Crítica: “Terras Malditas” – Tex nº 476 – Mythos Editora, Junho 2009

Por André Azevedo [1]

Tex nº 476
Argumento: Mauro Boselli
Desenho: Alfonso Font
114 páginas, p/b, formato 13,5 x 17,5 cm
Junho de 2009, Mythos Editora
Publicada originalmente em Tex 573, Julho 2008, Sergio Bonelli Editore, Itália

Este número de Tex é um bom exemplo do porquê das aventuras do Ranger se publicarem continuamente há mais de 60 anos e ter tantos seguidores na Itália, seu país de origem, no Brasil e em Portugal, incluindo eu.

A começar desde já pela capa de Claudio Villa, um dos melhores desenhadores de Tex, que ilustra na perfeição o titulo desta aventura. Nas 110 páginas de “Terras Malditas”, que se lêem a correr, Boselli consegue inovar conceitos já muito utilizados nos westerns: um advogado, Lyman, é perseguido por foras-da-lei nas desoladas Indian Plains em Oklahoma, e no percurso, inocentes são envolvidos na trama. Tex aparece aqui como um anjo da guarda implacável, sempre alerta e que raramente comete erros.

Os diversos intervenientes, incluindo o vento quase sempre presente, vão sendo introduzidos de forma enigmática e é ao longo da história que vamos percebendo o seu papel no desenrolar dos acontecimentos, e mesmo que por vezes sejam personagens algo estereotipadas, este facto é usado com inteligência por Boselli.

Na arte Alfonso Font, autor espanhol bem conhecido dos leitores portugueses, brilha no desenho das paisagens, ora num pôr-do-sol antecipando um tiroteio, ora nas cenas nocturnas. O seu Tex é seguro, quase inexpressivo, num desenho que não se poupa nos pormenores, mas onde o tamanho em que infelizmente são publicados não faz jus à sua qualidade.

Nas últimas dezoito páginas a acção sucede-se num ritmo vertiginoso e no fim, no meio de mais um tiroteio, a chegada de um tornado ameaça levar tudo e todos pelo ar. E agora Tex?

Como se pode constatar as minhas leituras de Tex estão atrasadas, pois entretanto já apareceram os números 477, 478, 479 e 480.

Com a suspensão da distribuição das revistas da Sergio Bonelli em Julho devido à mudança de distribuidora para Portugal, agora será a VASP – Distribuidora de Publicações Lda, a Mythos Editora tinha anunciado que a partir de finais de Setembro, inícios de Outubro as revistas de Tex voltariam às bancas nacionais.

Eis os números anunciados: Tex nº 481, Tex Coleção nº 273, Tex Ouro nº 51, Tex Edição Histórica nº 81 e Tex Férias nº 10.

Espero que tudo se resolva rapidamente!

[1] (Texto publicado originalmente no Blogue “BD no Sótão“, em 30 de Setembro de 2012)

Gibicon nº 1, por Vander Dissenha

Por Vander Dissenha[1]

Estive em Curitiba participando da Gibicon nº 1, uma feira de quadradinhos. O ano passado aconteceu a Gibicon nº 0, que foi um evento experimental e que devido ao sucesso parece que será permanente daqui para frente. Desta vez pude rever alguns amigos que também gostam de quadradinhos e fazer novos amigos.

Participei de eventos relacionados somente aos quadradinhos italianos da Editora Bonelli, que são os meus favoritos. Participei de uma palestra sobre os quadradinhos Bonelli na Itália e visitei uma mostra dedicada ao editor Sergio Bonelli, que faleceu o ano passado. Também participei de uma homenagem ao Sergio Bonelli. Essa homenagem foi meio que uma palestra onde pessoas que conheciam o Sergio Bonelli falaram sobre ele, contaram histórias que viveram junto com ele. Um momento emocionante foi quando o Júlio Schneider (tradutor das revistas Bonelli no Brasil) ao contar sobre a sua amizade com o Sergio Bonelli, acabou se emocionando e chorando.

O argumentista italiano Moreno Burattini também esteve presente nessa homenagem e mostrou num telão fotos do Sergio Bonelli, inclusive a última foto que ele tirou (ao menos se acredita que seja a última!), durante uma feira de quadradinhos na Itália, dias antes de morrer. O último evento Bonelliano de que participei na Gibicon, foi assistir a um documentário sobre o Sergio Bonelli. Esse documentário, com pouco mais de meia hora de duração, foi feito na Itália em 2010.

Fora os eventos relacionados às personagens Bonelli, dei uma rápida olhada pelos vários stands da Gibicon e comprei algumas revistas (Bonelli é claro!). Uma revista especial que comprei na Gibicon, foi o Zagor Gigante nº 1. Além de Zagor ser a minha personagem favorita de banda desenhada, esse Zagor Gigante nº 1 traz publicado em suas contracapas os nomes de cem leitores de Zagor, inclusive o meu nome. E aproveitei para pegar o autógrafo do Moreno Burattini nessa revista, pois foi ele que escreveu a história publicada nesse Zagor Gigante.

Além do argumentista italiano Moreno Burattini, também estiveram presentes na Gibicon, outros dois italianos que trabalham para a Editora Bonelli. Um deles eu já conhecia, pois esteve no Brasil nos dois últimos anos. Trata-se do simpático desenhador de Tex, Fabio Civitelli. E o outro italiano foi o Roberto Diso, que também é desenhador da Editora Bonelli, mas dedica-se mais à personagem Mister No. Foi uma experiência gratificante ter contacto com estes três simpáticos italianos, que trabalham na criação de personagens de quadradinhos que leio e acompanho há mais de trinta anos.

O ano passado também estive na Gibicon e este ano deu para perceber que o evento aumentou e ficou mais organizado. Mas tamanha organização acabou atrapalhando em alguns momentos! Um exemplo foi no sábado pela manhã, no Paço da Liberdade. As oficinas e palestras estavam marcadas para começar às 10 horas, mas antes desse horário não permitiam que ninguém entrasse no prédio. Somente após as 10 horas é que todos puderam entrar e formar filar para pegar convites para as quatro palestras e oficinas que aconteceriam no mesmo horário. O chato é que do lado de fora tivemos que formar fila sob um sol escaldante.

Outra pisada na bola da organização foi marcarem várias palestras no mesmo local e no mesmo horário. Isso fazia com que os participantes tivessem que escolher somente uma palestra, quando muitos queriam ver todas as palestras. O resultado foi que muitas palestras ficaram com pouco público. Se fizessem as palestras em horários diferentes, com certeza todas elas teriam um maior público presente.

E outra reclamação geral foi com relação às senhas para autógrafos. Teve um dia que distribuíram 30 senhas para determinados artistas e no dia seguinte somente 15 senhas. Isso fez com que muitas pessoas ficassem sem conseguir senhas e sem conseguir os autógrafos que queriam. E teve casos de pessoas que ficaram na fila das senhas para autógrafos e perderam a palestra que queriam assistir, pois tiveram que escolher entre pegar a senha do autógrafo ou assistir à palestra.

E teve também casos de palestras onde precisava enfrentar uma fila para pegar a senha. E na hora da palestra não tinha ninguém para recolher tais senhas na entrada do local da palestra. E teve uma palestra onde um monte de gente entrou sem senha e o segurança que estava na porta não falou nada. Daí quando fui entrar o segurança barrou-me e pediu-me a senha. Por sorte eu tinha a bendita senha! Só não entendi o critério do segurança em pedir senha para uns e não pedir para outros. Ou seja, o negócio todo foi meio confuso e espero que no próximo ano o pessoal da organização dê uma melhorada no evento, pois senão fica difícil para quem participa. E vou pensar duas vezes antes de viajar 500 km para ir novamente à Gibicon!

[1]Texto de Vander Dissenha apresentado no blogue do Vander Dissenha em 1 de Novembro de 2012.
Adaptação a cargo de José Carlos Francisco.
Copyright: © 2012, Vander Dissenha

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

A CARAVANA (poema de Jorge Magalhães para Sergio Bonelli)

Galleppini, Letteri, Fusco, Nicolò,
Nizzi, Ticci, Monti, Civitelli,
Blasco, Font, La Fuente, Ortiz,
Manfredi, Villa, Gamba, Repetto,
Marcello, Segura, Boselli, Venturi,
Castelli, Frisenda, Berardi, Milazzo,
foram seus companheiros de jornada.
Outros vieram, juntando-se à caravana,
imparável como as águas de um rio.
Até Davide, seu filho, o acompanhou
nessa longa rota aventurosa.
Houve baixas no grupo, mas nunca desistiram,
mesmo quando partiu um velho pioneiro,
o primeiro a apontar-lhes o horizonte…
o bravo Gianluigi!
Agora avançam sozinhos
pelas inóspitas trilhas,
recordando as etapas percorridas…
porque o seu chefe, de espírito destemido,
foi também abrir caminho
entre as estrelas!

Jorge Magalhães


Recordar Sergio Bonelli, por Antonio Mondillo

Há anos eu desejava conhecer Sergio Bonelli, várias vezes eu programei ir à redacção da rua Buonarroti, mas não fui. Até escrevi a Sergio há mais de dez anos, sem obter resposta. Até que, finalmente, em Março de 2010 Sergio veio a Nápoles quando da grande mostra Audace Bonelli. Eu saí às pressas do trabalho e, depois de quase perder o trem, cheguei a tempo para o encontro com Sergio e outros autores da Bonelli.

Depois de assistir, eu me apresentei e fiz-lhe algumas perguntas sobre os futuros autores dos Tex Gigantes, e depois perguntei se ele conhecia as minhas publicações. Imediatamente ele elogiou os dois livros que eu havia feito (Tex – Entre Mito e História e Guia Bonelli – Todas as Edições Estrangeiras) e mostrou uma particular surpresa pela volumosa obra sobre as edições estrangeiras, afirmando que nem ele se recordava de todas aquelas edições feitas no resto do mundo.


Ao final da sua participação, ele sentou-se na plateia, perto de mim, para ouvir os outros autores (Burattini, Castelli, Berardi, Ticci, etc.), quando foi tirada uma foto nossa. Continuamos a conversa e ele prometeu-me que logo falaria dos meus livros num editorial de Tex (e que saiu no Tex Tre Stelle n° 560, Setembro de 2010). Aquele momento foi inesquecível e eu sinto por não ter podido reencontrar esse homem de grande personalidade que marcou uma época.

Para mim, que considero os quadradinhos uma verdadeira forma de arte, Sergio Bonelli entrou a pleno direito entre os grandes da literatura italiana, criador de sonhos como o grande Emilio Salgari, com a diferença de que ele realmente visitou os lugares de suas narrativas. OBRIGADO, MÍTICO SERGIO!


Tradução e adaptação: Júlio Schneider

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Ricordando Sergio Bonelli, di Antonio Mondillo

Da anni desideravo conoscere Sergio Bonelli, avevo programmato più volte di andare alla sede di via Buonarroti, ma senza dare seguito alla cosa. Avevo anche scritto a Sergio oltre dieci anni fa senza avere risposta. Poi finalmente nel marzo 2010 Sergio viene a Napoli in occasione della grande mostra l’Audace Bonelli. Uscito frettolosamente dal lavoro e dopo aver rischiato di perdere il treno, arrivo giusto in tempo per l’incontro con Sergio e altri autori Bonelli.

Dopo averlo ascoltato mi presento e gli pongo delle domande sui futuri autori dei Texoni, poi gli chiedo se conosce le mie pubblicazioni. Mi fa subito i complimenti per i due libri che ho realizzato (Tex tra mito e storia e Guida Bonelli tutte le edizioni straniere), in particolare dimostra sorpresa per il corposo catalogo sulle edizioni straniere, affermando che neanche lui ricordava tutte quelle edizioni realizzate nel resto del mondo.

Al termine del suo intervento viene a sedersi in sala vicino a me per ascoltare gli altri autori (Burattini, Castelli, Berardi, Ticci, ecc.) e ci viene scattata anche una foto. Qui proseguiamo la chiacchierata e mi promette che a breve farà una recensione dei miei libri su Tex (uscirà su Tex tre Stelle n. 560, sett. 2010). Rimarrà per me un momento indimenticabile e mi dispiace non aver potuto reincontrare quest’uomo di grande personalità che ha segnato un epoca.

Per me, che ritengo i fumetti una vera forma d’arte, Sergio Bonelli entra di diritto tra i grandi della letteratura italiana, dispensatore di sogni come il grande Emilio Salgari, con la differenza che lui i luoghi narrati li ha realmente visitati. GRAZIE MITICO SERGIO!

(Cliccare sulle immagini per vederle a grandezza naturale)