As Leituras do Pedro: Tex Anual #11 – Nas trilhas do Oeste

As Leituras do Pedro*

Tex Anual #11 – Nas trilhas do OesteTex Anual #11 – Nas trilhas do Oeste
Antonio Segura (argumento)
José Ortiz (desenho)
Mythos Editora (Brasil, Dezembro de 2009)
135 x 176 mm, 324 páginas, preto e branco, capa brochada


Resumo
Tex Willer e Kit Carson são enviados em perseguição de um bando de impiedosos assassinos que mancham de sangue e morte o sul do Arizona.
Na sequência de um confronto, Carson é ferido, obrigando Tex a encetar uma longa caçada a solo.

Desenvolvimento
Se o mais importante numa banda desenhada (num filme, num romance…) é a história, Antonio Segura, um dos mais interessantes argumentistas espanhóis das últimas décadas, com provas dada no género aventura – como é o caso – falha nesta sua nova incursão em Tex – com quem já tinha sido bem mais feliz, por exemplo no Tex Anual #7 – O trem blindado – com uma história feita aos repelões, onde os diversos episódios parecem encaixados à pressão, dando por vezes a ideia que pelo meio foi esquecida a ideia-base que originou a trama. Dessa forma, os sucessivos encontros e desencontros com índios ou a caravana de pioneiros parecem apenas servir para adiar o confronto com os chefes dos assassinos, que acaba por surgir quase fortuitamente e por ser resolvido à pressa em poucas páginas, com um final surpreendente e inovador, que no entanto parece fisicamente impraticável. Sem o desvendar, para não estragar a surpresa, recomendo a apreciação atenta da página 320.

Os Rangers por José Ortiz

A isto há que juntar a forma como soam pouco credíveis as questões temporais envolvidas no (longo) ramalhete de episódios, a forma como são praticamente ignoradas ou apenas abordadas pela rama questões que poderiam ser interessantes – como as relacionadas com a guerra civil – bem como personagens prometedoras, como os “loucos” de Gunnison, que mereciam ter sido mais e melhor explorados, em lugar de serem pouco mais do que meros figurantes.

Tex Willer e Kit Carson por José OrtizSobram, mesmo assim, razões para espreitar este Tex Anual, como é o caso, desde logo, do traço, de José Ortiz, seguro como sempre, duro e agreste, bem de acordo com a época violenta e à margem da lei retratada, e com um trabalho soberbo ao nível dos jogos de luz e sombras. E, para além dos ingredientes habituais do western, que satisfarão os apreciadores do género, há igualmente um Tex menos infalível do que é habitual e o retrato cruel mas lúcido de como a febre do ouro afectou (e enlouqueceu) até pessoas que pareciam dotadas do mais elementar bom senso….
Pedro Cleto

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias e na revista In’ – distribuída as sábados com o JN e o DN), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.

Tex lançou desafio e Fabio Civitelli aceitou…

Ricardo Tex Leite e Fabio CivitelliPor José Carlos Francisco (texto e fotos)

Aquando da sessão de desenho livre em que participava Fabio Civitelli no decurso do VI Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, Ricardo “Tex” Leite lançou um desafio ao consagrado desenhador italiano, que este aceitou de pronto. O desafio consistia em fazer uma ilustração com Tex Willer a cavalo atravessando um canyon no Arizona tendo ao fundo uma cadeia de montanhas no meio do deserto.

De seguida iremos mostrar numa sucessão de belas fotografias, como foi evoluindo essa fantástica ilustração, que nasceu então devido ao desafio de “Tex”, só que como as imagens comprovam, foi um desafio “forçado” pela lei do colt do Ranger:

À força do colt...

O Desafio - Foto 1O Desafio - Foto 2
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O Desafio - Foto 3O Desafio - Foto 4

O resultado final

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Livro “O Mocinho do Brasil. História de um Fenômeno Editorial Chamado Tex” motiva novo editorial (Tex Nuova Ristampa #257) de Sergio Bonelli

Tex Nuova Ristampa #257O editor italiano de Tex, Sergio Bonelli, depois de ter dedicado o editorial de Tex Nuova Ristampa #256 ao livro “O Mocinho do Brasil. História de um Fenômeno Editorial Chamado Tex” da autoria de Gonçalo Júnior,  dá prosseguimento à trajectória do Ranger no Brasil, dedicando agora ao tema o editorial de Tex Nuova Ristampa #257, datado de 15 de Junho de 2010, e prometendo não ficar por aqui, já que o desenvolvimento já está marcado para a próxima edição de Tex Nuova Ristampa.

Entretanto, devido à sua importância e graças à tradução de Júlio Schneider, tradutor e consultor Bonelliano da Mythos Editora, podemos ver o novo texto escrito pelo responsável-mor de Tex na Itália, na nossa língua:

Caros amigos,

Editorial Tex Nuova Ristampa 257No editorial do mês passado eu falei da agradável e inesperada publicação de O Mocinho do Brasil, um livro brasileiro que propõe contar a história dos cinquenta e sete anos de presença editorial do nosso Tex naquele País. O volume representa, sem dúvida, um evento particular, vista a pouca atenção reservada por lá aos quadradinhos (não por acaso, do livro foram impressas apenas mil cópias) e, justamente por isso, é muito útil para mim que, como jamais escondi, sempre tive alguns problemas com a memória. Então, graças a O Mocinho do Brasil, eu pude reconstruir (ao menos em parte) os eventos que levaram à famosa e complicada estreia brasileira de Tex, no distante 1951, quando o Oceano Atlântico constituía realmente uma barreira insuperável. Esse valioso ensaio histórico também me permitiu percorrer novamente aquelas aventuras que vivi na pele a partir do momento em que, em 1965, eu quis cuidar pessoalmente das nossas publicações em terra estrangeira, e decidi visitar as redacções das Editoras que haviam mirado a atenção para séries bonellianas. Como se pode ver na imagem abaixo, Águia da Noite era apresentado ao público brasileiro a retomar – com a confusão gerada pelo dúplice nome de Tex e de Texas Kid – a edição argentina exportada pelo profissional da impressão, nosso amigo de família Lotario Vecchi (que talvez alguns de vocês se recordem como editor de Jumbo, Primarosa, Rin-Tin-Tin e outras revistinhas dos anos Trinta). De minha parte não tenho grandes recordações dessa primeira fase, se excluirmos os copiões (na época não existiam fotocópias) que eu, como entregador, levava ao caro Vecchi. Apesar do seu discreto sucesso, Tex Willer desapareceu dos quiosques brasileiros em 1957, para retornar somente catorze anos depois, em 1971. Sim, porque muito antes daquela data, em 1968 eu, com a mala cheia de revistas, desembarquei no Rio de Janeiro, se bem que com intenções mais turísticas do que profissionais. Inevitavelmente a minha primeira visita foi aos escritórios da importante Editora Vecchi, administrada pela família inteira de Arturo Vecchi, irmão de Lotario. Família à qual, na verdade, eu devo o meu primeiro contacto com as praias do Rio e até com os locais onde, na época, ecoavam as notas da Bossa Nova, uma música que depois se espalhou pelo mundo todo. No mesmo período eu havia conseguido convencer um segundo editor, Adolfo Aizen, a propor aos leitores do seu País a nossa História do Oeste e também O Pequeno Ranger, mas a minha obra de comunicação (isso sim, eu lembro-me) não foi nada fácil. A EBAL, a empresa de Aizen, era conhecida por sempre apresentar personagens norte-americanas que podiam contar com a magia das cores e cujas histórias se desenvolviam em poucas páginas. Imaginem, então, com quanta dificuldade eu consegui ver nas bancas (como se chamam os quiosques no Brasil) as nossas edições que, apesar de ilustradas por grandes desenhadores, eram melancolicamente – segundo os leitores daquele País – em preto e branco.

Texas KidO nosso Tex sofreu uma série de mudanças de formato e de paginação que nem lhes conto, mas – apesar de tantas indecisões – chegou a vender, em 1981, cento e cinquenta mil cópias por edição, quantia realmente impressionante. Aquele sucesso extraordinário encorajou os meus novos amigos a alargar a gama de quadradinhos italianos, ao apresentar tanto as fantasiosas histórias de Zagor quanto o rigor realístico de Ken Parker, enquanto uma pequena Editora de São Paulo, a Noblet, fez uma tentativa tímida de publicar Mister No, iniciativa que infelizmente só durou uns poucos números. O acima citado império editorial dissolveu-se repentinamente em 1983 e desapareceu definitivamente do mercado. De consequência, Tex de repente viu-se sem editor, e eu apanhei a bola no ar para refazer as minhas malas e preparar-me para um trabalhoso encontro com eventuais novos editores, mas também – como já deu para entender – para projectar junto aos meus amigos de sempre uma longa viagem à minha amada Amazónia. Eu entediei-os? Espero que não e, como bom banda desenhista, marco encontro para o próximo número, para contar o que aconteceu em seguida.

Sergio Bonelli

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Vídeo: Giovanni Ticci abre as portas do seu estúdio

Giovanni Ticci desenhando Tex.

Desde 1967,Tex Willer e Kit Carson, os dois cowboys italianos mais populares, ganham alma e vida na região italiana de Siena. Em particular na colina de Costafabbri de onde se pode desfrutar uma vista deslumbrante sobre a cidade de Palio. É lá, na verdade que vive Giovanni Ticci, o mais antigo desenhador em actividade da mais famosa personagem de banda desenhada da Sergio Bonelli Editore.

Giovanni Ticci que abre as portas do seu estúdio, no vídeo (realizado por Toscanalibri, o portal italiano da cultura toscana) que apresentamos hoje, desenha emoções com as suas mãos. Entre um esboço a lápis e um desenho finalizado a tinta da china, ganha vida todos os dias Tex. Um trabalho que mistura paixão e emoção por uma personagem de banda desenhada com que inteiras  gerações inevitavelmente cresceram.

Um punhado de Imagens do Festival de BD de Beja

João Miguel LameirasPor João Miguel Lameiras (texto e fotos) *[1]

VI Festival Internacional de BD de BejaNo dia em que termina a 6ª edição do Festival de Banda Desenhada de Beja, pareceu-me interessante recuperar aqui algumas imagens do primeiro fim-de-semana do Festival, aquele em que estiveram presentes a maioria dos autores. Cada vez mais importante, até em termos da edição nacional (basta ver a quantidade de títulos que foram apresentados durante o Festival) Beja continua com uma programação que concilia autores consagrados com nomes mais alternativos, dando grande destaque à produção nacional.

Dracula UsmarAlém disso, é o Festival nacional que possibilita um contacto mais próximo entre os autores e o público, um pouco na linha do que acontece em Espanha, com Festivais como Gijon e a Corunha, contando com a simpatia natural das gentes do Alentejo e a excelente comida (e melhor bebida) da região.
Apesar da zona histórica da cidade convidar a um passeio a pé, continuo a achar que a aposta em descentralizar as exposições não resulta inteiramente, seja porque algumas estavam em locais difíceis de encontrar (The Lisbon Studio), seja porque estavam fechadas (Kingpin Books – no Conservatório Regional do Baixo Alentejo, onde, tal como no ano anterior, bati com o nariz da porta…).

Hermann autografando para ... TexDos autores presentes, a grande surpresa foi Hippolyte, autor francês que desconhecia, mas cuja qualidade e versatilidade do trabalho me surpreendeu. Um autor a descobrir urgentemente. Também Hermann, que só foi pena não ter exposição, contrariou a fama de autor com mau feitio, revelando-se muito simpático e disponível durante todo o fim de semana, para além de ter protagonizado um divertidíssimo encontro com o público. Curioso foi também ver a sua empatia com Civitelli que, graças à incansável persistência de José Carlos Francisco deu origem a uma cross over entre Red Dust e Tex, num desenho feito a meias pelos autores belga e italiano.

Hermann e Civitelli num cross over com Red Dust e TexQuanto a Civitelli, que com a ida a Beja, fez o pleno dos Festivais nacionais, voltou a arrastar consigo um legião de fãs do Tex, que não quiseram perder a oportunidade de ver os originais da história que está a desenhar para o próximo “Texone“.
Os irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, cujo trabalho admiro há anos, foram também um dos merecidos destaques do Festival, com uma excelente exposição e um animado encontro com o público. e como trouxeram com eles algumas edições brasileiras que não tiveram distribuição em Portugal, tive também oportunidade de adquirir a adaptação que eles fizeram de “O Aleanista”, de Machado de Assis, um dos meus escritores brasileiros favoritos.

Arte dos Irmãos Fábio Moon e Gabriel BáDos restantes autores estrangeiros, Dame Darcy confirmou que é melhor a fazer BD do que como cantora…, Rufus Dayglo, além de um excelente desenhador, revelou ter a BD (literalmente) à flor da pele, Niko Henrichon, desenhador do magnífico “Fábula de Bagdad” fez-me o melhor desenho da minha colheita de autógrafos de Beja 2010 e Igor Hofbauer confirmou que o seus estilo funciona melhor nas ilustrações soltas (tinha alguns excelentes posters para venda) do que na BD.

Autógrafo desenhado de Niko Henrichon para João Miguel Lameiras.
Dos portugueses, foi pena que João Fazenda não tenha acompanhado a sua exposição e que Jorge Coelho não tenha ainda um álbum editado em Portugal, pois é um dos melhores desenhadores nacionais, cujo estilo evoluiu bastante, como se pode ver na exposição que lhe foi dedicada. Excelente também a exposição do Lisbon Sutudio e os trabalhos de Regina Pessoa e João Vaz de Carvalho. Já as mostras de Jorge Miguel e Miguel Rocha, sofrem do problema de não haver originais para expôr, apenas reproduções digitais…
Acima de tudo, foi um fim-de-semana muito bem passado, que me deu oportunidade de rever alguns amigos da “tribo da BD”, como bem lhe chamou o Machado-Dias e conhecer pessoalmente alguns autores cujo trabalho admiro.

Exposição de Regina PessoaExposição de JCoelho
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Exposição do Lisbon StudioInterior da Exposição do Lisbon Studio

Niko Herinchon a desenhar o autógrafo para João Miguel Lameiras

Logótipo do blogue Por um punhado de imagens*João Miguel Lameiras, crítico e especialista de BD e também autor do blogue Por um punhado de imagens.
[1] (Texto publicado originalmente no Blogue “Por um punhado de imagens“, em 13 de Junho de 2010)

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