Hermann Hupen, conhecido no mundo da banda desenhada, simplesmente, como Hermann, é um artista belga, autor de séries bastante populares como Bernard Prince, Comanche, Jeremiah ou As Torres de Bois-Maury e é o autor de BD franco-belga mais publicado em Portugal.
Hermann, sem dúvida um dos maiores desenhadores da actualidade, foi um dos convidados do VI Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja e foi-me apresentado por Fabio Civitelli, que aquando do almoço realizado no Restaurante Alcoforado (o nome homenageia a famosa freira de Beja, Mariana Alcoforado), convidou-me simultaneamente para sentar-me à mesa onde já estavam estes dois Mestres Europeus da 9ª Arte, acompanhados de Luíz Beira, pseudónimo artístico de Armando Corrêa, o nome pelo qual o próprio prefere ser conhecido este actor, escritor, jornalista e crítico de BD.
Depois de um fausto almoço e enquanto esperávamos pela sobremesa, aproveitando a simpatia e boa disposição de Hermann ganhei coragem e esperando não ser abusador, pedi-lhe para desenhar um Tex Willer numa folha de papel arduamente conseguida por Jorge Machado-Dias a quem eu tinha recorrido desesperadamente já que não podia desperdiçar a oportunidade de conseguir uma preciosidade daquele que tanto desejo ver um dia a desenhar uma história de Tex.
O “convite” foi de pronto aceite por Hermann, que depois de alguns minutos me brindou então com um dos Tex’s mais valiosos da minha galeria de desenhos originais e exclusivos do Ranger: O Tex de Hermann!
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Tex esse que teve como modelo, o Tex de Fabio Civitelli que estava estampado numa t-shirt envergada por Luiz Beira, conforme se pode ver na sucessão de fotos que publico e que mostram como foi nascendo este Tex do consagradíssimo desenhador belga!
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Como diz o Título, ainda não é tarde demais para ver o VI Festival de BD de Beja. Termina no domingo, dia 13 e os que não foram lá na inauguração, a 29 de Maio, podem ainda fazê-lo este fim-de-semana – para não se arrependerem para o resto da vida.
Aqui ficam mais fotos do primeiro fim-de-semana. Mas antes de as verem, convido-os a lerem primeiro a excelente entrevista que Geraldes Lino desenvolveu com Paulo Monteiro, o director do FIBDB, em Divulgando Banda Desenhada. Leiam primeiro a entrevista e vejam as fotos depois, é essencial. E, para alguns menos atentos, percebam, pelas palavras de Paulo Monteiro, como se constrói um Festival aglutinador de gostos e ao mesmo tempo motivador de procuras – é para isso, ao fim e ao cabo, que serve um Festival de Banda Desenhada. Mas a seu tempo falaremos disto, quando falarmos de números e voltarmos à velha questão dos festivais.
Algum bedéfilo esclarecido imaginou alguma vez, que Hermann Huppen pudesse alguma vez vir a fazer um autógrafo em conjunto com Fabio Civitelli? Então vejam as fotos mais baixo.
À tardinha de sábado, a tribo dirigiu-se para o Museu Regional de Beja, instalado no Convento de Nossa Senhora da Conceição, em cujo claustro decorre, como é tradicional, o jantar volante oferecido aos convidados. No Museu estão instaladas as exposições de João Vaz de Carvalho e Jorge Miguel, que foram visitadas antes do referido jantar.
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Geraldes Lino aproveitou para pedir a Hermann um autógrafo especial, quiçá para o eventual número 11 do fanzine Eros??…
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No domingo, depois da manhã passada no Mercado do Livro e mais algumas visitas às exposições na Casa da Cultura, decorreu o almoço no restaurante Alcoforado, mesmo em frente do Cine-Teatro Pax Julia.
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No final do almoço, José Carlos Francisco lembrou-se de pedir um autógrafo conjunto, de Hermann, com o seu Red Dust e de Fabio Civitelli, com o seu Tex. E foi vê-los desenhar, com o ar divertido que se pode ver:
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Hermann ainda desenhou um Tex, à vista, pelo desenho na camisola que Luiz Beira vestiu para que o belga desenhasse uma personagem a que não está habituado a desenhar.
Depois, foram as fotos de conjunto…
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*Jorge Machado-Dias,Autor – Editor de Banda Desenhada – Director do BDjornal e da BDVoyeur e tambémautor do blogue Kuentro. [1] (Texto publicado originalmente noKuentro Blog, em 11 de Junho de 2010)
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Texto da secção Cultura de 11/06/2010
Banda Desenhada F. Cleto e Pina
“Festival de Beja na despedida”
Ainda é possível visitar, até depois de amanhã, as 21 exposições propostas pelo VI Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, que durante 15 dias animou a pacata cidade alentejana. Satisfeito com a forma como tudo decorreu, Paulo Monteiro, o seu director, estima que o número de visitantes poderá “atingir os oito milhares”.
Últimas oportunidades, portanto, para apreciar a arte de Fabio Civitelli (que há 25 anos desenha Tex), dos gémeos brasileiros Fábio Moon e Gabriel Bá ou dos menos sonantes Hippolyte, Dame Darcy ou Igor Hofbauer, o que comprova uma das linhas condutoras do evento desde o seu início: “juntar autores consagrados e alternativos no mesmo espaço”.
Beja é também espelho do que se vai fazendo por cá aos quadradinhos – 10 novos títulos foram lançados durante o festival, como o JN destacou esta semana – sendo também possível apreciar as pranchas de Jorge Coelho, Miguel Rocha, Regina Pessoa, João Fazenda ou do The Lisbon Studio, em exposições com a mesma montagem sóbria mas cuidada, em que apenas ressalta a ampliação de um ou outro desenho, para que sejam os originais a ter todo o destaque.
Neste último fim-de-semana, destaque para o concerto de amanhã, às 23 horas, na galeria do Dessassossego, e para a festa de encerramento, no domingo, às 19 horas.
Ao JN Paulo Monteiro revelou que a sétima edição terá lugar de 30 de Maio a 12 de Junho de 2011 e também que “já estão confirmados o italiano Andrea Bruno, e o português Alberto Varanda, há anos radicado em França”.
Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente? André Caliman: Nasci em São Paulo, Brasil, em 1986. Sou banda desenhista.
Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada? André Caliman: Mudei para Curitiba (onde moro até hoje), com 13 anos. Sempre gostei de desenhar, mas nunca havia levado a sério, mas durante essa mudança, enquanto eu ajudava a tirar as coisas das caixas na casa nova e organizar tudo, descobri alguns álbuns do Príncipe Valente e fiquei curioso. Perguntei ao meu pai o que eram aqueles álbuns e ele disse: “É a melhor história em quadradinhos de todos os tempos”. Eu fiquei fascinado pela história e pelos desenhos. Foi como ligar um interruptor, de repente eu tive certeza de que queria fazer aquilo! Nas primeiras páginas de um dos álbuns tinha uma biografia do autor, Harold Foster, e lá dizia que ele havia cursado Belas Artes. Foi o que eu fiz, formei-me e comecei a trabalhar com isso.
Para aqueles que ainda não estão bem identificados com a sua carreira profissional, gostaríamos que fizesse uma pequena apresentação própria e do caminho entretanto percorrido na sua carreira? André Caliman: Ainda enquanto eu cursava a Belas Artes, lancei com o Leonardo Melo e outros amigos a revista independente Quadrinhópole. Foi um pontapé inicial que ajudou muito a aprimorar o traço, receber críticas e conhecer o mercado. Ganhamos o prémio HQMIX com a Quarta edição da Quadrinhópole. Depois lancei a revista Avenida, com o Wellington Marçal e o Rui Silveira. Enquanto publicava essas revistas, coloquei as minhas páginas em alguns sítios da Internet e fiz contacto com um escritor americano que tinha um projecto de fantasia chamado E.L.F., e comecei a trabalhar com ele. O primeiro número dessa série será lançado em Julho deste ano na San Diego Comic Con.
Tex teve alguma influência no facto de você se ter tornado um desenhador? André Caliman: Com certeza.
Quando descobriu Tex? André Caliman: Quando eu descobri O Príncipe Valente, eu fiquei fascinado pelo clima que o preto e branco causava. Eu não lia nada de super-heróis, achava quadradinhos em cores um absurdo. Então o passo seguinte foi conhecer o Tex. Eu considerava a única publicação de qualidade que havia nas bancas.
Porquê esta paixão por Tex? André Caliman: Ele é apaixonante.
O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos? André Caliman:Eu acho que é uma personagem que guarda valores, mas apesar de ser o “cara” certinho, Tex é um pouco anárquico e vê o certo e o errado de um ponto de vista muito pessoal. Dá impressão que você pode confiar nele. Acho que é por isso que dura há tanto tempo. As pessoas ficam fiéis às personagens em que elas acreditam.
Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si? André Caliman: Não sei dizer. A maioria dos especiais e muitos números aleatórios. Nunca fui um bom coleccionador. Mas tenho muita coisa.
Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana? André Caliman: Tive um póster do Tex no meu quarto por muito tempo. Mas só livros.
Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir? André Caliman: As revistas. Mas queria ter o revólver dele. (só para poder desenhar…)
Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista? André Caliman: Antes vou contar uma história minha. Há uns cinco anos atrás eu estava viajando pela Itália e fui a Milão com o endereço da Sergio Bonelli Editore no bolso, e encontrei a editora. Entrei, fui muito bem recebido. Quer dizer, antes de encontrar a porta certa, bati numa porta e ela se abriu sozinha, dei uma olhada para dentro e era um quarto com um monte de revistas do Tex para tudo quanto é lado, tipo um depósito. Aí saiu uma pessoa de trás de uma pilha de revistas e indicou-me a porta certa. Aí fui muito bem recebido. Eu não falava quase nada de italiano, mas quis mostrar o meu portfólio, eles olharam, conversaram comigo, foi muito bom. Lembro-me que nas paredes da editora tinham quadros emoldurados de desenhos e pinturas de desenhadores do Tex com dedicatórias. Fiquei um tempão lá babando. Fiquei até de mandar mais coisas para eles avaliarem, mas na época eu achava que o meu desenho ainda não estava bom ( e não estava mesmo). Mas aquela visita foi o que me incentivou a lançar a primeira Quadrinhópole. Lançamos ela assim que voltei para o Brasil.
Quanto à história favorita do Tex, com certeza é o especial “Arizona em Chamas”. O Victor de La Fuente é o meu desenhador preferido do Tex. De argumentista, gosto também do Antonio Segura.
O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos? André Caliman: Gosto da relação entre Tex e o Kit Carson. É sempre uma parte bem-humorada das histórias. Não gosto muito das histórias que focam na política americana. Gosto mais das aventuras em paisagens desérticas.
Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é? André Caliman: Os fãs confiam e acreditam na personagem. O Tex é o tipo de personagem que pode dar força e confiança ao leitor.
Costuma encontrar-se com outros coleccionadores? André Caliman: Não regularmente.
Para concluir, como vê o futuro do Ranger? André Caliman: Desejo que ele viva por muito tempo. Do jeito que ele é. Sem mudança de uniforme ou realidade paralela!
Prezado pard André Caliman, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu. (Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)
Durante o decurso do VI Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, o FIBDB 2010, Fabio CIVITELLI brindou dezenas de Texianos presentes com desenhos feitos no momento por si, para gáudio de todos, tal como já acontecera no MouraBD2007 ou aquando do FIBDA 2008.
O blogue do Tex mostra a todos os interessados, inúmeros desses fantásticos desenhos que esperamos sejam do agrado de quem acessa o blogue.
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