Livro “O Mocinho do Brasil. História de um Fenômeno Editorial Chamado Tex” motiva novo editorial (Tex Nuova Ristampa #257) de Sergio Bonelli

Tex Nuova Ristampa #257O editor italiano de Tex, Sergio Bonelli, depois de ter dedicado o editorial de Tex Nuova Ristampa #256 ao livro “O Mocinho do Brasil. História de um Fenômeno Editorial Chamado Tex” da autoria de Gonçalo Júnior,  dá prosseguimento à trajectória do Ranger no Brasil, dedicando agora ao tema o editorial de Tex Nuova Ristampa #257, datado de 15 de Junho de 2010, e prometendo não ficar por aqui, já que o desenvolvimento já está marcado para a próxima edição de Tex Nuova Ristampa.

Entretanto, devido à sua importância e graças à tradução de Júlio Schneider, tradutor e consultor Bonelliano da Mythos Editora, podemos ver o novo texto escrito pelo responsável-mor de Tex na Itália, na nossa língua:

Caros amigos,

Editorial Tex Nuova Ristampa 257No editorial do mês passado eu falei da agradável e inesperada publicação de O Mocinho do Brasil, um livro brasileiro que propõe contar a história dos cinquenta e sete anos de presença editorial do nosso Tex naquele País. O volume representa, sem dúvida, um evento particular, vista a pouca atenção reservada por lá aos quadradinhos (não por acaso, do livro foram impressas apenas mil cópias) e, justamente por isso, é muito útil para mim que, como jamais escondi, sempre tive alguns problemas com a memória. Então, graças a O Mocinho do Brasil, eu pude reconstruir (ao menos em parte) os eventos que levaram à famosa e complicada estreia brasileira de Tex, no distante 1951, quando o Oceano Atlântico constituía realmente uma barreira insuperável. Esse valioso ensaio histórico também me permitiu percorrer novamente aquelas aventuras que vivi na pele a partir do momento em que, em 1965, eu quis cuidar pessoalmente das nossas publicações em terra estrangeira, e decidi visitar as redacções das Editoras que haviam mirado a atenção para séries bonellianas. Como se pode ver na imagem abaixo, Águia da Noite era apresentado ao público brasileiro a retomar – com a confusão gerada pelo dúplice nome de Tex e de Texas Kid – a edição argentina exportada pelo profissional da impressão, nosso amigo de família Lotario Vecchi (que talvez alguns de vocês se recordem como editor de Jumbo, Primarosa, Rin-Tin-Tin e outras revistinhas dos anos Trinta). De minha parte não tenho grandes recordações dessa primeira fase, se excluirmos os copiões (na época não existiam fotocópias) que eu, como entregador, levava ao caro Vecchi. Apesar do seu discreto sucesso, Tex Willer desapareceu dos quiosques brasileiros em 1957, para retornar somente catorze anos depois, em 1971. Sim, porque muito antes daquela data, em 1968 eu, com a mala cheia de revistas, desembarquei no Rio de Janeiro, se bem que com intenções mais turísticas do que profissionais. Inevitavelmente a minha primeira visita foi aos escritórios da importante Editora Vecchi, administrada pela família inteira de Arturo Vecchi, irmão de Lotario. Família à qual, na verdade, eu devo o meu primeiro contacto com as praias do Rio e até com os locais onde, na época, ecoavam as notas da Bossa Nova, uma música que depois se espalhou pelo mundo todo. No mesmo período eu havia conseguido convencer um segundo editor, Adolfo Aizen, a propor aos leitores do seu País a nossa História do Oeste e também O Pequeno Ranger, mas a minha obra de comunicação (isso sim, eu lembro-me) não foi nada fácil. A EBAL, a empresa de Aizen, era conhecida por sempre apresentar personagens norte-americanas que podiam contar com a magia das cores e cujas histórias se desenvolviam em poucas páginas. Imaginem, então, com quanta dificuldade eu consegui ver nas bancas (como se chamam os quiosques no Brasil) as nossas edições que, apesar de ilustradas por grandes desenhadores, eram melancolicamente – segundo os leitores daquele País – em preto e branco.

Texas KidO nosso Tex sofreu uma série de mudanças de formato e de paginação que nem lhes conto, mas – apesar de tantas indecisões – chegou a vender, em 1981, cento e cinquenta mil cópias por edição, quantia realmente impressionante. Aquele sucesso extraordinário encorajou os meus novos amigos a alargar a gama de quadradinhos italianos, ao apresentar tanto as fantasiosas histórias de Zagor quanto o rigor realístico de Ken Parker, enquanto uma pequena Editora de São Paulo, a Noblet, fez uma tentativa tímida de publicar Mister No, iniciativa que infelizmente só durou uns poucos números. O acima citado império editorial dissolveu-se repentinamente em 1983 e desapareceu definitivamente do mercado. De consequência, Tex de repente viu-se sem editor, e eu apanhei a bola no ar para refazer as minhas malas e preparar-me para um trabalhoso encontro com eventuais novos editores, mas também – como já deu para entender – para projectar junto aos meus amigos de sempre uma longa viagem à minha amada Amazónia. Eu entediei-os? Espero que não e, como bom banda desenhista, marco encontro para o próximo número, para contar o que aconteceu em seguida.

Sergio Bonelli

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

3 Comentários

  1. Salve, Zeca!

    Que grande presente esta tradução. Obrigado! Foi como reconstruir uma parte da história que li a matéria. Lembrei da Vecchi e também da saudosa EBAL, que mesmo com dificuldades deu a História do Oeste um tratamento muito especial, numa revista chamada Epopéia-TRI, com formato italiano, capa cartonada e plastificada e miolo em papel off-set. Esta primeira série da Epopéia-TRI foi um primor para a época. Foi um dos melhores tratamentos que uma publicação Bonelli teve no Brasil. Nenhuma editora que veio depois deu um tratamento de primeira como a EBAL. Talvez só agora a Mythos com a edição em cores, que nem está com a continuidade confirmada.

    Mais uma vez, obrigado por reviver as lembranças de um velho leitor.

    Abraços

    Alvarez

  2. Zeca e Julio:

    Nem sei como agradecer a gentileza da tradução. Essas informações da passagem de Bonelli no Brasil eram até então desconhecidas! Tomara que ele fale mais na próxima edição. Bonelli é um gentleman!

  3. Caríssimo Gonçalo Junior,
    Sem dúvida que estas informações da trajectória de Tex (e de Sergio Bonelli) no Brasil são de capital importância, daí ter sido natural a decisão do staff do blogue do Tex em traduzir tão importante “relato” do nosso mítico editor e nós é que agradecemos por ter sido a sua obra “Tex, O Mocinho do Brasil” a propiciar que Sergio Bonelli nos brindasse com estas preciosas informações que certamente não se ficarão por aqui já que o assunto será retomado no próximo editorial de Tex Nuova Ristampa daqui a 15 dias 🙂

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