Um grande homem se foi…

Por Fernanda Martins*

Segunda-feira de manhã recebi a notícia que meu amigo Sergio Bonelli faleceu. Falo amigo porque assim me sinto em relação a ele. Eu vi-o apenas algumas vezes mas nesse pouco tempo muitas histórias foram trocadas, muitas risadas foram dadas e muitas lembranças vieram à tona. Lembranças minhas de infância quando cavalgava junto com Tex Willer nas pradarias do oeste americano – coisa que ainda faço até hoje – e lembranças de Sergio nas suas aventuras pelo Brasil – e no Maranhão.

Sergio Bonelli e Fernanda Martins com a companhia de Gianni Petino no dia em que Sergio Bonelli interrompeu uma reunião para receber a sua admiradora brasileira

Lembro-me muito bem da primeira vez que o conheci, quando ele deixou uma reunião apenas porque soube que uma fã de Tex do Brasil estava na antessala da editora para conhecê-lo. Foi emocionante apertar a sua mão, vê-lo pessoalmente e descobrir que ele ainda falava português. Que pessoa tão grande e tão simples, que conseguiu transformar o Tex criado pelo seu pai em um mito mundial, com a força editorial que possui hoje em dia, principalmente na Itália.

Fernanda Martins, Sergio Bonelli, Gianni Petino e Dorival numa visita posterior à editora Bonelli

Que descanse em paz, grande amigo, porque com certeza um grande trabalho deixaste aqui na Terra.

Fernanda Martins jantando com os editores Sergio Bonelli e Dorival Vitor Lopes num restaurante em Milão

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* Texto de Fernanda Martins apresentado no blogue Daquiprai em 26 de Setembro de 2011.
Copyright: © 2011, Fernanda Martins

Sergio Bonelli (1932-2011)

Por Pedro Cleto*

Sergio Bonelli (1932-2011)

Sergio Bonelli (1932-2011)

Sergio Bonelli, editor e argumentista de banda desenhada faleceu ontem aos 78 anos, após uma semana de hospitalização, na sequência de alguns problemas de saúde que o começaram a apoquentar em Agosto último.

Filho de Giovanni Luigi Bonelli e Tea Bonelli, natural de Milão, onde nasceu a 2 de Dezembro de 1932, aos 25 anos, concluídos os estudos, assumiu a direcção da editora criada pelos seus progenitores. Um ano depois, dava início ao labor, em paralelo, como editor conhecedor e apaixonado e argumentista culto e polifacetado, que o distinguiu ao longo de toda a vida, escrevendo, para a arte de Franco Bignotti, “Un Ragazzo nel Far West”. Era a primeira de muitas histórias escritas pelo seu punho, de onde nasceram também “Zagor” (em 1961), um western diferente com pontos de contacto com Tarzan, ou “Mister NO” (1975), um ex-piloto norte-americano auto-exilado na América do Sul, em especial no Brasil.

Os argumentos dessa época foram assinados com o pseudónimo de Guido Nolitta, para não ser confundido com o seu pai, o criador de Tex Willer, o mais antigo western da BD ainda em publicação, para quem também escreveu algumas histórias.

Sergio Bonelli

Assente em edições baratas, a preto e branco, com heróis de características populares a quem o leitor facilmente aderia, protagonistas de géneros como o western, o fantástico ou o policial, em histórias que, na senda dos grandes romances de aventura, muitas vezes tinham um fundo de realidade, desenvolveu um autêntico império editorial. Que, ainda hoje, só em Itália, vende anualmente mais de 20 milhões de exemplares de títulos como Tex, Zagor, Mágico Vento, Júlia Kendall (todas disponíveis mensalmente nos quiosques portugueses através das edições brasileiras da Mythos), Dylan Dog, Martin Mystère ou Nick Raider. E que soube adaptar às mudanças que o tempo foi impondo, sem trair as suas convicções nem as características essenciais de cada personagem, respeitando os artistas e dando-lhes liberdade criativa. O que permitiu que os heróis que edita continuem nas bancas, tendo à cabeça o “veterano” Tex Willer, a (sólida) base do seu império aos quadradinhos, cuja republicação recente, por ordem cronológica, a cores, juntamente com dois jornais italianos, prevista para 50 números, ultrapassou os 200, tendo terminado apenas porque alcançou as histórias actuais.

Sergio Bonelli

Ainda no que toca a Tex Willer, são incontornáveis os “Texone” ou “Tex Gigante”, histórias soltas ilustradas por alguns dos grandes nomes da BD mundial, como Victor de La Fuente, Guido Buzzelli, Jordi Bernet, Magnus ou Joe Kubert.

No comunicado em que a Sergio Bonelli Editore divulgou o seu falecimento, lê-se: “foi o principal artífice da passagem dos fumetti (BD italiana) de simples entretenimento popular a produto com dignidade cultural, criando ao longo da sua carreira de cinquenta anos uma das mais importantes editoras de BD no contexto italiano e mesmo mundial”, o que lhe valeu ser distinguido com o prestigiado “Ambrogino d’Oro”, concedido pela sua Milão natal, em 2008, por ter feito da cidade “a capital italiana dos quadradinhos”.

É mais um grande nome da BD que recolhe ao paraíso dos artistas dos quadradinhos, deixando órfãos as suas criações e os leitores que com elas viveram inesquecíveis aventuras.

Sergio Bonelli e as personagens da sua editora

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias e na revista In’ – distribuída as sábados com o JN e o DN), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.

MISTER NO E OS SUSPIROS

Por Júlio Schneider*

MISTER NO E OS SUSPIROS

Para Júlio Schneider, de Sergio Bonelli

O trabalho do editor Bonelli eu conheço há mais de quarenta anos, desde que comecei a ler a fabulosa História do Oeste, publicada no Brasil a partir de 1970 com o mítico título de Epopéia-TRI (na ortografia da época a palavra ainda levava acento). O roteirista Sergio Bonelli eu comecei a apreciar logo depois, com Mister No. E o maior de todos, o homem Sergio Bonelli, começou a fazer parte da minha vida há vinte e cinco anos, quando criei coragem de entrar em contato e perguntar “é sério que você fala português?“.

Mais um pouco e o editor e roteirista também se tornou amigo e chefe, partilhando trabalhos editoriais da Mythos e da SBE. O maior e mais honroso dos encargos que recebi foi o de preparar relatos dos fatos, da situação econômica, histórica e geográfica do Brasil do início dos anos Setenta, inclusive o preço do cafezinho e descrições dos uniformes do exército e dos aviões da FAB (a Força Aérea Brasileira, da qual eu havia feito parte), para que a fantasia da última aventura vivida por Mister No respeitasse o contexto real. O pagamento pelo serviço? Ele me presenteou os roteiros originais da longa saga, com algumas anotações que ainda me arrepiam: “Atenção desenhista: ver os detalhes do uniforme nas descrições do Júlio“.

De Sergio Bonelli para o grande amigo e consultor Júlio Schneider

Na última vez que estivemos juntos eu levei um puxão de orelhas, porque não compareci ao almoço surpresa que Sergio havia preparado para festejarmos os meus 50 anos. Só que, por ser surpresa, ele não havia me avisado! A compensação veio no jantar, num restaurante de Milão em que só entrava quem tivesse feito reserva antecipada… mas ao bonachão editor as portas se abriam rapidinho. Um jantar fantástico, com um vinho que jamais tomarei igual na vida, e com uma sobremesa também especial: quando o garçom trouxe um carrinho com dezenas de iguarias de encher os olhos, Sergio mandou guardar tudo e pediu um pote de suspiros, iguais “aos que saboreava nos botecos de beira de estrada no Pantanal“!

Júlio Schneider e Sergio Bonelli num jantar fantástico

Dias depois batemos o último papo, na porta da Editora, eu tomaria o avião de volta para casa e ele pegaria a estrada, para o Festival de Lucca. Nós nos despedimos com um abraço e um até breve e, quando o vi se afastar, meu coração ficou apertado, não sei por quê, mas pensei… “Vaya con Diòs, amigo. Quando será que nos veremos novamente?“. E tirei a última foto, de Sergio indo embora…

A última foto, Sergio Bonelli partindo…

*Júlio Schneider (26/09/2011),
tradutor, redator e consultor editorial para as publicações Bonelli no Brasil.

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Falecimento de Sergio Bonelli

Adeus a Sergio Bonelli 

Sergio Bonelli falece aos 78 anos

Tinha 78 anos, fez sonhar gerações de italianos mas também de leitores de muitos outros países, como por exemplo Portugal. Seu pai criou Tex Willer mas ele continuou a escrever as suas histórias antes de dedicar-se à faceta de editor. Com amor, paixão e respeito pelos criadores e desenhadores. Criou Zagor e Mister No, e com a sua editora publicou Dylan Dog e Nathan Never entre muitas outras personagens de sucesso.

Sergio Bonelli (2 de Dezembro de 1932 – 26 de Setembro de 2011)

Faleceu hoje em San Gerardo di Monza, Milão, com a idade de 78 anos, Sergio Bonelli. Nascido a 2 de Dezembro de 1932 em Milão, estava hospitalizado no hospital San Gerardo desde há uma semana depois de ter iniciado a acusar problemas de saúde em Agosto. Editor, argumentista, conhecido também no início da sua carreira com o pseudónimo de di Guido Nolitta, escolhido para evitar ser confundido com o seu pai Gian Luigi, criador em 1948 de Tex Willer. O herói western que defende os fracos e oprimidos independentemente da sua cor da pele.

Sergio Bonelli, explica um comunicado da editora italiana, morreu após uma curta doença, deixando a esposa e o seu filho Davide. Sergio Bonelli, realça o comunicado, “foi o principal artificie da passagem da banda desenhada como simples instrumento de entretenimento popular a produto de dignidade cultural, criando, ao longo da sua carreira de cinquenta anos, uma das mais importantes editoras de banda desenhada no contexto italiano e mesmo mundial“.

Sergio Bonelli (2 de Dezembro de 1932 – 26 de Setembro de 2011)

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