desenhador que tanto apreciava. Em 1979 o seu desenho está nas páginas de Bliz, para a mesma editora Universo, com a personagem Doctor Salomon. Ainda em 1979 teve uma breve experiência com as personagens Marvel, desenhando histórias do Homem-Aranha e do Quarteto Fantástico, produzidas na Itália, para a revista SuperGulp!, da Arnoldo Mondadori Editore e em Outubro desse mesmo ano acontece o grande momento da viragem na sua carreira ao ser apresentado a Sergio Bonelli, que o recruta imediatamente para trabalhar inicialmente em Mister No, personagem para o qual realiza meia dúzia de histórias publicadas entre 1980 e 1984, retornando dez anos mais tarde ao desenhar uma história para a série Almanacco dell’Avventura e concluindo em Fevereiro de 2006 a sua participação, ao colaborar na história escrita por Guido Nolitta (pseudónimo de Sergio Bonelli), que encerrou a saga do piloto Amazónico, tendo entretanto em 1983 desenhado na revista Orient Express para a Isola Trovata, de Bolonha, a história “Pomeriggio cubano”, com texto de Giuseppe Ferrandino, um dos mais interessantes ensaios de revista de conteúdo que procurava conjugar a banda desenhada de autor com a popular.
Mas a verdadeira afirmação de Fabio Civitelli acontece em 1984, quando é chamado a desenhar Tex, personagem na qual trabalha até hoje, sendo a sua versão de Tex uma das mais apreciadas pelos leitores, respeitando a tradição, mas sendo ao mesmo tempo moderna e cativante, tendo como reconhecimento pela sua qualidade e dedicação sido encarregue pela Sergio Bonelli Editore, de desenhar o álbum celebrativo (colorido) do sexagésimo aniversário de Tex Willer, em Setembro de 2008, após uma ideia sua. A sua primeira história de Tex, “I due killer”, escrita por Claudio Nizzi, foi publicada na edição nº 293, em 1985, ou seja, há precisamente um quarto de século, tendo a sua mais recente história, “La grande sete”, sido publicada no Verão de 2009!
Tex Willer, que detém um invejável primado: esteve sempre presente no mercado italiano, durante os quase 62 anos de vida editorial, e entre as inúmeras séries de banda desenhada existentes no presente, impõe-se à atenção de todos, seja pela longa duração, seja pela sua difusão, sendo uma figura carismática da BD europeia e uma das personagens de “western”, com maior longevidade a nível mundial, assume simultaneamente o papel de investigador, justiceiro e até chefe índio, sob o nome de Águia da Noite, sendo também um Ranger do Texas que põe a justiça e a legalidade – a par da amizade – antes e acima de tudo, tendo sempre a seu lado Kit Willer, o seu filho, Kit Carson, o inseparável companheiro de aventuras, e o índio navajo Jack Tigre.