Por José Carlos Francisco
Fabio Civitelli, o consagrado desenhador italiano, que recentemente foi homenageado em Portugal, mais precisamente no Festival de Banda Desenhada de Beja, pelos seus 25 anos de carreira a desenhar Tex Willer e que nos dias 15, 16 e 17 de Outubro próximo estará presente, graças a um empreendimento conjunto entre a Mythos Editora e a Livraria Comix, no Fest Comix que se realizará na Av. Paulista, em São Paulo, onde serão lançadas duas edições especiais de Fabio Civitelli: um livro, formato 21 x 29 cm, com a visão do autor sobre o Oeste, e uma reedição especial com uma história desenhada pelo próprio artista italiano (e que poderão ser adquiridas com 20 % de desconto, para além de serem enriquecidas com um autógrafo de Civitelli), como forma de agradecimento e para assinalar esta sua primeira presença no Brasil, fez um desenho exclusivo e alusivo à efeméride, desenho esse que o blogue português do Tex tem o privilégio e a honra de mostrar em antestreia mundial num rigoroso exclusivo:
TEX NA AVENIDA PAULISTA, EM SÃO PAULO
Fabio Civitelli elegeu a famosa Avenida Paulista como pano de fundo para ilustrar a presença de Tex na cidade de São Paulo, Avenida essa que é um dos logradouros mais importantes do município de São Paulo, a capital do Estado homónimo e que é considerada um dos principais centros financeiros da cidade, assim como também um dos seus pontos turísticos mais característicos.
A avenida revela a sua importância não só como pólo económico, mas também como centralidade cultural e de entretenimento, devido à grande quantidade de sedes de empresas, bancos, consulados, hotéis, hospitais, como o tradicional Hospital Santa Catarina e instituições científicas, como o Instituto Pasteur. Movimentam-se diariamente pela avenida Paulista milhares de pessoas oriundas de todas as regiões da cidade e de fora dela, mas mesmo assim Tex Willer não poderia passar despercebido, daí a estupefacção geral dos transeuntes que observam Tex e o seu cavalo percorrendo a ilustre avenida…
Na ilustração de Fabio Civitelli vê-se também a Casa das Rosas (devido a uma sugestão de Sergio Bonelli), um dos pontos turísticos mais famosos da capital paulistana.
Na época de 1920 a 1960, a Avenida Paulista era composta por casarões (quintas) dos chamados Barões do Café, fazendeiros que ficaram muito ricos com a exportação de café. A partir de 1960 as casas foram sendo destruídas para dar lugar a altos prédios comerciais (principalmente bancos). A Casa das Rosas era uma dessas quintas, mas ela não foi destruída; foi preservada pelo governo e quem comprou o terreno teve que mantê-la e fazer o prédio no resto do terreno. O nome, Casa das Rosas, advém do facto de que o casarão possuía um dos maiores e mais belos jardins de rosas de São Paulo.
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)





Tex 596 – “Oltre il fiume“, de Junho de 2010 e Tex 597 – “Il ponte di roccia“, de Julho de 2010. Argumento de Claudio Nizzi, desenhos de José Ortiz e capas de Claudio Villa. 
Dando provas de um tempo onde o cansaço de tantos e leais anos dedicados a Tex se sobrepõe à imaginação, Nizzi segue o caminho que vem marcando algumas das últimas aventuras texianas, a de recuperar figuras e mitos da série, sobretudo bonellianos, como forma de reconquistar alguma alma perdida, mas também ressuscitar algum do sentimento vivido então por muitos dos leitores. Mas se noutros autores este artifício poderá funcionar como um revivalismo que surte efeito, em Nizzi ele assume-se mais como uma prova da sua fraqueza actual, porque o autor nunca consegue desenvolver a contento tramas e personagens.
A recuperação de Cão Amarelo vem sublinhar esse facto, revelando que afinal não basta reinventar figuras que marcaram a série e o imaginário dos leitores, surgindo sempre mais como um desejo do autor em trazer algo que possa mudar o caminho do facilitismo em que Nizzi foi gradualmente caindo. No fundo, Cão Amarelo surge como mais uma prova desse facilitismo, nunca se assumindo como a personagem bonelliana que foi capaz de permanecer no imaginário dos leitores. Este Cão Amarelo está velho, não tem carisma e foge à primeira contrariedade. Por outro lado, sublinhando ainda mais o facilitismo e a falta de chama em Nizzi, atente-se na sua insistência em utilizar sempre os mesmos artifícios para unir as pontas do argumento.
Exemplo disso mesmo é o facto de Tex e Nuvem Vermelha terem ambos um pesadelo com o agora chefe dos Utes antes do ataque deste à aldeia navajo. Trata-se de algo já visto, por exemplo, quando o autor recuperou Mefisto num último combate com Tex, sinal que o autor não consegue imaginar algo mais elaborado, onde a capacidade dramática possa sobrepor-se ao ridículo de infelizes coincidências. Ou seja, Nizzi continua a escrever a aventura pela aventura, enredos puros e lineares, mas sem capacidade de idealizar situações coerentes e compor personagens carismáticas capazes de disputar o protagonismo com Tex. Nizzi não consegue explorar e desenvolver a fundo as suas ideias, boas ou más, optando sempre por trazer situações previsíveis e que apenas vão servindo para encher as páginas. Ataques, emboscadas, disparos, galopes ou fugas, caracterizam o puro western, mas aqui surgem numa amálgama que acaba por distorcer uma aventura e tornar tudo banal.
Este Ortiz já sofre, muito naturalmente, do peso dos anos, deixando aqui um trabalho que não faz justiça ao enorme autor que o espanhol sempre foi. A aventura reflecte uma perda de qualidade que já vinha fazendo sentir-se de modo gradual nos seus últimos trabalhos, acentuada agora com cenários e ambientes pouco expressivos, salvando-se eventualmente alguns enquadramentos nas cenas de maior acção. Também as personagens estão envelhecidas, com especial realce para Carson, os índios assemelham-se muito entre si, enquanto que Tex, para além de se distinguir pouco do filho Kit em várias sequências, deambula sempre entre a composição ticciana, alguma caracterização ortiziana e outras onde o herói surge mesmo mal caracterizado.