Até ao próximo dia 25 estará em exibição no Solar do Barão, em Curitiba, Brasil, uma exposição em homenagem a Sergio Bonelli. O famoso editor italiano faleceu o ano passado, aos 79 anos. Sergio Bonelli era apaixonado pelo Brasil, país onde esteve algumas vezes. Tinha predilecção pela Amazónia, onde conheceu profundamente os costumes locais e teve inspiração para criar a personagem Mister No. Na exposição em Curitiba estão obras de diversos artistas, feitas como tributo após a morte de Sergio Bonelli. Também estão expostas fotos de Sergio Bonelli nos anos 70, visitando a Amazónia.
Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente? Emerson Luiz da Cruz: Eu nasci na cidade de Ivaiporã no Paraná, Brasil, no dia 6 de Abril de 1974. Ainda criança vim para o Rio Grande do Sul e actualmente estou residindo em Cachoeirinha, sou casado há 15 anos e tenho uma filha de 13 anos e um filho de 7 anos. Trabalho como Técnico em Enfermagem em uma Unidade básica de Saúde.
Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada? Emerson Luiz da Cruz: Sempre fui muito curioso e as revistas aos quadradinhos chamaram-me a atenção muito cedo mesmo antes de aprender a ler, lá pelo final da década de 70.
Quando descobriu Tex? Emerson Luiz da Cruz: Eu devia ter uns seis ou sete anos de idade quando vi um exemplar de Tex pela primeira vez. Meu irmão Edson que é seis anos mais velho comprou e eu lembro como se fosse hoje, era El Muerto. Fiquei encantado com aqueles desenhos, com aquele homem com o rosto desfigurado e com a coragem de Tex. Li muitas vezes aquela história e algumas outras, lá por 1991 comecei uma colecção, devia ter uns 200 exemplares, mas perderam-se com o tempo. Há quatro anos atrás entrei em uma pequena banca de revistas e encontrei um exemplar de Tex, comprei, li e não parei mais.
Porquê esta paixão por Tex? Emerson Luiz da Cruz: Tex cativa todos os que amam a banda desenhada pelo preciosismo nos detalhes. O preto e branco das páginas torna-se colorido em nossas mentes como se fossem lembranças que nos levam directo ao velho Oeste junto de nossos pards.
O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos? Emerson Luiz da Cruz: É um misto de liberdade, aventura, acção e o censo de justiça acima de tudo que nos transporta ao mundo e ao tempo do nosso Ranger, é começar a ler e já poder ouvir o trote dos cavalos, os gritos de guerra dos navajos, sentir o calor do deserto ou o frio das nevascas. É esta sensação inexplicável que torna TEX único e imbatível.
Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si? Emerson Luiz da Cruz: Hoje, tenho 859 revistas do Tex, cada uma tem um valor especial para mim, mas podemos destacar o nº 112 El Muerto por ter sido a primeira que vi, o nº 1 O signo da serpente, O Ídolo de Cristal colorido, Fumetti- O melhor dos quadrinhos Italianos e também dois exemplares italianos que acho bem especiais.
Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana? Emerson Luiz da Cruz: Além das Revistas, tenho o Filme, o livro e pósters, só não tenho outros objectos pela dificuldade de encontrar por aqui.
Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir? Emerson Luiz da Cruz: Algumas estatuetas do mundo de Tex.
Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista? Emerson Luiz da Cruz: Difícil, realmente difícil escolher uma entre tantas histórias e desenhadores, mas O Presságio, eu diria que pode ser uma das preferidas, tanto pelo argumento de Claudio Nizzi como a arte extraordinária de Fabio Civitelli.
O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos? Emerson Luiz da Cruz: A maneira justa com que trata todos, independente de cor, credo ou riqueza. Na personagem nada me desagrada, mas fiquei indignado com o encerramento da série Tex em Cores no Brasil.
Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é? Emerson Luiz da Cruz: O nosso Tex, vive livre, é extremamente justo, leal aos seus amigos, é de uma coragem inigualável. Isto é quase impossível nos dias de hoje, mas é a vontade de poder ser como ele aliada a óptimos argumentos e desenhos feitos de forma artística, com qualidade extraordinária, que torna real esse nosso sentimento e faz com que Tex seja prestigiado por tantas gerações.
Costuma encontrar-se com outros coleccionadores? Emerson Luiz da Cruz: Não, conheço muitos que gostam e até compram Tex algumas vezes, mas não coleccionam.
Para concluir, como vê o futuro do Ranger? Emerson Luiz da Cruz: O nosso grandioso Ranger, com certeza vai seguir firme e forte seu caminho, e nós estaremos sempre ao seu lado, torcendo, e às vezes também lutando. Estaremos levando o nosso Tex para mais e mais pessoas poderem se encantar e se tornarem leitores assíduos de Tex.
Prezado pard Emerson Luiz da Cruz, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu. Emerson Luiz da Cruz: Um grande e empoeirado abraço a todos.
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No mangá (banda desenhada japonesa) Yu-Gi-Oh nº 7, há uma curiosidade muito interessante. Na página 46 desta edição, o nosso ranger é mencionado (como podem ver na imagem) por Joey, uma das principais personagens do mangá.
Na história, Yugi e seus amigos, junto com o misterioso Bakura, jogam um jogo de RPG de tabuleiro chamado “Mundo dos Monstros“. Antes do jogo começar, Yugi e os outros precisam escolher as suas personagens para iniciar o jogo. Tristan (um dos colegas de Yugi), escolhe um pistoleiro mágico, que no jogo enfrenta criaturas e monstros.
O objectivo do jogo que Yugi irá jogar, é derrotar o monstro chamado Zorc. E na batalha contra o mesmo, o pistoleiro mágico (controlado por Tristan) acerta com um tiro a mão do monstro. Então, é aí que Joey, elogiando o disparo de Tristan, o compara com o Tex: “Belo tiro, Tex“.
A única dúvida que fica, é quem fez a homenagem ao ranger. Se foi o autor do mangá (Kazuki Takahashi) ou se na hora da tradução o Fernando Janson (tradutor da editora JBC) fez por conta própria a referência.
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O blogue do Tex dá hoje a conhecer um belo par de Rangers da autoria de Daniel Brandão, consagrado artista brasileiro que nasceu a 3 de Novembro de 1975 na cidade de Fortaleza, capital do Ceará, um Estado nordestino brasileiro.
Daniel Brandão, trabalha como autor de banda desenhada há mais de 15 anos, tendo inclusive em 2000 ido estudar na Joe Kubert School, nos Estados Unidos da América e é proprietário de um estúdio com o seu próprio nome, o Estúdio Daniel Brandão de Quadrinhos e Artes Gráficas, sendo também um grande fã de Tex, assim como dos fumetti em geral e cuja entrevista concedida em 2008 ao nosso blogue pode ser vista clicando aqui.
De seguida eis então o exercício de desenho feito por Daniel Brandão baseado em estudos do mestre Fabio Civitelli: Tex e Carson:
Para maiores informações sobre a sua carreira, os seus cursos ou para ver alguns trabalhos do próprio Daniel Brandão, acesse www.estudiodanielbrandao.com.
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Pela manhã, lá vou eu pegar a estrada em direcção a uma das maiores cidades, senão a maior, do interior paulista: Campinas, que dista em torno de 80 km da cidade de São Paulo (capital do Estado com o mesmo nome), para fazer uma visita ao afamado, conceituado e premiado artista Bira Dantas, cujo trabalho considero admirável.
Uma de suas produções mais conhecidas (e paixão) é a caricatura. Esse tipo de produção artística, a criativa “deformação” das pessoas retratadas sempre me atraíram (tanto as deformações de carácter homenageatório – característica do trabalho de Bira, como as deformações com conotação satírica, notadamente sobre a área política). É um talento que poucos possuem para realizar, e mais difícil ainda ser um trabalho de notável qualidade (e mestre Bira tem esse talento de sobra).
Esse tipo de trabalho comecei a admirar inserido em charges e cartuns no saudoso Folhetim, na década de 70 do século passado. Ele era um suplemento inserido nas edições dominicais do jornal Folha de S. Paulo, e trazia trabalhos magistrais de grandes nomes do género, como Jota e Fortuna (isso em sua fase inicial e mais popular, apesar do conteúdo político. Depois começou a ficar mais intelectualizado e com extensos artigos económicos e políticos, perdendo o charme dos velhos tempos).
Muitos leitores habituais deste blogue conhecem apenas essa faceta caricaturista do Bira, já que ele realiza caricaturas fantásticas dos autores italianos entrevistados aqui no blogue, sendo que em cada entrevista publicada no Blogue do Tex, já se tornou uma marca registada e um atractivo à parte as belíssimas caricaturas do Bira. Tanto que na Itália os que vão ser entrevistados já perguntam sempre ao José Carlos (co-criador e co-gestor deste blogue) se a entrevista vai realmente ter a caricatura deles, pois fazem questão e esperam com ansiedade serem caricaturados pelo grande Bira.
Isso demonstra a qualidade do trabalho de Bira Dantas, pois conseguiu despertar grande interesse até nos mestres italianos da arte sequencial, renomados autores texianos.
Mas não é só a caricatura que recebe as mãos mágicas de Bira, pois ele tem um extenso currículo, e é um prolífico multi funcional profissional: além de caricaturista, é chargista, ilustrador, argumentista e roteirista.
Foi desenhador da famosa revista em quadradinhos “Os Trapalhões” (da Bloch Editores), tem vários trabalhos publicado pela Escala Educacional, como as adaptações literárias em quadradinhos Memórias de um Sargento de Milícias, Dom Quixote (que lhe rendeu um HQMix) e O Ateneu, bem como diversos outros trabalhos, actuando inclusive na área de material político, com belíssimos desenhos.
Também tem exposto os seus trabalhos rotineiramente em várias partes do mundo, inclusive chegou a participar de uma mostra exclusiva de personagens catalãs em Barcelona. Também desfila a sua arte pelos sindicatos dos quais é contratado: Sinergia, Sindipetro e Sindae.
Além de tudo isso, ainda sobra tempo para dar aulas!! Haja fôlego!!! Ele se preocupa em passar o seu talento e conhecimento às novas gerações, sendo professor de charge, cartum e caricatura na Escola de Arte Pandora, na cidade que reside, Campinas (o telefone para contactos é 3234-4443).
Com essa vasta experiência profissional (e de alta qualidade), Bira é também um profissional multi-premiado (como não poderia deixar de ser): já recebeu o título de Mestre no prémio Angelo Agostini, bem como vários HQMix. Além de várias outras premiações internacionais, em vários países como Turquia, China e Sérvia.
Todo esse reconhecimento vem da alta qualidade do trabalho, qualidade que tem um segredo simples: a paixão!!
Sim, a paixão que Bira tem no que faz. Ele é tão apaixonado por seu trabalho, que em suas viagens internacionais, não perde a oportunidade de conhecer o trabalho de outros colegas de profissão. Já esteve na Holanda, Inglaterra, Escócia, e Coreia, e sempre foi ver de perto o que estava sendo produzido nesses locais. E o que também já havia sido produzido, pois não deixou de visitar os afamados Museu do Cartum em Londres, e o Scottish Museum, em Edimburgo, na Escócia, por exemplo.
Ele recebeu-me simpaticamente em sua residência e logo com um tradicional e saboroso café, e de pronto começamos uma saborosa conversa sobre cartuns, charges, quadradinhos,etc. Bira é um profundo conhecedor e tem muitas histórias a contar.
Entre tantas que citou, por exemplo, contou que quando foi desenhador da famosa revista aos quadradinhos “Os Trapalhões” da Bloch Editores, ele realizou uma história satirizando os super-heróis norte-americanos, e devido a algumas cenas e algumas palavras, a história foi censurada (estávamos ainda sob a ditadura militar) e, ele teve que refazer o trabalho, para conseguir receber (embora não quisesse mudar nada do que tinha criado).
E mais acima nesse texto escrevi da premiação que ele recebeu na Sérvia. Pois bem, ele relatou que o correcto para se escrever é Serbia. Bira contou que os sérvios (ou melhor serbios) detestam que os brasileiros os chamem com “v” e não correctamente com o “b”.
Também pude apreciar o mestre trabalhando no computador. Ele usa Photoshop, mas em apenas um layer, e não vários layers como muitos outros fazem. Ou seja, ele prefere tela única, fazendo “na unha” toda a cena, e não seleccionando cada elemento.
Antes, porém, como já sabia de antemão que ele era apreciador do traço do mestre Galep, presentei-o com uma história do criador gráfico de Tex que não havia saído no Tex regular no Brasil por nenhuma editora, e só chegou a sair quando surgiu a série Tex Ouro, precisamente o número 10.
Bira também é apreciador do mundo de Águia-da-noite, mas compra Tex analisando antes nas bancas os traços que compõem as imagens.
Também é apreciador de Mágico Vento, e no processo de compra, faz o mesmo procedimento de análise das imagens, antes de efectuar a compra propriamente dita (gostou muito também de outra produção bonelliana, uma das magistrais criações de Cláudio Nizzi: Leo Pulp. E teve a incrível ideia de sugerir, durante o evento Quadrinhos ´51 em São Paulo, uma edição com um Tex caricaturado – que esperamos que um dia possa existir uma edição fora-de-série assim, por que não?).
Outro grande desenhador texiano apreciado por Bira é o mestre E. Nicolò, que ele actualmente aprecia nas edições quinzenais de Tex Coleção. E citou, sabiamente, que muitos esquecem do mestre Nicolò, nas citações de grandes desenhadores texianos pela web afora. Citou que Nicolò tem um estilo fotográfico, que lembra José Luis Salinas, de Cisco Kid, embora esse tenha um componente caricatural nas personagens. Citou também que, além de Nicolò e Salinas, Magnus também consegue desenhar as personagens proporcionalmente exactas, independente da posição, ângulo, que a personagem estiver.
Por exemplo, o mesmo nariz, a mesma distância entre nariz e queixo, etc. (em ângulos variados). Algo que muitos não conseguem (mesmo outros afamados desenhadores).
Em dado momento Bira surpreendeu-me, pois após sair do recinto, retornou tocando sua gaita!! E tocou extremamente bem!! Tive o prazer de ser o único ouvinte da uma bela canção!!!!
Também tive o prazer de conhecer o Estúdio Bira Dantas (ele trabalha em dois locais: na própria residência, e no estúdio, que é anexo à residência), e as preciosidades que vem desenvolvendo no momento: está trabalhando em duas BDs: uma sobre Zumbis no velho oeste, com roteiro de Leonardo Melo (do Quarto Mundo), e também numa adaptação da famosa e clássica Ilíada (de Homero), onde inclusive o roteiro é dele. Tive o prazer de ver os belíssimos esboços e teste de rosto das personagens. Além de ver também a galeria de troféus internacionais de Mestre Bira (e sua colecção de revistas de banda desenhada e DVDs!!!).
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E tive o prazer de receber das mãos do Bira um valiosíssimo presente: uma caricatura minha com Tex (que inseri como meu avatar na revista Mundo dos Super-Heróis)!
E não perdi a oportunidade de também colher seu autógrafo na belíssima caricatura que ele fez do conceituado Fabio Civitelli (que foi feita para a entrevista que o autor texiano concedeu ao Blogue do Tex). Essa caricatura já contava com os autógrafos do caricaturado (Fabio Civitelli), do gestor do blogue para o qual ela foi feita (José Carlos), faltava somente a do autor da caricatura (Bira Dantas), que felizmente agora não falta mais.
Além dos predicados do visitado que coloquei no início do texto, posso acrescentar agora também, o simpático, o gentil, o bom de “prosa” (como diriam os antigos), Bira Dantas.
Muito obrigado mestre Bira, pela recepção e pelos presentes, e espero futuramente acertar uma segunda visita para nos aprofundarmos nos diversos assuntos pertinentes ao mundo ilustrado, pois o Bira tem muito a nos contar e a nos ensinar. E disponibilizarmos também para os leitores do blogue, belas canções executadas pelo Bira na gaita!!!!
Post-scriptum: Para o texto dessa matéria não ficar muito longo e cansativo, alguns assuntos foram abordados superficialmente. Então para visualizar (e ler textos sobre) obras, exposições e viagens citadas nessa matéria (além de outras magistrais obras do Mestre Bira), continue lendo sobre Bira, acessando: