Entrevista com Carlos Alberto Almeida – Coordenador do Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Jorge Machado-Dias na formulação das perguntas.

Olá, Carlos Alberto Almeida, e bem-vindo ao blogue do Tex. Para aqueles que ainda não estão bem identificados, fale um pouco de si, fazendo uma pequena apresentação própria. Onde e quando nasceu? Qual a sua formação? O que faz profissionalmente, etc.
Carlos Almeida: Nasci em Lisboa, em 1960, porque os meus pais tinham aí um pequeno negócio de restauração, mas cedo fui viver para a aldeia de meus pais (Santa Cruz da Trapa, em S. Pedro do Sul). Tenho portanto ascendência humilde, cresci numa aldeia serrana, longe de tudo. Sou licenciado em História, sou docente em Viseu. Na minha aldeia tive contacto precoce com as artes e letras através da Biblioteca Itinerante Calouste Gulbenkian, onde comecei a cultivar o gosto pela leitura de aventuras e banda desenhada. Coleccionava com sofreguidão todas as colecções que surgiam nas chicletes e rebuçados, especialmente as que diziam respeito a heróis da banda desenhada. Depressa me deixei seduzir pelas histórias do Tarzan ou do Príncipe Valente, do Tintin ou do Zorro. Mais tarde, já no 3.º ano, o livro de História com desenhos do grande artista Eugénio Silva deixou-me fascinado, e comecei a desenhar, copiando e repetindo os desenhos dos autores e heróis que mais me agradavam. Envolvi-me depois nos movimentos associativos, criando uma associação (hoje ARCA) em 1978, com 18 anos, e nunca mais parei de trabalhar nas áreas da cultura e associativismo juvenil. Quando fui estudar para a vila, aos 13 anos, tive contacto mais directo com a banda desenhada, e aí conheci o TEX e muitos outros heróis que comecei a coleccionar com avidez, gastando muito do pouco dinheiro que tinha nessa altura. Em 1987 vim viver para Viseu e ajudei a fundar o GICAV, e a partir daí tive um contacto mais assíduo com a banda desenhada, ajudando a fundar o Salão Internacional de Viseu em 1987/88, o qual já coordeno há mais de duas décadas.

O Salão de Viseu teve início há 17 edições atrás. Ainda se lembra como tudo isto começou?
Carlos Almeida: Conhecemos o Luiz Beira através de contactos com o IPJ (na altura FAOJ); ele tinha iniciado o salão de BD da Sobreda e desafiou-nos a trazer a Viseu algumas exposições; aceitámos logo o desafio e apresentámos esse primeiro salão no clube de Viseu (essencialmente BD franco-belga e portuguesa). O entusiasmo fez-nos continuar, cada vez com maior independência.

Quais foram, na sua opinião, os aspectos mais positivos desta edição do Salão BD Viseu 2011?
Carlos Almeida: De forma sintética poderei realçar a grande presença de fãs e amigos do TEX, numa organização irrepreensível da equipa por ti liderada, excelentemente enriquecida com a presença do grande desenhador e comunicador Fabio Civitelli; realço ainda o lançamento do livro “O Magriço”, um trabalho em BD totalmente realizado em Viseu por gente de Viseu, e por último o facto do local escolhido estar implantado dentro da grandiosa feira de S. Mateus, um espaço onde o salão se mostrou durante quase uma década e onde regressou com assinalável sucesso.

Porquê a aposta do GICAV na banda desenhada?
Carlos Almeida: Na altura da sua fundação, e nos anos seguintes, tanto eu como outros elementos do Gicav éramos interessados na banda desenhada; depois tivemos o grande apoio do Luiz Beira (Armando Correa) que viu desde cedo no colectivo Gicav uma aposta para a divulgação da banda desenhada no norte do país. A nossa biblioteca foi crescendo, a relação de amigo também, até dar origem à BDTeca Luiz Beira (parte oferecida por ele, parte coleccionada pelo GICAV).

Que dividendo tem tido o GICAV nesta aposta?
Carlos Almeida: Sobretudo o reconhecimento público de um trabalho sério e continuado na divulgação pedagógica e cultural da banda desenhada no centro/norte do país, longe da grande Lisboa, sobretudo através da instalação em Viseu da BDTeca Luiz Beira, sediada na Biblioteca Municipal, e depois a criação de uma rede de amigos fiéis ao nosso trabalho, como também já te consideramos a ti, e que muito têm contribuído para o alargamento dos horizontes da nossa acção.

Sempre nos pareceu, nas alturas em que visitámos este Salão, que a Câmara Municipal de Viseu não dá grande importância ao Salão de banda desenhada. É isto verdade? O Salão tem o apoio da Câmara? E, se sim, que género de apoio?
Carlos Almeida: O Gicav recebeu sempre da CM de Viseu apoio logístico e financeiro para a concretização do seu Plano de Actividades, embora eu tenha que reconhecer que da parte da autarquia haja dificuldade em assumir nestes apoios a importância nacional e internacional deste salão, e nem sequer o tenha ainda encarado como uma oportunidade especial de promoção da região, nomeadamente na abertura de circuitos culturais para com outras regiões e países; neste campo sinto algum desagrado por constatar que outras iniciativas de menor alcance têm por vezes um apoio mais explícito (por exemplo o lançamento do álbum “O Magriço” – CM de Penedono) e um acompanhamento personalizado; a autarquia deveria olhar para a banda desenhada como uma área cultural tão importante como o cinema ou o teatro, e isso parece ainda não acontecer. Ainda está distante o projecto de edição em BD da História de Viseu, por exemplo, bem como o arranque do projecto do museu da BD, anexo à BDTeca.

Com que apoios financeiros se realiza o Salão de Viseu?
Carlos Almeida: Do orçamento global para o Plano de Actividades, o Gicav cativa uma percentagem para a realização do salão; estas verbas têm origem nos apoios da autarquia, da Expovis, do Ministério da Cultura (excepto este ano) e de receitas de actividades próprias da associação.

Já agora, numa altura em que a transparência nos gastos, obrigando a que esses gastos sejam tornados públicos, quais são os custos reais do Salão de BD de Viseu?
Carlos Almeida: O salão de 2011 rondou os oito mil euros de orçamento, uma verba que envolve o trabalho de ano e meio; de realçar que todo o trabalho realizado por mim e pela equipa de coordenação (seis elementos) é completamente gratuito: telefones, viagens, centenas de horas de trabalho, e outras. O Festival de BD da Amadora tem gastos 10 ou 20 vezes superiores, como sabemos, porque tem o apoio concreto da autarquia e pode assim apresentar outra qualidade e dignidade, consolidar estruturas e melhorar ano após ano.

A presença de uma exposição relacionada com Tex e a visita em pessoa de um dos seus mais consagrados autores, Fabio Civitelli, deve ter contribuído para um aumento de público no Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu deste ano. Pareceu-lhe que isso aconteceu? E foi possível contabilizar o público? Se sim, como foi feita essa contabilização?
Carlos Almeida: Acredito sinceramente que outros públicos visitaram este ano o salão, em função da presença do Fabio Civitelli. Durante os dias em que estive presente no salão isso foi notório, sobretudo quando se elucidavam os visitantes da presença do desenhador. Não fazemos uma contabilidade de visitantes porque a entrada no salão é gratuita. É esta a nossa filosofia, trabalhamos com dinheiros públicos, não temos a coragem de cobrar dinheiro pela abertura da nossa actividade ao público viseense.

O Salão é visitado por muita gente e visto pelos habitantes da cidade e Concelho como uma mais-valia cultural, ou nem por isso?
Carlos Almeida: Essa é uma questão à qual ainda não consigo responder, uma vez que falta realizar uma auscultação pública à população sobre a importância cultural deste evento. Algumas escolas e colectividades têm revelado ao Gicav a importância da continuidade deste projecto, mas do público em geral não temos a opinião formada. Será uma boa tarefa para o futuro.

Pensa que a aposta do Salão BD Viseu 2011 na personagem Tex Willer, foi uma aposta ganha, tendo em conta a presença de Fabio Civitelli e da exposição dedicada às Cidades do Tex?
Carlos Almeida: Com certeza. A exposição em causa foi uma das melhores presentes no salão, sobretudo no que diz respeito à qualidade do desenho e das pranchas, a escolha das pranchas e do material cultural foi excelente, o Fabio deixou todos maravilhados, só nos resta agradecer os esforços de todos os que contribuíram para este sucesso.

Globalmente, qual é a sua opinião sobre a visita de Fabio Civitelli e que dados novos ela introduziu no Salão?
Carlos Almeida: A entrega do prémio a um artista estrangeiro desta projecção contribuiu para solidificar o projecto (sobretudo ao nível dos apoios locais) e abrir novas portas no futuro. A entrega do prémio a um artista consagrado (que fez o pleno em salões portugueses) deixa-nos honrados e é uma página de glória na história do salão de Viseu.

Com que impressão ficou do consagrado desenhador italiano?
Carlos Almeida: Excelente comunicador, a simpatia em pessoa, um olhar crítico e actual sobre a arte e a BD em particular.

Para terminar, se pudesse escolher sozinho um autor/artista de BD para vir ao próximo Salão quem é que escolhia?
Carlos Almeida: Possivelmente o Hermann, ou o Milo Manara, artistas que muito admiro, dois “monstros” da moderna BD Europeia (ambos estiveram já em Portugal, na Sobreda, Amadora e Beja, mas não em Viseu).

As perguntas chegaram ao fim, deseja dizer mais alguma coisa antes de terminarmos a entrevista?
Carlos Almeida: Um grande abraço aos texianos pela colaboração que deram no engrandecimento do Salão de BD de Viseu neste ano presente. O Gicav fica reconhecido e por isso já disponibilizou os materiais de apoio à exposição (ampliações do TEX a cavalo) para integrarem o futuro acervo do museu do TEX.

Obrigado, Carlos pela disponibilidade para esta conversa que gentilmente concedeu ao blogue do Tex.

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BDjornal #28: Um número IMPERDÍVEL e OBRIGATÓRIO para todo e qualquer fã e coleccionador de Tex que se preze

Para conhecimento dos amantes da 9ª Arte e em especial para os fãs e coleccionadores portugueses (e brasileiros) de Tex, informamos que  o BDjornal #28 será posto à venda neste mês de Outubro e para todo e qualquer fã e coleccionador de Tex é um número VERDADEIRAMENTE  IMPERDÍVEL e que não pode deixar de ser mais um item obrigatório na colecção de todo e qualquer TEXIANO que se preze, pois dele constam inúmeras páginas dedicadas a Tex Willer, com destaque para a primeira parte daquele que será seguramente o MAIOR e MAIS COMPLETO trabalho (da autoria de Jorge Machado-Dias) A NÍVEL MUNDIAL dedicado a TODOS, mas literalmente TODOS (até aqueles que você prezado Texiano nunca ouviu falar) os DESENHADORES DE TEX (inclusive trazendo os seus ensaios biográficos) ao longo da saga com mais de 63 anos anos de vida editorial.

Mas este BDjornal #28, que seguramente seria mais um a ser muito elogiado por Sergio Bonelli se o destino não o tivesse levado precocemente, traz também DUAS FANTÁSTICAS PÁGINAS INÉDITAS (NUM RIGOROSO EXCLUSIVO MUNDIAL) DO TEX GIGANTE QUE FABIO CIVITELLI ESTÁ A ULTIMAR e que será publicado em 2012. É a primeira vez que a SBE autoriza a publicação de páginas deste Tex Gigante, autorização dada quando Sergio Bonelli ainda estava vivo, pois nem sequer na Itália, Sergio Bonelli tinha autorizado a publicação de uma única página desta história escrita por Mauro Boselli e que está a ser desenhada por Fabio Civitelli.

Mas este número 28 do BDjornal traz ainda uma GRANDE ENTREVISTA com FABIO CIVITELLI, onde o consagrado desenhador italiano fala inclusive da sua recente passagem pelo Salão de Viseu e do carinho e afecto de que foi alvo uma vez mais em Portugal, assim como do prestigiado prémio Anim’Arte recebido. Trata-se também de uma entrevista IMPERDÍVEL. 

EDITORIAL DO BDjornal # 28:

No dia 26 de Setembro, enquanto realizávamos uma última pesquisa na Internet, para o trabalho sobre Os Desenhadores de Tex, encontrámos a página online do diário italiano La Republicca dando a notícia da morte, nesse mesmo dia, de Sergio Bonelli, o editor de Tex. Foi uma notícia inesperada e, sobretudo amarga. Se bem que não conhecêssemos pessoalmente Sergio Bonelli, é certo que ele sempre acarinhou o BDjornal, com referências elogiosas nos seus editoriais das revistas de Tex, tendo mesmo chegado a escrever-nos uma gentil carta de agradecimento, aquando da edição do BDjornal #24, sobre os 60 anos de Tex em 2008, enviada por intermédio de José Carlos Francisco. Pelo trabalho que realizou ao longo da vida, como argumentista e sobretudo como editor, Sergio Bonelli conquistou a estima e admiração de milhões de leitores de fumetti por esse mundo fora, deixando uma empresa, conhecida como a fábrica dos sonhos que, continuando a trabalhar respeitando as premissas que ele estabeleceu, perpetuará o seu nome ad eternum. Usando uma expressão em latim, que exprime o que cada um sente numa altura destas: Requiescat in pace!

Esta edição apresenta a entrevista que se impunha, com o Vereador da Cultura da Câmara da Amadora, dr. António Moreira, sobre questões prementes do Festival de BD da Amadora, na companhia do arqº Nelson Dona, director deste Festival, que permite uma visão privilegiada dos meandros do agora intitulado Amadora BD. O Vereador, não se eximindo a nenhuma resposta, foi incisivo e esclarecedor sobre questões até agora mantidas no “segredo dos deuses”, como os custos do Festival, mas não só.

Julio Shimamoto, um autor brasileiro descendente de uma nobre família samurai do Japão, e (também por isso) popularizado no Brasil como o samurai dos quadrinhos, chega-nos por intermédio de Wagner Macedo, que conseguiu o longo e interessantíssimo monólogo biográfico que publicamos. Shimamoto, hoje com 72 anos, percorreu um naco da história do Brasil e conta-nos todo esse percurso e como ele influenciou a sua trajectória no mundo da banda desenhada brasileira. Iniciando a carreira com uma espécie de tirocínio com o português emigrado Jayme Cortez, passou pela nacionalização dos quadrinhos e os movimentos de autores a ela associados, pela publicidade e ilustração, até a uma pacificação de espírito de que diz gozar hoje em dia, que o leva, sobretudo, a querer aprender. Dele publicamos as dez página iniciais de Musashi, história de um garoto japonês que se tornou samurai…

Destaque ainda para o texto de João Miguel Lameiras sobre Vitor Péon, considerado o mais produtivo autor português da sua época e que parece meio esquecido actualmente.

Leonardo De Sá pesquisou e reconstituiu a verdadeira biografia de António Cerveira Pinto, um artista meteórico do início do século XX, falecido aos 16 anos, mas com uma actividade artística precoce e muito activa, participando numa série de revistas que viriam a ser o berço do então emergente movimento modernista em Portugal. É o resultado dessa pesquisa que se publica nesta edição do BDj.

De refeir ainda a publicação integral de O Mensageiro no Deserto, banda desenhada de Diniz Conefrey de 1989. Por outro lado e infelizmente, Selma Pimentel não conseguiu terminar a sua história Samira 2 para esta edição.

J. Machado-Dias

SUMÁRIO

4 – ENTREVISTA COM O VEREADOR DA CULTURA DA CÂMARA DA AMADORA SOBRE O AMADORA BD, J. Machado-Dias
10 – VITOR PÉON, João Miguel Lameiras
18 – INTRODUÇÃO A JULIO SHIMAMOTO, Wagner Macedo e J. Machado-Dias
19 – UM SAMURAI NA BANDA DESENHADA BRASILEIRA, Julio Shimamoto
28 – BD – MUSASHI, texto de desenhos de Julio Y. Shimamoto
38 – ÁLVARO CERVEIRA PINTO – A SUA BIOGRAFIA VERDADEIRA, Leonardo De Sá
41 – A SELVA, Diniz Conefrey
43 – BD – O MENSAGEIRO NO DESERTO, texto e desenhos de Diniz Conefrey
55 – BD – CENSURADO, texto de Wilson Vieira, desenhos de Aloísio de Castro
61 – BD – EXTORSÃO, Texto de Wilson Vieira, desenhos de Daniel Brandão
71 – AORESENTAÇÃO DE ANDRÉ TORAL, J. Machado-Dias
72 – BD – O CARRASCO DA MOOCA, Texto e desenhos de André Toral
76 – BD – O TRADUTOR, texto e desenhos de André Toral
78 – UNE NUIT DE PLEINE LUNE, Pedro Cleto
79 – VIEILLES CANAILLES – INTEGRALE, Pedro Cleto
80 – LE PERROQUET DES BATIGNOLLES, Pedro Cleto
81 – RAZÕES DO DESAPREÇO DA EXPRESSÃO 9ª ARTE, Pedro Vieira Moura
87 – ENTREVISTA COM FABIO CIVITELLI, José Carlos Francisco
92 – OS DESENHADORES DE TEX, J. Machado-Dias

102 – VOYAGER – ENTREVISTA COM RUI RAMOS, J. Machado-Dias
104 – FESTIVAL DE COMICS DE BARCELONA 2011, Diogo Campos
105 – FESTIVAL INTERNACIONAL DE BANDA DESENHADA DE BEJA 2011, Diogo Campos
104 – ANIPOP MATSURI #2, Pedro Trabuco


COLABORAÇÕES
Aloísio de Castro, André Toral, Clara Botelho, Daniel Brandão, Diniz Conefrey, Diogo Campos, Edgar Indalécio Smaniotto, João Miguel Lameiras, José Carlos Francisco, Julio Y. Shimamoto, Leonardo De Sá, Pedro Cleto, Pedro Trabuco, Pedro Vieira Moura, Wagner Macedo, Wilson Vieira.

BANDAS DESENHADAS
Aloísio de Castro, André Toral, Daniel Brandão, Diniz Conefrey, Julio Y. Shimamoto e Wilson Vieira.

O BDjornal tem o formato de 275 x 205 mm e contém neste número 106 páginas em impressão digital, capa em cartolina de 200 gramas plastificada brilhante e com papel do miolo de 115 gramas, com tiragem limitada e distribuição centrada nas lojas especializadas, com um custo de 8,00 €.

Por tudo isso, prezado pard não deixe de comprar esta edição do BDjornal, uma vez que se pode considerar um verdadeiro item de coleccionador de Tex! Para o adquirir recomendamos o contacto via e-mail (bdjornal@gmail.com) com o editor Jorge Machado-Dias (até porque quase seguramente esta edição do BDJornal se ESGOTARÁ, tal como aconteceu com a edição número 24, a única esgotada até agora), mas caso seja um leitor oriundo do Brasil, temos uma boa notícia a dar-lhe:

O BDjornal #28 estará à venda na Redwood Comic, Nova Iguaçu, Rio de Janeiro

Como o BDJornal tem cada vez mais leitores no Brasil, muito por causa das constantes matérias dedicadas a Tex, mas não só, visando facilitar a aquisição a esses leitores, informamos que os BDjornal #25, #26 e #27 já estão à venda no Brasil (e o BDjornal #28 estará em breve), na loja online Redwood Comics, de Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. Eis aqui os links directos para compra:

http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-158804543-bdjornal-25-importada-redwood-_JM

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http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-189543808-bdjornal-27-importada-redwood-_JM

Fica muito mais barato para os compradores brasileiros – porque a Redwood compra em quantidade, o que permite reduzir os custos de envio de Portugal para o Brasil e o tempo de envio, comprando no próprio Brasil, deve ser também muito menor do que comprar directamente a Portugal, ou seja, é só vantagens… mas o melhor mesmo é fazer já a sua reserva porque depois pode ser tarde…


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Copyright: © 2011 BDJornal; J. Machado-Dias

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As Hienas de Lamont: o Tex Gigante de Ernesto Garcia Seijas vai ver a luz do dia depois de mais de uma década

Por José Carlos Francisco

Speciale Tex nº 26 – Le iene di Lamont

No dia 18 de Novembro deste ano a Sergio Bonelli Editore enviará para os quiosques italianos o Tex Gigante mais aguardado de todos os tempos,  tanto que muitos fãs e coleccionadores de Tex duvidavam que o já lendário Tex Gigante escrito por Claudio Nizzi e desenhado por Ernesto Garcia Seijas (é dele que falamos) visse alguma vez a luz do dia, mas tal como Sergio Bonelli anunciou em Julho no evento italiano denominado Rimini Comix 2011, após vários anos de repouso no limbo, será realmente publicado neste Outono fazendo com que a série este ano tenha uma reduplicação (tal como aconteceu em 1996 com as edições desenhadas por Roberto Raviola (Magnus) e Jordi Bernet), já que em Julho tivemos o habitual Texone (alcunha do Tex Gigante na Itália) de Verão, o nº 25, escrito por Gianfranco Manfredi e desenhado por Carlos Gomez, com o título “Verso l’Oregon“.

A decisão (uma das últimas tomadas em vida, em virtude do seu inesperado falecimento em 26 de Setembro) de Sergio Bonelli em publicar este Tex Gigante prendeu-se com o facto de Nizzi ter-se aposentado definitivamente e o editor milanês ter querido que todas as suas histórias fossem publicadas.

Com o título “Le iene di Lamont” (As Hienas de Lamont) a história tem o seguinte enredo: Com a morte do pai, a jovem Katie Evans volta a Lamont, no Montana, e é recebida por Vera, a sua madrasta que havia sido enfermeira de seu pai, e que agora tornou-se herdeira e toma conta do rancho Círculo T. Tex e seus pards, no rasto de dois ferozes assaltantes, descobrem que eles podem estar escondidos nas terras dos Evans e, ao chegar à fazenda para investigar, acabam por descobrir um complô armado para tomar de Katie o que é seu por direito. Diante de injustiças evidentes, Tex não costuma ficar parado, e quem trama contra uma jovem inocente deve se preparar para enfrentar os colts do Ranger!

Este Tex Gigante que estava guardado numa das gavetas de Sergio Bonelli há vários anos  tem então argumento e roteiro de Claudio Nizzi e foi desenhado pelo argentino Ernesto Garcia Seijas tendo como título de trabalho “I quattro giustizieri” (Os Quatro Justiceiros). Nas páginas que tivemos acesso (conforme se pode constatar neste texto) comparecem, com efeito, todos os quatro pards.

Seijas começou a trabalhar nesta história no já longínquo ano de 2000 e segundo consta, na programação da Sergio Bonelli Editore a história deveria figurar no 17° albo speciale (nome dado na Itália ao Tex Gigante) e portanto ser publicada em Julho de 2003. Por outro lado Seijas terminou os desenhos, por causa da sua lentidão, somente quatro anos depois do seu início.

A letrista Monica Husler (esposa de Giovanni Ticci) iniciou a legendagem da história no Outono desse mesmo ano, em 2004. A lógica sugeria então uma publicação em Junho de 2005. Entretanto Sergio Bonelli controla pessoalmente todas as páginas já então legendadas, como sempre fazia com todas as histórias do Ranger, e decide inexplicavelmente publicar naquela data o Tex Gigante desenhado por Carlo Ambrosini.

Houve um chumbo? Tudo indica que sim, ao menos em parte. Falava-se em surdina, que na história havia mulheres a mais. A especialidade, no fim de contas, do artista argentino. Numa entrevista concedida em exclusivo por Ernesto Garcia Seijas, ao nosso blogue do Tex, o próprio Seijas explicou o sucedido a Jesus Nabor e confirmava os rumores: “Sergio Bonelli controla pessoalmente cada página de Tex. Inclusive neste Texone ainda inédito, houve 11 páginas que tive de refazer, porque apareciam mulheres e Sergio Bonelli não entendia porque apareciam essas mulheres ali, já que não eram necessárias para a história. Ele fez com que mudassem o argumento e eu tive de refazer as páginas. Parece que a ele, não lhe agrada que apareçam muitas mulheres nas histórias de Tex.”

As onze páginas, considerada a média mensal produzida pelo autor argentino, foram redesenhadas em apenas um mês. Mas não obstante as correcções, tudo permaneceu na mesma, ou quase. Murmurava-se que o editor pretendia publicar a história no Outono de 2008 como forma de comemorar os 60 anos de Tex. Mas afinal, nada.

Sergio Bonelli brincava com a situação, convidando os cobiçosos curiosos para visionarem as páginas no seu gabinete situado na Via Buonarroti, “estão todas ali dentro“, dizia, “numa gaveta“. Entretanto em torno deste Tex Gigante  cresceu pouco a pouco uma auréola de mistério cada vez mais densa, todos falavam mas ninguém sabia nada de concreto.

Agora que finalmente este Tex Gigante verá a luz do dia, o blogue do Tex, apresenta hoje a capa (desenhada pelo próprio Seijas) desta já mítica obra com desenhos soberbos do mestre argentino.

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Vídeo da visita guiada (por Fabio Civitelli) à exposição “As Cidades do Tex” no 17º Salão Internacional de BD de Viseu

Por José Carlos Francisco (texto), José Machado (fotos) e Orlando Santos Silva (vídeo)

Após a entrega do Troféu Anim’arte 2010 a Fabio Civitelli no decurso da inauguração do 17º Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, no dia 10 de Setembro, Civitelli disponibilizou-se de pronto para na companhia dos muitos interessados, fazer uma visita guiada à sua exposição dedicada às Cidades do Tex.

Uma casa no meio da rua… saiba o porquê ouvindo a explicação de Fabio Civitelli no vídeo

É essa visita guiada que temos o prazer de mostrar hoje (em vídeo) aos nossos leitores do blogue português do Tex, num registo efectuado excelentemente por Orlando Santos Silva e que contou com a preciosa ajuda do texiano Rodrigo Bratz na montagem do vídeo.

O entusiasmo de Fabio Civitelli ao falar na visita guiada à exposição dedicada às Cidades do Tex, pode ser constatado assistindo ao vídeo

Podemos assim ver e ouvir Fabio Civitelli, exprimindo-se num português bastante fluente (e que mostra o quanto Civitelli está a estudar a nossa língua) explicar a maneira como desenhou determinada vinheta, a técnica utilizada, os cenários autênticos onde a acção se desenrola, a maneira como Tex deve ser desenhado…

E muitas outras questões técnicas e até algumas curiosidades, tais como a linha do horizonte nas vinhetas e a colocação dos rostos das personagens nessa mesma linha, a altura de personagens e edifícios, o desafio de desenhar a neve com tinta preta e não com o branco, vinhetas inspiradas no filme “Horizonte Longínquo”, uma casa no meio de uma rua que motivou até que o próprio Sergio Bonelli perguntasse porque Civitelli colocou a casa no meio da rua, a modificação do ponto de observação em cada vinheta nas sequências longas e outras delícias mais que tornam este vídeo IMPERDÍVEL!

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Wanted! O novo cartonado de Tex

Por José Carlos Francisco

Wanted! é o título da mais recente edição cartonada (e colorida) de Tex, publicada actualmente pela editora italiana Arnoldo Mondadori, naquela que muitos consideram a mais bela e luxuosa colecção de Tex, “Grandi libri” (“Grandes livros”) e que nasceu em 1975 pela Editoriale Cepim (a actual Sergio Bonelli Editore) com a publicação do primeiro volume, intitulado “Il mio nome è Tex” e que passou a ter uma periodicidade anual a partir de 1996, tornando logo desde o seu início como sendo uma verdadeira série para coleccionadores, enriquecida pelo formato grande (315 x 225), capa dura, artigos vários e sobretudo a inclusão das cores nas histórias originalmente publicadas a preto e branco pela editora Bonelli.

E também prova disso, são os valores verdadeiramente proibitivos de alguns números iniciais, que estão obviamente esgotados e que quando se conseguem encontrar em bom estado, custam muitas centenas de euros, havendo inclusive quem tivesse pago mais de um milhar de euros por aquele que é considerado o volume mais raro e valioso desta colecção, “Un’avventura nel Nord“, de 1983, precisamente o único que me falta na minha BiblioTex.

Wanted!, o 24º volume desta magnífica colecção tem 226 páginas, custa 23,00€ e contém duas magníficas histórias, ambas escritas por Mauro Boselli e que originalmente foram publicadas no Almanacco del West 1997 (“Bad River” desenhada pelo falecido Aldo Capitanio e que foi publicada no Brasil pela Mythos Editora no Almanaque Tex nº 3 com o título “Rio Selvagem“) e no Almanacco del West 2003 (“Eroe per caso” desenhada por Stefano Andreucci e que foi publicada no Brasil pela Mythos Editora no Almanaque Tex nº 19 com o título “Herói por Acaso“).

A capa, inédita e exclusiva, foi desenhada por Stefano Andreucci e o blogue do Tex disponibiliza de seguida o esboço inicial feito a lápis, seguindo-se depois a versão final já colorida pelo próprio desenhador e por fim a real capa que foi publicada:


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